Piratas do Caribe - Navegando pela enternidade
3 Capitulo III - Dama de Ferro, part 1
Notas iniciais
A aurora despertou os homens com entusiasmo. O céu ainda não estava completamente claro, mas os marujos do Pérola Negra já iniciavam seus afazeres depois de comer algum fruto do mar e tomar um servido gole de rum. A movimentação no convés aos poucos foi aumentando, cantorias e conversas sobre aventuras passadas podiam ser ouvidas. Mas para o Capitão do navio de velas negras não estava sendo uma boa manhã.
Jack Sparrow não tinha um curso, sem sua bussola não saberia para onde deveria ir embora soubesse que queria estar em Tortuga se deliciando de bebidas e mulheres. Sabia que deveria cumprir sua parte no acordo e resgatar o navio da senhorita Ann, entretanto não fazia ideia como a pirata pretendia tirar os pedaços da embarcação do fundo do mar.
Suas duvidas a respeito seriam saciadas, pois de trás do leme viu a morena se aproximar com suas companheiras.
— Bom dia Capitão – Disse Marie Ann, e suas piratas apenas assentiram com a cabeça. Jack não respondeu, fez uma pequena menção com o seu chapéu. Ficou algum tempo alimentando o silêncio incomodo até que Jane decidiu sair daquela situação.
— Vou preparar algo para comer... Meninas? – Olhou em volta para suas companheiras que entenderam que deveriam sair para que os capitães pudessem conversar. Todas seguiram Jane para o deposito, e Marie Ann encostou-se no parapeito ao lado do leme.
— Temos que ir para o oeste – Falou a morena, como se o capitão fosse receber suas ordens sem pestanejar.
— Qual seu proposito lá? – Respondeu o capitão, já sabendo da resposta.
— Meu navio Jack – Ela disse impaciente. Mas Jack não se referia a o que, mas sim como.
— Naturalmente... Mas como pretende tira-lo do fundo do mar? – Jack virou o timão um pouco para a esquerda.
Ela não respondeu. No fundo Marie sabia que Sparrow tinha conhecimento sobre o seu naufrágio, e provavelmente sobre a sua prisão em Port Royal. Mas quem o informou? A menos que o capitão a tivesse seguido todo aquele tempo... Mas não seria possível, havia se passado meses desde que a morena roubara a bussola do capitão e não via sinais sobre ele nas suas navegações.
— Pretendo pedir uma ajudinha a um velho conhecido seu... – Respondeu por fim a capitã, fazendo Jack fazer uma careta em expressão de duvida.
— Todos os meus conhecidos querem me matar ou já me mataram, tem certeza disso? – Sparrow respondeu com um sorriso de canto, se lembrando de quantas vezes quase morreu nas mãos de seus “amigos”. Até que uma delas conseguiu.
Marie não respondeu, mas temeu que o capitão a enchesse de perguntas e não fosse para o curso onde desejava. Mas o homem posicionou o navio para o oeste sem pestanejar, e disse para que a morena avisasse quando estivessem chegando.
Talvez Jack Sparrow já soubesse sobre os planos da Capitã Marie Ann, ou simplesmente não se importava com isso... Apenas queria sua bussola de volta para cumprir seu objetivo.
Ao decorrer do dia não houve muita conversa entre os capitães, Gibbis por vezes tentava conversar com as mulheres mas era quase sempre ignorado ou respondido com palavras curtas. Marie e suas garotas ficaram juntas na poupa do navio a fim de não atrapalhar os marujos com seus deveres. Ao cair da tarde Jane estava impaciente, e queria explicações sobre o destino de sua companheira.
— Capitã, as meninas e eu nos sentiríamos mais seguras se a senhorita nos revelasse o nosso proposito aqui – Começou a primeira imediata. Marie Ann deu um gole no rum e encarou sua amiga. Jane tinha cabelos vermelhos e grandes olhos azuis; a pele era maltratada pelo sol e as roupas estavam sujas, mas isso não a deixava menos encantadora. Tinha uma estatura mediana, mas chamava atenção dos homens pela sua graciosidade e sua voz doce. Poderia por vezes parecer inocente e frágil, mas a ruiva era destemida e audaciosa.
— Estamos indo resgatar o navio... Já lhe disse isso – Respondeu a Capitã indiferente. Jane pigarreou.
— Perfeitamente, mas como? Á essa hora esta em pedaços perdido no mar – Indagou a garota.
— Vai ser assim, vamos nos... – A explicação da morena foi interrompida por um forte estrondo, um pedaço da proa do navio foi para os ares. Uma bola de canhão causou um buraco grande fazendo Jack gritar histericamente para preparar os canhões.
As mulheres correram para o convés a fim de ver o que se passava, e avistaram um navio da marinha real se aproximando do Pérola.
— Eles não vão desistir até ver todos os navios piratas no fundo do mar – Comentou Daiana, enquanto ia com sua irmã ajudar os marujos a carregar os canhões. Marie correu ao encontro de Jack.
— Como não o viu se aproximar?! – Gritou para o Capitão, que estava apreensivo no controle do timão.
— Me dedicava a ocupações mais importantes – Respondeu Jack, e um cheiro de rum exalava forte do homem. Marie revirou os olhos e permaneceu de olhos no corsário.
— Ele vai atacar por trás, é assim que ele se garante em batalha – Afirmou a Capitã, mas Jack tinha um sorriso no rosto.
— Não com o Pérola, amor – Virou o leme totalmente para a direita – Levantar velas, afrouxar as cordas! – Deu a ordem para os marujos. Gibbis surgiu correndo ao encontro dos dois.
— O vento esta a nosso favor, vamos conseguir – Anunciou o homem com um sorriso no rosto. Mas Jack não tinha planos de fugir.
— Avise quando estiver na mira – Disse a Gibbis, que concordou sem perguntas.
O Pérola deu a volta se posicionando ao lado do corsário que continuava a atacar sem cessar, mas tentava sair da posição.
— Agora Capitão! – Gibbis gritou do convés.
— Fogo. – Disse Jack calmamente.
— Fogo! – Gritei para que ouvissem.
— Fogo! – Gritou Gibbis.
E logo os estrondos iniciaram sem cessar, deixando o Corsário sem alternativas. Os homens da marinha perceberam que estavam afundando e começaram a pular do navio, alguns eram acertados pelas balas de canhão e pedaços dos seus corpos podiam ser vistos sendo arremessados.
Jack Sparrow era um capitão experiente em batalha, e já estava certo sobre sua vitória. Viu o corsário afundar vagarosamente enquanto tomava um gole de rum. Marie Ann sorriu, pensando que o destino se colocou a seu favor.
Assim que o sol se pôs o Holandês Voador emergiu do mar, a poucos metros do Pérola Negra, indo em direção ao corsário naufragado. Joanna não acreditou no que viu, e as irmãs deram um sorriso de vitória. O Holandês Voador realmente existia, mas Marie já sabia disso e mais... Contava com isso.
Olhou para Jack de canto de olho, e o Capitão assentiu com a cabeça. Jack Sparrow já sabia sobre o plano da mulher de como recuperar o navio e por isso não fugiu da batalha. Precisava de um proposito para que Will Turner fosse para o mundo dos vivos, recuperar as almas do que morrem no mar.
Fale com o autor