Notas iniciais
Reta final dessa história, chegando ao fim ou não Boa Leitura

Nastia não acordou nem por um segundo durante a viagem. Ela permaneceu adormecida durante todas as turbulências, de tudo, o que provavelmente foi ótimo para ela. Essa é a primeira vez que entro em um avião desde o acidente, acreditava ter superado esse medo, mas parece que não sou tão forte quanto eu imaginava.

Fiz o trajeto da Itália para a Rússia de trem, porque recusei entrar em um aeroporto, mas dessa vez não seria possível. Pedir para Nicolau um navio não parecia a melhor das ideia naquele momento. Ele já estava irritado e estressado demais, então fingi que estava tudo bem e entrei no veículo. Claro que gelei no segundo seguinte e já sentada na poltrona, eu não sai. Minhas mãos seguravam o braço da poltrona com força e eu praticamente não sentia mais meus dedos já vermelhos. Olhava para o céu e arregalava os olhos, de medo, e assim fiquei durante as várias horas de vôo. Alex tentou me fazer relaxar, me trouxe doces, revista, música, mas nada conseguia me acalmar. Até que ele desistiu e simplesmente se sentou ao meu lado, com seus braços fortes me envolvendo. E em todas as turbulências, todas as agitações, ele estava lá, sussurrando que nada aconteceria.

Admito que morri de vontade de beijar o chão assim que desci as escadas do jato. Nunca achei que fosse amar tanto terra firme. Procurei ao redor, mas não os encontrei, com tanta coisa para fazerem, duvido que aparecerão. Minha mãe, May e os outros vieram para Illéa na semana passada, algo sobre rever amigos, visitar nossa antiga casa e tentar botar juízo na cabeça de Kota. Gostaria de ter ido com eles, ajuda-los, menos com Kota, é claro, mas estou aqui agora, por motivos não tão animadores.

Cumprimentei todos no caminho até o carro, do mesmo jeito que fiz quando sai da minha primeira viagem de avião. As pessoas gritam, em alvoroço, e saudavam Alex da mesma maneira. O que eu particularmente achei engraçado. Como eles poderiam saber que Alex existia? Posamos para algumas fotos, conversamos com algumas pessoas, distribuímos autógrafos e respondemos perguntas dos repórteres sobre Nastia, então finalmente entramos no carro e partimos.

—Acha que vão suspeitar de algo?- pergunto temerosa.

—Não. Eles estão muito ocupados com a morte de seu monarca do que conosco. Eles estão tristes pela morte de Clarkson, mas felizes por você ter voltado. Eles te amam. — diz admirado e sorrio orgulhosa de mim mesma.

Não demorou muito para que chegássemos em Angeles e os portões do muro se abrissem para nós. O carro dá a volta pelo chafariz central e para em frente a escadaria principal, onde Maxon e Amberly nos esperam, os dois vestindo preto. Olho para minha roupa e a de Alex e constato que nenhum dos dois está devidamente arrumado. Ele está vestido com roupas normais, um jeans e uma blusa azul escura lisa lisa, como um cidadão ordinário. Abro a porta e sinto o aroma que há tanto tempo sentia falta. Normalidade. Olho para o lado e vejo a floresta ao fundo, os jardins ao redor da propriedade e Silvia nos esperando no primeiro degrau.

_Silvia!- grito e pulo em seus braços. — Nunca achei que ficaria feliz em te ver. Senti saudades. — digo honesta e me separo.

—E eu acreditava que a senhorita um dia ainda conseguiria se comportar como uma dama. — me repreende e me surpreendo. — Também senti saudades. — ela sorri de lado e a abraço novamente.

_Você não consegue mudar, não é mesmo?- Maxon comenta brincalhão e olho para cima para vê-lo rir. Seu rosto está coberto de olheiras e mesmo tendo se passado somente dois dias, ele parece mais magro, fraco, mas ainda lindo.

_Porque eu mudaria?- o pergunto e Alex me ajuda a subir as escadas. Procuro Nastia ao redor e a vejo com uma criada já no saguão de entrada.

—Meus pêsames. Sei como o amava. — abraço minha quase sogra forte e permito derramar algumas lágrimas. Seu rosto se contorce e ela ameaça chorar, mas permanece forte e calma.

—Fico muito feliz que esteja aqui, filha. — ela sorri fraca e a abraço novamente. — Espero que não se importe se eu te chamar assim.

—Com certeza não me importo. É uma honra.

Dou alguns passos para o lado e paro em frente de Maxon. Sinto a pequena tensão, mas logo o abraço. Ele não se força a permanecer forte, ao contrário, demonstra todo o seu cansaço e fraqueza de um momento muito delicado.

_Sinto muito. E desculpa não ter comparecido ao funeral.

—Eu sei, você tem mais o que fazer. E ele fez isso acontecer. — o olho sem saber o que fazer, mas ele logo seca os olhos e bota um sorriso no rosto. — Bom, está quase na hora do jantar. Os criados levarão suas coisas para o devido quarto e poderão vir conosco para um tour e depois seguiremos para o salão.

Encontro Alex e juntos entramos no palácio. Ele admirava a pintura e a arquitetura, como o bom amante de história e arte que ele é, e eu só conseguia lembrar todos os momentos que atravessei aquele corredor.

—Achei que ficaria mais confortável em seu antigo quarto. Está exatamente do jeito que deixou. — Maxon abre a porta e vejo a mesma cama onde dormi por meses, o piano, tudo.

_Eu sinto falta de tudo isso. Das garotas, da confusão. — deixo as palavras no ar e vejo Alex se remexer.

—Eu também. Elas vieram você sabe... Para o enterro. Eu acho que elas andaram conversando com a Celeste. — o olho sem entender. — Elas nem se importaram que meu pai havia acabado de morrer para me dar uma bronca sobre não ter te escolhido. Elise me pediu uma segunda chance. — não consigo deixar de rir- Ashley me perguntou sobre Marlee e ficou surpresa ao saber que ela é uma nobre agora e Bariel só sabia xingar Celeste por tudo. Foi legal encontrá-las e relembrar quando as coisas eram simples. — Ficamos todos em silêncio. — Enfim, eu te mostraria a cozinha, mas acho que já sabe chegar lá. — muda de assunto, felizmente.

—Com certeza eu sei!- continuamos andando e passamos pelo cinema, pela biblioteca, pelo escritório e por todos os lugares que Maxon considerou relevantes para nós, até chegarmos novamente ao primeiro andar e consequentemente ao salão. Todas as mesas, que antes foram usadas para todas as selecionadas foram retiradas, ao invés disso, uma única mesa retangular se entende no meio do cômodo. Foi idiotice minha acreditar que mesmo depois de um ano as coisas continuariam iguais.

_Aproveitando que minha mãe não está aqui no momento e embora doa para mim pedir algo assim, gostaria de te pedir ajuda, Alex, enquanto estiver aqui, com os assuntos do reino.

—Estou ouvindo. — Alex larga a comida de lado e presta atenção na proposta.

_ Sei que não justifica um rei não saber o que acontece no próprio reino, America provavelmente já te contou o tipo de pai e o tipo de rei que Clarkson era e agora, sozinho, preciso tomar conta da minha mãe, encontrar uma nova esposa, tomar conta de um país e lutar contra rebeldes insurgentes. Gostaria que me ajudasse a descobrir tudo o que meu pai escondeu de mim para que eu possa tirar Illéa dessa situação. — sei o quanto é difícil para ele pedir ajuda para algo como isso, ainda mais para Alex, mas fico imensamente feliz que ele tenha feito.

—Eu adoraria. Quando começamos?

_Quando começamos o que?- Amberly entra com Nastia no colo. — Tem algum problema eu tê-la trazido aqui?

_Nenhum. — respondo.

—Então, vão começar o que?- pergunta e olho aflita para Alex e Maxon em busca de ajuda.

—Papeladas para tornar oficial o apadrinhamento de Nastia, coisas da aliança. Nada que precisa se preocupar mamãe.

—Mas eu adoro me preocupar!- refuta.

_Mamãe, a senhora acabou de sair de uma cirurgia complicada e não devia nem ter saído da cama essa manhã. Por favor, não quero te perder também. — ouço o a dor de sua súplica e ela assente relutante. Antes que silêncio pudesse se tornar constrangedor, criadas entram com a sobremesa. Torta de Morango! Me animo na hora e trato de pegar um pedaço. Todos riem da minha atitude.

—Esse foi o único desejo que não consegui realizar. — Alex comenta triste e o olhamos quietos.

—Eu sempre quis torta de morango na ilha, desejos da gravidez. — emendo sem saber que o faria se sentir pior.

_Como eu encontraria uma torta de morango em uma ilha deserta?!- ele respira fundo e se acalma. — Acho que é por isso que Nastia nasceu assim.- Maxon para de comer imediatamente e se vira sério para Alex.

_Como assim?

_Com cara de torta. — diz como se fosse a coisa mais simples do mundo. Ouço a risadinha de Amberly, mas não pude ver a de Maxon porque estava ocupada demais engasgando.

_O que você disse?- pergunto assim que consigo respirar.

—Rostinho redondo, pele clara como chantilly, cabelo vermelho como morango. Uma tortinha linda. — seus olhos brilham apaixonado. — Vejam. — ele olha para Nastia que sorri para a avó. — Dá até vontade de morder essas bochechas. — completa.

—Pelo menos torta de morango é melhor do que troço. Não é mesmo, amor?- o repreendo e ele sorri como alguém que fez algo de errado, o que ele realmente fez.

—Não é minha culpa se...

_Você chamou minha filha de troço?- Maxon o interrompe e se levanta da mesa, possesso, mas logo percebe a idiotice que fez e se senta novamente.

—Me desculpa. — seus lábios sibilam e balanço a cabeça, indicando que está tudo bem.

—Filha? Minha filha?- A rainha repete diversas vezes, desolada, ainda sem acreditar.

—Sim, mãe. — Maxon nos olha novamente, como se pedisse permissão. — Ela é sua neta.

—Mas... Mas como?- Maxon ri frio.

—Eu não queria dizer isso, mas acho que sabe como crianças são feitas. — sorri com vergonha e Amberly o dá um tapa no ombro. Sinto Alex se mexer na cadeira ao meu lado, completamente desconfortável, e seguro sua mão, o passando confiança.

—Isso quer dizer...- ela não completa a frase, simplesmente bate no filho de novo, dessa vez na cabeça.

—Porque isso?- ele grita com dor.

—Por ter engravidado uma garota tão doce como America e ter escolhido outra.

_Faz sentido. — dá de ombros.

_Então quer dizer...

_Sim. — não sei nem o que ela ia falar, mas a interrompo. — A senhora não pode contar para ninguém sobre isso, por favor. Tanto Illea quanto a Rússia não são conhecidas por serem toleráveis, eles não aceitarão uma filha bastarda. — imploro e ela me olha com pena.

_Claro, minha filha. Portanto que prometam que eu possa vê-la sempre que virão visitar toda hora. — sorrio com a proposta.

—Aceitamos. — Alex completa

Notas finais
uma linda tortinha S2 Ps: obg a minha prima por dar essa ideia