Plagued
10 Capitulo IX
Notas iniciais

Talvez se eu acordasse no meu quarto na minha casa em São Paulo ou até mesmo em Londres, soubesse que tudo não havia passado de um sonho muito louco. Mas nem sempre o que se deseja vira realidade e nesse caso era isso. Ao invés do meu quarto acordei numa cama enorme com dossel em um quarto decorado de rosas. Estava sozinha e me sentindo estranha. Levantei da cama e mal consegui coloca meu pé no chão quando me sentei a beirada, talvez pela cama ser alta e eu ser pequena. Me sentia pequena naquele quarto enorme e em um filme sobre a realeza. Lembrei do meu pai chamando aquela mulher maluca de majestade. Será que estava em um castelo?
Havia uma porta pequena de cor branca na parede. Me aproximei e virei a maçaneta com um certo receio de empurra-la e do que poderia encontra do outro lado. Fechei os olhos e empurrei. Ao abri os olhos vi uma banheira enorme de cor branca e vitoriana. Ela estava à frente de uma parede de espelho que também era grande, mas não havia um recorte, era uma peça inteira. Havia uma pia de cor branca com detalhes dourados do lado esquerdo, um espelho em cima de borda dourada e uma pequena prateleira abaixo dele. Me aproximei. Tinha um pote com um sabonete bonito, todo desenhado. Outro pote com uma escova de cabelo e alguns cremes de marcas que não conhecia. Abaixo da pia havia duas cestas de tecido com toalhas brancas. Do lado direito havia outra porta. Abri, nela havia apenas o vaso sanitário e um armário acima dele com papel higiênico. Fechei. Do lado esquerdo longe da pia ainda existia um box com chuveiro. Tudo muito louco, pensei.
Me olhei no espelho da pia. Estava com arranhões no rosto e outros no braço. Não estava mais usando o vestido rosa e sim um short com uma regata branca. Minha mãe deveria ter me trocado, pelo menos esperava que fosse ela. Sai do banheiro e voltei para o quarto.
O quarto era enorme. Com paredes brancas decoradas com flores brancas e rosas. Havia uma cama no centro e o quadro de um homem com coroa e outra de uma mulher com coroa também nas paredes. Olhando mais atentamente para os quadros, percebi que o da mulher era a mesma mulher louca que dizia ser minha mãe só que mais jovem. Do outro lado do quarto havia uma escrivaninha de cor branca, com uma luminária em cima e alguns livros de capa marrom. E na mesma parede da cama havia uma porta de vidro que deveria dar para uma varanda, não me atrevi a sair.
Fui em direção a porta de saída. Uma porta grande de cor branca, abri as duas portas e vi que havia guardas de prontidão na entrada. Eu era prisioneira?
— Vossa alteza. — Eles fizeram uma reverencia ao me ver.
Achei estranho, mas não questionei.
— Vossa alteza. — Uma mulher já de idade apareceu a minha frente e fez uma reverencia. — Sua mãe, vossa majestade, pediu que você aguardasse dentro do quarto quando acordasse. Irei chama-la.
— Posso ir com a senhora? — Perguntei.
— Claro. Me acompanha, vossa alteza. — Ela pediu e saiu andando.
— Por favor, Luci. Nada de vossa alteza. Sou uma pessoa comum. — Pedi.
Ela sorriu.
— Você é a nossa princesa, alteza.
Princesa? Todos estavam ficando loucos? Ou talvez eu tivesse ido para em um jogo de RPG e esqueceram de me avisar.
Ela andou por um corredor largo e cheio de obras de artistas que eu não conhecia. Chegamos próximo a outra porta grande de carvalho e cor marrom, havia guardas na porta dela também que abriram quando nos aproximamos.
— Obrigado, Emilie. — A mulher louca se aproximou da porta.
Emilie, a mulher que me acompanhou, foi embora.
— Preciso que entre Lucille. Temos muito o que conversar. — Ela disse.
Meu coração palpitava rápido e meu rosto queimava. Estava com medo, mas precisava de respostas e volta logo para casa. Respirei fundo e entrei. La dentro estava meu pai e minha mãe. A porta se fechou atrás de mim e a mulher foi para frente. Eles estavam em volta de uma mesa que tinha uma espécie de maquete. Um mapa enorme de um lugar que não conhecia e nele vários homens, navios e objetos de guerras em miniatura.
— Luci, preciso que sente para te conta tudo que temos para conta. – Meu pai falou.
Uma cadeira apareceu atrás de mim rápido demais, porque ela não estava ali antes. Não questionei isso e me sentei. Achei mais sensato ouvir tudo. Lembrando do conselho da minha mãe.
— Primeiro de tudo, sou Damra, rainha de Althea e sua mãe. — A mulher louca falou.
Não questionei o fato de ela dizer que era minha mãe.
— Minha filha. — Minha mãe falou sem ligar para o olhar reprovador do meu pai. — Há muito tempo você nasceu em Althea, que vamos lhe explicar o que é. Vossa Majestade, e sua mãe, quem lhe teve, junto com o Rei, seu pai. Ele morreu há muito tempo também, sinto muito. Vossa Majestade, seu pai, morreu durante um ataque ao castelo pelos strigoi, também que explicaremos o que é, por causa disso Vossa Majestade decidiu que precisava abdicar de cuidar de você e de ver seu crescimento pela sua segurança. Decidiu então lhe mandar para Terra conosco. Sou conselheira de Vossa Majestade e ela me confiou sua guarda. Não sou sua mãe de sangue, Luci, mas lhe criei como uma filha com muito amor. Sabia que um dia você teria que saber disso tudo, mas não sabia que seria nas tais circunstâncias.
Respirei fundo, minha mente borbulhando com um monte de ideias e amarrando pontas soltas. Minha mãe não mentiria para mim, então o que me restava era acreditar numa ideia absurda dessas?
— Althea é um reino de criaturas mágicas. Magia reina nosso mundo e ficamos em uma realidade paralela que pode ser acessada através de portais que ficam em pontos específicos da Terra. Há muito tempo os governantes da Terra sabiam de nossa existência e permitiram os portais, vivíamos em perfeita harmonia. Até o momento que os governantes da Terra começaram a caçar nossas criaturas, nossa magia e nós fechamos para o mundo. Nenhum humano sabe da nossa existência hoje em dia, então os portais só são do conhecimento dos althensses. — Meu pai explicou.
— Somos Bruxos, Feiticeiros e adeptos de magia branca. Todo bruxo que mexe com magia negra vira um strigoi, criaturas da noite que precisam de sangue para sobreviver. Como vampiros, porem adeptos de magia. São criaturas de uma beleza inexplicável, ruivos e de olhos azuis. Foram banidos do povo de Althea pelo alto risco e viviam nas Terras Desertas. Acredita-se que não existe mais hoje em dia. Após o ataque ao castelo que levou ao falecimento do Rei, Vossa Majestade mandou caçar e matar todos strigoi que encontrássemos. Porém hoje vimos e sentimos um strigoi ao seu lado. Não sei como ele conseguiu cobri o rastro dele, mas conseguiu. E por isso demoramos para percebe, me desculpe. Provavelmente ele causou esse acidente. — Minha mãe explicou dessa vez.
— E eu sou sua mãe, Lucille. Seja bem-vinda a sua casa novamente. Você é a princesa de Althea e estou tão feliz que está de volta, minha filha. E assim como eu, seu povo está de feliz com isso também. — Damra começou a fala e abriu os braços em minha direção para um abraço. — Vem cá.
Olhei para minha mãe e ela me deu um olhar encorajador. Eu fui e abracei. Não consegui abraça-la forte, como ela fazia comigo. Senti meu ombro molhado e ela estava chorando. Tudo aquilo, aquele abraço era demais para mim. Queria desabar em algum lugar, mas não era nela. Apesar de tudo, não sentia ela como minha mãe.
Saímos do abraço.
— Mãe. — As duas mulheres olharam para mim.
Eu me virei para minha mãe, Rose, e fui em direção a ela. Abracei com força e comecei a chorar. Nela, no colo dela eu me sentia confortável e segura para desmoronar e desmoronei. Ela acariciava meus cabelos e dizia que ia ficar tudo bem. Como ela fazia quando eu cair pela primeira vez de bicicleta, quando briguei pela primeira vez com uma colega na escola, quando tive meu coração partido pela primeira vez e quando discutia com meu pai. E lá estava ela de novo me segurando, depois de tanto tempo.
— Sei que as coisas estão difíceis, mas ficarão bem Luci. Preciso que você vá se arruma. — Damra se aproximou de mim e passou a mão no meu ombro. Ela tentou um carinho, mas pareceu algo frio para mim.
— Vamos Luci, você precisa de um banho e tudo se resolverá. — Falou minha mãe.
Sair do abraço e começamos a andar para porta.
— Você fica, Rose. — Disse Damra com a voz autoritária.
— Não, quero que ela vá. — Agarrei o braço da minha mãe com força. — Por favor.
Damra me olhou com um olhar pesado e parecia que iria chorar. Mas assentiu e saímos dos aposentos. Minha mãe me guiava pelos corredores enorme e voltamos para o meu quarto.
— Depois de tudo isso, você não tem uma pergunta? – Ela questionou me olhando sério.
Os guardas abriram as portas do quarto e entramos.
— Tenho várias, mas ainda estou digerindo tudo. Os strigois não podem mesmo me atacar aqui? – Perguntei. – E nem vocês?
— Estamos em segurança no castelo. Há guardas por todas as partes. Não precisa se preocupa, não deixaremos outro strigoi chegar perto de você, meu anjo. – Ela deu um sorriso afetuoso. – Precisamos que você se arrume, o povo precisa ver sua princesa.
Ela foi em direção a uma outra porta que tinha do lado esquerdo do quarto. Quando ela abriu percebi que havia roupas lá dentro, deveria ser o closet.
— Mas o povo sabia que eu estava desaparecida?
— Não, eles acharam que você havia morrido no ataque. Mas o contamos a história inteira. Confiamos neles. Agora estão ansiosos para vê-la. – Ela atravessou a porta com um vestido longo e simples de cor branca nas mãos.
— Mas isso não é perigoso? Pode haver strigoi entre o povo. – Falei.
— Não há. Solicitamos os melhores bruxos para verificar se havia algum strigoi na área, não encontraram ninguém. É possível que o que sentimos ainda esteja na Terra. – Ela colocou o vestido em cima da cama. – Esse vai ficar lindo.
Ela me olhou com um sorriso otimista. Eu apenas concordei com a cabeça. Não achava o vestido muito a minha cara, mas não estava afim de discuti sobre um vestido.
— Vamos tomar banho. – Ela começou a me empurra em direção ao banheiro.
Abri a porta e entramos.
— Eu nunca mais vou volta para casa? – Perguntei com a voz baixa.
— Essa é sua casa agora, Luci. Você precisa estar aqui e diante do seu povo. Eles precisam de você. — Ela explicou.
Minha mãe se aproximou da banheira e começou a enche-la de água e colocou alguma coisa que fez espuma e deixou um cheiro de baunilha no ambiente.
— Mas e se eu não quiser ficar aqui? Eu nem sei nada. Não sei nada de magia e nem como governar alguma coisa. Ou pior como ter um povo. Eu nunca tive nem um peixe para cuidar. Meus amigos estão lá, eles devem estar preocupados. – Falei querendo chora, mas me segurando para não desmorona de novo.
Ela saiu de perto da banheira e veio ao meu encontro.
— Sei que é difícil, mas você vai se acostuma com a ideia. Os melhores bruxos irão lhe ensinar magia e os melhores conselheiros irão te ajudar a como governa. E aos poucos você conhecera seu povo. Tudo irá com calma, Luci. Você precisa respira.
— Mas e meus amigos? – Falei tirando a roupa.
— Eles ficaram bem. Logo você saberá que Alice também é bruxa. – Ela falou me olhando com cuidado.
— Alice? Tem mais alguém que é bruxa?
— Tem seu irmão, sua avó. Apenas seus amigos de Londres que não são bruxos, pelo menos espero. Fora isso, queríamos lhe cerca disso para que você tivesse contato com tudo isso desde cedo. – Ela ainda me olhava com cuidado. Como se temesse algo. – Entre, você vai ficar com frio.
Entrei dentro da banheira e fiquei lá dentro quieta durante alguns minutos, apenas com minha mãe me olhando. Tudo borbulhava na minha mente e eu não sabia por onde começar. Em que pensamento me concentrar e seguir por ele. Tudo uma bagunça. Minha vida havia virado de pernas para o ar e eu tinha que aceita tudo com um sorriso. Mostra para um povo que eu estava de volta e que estava tudo bem. Eu queria gritar e chora, mas sentia que não podia fazer isso. Não podia me demonstra fraca quando tanta gente depositava confiança em mim. Eu era uma princesa, e sem nem tocar ainda numa coroa, já sentia o peso dela em cima de mim.
— Está tudo bem? – Minha mãe perguntou enquanto começava a me esfrega.
— Terei que a chamar de mãe? E você e meu pai, não são mais nada? – Questionei.
— Seremos sempre seus pais. Mas aceitamos que você pode nos chama do que quiser. Aos poucos você vai se acostumar com a ideia de que ela é sua mãe e ira chama-la de mãe. – Ela esfregou minhas costas.
Eu só tinha que me acostumar com as coisas, apenas isso. Eu não tinha o direito de negar?
— Vai ficar tudo bem. – Ela disse por fim. – Vamos sair daqui e se troca.
Ela pegou uma toalha branca e colocou as minhas costas quando me levantei da banheira. Minha mãe saiu do banheiro e me deixou sozinha lá com a porta aberta. Me sequei e sai do banheiro com a toalha enrolada no corpo.
Coloquei o vestido branco com ajuda da minha mãe. Ele parecia que havia sido feito para mim, caiu perfeitamente. Marcava bem minha cintura, caindo uma cascata de tecido pela saia que era feita com um tule por baixo para dar volume, mas não muito volume tipo princesa da Disney. E com seda branca por cima. Era um vestido ombro a ombro, com detalhe franzido no ombro e um decote em formato de coração. Minha mãe colocou um colar de ouro simples no meu pescoço. Fiquei me olhando. Meus cabelos já estavam um ruivo desbotado e minha raiz aparecendo, não estava lá muito lindo. Minha pele cheia de arranhões. Nem o vestido consegui me deixar bonita ou meu estado de espirito bonito.
— Você está linda. – Ela falou olhando meu reflexo no espelho. – Mas vamos logo.
Coloquei um sapato de salto simples e fomos. Minha mãe me guiou até o final do corredor que dava para um hall de entrada enorme. Descemos as escadas que havia e fomos em direção a uma porta branca que havia do lado direito do hall. Assim que entramos vi uma sala enorme repleta de pessoas.
A rainha estava sentada em seu trono. Até o trono dela havia uma série de quatro degraus que dava para os tronos, pois também havia um outro trono vazio ao lado dela. Embaixo havia uma série de cinco cadeiras e mais cinco cadeira acima dessas, dos dois lados da sala. Estava repleta de pessoas pomposas que não conhecia, apenas reconheci meu pai sentado no meio delas. Todos me olhavam com olhos curiosos.
Minha mãe saiu de perto de mim e se juntou ao meu pai. A Rainha saiu do seu trono e veio em minha direção.
— Duques e duquesas, líderes de Althea, eu lhes apresento minha filha, Lucille Aislin de Murrough. – Ela pronunciou com orgulho.
Até meu sobrenome havia mudado.
— Seja bem vinda, vossa alteza. – Todos pronunciaram em um único som.
Senti tudo girar, queria vomitar.
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