Plane Crash
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Notas iniciais

—Já te disseram o quão careta você é?- Celeste de vira para mim sem paciência e a ignoro. — Sério você é muito sem graça!- reviro os olhos.
Estamos há horas dentro do quarto, as garotas, Celeste, Marlee e minhas antigas criadas. Parecia um momento apropriado para relaxar de toda a tensão e de todos os acontecimentos que nos rondaram nos últimos dias. Eu sentia falta disso, delas, de conversar com minhas amigas sobre as coisas mais absurdas possíveis, de rir inconsequente e escutar as maiores besteiras, principalmente as que saem da boca de Celeste.
_Você usou aquele vestido vermelho para Maxon, mas se recusa a usar isso?- Marlee me olha incrédulo, tentando conter a risada.
—Como mesmo você ficou sabendo disso?
_As notícias voam. As criadas falam. — responde sombria e gargalha. Relevo o comentário, mesmo que eu tenha perguntado.
_É diferente. — tento argumentar.
—O objetivo é o mesmo. — Celeste diz direta.
—Celeste!-a repreendo.
—O que foi America? Ele é praticamente seu marido! Não é como se vocês não tivessem feito ainda. Vocês fizeram, não é?- sinto seus olhares penetrantes em minha direção e coro. Balanço levemente a cabeça, o mínimo possível, indicando que sim e ela respira aliviada.
—Vou ignorar a parte em que você não me disse isso e voltar para o importante. — ela respira fundo e continua.- Ele vai amar isso daqui.
A roupa que ela segura, se é que isso pode se chamar de roupa, era mais do que sugestiva. Toda preta, decotada e praticamente transparente, é também mais do que óbvia em suas segundas intenções.
_Eu não vou usar isso!- cruzo os braços como uma criança mimada.
_Não seja careta, America. — é Marlee que se vira para mim dessa vez.- Sei que você é toda certinha e tudo, mas vai valer a pena, eu prometo.
—E ele sempre te agrada!- Celeste nos interrompe, bem quando estava inclinada a aceitar. — Faz de tudo para te ver sorrir.
—Eu vejo que ele acorda de madrugada, para cuidar, dar banho, alimentar, trocar fraldas de Lady Nastia para que a senhorita durma mais. — Anne diz ainda tímida, sem ter a certeza de que realmente tinha que dito o que disse. Celeste me olha como quem quer dizer “Viu, eu te disse!” e arregala os olhos, como uma mãe botando o filho de castigo.
—E ele te cobre de joias. Para mim, só por esse motivo você já devia aceitar. — continuo inflexível em minha decisão. -Por favor. O que custa agradar? Vocês vão se casar daqui a pouco mesmo.
_Vocês são completamente loucas.- digo provavelmente ainda vermelha de vergonha.
Os sorrisos maliciosos e os rostos sugestivos das garotas só foram finalmente embora quando tive que as expulsar. Já era quase noite quando não aguentava mais de vergonha e seus risinhos adolescentes e as retirei do quarto, mas mesmo com a porta fechada ainda era possível ouvir suas vozes irônicas. Respiro fundo e inspiro, tentando absorver toda a confiança que já possa ter tido alguma vez na vida e abro a porta de conexão, adentrando no quarto.
Alex está de costas, com Nastia em seu colo, e ele parece nem perceber minha movimentação. Me encosto na parede e os observo por um tempo, em silêncio, enquanto ele balança minha filha que dorme tranquilamente em seus braços.
—Vou só botá-la no berço, agora que ela adormeceu e podemos dormir. — ele diz e me assusto. Tinha a certeza de que ele não havia me visto, mas pelo jeito sim, e não falou nada sobre a roupa Meus ombros caem e uma parte de mim se sente desapontada, mas trato de reprimi-la. “Você não é Celeste, America.” Digo para mim mesmo e observo quando ele deposita Nastia no berço, dormindo como um anjo, e sem olhar para mim, atravessa o quarto até o banheiro e tranca a porta.
Me inclino até o berço e observo minha filha enquanto Alex não sai. Ouço a porta rangendo e reviro os olhos para ver Alex parado na porta, me encarando, seu rosto indecifrável. Me viro de frente para ele, mostrando todas as partes do que visto e ele troca de pé, desconfortável. Sinto meu corpo aquecer, mas não desvio o olhar.
—Retiro o que disse antes.- quebra o silêncio.- Nós definitivamente não vamos dormir.- sorrio satisfeita, vou até ele e o beijo.
A primeira coisa que sinto é o peito quente de Alex no meu rosto. Abro os olhos, ainda sonolenta e sinto a brisa entrando pela porta aberta. Puxo o lençol mais para cima, cobrindo meu corpo nu e me encosto em seu corpo novamente, pronta para voltar para meus sonhos. Mas a sombra na porta aberta, cobrindo a luz do corredor me assusta e me faz levantar de prontidão. Alex resmunga alguma coisa, mas rapidamente nota a figura também e se senta na cama assustado.
_Pai!? O que tá fazendo aqui?- Alex amarra um lençol em sua cintura e se levanta, caminhando até o pai, que permanece imóvel na porta, com a mão na maçaneta, incapaz de se mover.
_Desculpa, mas tenho notícias de Illéa. — diz ainda em choque.
—O que aconteceu?- pergunto ainda da cama e Alex sai do meio do caminho para que eu possa vez Nicolau mexe a cabeça, como se tentando esquecer a cena que acabar de presenciar.
—Me encontrem no escritório. E ponham uma roupa também, eu imploro. — ele fecha a porta atrás de si e Alex se deita novamente.
_O que acha que aconteceu?- pergunto.
_Não sei, mas parece grave.
—Como assim?- grito em choque.
—É o que ouviu America. Me desculpe, mas o próprio Princípe me ligou assim que conseguiu. Sei que não são as melhores notícias, mas...
_As melhores notícias? Eles estão mortos! Maxon está sozinho e você me diz que isso não é uma boa notícia? É claro que não é uma boa notícia!- me desespero e respiro descontroladamente.
—Se acalme. — Alex me empurra para um canto e me abraça. — Sei o quanto ele significa para você, mas nós não temos nada a ver com isso. — ele respira fundo, indicando que devo segui-lo e o imito. Sinto o ar enchendo meus pulmões e meu ombro relaxa. — Agora, pegue esse telefone e ligue para ele. — ele me entrega o aparelho. — E vou inventar uma desculpa para convencer meu pai de que devemos visitá-los.
—Obrigada. — continuo no canto e vejo Alex gesticulando com os pais. Disco os números e espero pela voz de Maxon. — Maxon?- grito no telefone.
_America? É você mesmo? Achei que nunca mais fosse ouvir sua voz. — sinto o desespero em sua voz, o alivio ao falar comigo.
—É verdade o que disseram? Seus pais?- tento escolher as melhores palavras, mas não parece haver palavras certas para o ocorrido.
—Sim. — ele engole em seco e sei que está se controlando para não chorar. — Um grupo rebelde nos atacou assim que saímos do aeroporto.
_Me desculpe Maxon. De verdade.
—A culpa não é sua.
—É sim...- começo a dizer, mas ele me interrompe antes.
_Não, não é. Nós fazemos nossas próprias escolhas, America e devemos arcar com as consequências. — resolvo deixar esse assunto de lado, notando o novo tom de hostilidade em sua voz.
_E como você está?- mudo de assunto.
_Ainda não sei. Eu tento me convencer de que foi tudo uma mentira, de que foi um pesadelo e quando eu acordar vou encontrá-los novamente, mas sei que isso não é verdade. É normal não aceitar? Acreditar que eles nunca se foram?- ouço a súplica desesperada e parte do meu coração se racha novamente.
_Sim, Maxon. Quando meu pai morreu, bem, eu não conseguia acreditar que ele realmente ha ido embora, acreditava que qualquer dia ele apareceria em casa, sujo de tinta e contando uma história. — sorrio triste e sinto a primeira lágrima descer. Havia tanto tempo que não chorava por ele, que até parece uma sensação estranha.
—Obrigada, America, por tudo.
_Em alguns dias chegaremos ai. Levaremos Nastia, mas só aguente firme, tudo bem? As coisas vão melhorar. — ele resmunga alguma coisa do outro lado da linha e desliga o telefone. Inspiro e entro na discussão.
_Por favor, pai. Você sabe o quão importante ele é para ela! Ele será o padrinho da nossa filha, ele é nosso amigo e não possui mais ninguém. Isso não deveria significar alguma coisa?- por um momento realmente acredito que Alex está sofrendo como o jeito que demonstra e chego a duvidar se é realmente uma atuação. Kira se inclina para Nicolau e sussurra algo para ele. Olho para Alex em busca de respostas, mas ele só dá de ombros.
—Vocês poderão ir para Illéa e levarão guardas, partem amanhã e ficarão somente por uma semana. É o máximo que posso permitir. — ele termina e sai da sala.
—Acho melhor arrumarem suas coisas, a viagem é longa. — Kira diz e sorri para mim antes de sumir no fim do corredor também.
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