Plagued
3 Capitulo II

A praça estava lotada de gente e de crianças brincando de um lado para outro. Andando ia me desviado dos menores que não percebiam que tinha gente passando e ficavam prestando atenção em algo mais interessante.
— Se eu soubesse que aqui estaria lotado, teríamos ido a outro lugar. – Comentou Alice.
— Tudo bem. Queria ver como tinha ficado aqui, quando fui embora ainda estava em reforma. – Comentei.
— Da para acreditar que aqui era a casa daquela senhora que morreu e todo mundo dizia que era abandonada?
— Pois é, mudou muito. – Forcei um sorriso.
Compramos uma casquinha de sorvete com uma bola só. A soverteria era toda fofa, com candy colors e uma decoração vintage. Pegamos o sorvete e nos sentamos numa mesa do lado de fora. O dia estava ensolarado hoje, diferente de ontem que estava chovendo. São Paulo era louca.
Alice falava alguma coisa sobre o namorado dela que eu não estava dando muita atenção. Estava prestando atenção nas pessoas que estavam passando de um lado para outro até que alguém me chamou mais atenção. A pessoa estava andando em direção a nos, parecia, mas provavelmente não era. Era um homem, alto, de ombros largos e feições bonitas, quase perfeitas. Ruivo e dos olhos azuis claros intensos. Enquanto ele andava, dava para distinguir mais quem era e foi quando fiquei em estado de choque. Eu segurei a beirada da mesa com força. Alice começou a percebe que não estava dando atenção a ela e ficou me chamando, minha voz não saia. Eu só conseguia manter o olhar naquele cara e comecei a percebe que ele também mantinha o olhar em mim.
— Lucille! – Gritava Alice.
Ele foi se aproximando e tinha um sorriso malicioso no rosto.
— Lucille! – Gritou Alice e ela entrou no meu campo de visão, tampando a visão de qualquer outra pessoa. – Meu Deus, você está bem? – Ela me sacudiu pelos ombros.
Eu acordei. Soltei a mesa e massageei minha mão que estava doendo.
— Estou. – Falei finalmente.
Alice voltou a se sentar.
— Meu Deus, você quase me matou do coração.
Alice nunca soube o que eu tinha visto antes de decidir viaja. Ela pensava que estava indo a Londres porque realmente queria fazer um intercâmbio.
Quando ela se sentou comecei a procura entre as pessoas aquele homem, mas não havia mais sinal dele. Ele havia desaparecido.
— Acho melhor voltamos para casa. – Falei.
— Mas já? Mal chegamos aqui. – Ela fez uma cara de choro.
— Por favor, eu não estou muito bem, Ali.
— Luci, a gente precisa conversa. Sei que de uns meses para cá não nos falamos, mas não podemos fingir que nada aconteceu. – Ela falou e tentou segura minha mão que estava em cima da mesa.
— Por favor, não. Foi você que decidiu desaparecer, não mante mais contato. Sinceramente não esperava nem que você viesse me ver quando eu chegasse. Mas cá esta você e está tentando manter tudo como era anos atrás. Pode até ser que tudo volte ao normal, mas por enquanto eu não quero falar disso, só quero volta para casa. – Soltei tudo que estava entalado.
A verdade era que esperava que tudo voltasse ao normal, eu sabia que eu tinha que supera. E pensava que já tinha superado tudo, mas não quero pensa nisso no momento. Um problema de cada vez e nesse momento a única coisa que consegue ocupar minha cabeça é aquele homem de volta.
— Se assim que você deseja. Eu só queria explicar as coisas, fazer com que você entendesse. — Ela falou baixando o olhar.
— Você não tem culpa de nada Alice. Só vamos manter tudo como era antes e ponto. Eu vou embora. – Levantei da mesa, peguei minha mochila e sair andando sem nem espera ela.
Não queria mais conversa sobre aquilo. Aquilo havia ficado no passado e no passado que devia ficar, ponto. Como tudo devia fica no passado, aquele homem, tudo. Mas nada havia ficado. Respirei fundo e me apoiei na parede que estava ao meu lado. Eu parecia que ir ter um ataque e era bem provável que eu tivesse um.
Fui andando me apoiando pela parede até que vi que alguém que parou na minha frente, bloqueando meu caminho. Como andava olhando para baixo, levantei o olhar e vi o mesmo homem daquela noite, parado ali na minha frente. Meu Deus, o que ele poderia fazer comigo? Calma Luci, você não pode ter um ataque de pânico agora. Respirei fundo e comecei a rezar.
— Bom vê-la novamente, Lucille. – Ele falou com uma voz grossa, mas sedutora.
Eu fiquei calada, Apesar de não sabe como ele sabia meu nome e só saber de querer correr.
— A verdade era que pensava que já estivesse morta. Convenhamos, o que você viu não é assim muito atrativo. Foi só um lanchinho da madrugada, mas de qualquer forma, você não deveria ter visto. – Ele respirou fundo, como se quisesse sentir o cheiro de algo não muito forte. – Juro que não sei como você não está morta, isso me aborrece.
Morte? Desde de que eu vi aquele cara naquela noite, eu não tinha sofrido nenhum acidente ou uma tentativa de morte. Eu não sabia do que ele estava falando. Morte. Foi quando me toquei do que estava acontecendo ali, eu estava numa rua com um cara estranho que eu sabia que era perigoso e ele já havia tentando me matar de alguma forma. Eu pensei em correr em direção a minha casa, que não estava muito longe, talvez uns dois quarteirões. Assim que me desviei dele, ele segurou meu braço com força me impedindo de correr.
— Você não pode viver, sinto muito. Mas você é uma mera mortal. E mortais não podem nos ver. Sei que fui descuidado, mas a culpa tem que cair em alguém e será em você.
Ele começou a me arrastar para um beco. Quando ameacei de gritar ele tampou minha boca, abafando meu grito. Ninguém na rua parecia percebe o que estava acontecendo ali não era normal. Quando chegamos a um beco que fedia a mijo, ele parou e tirou a mão da minha boca.
— Socorro! – Gritei o mais alto que puder.
Ele riu.
— Ninguém vai te ouvir. Sinto muito, mas você está em um campo anti-ruido.
Que!?
Ele inclinou o meu pescoço para esquerda e começou a aproxima a boca do mesmo. Comecei a chorar e a gritar, mas nada acontecia. Senti os lábios frios dele encostando na minha pele. Eu queria morre ali mesmo, não daquela forma, mas de algo natural. De um infarto ou tiro. Só queria desaparecer, desaparecer das mãos daquele homem e acorda. Torcendo para que tudo isso fosse um sonho e que acordasse em Londres com meus amigos.
— Kalevi solte-a! – Uma voz masculina falou. Parecia estar perto, mas não a via.
— Mas você de novo!? Por favor, vá embora. – O homem me soltou me jogando para o lado.
Eu cair no chão e pude ver os dois homens frente a frente. O que parecia ter interferido era um cara um pouco mais baixo que o tal de Kalevi. Tinha a pele cor de café com leite e os cabelos negros encaracolados, mas os olhos eram do mesmo azul do Kalevi, intensos. Talvez fossem irmãos.
— Por que você me persegue, cara? Eu já disse que não é recíproco. – Kalevi parecia zomba do mais baixo.
— Vai se fuder, Kalevi. – Disse o mais baixo vindo em minha direção.
Antes que ele conseguisse chegar até mim, Kalevi se pôs no caminho dele.
— Ela é minha. – Falou entre dentes.
— Você já causou muitos estragos para nos. Você sabe que mais uma reclamação e você morre.
— Maldita Ordem! – Kalevi falou com ódio e sumiu de repente. Como se tivesse tele transportado.
Agora no beco só estava eu e o outro cara que eu não sabia o nome e não sabia quem era. Algo em mim dizia que eu podia confiar nele e que ele era alguém familiar, mas eu devia está ficando louca.
— Sou Alaric, pode confiar em mim. – Ele disse com a voz suave.
Ele estendeu a mão para mim.
Me afastei da mão dele estendida, me arrastando pelo chão. Respirei fundo e me levantei sozinha. Agora estava quase da mesma altura que ele, só um pouco mais baixa. Os olhos azuis dele era algo hipnotizante, mas me concentrei em como sair dali.
— Você pode ir embora. Prometo que Kalevi não vai mais incomoda-la. – Ele me olhava com um sorriso de canto nos lábios.
Ele deu passagem para que eu passasse, mas assim que dei o primeiro passo para ir embora ele estendeu a mão com tudo e tocou na minha testa. De repente as coisas começaram a perde a cor e apaguei.
Abri os olhos aos poucos, tudo estava escuro e um havia um vento forte tanto que estava com frio. Quando me acostumei com a escuridão percebi que estava no meu quarto e deitada na minha cama. E a janela estava aberta, dali que vinha o vento. Eu não me lembrava de quando tinha voltado para casa, só lembrava de ter saído com a Alice. Olhei para o relógio e era quase 22h. Meu celular vibrava loucamente do meu lado, mas não dei importância a isso. Levei a mão a minha cabeça, a massageando, pois, a mesma doía intensamente.
Levantei da cama e peguei um remédio para dor de cabeça dentro da minha mochila, o engoli sem água mesmo. Fui em direção ao banheiro, fechei a porta atrás de mim, tirei a roupa e liguei o chuveiro. Fiquei ali durante alguns minutos, eu não fazia ideia de quanto tempo. Só queria descansar um pouco, já que minha cabeça insistia em doer. Sai do banheiro com alguém batendo na porta loucamente.
— Luci. – Minha mãe me chamou.
Percebi que era ela a bater na porta do banheiro. Sair do chuveiro, me enrolei na toalha e abri a porta.
— Oi. – Falei secamente.
— Oi. Eu não te vi chegando em casa, pensei que ainda estivesse na rua; — Ela falou me encarando. – Você está bem?
— Só estou com dor de cabeça, mãe. – Forcei um sorriso.
— Toma um remédio e descansa, meu bem.
Eu joguei a toalha no chão e coloquei um pijama. Fui em direção a minha cama e me deitei. Minha mãe colocou o coberto sobre mim e me deu um beijo na testa, como se eu fosse um bebê.
— Melhoras. Qualquer coisa me chama. – E ela saiu deixando a porta um pouco aberta.
A janela ainda estava aberta, mas eu já não estava mais com coragem de ir lá e fechar. Fechei os olhos e dormi.
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