Pit of Blood
3 Bring Me To Life
Notas iniciais
Acordei na manhã de quarta-feira com dor de cabeça. A inspetora Keller gritava desesperadamente num megafone no pátio do andar de baixo, mas eu conseguia ouvir e Mona também.
– Bom dia — falei.
– Bom dia. — cumprimentou ela de volta. Arrastei-me até o banheiro e fiz minhas necessidades. Tomei um banho e caminhei ao lado de Mona até o refeitório.
Alguns responsáveis técnicos ainda precisavam surgir de algum lugar, a comida também. Meu estômago doía de fome, tanto que eu podia escutá-lo roncar. Sentei-me numa mesa perto da janela e observei uma violação de regras.
Uma violação de padrões muito bonita, por sinal.
Ele era alto. Pele branca, cabelos lisos e castanhos. Olhos castanhos, beirando o negro. Lábios rosados e fartos, que qualquer pessoa mataria para ter. Sorriu para mim e acenou ao me flagrar observando-o.
Envergonhada por ser pega observando um cara que eu sequer conhecia, abaixei a cabeça e me concentrei na comida.
Mona mastigava uma torrada tão calma e serenamente que não atenderia ao chamado do próprio Deus. Arien bebia um copo de café com leite, mexendo no celular.
Meu coração batia forte. Reconheci o tremor em minhas mãos, e disfarcei-o da melhor maneira que pude. Eu não podia estar apaixonada. Era algo altamente improvável.
– Estou sem fome. — murmurei, e saí da mesa. Corri o mais rápido que pude até a entrada da escola. Sentei-me na escada principal e ali fiquei até uma mão segurar meu ombro.
– Você está bem? — era o cara. Sorria, estendendo-me a mão.
Hesitei.
– Tem alguém aí? — brincou ele, estalando os dedos na frente do meu rosto. — Perguntei se está tudo bem.
– Não! — disparei. — Quer dizer, sim. Estou ótima.
Enxuguei as lágrimas rapidamente e me levantei. Estava indo embora, quando ele me puxou de volta.
– Ninguém chora por estar bem — disse ele, agora sério. — O que está acontecendo?
– Só quero minha vida de volta. — respondi por fim.
– Hm. — disse ele cruzando os braços. — Todos nós queremos. Sou Eric Draven.
– Me chama de Amy. — falei.
Eric parecia ser legal. Mas eu não podia me basear apenas numa conversinha de 15 minutos. Tinha um bom papo e era de riso fácil, mas eu não queria me apegar a ele, apesar da forte atração que senti assim que nossos olhares se encontraram.
– Você fala tão baixo. — comentou Eric. — O que gosta de ouvir?
– Evanescence — respondi.
Eric torceu o nariz e eu ri.
– Uma garota tão bonita não pode ficar cortando os pulsos pelos cantos. — continuou ele. — Passa lá no meu quarto. Ele me deu um anel de prata (sim, de prata, o que significa que a família dele com certeza tinha dinheiro) com o número do quarto dele. Coloquei-o em meu dedo médio e me despedi de Eric.
À tarde, fiquei oscilando entre ir e não ir. Levantei-me e andei até o quarto andar, onde ficavam os quartos das pessoas cujo sobrenome começava com "D".
Bati na porta, com medo do que ia ver. Fechei os olhos, e a tranca se abriu.
Oh, meu Deus.
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