Plagued

11 Capitulo X


Notas iniciais
Espero que gostem desse capitulo. Eu recomendo ler ele ouvindo Faun - Tanz mit mir. Que é uma ótima musica para hora da celebração.

Eu me segurei no braço dela para não perde o apoio e cair diante de todos aquelas pessoas que estavam ali para me ver e prestigiar. Eu era a princesa deles, isso me dava ânsia de vomito.

— Está tudo bem? – A Rainha sussurrou no meu ouvido.

— Sim. – Respondi levantando o rosto e respirando fundo.

Soltei o braço dela e olhei para todos de cabeça erguida e com um sorriso nos lábios. Eu não sabia o que tinha que fazer. Se tinha que ir lá e cumprimentar cada um ou se devia apenas sorri e talvez acenar como uma princesa? Como havia aprendido em Diário de Uma Princesa. Seria uma bela lição esse filme.

— Agora seu povo tem que lhe conhecer. – A rainha disse.

— Mas como o povo aceitou essa ideia? – Perguntou um dos homens sentados.

— Explicamos tudo para eles, a verdade e aceitaram. Está tudo certo no momento, eles agora só querem conhecer sua princesa.

Todos se levantaram e ficaram em pé perto de suas cadeiras. Meus pais foram os únicos que saíram do lugar e vieram em minha direção.

— Os guardas já estão prontos. – Uma pessoa de uniforme preto e azul escuro entrou no cômodo.

— Sim. Vamos? – A Rainha olhou para mim e ficou me encarando a espera de uma resposta.

Eu sabia que se eu falasse talvez colocasse tudo para fora. Minha vontade de vomitar ainda não havia passado. Assenti com a cabeça e começamos a andar. Saímos do comodo e ficamos algum tempo no hall de entrada. As outras pessoas que estavam no outro cômodo começaram a se dissipar pelo castelo, subindo as escadas ou desaparecendo em outras portas. No hall fico meus pais, a Rainha, um guarda e eu. Respirei fundo mais uma vez. Os dois guardas que haviam perto da grande porta, que ia do chão até o teto, abriram-na. Eu puder ver mesmo de longe a multidão que tinha lá embaixo, podia ouvir os gritos deles. Começamos a andar em direção a eles e paramos quando chegamos ao final da sacada na entrada do castelo. Embaixo havia um jardim com várias arvores, flores e arbustos em forma de coxinha. E uma multidão enorme de pessoas, de pessoas anãs, de pessoas com asas e outras criaturas verdes, grandes e coisas que nem sabia dizer. Mas a maioria parecia ser humanos, talvez fossem bruxos.

— Povo de Althea, há muito tempo mentimos para vocês para proteger a nossa princesa, para proteger a minha filha. Abdiquei dela para que ela não corresse perigo aqui em Althea e para que não tivesse o mesmo fim que seu pai. Hoje depois de dezessete anos a temos de volta, sã e salva e pronta para conhecer vocês. Espero que confie em nós e confiem em sua princesa, porque um dia ela será sua Rainha e o reinando dela será cheio de paz e prosperidade se contar com o apoio de vocês, althensses. – A Rainha falava firme. Não havia falha em sua voz ou no seu corpo que demonstrasse que estivesse com medo. Ela havia sido ensinada desde pequena aquilo, a como se forte diante do seu povo.

Todos gritaram ao final do pequeno discurso dela. Aplaudiram e disseram boas-vindas a mim. Meu corpo todo tremia, a ânsia de vomito ainda persistia em mim e sentia como se fosse vomitar a qualquer momento, mas isso seria feio diante daquele povo que estava me recebendo de braços aberto mesmo depois de anos de omissão de uma coisa importante.

— Fale alguma coisa. – Minha mãe sussurrou no meu ouvido atrás de mim.

Eu dei um passo para frente e fiquei lado a lado da rainha. Ela me olhou com um olhar esperançoso e deu um sorriso confiante para mim.

— Obrigado a todos. – Falei com a voz fraca e baixa. Queria dizer mais alguma coisa, mas nada parecia muito coerente na minha cabeça.

— Perdoem-na, tudo é muito nova para ela. – Disse a Rainha arrancando algumas risadas do povo.

Apenas dei um sorriso fraco. Eu queria que aquilo acabasse logo.

— Obrigado a todos, agora teremos uma celebração aberta a todos como uma festa de boas-vindas a nossa princesa.

Todos urraram de felicidade e começaram a se dissipara pelo enorme jardim. Se havia uma festa eu não sabia onde era, pois não estava vendo comida ou música. Mas ignorei isso, queria minha cama.

Voltamos para o castelo e fecharam a porta atrás da gente.

— Você pode subir ao seu quarto, Emilie vai lhe levar até lá. – Emilie já estava no hall de entrada esperando pela gente.

Emilie começou a andar e fui atrás dela sem nem pode me despedir dos meus pais. Provavelmente eles ficariam aqui agora, não era? Se aqui era a terra deles e eles só haviam ido para Terra por causa de mim. Subimos as escadas e andamos pelo corredor até chega ao meu quarto, o mesmo que havia acordado nessa manhã.

— Haverá uma celebração típica de Althea, a senhorita irá adora. – Ela começou a falar. – Se desejar pode trocar o vestido por algo mais leve.

— Tipo? – Perguntei.

— Um vestido mais leve ou até mesmo uma calça e uma camisa. Não é obrigada a andar só de vestidos. – Ela deu um riso fraco.

— Me arrume um vestido mais leve, por favor. Já volto. – Fui em direção ao banheiro e corri para porta que dava para o vaso sanitário, antes de poder me agachar eu comecei a vomitar.

Vomitei tudo que podia e depois fiquei sentada ao lado do vaso sanitário pensando em tudo que estava acontecendo. O gosto azedo na minha boca começou a me dá nojo e resolvi me levantar. Dei descarga e fechei a porta atrás de mim, me dirigir a pia e vi uma escova de dente na prateleira perto do espelho, peguei ela e uma pasta de dente que também havia ali e comecei a escovar os dentes. Escovei os dentes bem umas três vezes, não porque o gosto azedo não saia da minha boca, mas pelo fato de que queria demorar, não estava afim de ir para uma festa em minha homenagem.

— Está tudo bem, vossa alteza? – Emilie apareceu na porta do banheiro que havia deixado aberta.

— Esta. – Respondi molhando a boca e deixando a escova de lado.

Voltei para o meu quarto. Alicia me ajudou a tirar o vestido e ajudou a colocar o outro. Era um vestido longo, porem simples. De cor azul claro. A saia cai em um tecido leve e sem forro por baixo, ou qualquer coisa que aumentasse ele. A parte de cima tinha uma espécie de tecido transparente que cobria meus ombros e o colo do peito e depois vinha um tecido que cobria os seios com algumas pedrarias de cor azul também.

— É lindo. – Falei.

— Realmente. – Emilie concordou.

Continuei com o mesmo salto que estava antes e sem nenhuma joia.

— Vamos a uma festa. – Forcei um sorriso e fui em direção a porta.

Conhecia mais ou menos o caminho e fui andando na frente. Chegamos ao hall de entrada e la estava um guarda. Ele usava um uniforme preto e azul, com um brasão com a letra M nele. Havia uma espécie de bola de cristal embaixo do M. Ele era um cara alto, de cabelos castanhos escuros e cara fechada.

— Esse é o seu guarda. – Comentou Emilie. – Ele irá com você a festa, para manter sua segurança.

— Vossa alteza. – Ele fez uma reverência ao me ver.

— Sem reverências, por favor.

Emilie sumiu em algum lugar e ficou apenas eu e o guarda. Ele me guiou para outra parte do castelo. Havia uma porta ao lado esquerdo no castelo que dava para biblioteca, eu não pude me atentar muito ali pois logo atravessamos outra porta que dava em um salão enorme e havia várias pessoas com vestido chiques e tomando algum drinque. Mas aquilo parecia uma festa da realeza, e não uma festa com o povo. Não era possível que o povo fosse tão requintado e elitizado.

— Cadê o povo? – Perguntei ao guarda. – Afinal, qual seu nome?

— O povo está do lado de fora. Para ser sincero é onde está a melhor parte da festa. Meu nome é Frederic, vossa alteza.

— Vou lhe chamar de Fred. E vamos para onde há a melhor festa. – Falei.

Ele saiu andando e fui atrás dele. Algumas pessoas me olhavam curiosas e outras até com olhar de malicia. Fico me perguntando quem iria assumir o trono se eu não estivesse aqui. Talvez essa pessoa estivesse morrendo de raiva de mim. Eu devia parar de ver filmes.

Chegamos ao final do salão de festa que dava numa porta enorme de vidro que estava aberta e dava para ver o povo com sua diversidade do lado de fora dançando, rindo e comendo.

— Essa é a melhor parte, vossa alteza. – Disse Fred.

E eu percebia como era. Eles dançavam de forma simples e sincera. A música que tocava fazia até meus pés se mexerem involuntariamente. Era uma música antiga, que talvez tivesse o uso de flauta, tambores e outros instrumentos que não sabia distinguir. Um grupo de mulheres jovens dançavam em círculo rindo. Me aproximei.

— Vossa alteza. – Todas disseram.

— Posso me juntar a vocês?

— Será uma honra. – Elas abriram o círculo e me juntei. Peguei nas mãos delas e começamos a dançar.

Eu não sabia qual era a dança, mas apenas seguia elas. E aquela felicidade toda, a felicidade que a música tinha começava a me contagiar e fazer me esquece que estava ali com o meu povo. Pulamos, giramos, rimos e continuávamos dançando uma coreografia toda nova para mim.

A música mudou e de repente uma pessoa do círculo foi para dentro do círculo e começou a dança com um homem. Agora havia homens no círculo e Fred se juntou ao meu lado. Quando essa pessoa saiu do círculo eu entrei e puxei o Fred comigo. Dançamos, não algo do meu mundo ou como os jovens dançavam na Terra, mas algo mais característico dali, algo mais antigo. Pulávamos, batíamos palmas e girávamos conforme o ritmo a música que era divertida. Todos batiam palmas e riam. Saímos do círculo e voltamos para onde estávamos.

— Meu general ira me matar por isso. – Comentou Fred.

— Fale que sua princesa ordenou. – Ri.

Rindo com o Fred ali do meu lado, até tinha me esquecido de toda confusão de manhã e onde realmente estava. Mas tudo veio átona quando percebei que havia uma pessoa parada perto de uma parede de folhas que dava na metade dela. Apesar de esta escuro onde a pessoa estava, algo me dizia que era familiar. Me afastei da roda de dança e fui me aproximando da pessoa, quando a pessoa percebeu que eu estava indo em sua direção começou a andar. Atravessei a parede de folhas que deu em um vasto campo de grama, com flores na margem. Ali havia bastante iluminação e então pude ver o rosto. Era ele... o cara do hospital, o que tinha me ajudado. O que significava que ele também era alguém daquele mundo. Lembrava dele correndo super-rápido, será que ele era alguém de bem? Eu podia confiar nele? Mas todas as vezes que o virá, eu tinha confiado.

— Por que está aqui? – Perguntei alguns metros de distância.

Ele que estava virado se virou e começou a andar em minha direção. Ficamos a poucos centímetros um do outro. Puder senti o cheiro de perfume caro vindo dele e forte. Quem seria ele?

— Quem diria que você seria ela. – Ele balbuciou. Ela quem?

— Você provavelmente já imaginava que eu era a princesa, porque se aproximaria de mim então. – Falei.

— Tem muito mais coisa envolvida, Luci. Nunca imaginei que você fizesse parte desse mundo e desejaria que não. Tudo aqui é demais. – Comentou.

— Demais? Demais para quem? Eu posso aguenta qualquer coisa. – Resmunguei.

— Sim, você pode. Mas desejaria que não fosse isso. – Ele tinha uma tristeza na voz. Como se soubesse que algo ruim fosse acontecer comigo aqui nesse mundo.

— Posso confiar em você? – Perguntei de repente. Essa não era a pergunta que eu queria fazer, mas ela esmagava meu íntimo e precisava ser dita.

— Melhor não. Preciso ir, não posso ficar mais tempo aqui. – Ele começou a dar as costas para mim.

— Não vá. – Falei agarrando o braço dele. O que eu estava fazendo? Ele acabara de confessa para mim que não podia confiar nele e ali estava eu pedindo para que ficasse. Droga! O que estava fazendo comigo mesma?

Os olhos azuis dele me encararam e me senti perdida, me senti como se nunca pudesse deixa-lo ir. Merda, o que era aquilo? Eu nem conhecia ele direito, apesar de ele ter me ajudado algumas vezes, mas aquilo era demais. Ele não passava de um estranho simpático.

— Luci, minha Luci, se é que posso lhe chamar assim. Eu não posso ficar aqui. Eu tenho que ir. – Ele acariciou meu rosto.

Soltei o braço dele após ficar sem reação com o gesto. Ele deu as costas e começou a andar.

— Lucille! — Alguém gritou meu nome.

Olhei para trás e lá estava Fred, meu pai e a Rainha. Quando olhei para frente novamente ele havia sumido. O que estava acontecendo? Já não bastava eu saber que era uma princesa de um mundo novo, descobri que magia e criaturas magicas existe, eu ainda sinto algo estranho dentro de mim. Talvez eu estivesse alimentando um monstro, essa era a explicação.

— Minha filha, ainda bem que está bem. Pensei que tinha lhe perdido novamente. – A Rainha veio correndo ao meu encontro e me abraçou.

Abracei a contragosto, apenas para não deixa-la sozinha. Mas minha cabeça ainda estava naquilo tudo que havia acabado de acontecer.

Notas finais
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