Pieces of Her
8 Já se perguntou se esse filho é mesmo seu?
Notas iniciais
– Descendo pra onde, meu filho? Não está em horário de serviço? – perguntou Kushina ao telefone, estranhando o que o filho dissera. – E quem é Hinata? – os olhos azuis se arregalaram e sua respiração parou enquanto ele engolia a seco. – Vamos! Me conte! – Droga! Como explicaria para sua Okaa-san? Como falaria o que tinha a contar? Ainda não estava preparado. – Estou esperando, Naruto! – Kushina estranhava, normalmente, o filho falava tanto quanto ela e respondia tudo tão rapidamente, não era a toa que quando crianças os pais diziam que ele sempre tinha resposta para tudo, mas agora ele parecia hesitar em responder as perguntas simples que ela o fizera.
– O-o-okaa-san? – Naruto gaguejou, surpreso. Por que Kami? Por que não olhara a tela do celular antes de atender? Como era burro!
– Sim, Naruto-kun. – respondeu, estava começando a ficar nervosa com o comportamento do filho. Ele ainda tinha dúvidas que era ela, por um acaso mais alguém o chamava de filho? – Vamos, me diga, está indo aonde? E quem é Hinata? – ouviu alguns gaguejos saírem pelo telefone e estranhou. Seu filho nunca escondera nada dela, por que isso agora? Já estaria a cidade grande o ensinando maus hábitos? Respirou fundo, apesar de esperar que isso acontecesse, torcia para que não fosse isso, afinal tivera tanta dedicação, ela e Minato, para que Naruto crescesse com sua base de bons costumes e ensinamentos.
Naruto suava frio e já podia sentir o cabelo, ainda grande demais, grudar-se em sua testa, as mãos tremiam de nervoso. Será que esse era o momento para contá-la? Agora? Ali? Olhou no relógio e suspirou aliviado, estava atrasado para encontrar-se com Hinata, e mesmo que só mais alguns minutos, os faria se atrasar para consulta que mostraria a saúde de seu filho, era a desculpa que precisava, não podia contar agora, ele sequer sabia como faria isso.
– Eu estou em horário de almoço e Hinata é uma conhecida. – a voz receosa, o medo que sua mãe, que o conhecia tão bem, percebesse qualquer diferença em sua voz, e notasse o fato dele estar, pela primeira vez, a escondendo algo. Bom, pelo menos, não dissera nenhuma mentira. Kushina tocou o queixo e inclinou as sobrancelhas, levemente, para baixo, se Naruto a visse saberia na hora que a duvida a consumia, se era para responder somente isso por que tanta hesitação? E que tom era aquele? Ele só o usava quando fazia alguma travessura.
– Humm... – o loiro gelou, droga! Sua mãe suspeitava de algo. Por que não sabia mentir? Poderia inventar uma história melhor, mas ai mesmo que ela perceberia na hora. Por favor, Kami, que ela não faça mais perguntas! Por favor, Kami! Ele implorava em pensamentos não saberia responder mais nada, não sem gritar a verdade pedindo perdão e temendo matar a, tão amada, mãe do coração. – Essa Hinata... – a ruiva suspeitava do porquê o filho agira daquele jeito. Um sorriso malicioso tomou conta de seu rosto. – É sua namorada? – os olhos azuis se arregalaram. Do que ela falava? Estava ficando louca? – É? – insistiu sorrindo, sabia que o filho em relacionamentos era como o pai, tímido, e hesitaria em falar sobre uma nova namorada, mesmo que soubesse como aquilo a deixaria feliz.
– O-o-okaa-san e-e-eu vou me a-a-trasar. – as portas do elevador abertas mostravam uma Hinata impaciente encostada ao carro o esperando, a morena não gostava de esperar e o loiro a mandou chegar cedo, devia seguir isso também. A ruiva gargalhou, ele gaguejou, então ela acertara em cheio.
– Vai logo, não se atrase em seu encontro, mas depois eu quero conhecê-la. – desligou o telefone, contente, saber que ele havia superado a ex lhe era revigorante. Shion fora tão rude ao terminar o longo relacionamento de tantos anos em uma mensagem de texto, ainda dizendo que Naruto era um crianção, que precisava amadurecer para que seus relacionamentos pudessem dar certo. Bufou, só por que ele tem uma família que o apóia e protege? Loira imbecil, perdera um bom futuro marido, mas ela sabia que Naruto podia e iria achar alguém melhor, bem, agora ela sabia que ele tinha mesmo encontrado.
– Você demorou! – Hinata bufava enquanto o loiro se aproximava com passos largos, odiava esperar ainda mais para ir a um médico que nem queria ir. Ele apenas sorriu envergonhado, o que poderia dizer? Atrasara-se mesmo e a deixou esperando mesmo tendo falado que não iria fazê-lo. Ela abriu a porta do carro e entrou, sentando-se no banco de trás. Naruto atravessou o carro, em silencio, percebera que a morena estava um tanto estressada por ficar esperá-lo, e olhou as duas portas que poderia abrir. Iria ele no banco passasgeiro, ao lado de Asuma, ou iria ao lado da morena no banco de trás? E se ela não quisesse sua companhia? Afinal, parecia nervosa! Mas, quem sabe, ela precisasse de sua companhia, era a primeira consulta de pré-natal que faria, deveria estar ansiosa. É! Sentaria ao lado da morena e seguraria sua mão se precisasse, não sabia como as mães sentiam-se naquela ocasião.
– Desculpe. – respondeu sentando-se a seu lado, ele sorria, sentia que devia ser bom com ela e cuidá-la. – Eu não queria me atrasar, mas tive que resolver algumas coisas e depois minha mãe ligou... – ela assentiu, não ligava para suas explicações, só queria ter dormido mais, sabia que quando acordasse aquela vertigem idiota a tomaria mais uma vez, como aconteceu e não conseguiria comer nada. Como estar grávida era ruim, bufou. – Você está bem? – ele via as expressões odiosas no, lindo, rosto feminino e não compreendia. Ela apenas assentiu e então ele se calou, ela não queria conversar e estava deixando aquilo mais que claro. Pegou o celular que guardara no bolso, depois de desligar seu telefonema, e o estendeu a Asuma, não o passara o endereço, pois sequer o gravara. Asuma pegou o celular o leu atentamente o nome da rua. – Pode nos levar até lá? – o mais velho assentiu, lembrava-se bem daquele endereço. Fora em direção a ele que perdera o revestimento original de seu carro com a bolsa da passageira que estourou e então depois daquilo, fora muitas vezes lá, para buscar sua mulher que começara a trabalhar naquela recepção. – Obrigada! – disse, encostando-se e olhando a morena. Ela parecia distante, no que será que pensava? Estaria ela empolgada?
Hinata sentia os olhos azuis sobre seu rosto, mas inclinava, propositalmente, cada vez mais o corpo a janela, desviando deles. Pela primeira vez, desde que entrara no ensino médio, preferia estar na escola, respirou fundo. Ela pensava que não queria ter que ficar indo a médicos só por causa de um bebê que ela sequer queria, mas sabia que, no fundo, estava era nervosa. Não gostava de médicos desde pequena, quando perdeu os avós paternos, droga, não era por isso! Pensou, só não queria que perder o dia cuidando da saúde daquele bebê, ela tentava se convencer! Precisava de uma bebida! Bufou sentindo o carro parar em frente a clinica devidamente enfeitada para receber futuras mães e crianças barulhentas. Naruto sorriu descendo do carro, aquele lugar era tão bonitinho, bichinhos estavam presos a parede, tanto dentro como fora, as cores alegres da parede, vermelho e azul, o alegrava e lembrava infância.
Pediu gentilmente para que Asuma esperasse, torcia para não demorar, afinal tinha que voltar ao trabalho e ao lado de Hinata abriu a porta amarela da clinica que mais parecia uma loja de brinquedos ou, talvez, de doces. A morena arregalou os olhos ao passar pela porta e ver um grupo de crianças correndo e um choro tomar o ambiente. Oh Kami, seria aquilo o inferno? Olhou para o loiro suplicante, poderiam voltar outro dia que estivesse sem crianças! E por que, raios, um lugar de médico pra grávidas tinha tanto criança? Já Naruto sorria, as crianças corriam com vigor e ele sentiu vontade de correr junto a elas, não por ser criança, mas por se imaginar dali a uns anos brincando assim com seu filho ou filha. Realmente, já se sentia um pai coruja e esperava que isso fosse bom.
Olhou para a Hyuuga que parecia assustada e paralisada, estranhou, por quê? Aquele lugar era incrível, tocou sua mão com gentileza e sentiu um tanto de resistência ao puxá-la para a recepção onde uma moça sorridente os esperava.
– A obstetrícia é pra lá. – esticou a mão para o lado direito do corredor, o oposto onde estavam as crianças. Ele se assustou, não falara nada. Olhou para a senhora confuso, como ela sabia o que ele ia perguntar? A moça de olhos vermelhos sorriu. – Aqui é apenas obstetrícia e pediatria e como não estão com crianças é fácil adivinhar pra qual corredor indicá-los. – explicou. Naruto assentiu sorrindo, fazia sentido. – Vocês vão esperar no corredor a direta o médico chamar pelo nome de vocês e qualquer duvida é só me procurar, meu nome é Kurenai. – ela parecia ser legal e sua fala era tão gentil que até da morena ela conseguiu um sorriso.
– Obrigado Kurenai-chan. – respondeu Naruto, se a médica fosse tão simpática como a recepcionista Ino teria acertado em cheio, quem sabia melhorasse um pouco o humor da morena, não é mesmo? Continuou a segurando pela mão, enquanto guiavam pelo corredor indicado. Mas uma vez Hinata se sentia incomoda, as mulheres sentadas na cadeiras, da sala de espera, algumas com barrigas enormes, outras nem tanto e poucas como ela, sem barriga alguma, mas todas sorridentes repousando a mão sobre o ventre.
Naruto soltou a fina e delicada mão e indicou um lugar para que ela se sentasse iria recusar mas preferiu ficar calada, vai que alguma das grávidas começasse a falar que ficar muito tempo em pé poderia fazer mau ao bebê e blábláblá. Apesar de não fazer idéia se ficar em pé fazia mesmo mau ou não a um feto, não iria arriscar ouvir sermão de tantas grávidas ao mesmo tempo. O loiro ia se sentar, ao lado da morena, mas viu outra paciente chegar, a barriga grande indicava que já estava com numerosos meses de gestação, e o lugar que ele pegaria era o ultimo, então se levantou e com o rosto gentil e animado ofereceu o lugar para ela. A moça gentil reclinou-se levemente agradecendo e sentou-se ao lado de Hinata, que inconscientemente encarava a enorme barriga. Como podia ser tão grande? A mulher sentia os olhares e, também, os reparava, mas não se importava, deslizou a mão sobre a barriga, onde seu filho crescia totalmente protegido e sorriu a que lhe encarava.
– Você também vai chegar lá. – disse Shizuka, a grávida, com boas intenções, fazendo os olhos da morena se arregalarem. Ela ficaria daquele tamanho? Kami! Ficaria horrível! Shizuka riu vendo as expressões da outra, primeiros meses de gravidez, sabia como eram assustadores. Olhou para Naruto que sorria e depois para a morena de novo. – Acalme-se querida! Tenho certeza que seu marido vai continuar te achando linda! – acariciou mais a barriga e sentiu o filho chutar, como queria seu marido ali, pena que ele tivera que ficar para resolver coisas de sua boate.
Pela primeira vez, Naruto e Hinata tiveram a mesma reação, eles tossiram e engasgaram com a própria saliva. Ele seu marido? Tossiu ainda mais, do que aquela moça falava? Hinata iria responder, gritar que nunca seria casada, muito menos com aquele loiro maluco, mas para a sorte de todas as mulheres que repousavam nas cadeiras ali, a porta do consultório se abriu e um nome surgiu:
– Uzumaki Naruto e Hinata.
– Somos nós! – Naruto levantou a mão, como se respondesse a uma chamada, mas no fundo agradecia! Via o rosto de Hinata ficar vermelho e sabia que não era de vergonha, ela responderia algo possivelmente impróprio para um ambiente onde tinha crianças. Hinata bufou e acenou por educação para a moça ao seu lado antes de entrar na sala.
– Boa tarde! – a medica os recebeu sorridente, sabia que era a primeira consulta e estava acostumada com casais empolgados nelas, como o loiro que até levantara a mão para dizer que estava ali. – Podem se sentar. – apontou para as confortáveis cadeiras em frente a sua mesa, vendo-os se sentarem. – E então, primeira gravidez? – perguntou calmamente, e Hinata apenas assentiu. Shizune deixou as sobrancelhas se ajustarem, que estranho, não via empolgação no rosto feminino como imaginava, como até mesmo via no loiro ao seu lado. – Contem-me já fez o exame? – Hinata assentiu. – E os sintomas?
– Enjoos matinais, com algumas comidas também, vertigem. – disse Hinata sem muita vontade, queria ir embora, mas parecia que as perguntas só estavam começando e a médica anotava cada palavra que saia de sua boca.
– Pelo que me diz, você está entrando na quinta semana, inicio do segundo mês. – disse a médica e Naruto assentiu, lembrava-se vagamente de que fora a esse tempo mesmo que eles estiveram juntos. Muitas perguntas foram feitas e as respostas eram cada vez menos explicativas, a Hyuuga já não agüentava mais falar sobre aquilo. Até alguns exames foram feitos, como o de pressão, junto com a pesagem da morena. – Que tal a primeira ultra hoje? Vê como está o desenvolvimento desse bebezinho ai?
– Claro! – Hinata queria e iria negar, mas Naruto fora mais rápido. A médica sorridente se levantou e com as mãos indicou a parte mais reservada de sua sala. – O paizinho pode esperar aqui e mãezinha é só se trocar ali... – apontou para a porta fechada ao lado. – Tire toda a roupa e coloque o avental que está pendurado. – Hinata assentiu e entrou trancando a porta em seguida. Naruto tinha os olhos arregalados, pra que ela tiraria a roupa? Não era só uma ultra? Sentia as bochechas vermelhas.
– P-por que tem que tirar a roupa? – ele perguntou envergonhado.
– É uma gravidez muito recente então optamos pela ultrasom endovaginal. – seus olhos arregalaram-se, ele não podia ficar na sala. A morena ficaria aberta, exposta, ele não poderia ver isso, não dava para ficar na sala. A porta do banheiro se abriu e a morena voltou com o avental descartável.
– Eu vou esperar lá fora. – a frase saiu apressada, seus olhos tentavam se desviar da morena, podia ver o contorno mais rosado do bico de seu seio e tudo que quisesse, era só observar com atenção, mas não deveria olhá-la dessa forma.
– Pode ficar. – ele era o único interessada naquela criança ali, bom, talvez a medica também estivesse né?! E só estava ali por ele e por sua insistência em deixá-la fazer o aborto, então por que ele não veria o exame? Por que ela estava nua? Ele já a tinha visto assim mesmo. Deitou-se na cama como a médica indicou e viu o loiro ao seu lado ficar completamente envergonhado quando suas pernas foram suspensas e prenderam-se aos apoios. Ele desviou os olhos, para baixo, para os lados e até pensou em virar-se, mas não pode quando a imagem aparecer na tela.
Hinata fechou os olhos, sentindo um desconforto quando o aparelho que a médica segurava firmemente com as mãos adentrou seu corpo. Não era como estar numa relação sexual, aquilo era gelado e a incomodava, remexeu-se um pouco tomando uma bronca da médica que a introduzia lentamente.
– Ali está! – disse circulando o local da tela onde aparecia uma pequena parte mais clara, para a Hyuuga parecia uma bolsa de ar e para Naruto, bom, ele não sabia explicar, a imagem não era tão nítida no inicio, mas depois melhorou e ele sentiu seu coração se derreter, aquela pequena bolha dentro da morena era seu filho. Olhava fixamente para a imagem, sequer piscava os olhos. Ouvia um barulho baixo tomar a sala, parecia o bater de asas de uma borboleta, talvez, mas por que estava ali dentro?
– Que barulho é esse? – perguntou. Não tirou os olhos da tela nem mesmo quando falou, tudo bem sabia que era falta de educação falar com alguém sem olhá-la, mas não dava, mesmo sem conseguir identificar nada exceto o pequeno pulsar alucinado na imagem, aquela era a primeira vez que via seu bebê e não conseguia descrever a sensação.
– É o coraçãozinho! – Shizune respondeu, eles eram uns sortudos, podiam ver na tela o coração minúsculo que batia freneticamente o aquele baixo som era no mesmo ritmo, fraco, rápido e sequer parecia um coração, por enquanto, mas que em breve seria forte. E alto.
– C-coração? – Shizune assentiu. A voz era chorosa, não de tristeza, mas de alegria, conseguira ouvir o coração do bebê, mesmo tão pequeno e isso era mágico, tão mágico que enchera os olhos de lagrimas. Por que as emoções eram tão intensas assim? Seu coração parecia querer pular de seu peito e ele sentia que poderia dar a vida para que aquele som de asas batendo continuassem, para que se tornasse mais forte e seu filho continuasse saudável. Nunca se imaginou sentindo isso e, talvez, fosse loucura, mas era a verdade.
Hinata o olhava, as sobrancelhas curvadas, não entendia as reações do loiro, que estavam estampadas em seu rosto, era um som quase inaudível, não dava para ouvir nada direito e nem parecia um coração. Sem falar que na tela poderia muito bem confundir aquilo com gases, talvez. Não conseguia entender porque a médica a encarava sorrindo como louca e os olhos azuis brilhavam pelas lágrimas que se acumulavam neles, ela só queria ir embora. Remexeu-se novamente quando sentiu o objeto estranho ser retirado, desta vez aliviada que sensação estranha era aquele exame. A imagem sumiu e Naruto, pela primeira vez desde que o exame começara, piscou os olhos, sentindo uma lagrima emocionada e solitário escorrer seu rosto.
– Pode se vestir. – A morena levantou e entrou no banheiro, Naruto sorria, e sentia os olhos encherem-se ainda mais. Como Kami era perfeito, pensar que ele mesmo já fora tão pequeno assim e pensar, também, que nunca se sentira tão ansioso. Queria que os meses passassem logo, queria poder segurar, cuidar, acariciar seu filho logo e, um dia, dizer-lhe que o viu quando ainda era apenas um borrão numa tela de computador, mas que desde aquele momento o amou incondicionalmente. – Está tudo bem para uma gravidez no inicio, mas eu vou passar uns exames pra ela. – ele conseguia ouvir a médica falando e até assentia, mas não ligava muito, pensava que falaria com seus pais logo, não esperaria mais nada, estava pronto para aquilo. Mesmo como acidente, sentia que seu bebê seria a melhor coisa da sua vida, a melhor coisa que já fizera e não podia esconder isso dos pais.
Depois de devidamente vestida ela pegou os pedidos dos exames e eles saíram. Sentia vontade de pedir para Naruto parar de encará-la daquela forma, olhava para sua barriga como se alguém fosse roubá-la de mim e ele tivesse que proteger, aquilo era estranho, mas, pelo menos, já acabara!
...
– Sasuke-kun... – o moreno arregalou os olhos. Ela usara o ‘kun’, sorriu. Ou queria alguma coisa dele, ou queria o mesmo que ele que era sexo, virou para trás, completamente malicioso. – Sabe alguma coisa sobre o Naruto e uma tal de Hinata? – fechou os olhos e deixou o sorriso morrer. Jura? Ele pensando que ela o queria e ela pergunta do Naruto? Que broxante!
– Sakura, não faça isso! – reclamou. Ela riu, um bico que considerava fofo tomou o rosto do moreno, por quem era completamente apaixonada, apesar de não deixá-lo saber disso. – Eu já ia te chamar pra ir pro armário da limpeza. – ela corou. Nunca devia ter transado com ele naquele bendito armário, era constrangedor lembrar daquilo e ele fazia questão de lembrá-la sempre. – E eu não faço idéia de quem é Hinata. – as mãos femininas entraram na blusa social dele e as unhas tocaram seu peito, deixando-o excitado. O que ela estava fazendo? Se perguntou quando ela umedeceu com a língua os próprios lábios e aproximou o corpo do dele cravando as unhas em sua pele, fazendo-o urrar.
– Se descobrir alguma coisa, eu topo na sala de cópias. – os olhos ônix se arregalaram. Kami, aquilo era serio? Há séculos tentava convencê-la a fazer sexo na sala da copiadora, mas ela sempre dizia que pessoas demais entravam ali para permitir isso. Não entendia que pra ele quanto mais riscos de alguém abrir a porta mais ele ficaria excitado. – Estarei esperando. – o deu um leve selinho e se afastou, sabia que ele era o mais próximo do loiro em toda a revista e podia descobrir algo e também sabia como arrancar qualquer coisa dele, o dominava pelo desejo, adorava isso e adoraria transar entre as copiadoras da revista, também. Ahhh, com certeza, ele ia descobrir alguma coisa.
...
Voltava para o trabalho, segurando a alça da bolsa contra o corpo, não queria voltar ao trabalho queria ficar com Hinata, ou melhor, com seu filho, mas tinha que trabalhar. Pensava coisas ridículas, como se apertasse o ouvido contra a barriga da morena conseguiria ouvir aquele som outra vez. Sabia que não, mas queria tentar, iria valer a pena.
Mesmo não podendo ficar em casa e estando no trabalho, estava feliz, muito feliz, era tão indescritível, sabe, a sua felicidade. Não pensava em tão cedo ser pai, mas agora o que mais queria era poder segurar seu filho pela primeira vez e olhar em seus olhos, que ele se perguntava se seriam azuis, como os dele, ou perolados, como os da mãe. Sorriu.
– Que sorriso besta é esse? – perguntou Sasuke. Naruto piscou os olhos sendo arrancado de seus pensamentos sobre o bebê, estava de volta a realidade, percebendo que o elevador já abrira as portas no andar de seu escritório.
– Eu vou ser pai. – respondeu ao amigo, deixando-o de queixo caído. Do que o loiro falava? Ela estava louco? As portas automáticas começaram a se fechar e as mãos ásperas do moreno as seguraram. Será que era daquilo que Sakura falara e o pedira pra "investigar"? – Saia daí agora e me explica essa história. – a frase era mandona, mas a voz era surpresa, quem sabe, até assustada. Jura? Que o mesmo idiota que ainda não tinha percebido que a garçonete queria sair com ele, tinha levado uma mulher pra cama? Ele precisava de detalhes. Naruto assentiu sorrindo e saiu do elevador, sendo seguido até sua sala. – É sério! – disse. – Eu vou ser pai! – falava aquilo com gosto, não conseguia esconder o amor que já tinha por ser filho nas palavras.
– E quem é a mãe? – o moreno perguntou, sentando-se ao ouvir a história do loiro sobre a morena da boate e a forma como agora ela estava morando em seu apartamento. Os olhos piscavam sem parar enquanto ele tentava absorver toda a história. Mas e se...? Será que o loiro não pensou naquela hipótese? O amigo era mais lerdo do que ele imaginava. – Naruto, já se perguntou se esse filho é mesmo seu? Sabe, você a conheceu numa boate, bêbada! Quem te garante que... – ele não era tão ingênuo quanto o loiro e conhecia muito bem as pessoas da cidade. Não dava para simplesmente acreditar nessa tal Hinata, talvez, fosse só uma golpista.
Continua...
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