Plagued

5 Capitulo IV


Acordei com meu celular vibrando loucamente do meu lado. Havia dormido bem de noite e queria continuar assim. Bufei e peguei o celular na escrivaninha. Era uma ligação da Alice. O que ela queria àquela hora? Olhei o relógio, passava das onze horas. Eu realmente havia dormido muito. Uma brisa passou pelo quarto, olhei para janela e vi que ela estava aberta. Atendi o telefone.

— Luci, você está bem? Você não respondeu minhas mensagens ontem à noite. Eu fiquei preocupada com você. Você saiu e nem se despediu. – Falou atropelando tudo. Ela estava nervosa.

— Calma, Alice. Estou bem.

— A gente realmente precisa conversa. – Ela falou pausadamente, medindo as palavras.

— Alice eu já disse que não temos nada para conversa. Vamos só volta com amizade como era antigamente. Para de insistir nisso. Beijos. – Desliguei o telefone sem nem espera ela se despedir.

Eu não queria falar obre aquilo. Não havia nada que precisássemos resolver.

Troquei de roupa colocando um vestido cinza e decidi sair do quarto. Assim que abri a porta o cheiro de bolo invadiu a casa toda. Dei um sorriso e terminei de descer as escadas indo para cozinha. Assim que cheguei vi minha mãe fazendo uma cobertura de chocolate no fogão e o bolo assado no forno. A cozinha estava uma bagunça, com farinha, cenoura e chocolate para todos os lados.

— Sra. Rose eu vou pode comer um pouco desse bolo agora? – Perguntei chegando por trás dela.

— Menina! – Ela levou a mão ao peito com o susto. – Não faça isso, Luci. E esse bolo é para mais tarde. Você trate de comer alguma coisa leve nesse café da manhã que é quase almoço.

Bufei e peguei uma maça na fruteira. Lavei ela e comecei a comer.

— Seu pai quer que você vá a escola hoje. Chama a Alice para ir com você.

Eu havia voltado para o Brasil justamente para termina meus estudos aqui. E amaldiçoou o meu pai até hoje por não ter deixado eu terminar o ensino médio em Londres, já que havia começado lá a dois anos atrás.

Voltei para meu quarto e decidi pega uma bolsa pequena preta de lado, mas pratica que a mochila que usei ontem para sair. Ao transferi minhas coisas para bolsa percebi que minha mochila estava suja de terra. Onde foi que andei esfregando essa mochila? Não lembrava de ter deixado ela no chão e havia lavado ela antes de vim para o Brasil. Ela deve ter se sujado na praça ontem e eu não vi. Ignore. Peguei uma pasta com meus documentos e sair.

Quando estava na portaria do meu apartamento resolvi ligar para Alice ir comigo. Precisamos agir como se nada tivesse acontecido e ela precisava percebe que o que aconteceu não ia estragar nossa amizade. Ela atendeu e disse que estaria aqui em dez minutos.

Dez minutos depois, pontualmente, ela apareceu. Usava uma saia midi vermelha e um cropped branco, parecia uma princesa. E os cabelos negros estavam soltos impecáveis. Eu devia presta menos atenção nela.

— Oi. – Ela me deu um abraço forte.

— Oi – Abracei de volta.

Ficamos abraçadas daquele jeito durante um tempo. Desde que eu chegara eu não havia a abraçado verdadeiramente.

— Vamos. – Falei saindo do abraço finalmente.

— Me desculpa, Luci. Eu sei que você não quer fala sobre isso, mas precisamos. – Ela me encarou.

Ter aqueles olhos negros me encarando fez com que um monte de coisas ressurgisse em mim. Eu havia decidido que tinha confundido saudade com amor e o que sentia pela Alice era apenas saudade. Mas vê-la ali, agora, me encarando, pedindo para que a gente esclarecesse as coisas me deixou desnorteada. Eu não sabia mais o que sentia. Mas seja o que fosse eu não queria perde a amizade dela. Éramos amigas desde de criança e queria continuar assim, amigas.

— Alice, somo amigas. Eu confundi as coisas e sei que o que sinto por você é apenas amizade. – Forcei um sorriso.

Ela pareceu respira aliviada e deu um sorriso.

— Isso, somos amigas mesmo. – Ela entrelaçou o braço dela no meu.

Do meu apartamento até a escola era perto, por isso fomos andando. O caminho todo eu fui com uma sensação de que estava sendo seguida. Sabe quando você parece ter um sensor que apita quando alguém está te seguindo ou chegando perto? Então esse sensor estava apitando. Mas toda vez que olhava para trás, havia tantas pessoas indo pela mesma direção, que resolvi ignora.

Chegando a escola fui direito a secretaria. Uma mulher lá dentro pegou os meus documentos e foi tenta fazer a matricula. Eu iria volta para mesmo escola que tinha feito o fundamental, pois minha antiga escola tinha o fundamental e o médio. Com isso voltaria a ver bastante pessoas que ficaram no meu passado. Eu odiava meu pai.

— Alice! – Uma voz masculina gritou.

Viramos para trás e o namorado dela o estava chamando. Ela soltou o meu braço e correu para ele o beijando. Virei o rosto para outro lado e percebi que tinha um cara bonito ali, parecia ser velho para esta na porta de uma escola. Mas devia ser o irmão de alguém. Ele tinha a pele cor de café com leite, tinha os cabelos negros cacheados e os olhos de um azul intenso. Aquele olhar me lembrava alguém ou algo, mas eu não sabia o que. Ele parecia estar olhando na minha direção, assim que percebeu que eu olhava para ele, virou o rosto para outro lado.

— Lucille. – A mulher da secretaria me chamou.

Me virei para ela. Ela me entregou alguns papeis e disse que meus pais tinham que ir ali efetuar o pagamento. Dei um sorriso.

O cara bonito continuava ali, mas quando vi que olhei para ele novamente desviou o olhar.

— Alice. – Chamei.

Ela e o namorado olharam para mim.

— Você vai embora comigo?

Ela olhou para mim e depois para o namorado. Droga, eu me odiava por deixa ela naquela situação. Odiava mais ainda me senti daquele jeito em relação a ela. Eu não sabia mais o que queria.

— Eu vou sozinha. – Falei por fim.

— Não. Tchau Thiago. – Ela o beijou e veio em minha direção.

— Você não precisava fazer isso. – Falei.

— Tudo bem. Eu vim com você e vou embora com você. Vamos. – Ela me puxou e fomos embora.

Decidimos ir para a praça tomar um sorvete. Chegando lá pedimos uma casquinha com uma bola de creme e outra de morango, igual. Sentamos e começamos a jogar conversa fora. Alice começou a fala sobre um monte de gente da escola, pessoas que já foram meus amigos, mas eu havia perdido contato e outros que foram meus colegas. Provavelmente todos ainda estudavam na mesma escola e iria rever todos. Alice falava muito e eu apenas concordava com algumas coisas e tercia comentários sobre outras, nada muito interessante.

— Não olha agora, mas tem um cara muito gato que fica o tempo todo olhando para cá. – Alice falou fugindo total do assunto sobre filmes antigos que ela tinha começado fazia pouco tempo.

Eu virei com cuidado, fingindo que ia pega algo na minha bolsa que estava pendurada na cadeira. Assim que vi, havia vários caras sentado atrás da gente, mas um me chamou atenção. Era o mesmo cara que estava na porta da escola.

— É aquele de cabelo cacheado. – Alice falou baixinho.

E era o mesmo cara. Eu me lembrava daquele cara de algum lugar, mas não conseguia me lembra de onde. E também estava começando a ficar com um pouco de medo do porque aquele cara está ali, como se estivesse perseguindo a gente, já que também estava na porta da escola.

— Vamos embora, Alice. – Falei pegando minha bolsa e tirando o dinheiro para pagar o sorvete.

— Mas já!? Pensei que estávamos de boa, você não pode ficar fugindo sempre, Luci. – Alice protestou.

— Não estou fugindo, só quero ir embora. E outra, estou lhe chamando. Vamos, por favor.

— Okay. – Ela pegou a bolsa dela.

Fomos dentro da sorveteria paga o sorvete e saímos. Quando estávamos indo para casa fiquei o tempo todo olhando para trás e percebi que tinha sim alguém nos seguindo e era aquele cara. Mas o que será que ele queria? Se queria aborda alguma de nos duas para fazer algo, ele já deveria ter abordado. Ou será que estava esperando uma de nos ficar sozinha? Mas eu havia ficado e ele não tentou nada.

Chegamos em frente ao meu apartamento e me despedi da Alice. Entrei no mesmo e logo depois sair para ver se não havia ninguém seguido ela, para ter certeza disso segui Alice até em casa e vi ela entrando e o cara não estava atrás dela ou de mim. Voltei para o apartamento e não havia ninguém.

— Srta. Griffiths. – O porteiro me chamou assim que entrei.

— Eu, Carlos.

Carlos era o porteiro desde que me entendia por gente e esse homem ainda continuava ali. Não existia aposentadoria no mundo dos porteiros, não? Mas ele era extremamente simpático e todos amavam ele.

— Só queria falar para senhorita que teremos um novo vizinho. – Ele cochichou pedindo para eu chegar mais perto.

Ele indicou com a cabeça quem era o novo inquilino do apartamento 55 que estava para alugar. Olhei para onde ele indicava e vi o cara dos olhos azuis intensos, o mesmo que parecia estar seguindo a gente.

— E porque ele está aí na portaria?

— Acho que está esperando o corretor. Que seja, ele é novo para mora sozinho. – Comentou.

— Deve ser emancipado. – Voltei a olhar para o cara, mas ele não estava mais lá e sim tinha acabado de sair.

Sair atrás dele.

— Eu o vi. – Gritei no meio da rua.

Um monte de gente olhou para mim com cara de interrogação, mas ele inclusive olhou. Ele começou a andar na minha direção e um monte de coisas começaram a passar pela minha cabeça, mas nenhuma delas podia ser feita numa rua movimentada. Ele parou a minha frente.

— Eu vi você seguindo a mim e a minha amiga. O que você quer? E agora está morando no mesmo apartamento que eu. O que você é?

— Eu a vi na portaria esses dias quando vim ver o apartamento para alugar. Achei bonita e queria conversa com você. – Ele pareceu ficar aliviado, tirando a expressão seria do rosto.

— Conversar? Não sabe puxar uma conversa no elevador? Precisava me seguir?

— Desculpe, não quis parece um louco ou coisa do tipo.

— Okay. – Murmurei e voltei para entra no apartamento.

— Espere.

Olhei para trás.

— Você não quer sair um dia desses? – Ele perguntou.

— Ela quer! – Alguém respondeu por mim. Olhei para frente e minha mãe estava saindo.

— Okay, te espero na portaria amanhã as sete. – Ele deu um sorriso.

Minha mãe saiu e ele entrou no apartamento.

— Você ficou louca? – Perguntei para ela.

— Não. Só acho que você precisa conhecer pessoas novas aqui da cidade e ele é bonitinho. – Ela forçou um sorriso.

— Eu não vou falar nada para senhora. – E entrei dentro apartamento.

Ele ainda estava esperando o elevador. Decidi ir de escadas, eu não iria sair com aquele cara. Cheguei no meu andar e entrei em casa, fui direito para meu quarto e percebi que a janela ainda estava aberta desde de ontem à noite. Deixe aberta pois estava calor. Fui para o banheiro tomar um banho e fiquei lá sem ver a hora passar.