Notas iniciais
E mais uma vez vocês vão me odiar por estragar tudo haha Mas antes de qualquer coisa: PARABÉNS pra mim! Porque hoje é o meu aniversário! Eba. Quer dizer, não estou TÃO feliz assim, porque detesto ficar mais velha, mas, a vida é assim mesmo. Boa leitura, meninas ♥

Bianca e eu estávamos brincando na cama e ela ria sem parar. No inicio estávamos apenas jogando objetos para o Toddy correr e ir buscar. Depois, não sei o que ela disse que eu comecei e enche-la de cócegas. Ela ria alto e se contorcia, implorando para eu parar quando meu celular tocou.

Entreolhamos-nos intrigados. Mas dessa vez ela não atendeu, quem atendeu meu próprio celular fui eu mesmo.

— Oi, Felipe. Como vai? – perguntou a pessoa, assim que atendi. — Sou eu, Mariza.

Ela não precisava ter dito, eu já tinha reconhecido antes.

Perguntei-me mentalmente como ela havia conseguido meu numero. Até porque éramos colegas de trabalho. Mas só isso. Sabia que ela me admirava muito como profissional, e eu também a admirava. Certamente ela havia conseguido meu numero na minha documentação.

— Vou bem. – digo, sem conseguir evitar um sorriso. Feliz por ela ter ligado. Com certeza eram boas noticias. Ia fazer quase duas semanas que eu estava afastado do trabalho e apesar de ser maravilhoso ficar com a Bianca aqui em casa, eu estava começando a sentir falta do que eu fazia.

— Estou ligando para dizer que você será muito bem vindo aqui amanhã. – disse ela, após alguns segundos de silencio. — Seu trabalho te espera, no lugar de sempre. Sentimos sua falta.

Eu quis dizer que eu também, eu mais que qualquer um sentia muita falta daquele lugar, das minhas coisas, da minha mesa, da minha papelada, das minhas canetas e principalmente da matéria, dos meus alunos.

Mas por fim, achei que seria exagerado demais. Então me contive.

— Obrigado pela confiança, Mariza. Nos vemos amanhã. Estou ansioso. – e desligamos praticamente ao mesmo tempo.

Coloquei meu aparelho celular de volta sobre o criado-mudo e voltei-me para Bianca que me olhava curiosa.

Eu a abracei tão apertado quanto dias atrás, quando ela apareceu segurando um colar que eu tinha lhe dado há tanto anos atrás.

— O que foi? – ela quis saber, surpresa com a minha mudança. Se eu já estava feliz e sorridente antes, agora estava muito, muito mais. — O que aconteceu? Felipe! Fala!

— Volto amanhã para o trabalho. E eu não via agora! – volto a abraça-la, sorrindo muito. Ela sorri também, mas por pouco tempo.

Quando me afasta e olho para ela, vejo certa tristeza em seu olhar, apesar de ela tentar disfarçar muito bem com aquele sorrisinho. Minha mente foi rápida. E eu logo soube o porquê de ela estar assim.

Bianca estava com medo de que a minha volta ao trabalho mudasse novamente as coisas entre nós, que ficássemos distantes e frios. E que as coisas voltassem a ser como semanas atrás. Tudo isso porque estávamos tão envolvidos em nossa bolha de amor, que não pensamos como seria quando voltássemos a trabalhar, cada um para um lado.

— Ei, não precisa ficar assim. – digo, tocando seu rosto com a ponta do dedo. Ela me olhava, atenta. — Nada vai mudar, o.k? Estamos bem, não estamos? – ela assentiu, suavemente. — E vamos continuar bem, não importa o que acontecer.

Eu queria que isso fosse verdade, eu queria estar tão confiante como soava estar. Mas eu não estava. Na verdade, agora, eu também sentia medo. Não queria que isso– seja lá o que estivesse acontecendo entre nós — se perdesse.

Puxei novamente para mais perto, envolvendo com meus braços. Um abraço agora mais doce, mais carinhoso. Um abraço calmo, onde ela pudesse repousar sempre que precisasse.

Beijei o topo de sua cabeça e ficamos assim, coladinhos, por um bom tempo, sem dizer nada um ao outro.

Acordei cedo no outro dia. Tomei um bom banho morno e vesti minha roupa de trabalho. Jeans e uma camisa escura, junto com meus sapatos. Dei uma ajeitada no cabelo e passei um pouquinho do meu perfume.

Bianca acordou com todo o barulho que eu estava fazendo no quarto atrás das minhas coisas, especialmente minha pasta.

— Ela está lá em baixo. – disse ela, como se adivinhasse meus pensamentos. — No lugar de sempre. – então sorriu.

Ela se espreguiçou, linda e relaxada, com aquela camisola branca de seda. E os cabelos presos, em um rabo de cavalo frouxo, com alguns fios soltos, soltando-se do elástico.

Avancei pra cima dela, deitado por cima e tentando ao mesmo não colocar todo o peso do meu corpo sobre ela. Dei muito beijinhos em seus lábios, depois beijei seu rosto e por fim a ponta de seu nariz.

— Você está ainda mais linda hoje. – digo, olhando no fundo de seus olhos verdes cristalinos. — Bom dia, amor.

— Bom dia, querido. Você pode me ajuda a ir até o banheiro?

Eu tinha tempo e também não era como se ela já tivesse cem por cento recuperada. Conseguia andar melhor, mas não podia apoiar o tornozelo por muito tempo e com muito esforço. Por isso, ela ainda não voltaria ao trabalho.

Talvez dali duas semanas, ou até menos. Mas não agora. Por enquanto eu cuidaria dela.

Esperei-a sair do banheiro para descermos juntos. Eu não fazia questão, mas ela fez. Ainda estava cedo, um pouco antes das seis e ela poderia dormir por mais tempo. Mas ela preferiu se juntar a mim no café da manhã.

Preparei rapidamente o café e peguei bolinhos no armário.

Algo simples e rápido.

Quinze minutos depois ela me levou até a porta, mancando um pouco, mas insistiu novamente em me acompanhar. Eu não protestei, até porque eu estava meio sem tempo. Já na porta, ela me beijou apaixonadamente e me desejou sorte.

— Eu te amo. – digo, antes de finalmente sair e ir de encontro ao carro.

Ela permaneci ali, apoiada na porta e sorrindo, até eu ligar o carro e pegar o caminho e enfim desaparecer.

Chego à faculdade e vou direto pegar o elevador. Subo até a sala dos professores, onde deixo minhas coisas no armário e cumprimento alguns dos meus colegas que parecem surpresos ao me verem. Por sorte, eu não tinha muito tempo para explicar porque havia sumido. Era algo muito pessoal.

Já na sala de aula, três minutos depois de o horário começar, meus alunos me recebem com carinho. Dizem que sentiram a minha falta e que não havia professor substituto melhor que eu. Isso fez com a minha autoestima se elevasse.

Eu estava muito feliz com a minha volta.

Retomei o conteúdo da matéria que o professor que me substituto essa semanas havia parado aula passada.

Tirei duvidas e pedi lição para casa.

No almoço fiquei pela praça de alimentação na universidade mesmo e enquanto enfrentava uma das grandes filas de uma das lanchonetes, resolvi tirar meu celular do bolso e ligar para a minha namorada.

— Oi, amor. O que você está fazendo? – perguntei, sorrindo. E aliviado por ela ter me atendido rápido, sinal de que estava tudo bem por lá.

— Além de sentir sua falta? – disse ela, me fazendo soltar um risinho. — Eu e o Toddy estamos vendo tevê.

— Em qual canal exatamente? – eu quis saber, o que pareceu ter e pegado desprevenida. Eu não era muito de detalhes, diferentemente dela.

— GNT. Estamos assistindo a um desfile que aconteceu em Miami algumas semanas anteriores. – e assim ela passou a me falar minimamente sobre todos os detalhes do que ela estava vendo, o que acontecia, sobre os look’s.

Muita coisa da qual eu nem tinha conhecimento, mas que mesmo assim era bom poder ouvir vindo diretamente dela. Daquela voz doce e meiga. Podia ser assunto mais chato do mundo pra mim, mas vindo dela já se tornava uma grande coisa.

Quando chegou a minha vez fiz meu pedido: uma coxinha de frango e um refrigerante em lata, de preferência Sprite. E procurei um lugar mais reservado para sentar. Enquanto isso, Bianca ainda tagarelava sem parar e vez ou outra perguntava onde eu estava e o que estava fazendo e o porquê de todo aquela barulheira em volta.

Tive que desligar meia hora depois, pois meu horário de almoço já estava chegando ao fim. Passei no banheiro antes de subir para a minha próxima sala, para minha próxima turma do período da tarde.

Mais uma vez fui recebido com muito carinho pela turma, que disseram já estar com saudades de mim. E sem perder muito tempo comecei um bate-papo com eles, perguntando como foram esses dias sem mim, quais eram suas principais duvidas, em que conteúdo eles haviam parado na matéria etc.

Enquanto eu passava a matéria no quadro para eles copiarem, houve uma batidinha na porta. Alguém entrou depois de ter pedido licença. Era a Valeria.

Fiquei tenso, não esperava vê-la tão cedo. Afinal, tinha justamente sido por causa das gracinhas dela que eu havia sido temporariamente afastado do meu trabalho.

Uma parte de mim, todo esse tempo, teve esperanças que de alguma forma ela também tivesse sido punida pelo seu comportamento na nossa ultima discussão. Mas pelo visto não, nada disso. Ela continua ali, intacta. E com a cara de pau de sempre. E atrasada, por sinal.

Valéria estava usando um shortinho preto de cintura alça que em minha opinião era muito curto para um ambiente escolar e uma blusinha por dentro do short de seda de uma rosa clarinho, quase pêssego. E sapatilhas brancas com um laço preto.

As luzes loiras do seu cabelo grande e volumoso pareciam mais destacadas. Não sei se era a luz ou se era porque realmente ela havia as retocado.

— Desculpa pelo atrasado, professor. – ela sorriu de um jeito sínico antes de encontrar um lugar para se sentar.

Não sei bem dizer, mas aquele sorrisinho provocou em mim sérios calafrios. Ela me causava pânico e terror. Eu odiava ter que aturar tê-la por perto, sabendo que ela queria ter comigo algo que ia muito além de um relacionamento entre professor e aluna.

E o pior foi que ela ficou olhando pra mim com aquele sorrisinho estampado no rosto durante todo o tempo, como se nada fosse melhor do que me ver de volta.

Eu tentei ignora-la e fingir que ela não estava ali, bem no meio da classe, mas meu olhar sempre voltava pra ela e me fazia perder a fala. Só espero que os demais não tenham percebido.

No final da tarde, quando todos se despediam e saiam da sala, recolhi minhas coisas rapidamente, já imaginando o pior, porque Valéria estava se demorando muito com seu material e e sabia que era proposital, para ficarmos a sós quando todos saíssem.

Por fim, não tive como evitar ou sair correndo, pois um dos meus alunos, um dos últimos, ficou para trás e se aproximou para tirar algumas duvidas que ele tinha ficado durante a aula. Dez minutos depois ele se foi e a Valéria permaneceu, quase que me esperando.

Peguei minhas coisas e dei um passo em direção a porta, mas ela me impediu, com sua voz estridente e aterrorizante.

— Fiquei feliz com a sua volta. – comentou ela, enquanto eu fechava os olhos e suspirava, pedindo forças mentalmente. — Por um momento tive medo que nunca mais voltasse a vê-lo.

Ela se aproximou e eu fiquei em estado de alerta.

— Espero que nunca mais eu não volte a sentir nada parecido. – disse ela, já parada em minha frente. Perto demais. — Não quero imaginar algum dia perdê-lo. O senhor é muito importante pra mim e esses dias sem você foram os piores.

Dito isso, ela se aproximou antes que eu pudesse raciocinar e beijou o meu rosto, na lateral esquerda.

Com um sorriso ela se foi de vez.

Dessa vez eu não fiz questão de ficar para o turno da noite. Peguei o carro e fui rapidamente para casa.

Pelo caminho passei por uma floricultura, onde comprei tulipas cor-de-rosa para Bianca. Junto a um cartão, onde eu mesmo escrevi com uma canetinha preta:

“Eu não quero te perder. Não quero que a gente se perca no meio da nossa própria bagunça.”

O céu já estava escuro quando cheguei em casa. E sem qualquer sinal da lua ou das estrelas. Do lado de fora estava tudo tão calmo e silencioso. A rua deserta. As famílias trancadas dentro de suas casas, preparando-se para o jantar.

Ou não.

Entrei e o único que encontrei ali em baixo foi o Toddy, em frente à tevê, em cima do sofá, com as patinhas cruzadas, como se ver tevê fosse à coisa mais interessante do mundo para ele.

Ouvi a voz da Bianca vindo da cima. Virei-me para o Toddy com um sorriso e pedi para ele fazer silêncio e não entregasse que eu tinha chegado. Sempre que eu saia e voltava, ele fazia uma festa em me ver chegar. Pulava e latia sem parar, até que eu pegasse no colo e beijasse sua cabeça.

Subi devagarzinho, na ponta dos pés, com as flores. Bianca estava no quarto, porque o único cômodo com a luz acessa era o nosso quarto. E ela estava falando com alguém. Ou será que ter passado um dia sozinha havia a deixado louca e ela estava falando sozinha agora?

Aproximei-me, curioso.

Ela estava ao telefone.

Observei-a, escondido perto da porta.

— Eu não pensei que você fosse ligar tão cedo! – disse ela, soltando um risinho. Será que estava falando com a Luiza, com a Nati ou será que era com uma prima?

Bianca estava enrolada a um roupão branco, o cabelo preso em um coque mal feito e o rosto coberto por uma pasta branca, que era uma máscara de beleza que ela fazia pelo menos uma vez na semana quando estava de bom humor. Uma máscara composta por pepino e chá-verde.

Continuei escondido, escutando. E esperando o momento certo para surpreendê-la, de preferência quando ela largasse o telefone.

— Claro que eu senti sua falta. – ela soltou outro risinho. — Afinal, faz tanto tempo em que a gente não se vê, a gente não conversa...

E depois disso ela não disse mais nada, o que não facilitou muito pra eu descobrir quem estava do outro lado da linha. Ela apenas soltava risinhos bobos, sorria com facilidade, conforme a outra pessoa ia falando do outro lado da linha.

Aquilo começou a me preocupar.

Bianca parecia feliz demais com aquela ligação.

Será que era bobagem minha? E se fosse seus pais?

— Se eu me lembro daquele tempo? — ela voltou a dizer, atraindo minha atenção. Ela estava virada de lado, por isso ainda não tinha me visto. — Claro que me lembro... Você era tão adorável... Tão sensível... Estava sempre me surpreendendo das melhores formas... E eu era tão imatura naquela época, tão infantil e bobinha e mesmo assim você me suportava, porque gostava de mim de verdade.

Não estava gostando nem um pouco do rumo daquela conversa. Todas as minhas opções foram descartadas nesse momento. Não poderia ser uma amiga, se não elas estaria fofocando e falando coisas de garotas. Não poderia ser seus pais, se não ela estaria louca para desligar logo, por eles estarem dando uns de seus tantos sermões.

Então, quem poderia ser afinal?

— Ah, Danilo. Para com isso! – ela riu, toda abobada. — Claro que eu estou feliz por você ter ligado. Não seja bobo. Não, não. Você não atrapalhou nada... Eu só estava aqui em casa, de bobeira, sem nada de bom pra fazer...

E aquela revelação foi a gota d’ água pra mim.

Danilo?

Não, só poderia estar de sacanagem comigo.

Depois de tudo, da nossa briga, da gritaria, das agressões tanto verbais quanto físicas, ela ainda estava conversando com ele assim, tão tranquilamente? Como se eu não o odiasse ou como se ele não fosse um dos motivos das nossas brigas.

Pelo visto eu fui o único otário aqui, que realmente acreditou que estava tudo bem, que estava tudo resolvido e acabado. O único otário que saiu correndo do trabalho, comprou flores e escreveu um cartão e tudo isso pra que? Pra chegar em casa e se deparar com a minha mulher de conversinha com outro? Como se eles estivessem relembrando os melhores momentos de suas vidas? Não. Não não não. Essa eu não posso suportar.

Ao contrario da ultima vez eu não estava disposto a bater boca e muito menos partir pra cima dela e tacar aquele celular longe. Dessa vez eu estava muito mais decepcionada, chateado e triste, do que bravo e nervoso.

Voltei a descer sem fazer barulho e na cozinha abri a lata de lixo, onde joguei as flores fora junto com o cartão idiota que eu escrevi uma mensagem ridícula para dar a ela. Peguei minhas coisas: chaves do carro e minha pasta de trabalho que deixei largado no lugar de sempre.

Antes de sair eu abaixei e deixei o Toddy se aproximar.

— Desculpa, filho. Mas isso é demais pra mim. Eu tenho que ir, viu? – fiz carinho na cabecinha pequena dele cheia de pelos enroladinhos e escuros. — Mas isso não é um adeus. E nada disso vai mudar o que eu sinto por você.

Ele deitou a cabeça na minha mão, enquanto eu fazia carinho na sua orelha e ele batia o pézinho, adorando aquilo. Quando eu parei, ele me olhou de uma forma, como se perguntasse o porquê de eu não poderia leva-lo junto comigo, para onde quer que eu fosse.

— Eu não posso. Sinto muito. — continuei olhando para ele, crente de que ele entendia cada palavra minha. — Para onde eu vou não é seguro para você. Aqui é o seu lar. – dei um beijinho em sua cabeça. — Fique aqui e cuide da mamãe, o.k?

Então saí de casa com a roupa do corpo, para onde eu não pretendia voltar nem tão cedo.

Estava cansado de tudo aquilo.

Queria tempo e espaço para pensar e refletir sobre aquilo.

Mas para isso eu precisava de um lugar onde pudesse ficar temporariamente, para onde eu sempre pudesse voltar quando eu mais precisasse, como agora. Um lugar onde haveria cama e comida e um lugar especial e guardado para mim.

Quinze minutos depois cheguei em frente ao meu antigo prédio, no centro da cidade. Cumprimentei o porteiro que eu conhecia bem e há anos. Peguei o elevador e subi.

Bati na porta duas vezes.

Então ela se abriu.

E ela estava ela... Minha mãe.

Minha casa, meu lar, minha família.

— Oi, mãe. – sorri, fraco. — Posso ficar aqui por uns dias?

Ela sorriu timidamente.

— Claro, meu filho. – e estendeu os braços na minha direção. — Pode ficar aqui pelo tempo que precisar.

Notas finais
Dessa vez foi bem pior do que todas as outras vezes. Felipe saiu de casa. Será que eles vão terminar de vez? Digam o que acham que vai acontecer a partir de agora. Beijos, beijos!