Pierre - Um conto da saga
4 O Primeiro beijo
Hydra passou o resto das férias se dividindo entre as casas de Desiré (onde passava a maioria das noites), Gabrielle, Gisele e Apolline, no dia anterior à sua volta para Beauxbatons, já estava mais ansiosa do que nunca para rever a sua amada escola.
— Tudo certo no malão? – Perguntou Desiré para a menina.
— Sim, tudo certinho, Lydra já está alimentada e deixei ela sair para passear um pouco hoje à noite, espero que ela não chame muito a atenção dos seus vizinhos (a mãe de Desiré relembrou isso diversas vezes para Hydra).
— E sua mãe mandou notícias hoje?
— Todo santo dia pelo menos uma carta por dia, coitada, eu até entendo que ela sinta saudades, mas infelizmente não dá para ficar muito tempo naquela casa... – Disse Hydra, com o mesmo olhar tristonho e pesado que sempre tinha quando falava sobre isso.
O dia primeiro de setembro era sempre uma alegria, Hydra levantou cedo e saiu com o pai de Desiré para o local aonde pegariam as carruagens que as levariam para Beauxbatons. Depois de encontrarem a sua (carruagem de número cinco) e se acomodarem um dos seus compartimentos, foram logo seguidas por Gisele e Gabrielle.
— Eu acabei de encontrar aquela Fleur no corredor, aparentemente ela tem um amiguinho novo que anda com ela – disse Gisele se sentando ao lado de Hydra.
— Namorado? – Perguntou Hydra meio desinteressada, foleando uma revista bruxa.
— Não, dizem que são só amigos, ele é da nossa casa, se chama Pierre, um gato se você me perguntar... – Disse a menina fingindo se abanar.
— Seu gosto sempre foi meio peculiar... – Disse Hydra rindo.
— Não, mas ele é bonito mesmo, eu também vi – disse Gabrielle.
— Bom, se é amiguinho da chata da Fleur não deve me interessar muito – afirmou Hydra.
— Duvido que não vá – disse Gisele rindo.
A viagem para Beauxbatons foi tranquila e sem muitos acontecimentos, as meninas jogaram snap explosivos e uma partida de xadrez bruxo, até que finalmente chegou aterrissaram nos jardins do belíssimo palácio da Beauxbatons.
Elas saíram aos poucos da carruagem e Hydra mirou o palácio.
Hydra estava de volta, era tão feliz para ela estar aqui, sua casa, o lugar aonde ela era livre de tudo e de todos, aonde ninguém (ou quase ninguém, já que até ali sua família era conhecida por alguns) a conhecia como uma Malfoy, mas sim como "a menina inglesa", era tão bom poder ser ela mesma, não ser julgada por um nome, ter meus amigos verdadeiros, era tão bom estar de volta na Beauxbatons, pensava ela.
Hydra entrou com o restante dos alunos por uma enorme porta de vidro e madeira para um Hall gigantesco, aonde uma escada que se "abria" para dois lados estava na sua frente. Passaram pela porta dupla de vidro preto para o Salão de jantar, uma grande sala toda em cristal e vidro, várias fontes enfeitavam o local, Hydra observou mais uma vez as mesas extremamente longas que se enchiam de alunos, duas de um lado e duas de outro, ela se se sentou à mesa do lado esquerdo com a toalha vermelha. Depois ela se virou e encarou a mesa branca na frente do salão, no oposto da porta, os professores todos pareciam conversar animados e ali, enfeitando a visão de todos, estava o grande espelho que flutuava na frente da mesa, com uma cadeira azul com o símbolo da Beauxbatons na sua frente.
Antes do jantar, a seleção dos novos alunos começou, nervosos rostinhos dos alunos do primeiro ano entravam agora pelo corredor, fazendo Hydra se lembrar de sua própria seleção, há três anos.
Madame Maxime se levantou, assim como todos os outros alunos das casas, ela então acenou para que eles se sentassem.
— Bem-vindos à Academia de Magia Beauxbatons, meu nome é Madame Maxime, eu sou a diretora da escola e tenho o prazer de receber cada um de vocês.
Hydra e quase todos os outros alunos aplaudiram, enquanto os nervosos alunos continuavam no mesmo lugar.
— Vocês irão passar pela seleção das casas, nós temos quatro prestigiosas casas e eu irei explicar um pouco mais sobre elas agora:
Hydra e as amigas começaram a conversar baixinho enquanto a Madame Maxime explicava aos alunos sobre cada casa, parando para aplaudir quando a sua foi citada.
— Olha a Fleur ali – disse Gisele apontando com a cabeça para a mesa no extremo lado direito com a toalha azul, aonde a bruxa de cabelos longos e prateados encantava alguns meninos ao seu redor.
— Eu vi... – Disse Hydra desgostosa.
— Eu não entendo isso, vocês duas sempre competem para ver quem chama mais atenção dos meninos, no entanto você nunca fica com nenhum! – Reclamou Gisele.
— Eu não faço isso, Gisele! – Disse Hydra indignada – E mesmo se fizesse, ela é parte veela, não seria justo, seria? – Ela agora "amarrava" a cara.
— Eu sei, eu sei – brincou Gisele.
Depois de terminar de falar, Madame Maxime foi aplaudida mais uma vez e se sentou e agora a professora Agnès voltara, trazendo um pergaminho enorme na mão.
— Quando eu chamar seu nome, por favor sentem na cadeira em frente ao espelho. Janaina Abotelho.
A seleção continuou por vários minutos, muitos alunos foram selecionados para as quatro casas, Hydra observara que uma boa leva entrara em sua casa.
Depois da seleção, Madame Maxime anunciou que o jantar estaria servido, diversos pratos preencheram a mesa, os mais deliciosos que Hydra poderia imaginar.
— Ei, Hydra, aquele é o Pierre, o tal amigo da Fleur que falamos.
Gabrielle mostrou um rapaz sentado na mesa delas, um pouco mais na ponta. Hydra abriu a boca em admiração, o rapaz louro de olhos castanhos conversava com uns amigos, era lindo de fato, mas o olhar de Pierre era o que chamava mais a sua atenção. Pierre tinha um olhar meio intimidador, meio sedutor, era impossível para Hydra não olhar de volta.
— Gostou do que viu, né? – Brincou Gisele, sentada ao lado das amigas na mesa do Salão de jantar.
— Que isso Gisele, eu nem estava prestando atenção... – Mentiu Hydra, mas seu rosto corado entregava o que realmente sentia, tanto que fazia as meninas sorrirem e darem pequenas risadinhas.
— Ele é lindo, eu lhe disse! – Afirmou Gisele.
— Como eu não havia o visto antes? – Perguntou Hydra para as amigas.
— Porque ele era baixinho e estranho ano passado, ele cresceu e ficou bonitão de repente no verão, não sei o que houve.
— Quantos anos ele tem? – Perguntou Hydra.
— 14, mas faz 15 amanhã, é do quarto ano – disse Gabrielle.
— E como vocês sabem de tudo isso? – Perguntou Hydra com curiosidade para as amigas.
— Nós perguntamos por aí... – Afirmou Gabrielle sem graça.
Hydra voltou a olhar para o rapaz, mas dessa vez, viu que ele olhara de volta e sorria, Hydra corou instantaneamente, não sabia para onde olhar ou como disfarçar, quase derrubou o seu suco de abóbora que estava na sua frente, causando várias risadas das amigas ao seu redor.
— Parem, por favor, parem... – Implorou Hydra, porque viu que o rapaz se levantara de seu lugar e ia em direção a ela.
— Olá meninas – disse ele, parando atrás de Hydra -, será que poderia me sentar um pouco aqui? – Pediu ele com seu sorriso simpático e um pouco sensual.
— Claro, fique à vontade – disse Gisele, abrindo espaço entre ela e Hydra (que nesse momento estava mais corada do que achava humanamente possível).
— Você é a Hydra, certo? Hydra Malfoy? A menina inglesa – Perguntou o rapaz sorrindo para ela.
— Si... Sim e você é o Pierre, certo? – Perguntou Hydra ainda muito sem graça.
— Jean Pierre Buvenu, ao seu dispor – disse ele pegando a mão de Hydra a beijando leve e suavemente, deixado a menina com o coração disparado e as outras olhando espantadas.
— Prazer, Pierre... – Disse Hydra, encarando imediatamente depois o seu prato.
— Eu já vi vocês por aqui, é claro, mas uma menina bonita que nem você, bem, não é fácil assim de se chegar perto – disse ele de um jeito extremamente galante, fazendo Hydra corar tanto que parecia que ia explodir e as meninas darem leves risadinhas.
— Muito obrigada, eu também acho que já te vi – afirmou Hydra.
— Bem, Hydra, agora que nos conhecemos, acho que já posso considerar que ganhei uma nova amiga, certo? – Perguntou o rapaz sorrindo.
— Certo – disse Hydra, forçando um leve sorriso sem graça.
Pierre foi para o seu lugar na mesa rapidamente depois, as meninas pareciam loucas para fazer perguntas para Hydra, mas a mesma pediu que esperassem até o final do jantar, estava nervosa demais, com o coração acelerado demais para falar algo naquele momento.
As meninas seguiram depois do jantar em fila até o terceiro andar, onde em uma das alas do palácio, ficavam a sala de estudos e os quartos dos alunos da Lucttore.
A sala se abria magicamente para qualquer aluno da casa através de uma grande porta dupla de vidro temperado com uma decoração de um centauro que parecia tocar um instrumento de sopro. Lá dentro, uma decoração com cristais, quadros que se mexiam, poltrões vermelhos e brancos, estátuas, mesas, escrivaninhas e estantes com livros, adornavam a luxuosa sala, ali os alunos poderiam se reunir ao longo do dia, ficava no setor leste do palácio, do lado direito da sala, outra porta idêntica (porém menor) que a primeira levava para o corredor com os quartos femininos e do lado esquerdo para o masculino. Hydra decidiu se sentar em um dos sofás com as amigas antes de entrar para o quarto.
— Amiga, esse Pierre é tão lindo, você vai dar uma chance para ele? – Perguntou Gisele, sentada ao seu lado de virando de frente para ela.
— Não sei, não sei nem se ele quer algo comigo... – Disse Hydra sem graça, olhando o rapaz que conversava com alguns amigos e sorria para ela.
— Mas é obvio que quer – disse Gabrielle.
— Bom, se ele quiser mesmo, por que não? – Disse Hydra sorrindo encabulada enquanto as amigas davam pequenos gritinhos.
Pierre se despediu das meninas e especialmente de Hydra com um encantador olhar e beijando a sua mão antes de ir dormir. Hydra foi logo em seguida, não antes de sua capitã do time de quadribol Letice DiFiore fazer um enorme discurso com ela sobre o quanto ela precisava se dedicar ao time, no qual Hydra era goleira, naquele ano, seu quarto era o quinto do corredor feminino do lado direito, um dos quartos do terceiro ano, ali tinham quatro camas, cada uma adornada de vermelho e branco, além de uma escrivaninha e criados mudos, elas também tinham uma bonita vista dos jardins do palácio da janela.
Nos dias seguintes, não tinha nenhum momento em que Hydra não estivesse pensando ou conversando com Pierre, ele sempre era muito galanteador, às vezes lhe entregava uma rosa colhida do jardim, às vezes apenas ficava calado a ouvindo e prestando atenção em tudo que ela falava, era maravilhoso. Hydra nunca vira um rapaz tão bonito e tão gentil quanto Pierre.
Gisele e Gabrielle também pareciam encantadas com o rapaz, queriam que Hydra desse uma chance para ele, mas Desiré, ao contrário delas, desconfiava de cada uma de suas ações.
— O que foi? O que ele te fez afinal? Ele sempre é tão doce comigo, com todas nós na verdade... – Perguntou Hydra para a amiga durante uma aula de História da magia.
— Eu não sei, a Gisele gosta dele, a Gabrielle gosta dele, ele parece bonzinho demais, mas sei lá Hydra, tem alguma coisa errada com o Pierre, eu sinto, eu não sei te dizer o que é, mas só toma cuidado, okay? Não quero ver você se machucar com ele e nem com ninguém. — Disse Desiré de forma tão doce e preocupada que tocou profundamente o coração de Hydra.
— Você é uma boa amiga... – disse Hydra sorrindo. – Mas eu acho que o Pierre é um cara legal, ele nunca me pressionou nem nada, nem nos beijamos ainda, mas ele fala umas coisas bonitas para mim... – Disse Hydra sem graça.
— Só cuidado, okay Hydra? – Pediu Desiré.
— Sim, senhora – brincou a menina.
Durante o primeiro treino de quadribol do ano, Hydra, que agora era acompanhada de Desiré, que entrara no time como batedora, havia feito algumas defesas espetaculares, deixando Letice bem feliz.
— Muito bem Malfoy, está melhorando muito! – Disse a menina, enquanto Hydra descia de sua vassoura Nimbus 2000 em seu uniforme escarlate e branco.
— Ei, acho que você tem um admirador na arquibancada – disse Desiré e Hydra viu Pierre junto de alguns amigos.
— Vejo você depois? – Perguntou Hydra, enquanto ela seguia em direção a ele a amiga ia até o vestiário.
Os amigos de Pierre também saíram da arquibancada, deixando os dois sentados sozinhos.
— Você é boa, muito boa mesmo nisso – disse Pierre sorrindo -, eu já tinha visto ano passado, temos tudo para ganhar a taça das casas de quadribol esse ano.
— Tomara, acho que a Letice me mata se não ganharmos – disse Hydra sorrindo.
Pierre também sorriu e pegou em sua mão delicadamente, deixando Hydra nervosa, seu coração pareceu acelerar na hora.
— Venha, quero te levar em um lugar – disse ele.
Pierre a conduziu, ainda com as suas vestes de quadribol até um dos jardins externos, bem perto de uma das fontes preferidas de Hydra, aonde unicórnios de mármore jorravam água colorida de suas bocas, a lua estava cheia e as estrelas pareciam lotar o céu azul escuro naquela noite fresca de outono.
— Hydra, eu acho que já deu para perceber que eu gosto bastante de você, não deu? – Perguntou Pierre, distraindo Hydra que ainda olhava a lua e as estrelas.
— Sim, eu acho, eu também gosto de você – disse Hydra sorrindo.
Pierre chegou perto de Hydra, mas ela recuou de leve.
— O que houve? Você nunca...? Está com medo? – Perguntou ele, segurando gentilmente em seus cabelos.
— Sim, quer dizer, não, eu nunca beijei e eu estou com um pouco de medo sim – revelou Hydra, se sentindo agora mais vermelha do que nunca.
— E eu teria a honra de ser o primeiro? Prometo ser gentil e que não dói nada – disse ele de forma bem-humorada, fazendo Hydra sorrir um sorriso bobo e sem graça.
— Sim... Eu acho...
Pierre se aproximou de Hydra, ele levou a mão até a cintura da bruxinha e encostou seu rosto no dela, fazendo com que ela sentisse sua respiração e também que seus corpos ficassem grudados, o coração de Hydra batia tão rápido que ela tinha quase certeza de que ele podia sentir aquilo.
— Fecha os olhos – pediu ele e Hydra obedeceu.
Hydra sentiu sua boca na dele, no começo ela não sabia como agir então apenas seguiu o seu comando com a língua, era gostoso, era uma sensação nova e inesperada, Pierre apertada a sua cintura com firmeza e gentileza ao mesmo tempo enquanto a beijava e Hydra abraçava suas costas. Foi muito melhor do que ela jamais poderia imaginar e ela não tinha palavras para anunciar o quanto seu coração batia forte e o quanto ela não queria que aquele momento parasse de acontecer.
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