Pierre - Um conto da saga

3 O Aniversário de Desiré


— Como você vai visitar a sua tutora? – Perguntou Desiré, enquanto deixavam as sacolas em seu quarto.

— Amanhã eu vou até a casa da Gabrielle, o pai dela vai me buscar aqui, de lá eu pego flu, de noite volto para a sua festa – afirmou Hydra.

— Ei meninas, boa noite! – Disse a Sra. Fauré, uma mulher muito parecida com Desiré, ela usava um uniforme branco e parecia cansada.

— Boa noite mamãe, a senhora lembra-se da Hydra, não é mesmo? – Perguntou Desiré.

— Sim, sim, claro, como vai Hydra? – Perguntou a mãe da menina a cumprimentando.

— Bem e a senhora? – Perguntou Hydra.

— Bem também, Desiré já lhe falou da festa de amanhã? Minha família não sabe exatamente sobre vocês... – Disse a Sra. Fauré um pouco sem graça.

— Não se preocupe, não farei nada mágico – brincou Hydra, fazendo a mãe de sua amiga rir.

— Muito bem, o jantar já está servido, espero que estejam com fome – afirmou a Sra. Fauré, se retirando do quarto.

Hydra mais uma vez se admirou com a mistura de magia com o mundo trouxa, o Sr. Fauré usava a varinha para fazer as coisas flutuarem até a mesa, assim como na casa de Hydra, porém a Sra. Fauré sempre levantava para buscar o que queria da cozinha, ela não parecia gostar tanto do uso da magia em casa quanto os outros, apesar de não reclamar em momento algum.

— Como foi que seus pais se conheceram? – Perguntou Hydra, agora já no quarto de Desiré, deitada em sua cama extra enquanto a menina estava deitada em sua cama, prontas para dormir.

— Papai decidiu ir a uma festa de um amigo nascido trouxa e disse que se encantou com ela, foi um choque quando ela soube a verdade sobre o mundo mágico, achou que estava ficando louca – disse Desiré rindo.

— E como ela descobriu? – Perguntou Hydra.

— Papai contou depois de um tempo de namoro, ele ficou com muito medo dela não aceitar, mas acabou tudo bem, quando eu nasci ela já sabia que muito provavelmente eu seria mágica também, ela não gostou muito de eu ir para uma escola interna, mas tirando isso ficou bem.

— Uau, deve ser muito difícil para um bruxo se relacionar com um trouxa e não contar nada – disse Hydra, ainda muito admirada com as informações.

— É, eu não sei, eu nunca namorei ninguém... – Disse Desiré, que estava deitada com a barriga para cima e olhando para o teto.

— Nem eu... Acho que só a Gisele pode nos dizer isso – respondeu Hydra rindo.

— Não que ela namore de verdade, né? – Perguntou Desiré rindo.

— É, mas ela sabe mais do que nós... – Respondeu Hydra, também rindo.

No dia seguinte, Hydra seguiu cedo para a casa de Gabrielle, o pai da moça veio busca-la de carro.

— Então, Hydra, como estão às coisas na Inglaterra? – Perguntou o Sr. Bélanger no caminho para sua casa.

— Bem, calmas na verdade, sem muitas novidades desde a queda de Você-Sabe-Quem, respondeu Hydra, distraída com a paisagem.

— Sim, momentos horríveis que vocês viveram, eu acompanhei tudo por aqui, ainda bem que ele foi destruído e aquele menino Potter sobreviveu.

— É, espero que tenha sido destruído de fato... – Disse Hydra, que nunca ficara muito convencida do fato.

A casa de Gabrielle era bonita, ficava afastada do centro de Paris, era uma enorme casa branca e bege com um grande terreno verde, cheio de árvores e animais, mágicos e não mágicos.

— Que bom que você veio nos visitar, ficamos com saudades – disse a Sra. Bélanger quando Hydra chegara, no ano anterior, era ali que ela tinha ficado nas férias.

— Eu também, Sra. Bélanger, é sempre bom estar aqui – disse Hydra sorrindo.

— Me desculpe só a bagunça, a casa recentemente foi atacada por pragas domésticas, até bicho-papão encontramos no porão! – Disse a Sra. Bélanger parecendo bastante desgostosa com o assunto.

— Não se preocupe – afirmou Hydra.

Hydra tomou café com a família de Gabrielle antes de partir para a casa de sua tutora, a sala de jantar, assim como o resto da casa, era grande e arejada.

— Diga que passará um tempo conosco depois que chegar da casa de sua tutora Hydra – disse a Sra. Bélanger, sempre sendo extremamente simpática com a menina.

— Sim, vou voltar um pouco antes, assim a Gabrielle pode ir comigo para a festa da Desiré.

— Ótimo – disse o Sr. Bélanger, se servindo de um pouco de torradas.

Hydra se apressou depois do café para fazer a viagem de flu para a casa da Madame Bouvier.

— Lhe vemos depois – disse a Sra. Bélanger enquanto Hydra sumia nas chamas verdes.

A sensação de tudo girar já estava se tornando familiar para Hydra, mas a viagem com flu ainda não era das suas preferidas.

— Hydra! Minha menina! – Disse a mulher de pele de marrom clara, cabelos pretos e longos e um lindo rosto doce que sorria e corria para o seu abraço, mesmo que este tenha sido um pouco atrapalhado por sua grande barriga de grávida.

— Que saudades Madame Bouvier! – Disse Hydra, saindo da lareira.

— Venha, as crianças estão todas lhe esperando ansiosas, estou tão feliz que esteja aqui... E tão crescida, veja, era uma menininha até ontem – disse a sua amada tutora, passando a mão no rosto de Hydra e parecendo emocionada com a presença da garota.

Madame Bouvier morava em uma linda casinha de campo, toda cercada de verde e flores e feita em pedra, todos os móveis e paisagem lembravam uma pintura clássica, Hydra amava aquele local.

— Albert, olha quem chegou – disse Apolline, levando Hydra pela mão até a varanda, aonde o seu marido, um simpático bruxo de pele morena e cabelos cacheados, alimentava algumas galinhas, acompanhado de três crianças.

— Hydra! – Gritou o garotinho mais velho, Burrel, correndo e abraçando Hydra.

— Burrel, você está tão grande! Está com quantos anos agora? – Perguntou Hydra espantada.

— Cinco! – Disse ele mostrando a idade nos dedos.

— E Darold está com três e Agate com um ano e meio – disse Albert, mostrando os outros filhos que vinham todos cumprimentar Hydra (até mesmo a menorzinha, dando seus passos desajeitados).

— Todos estão grandes e lindos! – Disse Hydra, agora com Agate no colo.

— E todos com saudades, Hydra, deveria vir mais vezes – disse Albert, sempre sendo muito simpático.

— Acredite, por mim eu moraria aqui... – Disse Hydra, mostrando uma expressão mais dura e triste no rosto.

— Ele ainda te machuca? – Perguntou Apolline com preocupação.

— Não se preocupe com isso... – Disse Hydra, preocupada que o pensamento pudesse perturbar a gravidez da tutora.

— Não, é claro que me preocupo! Você é minha menina mais velha e eu lhe abandonei com aquele monstro... – Disse ela com lágrimas nos olhos.

— Não me abandonou não, ele provavelmente iria lhe punir se continuasse no país e desconfiasse que aprendi a ser uma pessoa mais correta com você, esquece isso, por favor, eu estou bem de verdade e muito feliz de estar aqui – disse Hydra forçando um sorriso.

— Eu lhe tiro de lá se quiser – disse Apolline, mais uma vez quase chorando.

— Eu preciso de você aqui, sendo meu refúgio e cuidando dos meus três... Quase quatro "irmãozinhos" – disse Hydra, enquanto sua tutora mais uma vez a abraçava.

Hydra passou algumas horas brincando no quintal com as crianças (Darold já se mostrava habilidoso com a vassoura enquanto encenavam uma partida de quadribol) e depois lendo histórias para eles na sala.

— Continua levando jeito com crianças, sempre cuidou tão bem do seu irmãozinho, acho que vai ser uma ótima mãe quando o tempo chegar – disse Apolline quando chamou todos para almoçar.

— Como não amar esse três? – Disse Hydra, fazendo cosquinha nas crianças e as fazendo rir.

Se tinha dias que Hydra podia chamar de mágicos eram aqueles que passava naquela casa, sempre cheia de amor e alegria, fazia sua casa parecer mais triste e fria do que nunca, mas também fazia com que Hydra experimentasse os sentimentos mais deliciosos que já havia sentido, foi triste se despedir no fim da tarde.

— Tem certeza que não pode ficar mais? – Perguntou Apolline, enquanto todos se enfileiravam na frente da lareira para se despedir de Hydra.

— Tenho, infelizmente sim, eu prometi que chegaria um pouco mais cedo na casa de Gabrielle e Desiré faz aniversário hoje e dará uma festa.

— Volte mais vezes então – pediu Albert, com Agate no colo.

— Sim, eu quero voltar mais antes do período letivo – disse Hydra sorrindo.

— Então estaremos lhe esperando, minha menina – disse Apolline, mais uma vez abraçando Hydra e se despedindo de quem considerava sua primeira filha.

Hydra fez a viagem de volta também por flu, aparecendo na sala vazia dos Bélangers.

Ela decidiu andar pela casa para ver se encontrava seus ocupantes, mas enquanto estava andando em dos corredores dos do andar superior, foi pega de surpresa por uma figura aterrorizante.

Lúcio, sim, seu pai Lúcio Malfoy vinha em sua direção com a varinha apontada para Hydra e um olhar de grande fúria, ele corria e Hydra gritou e se agachou no chão e gritou, pronta para o seu ataque, quando ouviu uma voz atrás dela.

— Riddikulus! – Disse a voz do pai de Gabrielle, fazendo "Lúcio" retroceder com um grande golpe e bater na parede, depois correndo para um corredor próximo.

— Fique aqui, Hydra, vou me livrar dele – disse o Sr. Bélanger.

— O que meu pai...?

— Aquilo não era seu pai, era um bicho-papão – disse ele antes de sair correndo.

Então o bicho-papão de Hydra era seu pai, nada surpreendente, pensava ela.

Hydra foi acudida pela Sra. Bélanger e Gabrielle, que vieram correndo depois de ouvirem o seu grito.

— Eu gostaria de saber por que seu pai é seu bicho-papão, tem algo que possamos fazer por você? – Perguntou a Sra. Bélanger na cozinha com Hydra, depois de encher um copo de água com a varinha e dar para ela beber.

— Não é nada, Sra. Bélanger, eu só tenho medo, só isso. – Disse Hydra, corando com o que acabara de falar.

— Tem certeza? – Perguntou ela desconfiada.

— Tenho... – Mentiu Hydra, mais uma vez naquele dia forçando um falso sorriso que não enganava ninguém.

— Bem, estamos aqui para você caso precise, saiba disso – disse ela, segurando em sua mão.

— Bom, aquele bicho-papão não será mais um problema – disse o Sr. Bélanger entrando pela porta da cozinha.

— Assim espero... – Afirmou a Sra. Bélanger.

Hydra seguiu com Gabrielle para a casa de Desiré para a grande festa. Chegando lá, viu a casa lindamente decorada com balões, uma mesa com um bolo de três andares e uma faixa que dizia "Parabéns Desiré", nada se mexia e nada era mágico, mas tudo era lindo.

— Vou trocar de roupa antes dos convidados chegarem – disse Hydra vendo o olhar assustado que a Sra. Fauré deu para as suas vestes, subindo até o quarto da amiga para usar uma das calças jeans e blusas que comprou no dia anterior e contando para as duas meninas sobre o seu dia.

— Até que você fica bem de trouxa – disse Desiré rindo.

— Eu sei, eu também gostei! – Afirmou Hydra, usando uma calça jeans e uma blusa branca de seda, deixando os cabelos longos soltos.

— Meus primos não vão saber o que os atingiu – brincou Desiré, também se arrumando com um lindo vestido vermelho e casaco preto.

As três desceram e Hydra cumprimentou nervosamente cada um dos familiares de Desiré que chegavam. Gisele também chegou pouco tempo depois, indo para um canto "conversar" com um dos primos de Desiré, enquanto outro, um rapaz de pele negra, olhos castanho e muito bonito vinha conversar com ela.

— Você estuda na mesma escola misteriosa da Desiré? – Perguntou o rapaz, segurando seu copo de bebida e parecendo confortável demais ao lado de Hydra no sofá, que estava morrendo de medo de falar alguma besteira.

— Sim... – Disse ela sem graça e vermelha.

— Bom, nunca te vi por aqui e vejo um leve sotaque, é da onde?

— Inglaterra...

Hydra não conseguia manter uma conversa com o rapaz, e se falasse algo sobre magia sem querer? E se acabasse entregando Desiré? Tinha medo demais disso para conversar, eventualmente o menino acabou desistindo e saindo para perto de sua família.

— Ele não morde, você sabe? – Perguntou Gabrielle, sentando ao seu lado e rindo.

— Eu sei, mas eu morro de medo de falar alguma besteira, será que meus pais me estragaram para ter amizades trouxas para sempre? – Perguntou Hydra, se sentindo genuinamente assustada.

— Não, Hydra – disse Gabrielle rindo -, eu só acho que você deveria relaxar mais, você é capaz de ter uma conversa que não envolva magia.

— Você acha? – Perguntou Hydra.

— Acho, veja a Gisele, ela é capaz de muitas coisas sem envolver magia... – Disse Gabrielle rindo e apontando para a amiga que acabara de aparecer depois de ter sumido um tempo com um dos primos de Desiré.

— O que está achando da sua primeira festa trouxa? – Perguntou Gisele, sentando do outro lado de Hydra

— Interessante, não tem nada voando pelo ar, mas as pessoas parecem se divertir, eu gostei das músicas e das roupas – afirmou Hydra, sorrindo e observando os participantes da festa que pareciam se divertir, alguns conversando em cantos, outros dançando (com Desiré) no centro da sala que não tinha móveis agora e outros comendo as mais diversas comidas que eram colocadas em pratos nas mesas.

— Eu prefiro as festas bruxas, acho mais práticas, mas as trouxas tem seu charme sem dúvida – disse Gisele – e concordo com você sobre a música, amo música trouxa também!

— E línguas trouxas também, né? – Perguntou Gabrielle rindo junto com Hydra.

— Espero até vocês duas darem seus primeiros beijos, duvido que queiram parar também – brincou Gisele.

— A Desiré já beijou e não tem esse... Esse anseio todo, digamos assim – disse Hydra, também rindo.

— Vamos ver vocês, principalmente você, Hydra, você tem cara de ser das minhas – disse Gisele dando uma piscadinha para a amiga.

— Duvido muito – respondeu Hydra, rindo mais ainda.

A festa foi um sucesso, mas no final da noite Hydra já estava cansada e querendo dormir, mas infelizmente tinha que esperar todos os convidados se retirarem, um trabalho cansativo, especialmente depois do dia cheio de emoções que teve.

— Gostou? – Perguntou Desiré depois que finalmente subiram, Hydra tão exausta que mal conseguia pensar direito.

— Muito, é bem diferente das festas bruxas, mas eu gostei muito – disse Hydra, se jogando na cama.

— Bom, eu também gostei muito – afirmou Desiré, que desembrulhava os seus presentes que ganhara enquanto Hydra caia no sono.