Planos Para Vida...
27 Can we try one more time?
Notas iniciais
Torcia para que ele não entrasse, assim não teria nem que olhar para ele. Mas então ele entrou, meu coração apertou e precisei puxar o ar com mais força.
– Eu vou no banheiro! — me levantei.
– Eu vou com você! — Becca falou e eu neguei, eu lanei um olhar dizendo que eu precisava ficar sozinha, ela assentiu e eu corri até o banheiro.
Entrei e fui até a pia mais próxima, joguei um pouco de água no rosto e o sequei. Respirei fundo e finalmente saí do banheiro. Logo, me surpreendi com a cena, Jason, Becca e ele, Matthew, sentados juntos e conversando. Na mesma mesa!
– O que você tá fazendo aqui? — perguntei seca, dane-se eu ter perdoado a Caitlin. Porque assim que eu olhei para aqueles olhos, aqueles olhos que eu tanto amei, toda a dor voltou.
– Nat, oi, eu estava falando com Jason e Becca!
– Para você é Natalie e agora, por favor saia do meu lugar!
Me deixei olhar mais uma vez em seus olhos, e ele demostravam claramente tristeza. Desviei o olhar e cruzei os braços, ele se levantou, eu sentei na ponta e Becca ao meu lado. Ele parecia ir embora, até que....
– Não vai agora, sente aqui! — Jason apontou para o lugar ao seu lado. Olhei irritada para Jason mas ele apenas me ignorou.
– Bem, e enão, Natalie. Como anda sua vida? — Matthew perguntou.
– Não é da sua conta! — falei e ele abaixou a cabeça, desviando o olhos do meu.
– Ela tem morado comigo! — Jason falou e Matthew o encarou, por um instante pensei que ele estivesse com ciúmes, mas ele continuou sem dizer nada, sem demonstrar nenhuma reação — Ela mora no centro de Londres, dividimos o apartamento porque estudamos na mesma universidade.
– Qual? — Matthe finalmente falou.
– Cambridge, a Nat não te contou? — mas que merda é essa? O Jason tá com amnésia e esqueceu que eu terminei com o Matthew?!
– Não, ela não falou — ele respondeu, sua voz parecia diferente. Um pouco chorosa? Não, isso é impossível! Ele já deve ter seguido em frente, dormido com várias outras. E eu aqui, somente com dois amigos e sem nenhum peguete. Que decepção!
– Hum, e como vai a sua vida, Matt? — Becca mudou de assunto.
– Nada de mais, eu não trabalho a mais de um mês, sabe, por motivos pessoais — ele olhou rapidamente pra mim, eu já tinha entendido a indireta, não precisava jogar na cara! — E meu empresário tá querendo me matar por eu ter negado trabalhar com a Dolce & Gabana, mas ele já conseguir resolver e o ensaio está marcado para semana que vem!
– Legal! Mas e a vida amorosa? Nenhuma garota? Um cara gato como você pode ter a garota que quiser!- Becca perguntou novamente. Porra, eles querem acabar comigo em um dia só!
– Menos a que eu mais quero — ele sussurrou tão baixo que ninguém além de mim, ouviu, fingi não ouvir também, não tinha certeza se essa garota era eu! — Não, nenhuma mesmo!
– Que ótimo! Nós dois estamos solteirões! — Jason falou.
– Por que? Você não vai querer sair comigo né? — Matthew falou, me tirando um sorriso, fazendo Becca gargalhar e Jason ficar vermelho.
– Eu não sou gay!
– Sério achava que você era! — ele falou e eu ri pelo nariz, Jason bufou e Becca continuou rindo — Mas isso é ótimo, eu posso te apresentar algumas garotas!
Jason sorriu maliciosamente e eu revirei os olhos, me esforcei para não bufar. Eu não quero demonstrar sentimento nenhum em sua frente.
– Ok, vamos agora? — perguntei dando o último gole no meu refri.
– Já? Tudo bem, mas eu vou ali pagar a conta e depois vamos. Vem comigo, Becca? — Jason falou e ele se levantaram — Quer algum chiclete, Nat?
– Claro — sorri e pensei no sabor — Morango!
Eles se distanciaram e eu fiquei encarando o copo vazio a minha frente, Matthew ficou brincando com o chaveiro. Por que ele não ia embora? Ele tem que ficar justamente na minha frente, fazendo um biquinho fofo que dá vontade de beija-lo e...E? E nada! Ele já foi meu, agora ele não é nada. Apenas um garoto que te magoou.
– Ei, aquele ali não é o Jason? — ele apontou para fora, onde Jason e Becca corriam até o carro. Corri para fora, pra tentar alcançá-los mas ele deu partida no carro e foram em bora. Cacete, filhos duma égua! Eles não podiam ter feito isso!
– E agora, como eu vou pra casa? — chutei a neve a minha frente e voltei para dentro — Não tem como ficar pior!
Nesse instante o céu trovejou e começou a chover. Puta que pariu. Desisto minha vida é uma merda!
– Quer uma carona? — ouvi a voz de Mattew ao meu lado.
– Não, vou pegar um táxi!
– Com essa chuva? Tem certeza?
– Não, eu não quero uma carona sua, obrigado.
"Tem grandes possibilidades de chover granizo..." essa parte se destacou para mim, olhei para a televisão tipo "Você só pode tá de sacanagem!"
– A proposta ainda está de pé! — ele falou sorrindo de lado e eu bufei. Lembrei que tinha um guarda-chuva na minha bolsa, procurei, procurei e nada. De repente lembrei que estava na mão de Jason quando se levantou para pagar e...Droga, ele levou!
– Ok, eu aceito mas eu não quero ouvir sua voz! — ele concordou e corremos para o carro.
– E então? Algum garoto? — ele perguntou depois de dois minutos de silêncio, eu sabia que ele não iria aguentar ficar quieto.
– Não, Matthew.
– E como tem sido a faculdade?
– Não quero falar , Matthew!
– Mas Natalie, eu quero falar com você, ouvir sua voz, sua risada...
– Não comece, Matthew!
– Para com isso! — ele falou irritado.
– Isso o que?
– Ficar me chamando de Matthew!
– Mas esse é o seu nome!
– É, mas eu prefiro quando você me chama de amor, anjo, vida, príncipe ou até mesmo Matt, mas por favor não me trate com indiferença!
– Você causou isso!
– NÃO, NATALIE,VOCÊ CAUSOU ISSO! VOCÊ BEIJOU MEU MELHOR AMIGO EM PLENO DIA DE NATAL! — ele gritou com raiva.
– UM BEIJO QUE NÃO SIGNIFICOU NADA PARA MIM. MAS E VOCÊ? VOCÊ TRANSOU COM A MINHA IRMÃ!
– ISSO NÃO VALE! EU VI VOCÊ, ME DECLAREI PRA VOCÊ, EU PENSEI E ME ENTREGUEI TOTALMENTE A VOCÊ! — ele estava chorando e eu senti uma lágrima escorrer — Só que no final, não era você!
– Eu sei disso tudo — abaixei a cabeça.
– O que?
– A Caitlin me contou tudo, a declaração, vocês estavam bêbados e ela também de contou da transa — seu rosto ficou vermelho.
– O-O que ela falou? — ele gaguejou, parecia envergonhado.
– Cá entre nós, eu gostei da parte em que você gemia meu nome! — sorri de lado e pude ver o rosto de Matt se transformar em um tomate.
– Então por que você estava me tratando daquele jeito na lanchonete? — ele me olhou nos olhos e u percebi que já tínhamos chegado.
– Por que você me dá medo!
– Eu te dou medo? Medo de que?
– De eu me apaixonar por outra pessoa como eu amei você e ela me largar, assim como você fez!
– Como você me amou? Você não me ama mais? Eu passei noites em claro pensando em como eu poderia me aproximar de você de novo, nós recomeçarmos. Mas agora já é tarde! Você não me ama mais...
– Não Matt, por mais que eu tente seguir em frente e ficar com outros, te esquecer. Eu não consigo! Porque eu te amo e sempre te amei, te amei até mesmo quando você me disse que eu era idiota por derramar café em você. Porque assim que eu olhei nos seus olhos, eu esquecei de tudo ao meu redor, porque assim que eu me perdi neles foi como se o meu coração...
– Finalmente tivesse achado seu destino! — nós falamos juntos, exatamente as mesmas palavras. Eu não podia acreditar que ele pensava assim, que ele pensava como eu!
– Nat, eu te amo, eu preciso de você. Eu, eu atravessaria o Polo Norte de cueca só para te ver sorrir — ele exagerou e eu ri — Você é minha vida, e assim que terminamos foi como parte de mim tivesse me abandonado e desaparecido. Mas assim que eu te encontrei, eu me senti completo de novo, eu te amo de verdade. Podemos tentar novamente?
– Sim, sim — lhe dei um selinho mas ele me puxou pela nuca e aprofundou o beijo. Seus lábios eram tão macios, tão quentes, tão tentadores. Nossas línguas duelavam uma com a outra, lutando pelo domínio, que com certeza ele ganhou. Seu beijo era cheio de carinho, desejo, amor e saudade. E era viciante, era como se ele fosse minha droga, minha heroína. Nossa, que comparação horrível!
Suas mãos deslizaram até minha cintura e subiu até minhas costas, por debaixo da blusa, ele subiu até alcançar o fecho do meu sutiã e foi como se eu tivesse despertado de um transe.
– Vamos com calma, ok? — disse recuperando o fôlego.
– Somos namorados? — ele sorriu me dando um selinho.
– Hum, não sei. Me conquiste! — abir a porta do carro e saí, a última coisa que eu ouvi antes dele ir foi um "Pode deixar".
Subi para o apartamento, não tinha vestígio nenhum do Jason ou da Becca. Joguei minha bolsa no sofá e fui para meu quarto. Tomei um banho rápido, coloquei um pijama qualquer e me deitei. Não demorou muito até que eu pegasse no sono. É parece que minha vida está mudando, só espero que seja pra melhor.
Fale com o autor