Planos e Promessas
18 Felipe.
Notas iniciais

Bianca fez um gesto para eu me sentar na cama, dando batidinhas no colchão. Sentei-me na ponta, nem muito longe nem muito perto. Apenas aflito com a situação.
Pela expressão dela, deduzi que o que iríamos conversar a seguir não tinha nada a ver com reconciliação.
Só de pensar que as coisas poderiam ficar piores do que já estavam, comecei a me desesperar por dentro. Uma angústia muito forte se aflorou dentro de mim.
— Eu não sei como dizer isso – ela começou, remexendo-se sobre o colchão. Evidentemente desconfortável.
Bianca puxou o lençol para mais perto do corpo, como numa tentativa de proteção.
Observei-a atentamente, tentando a todo custo segurar as lágrimas que tomavam conta dos meus olhos.
— Mas vou dizer logo de cara, sem enrolação – ela desviou o olhar do meu por um momento. — Eu quero terminar, Felipe.
Fiquei pelo menos uns cinco minutos mudo.
Pensando se tinha ou não entendido direito.
— O quê? – perguntei, com a voz falha. Minha visão já estava embaraçada por conta das lágrimas. — Acho que não entendi direito...
— Eu quero terminar. Eu não posso mais continuar com isso. – disse ela, mexendo nos dedos nervosamente. — Eu não consigo mais conviver com esse nosso relacionamento frágil, que se quebra com qualquer coisinha. Não estamos sendo justos um com o outro. Isso não está sendo saudável para nós dois.
Eu queria dizer muitas coisas naquele momento, mas a voz estava presa, entalada no meio da garganta.
Deixei uma lágrima escapar dos meus olhos.
E logo em seguida vieram todas as outras.
Um choro baixinho, sem ruídos.
Bianca olhava para mim surpresa, acho que ela não esperava que eu começasse a chorar assim. Mas o que eu poderia fazer? Até poucos minutos atrás eu estava no banho, contente por ter pensando em algo que pudesse salvar de vez o nosso relacionamento.
E agora ela estava acabando com todas essas possibilidades.
— Você não pode fazer isso. – foi tudo que eu consegui dizer, enquanto tentava secar as minhas lágrimas. — O que eu fiz? O que aconteceu? Nós estávamos tão bem...
— Sim, nós estávamos. Mas por quanto tempo? 48 horas até tudo desmoronar novamente? Não, Felipe. Não é isso que eu quero pra mim, não é isso que eu quero para nós.
— Mas o que foi que eu fiz? – insisti, com um misto de tristeza e raiva. Não conseguia pensar em nada que tivesse feito de tão sério assim para acabar com tudo de uma vez por todas.
— Você não fez nada. – ela disse, abaixando a cabeça e olhando para as próprias unhas, com o esmalte perolado descascando. — O problema não é você, somos nós.
Não consegui acreditar cem por cento nela naquele momento. Havia algo em seu olhar, em sua voz, em sua expressão que indicava que ela estava mentindo, me escondendo algo. E eu precisava saber o que era.
— Por favor, só me diga o que foi que eu fiz de errado...
— Eu já disse! – ela elevou o tom de voz, voltando a me olhar, agora com um olhar mais feroz. — Você não fez nada. Esse é o problema! Nós nunca fazemos o bastante para manter isso estável e durador. Porque nos tornamos fracos e esse relacionamento não tem mais salvação. Acredite.
Aquelas palavras foram como tiros no meu peito.
Doeu tanto que tudo que eu pude fazer foi esconder meu rosto banhado por lágrimas com as mãos.
Tentei manter a calma e respirar profundamente por um segundo antes de dizer alguma coisa.
— Isso não é verdade. – digo, tranquilamente. Voltando a olhar pra ela, mesmo que as lágrimas dificultem um pouco. — Nós não somos só mais um caso perdido.
Ela me olha intrigada, esperando que eu continue o que eu tenho pra dizer. Tudo que está preso, tudo que está entalado. Tudo que eu quero muito dizer, mas não consigo.
— Eu te amo, Bianca. Não faz isso comigo. – a tristeza é tanta que tenho que parar de falar por um segundo, até conseguir manter a calma. Mas os soluços são maiores e mais fortes.
Eu poderia muito bem me ajoelhar agora nesse exato momento e pedi-la em casamento, mas não assim que eu planejei, não foi assim que eu imaginei. Não para salvar um namoro que ela está prestes a terminar por pura infelicidade.
— Eu quero você. Eu acredito em nós. Eu não posso viver em nenhum outro lugar que não seja aqui com você. Eu não posso viver com nenhuma outra pessoa que não seja assim, como você. Eu não posso! Eu não consigo... Eu... Eu...
Outra pausa.
Dessa vez eu chorei pra valer, cansei se segurar o choro. Mas sabe o que mais doía? Era estar chorando sozinho, sem ter nenhum tipo de apoio da parte dela. Nada. Apenas eu, sozinho, com a minha própria tristeza e dor.
— Sabe, eu pensei que você me amasse também. – consegui dizer em meio às lágrimas. — Eu pensei que você quisesse isso tanto quanto eu. Mas pelo visto não. Eu estava enganado. Então, me diz... O que foi que aconteceu de ontem pra hoje para fazer você mudar de opinião?
Ela engoliu em seco.
Não esperava pela minha pergunta.
Então, ela se levantou e começou a andar de um lado para o outro. Passando a mão no cabeço e no rosto. Estava nervosa, eu podia ver, podia sentir. Ela queria muito dizer alguma coisa, mas lhe faltava coragem.
Enxuguei o rosto com um pedaço do meu roupão antes de me levantar e ir até ela. Tentei toca-la, tentei me aproximar, mas ela não permitiu, me afastando um gesto rude e um olhar frio.
— Eu já tomei a minha decisão. Não posso mais, não quero mais, isso não está certo. – olhando para ela, vi que ela não parecia triste e nem incerta ao dizer tais palavras.
Muito pelo contrário, ela estava certa daquilo, confiante e convicta.
— Se você não for embora daqui agora mesmo, amanhã eu mesma vou.
— Você ficou doida? – me espantei. — Não posso simplesmente fazer as malas e ir embora daqui agora. E a minha opinião não conta? E as coisas que eu sinto?
— Tudo bem. Eu só estou nervosa, desculpe... Você pode ficar aqui essa noite. Mas amanhã terá que tomar uma decisão. – ela pegou seu travesseiro que tanto ama e o levou para fora do quarto, para muito provavelmente se acomodar no quanto de hospedes, longe de mim.
Fiquei ali, parado no meio do quarto com as lágrimas escorrendo dos olhos, olhando para o nada e pensando como é que eu tinha permitido que as coisas se resultassem nisso.
Vesti meu pijama e lavei o rosto em seguida. Mas nem isso foi o bastante, eu estava abalado demais, desejando que aquilo não passasse de um terrível pesadelo.
Deitei-me na cama após apagar as luzes e me cobri com o lençol, onde tinha o cheirinho da Bianca por toda parte. O que só me fez chorar ainda mais, encolhido e sozinho.
Nem sei quanto tempo se passou até eu senti uma coisinha pequena e peluda pular em cima da cama e se aninhar em mim, lambando os meus dedos.
Era o Toddy, tentando me dizer que ficaria tudo bem.
Só que eu não tinha tanta certeza assim.
Custei a pegar no sono, as lágrimas não paravam de escorrer e o peito doía demais, ardendo de um jeito sufocante.
Antes de enfim dormir pensava em todos os momentos de felicidade que nós tivemos e se realmente valeria a pena deixar tudo para trás por causa de mais um desentendimento entre nós.
Naquela noite sonhei que durante a madrugada a Bianca entrava de fininho no quarto, juntava-se a mim e ao Toddy na cama. Beijava meus cabelos e sussurrava que tinha cometido um grande erro. Ela se desculpava e me abraçava até também pegar no sono.
Mas isso só aconteceu mesmo na minha imaginação.
No outro dia, quando acordei para ir trabalhar – se é que eu tinha condições de trabalhar – a Bianca já não estava em casa. Eu olhei em todos os cômodos e nada dela.
Fui trabalhar me sentindo péssimo. Meus alunos de cara perceberam. Eu não era do tipo de professor que levava problemas pessoais para o trabalho, mas naquele dia não pude evitar. Pedi desculpas a eles e saí de sala, indo direto para o vestiário, onde me escondi em um canto e desatei a chorar.
Mais tarde, Mariza perguntou se eu estava bem. Eu não queria envolve-la naquilo, mas eu não consegui mentir pra ela. Ela veria a mentira na minha cara, estampada.
— Vá para casa e descanse. – disse ela, calmamente. — Substituiremos você. Volte quando estiver se sentindo melhor.
Não tive outra escolha.
O ultimo lugar que eu queria ir agora era pra casa, onde a realidade era bem mais dura. Quando cheguei em casa, estava tudo silencioso e quieto. O Toddy estava cochilando no sofá. Subi direto para o quarto, onde em cima da cama coloquei a minha mala.
Peguei as coisas mais importantes: bastante roupa, meus produtos de higiene pessoal, coisas de trabalho, objetos íntimos, alguns quadrinhos e o carregador do meu celular.
Nem mesmo se eu quisesse, conseguiria levar tudo de uma vez.
Olhei uma ultima vez em volta, para o quarto que costumava ser nosso. Mas que já não seria mais.
Lá em baixo, após dar uma volta pelos demais cômodos, eu me despedi do Toddy, com lágrimas nos olhos. Não sabia dizer qual seria a próxima vez que nos veríamos.
Ele pareceu sentir a minha tristeza e lambeu meu rosto.
Ele já era como um filho para mim, seria difícil não poder vê-lo todos os dias, pulando e balançando o rabinho quando me visse entrando pela porta depois de um longo dia de trabalho.
Dirigi até o apartamento dos meus pais, onde eu fiquei na ultima vez em que precisava de um tempo para pensar. Mas dessa vez era diferente. Bianca não tinha pedido só um tempo e eu não voltaria para casa quando tudo estivesse bem de novo.
— Filho? Oi. O que você faz aqui à uma hora dessas? – minha mãe estava em casa e me recebeu de braços abertos, como sempre. Ela se aposentou do trabalho no ultimo ano.
Eu a abracei, deixando a mala no chão. Abracei-a apertado, sentindo aquela paz que só ela era capaz de me transmitir. Mas que nem isso era o bastante aquele dia, porque só me fez chorar ainda mais.
De novo e de novo.
— Felipe, que carinha é essa? – perguntou ela, preocupada. Ela se afastou e segurou meu rosto molhado. — O que aconteceu, meu filho?
Não estava em condições de responder a nenhuma pergunta agora.
— O que foi que aquela garota fez com você dessa fez? – ela perguntou, insistente.
Minha mãe nunca foi muito fã da Bianca. A Bianca nunca foi uma nora puxa saco, daquelas que presenteia a sogra e diz mil maravilhas sobre ela. Muito pelo contrário, desde o inicio do nosso namoro, quando as coisas era bem complicas entre mim e a minha família, a Bianca foi à única capaz de enfrentar a minha mãe e desde então elas mal conversam, a não ser que seja realmente necessário.
Mas eu sempre disse a minha mãe que não importava o que ela dissesse sobre a Bianca, porque nada nunca mudaria o que eu sentia por ela. Por isso ela até evitava ficar falando pelos cotovelos, mas nem sempre conseguia se segurar.
Como agora.
— Mãe, por favor. – digo, antes que ela continue. — Não vamos falar sobre isso agora, ta? Depois eu te explico tudo, eu prometo. Só me diga que eu posso ficar aqui, tipo, por um bom tempo, até eu encontrar um apartamento ou coisa assim.
— Então vocês finalmente se separaram? – ela disparou e eu a olhei daquele jeito duro. — Claro, filho. Fique aqui pelo tempo que precisar. Sabe que pode contar comigo, sempre.
Fui para meu antigo quarto junto da minha mala. E antes de qualquer coisa, passei a chave na porta. Não queria se incomodado por agora. Só queria ficar sozinho, mesmo com toda essa infelicidade.
Meu quarto continua igual ao que era há nove anos. Porém, um pouco mais limpo e organizado. As paredes em azul-marinho. A janela em frente ao beliche que eu dividia com meu irmão. A cortina branca, o velho guarda-roupa de madeira, a escrivaninha com meu antigo computador e perto da porta a minha prateleira com alguns quadrinhos mais antigos da Marvel e alguns poucos bonecos que eu deixei mesmo depois de me mudar.
Nem me dei o trabalho de desfazer a minha mala, apenas a deixei no canto. Fui direto para a parte de baixo do beliche, onde me deitei encolhido, puxando o coberto limpinho para me cobrir.
Era como se eu tivesse voltado a ser aquele adolescente de antes, cheios de inseguranças, duvidas, medo e desafios a serem enfrentados.
Fiquei pensando na Bianca, se ela sentiria alívio ao encontrar a casa com quase nada que me pertencesse. Fiquei pensando o que ela faria a seguir, se sairia para comemorar ou se deitaria relaxada no sofá com o Toddy, feliz da vida por finalmente ter se livrado de mim. Ou se ligaria para as amigas e contaria que estava solteira.
Fiquei imaginando o que seria de mim nos próximos dias. Se eu algum dia estaria preparado o bastante para voltar para o trabalho. Por quanto tempo eu ficaria na casa dos meus pais. Imaginei quando eu voltaria e ver o Toddy ou se eu e a Bianca não reencontraríamos tão cedo. E mais, imaginei se algum dia eu estaria preparado novamente para entregar meu coração a outra mulher que não fosse ela.
Chorei, chorei e chorei.
Caí no sono e acordei apenas com a minha mãe batendo na porta e chamando por mim.
Era hora do jantar.
Cumprimentei meu pai, que tinha chegado do trabalho não fazia muito tempo e parecia bastante feliz por me ver. Eu não era muito de visita-los, apenas ligava bastante, mas poucas vezes eu realmente vinha aqui.
Mamãe e papai durante todo o jantar, diferentemente de anos atrás, tentaram a todo custo puxar conversa enquanto eu comia calado e pensativo. Eles falavam de tudo um pouco: trabalho, viagens, planos, casa, futebol, política, até mesmo sobre a novela que começaria em alguns instantes.
Mas tudo que eu fazia mesmo, além de ouvi-los, era concordar com a cabeça.
Depois que terminamos de comer, ajudei a mamãe com a louça, por mais que ela tivesse insistido que eu fosse ficar com o papai na sala, bebendo cerveja e vendo a novela.
Quando terminei de ajuda-la, fui direto para o meu quarto, com a desculpa que acordaria cedo para ir trabalhar. Sendo que eu nem sabia se de fato iria trabalhar amanhã.
Não consegui dormir de imediato, minha cabeça estava cheio de pensamentos altamente depressivos. Então peguei uma das minhas revisitinhas mais novas e comecei a lê-la, tentando me distrair com as imagens.
Só que nem isso foi capaz de tirar de mim tais pensamentos. Então eu desejei, do fundo do meu coração e de olhos fechados, que meu irmão estivesse ali, para que eu pudesse abrir meu coração para ele e no final, pudesse me sentir melhor com isso.
Mas ele não estava.
Eu realmente estava sozinho.
Peguei no sono a meia noite e nenhum sinal da Bianca.
Quando acordei no outro dia e olhei em volta, tentando reconhecer o lugar onde eu me encontrava, foi quando eu novamente me dei conta da situação. E só de pensar em tudo isso mais uma vez, não fui capaz de me levantar para ir trabalho.
Voltei a dormir e só acordei às onze da manhã.
Fui ao banheiro, no corredor, onde fiz toda minha higiene pessoal. Depois me juntei a minha mãe na sala, onde ela assistia àqueles programas matinais de culinária.
— Você está péssimo. – diz ela, olhando-me. — Vou pegar um pouco de café pra você.
Minha mãe estava me mimando, como ela sempre fazia quando eu aparecia por aqui. No fundo, eu suspeitava que ela ainda se sentisse culpada por ter me feito tão mal no passado. Sendo que eu já tinha a perdoado há muito tempo.
Passamos o resto do dia no sofá vendo televisão. Os programas mais inúteis da história. O melhor de tudo é que eu estava deitado com a cabeça em suas pernas, sobre uma almofada, enquanto ela mexia no meu cabeço, bagunçando-os.
Por muitas vezes, por falta do que fazer, eu acabava pegando no sono e acordava assustado com algum barulho na tevê.
— E se nós pedíssemos comida tailandesa para o jantar? – ela sugeriu ao cair da noite. Meu pai chegaria em poucas horas.
Achei que seria uma boa ideia, mas enquanto ela fazia o pedido e teríamos que esperar, fui tomar um banho e voltei a vestir meu pijama.
O papai chegou e fomos até a cozinha comer.
Novamente fui dormir mais cedo, na esperança que me sentisse melhor para ir trabalhar no outro dia.
Coisa que não aconteceu, mas por sorte já era sexta-feira. Antes de voltar a dormir, com a cara inchada de tanto chorar durante toda madrugada – a única coisa que eu conseguia fazer ultimamente – liguei para a Mariza e expliquei a situação.
Fui comprar pão para minha mãe e fermento para ela fazer um bolo mais tarde. Mais uma vez ficamos vendo tevê pelas próximas horas, enquanto ela mexia no meu cabelo.
Mais tarde, cansado de todo aquele silencio, sentei-me no sofá e virei-me para ela.
— O que foi? – perguntou, preocupada.
— A Bianca terminou comigo.
Expliquei a história toda para ela.
Coisa que ela queria saber já há um bom tempo desde que cheguei.
Passei o final de semana inteiro em casa, mofando em meu quarto. Saindo apenas para ir ao banheiro e fazer as minhas refeições. O tempo passou depressa e mais uma semana deu inicio. Dessa vez, diferentemente de dias atrás, eu já me sentia bem melhor – não inteiramente, claro –, coisa que iria demorar um bom tempo para acontecer, mas pelo menos já era capaz o bastante para levantar e ir trabalhar.
Dei minhas aulas normalmente, com um sorriso na cara. Até consegui me distrair por um tempo, mas sempre que eu avistava a Valéria de longe ou até mesmo se insinuando pra mim sentada nas primeiras carteiras, eu me segurava a todo custo para não partir pra cima dela e xingá-la e todos os nomes feios existentes.
Na sexta-feira, após uma longa e interminável semana, ainda sem qualquer noticias da Bianca, minha mãe me chamou para uma conversinha muito séria.
— Você precisa parar de se esconder naquele quarto! – disse ela, toda brava. — Esse não é o Felipe que eu conheço. Esse não é o filho por qual eu tanto me orgulho. Não quero mais te ver assim, você não sabe o quanto isso parte o meu coração. Você tem que dar um jeito nisso e dar a volta por cima. Se aquela garota não te quis, vão ter outras que vão te querer. Porque você é um homem maravilhoso! Mas você nunca vai descobrir isso se não sair dessa casa, se não for dar uma volta por aí, rever os seus amigos e se não parar de alimentar essa tristeza de uma vez por todas.
O que minha mãe não entendia, ou que ninguém jamais entenderia, é que eu até tinha vontade, só não tinha forças. E também, não é como se eu já estivesse cem por cento preparado para partir pra outra, conhecer outras mulheres, curtir festas, estar no meio da farra, compartilhar essa tristeza com meus amigos.
Eu não queria nada disso agora!
Tudo que eu queria era ter a Bianca agora, voltar a minha rotina normal, ir trabalhar numa boa, passear com o Toddy...
Eu queria ter a minha vida de antes de volta.
Mas por outro lado minha mãe tem razão. Isso não está fazendo bem para mim. Ficar trancado no quarto cutucando as feridas não vai resultar em nada, além de mais sangramento.
Nada disso vai me fazer ter a Bianca de volta. Não vai fazer eu reconquista-la.
E se eu me lembro bem, eu tinha um plano antes disso tudo acontecer. A Gabi tinha me sugerido algo. E se eu quisesse mesmo colocar esse plano em ação, eu precisava começar a pensar nisso logo, por onde começaria. E deixar de me esconder, de chorar, de pensar tanto e nada fazer.
— Você tem razão, mãe. – eu a puxo para um abraço, fazendo-a soltar um risinho. Isso é o bastante para me fazer sorrir. — Isso não é certo. Nada disso está certo. A Bianca está completamente enganada e equivocada. Eu não vou deixa-la escapar assim de mim. Eu preciso fazer alguma coisa.
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