Pieces of Her
16 Eu quero voltar a ir pra escola.
Notas iniciais
Quinta-feira (24 de Setembro)
Os olhos perolados encaravam o teto enquanto a morena soltava seu décimo quinto suspiro querendo encontrar em si coragem para sair da cama. Fechou os olhos e respirou fundo mais uma vez, definitivamente, não tinha vontade nenhuma de sair da cama. Sabia que estava frio, bom, não para si, afinal estava envolta por uma coberta enorme e fofa, mas o ar apitando em 16º provava que quando a levantasse, congelaria. Também fora idiota ao deixar o controle tão longe da cabeceira.
Um som irritante e estridente tomou o quarto fazendo o rosto sonolento virar automaticamente para o lado, em direção ao despertador. Respirou fundo, frustrada e tirou o braço da coberta, sentindo os pelos se arrepiarem. Estava mais frio do que ela imaginara. Tocou o despertador, desligando-o e esbravejou mentalmente mais uma vez por ter largado o controle do ar tão longe.
É, quem sabe se saísse enrolada na coberta não sentisse tanto frio. Deveria funcionar! Escorregou o corpo para o lado deixando os pés tocarem ao chão e Kami, sentia o corpo tremer, puxou a coberta fofa enrolando no corpo levantando-se, sentindo a coberta cobri-lhe os pés. Só as palmas das mãos e a sola dos pés não estavam na coberta e conseguia ainda assim sentir frio.
Pisando com as pontas dos pés conseguiu chegar até o ar ligando-o pelo botão, era mais perto do que onde deixara o controle, bom, pra ser sincera não entendia nem o porquê o havia ligado, durante toda a semana o tempo ficara uma merda. Saiu do quarto olhando para os dois lados do corredor, sabia que não tinha ninguém em casa, o loiro saia mega cedo para o trabalho.
Caminhou pelo corredor, visava a cozinha, sentia o estomago roncar, tudo bem, ela sabia que qualquer coisa que comesse agora iria enjoá-la, droga de gravidez, mas não podia evitar comer, tinha fome, muita fome. Soltou a coberta em cima da mesa, por mais estranho que parecesse ali estava quente e foi a tão amada geladeira. Ovos ou arroz com frango? Bom, ovos. Era bem mais rápido!
Preparou a frigideira com um pouco de azeite e separou dois ovos dos tantos que tinham na geladeira, sobre o balcão. A colher de pau fora pega na gaveta e o sal estava ao alcance, mas não queria comer ovos mexidos, queria omelete. Sorriu, sim omelete. Quebrou os dois ovos num prato separado e os bateu com um garfo qualquer que estava jogado sobre a pia, um pouco do queijo ralado que tinha no armário e cebolas picadas bem pequenas, iria ficar uma delicia.
Aqueceu a frigideira e jogou sua mistura dentro, começava a dourar, estava bonito, mas o cheiro também começava a sair e o estomago embrulhado estava começando a incomodar. Engoliu a saliva para tentar impedir a bile, mas não foi o suficiente. Desligou o fogo, puxando a coberta de cima da mesa, correu para o quarto, direto ao banheiro, como acordar era chato. Abaixou-se em frente ao vaso e livrou-se do enjôo matinal, escovando os dentes em seguida. Agora iria comer, ainda não entendia como podia sentir fome e enjôo ao mesmo tempo. Abriu a gaveta da cômoda antes de sair pegando seu único maço de cigarros, respirou fundo, ela ouvira o que Kushina falou, mas era difícil controlar. Um por dia não faria mal, não é?! Era só unzinho.
Prendeu no elástico do short e ajeitou a coberta sobre a cama e saiu, ligando o fogo de novo antes de virar o omelete para dourar o outro lado, 5 minutos e então estava pronto. Virou da frigideira para o prato e pegou o mesmo garfo que usara para mexer, jogando um pouco de água sobre ele, para poder comer. Sentou à mesa e partiu o omelete o comendo, se não tivesse com tanta fome colocaria lingüiça, também, mas demoraria mais para fritar. Comeu lentamente olhando para a porta da varanda aberta, era bom perceber que o céu estava claro e o sol aparecia.
Terminou de comer e afastou o prato acendendo o cigarro, nessa semana que voltara de Konoha, sentia-se mau fumando, não de saúde, mas sentia-se errada, culpada, não gostava, mas era dependente daquilo, respirou fundo, era estranho perceber que era uma viciada, bom, pelo menos estava diminuindo.
– Você tem que parar. – sussurrou para si mesmo, mas tragou o cigarro preso entre os dedos, sentindo a fumaça sair pelo nariz.
...
Terminava de editar o conteúdo total da edição mensal da Senju, sorridente, estava ótima e, mesmo que sutilmente, ele e o ruivo já começavam a implantar as mudanças que queriam para a revista. Ele fora mesmo uma boa contratação, afinal tinham pensamentos iguais e por isso o trabalho tornava-se duas vezes mais rápido. Terminou os últimos detalhes e salvou o projeto em seu computador, ainda estava dentro do prazo, só faltava a capa, todas as capas mensais eram originais de Sai e, por isso, acabava por demorar, mas o loiro entendia. As poucas vezes que fora até o andar deles soube que não era fácil fazer o que faziam. Ouviu fracas batidas na porta e levantou os olhos do computador, quem seria?! Sorriu ao se deparar com Gaara sorridente. É, devia saber que era ele, era o único que Ino não telefonaria para informar, afinal.
Gaara o olhava sorridente, no tablet em suas mãos tinha a capa da revista que pelo jeito o loiro ainda não tinha visto em seu e-mail, estava perfeita, combinava perfeitamente com a proposta deles.
– O que foi? – perguntou o loiro, deixando-se sorrir mesmo saber o que ele tinha a falar, pela sua expressão só podia ser algo bom.
– Já viu a capa? – devolvera a pergunta rindo ao ver os olhos azuis se arregalarem.
– Já mandaram? – Kami, estava tão concentrado na edição que não olhara o e-mail. Bateu impaciente com os dedos no mouse enquanto o computador lento salvara o projeto, queria abrir a capa, pela cara do ruivo, deveria estar linda. – Droga de computador lento! – reclamou. Gaara riu, recebendo os olhares frustrado do chefe, mas adentrou a sala estendendo-lhe o tablet com a imagem aberta para que ele pudesse ver. Com as sobrancelhas curvadas e a expressão confusa o Uzumaki pegou o objeto estendido para si, mas quando encontrou a tela, sorriu. Era a capa então?! Estava linda, no fundo tinha a foto de uma das poucas praças dessa cidade que ainda era formada de paisagem natural e a partir do meio a foto acabava em degrade e o desenho feito a mão completava aquela paisagem. Estava convidativo, ele, com toda certeza, se passasse por aquela revista em uma banca, compraria.
– Não está linda? – perguntou sentando-se em frente a mesa do outro. Naruto deixou o sorriso tomar conta de seus lábios e assentiu, com certeza, estava linda. – Acho que já podemos mandar para as gráficas, está perfeita.
– Sim, podemos. – respondeu, faltavam 7 dias para o prazo e além de estar tudo pronto, estava perfeita. – Mande os arquivos para os diretores, tá bem? Tenho certeza que eles vão gostar. – assentiu se levantando, mandaria imediatamente, antes de sair para o almoço com a irmã.
Viu o companheiro de serviço sair da sala e conseguiu, finalmente, acessar o e-mail. Que coisa! Falaria sobre um novo computador ou numa formatação, quando assumira o cargo não estava assim, quem sabe fosse vírus, não? Deu de ombros, não entendia muito sobre computadores. Olhou para o relógio no canto da tela e arregalou os olhos, já era seu horário de almoço e logo teria que ir para casa buscar a morena. Droga, droga! Esquecera-se do tempo, tinha que almoçar correndo.
Levantou, puxando a bolsa, anteriormente em cima da mesa, para seu corpo e guardou o casaco sobre a cadeira dentro da mesma, sabia que agora estava quente lá fora, podia notar o sol entrando pelas frestas da janela, mas gostava disso, a semana fora tão fria e chuvosa, já passara da hora do sol aparecer mais uma vez. O clima assim o animava, não sabia explicar porque, talvez combinasse mais com seu humor. E, novamente, estava contente, bom, sua vida ainda estava uma bagunça, mas depois da volta de sua cidade natal, não discutira mais com a morena, ela já não era tão insuportável, mesmo que por mais que não visse as vezes ainda conseguisse notar nela o cheiro forte do cigarro. Nem tudo era perfeito, né?! Sempre que notava falava que não era bom, o quanto fazia mal e tinha o prazer de lembrá-la de que aquilo faria mal ao pequeno bebe que carregava, para que ela parasse de uma vez, mas, no fundo, estava contente só por saber que seu consumo diminuíra drasticamente.
Sacudiu a cabeça, não tinha tempo e se continuasse nessa linha de pensamentos, nunca, nem mesmo com Asuma, conseguiria chegar em casa a tempo da consulta de buscar a morena. Prendeu a bolsa nos ombros e virou o corpo para a saída, tomando um pequeno susto ao perceber que não estava sozinho.
– Por que não falou nada? – perguntou ao amigo, a mão no coração, podendo sentir seus batimentos, por sorte controlara o grito que queria romper sua garganta, quando viu uma sombra parada atrás de si, seria encarnado eternamente por algo como aquilo. Sasuke riu da reação do outro, sem disfarçar, mesmo sabendo que agora o amigo deveria o estar olhando veio. Bem feito, afinal, ninguém o mandou ficar viajando bem no escritório. O chamara três vezes, mas fora todas elas ignorado com sucesso. – Quase me mata. – Naruto respirava fundo, ainda com a mão apoiada sobre o peito, que começava a acalmar-se.
– Eu chamei, você não ouviu. – disse. – Vamos almoçar? – perguntou, de novo, deixando o loiro surpreso, ele sempre sumia no horário de almoço nos últimos dias. Arqueou as sobrancelhas, sabia bem com quem ele passava então por que não hoje? – Ela já foi almoçar com a Ino, não me avisou. – ele vira a pergunta implícita do amigo e respondera, sentia-se estranhamente a vontade para conversar com Naruto sobre qualquer coisa. – Acho que ela está me evitando, de novo. – Naruto olhou para o relógio, bom, iria mesmo ir ao restaurante com ele, daria tempo.
– Quer conversar? – o moreno assentiu. Normalmente, não falaria sobre isso com ninguém, mas como dissera antes, com o loiro sabia que podia.
Naruto terminou de fechar as coisas e ajeitar sua sala, todos sabiam que ele não voltaria para o trabalho hoje e então deixou o prédio ao lado do amigo, ouvindo atentamente suas lamentações.
...
– Por que me arrastou até aqui? – Ino olhava o cardápio, bom, estava contente de terem ido até o restaurante da esquina, normalmente, comia na lanchonete em frente a revista e a cada dia o lanche lá tornava-se pior, já onde estavam apesar de ser mais longe e mais caro a comida era uma delicia e hoje seria por conta da rosada.
– Queria conversar e, bom, sair antes do Sasuke aparecer pra me chamar pro almoço. – confessou, não tinha confessado nem para si antes que queria fugir dele hoje, mas se ia morrer na grana do almoço para a loira, esse era o motivo.
– De novo? – a loira revirou os olhos, quando o moreno apareceu no apartamento delas para buscá-la achou que essa fase deles tinha acabado. A rosada assentiu, desde o dia da boate, bom, o dia em que eles iriam pra boate, mas não chegaram lá, eles almoçavam juntos todos os dias, conversavam sobre inúmeras coisas e ele era uma companhia melhor do que ela imaginava, bom, sabia que eles tinham química na cama e agora sabia, também, que tinham química para o resto. Bufou, estava mais apaixonada do que nunca. Ino analisava as expressões da amiga e o brilho em seus olhos enquanto pensava no moreno. – Por que não para com isso? – Sakura a olhou, confusa, não entendera do que ela estava falando. – Está mais do que na cara que você gosta dele e muito, então porque não para de fazer a difícil e fica com ele de uma vez? – a rosada engoliu a seco. – Responde. – abaixou a cabeça e respirou fundo, nervosa.
– Bom...
– O que desejam? – levantou os olhos e encarou a garçonete junto a Ino, bem, no fundo, agradecia pela interrupção.
– Eu quero arroz com frango. – disse a loira, imediatamente. Sakura mordeu os lábios, não tinha pensado em nada para comer.
– Quero o mesmo. – disse sorrindo para a doce atendente, que sorria apesar de tristonha por Naruto não estar ali. Estava tão obvio o interesse dela. Ayame assentiu saindo, se perguntava se o loiro apareceria por ali hoje.
– Então, Saky? – Ino insistiu na pergunta quando depois de algum tempo o silencio se instalou na mesa. Sakura respirou fundo, devia imaginar que a amiga não aceitaria ficar sem resposta.
– Você sabe a fama do Sasuke. – disse simplesmente e a Yamanaka bufou em resposta. Sim, ela conhecia bem a fama do moreno, afinal trabalhavam juntos há muito tempo. E sim, era verdade que ele nunca levara uma mulher a serio, saia com varias, usava varias e quando estava satisfeito a deixava, não ele não enganava ninguém, deixava claro que as coisas eram assim e somente as que não se importavam compunham a lista do Uchiha, mas nunca ele investira tanto tempo em alguém que não fazia suas vontades, nunca ficara tanto tempo interessado em uma mulher só e até seu irmão mais velho já dissera aquilo a rosada.
– Lembra o que Itachi te disse? – engoliu a seco, bom, lembrava-se sim. Ele dissera que nunca viu o irmão tão mudado por alguém e tão disposto a ficar com uma mulher. Ela assentiu. – Então por que ainda tem tanto medo?
– Se ele notar que eu estou totalmente entregue, pode perder o interesse. – disse, como isso era complicado! Por que tinha que se apaixonar justo por aquele cretino? Talvez porque ele fosse lindo e totalmente sexy.
– Se não arriscar, Saky, nunca vai saber! – mordeu os lábios, a amiga tinha razão. – E já está na hora de arriscar! Vai fundo! – respirou fundo.
– Você não é tão inútil quando eu pensava porca. – respondeu, vendo a expressão zangada em resposta, mas que logo fora suavizada pelo prato que chegava.
– Só não vou responder, porque você está pagando o almoço, testa de marquise. – a rosada riu, não sabia o que seria dela sem os conselhos da loira.
As duas pegaram os pratos, e ajeitaram os talheres para comer, mas antes que pudessem o sininho da porta soou, despertando o interesse de ambas. Ao ver o moreno e loiro atravessarem a linha de entrada do restaurante a loiro somente voltou-se para sua comida, tinha fome e por mais que Naruto não voltasse ao escritório teria trabalho, mas Sakura, essa sorriu ternamente para o moreno que sentiu o coração aliviado ao ver seu sorriso. Faria o que Ino disse, estava na hora de ficarem juntos pra valer e descobrir onde aquilo iria dar.
...
Saiu do banho enrolada na toalha, sentia que estava atrasada, quando saiu do banheiro e os olhos encontraram o relógio na parede teve certeza que estava atrasada. Droga, deveria ter acordado mais cedo, o loiro era pontual, normalmente, e tinha certeza que falaria se ela demorasse muito. Abriu a cômoda e conferiu se o sol ainda estava visível lá fora e, bom, estava. Pegou um short claro que levara e sabia que poderia colocar com qualquer uma das poucas camisas que tinha ali, tirou a calça jeans e a primeira que apareceu foi uma amarela clarinha que ela gostava bastante. Uma sapatilha cor de pele e uma pequena bolsa para poder levar os exames.
Fora até o guarda-roupa, em frente ao espelho, e deixou a toalha escorregar por seu corpo, iria se vestir, mas acabara por notar algumas mudanças em seu corpo, eram sutis, mas estavam ali. Tocou os seios com as mãos e estavam sensíveis e maiores? Bom, pareciam um pouco maiores sim, inchados talvez. Desceu a mão pela barriga, sentindo-a lisinha até a parte de baixo do ventre que com os dedos podia sentir a pequena, quase imperceptível, ondulação. Ai Kami, logo estaria enorme. Pressionou os dedos no ventre e respirou fundo, não sabia o que sentir, mas tinha quase certeza que não era algo ruim.
Sacudiu a cabeça, devia estar louca! Pegou as roupas intimas, colocando-as e teve certeza que os seios estavam maiores quando o sutiã mais confortável que tinha estava a incomodando, as vestiu e colocou a roupa. Virou-se de lado no espelho e prendeu a blusa na barra do short. É, por enquanto ainda podia usar assim, não dava para ver que estava grávida. Pegou a bolsa e prendeu os olhos cabelos em um coque, não o pentearia agora, até porque podia ouvir o celular tocando sobre o sofá, onde o esquecera. Devia ser o loiro, puxou a bolsa e correu para a sala pegando o celular no caminho, vira o nome do loiro brilhando na tela, mas não atenderia, iria ir encontrar-se com ele lá embaixo.
Pegou o elevador, uma das poucas vezes que estava vazio e apertou o térreo, o celular continuava a tocar, droga, que homem insistente. Olhou para o celular e o atendeu.
– Estou descendo. – desligou. Sequer ouvira sua voz, mas assim ele saberia que não precisava ficar enchendo-a ligando o tempo inteiro. Guardou o celular na pequena bolsa que levava e a porta se abriu. Saiu do elevador deixando se esquivando das pessoas que queriam entrar e ao sair do hall pode ver o loiro encostado no taxi de Asuma a esperando. – Não precisa ligar 30 vezes. – reclamou, quando ele abriu a porta para ela.
Naruto sorriu sem graça seguindo-a para dentro do carro, ele acabara se atrasando no almoço com os amigos então não podia esperar muito para que descesse e acabou mesmo exagerando na hora de ligar. Coçou a nuca envergonhado, vendo-a bufar.
– Desculpe. – disse sincero e a morena deu de ombros. Estava tudo bem para ela, achava que estava começando a se acostumar com o jeito exagerado do loiro. – Estamos atrasados.
– Desculpe, também. – ela falou. – Também me atrasei. – ele negou com a cabeça, não tinha problema, ele que deveria ter chego na hora. Naruto estava feliz, não sentia nela o cheiro de cigarro, isso era bom.
Ambos olhavam pela janela de seu lado, Hinata não entendia bem a necessidade que Naruto tinha de sempre andar de taxi, o clima estava perfeito para andar, sei lá, talvez ela tivesse essa vontade, pois estava cansada de ficar só dentro daquele apartamento. Tudo bem, era lindo, enorme e confortável, mas aquelas paredes já tinham a enjoado, nunca fora de ficar muito tempo dentro de casa. Naruto sorriu ao ver os muros coloridos da clinica, olhara no relógio de pulso no mesmo instante e estavam bem na hora.
Ele abriu a porta pagou Asuma, deixando-o livre para fazer outras corridas, então entraram juntos. A morena suspirava, Kami, a primeira vez que fora ali sentira-se tão incomodada com as cores e agora gostava, muito melhor do que as cores opacas e mortas da clinica de aborto.
– Boa tarde. – recebeu-os Kurenai, aquele era o loiro que seu marido falara, sorriu. Hinata sorriu de volta e Naruto a cumprimentou, esperando, mais uma vez, ela indicar o caminho que era o mesmo da outra vez.
Desta vez o lugar tava vazio, sem criança correndo de um lado para o outro, coisa que deixou o loiro decepcionado, mas a sala da obstetra estava cheia, mas não das mesmas grávidas da outra vez, mulheres diferentes. Caminharam até o conjunto de cadeiras, mas as portas se abriram e o nome do loiro soou, bem, pelo menos, seria rápido. Entraram na sala, juntos, sentados em frente a mesma medica de antes, Shizune.
– Fez os exames que eu pedi? – perguntou gentil. O loiro olhou para Hinata e, por um momento, temeu que ela tivesse esquecido, mas a morena assentiu e abriu a bolsa tirando o envelope de lá, entregando. Shizune sorriu e abriu os envelopes, para chegar os exames e a saúde da mãe e do bebê. Com a pagina certa no computador, anotava as informações da paciente, até que alguns indicadores chamaram-lhe a atenção. Era incomum, bom, exceto em fumantes. Estreitou as sobrancelhas e mordeu os lábios terminando de jogar as informações lá e chegou os exames. – A mamãe fuma ou bebê? – perguntou.
A morena, no inicio, apenas estranhou, sabe, estar sendo chamada de “a mamãe” era estranho, mas depois quando caiu a ficha do que havia sido perguntado sentiu o rosto esquentar e a vergonha pela resposta tomar conta de si.
– Os dois. – respondeu Naruto, ele percebera que ela não falaria nada, pois só afundava-se na cadeira. – Eu disse pra ela que não faz bem, mas ela não me escuta. – desabafou com a médica, bom, talvez ouvindo de uma profissional ela parasse, não é?!
– Querida, isso faz muito mal. – apesar das palavras doces a voz era severa. Os olhos perolados fuzilaram o loiro, por que ele abrira mesmo a boca?! Droga! – Você quer prejudicar seu bebê? – Hinata negou com a cabeça. – Mas o está matando ou, no mínimo, deixando-o com esses problemas. Eu não quero mais saber de cigarro, ouviu? Nem bebidas! Ou quer que seu bebê nasça com má formação? Asma? Ou sequer nasça? – a morena arregalou os olhos. Não imaginava que era assim tão serio! – É, querida, isso mata um bebê! Então estamos combinadas? Sem cigarro? – ela assentiu, os olhos arregalados, não imaginava que o filho podia ter má formação por sua culpa, tocou o ventre, não podia deixar isso acontecer. – Okay, então marque uma consulta para fazermos uma ultra mês que vem e quem sabe repetir os exames. Já que já está com 8 semanas. – informou encerrando a consulta. Torcia para que a jovem a ouvisse.
Naruto levantou primeiro e abriu a porta para a morena, ela estava calada e pensativa, o que o surpreendeu, pensou que ela fosse querer o matar por ter falado com a médica. Mas ela sequer pensava nisso, pensava no acordo que fizera com a médica, tudo bem que estava fumando apenas um por dia, mas pararia, completamente, respirou fundo, não agüentaria ver o bebê mal por sua causa, não mesmo, pararia. Sim, pararia. Mas como? Como se livrar do vicio assim, tão de repente? Tocou a testa pensativa, caminhando com o loiro para fora da clinica. O que Kushina dissera? Distração, não foi? Fazer algo para se distrair era uma boa, mas o que se ficava o dia todo sozinha naquele apartamento? Deu uma leve tapa na testa e mordeu os lábios, sabia a resposta, conhecia um lugar que poderia a distrair o suficiente.
Naruto olhou para a morena quando o barulho da tapa, via as expressões mudando no rosto da morena, mas não entendia porque raios ela estava se batendo. Qual seria o problema da Hyuuga? Parou os passos, já estavam mesmo na calçada, e a ficou encarando, esperando-a sair de seus pensamentos para perguntar o que acontecia.
É! Era isso, chegaria em torno das 16h no apartamento, o loiro chegava as 19h, quase nem ficaria sozinha e poderia dormir nesse tempo, sem falar dos deveres e avaliações que teria que estudar para passar. Infelizmente, aquela era a distração perfeita! Droga! Não queria, mas se era o jeito, teria que se sacrificar.
– Hinata? – perguntou, a expressão confusa tomava do loiro, ela parecia viajar. Ela piscou e sacudiu a cabeça, arrancando-se de seus pensamentos. Olhou em volta e viu que já estavam na calçada, sorte que ele a chamara ou pararia no meio da rua sem nem perceber. – Hinata? Você tá bem? – piscou mais uma vez e o encarou, assentindo. – O que foi? – ele sabia que não devia perguntar e que, provavelmente, ela o diria que não era de sua conta, mas deixou a curiosidade falar mais alto. – No que pensava? – ela mordeu os lábios, pensava se responderia ou não, mas precisaria dele, então não tinha opção.
– Eu quero voltar a ir para a escola. – Naruto arregalou os olhos, surpreso.
– Sério? – ele não podia acreditar que essa vontade vinha mesmo dela ou essa não era a mesma Hyuuga de uma semana atrás.
Continua...
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