Piratas do Caribe - Navegando pela enternidade
4 Capitulo IV - Dama de Ferro, part 2
Notas iniciais
Will Turner não estava surpreso em ver a Capitã Marie Ann no convés do seu navio, ele havia visto o navio dela nas profundezas e deduziu que ela o procuraria. Mas estava surpreso com a figura de Jack Sparrow ao lado da moça, afinal não era esse o plano de ambos no inicio, já que o pirata não demonstrou intenção de salva-la quando pediu ajuda dele para encontrar a morena. Também não sabia o porquê a salvou, já que o objetivo da bussola era bem claro.
Os marujos antes amaldiçoados do Holandês cercavam os visitantes, e só abaixaram suas espadas quando o Capitão Turner apareceu no convés e mostrou-se receptivo aos dois.
— Por que invadiram meu navio ao invés de chegar amigavelmente? – Perguntou Turner com um meio sorriso, demonstrando ironia.
— Piratas... Força do habito – Marie Ann respondeu, guardando sua espada. Jack ficou atrás de um mastro, tentando não ser muito visível, pois temia que o amigo mencionasse algo sobre o encontro em Port Royal.
— A que devo a honra da visita? – Perguntou o moreno.
— Acredito que saiba onde esta o meu navio... – Marie começou.
— Uma pena, era um belo navio – Jack falou, apenas para não ficar escondido feito rato atrás do mastro.
Os dois olharam para ele, que fez um sinal com as mãos para Marie e sussurrou um “continue querida”. Mas Will tomou à dianteira.
— Não teria como fugir de um ataque daqueles... Não se culpe pelo Dama de Ferro... – Will percebeu que tinha falado demais, e a Capitã o olhou com duvida. Então decidiu dizer a verdade sobre o navio para ocultar a ultima informação – Não posso traze-lo de volta.
— Como sabe do ataque? – Marie ignorou a ultima informação, mas Jack tomou o controle da conversa.
— Por que não pode trazê-lo de volta? Dave Jones fazia isso facilmente... – Se aproximou de Will ficando entre o moreno e a capitã.
— Por que... Não esta no fundo do mar – Will respondeu relutante, e até Jack o olhou com duvida afinal não era isso que ele tinha dito quando foi em busca da bussola. Marie empurrou Sparrow para o lado e ficou frente a frente com o Capitão do Holandês.
— Como não esta lá?! – A morena alterou a voz, fazendo com que os tripulantes do navio fizessem menção de pegar a espada. Willian não respondeu, apenas lançou um olhar para Jack que foi o bastante para que o capitão entendesse tudo.
Marie Ann andava de um lado para o outro no convés do Pérola Negra. Já era tarde da noite, mas a morena não estava com sono e muito menos com humor para esperar o dia clarear. Joanna estava com ela, as outras mulheres dormiam no deposito já que Jack as expulsou de sua cabine.
— Espere... Deixa-me entender mais uma vez – Marie disse dando mais um gole no rum. Já era sua terceira garrafa naquela noite e ela já apresentava sinais de embriaguez. Jack estava apoiado no parapeito no navio, enquanto Gibbis guiava o timão.
— Simples amor... Barbossa colocou seu precioso navio dentro de uma garrafa – O capitão comeu um punhado de amendoim que estava em sua mão – Eu sei como se sente, já passei por isso.
Joanna estava quase dormindo em pé e já tinha ouvido aquela explicação milhares de vezes naquela noite. Sabia que era difícil para sua capitã aceitar o fato, mas o que ela não sabia é que Marie e Barbossa não tiveram os melhores encontros no passado.
Marie se sentou na escada do convés e colocou a cabeça entre as mãos, deu mais um gole na bebida e soluçou em seguida. Jack percebeu que ela estava muito alterada, e poderia usar isso a seu favor.
Sentou-se ao lado dela e pegou a garrafa de sua mão, tomando um gole na mesma.
— É só um navio, posso conseguir outro para você – Disse o capitão de maneira carinhosa, Marie tomou a garrafa de sua mão.
— Outro não serve... Deveria saber disso antes de procurar a ilha. – Respondeu ela, com a voz arrastada. Jack bateu seus anéis um contra os outros e passou um braço ao redor do pescoço da morena.
— O que sabe sobre a ilha amor? – Sua voz saiu quase num sussurro, e Marie sentiu sua nuca arrepiar.
— A lenda fala sobre o deus do tempo, Chronos. Ele se apaixonou por Afrodite e ela por ele. Mas Ananke era esposa dele e se enfureceu, aprisionando Afrodite nos confins da terra. Chronos foi jogado na ilha, fardado dia e noite poder escutar o canto de sua amada através das ondas do mar, mas sem poder tê-la. – Marie tomou um longo gole de rum, já nem sentia mais sua boca, pois o álcool já estava a deixando dormente. O frio e o nevoeiro também a estavam amortecendo seu corpo.
— Então é só pegar a deusa do amor e jogar ela na ilha pra os dois se amarem e Chronos concedera a vida eterna? – Jack gesticulava com as duas mãos enquanto falava, deixando Marie tonta.
— Não é tão simples assim Jack... Precisamos do meu navio para chegar ate Afrodite. E não vamos leva-la até ele... – Marie sentiu seu estomago revirar.
— Então o que? – Jack a olhou, percebendo que a morena começava a passar mal.
— Vamos levar um presente dela para ele... E é ai que as coisas ficam complicadas
Jack ia perguntar o porquê, estava quase descobrindo todo o ritual, mas Marie Ann simplesmente caiu para o lado totalmente bêbada.
Sparrow a segurou com o braço que estava em volta de seu pescoço. A capitã estava dormindo como uma ancora. Ele a levantou em seus braços e a carregou até sua cabine. Joanna os acompanhou, e assim que o capitão a deixou em sua cama a maruja pigarreou fazendo com que Jack a olhasse. Ela estava de braços cruzados na porta.
— Não disse que não queria ver mulheres, a menos que estivessem despidas, na sua cabine? – Contestou a negra de corpo esbelto. Jack Sorriu.
— Posso despi-la facilmente – Disse apontando para Marie que dormia tranquilamente. Joanna revirou os olhos.
— Ouse fazer isso Sparrow... – A mulher fez menção de pegar a espada, mas Jack a ignorou com um sorriso. Ele não faria aquilo.
— Não se preocupe querida, Marie esta segura aqui. Vai acordar com uma dor de cabeça dos infernos, mas... Esta bem por hora – Andou ate a outra metade da cabine sentando-se à mesa onde havia vários mapas espalhados. Joanna relutou em sair da porta, não confiava no homem e Marie estava tão frágil naquele momento.
Mas o capitão parecia decidido a passar a noite com seus mapas, e Joanna já não aguentava mais de sono. Decidiu que dormiria com os marujos esta noite, era mais perto da cabine do que o deposito e poderia escutar Marie gritar se estivesse ocorrendo algo. Fechou a porta atrás de si sumindo na escuridão do navio.
Jack levantou-se duas horas depois, havia adormecido em cima da mesa. Passou pela capitã e a viu encolhida. Tirou seu sobretudo e cobriu a morena que dormia profundamente. Sentou-se nos pés da cama e a observou. Tinha sentimentos por ela, isso não poderia negar; O que ele não sabia era que tipo de sentimentos era. Lá fora ainda estava escuro e o navio vagava lentamente pela imensidão azul escura. Ele poderia pegar a bussola enquanto ela dormia... Pensou a respeito e esticou o braço para alcançar a bolsa que a Capitã andava consigo na cintura, mas se deteve a poucos centímetros de alcança-la.
Do que adiantaria? Ela parecia falar a verdade quando mencionou que seu navio era o único que poderia chegar até Afrodite. Jack não tinha certeza do por que, embora Will lhe contasse que sabia sobre um rumor que Calipso enfeitiçou o navio para tal ato. Como a morena conseguiu permissão da deusa para chegar até os confins do mundo era a duvida que martelava a cabeça do capitão.
Sparrow deu um longo suspiro, e se concentrou no olho esquerdo da mulher. Ela usava um tapa olho negro que cobria boa parte de sua cicatriz, mas ainda sim era visível pois chegava até os lábios. Lembrava exatamente do dia em que aquilo havia acontecido.
—três anos atrás-
Barbossa havia convencido Jack Sparrow de ajuda-lo a recuperar o tesouro que Barba Negra havia escondido em uma ilha ao norte da Baia Naufrágio. Prometeu lhe dar cinquenta por cento de toda sua pilhagem. O capitão Sparrow aceitou a proposta, visto que restavam poucos tesouros a serem encontrados e saques por cidades militares estavam ficando cada vez mais conturbadas, perdendo muitos homens na batalha.
O que Barbossa não sabia era que o desonesto capitão tinha planos para encontrar aquele tesouro antes dele, tendo como aliada a formosa capitã do Dama de Ferro. O capitão do Vingança cometeu o clássico erro de dar a localização do tesouro, uma artimanha que ele mesmo tinha usado com Jack no passado.
Jack havia a conhecido em uma das muitas tabernas de Tortuga, e se encantou pela personalidade e beleza da moça, além de ficar completamente interessado sobre a história da Ilha do Tempo Perdido, mencionado pelas mulheres da tripulação do Dama.
— Então você quer minha ajuda para encontrar um tesouro que você nem sabe se existe? – Questinou Marie Ann enquanto ambos se deliciavam com um bom rum sentados em uma mesa afastada da confusão da taverna.
— Ajuda não... Parceria. Cinquenta por cento da pilhagem para cada – Sorriu charmoso Capitão. Marie olhou em volta e se curvou sobre a mesa apoiada com os cotovelos.
— Posso confiar em você Jack? – Sussurrou a morena e o capitão sentiu uma pequena pontada no estomago. Seria justo engana-la para conseguir o tesouro todo? Seria.
— Claro amor. – Sorriu enfim. Ela sorriu em resposta e ambos pediram mais uma garrafa de rum. A noite prosseguiu com cantorias e encerrou com Jack e Marie na cama do Capitão.
Seguiram cada qual com seu navio para a tal ilha, chegando lá antes de Barbossa. O tesouro realmente existia, e poderia garantir aos capitães anos sem precisar saquear ou barganhar. Marie pensou que talvez os boatos a respeito do capitão fossem apenas histórias maldosas de quem não conseguiu se igualar a ele. Arriscava dizer até que começou a sentir admiração pelo homem.
Mas ai o novo capitão do Vingança da Rainha Anna apareceu, e as promessas de Jack foram rio a baixo.
— Ora Jack, vejo que trouxe alguém para nos ajudar a carregar o tesouro – Barbossa provocou ao ver os dois levando a pilhagem. Marie Ann olhou para Jack intrigada.
— Hector! Que bons ventos o trazem? – Respondeu o capitão, tentando sair daquela situação. Sim, no começo queria pegar o tesouro todo para si e fazer com que os dois se matassem. Mas depois da noite que teve com a pirata, sentiu-se no dever de fazer a coisa certa. Mas era tarde.
— Eu já deveria esperar isso de você Sparrow, quando você foi honesto alguma vez nessa sua maldita vida? – Barbossa suspeitou das intenções do capitão, por isso adiantou um dia do que tinham planejado estar na ilha. E encontrou o cão sarnento como esperava.
Marie estava perdida na discussão dos dois e já começava a se irritar.
— Mas o que diabos esta havendo aqui? E você, quem é? – Olhou para Barbossa que tinha uma expressão séria de dar medo em qualquer um.
— Eu sou o peão de Jack para te matar, como pode supor – Respondeu de maneira fria. Marie olhou para Jack que carregava uma expressão desesperada.
— Errado. Você é alguém que não deveria estar aqui. – Jack respondeu se pondo a frente da Morena. Os tripulantes dos três navios também estavam na ilha, e ao sinal de Barbossa começaram uma batalha de espadas.
Marie lutava arduamente com o primeiro imediato de Barbossa, e suas meninas se revezavam entre atacar a tripulação do capitão Sparrow e a de Barbossa, afinal não sabiam quem era os traidores. Jack e Barbossa travavam uma luta sanguinária, a espada que Hector herdara de Barba Negra era larga e afiada, deixando Jack em desvantagem optando por tentar desarmar o adversário ao invés de atacar.
A capitã venceu facilmente o imediato, já em tempo em perceber que Jack precisava de ajuda. Barbossa conseguiu derrubar o pirata no chão e estava prestes a enfiar sua lamina no peito do homem, quando Marie o empurrou, fazendo-o no reflexo rápido a acertar a lamina da espada diretamente em seu olho esquerdo.
— atualmente –
Por sorte a espada não entrou diretamente no rosto da capitã, mas somente o fio da lamina foi o suficiente para dar a ela a então cicatriz, juntamente com a cegueira. Marie acabou descobrindo os planos de Sparrow, e não foi capaz de perdoa-lo mesmo ele dizendo que havia se arrependido no meio do ato. Realmente, Jack carregava consigo por todos esses anos a culpa que latejava em seu interior e, embora quisesse, não sabia como mostrar para a morena que havia se arrependido.
Mas aquilo não importava agora. Teria sua chance ao resgatar o navio dela, e então sua divida estaria paga e ele finalmente poderia dormir em paz, entretanto não estava certo que era apenas isso que queria entregar a linda mulher dos olhos castanhos como a tempestade.
Saiu de sua cabine quando os primeiros raios do sol apontavam no horizonte, Cotton estava assumindo o leme e Gibbis dormia bêbado no convés abraçado com uma garrafa de rum.
— Mestre Gibbis! – Gritou o Capitão, assumindo o timão. O velho levantou assustado se colocando a disposição.
— Sim capitão.
— Temos uma necessidade de navegar rio acima – Respondeu Jack olhando para o horizonte.
— Qual a urgência dessa necessidade? – Retrucou o o marujo chegando perto do homem.
— O que sabe sobre Barbossa? – Perguntou Sparrow encarando o bucaneiro.
— Os ventos disseram que ele atracaria na Baia Naufrágio até o fim do mês, buscando tripulação e pilhagem, embora eu não soubesse para que.
— Senti agora uma vontade de encontrar o Capitão Teague... Vamos traçar o curso para a Baia. – O Jack ostentava um sorriso travesso.
Gibbis sabia que o Capitão nunca visitava o pai, e ao acordar a tripulação já os deixou avisados sobre uma possível batalha contra o infame Vingança da Rainha Anna.
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