Plagued
9 Capitulo VIII
Notas iniciais

Quando meu pai abriu a boca e começou me explicando o que era um strigoi. Lembranças vieram à minha mente como facadas e eu não conseguia mais pensar em nada e tão pouco o ouvir, apenas estava concentrada na dor que minha cabeça estava sentido. Como se fosse milhões de agulhas sendo enfiadas ao mesmo tempo. Eu gritei, não aguentei mais segura a dor e gritei.
Minha mãe deu um pulo para trás com meu grito e meu pai ficou me olhando preocupado. Enfermeiros entraram com tudo no quarto e começaram a me segura. Apesar de eu esta gritando, não estava me debatendo ainda. Eles queriam me prender na cama e foi aí que comecei a me debater. Eu queria que aquilo parasse. Eles pegaram uma seringa e a injetaram. Senti meu corpo fica quieto, a dor diminui um pouco, mas ainda estava ali. Tudo ficou preto e dormi.
Eu me vi em um ambiente negro, sem iluminação alguma. De repente uma luz surgiu a minha frente, era uma espécie de TV, ou parecia. De luz branca ela começou a ganhar cores e formas. Eu comecei a ver um cara pegando uma mulher, colando o rosto dele no pescoço dela. Me lembrei da cena que vi há dois anos atrás. Respirei fundo. A TV ficou preta e o ambiente voltou a ficar negro. E de novo outra luz branca surgiu em outro canto agora, ainda parecida como uma TV. Começou a ganhar formas e cores e vi dois caras de olhos azuis intensos brigando. Tudo ficou preto de novo. E outra TV de luz branca. Vi um dos caras da outra TV, nessa ele agora brigava com outra pessoa. Tudo preto. Outra TV branca agora atrás de mim, me virei com tudo. Essa começou a ganhar uma coloração verde e parecia um jardim. Me perguntei se era minha morte chegando. E vi uma mulher alta de cabelos negros ondulado segurando um pequeno embrulho nos braços, ela parecia balança o embrulho, foi quando percebi que era um bebê. Ele ainda estava acordado e tinha os mesmos olhos que os meus. Seria eu? Mas aquela era não minha mãe ou alguma tia. Tudo preto de novo.
Me sentei no chão, não sabia se era um chão. Mas sabia que estava em pé numa superfície firme. Ou foi o que achei. Quando me sentei um buraco de luz azul se abriu embaixo de mim e comecei a cair. Foi tudo rápido e não puder me segura em nada. Eu estava caindo e como se fosse em Alice No País das Maravilhas, havia vários objetos flutuando a minha volta. Objetos que me recordavam alguma coisa, mas não lembrava muito bem.
Seria minha morte? A pergunta voltou a torna. Diziam quando você estava preste a morre via sua vida diante dos seus olhos. Talvez fosse um pouco diferente. Cair em uma superfície macia e percebi que era um jardim. Me levantei, porque ainda me sentia inteiramente bem. Comecei a andar pelo jardim até que vi de novo a mulher com o bebê no colo.
— Chegue mais perto – Ela disse com uma voz melódica.
Eu me aproximei. Mas quem seria ela? Um anjo ou talvez Nossa Senhora? Apesar de não acredita muito nisso.
— Sente-se. – Ela indicou o lugar vazio ao lado dela.
Me sentei ao lado dela e comecei a olhar o bebê. Era tão lindo e lembrava tanto a mim, mas aquilo devia ser coisa da minha cabeça.
— Quer pega-lo? – Ela perguntou já colocando o bebê nos meus braços.
Me arrumei rapidamente para pega a criança. Era realmente linda.
— Ela é tão linda, não? – Ela falou.
— Sim.
— Você é ela. – Ela sussurrou como se fosse um segredo.
— Como assim? – Perguntei encarando o bebê e depois a mulher.
— Sendo. Você é uma bruxa, Lucille. – Ela falou e saiu andando.
Quando voltei a olhar para o bebê ele havia sumido e então fui atrás da mulher. Sonho louco era aquele?
— Do que a senhora está falando? – Perguntei.
— Abra os olhos e vera um novo mundo. – Ela falou se afastando mais ainda.
— Não quero ver um novo mundo. Não quero morrer. – Gritei para ela que estava longe.
— Você não vai morrer. Acorde. – Ela gritou longe.
Fechei e abri os olhos. Quando os abri vi braços em cima de mim e o rosto de uma mulher. Onde eu estava? A mulher percebeu que eu havia despertado e saiu de cima de mim. Ela era linda, tinha os cabelos negros caindo sobre cascatas pelos seus ombros. O rosto era delicado, de pele clara e olhos castanhos avermelhados. Tinha os lábios desenhado perfeitamente e um sorriso neles. Os traços eram delicados, como de uma princesa, mas já traziam rugas, mas o que não tirava a beleza dela. Devia ter seus 40 e poucos anos.
— Minha filha. – Ela sussurrou com a voz melódica e me abraçou.
Eu fiquei sem reação, sem saber se a abraçava também e apenas mantive minhas mãos onde estavam. Quem era a filha dela? Seria eu? Buscando em minha memória me lembrei dela nos meus sonhos. Será que eu estava acordada? Ou tinha morrido? Ela saiu de cima de mim e pude olhar o local melhor. Estava deitada em cima de uma cama de casal, muito confortável por sinal, ela tinha um docel de cor dourada e lençóis de cama vermelho e branco. O quarto era grande e as paredes eram brancas, com uma facha que cortava ao meio de cor dourada e parecia sair flores rosas e brancas da facha. Era um quarto bonito. Tinha um quadro bem grande de um homem reto e pomposo, usava uma coroa, parecia um rei. E perto da porta pude ver minha mãe e meu pai parados me olhando cautelosos. Talvez aquilo fosse um sinal de que não morri, eles estavam ali.
— Onde estou? – Perguntei encarando a mulher sentada ao meu lado.
— Em Althea. – Disse ela feliz.
O que era Althea? Uma espécie de paraíso? Ou eu estava ficando louca? Minha cabeça doía de tantas perguntas.
— E o que é Althea? Não conheço nenhum lugar com esse nome.
— Althea é o seu lar. Preciso que se lembre do seu sonho, Luci. Ele é verdade, era eu na sua mente. – Ela explicou.
No meu sonho ela me dizia que eu era uma bruxa. Como eu podia ser uma bruxa? Que droga era aquilo?
— Que merda de brincadeira é essa? – Tentei fica sentada na cama, mas meu corpo todo doeu. Lembrei do acidente. Como eu havia saído do hospital e parado ali? Como meus pais deixaram isso acontecer?
— Não é brincadeira, meu amor. Sei que tudo parece complicado, mas quero que entenda. Sou sua mãe, aqui é o seu reino e você é bruxa dotada de magia. – Ela parecia feliz com tudo aquilo.
— A senhora não é minha mãe. – Falei entre dentes.
— Sei que é estranho, mas sou sua mãe. Irei explicar tudo para você, mas você precisa descansar.
— Não quero ouvir nada. Você não é minha mãe, ela é minha mãe. – Apontei para minha mãe perto da porta.
— Lucille, preciso que entenda. Ela é sua mãe. – Falou meu pai se aproximando mais da cama.
Eu vi minha mãe chorando, meu coração se partiu com aquilo.
— Que coisa mórbida é essa? Ela é uma das suas amantes e por isso é minha mãe? – Perguntei histérica para meu pai.
— Por Deus, Lucille, respeite sua majestade. – Meu pai brigou.
Majestade?
— Sei que é tudo muito louco, mas preciso que entenda. – Ela tentou ter minha atenção.
— Você não é minha mãe e pronto. – Eu rolei para outro lado da cama e com muitos protestos do meu corpo me levantei dando a volta na cama e chegando até a minha mãe que estava chorando. – O que está acontecendo?
— Preciso que você os ouça, Luci. Sei que é tudo muito complicado. Mas lembra o que te ensinei quando criança? De que quando alguém tem algo para falar precisamos ouvir tudo e depois dar nossa palavra. Assim evitarmos muitas brigas por falta de diálogo. – Ele me olhou nos olhos com os olhos cheio de lagrimas. Não aguentei comecei a chora também. – Não chore, meu anjo. Apenas escute, você precisa escutar.
— Sim. – Falei por fim.
Ela me levou de volta a cama. E quando ela ficou a cara a cara com a mulher que dizia ser minha mãe, senti uma tenção entre as duas. A mulher bonita saiu da cama e deu passagem para mim e minha mãe. Eu me deitei na cama e minha mãe sentou ao meu lado. Começou a fazer carinho no meu cabelo pedindo para que eu pegasse no sono e descansasse. Senti uma brisa leve e suave no meu rosto e o sono chegou rápido demais. Adormeci.
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