Plane Crash
48 Acordo e despedida
Notas iniciais

POV Maxon
As coisas estavam indo muito bem. Se não levarmos em consideração tudo de ruim que aconteceu. Tentei me ocupar com o máximo de coisas possíveis, para que pudesse de um jeito esquecer todos os meus problemas, e por um momento felizmente consegui. E pela primeira vez, depois de mais de um ano, eu consegui dormir. Achei uma terrível ironia. Passar noites em claro cheio de coisas na cabeça, pensando, mas foi só aumentar ainda mais a quantidade de coisas em meu cérebro, que ele resolveu me dar um tempo para finalmente descansar. E é claro que a presença de Anastacia só deixava o dia ainda mais brilhante. Ela era a luz vermelha da minha vida que eu poderia ultrapassar e um único sorriso pela manhã era capaz de me fazer aguentar as diversas horas de reuniões do conselho, que eram definitivamente a pior parte do meu dia de longe. Mas seu rostinho sonolento no meu quarto deixava tudo mais interessante.
_Porque não deixa um berço no seu quarto? Assim pode dormir com ela durante esse tempo. — me assusto com a proposta de Alex.
_Está falando sério?-perguntei sem conseguir conter minha animação, meu olhos com certeza brilhando de expectativa. — Eu posso?
_Não é minha primeira opção, é claro, mas você também é o pai e merece isso.
_De verdade?-pergunto novamente desconfiado e sorri, como se ele me enganar fosse muito pouco provável, o que só me deu mais medo ainda.
_Ela dorme durante a noite inteira, então não irá te acordar. Mas ela acorda cedo, então tem que dar a mamadeira, banho, trocar a fralda...- ele começou a citar mais coisas, mas me perdi na palavra “fralda”.
_Eu não sei trocar fralda. — constato esperando uma resposta mais acolhedora do que a que ouvi.
_Então aprende. – ele ri e dá de ombros.
—Tudo bem, acho que é justo. — percebo a troca de olhares entre os dois e então adivinho que o único motivo pelo qual os dois me deixaram com minha filha era para que os dois pudessem tirar uma folga, mas não me importei, eu teria Anastacia só para mim, e mesmo que só por uma semana, é mais do que eu poderia pedir.
_Não se preocupe, Maxon. Não o deixaríamos com ela sozinho, a babá dela veio conosco e te ajudará em tudo e lhe ensinará o que quiser. — America corta o silêncio e suspiro aliviado. Não tinha nem reparado o quão tenso eu estava.
—Então acho que vou me retirar para fazer máximo o meu tempo com essa coisinha maravilhosa, não é mesmo amor da minha vida?- Pego Nastia na cadeirinha ao lado da mesa e a pergunto com uma voz manhosa, mas é claro não respondeu, seu gritinho agudo seguido de um sorriso foi o necessário para que eu tomasse sua expressão como um sim.
Não me orgulho de ter deixado meus deveres como rei em segundo plano, mas na hora simplesmente não consegui me importar com o que os conselheiros fariam ou diriam. Eu precisava de uma folga. Me senti mal por deixar Alex no meu lugar, mas ele entendeu perfeitamente que ser pai vem antes de qualquer outra coisa. Ele administrou maravilhosamente Illéa por uma semana, me mantendo informado sobre tudo o que era discutido e decidido, mas sempre perguntando minha opinião sobre o assunto e brigando caso achasse que eu estivesse errado. Me chamava sempre que o assunto era considerado mais importante e, mesmo que os conselheiros tenham teimado por isso, a última palavra era sempre a minha. Fiquei impressionado com o quanto as coisas fluíam sem meu pai. Não estou dizendo que as coisas melhoraram agora que ele se foi, porque isso não aconteceu, mas há vantagens e desvantagens em tudo, e nesse caso, o benefício de, pela primeira vez, ser escutado por alguém, de me perguntarem o que devemos fazer e levarem minha opinião em conta, foi uma ótima sensação.
—Maxon?- sou acordado de meus pensamentos pelo barulho da porta. Me viro assustado e vejo o rosto de America visível atrás da porta.
_Oi. — digo e volto a brincar com Nastia, sabendo que ela entraria.
—Sabe a garota que encontramos naquela vez que fomos atrás de August e Geórgia? Paige?- ela pergunta e assinto ainda sem entender. — Gostaria de pedir sua permissão para levá-la para a Rússia conosco. — suas sobrancelhas estão franzidas e ela me olha como se acreditasse que pedia o impossível.
—Claro. Por quê?- ela suspira aliviada.
—Eu gosto dela. Acho injusto Marlee, Anne, Mary, Lucy e todos estarem lá, mas ela não.
_Ahhhh. — é a única coisa que consigo responder.
_Tem mais outra coisa. — ela constata com vergonha.
_Meu deus, America! Desse jeito você vai levar todos os trabalhadores do palácio!- ela me mostra a língua, brincalhona e sorrio. É bom saber que podemos rir, brincar e se esquecer de todos os problemas que nos afligiram, agir como amigos normais.- Quem?- pergunto.
_ O pai da Lucy.
_Posso providenciar tudo hoje ainda para que eles possam ir com vocês quando partirem, mas você terá que falar com eles, ter certeza de que querem ir embora.
—Não precisa se preocupar, eu faço isso. — ela argumenta.
_Por favor, America. Estou há dias sem fazer nada. Eu preciso de algo para me preocupar!- ela sorri convencida e abre a porta. — Agora?-me assusto.
_Sim, Maxon. Agora. — Como senti falta de seu jeito mandão.
_Sim senhora, capitã. — bato continência e ela me empurra para fora do quarto, quase se esquecendo de que segurava nossa filha nos braços.
—Fico feliz que esteja se dando bem com ela. — diz e sei que está sendo honesta.
—Eu não quero arranjar intriga, mas quando contará a verdade. Não posso ser o padrinho dela para sempre. — comento.
—Eu não sei, Maxon. Não pensei nisso ainda, ela é só um bebê, mas prometo que ela saberá. — não sinto muita confiança, mas deixo o assunto de lado e a conduzo pela cozinha, pela ala dos criados até o corredor designado para as criadas.
O lugar é tão grande e tão confuso, que precisamos parar para pedir informação diversas vezes. Paige estava deitada na cama, em seu uniforme de criada, lendo um livro qualquer. Ela abaixa o objeto para ver quem estava na porta e semicerra os olhos para conseguir ver melhora.
_Ai meu deus! Majestade! Ela se levanta rapidamente e faz uma reverência, deixando o livro jogado em cima da cama.
_Não precisa, sabe disso, não sou diferente de ninguém.- ela sorri constrangida.
—Desculpe a intromissão, majestade, mas porque tem um bebê em seu colo?-sorrio com a pergunta.
_ Ela é o motivo pelo qual estou aqui. Ou pelo menos a mãe dela é. — ela me olha curiosa. — Trouxe uma surpresa. — Abro mais a porta e Paige passa por mim, correndo e abraça America.
—America do céu! Acreditei que estava morta. — as duas se separaram, alegres.
—Eu também. — reviro os olhos.
_É uma longa história.
_Então quer dizer que você voltou? Que vocês voltaram?- ela alterna o olhar entre nós dois. — Que ficará aqui conosco?- olho para America como quem diz “se vira” e ela começa a explicar.
—Não exatamente. Eu estou comprometida, com outra pessoa. Te conto tudo depois.- ela emenda quando a menor ameaça perguntar.- Gostaria de saber se gostaria de morar comigo, em Moscou.
_Moscou, Moscou? Moscou como Rússia?- ela abre a boca diversas vezes e finalmente consegue formar uma frase.
—Sim. Marlee e as outras garotas estão lá. Elas me disseram que você se tornou bastante amiga delas. Então, gostaria?- America a olha com expectativa e a adolescente me olha, pedindo permissão.
_Você tem mina benção. — sorrio terno.
—Então é claro que vou!- ela se joga nos braços de America novamente.
As coisas não foram muito diferentes com o pai de Lucy, que aceitou na hora e quase chorou de felicidade ao saber que a filha estava bem, era uma nobre russa e que a reencontraria. Tudo começou a ficar interessante no penúltimo dia de Alex e America em Illéa. O dia tinha começado bem, como todos os outros durante aquela semana, a não ser pelos dois convidados sentados na mesa de jantar.
_O que você está fazendo aqui?- pergunto hostil e a sombra, que se manteve de costas todo esse tempo, se levanta e vira-se para mim, com um sorriso cínico no rosto.
_Soubemos que America estava aqui. Geórgia queria dizer oi. — ele dá a deixa para que a noiva corra até America e se abraçam com saudade.
_Você não está aqui só por isso. Eu te conheço August, e sei que quer alguma coisa. — contato e seu rosto se torna sério.
—Então acho que devemos tratar de negócios!- ele estende a mão nos mostrando onde nos sentarmos, como se fosse a sua própria casa.
_Não vamos tratar de negócios. Você me traiu. Vocês dois. Disseram que me ajudariam, que ficariam ao meu lado, mas quando tudo terminou, quando mais precisei, vocês me deram as costas.
_Você não cumpriu o trato, Maxon. Você prometeu que a escolheria- ele aponta para America e Geórgia que continuam abraçadas e de soslaio consigo ver Alex com os punhos cerrados.
—Você me deu duas opções, Illéa. Duas! E eu fiz o que prometi, me casei com Kriss, com uma das suas opções, mas mesmo assim você se aliou aos sulistas, mesmo assim tem a ousadia de aparecer na minha casa, com essa cara de quem não fez nada e achar que pode mandar em mim. Mas não pode. Então me desculpe por não confiar mais em você. — August ameaça dizer alguma coisa, e tenho certeza de que socaria aquele nariz se ele falasse algo, mas Geórgia se intromete entre nós dois antes, o que foi particularmente irritante.
—Olha, Maxon, sei que tivemos nossas diferenças no passado, mas queremos o mesmo futuro, então porque não trabalhar juntos para alcançá-lo? Sei que erramos e que perdeu sua confiança em nós, mas sei que, mesmo com sua nova aliança com o estressadinho ali do canto, — ela olha para Alex que sorri ao ser chamado de estressadinho -somos sua última alternativa para conseguir seu país de volta.
—Maxon...-America se aproxima de mim, mas me distancio.
—Não. — respondo e paro para pensar nas possibilidades, não que eu tivesse muitas, porque eu realmente não tinha, então acho que ser amedrontador me ajudaria em algo. — Eu aceitarei sua ajuda, mas se eu ouvir falar de qualquer tipo de traição, mentira ou qualquer outra coisa, eu juro que vocês vão começar a achar meu pai bonzinho em comparado a mim.
—Estou feliz que conseguimos nos entender. — August abre seu sorriso falso novamente e aperta minha mão, mas eu não sorrio. Simplesmente seguro sua mão, em sinal de acordo, pelo mínimo de tempo possível e bato a porta ao sair.
Acho incrível como o tempo passa tão rápido. Era manhã cedo e estávamos na escadaria principal, esperando pelo carro que os levaria de volta para a Rússia. Tentei enrolá-los o máximo que pude, leia-se eu pedi para o carro atrasar para buscá-los, para que possa ficar mais tempo com Nastia, mesmo que apenas minutos.
—Vocês já pensaram em quem vai ser a madrinha dela?- quebro o silêncio, que já havia sido quebrado muitas vezes antes pelo choro da minha filha no meu colo.
_Nós pensamos em Nicoletta, se você concordar, é claro. — Alex responde com o braço ao redor da cintura de America.
—Porque não Marlee ou Celeste? — Pergunto e ao notar seus rostos entendo. — Ah, claro. Aliança. Às vezes esqueço que somos quem somos. — rio para mim mesmo e vejo quando o carro se aproxima e estaciona em frente ao último degrau.
—Acho que agora vocês devem ir...- comento sem muito ânimo.
—Prometo que o chamaremos para todos os aniversários, feriados e qualquer tipo de comemorações. — America comenta e sorri, mas eu não consegui, só olho para o bebê em meu colo tentando gravar o máximo de seu rosto angelical em minha memória, e torcer para que ela faça o mesmo.
—O mesmo aqui, filha. Espero que voltem rápido. — Minha mãe a abraça intimamente.
—Poderíamos nos falar por computador?- pergunto esperançoso. — Para que eu possa vê-la e tudo.
_Claro que sim, Maxon. Só se lembre do fuso horário, por favor.
—Como se eu fosse me lembrar disso. — rio de mim mesmo tendo a certeza de que eu não lembraria desse pequeno detalhe que para eles parece importante.
—É hora de ir. — Alex dá um passo para frente e estende a mão, esperando que eu entregue minha filha.
— Tudo bem. Podem ir. Ninguém quer que vocês atrasem, certo?- sorrio.
—Anastacia, Maxon. Não podemos ir embora sem ela. — America diz sorrindo e revirando os olhos.
_A tá. Claro. — me toco e a devolvo para Alex. — Ela realmente não pode ficar?- tento uma última vez.
—Me desculpe, mas devemos ir, não se preocupe cuidaremos bem dela e se verão logo, logo — ele diz antes de dar as costas para mim, descer as escadas e fechar a porta do carro, me deixando sozinho novamente. Em poucos segundos eu já não conseguia mais ver o carro no horizonte e a imagem de Nastia já sumia em minha mente.
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