Piltover's Finest
1 Capítulo 1 - Exército de uma mulher só
Notas iniciais
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Três vultos movem-se rapidamente em meio aos arbustos e rochedos, posicionando-se estrategicamente no entorno da área da mina, espreitando o alvo do próximo grande ataque do grupo como abutres esperam uma presa morrer. Era uma vitória quase certa.
Um dos quatro outros integrantes que passaram a manhã inteira vigiando a mina aparentava estar extremamente tenso, embora concentrado em sua missão.
– BU!
– AAH...!
O homem abafara o grito de susto imediatamente para evitar atrair a atenção.
– Nossa, Wally, que coisa de menininha... E aí, como tá a entrada da mina?
– Céus, você não pode chegar assim em alguém com uma arma, Vi! E se eu me assusto e te meto um balaço?
– "E se eu me assusto e te meto um balaço", pff! Desembucha: como tá o perímetro?
– Tranquilo até agora. Só umas explosões e os mineiros saindo com o cristal. Guardas são bem poucos, o que é peculiar pra um lugar com tanta grana...
– A mina é instável e ainda assim tá recheada de explosivos... Ninguém é louco a ponto de querer trabalhar por aqui, a não ser esses caras.
– E a gente.
– ...é. E a gente. Além disso, a mina é próxima da cidade, então os trouxas se sentem protegidos pela polícia de Piltover. Eles confiam demais no próprio taco... Não me surpreende não ter quase nenhum guarda por aqui.
– Cara, quando a gente botar as mãos nessa grana...!
Vi puxou um meio-sorriso. Wally era meio idiota, mas a divertia. E pensar no dinheiro que iam fazer com o roubo da mina de cristal era realmente eletrizante, sem contar as notícias do dia seguinte sobre "o maior roubo da história da cidade, bem debaixo do nariz da polícia". Hah! Eles seriam lendas!
O comunicador chiou, chamando a atenção da mulher.
– Vi?
– Oi, Dohran.
– Haha, fala aí, docinho... To aqui quase do ladinho da entrada da mina com o Novak e os outros dois caras em cima das árvores com os rifles de precisão disseram que tá tudo certo. E aí do seu ponto, gatinha? Como é que tá na linha de frente?
Dohran era o canalha vigarista beberrão galanteador saqueador lutador durão mais filho da mãe que Vi já havia encontrado em sua vida de ladra de rua. Por acaso topou com um integrante da gangue anos antes. O engraçadinho começou a mexer com ela no bar e encher o saco...
– Huhu, mas o que é que uma belezinha dessas tá fazendo num lugar barra-pesada que nem esse? Perdeu a mamãe, hein? — o homem, bêbado, veio sentar-se ao lado dela no balcão, próximo demais para o gosto da garota...
– Não tem como eu me perder da "mamãe" porque eu nem tenho uma. Agora, se eu fosse você, calava a boca e desinfetava daqui pra evitar perder uns dentes.
Num tom calmo, Vi pegou sua cerveja e dava um gole, quando de repente o homem levantou-se, furioso e ébrio, e envolveu-a ameaçadoramente, com um braço contornando-lhe a cintura enquanto outro discretamente pressionava a ponta de uma faca contra suas costas. Ele respirou fundo, grudado aos cabelos curtos e à nuca dela, sentindo o aroma de sua pele.
– Hum, tá explicado... Deve ser por isso que a bocudinha aqui se mete a valentona, hã? Hahaha! Talvez seja a hora do "papai" aqui te ensinar a se comportar então...
A mão do homem esgueirava-se da cintura lentamente para o seio de Vi. Por dentro, ela estava irada; filho da puta nenhum a tratava assim! Tinha nojo. Mas, por fora, apenas soltou um leve riso debochado e completou:
– Huhum... Se eu quisesse sua opinião, colega... Eu tirava NA PORRADA!
Num instante, antes que qualquer pessoa pudesse perceber, Vi agarrou o braço do homem que a apalpava e, quase sem esforço, girou-o, levantando o homem e atirando-o em cima do balcão do bar, para logo em seguida dar uma marretada em seu estômago com as duas mãos juntas. Subiu no balcão e pisou na virilha do homem, fazendo com que urrasse e se contorcesse de dor, o que dava a ela tempo de vestir suas manoplas de briga. Sentou-se sobre o abdômen dele, com as pernas uma de cada lado, travando-o no lugar, e começou então a desferir uma série de socos violentos no rosto do cara.
As outras pessoas presentes no bar pararam o que estavam fazendo para assistir à cena, uns atônitos, outros rindo, assoviando ou torcendo pela batalha.
– HAHA!!! VAI, ROSINHA, ACABA COM ELE!
– UHUU!!! HAHAHAHA!
Vi batia com vontade; a testa franzida e os dentes trincados expressavam a ira convulsa que a jovem fervorosamente descontava em socos pesados na cara de seu oponente. A cada golpe, ouvia-se o estalo de ossos quebrando e dentes saindo do lugar. Logo, um som molhado anunciava que a cara do homem já estava coberta de sangue e em carne viva. Finalmente alguém se manifestou para que parassem a briga e, surpreendentemente, de súbito, todo o bar se calou. A voz rouca e preguiçosa que se fazia ouvir era de Dohran, o rei do clube dos canalhas e líder da gangue à qual o presunto... digo, "sujeito" pertencia.
A moça percebeu a mudança no ambiente, então apenas levantou-se no balcão, chutou o homem para fora e pulou de volta ao chão.
– ..."Vi" é de "violenta", babaca. — murmurou, cuspindo no quase-cadáver.
O líder da gangue veio até ela.
– Que estrago, que estrago, mocinha! Você sabe bater, hein? Quem é você?
– Por que? Quer uma dose também?
– Hahaha! Uou, uou, uou! Ela morde! — o homem gesticulava, fazendo graça para os amigos — ...Sabe quem eu sou?
Ela ficou em silêncio, olhando raivosamente na cara do homem que lhe falava.
– Eu sou Dohran, um dos caras que devem ser temidos por aqui, e esse cara... Ele era da minha equipe. Bom, aparentemente não é mais... — ele disse, cutucando o homem inconsciente com o pé. Tirou um cigarro e um isqueiro do bolso interno do sobretudo, tentando acendê-lo. — Tá sobrando lugar agora. Tá a fim de entrar?
– O resto da sua gangue também é de babacas como ele?
Conseguiu acender o cigarro e deu uma tragada. Lançou a fumaça para cima e continuou a falar.
– Não, ele era realmente "o" babaca da turma; no fim, foi bom você ter dado um jeito nele, me poupa o esforço. E aí, gatinha?
Desde então, ela trabalha com eles. Os roubos agora eram de outro nível!
– E aí, gatinha? Como é que tá na linha de frente?
– Perfeito. Só seria melhor se nos esperassem com café e bolo.
– Haha, bom, é assim que eu gosto! Pronta pra atacar?
– Tá brincando? — ela ajustou as manoplas de briga nas mãos, fazendo um estalar metálico — Eu nasci pronta pra briga!
Os olhos de Vi concentraram-se na entrada como um tigre definitivamente determinado a cravar os dentes em seu jantar. O ataque começou.
Dohran e Novak surgiram de um lado da entrada, derrubando tudo e todos pelo caminho. Um outro integrante sorrateiramente entrava na mina para começar a retirar os cristais. Vi saiu de seu esconderijo em disparada como um rinoceronte frenético, nocauteando e arrastando os homens que estavam mais para trás, mais distantes da entrada da mina, impedindo que pudessem reagir ao ataque ou que fugissem para avisar a polícia. Wally a seguia, enquanto os dois outros com os rifles dariam cobertura ao grupo caso algo desse muito errado...
Em questão de minutos os cinco batedores estavam dentro da mina, tocando o terror e dominando os mineiros através da força e intimidação. Dohran e um outro já haviam chego aos maiores cristais e retiravam-nos com avidez, rindo com o monte de pedras nos braços. Novak, Wally e Vi revezavam-se entre conter os mineiros histéricos e ajudar na retirada das pedras, mas a operação estava começando a demorar demais.
– Vocês dois, fiquem com os mineiros! Vou ajudar Dohran para irmos mais rápido.
Vi mal acabava de proferir tais palavras e um mineiro com uma picareta em mãos aproveitou-se do instante de descuido de Wally.
– WALLY, CUIDADO!
O rapaz virou a tempo de desviar-se da porrada que certamente o mataria e, assustado, atirou em reflexo. Fora a oportunidade perfeita para os mineiros começarem a rebelar-se, fugindo ou tentando atacar os saqueadores. Percebendo que a situação começava a sair do controle, Vi parou de correr abruptamente e deu meia-volta, tencionando retornar a Wally e Novak para ajudá-los mas, desnorteado, Wally atirava para todo lado.
– IMBECIL, NÃO É PARA USAR ARMAS, ESSE LUGAR TÁ CHEIO DE...
Uma explosão notável fez Vi desequilibrar-se e cair muitos metros antes de onde seus comparsas estavam... Ou onde não estavam mais. No lugar havia apenas uma imensa cratera e corpos parte carbonizados, parte cobertos com sangue. Um deles era seu colega.
– ...Wally... — ela sussurrou, olhando incrédula o amigo desacordado.
Terra caiu em seu rosto, sem, no entanto, cegá-la. Chacoalhou a cabeça para livrar-se dela, sem ainda perceber o que acontecia. Logo, pedregulhos e mais areia começaram a cair do teto por todos os lados, as paredes começaram a tremer, derrubando pedras cada vez maiores.
Dohran, do fundo da mina, com os braços cheios de cristal, perguntava irritado:
– MAS QUE MERDA TÁ ACONTECENDO POR AÍ, VI?
A jovem olhou brevemente em volta, paralisada.
– ...A MINA TÁ CEDENDO! VAMO CAIR FORA!
Prontamente houve uma debandada de dentro da mina. Tanto o grupo de assaltantes quanto os mineiros tentavam fugir desesperadamente para fora daquele caixão gigante, mas o lugar estava vindo a baixo muito rápido e pedras grandes começavam a não apenas ameaçar a vida dos presentes, mas também bloqueavam alguns trechos da única rota de fuga possível, dificultando a passagem.
– VAMOS, MAIS RÁPIDO, INFERNO! — Dohran gritava, passando a toda velocidade e arrancando todos do seu caminho à força. Com dificuldade, conseguiram alcançar o lado de fora.
– ESPERA, NÃO PODEMOS DEIXAR AQUELAS PESSOAS LÁ DENTRO!
– VOCÊ TÁ LOUCA, GAROTA?! TÁ QUERENDO VOLTAR PRAQUELA TUMBA CAINDO AOS PEDAÇOS?!!
– DEIXA DE SER FROUXO, DOHRAN!
– DEIXA DE FRESCURA VOCÊ, IDIOTA! SE QUISER VOLTAR, VOLTE SOZINHA!
Os olhos azuis retraíram-se, fuzilando aquele otário que fugia como um rato amedrontado. Danem-se, cambada de filhos da... Precisava correr; a situação dentro da mina dificultava-se a cada segundo e ainda havia pessoas presas lá dentro!
Vi voou para dentro da mina, procurando os homens que haviam sido feridos por pedras e não se viam capazes de fugir. Pouco depois da entrada já encontrou um com um grande ferimento na cabeça que sangrava continuamente; mais à frente, outro homem gritava de dor, com uma perna praticamente esmagada por uma larga rocha que desprendeu-se da parede. Estava preso e acreditava que aquilo seria seu fim.
A jovem parou por um momento, calculando o que iria fazer. Titubeou um pouco, vacilando devido ao nervosismo.
– Merda... Merda, merda, merda! — murmurou
Decidiu-se e partiu então para a ação! Correu primeiro para o homem com a perna presa, agarrando uma das pontas da pedra com as duas mãos.
– Calma aí, cara! Escuta: no três você rola pro lado, ok? Um... Dois... Três!
Com esforço, Vi levantou a grande rocha o suficiente para que o homem tirasse a perna de baixo dela. Ele sorriu, incrédulo.
– Vem cá, escora em mim. A gente vai lá pegar o outro agora, ok? Você vai ter que me ajudar a segurar ele.
O mineiro afirmou com a cabeça. Vi ajudou-o a levantar-se e passou um braço do homem por trás de seu pescoço, permitindo que ele ficasse de pé. Ainda assim, não seria possível correr. De todo modo, deram um jeito de chegar, aos trancos e barrancos, o mais rápido possível ao homem desacordado pela concussão. Aquele seria bem mais difícil: não estava consciente, logo não ajudaria a levantar-se e sair dali. Teria que carregá-lo sozinha. Deixou o homem com a perna machucada encostado na parede ao lado. Abaixou-se e aproximou o ouvido do rosto do homem ferido na cabeça. Ainda respirava. Bom. Levantou-o; ele parecia um boneco de pano, molenga, pesado e desajeitado. Teve que cuidar para que ele não torcesse o pescoço acidentalmente; aquela situação toda dificultava em muito o trabalho.
Desajeitada, com uma mão envolvendo a cintura e a outra segurando no lugar a cabeça e o pescoço do homem, meio torta, Vi chamou o homem da perna para ajudar. Ele aproximou-se saltando em uma perna só.
– Segura o braço dele por trás do meu pescoço pra não cair!
O homem prontamente escorou-se e apoiou o outro para que fizesse o mesmo, mesmo desacordado. A mulher envolveu os dois, segurando-os pela cintura, e começaram a tentar correr para fora da mina, mas era muito difícil! Um só tinha uma perna útil e o outro era praticamente arrastado, inconsciente. O peso também mostrava-se desigual entre eles, obrigando Vi a dar um pequeno pulo para equilibrar os dois lados novamente, de tempos em tempos.
Determinada, sentindo a adrenalina e a vontade de lutar em cada fibra de seu ser, ela apertou mais a cintura dos homens, puxando-os para si e praticamente levantando-os do chão. Sorriu, vitoriosa. "Não é hoje que você me pega, Morte, não mesmo!". Saiu então correndo da mina com os dois. Largou-os lá fora e retornou.
As paredes e o teto continuavam cedendo, cada vez mais perigoso para os que ainda restavam lá. Pelo caminho, Vi tinha que subir sobre algumas rochas e esgueirar-se por outras para conseguir avançar. A única rota de fuga estava prestes a sumir. Para seu desespero, ouviu gritos amedrontados do fundo da mina e deparou-se com um muro de pedras empilhadas bloqueando completamente a passagem dos mineiros. Grunhiu de raiva e chutou com força o muro. Foi quando algumas pedras no canto saíram do lugar, abrindo passagem para um ser não muito grande...
Vi prontamente meteu-se por aquela fenda, tentando passar para o outro lado.
–...uuuaaAAARRGH! PORCARIA, NÃO DEVIA TER COMIDO AQUELES ÚLTIMOS TRÊS FRANGOS!
Viu-se presa entre as pedras durante um tempo, começando a estressar-se. Com o rosto vermelho como um tomate e o sangue correndo fervente por suas veias, começou a socar a parede com raiva. As pedras mexeram-se, aliviando um pouco o espaço, e finalmente Vi pôde soltar-se e chegar aos mineiros. Estava colérica, e a última coisa de que precisava era um idiota histérico enchendo o saco.
– ÓTIMO, GÊNIO! AGORA QUE VOCÊ TAMBÉM TÁ PRESA AQUI, A GENTE PODE MORRER EM NÚMERO PAR!
Mal acabou de falar e o homem sentiu uma jamanta atingí-lo em cheio no maxilar. Quase engasgou com um dente que soltou-se.
Vi então respirou fundo e viu uma espécie de mecha largado num canto. Correu até ele.
– Como eu ligo isso?
– Os cristais se encaixam aí e energizam o mecha, mas ele está quebrado, as pernas não vão funcionar.
– As pernas que se danem, eu quero os punhos!
Começou a soltar as manoplas de ferro gigantes do robô; tinham quase seu tamanho e facilmente o dobro do seu peso. Os mineiros, mesmo não acreditando no que ela pretendia, ajudaram a soltar o outro lado. Com uma rapidez e perícia incríveis, Vi conectou as manoplas gigantes de ferro às suas manoplas hextech de briga. Teve que fazer uma força notável para erguê-las.
– COLOQUE O CRISTAL NELAS, RÁPIDO! — ordenou ao mineiro.
O homem pegou duas pedras brutas, lascou-as um pouco na parede e encaixou-as no espaço de um triângulo que havia em cada manopla do mecha. Imediatamente, as manoplas pareceram criar vida, brilhando e emitindo vapor, obedecendo Vi como se fossem simplesmente duas luvinhas de cetim.
Ela fitou a parede que os prendia, tirando os mineiros da sua frente com a grande mão.
– Dá licença!
Puxou um punho para trás, pronta para desferir seu melhor soco, e correu em direção à parede, gritando.
– AAAAAARRRHHHHH!!!!
Neste instante, o punho colossal cortou o ar, fechou-se com força e furiosamente atingiu a muralha de pedras, reduzindo-as a pó.
– HAHAAA!!! Vamos embora!
Todos gritaram de entusiasmo e saíram correndo, guiados à frente por Vi, que deliciava-se com cada soco que dava com os novos brinquedinhos, abrindo o caminho. Já avistando a saída, cada vez mais perto, de repente ouve-se um estrondo e, do nada, uma única pedra monstruosamente gigantesca precipitou-se exatamente onde Vi se encontrava. Por uma fração de segundo, os mineiros perderam a esperança e sentiram angústia pela iminente morte daquela jovem...
...mas quem disse que a mulher do cabelo pink, da cicatriz no rosto e dos punhos de ferro ia se render assim fácil?
Vi conseguira colocar as enormes manoplas sobre sua cabeça e segurar a pedra, evitando que fosse esmagada e virasse molho de tomate à bolonhesa. Mas o peso desta obrigou-a a apoiar-se sobre um joelho, e a passagem via-se novamente bloqueada.
– Não... Eu não vou morrer aqui... EU NÃO VOU MORRER AQUI! Seus punhos são os mais fortes do mundo, garota, você consegue. VAMOS LÁ!
Apertou os dedos com mais força na pedra gigantesca e começou a aplicar uma força inumana para colocar-se novamente de pé, segurando a pedra sobre sua cabeça. Parecia mais pesada que qualquer coisa que já tivesse visto na vida! Sentia cada músculo pulsar, concentrando suas forças, um calor torturante que começava a se alastrar do rosto e dos músculos dos braços para o resto do corpo. Prendeu a respiração e, num impulso, conseguiu jogar a pedra um pouco para cima e firmar os dois pés no chão, ainda curvada. Aos poucos, foi levantando-a e esticando as pernas e o corpo, até estar totalmente de pé e com os braços esticados para cima.
A passagem tinha sido aberta!
– VÃO!!!
Os mineiros começaram a correr, encolhidos, passando ao lado de Vi, que sustentava a passagem como uma coluna marmórea. Mas a pedra pesava e Vi começava a ofegar arduamente. Não tinha opção: tinha que fazer algo para ganhar mais tempo e não morrer. Com toda a vontade de seu ser, a mulher conseguiu sustentar a pedra com um braço apenas, puxando o outro para baixo como uma mola potente que se comprime e retesa.
Os mineiros que ainda saíam ficaram amedrontados... Eis que ouviu-se o urro feroz de Vi.
– ...aaAAAAAAAAAHHHHRRRRGGGGGGG!!!!
E, numa explosão de adrenalina, o punho bestial da mulher atravessou a pedra como se fosse uma parede comum de gesso, detonando-a em pedaços menores que voaram para todos os lados. Correu para fora e, vendo-se finalmente em segurança, apoiou-se sobre os joelhos, curvada, e começou a ofegar, buscando o ar avidamente.
Um dos mineiros aproximou-se, apoiando a mão sobre seu ombro.
– Não sei se devia dizer isso, visto a bagunça que vocês ladrões fizeram... Mas, da sua parte: obrigado.
Vi virou o rosto para o homem e assentiu levemente com a cabeça, meio sem saber como reagir.
– A polícia de Piltover está chegando junto com os médicos! — avisou um.
Vi levantou-se e olhou ao redor. Tecnicamente, estava sozinha em todos os sentidos agora.
Era hora de ir.
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