Pieces of Her
11 Discussão.
Notas iniciais
– Sim. – respondeu serio. – O que está acontecendo aqui? – perguntou, mas sentia as mãos suadas por medo da resposta que teria.
– E aí, não vai ligar o som de novo n... – Chouji interrompeu sua fala ao ver um loiro raivoso o encarando, mas não aos seus olhos, ao baseado acesso em sua mão, droga! Parecia que a festa tinha chego ao fim.
– Isso na mão dele...? – Naruto deixou a frase morrer, sabia o que era aquilo, vira alguns amigos usar por curiosidade na adolescência, mas nunca o interessou. O que uma coisa daquelas fazia dentro de sua casa?
– É um baseado, mano. – Chouji respondeu, estendendo a mão. – Quer um tapinha? – respirou fundo, tentava se controlar, mas não conseguiu e acertou uma tapa na mão do garoto pisando em cima quando a droga caiu ao chão. – Por...
– Vai embora! – disse severo, sua cabeça latejava, não podia acreditar, ela não só bebera, como levara amigos com drogas para sua casa! – Agora! Eu quero todo mundo fora!
– É só uma festinha... – Hinata começou a dizer, afinal o que tinha de mal numa festinha, seus amigos sempre faziam festas como aquelas, e todo mundo adorava. Tudo bem, que achava Naruto um tanto que velho para sua turma, mas Konan também não era assim tão nova, ele podia curtir junto com eles.
– Fique quieta! – ela se calou. O loiro respirou fundo e fechou os olhos, ele nunca falara tão firme e bravo com alguém e não queria começar com a Hyuuga, mas, apesar de, se considerar uma pessoa calma, agora não conseguia mesmo se controlar, não mais. Estava irritado, como nunca ficou antes! Respirou fundo mais uma vez. – Eu só vou falar mais uma vez, antes de chamar a policia... Eu quero todo mundo fora, AGORA! – os amigos de Hinata, que a essa altura já estavam olhando a gritaria na sala, arregalaram os olhos. É, parecia que a Hyuuga tinha se metido numa boa furada e que era hora deles irem embora! – Eu não estou brincando! – o loiro falava alto, se sentia mau com aquilo, não gostava dos sentimentos ruins que o tomava, não gostava de ter que gritar, nem falar alto com ninguém, muito menos ter raiva de alguém, mas ela havia passado de todos os limites e desrespeitar sua casa era o de menos, ela não respeitava o filho que teriam e o colocava em risco com suas infantilidades. Hinata ria internamente, faria o loiro se calar, o responderia e diria que os amigos ficariam o quanto ela quisesse, mas já que esses já recolhiam as bebidas para ir embora preferiu deixar que fossem, mas faria o loiro pagar por ter a mandado ficar quieta e, também, por gritar com ela. Ela não precisava nem dependia de ninguém para aturar gritos de um loiro estúpido. Acenando para a morena, apressadamente, todos deixaram a apartamento, eles riram entre si, os olhos vidrados mostravam que estavam tão altos que não se importavam com nada e no primeiro lugar que chegassem continuariam sua festa. – Por que os trouxe para minha casa? – Naruto respirava fundo e suspirava enquanto falava, de olhos fechados, ele tentava manter a paz em seu interior, por mais impossível que fosse vai que a morena tivesse uma desculpa, quem sabe eles foram a visitar sem saber, sei lá.
– Já que eu estou presa na porcaria desse apartamento, eu trago quem quiser! – respondeu autoritária, ela faria o que quisesse e aí dele se tentasse reclamar de algo. Naruto arregalou os olhos, serio? Era só isso que ela falaria? Achava mesmo que estava certa? Qual tipo de criação aquela menina tivera? Ou será que estava louca? – E você me deve desculpas por achar que pode gritar comigo! – falava autoritária. Ele, realmente, via em seus olhos, perolados, que ela achava que estava certa, não pode de deixar de sorrir, um sorriso, pela primeira vez em sua vida, carregado de ironia e sarcasmo.
– Essa porcaria de apartamento é MEU! E você, enquanto estiver aqui, vai seguir as minhas regras! – a voz soava autoritária e mandona, ele não gostava daquilo, mas era assim que teria que ser dali pra frente.
– Você que me quis aqui, então faço o que...
– NÃO! – gritou, estava totalmente sem controle, raivoso como nunca ficara antes, ninguém, nunca o tirou do serio como a morena! – Eu quero o meu filho aqui! E não você! – ela se calou, piscando os olhos, e ele apertou os olhos fraquejando, aquelas palavras deveriam ter machucado, não devia ter as falado. Sacudiu a cabeça, deveria sim, ela precisava ouvir aquilo! Força Naruto! – O meu filho, ele é importante pra mim! Não você! E sim, eu estou pagando tudo pra você, por ele e, a partir de hoje, você não vai mais prejudicá-lo! Eu não vou deixar!
– Eu to cagando pro que você fala! Vou fazer o que EU quiser! — os olhos azuis faiscaram de raiva, conseguindo assustar a Hyuuga.
– Você fará o que quiser então fora daqui. – ela arregalou os olhos, ele a estava expulsando? Naruto sentia o coração apertado! Não queria ter de chegar a esse ponto, nem ameaçar isso, mas não via outra saída! – Enquanto eu estiver na MINHA casa, eu NÃO vou permitir que se mate, nem a si mesma, nem a meu filho! Estamos entendidos? – ela piscou os olhos, o que mostrava que o ouvia, mas não disse nada! – ESTAMOS ENTENDIDOS? – berrou, ela não era surda e não fingiria que não o estava ouvindo.
– Se eu quiser me matar, eu me mato! Você não tem nada a ver com isso! – respondeu, a voz já não era tão firme, nunca imaginou que aquele loiro bobão falaria desse jeito com alguém.
– ENTÃO SE MATA! – como aquela morena o irritava.- Se não quer ter estudar e ter um futuro decente, problema é seu. Se quer usar drogas e acabar morrendo de alguma doença, problema é seu também, se quer ser inconseqüente para sempre, eu não ligo! Mas você vai fazer isso depois do bebê! Porque, diferente de você, eu me importo com meu filho e eu não vou deixar você fazê-lo mau! Nem que seja na marra! – ela engoliu a seco, ele falava serio, nem seu pai falava assim com ela. – E começa agora! – ela abriu a boca para falar, não sabia o que falaria, mas não deixaria ele a tratar assim. – A partir de hoje, as coisas vão mudar, mas conseguiu o que queria, nesse estado... – os olhos vermelhos e com a mente entorpecida ela não poderia ir para canto nenhum. – Você conseguiu escapar da consulta hoje, mas não fará mais nada, também. Vai pro seu quarto! – ela riu.
– Vai me deixar de castigo? Você não é meu pai! – ela gritou, nunca ficara de castigo, não começaria agora.
– Vai agora pro seu quarto! AGORA! – Gritou apontando para o corredor, respirava com dificuldades e sentia seu coração bater forte, pela irritação, mas não fraquejaria agora. Ele não era mesmo seu pai, pois se fosse, ela não seria assim!
– Eu... – começou fazendo-o bufar. Como sempre suas frases começavam com ‘eu’, pois era só com isso que a Hyuuga se importava, só com ela mesma!
– Estou pouco me lixando para VOCÊ! – gritou. – Mas eu vou cuidar e proteger meu filho, nem que seja tenha que enfrentar você para isso! – Hinata engoliu a seco e respirando fundo caminhou para o quarto. Não responderia, não mesmo! Sabia bem o que faria. Não era por ser precioso filho que ele a mantinha ali? Não se preocupava com tanto com seu filho? Ela acabaria seu motivo para preocupação, então! E, também, o motivo para ficar naquela casa! Não permitiria que ninguém falasse assim com ela.
...
Deixou o corpo desabar no chão quando ouviu a porta do quarto bater, encostou as costas na parte de trás do sofá cinza e respirou fundo, tentando acalmar os batimentos e as lagrimas que queriam descer de seus olhos. Não! Ele não estava triste ou se arrependera de algo que falou, por mais que achasse suas palavras cruéis, ela merecia ouvir cada uma delas! Ele chorava de raiva! Pela primeira vez na vida! É, pelo menos, descobrira algo novo sobre ele mesmo, afinal. Chorava quando tinha raiva. Sim, aquela ela a primeira vez que sentia raiva de alguém. Nem mesmo de Shion sentiu raiva quando ela rompeu o relacionamento de anos, mas a Hyuuga, ela passara de todos os limites.
Escondeu o rosto com as mãos, apertando os olhos, sentia-se tão estranho. Aquele sentimento, era tão ruim, parecia o querer consumir, não gostava de estar assim. Só queria paz! Sinceramente, ele não sabia o que pensar! Temia arrepender-se de ter saído aquele dia e bebido tanto, pois sentia que assim estaria arrependendo-se de seu filho e, no futuro, não queria carregar em sua consciência o peso de, sequer por um momento, não querer o filho. Mas a Hyuuga, Kami, definitivamente não conseguia saber como lidar com ela, como tratá-la e muito menos fazê-la ver que só queria o seu bem. Respirou fundo e se levantou olhando no relógio, em seu pulso. Olhou para o apartamento e sentiu nojo, estava todo revirado e bagunçado, por sorte, Asuma o esperava estacionado lá embaixo e voltaria ao trabalho.
Olhou para o corredor e viu a porta do quarto da morena, estava fechada, e esperava que ela continuasse lá. Precisava sair dali e pensar em onde contraria alguém para arrumar o lugar, com certeza, não era bom com todas as tarefas domesticas. Puxou a bolsa que largara anteriormente e bateu a porta, caminhando rápido para o elevador. É, trabalhar seria melhor, muito melhor! Poderia fechar a contratação de Gaara e marcar a reunião com os chefes, juntamente com o novato, para colocar em praticas as mudanças. Respirou fundo, entrando no carro de Asuma e batendo a porta.
O mais semicerrou os olhos, uma expressão incomum tomava o rosto do loiro e por isso ele preferiu não falar nada, especialmente de sua demora. Ele parecia perturbado e, também, seus olhos denunciavam que havia chorado! Sem falar que, ele não voltaria com a morena conhecida para uma consulta? O que será que teria conhecido? Mordeu os lábios, viver com duas mulheres o estava deixando tão curioso quanto elas, mas não perguntaria nada! Normalmente, Naruto sempre falava sobre tudo e todas as suas novidades, se não falara nada era porque não queria conversar sobre.
Apertou a alça que segurava, como uma mania, e a puxou nervoso. Sabe, sentia-se frustrado, quando se mudou para Tókio sabia que sua vida seria boa, que a estada seria boa, que a vida pessoal seria até melhor, afinal não teria que esbarrar com a ex, que ainda gostava, pelas ruas, todos os dias e temia sua vida profissional, pois essa era uma incógnita. Era um trabalho novo, com muito mais responsabilidade e não sabia se agüentaria todo aquele peso em suas costas de recém-formado. Mas tudo o enganou, afinal seu trabalho era mais perfeito impossível, amava a cada dia mais o que fazia, sentia-se livre para tomar decisões importante e sempre com confiança, sabia que não ia falhar, mas a vida pessoal, respirou fundo, essa ele sinceramente não sabia mais como lidar. Tudo mudara tão rápido, as coisas que aconteceram, ele nunca esperou por aquilo.
– Me leve para o trabalho, por favor. – pediu, a voz sem animo deixou o motorista ainda mais curioso, o que poderia fazer um homem tão animado parecer tão abatido? Naruto olhava pela janela, via a cidade passar ante aos seus olhos, naquele momento, estava tão fora de si que sequer sentia vontade de conhecer aquelas ruas, nas quais nunca tinha andado e parar em todas as olhas para ver o que vendia. Piscou os olhos, pelo que pareceu ser um segundo, mas quando os abriu reconheceu que estava próximo ao prédio da revista. – Asuma? – virou-se levemente para trás, curioso para saber o que o Uzumaki tinha para lhe falar. – Você conhece alguma diarista? Algo assim? – pensava no apartamento, as coisas estavam completamente virado de cabeça para baixo, precisaria de ajuda para arrumar tudo.
– Acho que posso ver com minha esposa! – Naruto assentiu agradecendo e abriu a porta para sair do carro depois de pagar. Asuma não lembrava-se de uma amiga da esposa que trabalhasse assim, mas poderia falar com ela, quem sabe não conhecia alguém, ele não podia afirmar, já que só ouvia metade do que a esposa lhe falava.
Entrou na revista e quando o elevador, finalmente, chegou olhou ao relógio, sequer completara as duas horas que tinha de almoço. E estava mesmo com fome. Saiu do elevador, antes que ele se fechasse, compraria pelo menos um lanche naquele lugar horrível que Sasuke tanto gostava.
– Saindo agora pro almoço? – Sasuke viu o moreno entrar e sair do elevador, no mesmo pé, ele não entendeu nada. Naruto apenas assentiu. – Eu vim de lá do restaurante de lamen que você gosta e adivinha quem perguntou de você? – olhou para o amigo confuso, do que ele falava? – Aquela garçonete, Ayame.
– Amanhã eu vou almoçar lá. – ele respondeu. – Agora só dá tempo para comprar um lanche. – Sasuke assentiu. O amigo estava tão distante e parecia tão desanimado que preferiu não forçar mais uma conversa, despediu-se com um aceno e entrou no elevador, iria ver sua rosada agora, tentaria convencê-la a jantar com ele.
Subiu até o nono andar e sorriu ao vê-la na mesa de Ino, quem sabe a amiga até o ajudasse no convite, não é mesmo?
– Sakura. – chamou, ganhando a atenção das meninas que viraram em sua direção.
– O que foi Sasuke? – putz! Sem o sufixo? Hoje, seria difícil. – Seja rápido! – Ino riu, não entendia o jogo duro que a amiga fazia, sabia que ela louca pelo moreno e pensar que, por um tempo, tentou ficar no meio dos dois.
– Que tal um jantarzinho hoje? No meu apartamento? – o convite para o jantar era real, mas ele não conseguia impedir o tom malicioso na voz ao pensar neles sozinhos em seu apartamento.
– Eu tenho mais o que fazer. – pegou as pastas amarelas e rosas das coisas que pediu para que Ino a ajudasse e saiu, pisando firme com seus sapatos barulhentos. Respirou fundo, droga! Adoraria conhecer o apartamento do Uchiha, mas vamos combinar eles tinham estado juntos a alguns dias, de novo, no armário do escritório, se saísse com ele ainda essa semana deixaria as coisas fáceis demais.
– O que deu nela? – Ino deu de ombros, poderia falar que a amiga estava de TPM ou só com raiva dele, mas mais uma vez aquele ruivo perfeito passava em sua visão, ao voltar do banheiro e concentrava-se apenas em admirá-lo. Sasuke bufou, até a amiga estava estranha! Droga! O que deu naquele escritório hoje que parece todo mundo estressado e/ou alienado?
Comprou o espetinho com bolinhas coloridas e doces, tudo bem, tudo bem, aquilo não substituía um almoço, mas era a única coisa decente que vendia naquele lugar. Até o sorvete era ruim, então teria que ser o suficiente. Entrou no escritório e foi parado por Ino, ela segurava nas mãos papeis, coisa burocrática, que ele precisava assinar sobre a sua contratação, pelo menos, ele ficou feliz em saber que o ruivo já estava vendo sua sala e que parecia feliz em trabalhar ali, palavras da loira. Ele assentiu a tudo que ela falava e pegou os papeis prometendo que logo os devolveria, mas quando entrou em sua sala, deixando a bolsa sobre a mesa e sentando em sua cadeira, sequer lembrava o que era preciso ser feito.
Sua mente estava longe, seus pensamentos perdiam-se na Hyuuga. Sim, ele gritara com ela! Dissera que ela teria que seguir suas regras, – que, com certeza, seriam a proibição do cigarro, da bebida, de quaisquer drogas e festinhas sem permissão — mas, na real, não sabia como fazer isso! Afinal, não tinha mais a ilusão de que ela se daria por vencida com facilidade, iria se rebelar, se revoltar, gritar, discutir, brigar! E ele ainda se sentia destruído pelas coisas que fora obrigado a jogar em sua cara mais cedo, suspirou. Não agüentaria rotinas como aquela e, também, não sabia mais o que fazer.
Arregalou os olhos, quando a solução veio em sua mente. Oh Kami, seria mesmo aquela sua única saída? Claro né, com quem mais poderia contar para pedir conselhos e conversar sobre uma situação tão pessoal? Ninguém, nunca teria ninguém além deles! Afinal, não sempre dizem, que seus melhores amigos serão, para sempre, seus pais? É, assentiu para si mesmo e suspirando vencido abriu o bolso frontal da bolsa preta, que carregava sempre, pegando o celular. Engoliu a seco, quando apertou o botão, vendo a foto de sua Okaa-san tomar a tela.
– Naruto-kun? – atendeu preocupada, sabia que nessa hora ele estava no serviço, o que o faria ligar? – Está tudo bem? – como era ruim ficar longe de sua prole, qualquer ligação fora do normal, fazia seu coração bater mais forte e de maneira dolorosa.
...
Deitou na cama e encarou o dedo piscando os olhos, desesperadamente. A visão ainda estava embaçada, por mais que só tivesse dado um trago e do efeito da droga já estar passando, a visão, definitivamente, ainda não estava normal. Sabia bem o que faria, estava decidida! Nada e nem ninguém a faria mudar de idéia agora, até porque, ninguém saberia até que já fosse tarde demais.
Olhou no relógio, perdurado na parede bege, ao lado da porta, e respirou fundo com os ouvidos aguçados para ouvir quando o loiro saísse, se passasse a hora do exame teria certeza de que ele não voltaria para levá-la e poderia sair. Sorriu, se ele achava que a faria ficar presa ali, sob suas regras, como uma presidiária, estava enganado! Ela não só sairia, como quando retornasse, seria só para pegar suas, poucas, coisas, pois já não teria mais motivos para dividir o teto com o loiro. Iria mesmo para Konan, seria muito mais fácil e teria a vida como quisesse sem se importar com prejudicar o bebê, porque não teria mais bebê nenhum!
Esperou atentamente e ouviu a porta da sala bater, sorriu, era agora. Virou o corpo para o lado, abrindo a primeira gaveta do criado-mudo, recolhendo o dinheiro que guardava do diário que Naruto lhe dava. Todos os dias, ele deixava dinheiro para a comida, mas sequer sabia que a dispensa estava cheia de coisa e que ela, diferente dele, sabia cozinhar, mas, também, para sua sorte as garrafas eram compradas uma a uma e era baratas, lhe sobrava um bom valor em dinheiro dessas duas semanas e seria o suficiente. Deixou o quarto, correndo a sala, tinha que procurar o aparelho celular que deixara jogado em algum lugar.
Ah! Sorriu ao avistá-lo, preso entre duas almofadas do sofá. Não sabia se tinha algum computador naquela casa, mas não importava, já conseguira pegar com o porteiro a senha da wifi do prédio e usaria seu celular para o que precisava. Sentou-se sobre as pernas, abrindo o navegador para pesquisar o que desejava. Para sua sorte, não precisou muito esforço antes que um endereço já tivesse no GPS do celular, pegaria ônibus, não gastaria com taxi, vai que acabasse precisando de mais. Apenas um ônibus, ótimo! E o ponto era próximo!
Voltou ao quarto e abriu a gaveta pegando a calça jeans solitária para usar com uma camisa qualquer, não precisava estar linda, só precisava do dinheiro, era isso que importava nesses lugares, afinal. Prendeu os cabelos longos num coque gigante depois de lavar o rosto três vezes esperando melhorar o aspecto de olhos vibrados e vermelhos, não deveria parecer alterada na hora de assinar a permissão e consentimento dos riscos. Pegou uma mochila, colocando um short e outra blusa, tudo bem, talvez fosse exagero, mas nunca fizera aquilo antes e não sabia o que ia precisar.
No elevador lotado, não falou com ninguém, não era como o loiro, conhecia as pessoas da cidade a vida toda e sabia como elas eram mal educadas com relação a desconhecidos, até porque ela também era assim. E logo chegou ao enorme hall, que mal foi olhado já que ela tinha pressa! Caminhou ao ponto, notando alguns olhares masculinos direcionados a si, estava acostumada, sabia o corpo que tinha, sabia como era bonito, tanto que até já o usara para iludir alguns homens que eles a teriam até conseguir algo que queria, e essa era outra coisa boa no que faria agora! Seu corpo continuaria lindo, sem ser estragado por aquela barriga enorme, como a mulher do consultório.
Mesmo de longe conseguiu avistar o ônibus vermelho e fez sinal com a mão para que ele parasse. Sorriu entrando no ônibus, sabia que era apenas três paradas dali e, quer saber, estava decidida! Acabaria com a preocupação do loiro, o deixaria em paz e poderia viver em paz, também! Tocou a sineta para descer e assim o fez quando as portas se abriram. Virou para o outro lado e quando o ônibus saiu de seu ponto de visão, conseguiu enxergar a clinica, totalmente, oposta da que fora no obstetra, não tinha cores brilhantes e fortes, não tinha ar de loja de brinquedo e nem de que era um lugar para criança! Era escuro, tanto a clinica como o lugar, era tudo tão silencioso e morto que sentia as mãos suares cada passo que dava em direção a ela.
– Você quer isso, Hinata! – disse a si mesma, caminhando em direção a clinica de aborto mais próxima da cidade.
Continua...
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