Plagued
7 Capitulo VI

Eu acordei de uma noite de sono maravilhosa e fiquei demorando na cama, olhando para o teto e os cantos do quarto. Eu ainda não havia arrumado os quadros na parede e os quadros antigos ainda estava no chão. Era final de semana, o que não fazia muita diferença, já que não estava indo à escola, mas queria fazer algo diferente. Lembrei do convite do cara esquisito da minha portaria que minha mãe resolveu aceitar para mim. Peguei o celular no criado mundo e coloquei uma música para tocar, comecei a cantar junto. Era uma música antiga, elas me deixavam feliz. Resolvi sair da cama e comecei a rodopiar pelo quarto sozinha, como se estivesse feliz com alguma coisa, alguma coisa que não tinha nome. Só que tudo estava bem.
Fui para o banheiro. Roxette continuo tocando pelo quarto. Tomei um banho rápido e coloquei uma calça jeans mais uma camisa estampada. Ainda estava cedo, era 9 horas da manhã. Peguei o celular, desliguei a música e resolvi descer para tomar café.
Todos estavam na mesa rindo de alguma piada que minha avó tinha contado.
— Bom dia, minha querida. – Ela disse assim que me viu.
Bateu no assento da cadeira ao lado dela para que eu me sentasse ali. Fui. Dei um beijo na bochecha dela e disse bom dia a todos. Coloquei uma xicara de café com leite para tomar e preparei três torradas com geleia de morango, comecei a tomar. Cinco minutos depois que comecei o meu café meu celular começou a tocar impacientemente no meu colo.
— Licença. – Pedi e sair da mesa.
— Alo. – Atendi em inglês já sabendo quem era.
— Alo, sua sumida. Vai embora e esquece os amigos. – Disse a voz animada da Margaret, que gostava de ser chamada de Meg.
— Oi Meg. – Falei sorrindo de orelha a orelha, era maravilhoso falar com ela. – Como vai as coisas aí?
— Vão bem. Os meninos estão aqui. Falem oi. – Um coro de oi foi ouvido ao fundo.
— Fala oi para eles. Estou morrendo de saudade.
— Também estamos, Luci. Volta, por favor. – Ela arriscou um por favor em português, que saiu engraçado.
— Você sabe que não posso. Como eu queria. Meg tenho uma coisa muito louca para te contar. – Voltei para meu quarto e tranquei a porta.
Contei a história do garoto esquisito da minha portaria e que ele tinha seguido eu e minha amiga, para Meg. Ela ouviu tudo atentamente e no final ela solta:
— Sai!
— Você ficou louca? Você ouviu tudo que te contei?
— Ouvi sim, Luci. Mas não custa nada você dá uma chance, vocês vão sair em um local movimentado. Ele não vai tenta nada com você. E outra, quem sabe assim você não esquece aquela sua amiga hetero.
Coloquei uma música para tocar no computador do quarto.
— Eu não sei.
— Você sabe sim. Você vai e pronto. Só tenta, se for ruim você não sai de novo. Você precisa dá uma chance para você e para ele. Quem sabe ele não é o amor da sua vida. – Ela riu.
— Que forma mais estranha de conhece o amor da minha vida.
— Bem, eu tenho que volta para o serviço. Que bom que você já estava acordada, estava com medo de te acorda. Beijos e vai sair com o garoto viu, depois quero fotos. Te amo, Luci. – Ela soltou um te amo em português e ficou a coisa mais fofa.
— Vou pensar ainda. Beijos, bom serviço e também te amo.
Ela encerrou a ligação. Joguei o celular em cima da cama e aumentei o volume da música no computador. Não estava mais com apetite e então decidi não descer para termina de comer.
Se eu disser que estava na portaria conforme o combinado, alguém me taxaria de louca? Talvez sim, mas nesse momento eu não me importo muito. Estava nervosa de estar ali esperando. E se só eu aparecesse e ele não desse as caras? Ai sim eu seria uma louca, uma louca feita de trouxa.
A porta do elevador abriu e de lá saiu ele. Estava usando uma camisa azul escura com os dois botões de cima aberto, uma calça jeans preta e um tênis preto. Tinha as mãos nos bolsos da calça como se estivesse acanhado com algo. Os cabelos cacheados estavam bagunçados, mas era um bagunçado bonitinho. Assim que ele me viu parada perto dos sofás que tinha ali perto deu um sorriso. Um sorriso tímido que não mostrava os dentes. Respirei fundo antes que ele chegasse perto de mim.
— Oi. – Ele falou.
— Oi – Soltei o ar.
— Espero que goste do lugar que vou te leva. Tem um taxi nos esperando. – Ele apontou para saída do apartamento.
— Você que escolheu o lugar? Eu nem sei onde fica. – Falei dando um passo para trás.
— Confia em mim. – Ele deu um sorriso de canto mostrando os dentes branco. Percebi que o canino dele era maior do que o normal. Ignorei.
Se você morre hoje, Lucille foi imprudência da sua mãe em aceita um convite de um cara estranho. Mas que mal havia? Saímos do apartamento e vi o taxi branco parado em frente. Entramos, assim que entrei comecei a conversa com o motorista para saber onde ele estava nos levando. Ele garantiu que era um bar numa rua movimentada e um bar bastante popular entre os jovens. Meu coração ficou mais calmo.
O taxi parou em frente a um bar com poucas pessoas. Havia algumas mesas do lado de fora, a onde apenas uma estava sendo ocupada por um grupo de jovens de quatro pessoas. A entrada era bonita. Feita de madeira e com a janela mostrando o cardápio e algumas frases bonitinhas em letras redonda e branca. Saímos do taxi, Alaric, esse é o nome dele, pagou.
Assim que entramos no bar meus olhos se encheram de alegria. Tocava uma música do The Smiths, o ambiente era super confortante. Com luzes amarelas em cima das mesas e alguns cantos do bar, que era um lugar pequeno. Havia um sofá de couro encostado na parede com várias capas de discos antigos em cima. O balcão tinha um barman fazendo drinques. Estava meio vazio e então as pequenas conversas não interferiam no som. Era um lugar lindo. Olhei para Alaric e dei um sorriso.
— Aqui é um lugar maravilhoso. — Nos sentamos no balcão mesmo e ele pediu algo com álcool para beber, eu pedi algo sem álcool.
— Do que você gosta? – Ele perguntou enquanto bebia.
— Dessa música. – Respondi sorrindo de orelha a orelha.
Tocava “Take On Me” do A-HÁ e eu simplesmente não consegui resistir. Era uma das minhas músicas favoritas.
Ele colocou o copo de lado e me puxou.
— O que está fazendo? – Perguntei largando meu copo em cima do balcão.
— Vamos dança sua música favorita. — Ele falou com aquele sorriso de canto que fez eu corar.
— Não tem espaço para dança aqui, Alaric. – Resmunguei.
— Tem sim.
Quando me vi estava no meio do bar dançando A-HÁ com o louco que havia pedido para sair comigo após me segui. Ele dançava bem, mas me atentei ao sorriso dele, que dessa vez mostrava todos os dentes. Era um sorriso de alguém realmente feliz. Ele transbordava felicidade naquele momento.
— Do que você gosta? – Perguntei chegando mais perto dele.
Ele entrelaçou o braço na minha cintura e eu me senti confortável ali, sem medo. Não queria sair, o que devia ser o certo a se fazer.
— No momento? Disso. – Ele sussurrou no meu ouvido. – Só que eu não devia gosta disso. Está tudo tão estranho.
— Por que não devia gosta disso? – Sussurrei de volta.
— Simplesmente porque não é certo. – Ele deu um riso.
Eu não sabia dizer se ele estava bem. Parecia bêbado falando aquelas coisas sem nexo, mas ele não havia bebido tanto para ficar bêbado. De repente o corpo dele ficou duro e não parecia mais o cara que irradiava felicidade.
— Não saia daqui. – Ele falou no meu ouvido e se afastou.
Ele começou a andar e quando percebi estava indo em direção a cozinha do bar. O que ele estava fazendo? Não me contive e fui atrás dele. Pedi licença a mulher que estava do balcão fechando contas e fui atrás do Alaric. Ninguém do bar pareceu se importa com estranhos adentrando a cozinha. A cozinha era branca e havia uma loucura de pessoas para lá e para cá trabalhando. Vi Alaric perto da porta dos fundos.
— Desculpa. – Falei para um cara que me olhou estranho.
— Você não pode ficar aqui dentro. – Ele disse.
— Eu só preciso ir atrás do meu amigo que está passando mal. – Falei rapidamente e me desviei dele indo para porta dos fundos.
— Garota! – O homem gritou. Ignorei.
Assim que atravessei a porta do fundo vi Alaric mais um cara discutindo.
— Saindo com sua nova namorada, Alaric? Vai fazer o que? Seduzi-la e depois matá-la? – O homem riu.
— Calado, Demitri. – Vociferou Alaric.
— O que está acontecendo aqui? – Falei por fim.
— Luci, no falei para fica lá dentro. – Alaric olhou assustado para mim.
— Ta para nascer homem que manda em mim. – Resmunguei. – Quem é você?
— Sou Demitri, senhorita, ao seu dispor. – Ele fez uma reverencia.
— Prazer. – Falei com sarcasmo na voz. – O que está acontecendo aqui?
— Nada com que precise se preocupar. – Disse Alaric.
— Ela não lembra muito alguém? Eles adoraram saber que você arrumou um ponto franco, Alaric. Este apaixonado? Encontrou o amor da sua vida? – Zombou Demitri.
— Já disse para cala a boca, Demitri. – Nu milésimo de segundo a mão do Alaric estava no pescoço do Demitri.
Eu dei um passo para trás assustada. De repente um monte de coisas começou a parecer na minha mente. Uma serie de lembranças, que eu começava a me recorda que eu havia vivido, que elas existiam e não era fruto da minha imaginação. Sangue, havia sangue por todo o lado das minhas lembranças. Droga! Tudo estava doendo, minha visão estava embaçada. Eu ameacei cair, mas me segurei na parede.
— Lucille. – Alaric apareceu na minha frente como um passe de mágica, mas atrelei isso a minha visão embaçada.
— Se afasta de mim. – Falei entre dentes, tentando manter a voz firme.
Tudo girou, uma pontada forte na cabeça e mais uma lembrança com o Alaric nela e um sorriso gentil.
— Olha só o que você fez. – Gritou Alaric.
— Eu? Quem apagou a mente dela foi você, meu querido. Até mais. – E tudo ficou silencioso.
— O que você fez? – Perguntei.
— Sinto muito, Luci. Isso não pode mais ocorrer. — Ele falou com a voz embargada, parecia triste. Mas também atrelei isso a minha cabeça doendo. Não podia confia em mais nada que estava acontecendo.
Tudo ficou preto e cai.
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