Plano Infalível
9 Capitulo IX
Notas iniciais
– Essa é a sua resposta Sasuke? Que seja. Sorte Mikoto não estar aqui para poder ver isso.
♦ Plano infalível ♦
♦ Capitulo IX♦
Há um tempo atrás acreditava fielmente que somente as pessoas mais fracas possuíam um ponto fraco, sempre fui um cara acima da média, — por favor não me levem a mal, mas é a mais pura verdade. — Todos estavam o tempo todo procurando algo que me interessasse ou que prendesse minha atenção, me oferecendo de bandeja aquilo que a maioria teria de ralar um ano inteiro para conseguir.
E sempre foi assim, na pré escola constantemente levantava o vestido das garotas, era realmente engraçado ver como todas ficavam desesperadas e chorosas depois que toda sala via aquelas calcinhas - enormes– de bolinha ou dos teletubbies. Passava cola naqueles pompons — ridículos– que ficavam na ponta dos lápis, colocava vários apelidos idiotas, além de puxar o cabelo de todas as gordinhas. No ensino fundamental mudei minhas táticas, fazer piadinhas no meio das explicações da professora sempre causavam um tumulto ao meu favor, tirar todos os nerds em público, além de pegar todo o lanche dos franzinos, agregava mais ainda. Realmente era uma criança infernal.
No ensino médio muitas coisas mudaram, esse lance de fazer piadinhas não era mais tão legal, passei a investir meu tempo no futebol. Ser o capitão do time arrancava — a roupa– suspiros de qualquer garota. Fui o primeiro da minha turma a traçar uma mulher mais velha e experiente, já imaginaram como fui endeusado por isso? Pois é, bons tempos.
Logo fui para a faculdade — não que eu fizesse questão– minha mãe sempre quis que eu me formasse e me tornasse um bom advogado. Não pensei duas vezes em escolher o curso: Arquitetura, mentira foi direito mesmo. Lá a farra era maior ainda, festas nas republicas todos os dias, muita bebida e muitas garotas sem vergonha alguma. Acho que todo cara deslumbra um pouco com todas essas coisas, ainda mais quando se acaba de ganhar um carro. Oh cara, ai a coisa fica monstra.
Era a vida que qualquer vagabundo pediu a Deus, até aquele maldito acidente. Prometi que a levaria no outro dia pela manhã em algum museu ou algo do gênero, não que eu fosse chegado naquelas coisas estranhas, nunca consegui ver o famoso “real significado” em arte moderna. Porque diabos pagam milhões naqueles rabiscos? Vai entender, o lance é que ela gostava. E como gostava.
Olhei no visor do celular, já eram quase oito da manhã. O álcool ainda fazia efeito, ou melhor, tudo ainda fazia efeito. Em meio a tantas festas acabei experimentando coisas que aprendemos a negar no Proerd*, não estou falando daquela musiquinha chata que fazem a gente cantar na quarta serie, — ou quinto ano, sei lá porque mudaram essa porra– estou falando daqueles comprimidinhos malditos de alegria instantânea. Ok, não nego a sensação é boa, mas se houvesse uma maneira, teria feito tudo diferente.
Joguei a mulher que estava deitada sobre meu peito para lado, ouvi a mesma falar qualquer coisa sem sentido. — o que foi facilmente ignorado– Vesti minhas roupas, deixei uns trocados sobre o criado para que a vadia da vez pegasse um táxi. Não costumo deixa-las em casa, não quero que nenhuma confunda trepada de uma noite com relacionamento.
Cambaleei até meu carro, e em poucos minutos estava enfrente a casa dela buzinando feito um louco, já que meu senso de espaço estava abalado por causa dos tóxicos. Pude vê-la radiante como sempre descendo os degraus ao meu encontro, certamente uma daquelas imagens que nenhum homem esquece. Não me dei ao trabalho de ser cavalheiro e lhe abrir a porta do carro, apenas grunhi um simples “hm” em resposta ao seu bom dia.
Meu corpo começava a sofrer a abstinência. Já se passaram algumas horas desde meu ultimo “garotinho”, alguns tremores correram por meus braços, assim como aquela costumeira dor de cabeça-pós-álcool. Pisei com vontade no acelerador, queria logo deixa-la em seu maldito museu e tomar um bom banho gelado. Talvez a mesma tenha manifestado algo, nunca gostou de excesso de velocidade. Afinal qual mulher certinha gosta?
Os tremores foram seguidos por vertigens, deixando meu reflexo consideravelmente mais lento. Então tudo parece ter acontecido em câmera lenta, um caminhão vermelho veio em nossa direção, ele estava ziguezagueando pelas duas mãos. Não seu tempo de desviar. Não deu tempo de nada. E esse se tornou meu ponto fraco.
– Me perdoe Sakura. Você não tinha presenciar nada do gênero. — Itachi disse enquanto levava uma das mãos aos cabelos.
Oh sim, estava na sala daquela garota colorida. Aquela maldita garota colorida.
Sai marchando em direção ao apartamento do meu querido irmão. Não sou muito de discussões, ainda mais quando temos plateia.
– Merda! Minha camisa ficou no quarto dela.
Me repreendi quando coloquei os pés no quarto de hospedes, — pois é, durante três meses é isso ou o xilindró. — Certamente as chances de que eu vá voltar para busca-la são nulas, não aguentaria mais meio minuto naquele ninho de bagunça. Como pode uma garota ser tão desorganizada?
Me enfurnei para debaixo do chuveiro. Meus ombros estavam tensos, água gelada seria a melhor opção para o momento.
– Como você veio parar aqui Sasuke. — Lamentei.
A que ponto cheguei, Uchiha Sasuke se auto-questionando, se não fosse decadente seria cômico.
Maldito seja Suigetsu! Graças aquele miserável estou aqui comendo o pão que o diabo amassou com aquela mulher. O racha tinha tudo para dar certo, o informante de Pain — o cara que organizava as coisas– havia sido bem claro que naquela hora e naquela rua, as chances de policiais aparecerem eram quase nulas. QUASE na minha linguagem e algo perto de zero.
Já estava alterado o suficiente para fazer o que sóbrio pensaria duas vezes, pisei com tudo até conseguir uma boa dianteira do segundo cara. Até aquelas malditas luzinhas vermelhas e azuis aparecerem e quase me cegarem. Mas dessa vez seria diferente, jurei que nunca mais deixaria acidentes acontecerem, nunca mais.
Tentei brincar desviando de algumas viaturas, mas eles estavam preparados. O número de carros fechando a rua era quase a população da China. Freei, e meu inferno começou.
Assim que aquela pamonha entrou na delegacia cogitei ser alguma mula do narcotráfico ou alguma batedora de carteiras barata. Peso pesado estava na cara que não era, seu jeito de menininha era evidente, além da sua cor estranha de cabelo.
Pensando melhor, acho que Itachi fez isso de proposito...
– Aquele filho da mãe me paga!
No fundo Sakura se parecia com ela. Claro, de boca fechada. Não me lembro dela falando algo como: babaca, chaveirinho-do-capeta, pó-de-satanás, personificação-de-belzebu ou algo do gênero. Mas mesmo sendo tão diferentes em personalidade, tinham alguma coisa em semelhança. Acho que a altura já é um começo, o mal gosto para carros e como se irritam facilmente.
♦
Acordar cedo nunca fora o meu forte, mas hoje resolvi fazer um esforço. Ontem gastei um bom tempo pensando sobre meu passado e meu — infeliz– presente. Optei por escutar o que Itachi dissera na noite anterior. Mas que fique bem claro que estou fazendo isso porque quero, Uchiha Sasuke não segue ordens de ninguém. Nunca segui.
Pensei em roubar o carro do mesmo para ir até a faculdade. Provavelmente ele deduraria ao Naka, e acho que não estou afim de aumentar minha pena com mais trabalhos comunitários, tsc.
Sem muita escolha acabei indo apé, poderia ligar para Karin ou qualquer outra para arrumar uma carona, mas provavelmente aquela criatura cor de rosa faria um escândalo. Maldita, desde quando meço minhas ações por causa de alguém? Esse tempo na casa do Itachi vai me deixar louco.
Foi mais rápido do que imaginava, logo uma tal de Shizune ajustou toda a papelada para a transferência do meu curso, disse que no máximo em quinze dias tudo estaria pronto para que eu frequentasse a UKH. Enquanto terminava de assinar os últimos papeis da matrícula, ouvi uma loira — que alguns alunos chamaram de Tsunade– falar que todas as aulas estariam suspensas pela tarde. Porque vocês não deixam de ter aula quando eu estiver realmente estudando aqui? Tsc.
Ao sair daquela sala, pude ver uma cabeleira conhecida gesticulando com duas garotas. Reconheci aquelas três: A loira gostosa, a morena peituda e a aberração rosa. Pelo menos minha carona está garantida.
– Não foi difícil querida, Sasuke tem um lado masoquista, então foi bem fácil de lidar. Quanto mais eu piso, mais apaixonado ele fica.
Como é? Quem ela pensa que é falando que Uchiha Sasuke gosta de ser pisado?
– Não s-sabia que o Sasuke-kun fazia trabalho comunitário. — Falou a peituda.
– Ele tinha essa vontade a muito tempo, então sugeri que começasse o quanto antes. Se não me engano essa semana mesmo ele fará sua primeira colaboração. Não é um máximo?
Seria tão mais fácil se eu fingisse ser o namorado dessa garota tímida. Maldito seja Itachi!
– Fico feliz que ache isso Sakura querida. Quem sabe não estaria interessada em me ajudar a cuidar dos velhinhos depois de amanhã?
A cara de espanto que essa garota fez foi impagável, pena que logo meu divertimento foi para o ralo com aquelas amigas dela falando sobre ajuda psiquiátrica. Quem em sã consciência arriscaria uma consulta com essas duas? Ou melhor, porque diabos eu faria uma consulta? Essa Haruno me paga!
Após quase morrer com a péssima condução da colorida, meu sangue já fervia. Resolvi brincar com pouco com alguns garotos que a tiravam do serio, pensei que a idiota começaria a chorar em qualquer momento. Realmente é uma frouxa.
Como pode uma mulher de quase trinta anos ficar furiosa com três pirralhos? Ela não percebe que eles estão apenas tirando com a cara dela? Bom claro que não, essa é a graça.
O que ela não sabe, e que sou um homem de palavra. Concordei naquele maldito dia atrás da cela que a ajudaria. Um Uchiha não volta atrás, nunca. Mas ela não precisa saber não é mesmo? Claro que não precisa.
Bom, como não tenho outra escolha, acho que posso começar a me divertir um pouco em relação a isso. Tirar a Sakura do serio nesses três meses, e a mesma coisa que roubar doce da boca de criança. Além do mais, essa esquisita está precisando de uns modos. Quem melhor que Uchiha Sasuke para ensina-la?
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