Notas iniciais
Será que agora eles vão enfim parar, sentar e conversar?

Meus pais e eu tínhamos tido um dia maravilhoso. Saímos para passear, comemos fora e tiramos milhares de fotos. Agora que sabiam da minha gravidez eles estavam me mimando mais do que o normal. Mas nada me tirava da cabeça a conversa que eu e o Felipe tínhamos tido pela manhã. E quando cheguei em casa e fui para o meu quarto, a primeira coisa que eu fiz foi desabar na cama e começar a chorar.

Meu pai bateu na porta alguns minutos depois, perguntando se poderia entrar, por mais que a porta estivesse escancarada. Eu me sentei e tentei me recompor. Sequei minhas lágrimas. Mas assim que ele sentou comigo na cama e puxou minha cabeça para o seu peito, eu recomecei a chorar.

Fiquei chorando por um tempinho. Inconsolável. Até que meu pai resolveu agir. Segurou meu rosto e me fez olhar dentro dos seus olhos enquanto secava minhas lágrimas com os polegares e com um pequeno sorriso.

— Você não me parece bem, desde o dia em que chegou aqui. Por mais que tenha tentando disfarçar. Eu sou seu pai e percebo certas coisas. Só não queria perguntar nada para não te chatear ou te ofender. Mas você sabe, eu detesto ver a minha princesinha desse jeito. É de dar dor no coração.

Suas palavras me fizeram sorrir e ao mesmo tempo me sentir muito mal por ter estragado tudo. Essa viagem era para ter sido diferente. Minha intensão em vir para cá não vou apenas para fugir dos meus problemas lá no Brasil, mas também passar um tempo com meus pais, matar a saudade, estar com eles... Mas pelo jeito eu estraguei tudo.

— Sei que você e o Felipe têm passado por muitos problemas. Eu não sou bobo nem nada. Percebi isso desde nossa última visita a vocês. E sei também que muitas pessoas já tentaram ajudar, principalmente seus amigos, com palavras de conforto, dizendo que vocês se amam e foram feitos um para outro. Você deve estar cansada de ouvir isso. Mas minha função como pai também é ajudar no que for preciso. Sua mãe tem passado mais tempo aqui trancada nesse quarto com você do que eu, então acho que chegou a minha vez de fazer alguma coisa.

Ele dá uma pequena pausa antes de continuar, só para ter certeza que eu estou assimilando cada palavra.

— Você sabe que eu e sua mãe estamos juntos há muito tempo. Nós nos conhecemos na faculdade e desde então nunca mais saímos da vida um do outro. Mas nem sempre foi fácil. Claro, nunca é. Para nenhum casal. Há também tempos difíceis, em que nada parece dar certo, em que os problemas e dificuldades parecem maior que tudo e a única vontade é deixar tudo para trás, desistir e tentar seguir em frente.

Quando enfim meu choro estava controlado e minhas lágrimas secas, ele começou a passar a mão nos meus cabelos, como costumava fazer quando era bem pequeninha.

— O que você não sabe é que eu e sua mãe tivemos você também muito cedo. E não foi algo planejado. Simplesmente aconteceu. E não estávamos numa boa fase. Os dois estávamos muito estressados e ocupados naquela época, com o trabalho final da faculdade e aí quando descobrimos que você estava a caminho tudo pareceu desmoronar por um segundo. Nunca nós nos sentimos tão perdidos e não tivemos nenhum apoio de nossas famílias e amigos. O que ajudou muito, porque foi quando nós nos aproximamos pra valer.

Papai sorria de maneira doce, me olhando como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo.

— Apesar de não fazermos ideia de como sermos pais mesmo tão jovens, nós nunca pensamos em desistir. Nós continuamos na preparação do nosso trabalho final da faculdade e junto com isso acompanhamos o seu desenvolvimento desde o primeiro momento. Desde quando você era do tamanho de um caroço de feijão nós já te amávamos. Não só porque você era o primeiro fruto do nosso amor, mas também porque mesmo sem saber você nos aproximou, aumentou ainda mais o amor que sentíamos um pelo outro, você nos uniu e nos fez perceber que nada no mundo era mais importante do que termos um ao outro, mesmo quando o mundo mostrava o contrário. Desde que estivéssemos juntos enfrentaríamos qualquer dificuldade, qualquer inimigo. Porque o nosso amor era maior que tudo isso.

E mais uma vez eu estava chorando, mas um choro de emoção.

— E sabe porque eu estou te contando essa história toda pela primeira vez? Porque eu achei que esse era o meu modo de te ajudar nessa. De te mostrar que de alguma forma você não está sozinha. Você tem a mim, a sua mãe, seus amigos, sua família e tem o Felipe, que por mais distante que esteja agora, parece ter amar muito e estar ansioso para sua volta. Desde o começo eu sempre soube, eu sempre vi com meus próprios olhos, a maneira como ele te tratava, se preocupava com você, se referia a você, a maneira como te olhava, te esperava, segurava a sua mão... Era amor. Sempre foi amor.

Ele me abraçou carinhosamente.

— Não tenha medo, princesa. Pode ser que esse bebê não tenha chegado em uma das melhores horas ou que ele nem mesmo tenha sido planejado. Mas eu tenho certeza que ele só veio para melhorar essa situação. Para unir vocês dois novamente. Para trazer felicidade a vida de vocês. Então – novamente ele segurava meu rosto. — não tenha medo. Não fuja dos seus problemas, da sua realidade. Não prive o Felipe que sempre foi tão bom com você desse momento. Se ele é o pai desse bebê ele merece estar por perto, ele merece a verdade, merece compartilhar os pequenos momentos e detalhes.

Ele beija a minha testa.

— Pense que poderia ser diferente. Ele poderia ser uma pessoa ruim. Uma pessoa que não está nem aí com nada. Uma pessoa que não se importa com você, que não cuida de você, que não te protege, que não te ama e que só te trata mal, te engana, te machuca. Mas ele não é essa pessoa ruim. Ele é um dos garotos mais maravilhosos que eu já conheci. Em todos sentidos. Ele pode até não ser perfeito. Mas ninguém é. Ao menos ele te ama e está aguardando ansiosamente por você. Sei que você está apavorada, mas imagine só.... Ele também deve estar. E nada melhor do que vocês dois se unirem em um momento com esse e se prepararem para a melhor fase de suas vidas. – papai também estava muito emocionado. — Eu ainda me lembro de quando você chegou ao mundo. Um bebezinho gorducho e chorão, rosado e com os cabelinhos clarinhos que mal dava para enxergar. Você raramente abria os olhos. Não dava trabalho para nada. Só chorava mesmo quando estava com fome. Mas quando abria os olhos, aqueles olhos verdes que deixavam qualquer um impressionado. Você era linda! Você sempre foi essa mulher linda da qual eu tanto me orgulho. E até hoje eu sinto muito por nem sempre ter sido um bom pai para você...

— Papai, não diga isso. Como você mesmo disse: ninguém é perfeito. Você e a mamãe estavam muito ocupados com o trabalho, fazendo o que era melhor para mim, para o meu futuro. Naquela época eu não entendia, mas hoje eu entendo. E você não tem que se envergonhar disso. Nem mesmo pedir desculpas. Pra mim você sempre será o melhor pai do mundo. – dei um beijinho em sua bochecha. — E obrigada por tudo. Sempre. Por ser maravilhoso, por ser compreensível, amigo, companheiro e por saber as palavras certas a dizer nos maus momentos.

Novamente nos abraçamos, os dois muito chorosos, só que agora um abraço mais demorado, daqueles bem apertados e aconchegantes que dá vontade de nunca mais soltar.

— Agora durma, querida. – ele me cobriu como se realmente tivéssemos voltado no tempo e eu tivesse voltado a ser seu bebezinho. — Porque amanhã cedo irei te levar ao aeroporto.

Naquela noite eu tive a melhor noite de sono do último mês.

Como o esperado, acordei cedo no outro dia. Tomei um banho e tomei café da manhã com meus pais lá fora, em uma mesinha no jardim. Depois a mamãe me ajudou a fazer as malas e o papai me ajudou a coloca-las dentro do carro.

Não foi tão difícil assim me despedir daquele lugar maravilhoso, afinal eu estava muito mais ansiosa para chegar logo em casa. Então fomos logo ao aeroporto, onde comprei a primeira passagem que me apareceu pela frente. Para as três e meia da tarde. Eu ainda tinha um bom tempo até lá, então aproveitamos para almoçar ali mesmo, na praça de alimentação do grande aeroporto.

Foi difícil mesmo me despedir dos meus pais, horas depois. Nós choramos muito, nos abraçamos e nos beijamos.

— Mas não se preocupe, porque eu e seu pai voltaremos em breve para o Brasil. Antes mesmo do bebê nascer.

Com lágrimas nos olhos eu entrei no avião e me aconcheguei em meu lugar, na janela. Durante todo o voo eu tentei ler alguma coisa para me distrair e para o tempo passar mais depressa, mas acabei mesmo pegando no sono. E só acordei com a aeromoça me chamando, já no Brasil.

Desembarquei e fui direto pegar as minhas coisas. Depois saí em busca de um táxi, mas antes mesmo de chegar lá fora dei de cara com o Felipe esperando por mim no saguão. Certamente a mamãe havia ligado para ele para avisar que eu estava voltando.

Não me contive e saí correndo, deixando as malas largadas no chão e pulei em seus braços. Ele me segurou a tempo e me tirou no chão, enchendo meu rosto de beijos.

— Pronta para ir para casa? – perguntou ele com um sorriso largo.

Já era noite e o Felipe dirigia com total atenção. Tínhamos muito o que conversar, mas agora não parecia o momento certo. Teríamos todo o tempo do mundo para isso depois.

Ficamos calados durante todo o caminho, mas houve um momento, quando o carro parou no sinal vermelho, que o Felipe rapidamente virou-se para mim com um sorriso meigo e pousou a mão sobre a minha barriga.

Foi um gesto simples, porém muito significativo. Eu andava muito emotiva ultimamente. Chorando muito mais que o normal. Então, é claro que eu me emocionei um pouco.

Chegamos em casa um pouco antes da meia-noite e meia e adivinhem só que estava esperando por mim lá em casa? Luiza, Natália, Gabriela e Rafael. E aposto que Maria Eduarda e Pedro também teriam vindo se não morassem tão longe.

Fui recebida com muitos abraços, beijos e carinho. Por mais cansada que eu estivesse, apesar de ter dormido bastante durante o voo, ficamos conversando durante toda a madrugada. O Toddy o tempo todo no meu colo.

O pessoal foi embora lá para as três da madrugada, que foi quando eu subi com a ajuda do Felipe, que estava me tratando como se eu estivesse muito doente. O que era típico dele.

Tomei um demorado banho quente e depois fui me deitar só de roupão. Felipe e eu ficamos deitamos por um tempão, nos entreolhando, calados. Ele passava a mão vagarosamente no meu cabelo e rosto, até que eu peguei no sono e não vi mais nada.

Acordei no outro dia quase uma da tarde.

Felipe não estava mais ali, afinal era terça-feira. Um dia normal e comum. Um dia de trabalho. Mas havia deixado um bilhete junto a uma bandeja de café da manhã em cima do criado-mudo, ao lado da cama.

“Nunca estive tão feliz por você estar de volta. Eu esperei muito por esse momento. Por mim eu ficaria o dia todo deitado com você, mas infelizmente eu tive que acordar cedo para ir trabalhar. Mas não se preocupe. Eu volto logo. ”

Só deu tempo de trocar de roupa, pentear o cabelo e tomar o meu café da manhã especialmente preparado pelo Felipe, então a campainha tocou lá em baixo e eu desci correndo.

Era a Gabi.

— Olá, como vai? – ela me beijou e entrou, parecendo muito animada e feliz. — E como vai o baby? – ela tocou a minha barriga e sorriu ainda mais. — Pois é. Eu já estou sabendo...

— O pessoal todo já sabe?

— Na verdade, não. – ela soltou uma risadinha. — Não contei nem mesmo para o Rafa. Achei que essa era uma função sua e que eu não tinha nada que me meter.

Não sei porque eu demorei tanto tempo, na adolescência, para amar esse jeitão da Gabi. No início eu odiava, mas com o tempo eu aprendi a verdadeiramente ama-lo.

— Está ocupada? – perguntou ela.

— Só preciso mesmo desfazer as minhas malas. Porque?

— Ah, você deixa isso para depois. – ela fez uma careta engraçada. — Gravidas não podem fazer esforço. Manda o Felipe desfazer as malas para você depois. – ela soltou uma risada diabólica, eu não me contenho e rio também. — Que tal irmos ao shopping? Eu preciso muito da sua ajuda para resolver coisas do casamento. E sim, eu sei que você acabou de chegar e precisa de um tempo para voltar a se adaptar.... Mas você não me negaria um favorzinho, não é mesmo?

— Tudo bem. Eu te ajudo sim. Só espere um instante. Eu preciso ligar para a Luiza pra saber se está tudo bem na empresa. Faz um tempão que eu não apareço por lá. – me afasto, a procura do meu celular. — Espere aí, eu não demoro.

Luiza tem sido a melhor das melhores amigas desse mundo. Ela tem cuidado de tudo para mim sem nem reclamar. Na verdade, ela faz questão. E eu sou muito grata a ela por isso, pois confio a minha vida a ela.

Vamos ao shopping no carro da Gabi. O trajeto é curto e não demoramos muito para chegar. Damos algumas voltas pelo shopping enquanto ela me faz mil e uma perguntas sobre a viagem. E de repente me dou conta de quanto tempo faz que eu não saio assim com uma amiga, por estar ocupada demais entristecida com meus problemas pessoais.

— Vamos entrar ali. – Gabi me puxa para o lado. — É uma loja de um colega meu. E ele entende tudo de casamentos.

A loja é imensa e mais parece um outro mundo particular especializado em casamentos. É tudo tão delicado e incrivelmente bonito. Ali eles cuidam de absolutamente tudo, desde a decoração do casamento a lembrancinhas de festas.

Gabi e eu nos sentamos em uma mesa de vidro nos fundos com um arranjo incrível de flores, de frente a um homem mais velho e elegantes com fiozinhos grisalhos e um sorriso largo.

Ele é muito educado e gentil.

Chama-se Túlio.

Túlio nos mostra vários álbuns com milhares de fotos de casamentos que ele e sua equipe já realizaram ao longo dos dez anos de trabalho. É cada foto mais linda que a outra. Dá vontade de casar pelo menos umas cem vezes, com diferentes tipos de decoração.

Fico até emocionada só de pensar nisso.

— E aí, que tal? – Gabi virou-se para mim com os olhos brilhando. — De qual você mais gostou?

— E por acaso isso importa? – perguntei, timidamente. — O casamento é seu, Gabi. Faça do jeitinho que você sempre sonhou.

— Sim, eu sei – ela solta um riso. — Acontece que eu nunca sonhei com isso antes. Pelo menos não muito. Não como a maioria das garotas. Tudo que eu queria era ter alguém que eu amasse e que me amasse muito também. Nunca pensei em nada que viesse depois disso. Então, por favor, seja boazinha e me ajude a fazer um casamento descente.

Nós rimos e pelas próximas horas tudo o que fizemos foi escolher cada detalhe do casamento e da festa da Gabi e do Rafa. E eu nunca me senti tão lisonjeada por fazer parte de algo assim. Tão grandioso e marcante na vida de qualquer pessoa.

Mais tarde fomos almoçar ali mesmo na praça de alimentação do shopping.

E ao cair da noite a Gabi me deixou em casa.

— Muito obrigada por ter me ajudado hoje. – inesperadamente ela me puxa para um abraço. — Eu não sabia com quem contar. Mas ainda bem que você está aqui agora.

Me despeço dela e entro em casa, onde encontro o Felipe e o Toddy na cozinha.

— Você chegou mais cedo. – observo, me aproximando cuidadosamente. — Como foi seu dia?

— Nada que se compare ao bem que me faz em estar aqui com você. – Felipe se aproxima e me envolve com seus braços.

Ele beija a pontinha do nariz.

— Você saiu? – pergunta ele, casualmente. Felipe volta para perto do fogão para cuidar do jantar.

— Sim, saí. Gabi e eu fomos resolver coisas do casamento dela. – sento-me a mesa. — Foi uma tarde maravilhosa!

O aconchego do meu lar, a companhia do Felipe, o cheirinho de comida no ar, o carinho do Toddy... tudo isso me fazia me sentir bem por estar de volta em casa.

Que bom que ouvi meu pai, que bom que ele abriu seu coração e me disse palavras tão sábias e valiosas. Que bom que eu o escutei, o compreendi e aceitei sua sugestão em voltar e encarar de frente os meus problemas.

Isso me faz lembrar que eu e o Felipe temos muito a resolver ainda. Não quero mais adiar essa situação.

Felipe nos serve o jantar e fazemos nossa refeição ali mesmo, na sala de jantar, onde comemos e conversamos sobre o seu dia no trabalho e o quanto eu sentia falta do meu.

Depois de limparmos a cozinha e lavarmos a louça, fomos lá para fora, para o quintal e nos sentamos ali, pertinho um do outro, enquanto o Toddy circulava em volta da piscina a procura de algo para se distrair.

— Nós precisamos conversar. – digo, apertando de leve a sua mão e me aconchegando em seu peito.

— Você tem razão. – ele beija o alto da minha cabeça.

Eu só preciso me decidir por onde começar.

— Primeiro, gostaria de começar me explicando porque eu fugi e porque eu escondi de você a gravidez.

Assim que citei o nome “gravidez” o Felipe soltou a minha mão e pousou sua mão sobre o meu ventre.

Isso me fez sorrir.

— Naquela noite quando eu descobri que estava esperando um bebê eu fiquei muito assustada. Mil pensamentos passaram pela minha cabeça. E muitos deles eram ruins. Eu tive medo. Tanto medo e pavor que eu fugi, porque não queria encarar a verdade, a realidade. Porque fugir é o que eu sempre faço quando as coisas parecem difíceis demais. Eu não queria me convencer de que isso estava mesmo acontecendo comigo, com nós. Você entende?

Ele assentiu.

Suspirei, preparando-me para prosseguir.

A pior parte ainda estava por vir.

— Não que estar esperando um bebê seja uma coisa ruim. Não é nada disso. Acontece que apesar de desejar muito ter uma família, não achava que esse fosse o melhor momento. Além do mais há uma coisa que eu preciso muito te dizer...

Tentei me virar de frente para ele, para que ele visse nos meus olhos o quanto eu estava tentando ser corajosa e sincera.

— Diga. – ele incentivou com um sussurro.

Não sei se são os hormônios alterados devido a gravidez ou se sou eu sendo frágil e sensível como sempre, mas não pude evitar de sentir as lágrimas invadirem meus olhos.

Mas eu sabia exatamente o que me motivava, o que me dava forças, o que me inspirava. Então me inclinei para frente e com as mãos em seu peito eu o beijei suavemente.

Imediatamente Felipe me correspondeu, com as mãos nas minhas costas, trazendo-me para mais perto dele.

— Na noite em que brigamos porque eu achei que você andava me traindo com aquela sua aluna eu fui a um restaurante. – explico, já chorando. — E por lá eu encontrei o Danilo.

Citar o nome do Danilo foi o bastante para fazer o Felipe estremecer.

— Ele estava com uma mulher, mas a deixou de lado para me dar apoio, porque ele viu o quanto eu estava mal aquela noite, apesar de tentar disfarçar ao máximo. Nós jantamos, conversamos, bebemos. E depois fomos a outro lugar. Um bar, onde encontramos alguns colegas dele.

Parei por um momento, achando não ser capaz de continuar.

Estava muito envergonhada disso, apesar de já saber de toda a verdade.

— E? – ele me incentivou a continuar, me olhando de um jeito intrigante. Não sei se bravo, decepcionado, ou apenas curioso.

— E nós bebemos mais, nos divertimos e foi tudo muito legal, porque eu só queria esquecer tudo que tinha acontecido naquele dia entre nós. Naquela noite eu bebi muito além da conta, muito mais do que deveria, eu fiquei muito mal. O Danilo até se ofereceu para me trazer até em casa, mas eu recusei. Não queria te ver, não queria te encontrar. Não estava preparada para termos uma conversa civilizada.

Limpei minhas lágrimas, tentando me controlar.

— Então ele se ofereceu para levar até sua casa, afinal, não tinha muitas alternativas. E por estar muito mal, bêbada e confusa, além de muito triste, eu quase não me lembro de nada do que aconteceu. Só me lembro de ter apagado...

— Você dormiu com o Danilo? – Felipe praticamente gritou, uma expressão de indignação misturada a horror.

Ele se levantou depressa e saiu do meu lado como se eu pudesse contamina-lo com alguma doença grave.

Era visível o quando ele estava decepcionado comigo e muito magoado. Exatamente como eu tinha previsto. O que me fez chorar ainda mais. Eu odiava aborrece-lo assim.

— Você dormiu com ele, Bianca? – ele repetiu em um tom grosseiro que me causou calafrios. — É isso mesmo que você está tentando me dizer?

Notas finais
Enfim algumas verdades vieram a tona. Sei que muitas de vocês estavam cansadas de esperar por isso. Me desculpem... É que eu acredito muito nisso de que as coisas têm que acontecer no momento certo. Enfim... A continuação dessa conversa estará no próximo capítulo e eu vou postar ainda essa semana, na quinta ou na sexta. Beijão!