Pictures of Us

27 Karamel || Oliver


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Como estão? Como foram de Natal? Arrumados e sentados na sala, comendo muito igual a escritora que vos fala? hehehehehe Um capítulo cheio de amor, com um certo foco no meu terceiro casal preferido, e claro, nessa novidade que vaia abalar as estruturas de todo mundo!! Vou parar de enrolar aqui.. Boa leitura!!

O maior desafio organizacional da história.

As seis palavras que não aguentava mais ouvir na última semana.

Kara e Monel iam casar. Até aí, sem novidades, eles pareciam muito bem juntos e minha amiga estava feliz como nunca esteve, não foi surpresa nenhuma quando o noivado foi anunciado.

Mas aí que entra o desafio. O pedido foi feito exatamente há uma semana, e o casamento seria hoje. Eles queriam algo simples na cerimônia, somente para pessoas mais próximas, o que não significou nada quando quase colocou minha esposa grávida em curto circuito.

O bebê ainda era um segredo só nosso. Quando descobrimos foi muito no início, ela não estava com mais de sete semanas, e resolvemos esperar para dar a notícia a todos, para retardar o máximo as perguntas e opiniões. Felicity não precisava disso, ela já estava tendo pequenos e constantes surtos sozinha com seus inúmeros livros de gravidez.

E quando finalmente, já estávamos com quase quatro meses, veio a notícia do casamento, e para não desviar a atenção de Kara, resolvemos segurar a notícia mais um pouco.

Para a preparação em tempo recorde, todo mundo foi convocado a trabalhar, sob o comando nada gentil de Felicity, que não se separava mais dos seus fones, prancheta e celular, dando ordens a todos.

― Tommy, você está fazendo errado! ― Ela surgiu do nada, atrás de nós. ― Existe uma linha de produção para as cestas de lembrancinhas, Barry coloca o saquinho de amêndoas, Curtis os biscoitos, Roy os enfeites de pombinhos, Oliver os chocolates e você arremata tudo com um nó de duas laçadas e corta da pontinha da fita um triângulo. Já te expliquei mil vezes!

― Quer saber, eu tô fora! ― O moreno largou tudo de qualquer jeito na mesa em que trabalhávamos empolgados cercados de papéis, fitas e tecidos finos. ― Você é pior que a Snow! É tudo tão rosa que estou até sentindo vontade de me chamar de cafajeste!

Você é pior que a Snow ― o imitou. ― Que seja! Pode buscar o gelo e os copos, ou essa também é uma atividade feminina demais pra você? ― o desafiou, com as mãos na cintura.

― Insuportável, você é insuportável.

― Tommy, não ― tentei o interromper, mexer com Felicity e seu humor oscilante não era uma boa ideia. ― Só deixa…

― Masculinidade frágil! ― rebateu. ― E vê se leva a Caitlin com você, ou vai fazer tudo errado e atrasar nosso cronograma.

― Não estou escutando você. ― Se afastou com os indicadores nos ouvidos, cantarolando alto uma sequência de "la la la", mas vi que ele obedeceu e foi até Cait, que cuidava os detalhes finais da decoração.

― Okay, quem quer ocupar o lugar dele?

― Eu, eu! ― Barry se voluntariou com a mão ao alto. ― Sei fazer uns nós lindos.

― Ótimo, você vem para o lugar de Tommy, Curtis, cuida das amêndoas e biscoitos. Cuidado para não amassarem as próprias roupas e continuem o bom trabalho, pessoal, só temos mais uma hora!

― Sim, senhora, general! ― Curtis brincou, fazendo uma continência.

― Não sei se foi pra ofender, mas gostei ― se gabou sorrindo, e quando todos estavam rindo também, ela fechou a cara. ― Parem de rir, seus lerdos. Vamos, vamos, vamos! ― Bateu três palmas como ordens. Eu achava o máximo quando ela ativava seu modo toda poderosa, era, de algum jeito, excitante.

― Como eu amo essa mulher. ― Felicity sorriu e piscou pra mim, se afastando.

― No momento, só você, cara ― Roy comentou baixinho ao meu lado. ― Só você.

Ia voltar ao meu trabalho com chocolates em forma de coração, quando a avistei de longe, pegando para si o maior arranjo do lugar e o transportando para Deus sabe onde, a prancheta debaixo do braço e o celular no ouvido.

― Eu já volto, galera. ― Corri ao seu encontro. ― Por Deus, amor. ― Peguei o negócio pesado de suas mãos. ― Você não pode carregar tanto peso.

― Eu te ligo depois, estão me enchendo aqui. ― Me olhou chateada de relance. ― E não fica se achando por estar adiantada, vamos começar isso em uma hora, o capitão vai passar aí pra te buscar. Tchau.

― Era Kara?

― Sim, e me devolve isso aqui, você tinha que estar coordenando a função das cestas. ― Tentou tomar o enfeite de mim, mas recuei para que não o fizesse. ― Cait saiu faz literalmente três segundos e os idiotas já colocaram as flores no lugar errado, como se já não fosse difícil o bastante cumprir o maior desafio organizacional da história!

― Já estamos terminando e eu volto já lá, pode deixar que eu levo isso. Por que eu sempre tenho que te lembrar de tomar cuidado? Você tem uma carga preciosa aí, babe. ― Apontei para a barriga dela.

― Não fala isso alto, alguém pode ouvir. ― Olhou ao redor, conferindo se nosso segredo ainda era mantido, mas ninguém prestava atenção na gente. ― E na minha opinião, tenho disfarçado até bem.

― É, mais ou menos. ― Franzi o nariz, desacreditando de sua afirmativa.

― Como assim?

― Teve aquela vez que você chorou muito em Jurassic World, todo mundo meio que estranhou.

― Os dinossauros estavam morrendo naquela ilha, sendo extintos de novo! Ah, só de pensar nisso dá vontade de chorar de novo. ― Começou a abanar o rosto, lágrimas se formando em seus olhos. ― Droga, peixinho, vou destruir minha maquiagem.

― Nem eu que amo aqueles filmes me afetei, eles eram de CGI! E como esquecer do ataque de fúria no shopping quando a atendente te deu um canudo de plástico ao invés de um de papel? Duvido ter um ambientalista mais dedicado que você, amor, Greenpeace ficaria orgulhoso.

― Greenpeace é uma instituição, não tem sentimentos ou pode ficar orgulhoso. Só temos um planeta, temos que cuidar dele para nosso bebê, ué.

― E no primeiro ultrassom que ouvimos o coração do bebê, e você chorou?

― Você também chorou, coisa linda ― rebateu. Ela estava certa, foi difícil demais segurar a emoção ao ouvir aquelas primeiras batidas aceleradas pela primeira vez.

― É, mas eu não chorei até soluçar, e tive que tomar um calmante e ficar em observação porque minha pressão subiu demais. ― Ela cruzou os braços e fez beicinho. ― E teve a vez que quase adotamos seis gatinhos de rua, e sua libido que aumentou em níveis que…

― Tá bom, já entendi! ― me interrompeu. ― Meu corpo e minhas emoções estão funcionando estranho, eu sei.

― Só estou dizendo que não vamos conseguir esconder mais por muito tempo, Caitlin vai acabar te amarrando e levando ao médico se vomitar mais uma vez perto dela e justificar como um jantar diferentão que eu fiz na noite anterior.

― Tá, nós vamos contar, semana que vem. Mas hoje, já tomei doses cavalares do meu remédio para enjoo e coloquei esse vestido soltinho. Eu pareço grávida pra você? ― Girou um pouco sobre o eixo. A briga para fechar o vestido antes de sairmos de casa era um assunto que nunca mais tocaríamos.

― Oh, não, não! Não vou responder isso. ― Neguei com a cabeça, dando um passo para trás.

― Ué, por quê? ― questionou desconfiada com as mãos no quadril.

― Porque é uma pegadinha. Se eu disser que não, vai dizer que não considero o crescimento do nosso bebê, se disser que sim, vai achar que estou te chamando de gorda. Por mais feliz que eu esteja em ter altura bastante para andar na montanha russa que tem sido suas emoções nas últimas semanas, prefiro não acordar o Kraken. Vou só dizer que está cada dia mais linda, babe.

― Boa resposta. ― Piscou para mim e segurou meu queixo, me dando um selinho. ― Agora coloca essas flores ali perto do altar, no suporte vazio. O buffet está quinze minutos atrasado, tenho que ligar para eles, urgente.

― Só toma mais cuidado, por favor ― quase implorei. ― Estou de olho.

― Tá bom, tá bom! ― me respondeu como uma boa criança birrenta, discando algo em seu celular e se afastando de mim.

Voltei ao trabalho com as cestas, ainda envolto em meus pensamentos sobre nossa gravidez. Não posso dizer que estava sendo fácil, eu havia ido ao médico em dois meses mais do que na vida toda, já que em cada mínima novidade, estávamos por lá. Mas emoções à flor da pele tinham seu lado bom também. Sentíamos mais amor um pelo outro e por nosso bebê cada dia mais do que o anterior.

Terminamos as lembrancinhas e todos se dispersaram, para não dizer que fugiram do olhar de Felicity e sua próxima ordem que viria. Eu, ao contrário, fui procurá-la para ver se estava precisando de algo ou para evitar os esforços extremos que ela sempre esquecia e acabava fazendo.

Passei por Tommy terminando de arrumar as bebidas no gelo e os copos no mini bar montado na casa com quintal amplo que havia sido alugada para a cerimônia. Resolvi nem falar nada, tudo e qualquer coisa seria motivo para distrai-lo do trabalho.

Encontrei Monel torcendo os dedos e já em pé onde o altar já estava pronto e montado.

― Muito cedo para estar aí, não acha, parceiro?

― Eu só estou nervoso. É normal ficar tão nervoso, eu não deveria né, ela já disse que aceitava casar.

― Anormal seria não estar ― respondo a ele, com um gesto confortador ao apertar seu ombro. ― Mas quando você ver a mulher da sua vida caminhar até você, tudo passa.

― É só que ela é tão demais pra mim. Kara é super, e eu sou só…

― O homem feliz que ela escolheu amar. Conheço o sentimento, cara. ― Sorri. ― Mas se aceitar um conselho de alguém também casado com uma super mulher...

― Por favor.

― Apenas a ame, com todo o seu coração. Terão momentos difíceis, você vai querer sair correndo e gritando, mas haverá momentos tão bons, mas tão bons, que você também vai querer sair correndo e gritando.

― Tá me dizendo que casamento é uma sucessão de correria e gritaria?

― Peixinho, corre aqui! ― Felicity gritou por mim do outro lado do quintal.

― Eu te disse ― atestei minha teoria para ele, antes de correr ao encontro da loira. ― Oi, amor. Você tá bem, o bebê tá bem?

― Ele sim, eu não.

― O que aconteceu?

― O bolo chegou.

― E tem algum problema nele? Aposto que não, está tudo perfeito, amorzinho, já pode relaxar ― tentei acalmá-la.

― É, eu sei. Mas o bolo chegou e eu quero um pedaço. ― Suspirei de alívio, pensei que ela já ia surtar ou pedir algo absurdo.

― Tudo bem, babe, daqui a duas horas você come.

― Você não me entendeu, querido. Eu preciso comer um pedaço daquele bolo agora, ele tá trancado, e eu não tenho a chave. Eu já tinha lido e ouvido falar sobre desejos de gravidez, mas eu nunca tinha... ― Grunhiu, mordendo o lábio. ― Oliver, você não entende, eu preciso comer um pedaço daquele bolo agora, ou eu vou morrer.

― Tenho certeza que não...

― Eu. Vou. Morrer. ― Apertou meu braço com força, me olhando com urgência.

― Okay, okay, vamos pensar… ― Com certo esforço, soltei suas unhas do meu braço. ― Eu posso sair e procurar um bolo pra você.

― Mas o bebê quer daquele.

― Tem certeza? Se o bebê puxar pra mim, todo bolo é bolo.

― Tenho, ele quer aquele. E ele quer agora. ― Ela ficava tão fofa com aquele olharzinho pidão que eu não conseguiria negar nada a ele.

― Então é isso, amorzinho, temos que roubar o bolo.

― Isso! ― Deu um soquinho no ar. ― Obrigada, amor, você é o melhor! Vem, o casamento começa em trinta minutos. ― Me beijou e já saiu me arrastando em direção à sala coberta da casa onde estava a mesa com o bolo e a decoração ao seu redor.

― Calma, calma. Precisamos de um plano e precisamos de ajuda.

― Não podemos ter ajuda. Que pessoa teria habilidades que fossem úteis e é tão desligada para associar isso a uma gravidez e tenha tão pouco interesse nesse casamento a ponto de ajudar a roubar um pedaço de bolo antes da cerimônia?

― Sério que precisa mesmo perguntar? ― rebati com outra pergunta, já sorrindo, o que ela também fez tão logo entendeu minha escolha.

~

― Me explica de novo porque estamos fazendo isso? ― Tommy tinha um joelho no chão, duas hastes de metal para destrancar a porta, enquanto eu e Felicity o encobríamos.

― Eu já disse, preciso descobrir se o bolo veio do sabor certo, eu acho que não ― ela explicou.

― Não é mais fácil perguntar na confeitaria?

― Qual é, parceiro, só apressa isso ― falei para impedi-lo de continuar a perguntar. ― O casamento já vai começar, Kara está a caminho.

― Mas…

― Tommy, querido, você não se importou em estar envolvido na destruição do meu bolo de casamento, então custa ajudar?

― Eu te dou uma rasteira, garota! ― ameaçou, a olhando de esguelha de baixo. ― E voilà! Porta aberta. Quem é o máximo?

― Graças a Deus! ― Felicity avançou cegamente em direção ao bolo, e eu tive que segurá-la pela cintura antes que enfiasse a unhas no glacê.

― Qual o problema dela? ― Tommy perguntou nos olhando desconfiado, entrando depois da gente com as mãos no bolso.

― Amor, você fica de vigia, é melhor, Tommy e eu te conseguimos um pedaço. ― Segurei seu rosto com ambas as mãos, para tentar manter sua atenção em mim.

― Rápido! ― Assumiu seu posto na porta, olhando para o lado de fora.

― Agora, acho que a melhor maneira é tirar a camada de cima, abrir um pedaço na do meio, e colocar de novo ― falei, quase que comigo mesmo, analisando o belo bolo branco decorado de flores em vários tons de rosa.

― Cara, vai por mim, melhor não mexer nisso. Bolos de casamentos são fáceis de destruir e difíceis de achar de última hora.

― Vou nem perguntar como você sabe disso ― murmurei de volta. ― Pega aquele prato ali, e uma faca grande.

Enquanto Tommy fazia o que eu pedi, fui tirando as flores com cuidado da camada de cima, e colocando de lado, então depois, com mais cuidado ainda, cortei a camada menor toda fora, e coloquei no prato.

― Agora eu tiro um pedaço do centro, coloco a camada em cima de novo, e me certifico de não estar por perto quando partirem esse bolo mais tarde.

Fiz como disse e entreguei o prato com a fatia da Felicity para Tommy segurar, finalizando com a decoração que havia tirado do lugar antes, usando as flores para cobrir as imperfeições que ficaram com todo o processo.

― Toma aqui, esfomeada!

― Não acredito, vocês conseguiram! ― Felicity primeiro avançou no prato, usando um garfo que ela achou nem sei onde pra atacar o bolo. ― Deus, isso é tão bom, é como se eu estivesse comendo um pedaço de um anjo.

― E isso teria gosto bom?! ― Meu amigo fez uma careta.

― Tommy Merlyn, você conseguiu meu bolo! ― Para desespero e completa surpresa dele, Felicity jogou os braços em torno do seu pescoço e o abraçou tão forte que ele pendeu pra frente. ― Te amo, seu lindo! ― E começou a beijar seu rosto.

― Mano, socorro! Ollie, Ollie! ― clamou por mim com as mãos o mais longe dela possível, sem saber exatamente como agir.

― Amor, solta o Tommy, tá assustando o coitado, não vê?! ― Eu mesmo tive de libertá-lo do aperto. E pra alguém tão pequeno e sem nenhum treinamento, ela era bem forte.

― Amo os dois!

― Vá de reto, Satanás! ― Esquivou no último segundo quando ela tentou nos abraçar e fez sinal da cruz e fugiu da sala.

Não pude deixar de rir da bizarrice da situação, e quando voltei a olhar para Felicity, ela já terminava de comer seu bolo como se nada tivesse acontecido.

― Te amo, peixinho ― declarou ao passar por mim e sair também para o quintal.

O que acabou de acontecer aqui?

Meia hora depois e Kara já estava sendo conduzida ao altar pelo capitão para um emocionado Monel e um orgulhoso Diggle, que também iria oficializar a cerimônia. A família dela morava longe, apenas a irmã veio ao casamento e Sara não esperou nem dois segundos para começar a dar em cima dela.

A noiva estava linda, em seu vestido longo de seda, decote completo nas costas, cabelos soltos e maquiagem simples. Poderia parecer até simples demais para algumas pessoas, mas era tão a cara deles, e o amor emanava tanta luz do casal que deixava todo mundo feliz demais só por estar perto.

A recepção foi organizada no mesmo lugar. A cada minuto que se aproximava o momento de partir o bolo, eu já sentia minhas palmas suarem. Logo iam descobrir nosso pequeno delito, e só esperava que todos já estivessem bêbados o bastante para não ligar.

Alex, irmã de Kara e a dama de honra, iniciou os brindes, seguida pelo capitão, e Tommy, que mesmo não sendo padrinho nem nada, fez questão de ter o momento que todos lhe davam atenção integral. Então os pais de Monel falaram, um amigo desde a época da faculdade que era o padrinho, até que chegou minha vez e da Felicity, solicitados especialmente pela noiva.

Falei sobre como era bonito ver um amor bonito e tranquilo, além dos elogios à doçura da minha amiga e à paciência do noivo em lidar com nossa turma nada fácil. Então foi a vez de Felicity.

― Kara, você foi a primeira a incentivar meu relacionamento com Oliver. Talvez não estivéssemos aqui juntos se você não tivesse dado aquele empurrãozinho quando fui na delegacia a primeira vez, muito obrigada por isso. Vocês não tem sido nada além de gent… Ai. ― Me virei para ela alarmado, quando seu discurso parou no meio, e sua mão foi direto para a barriga.

― Amor, você tá bem?

― Eu acho que… Ai, de novo. Oliver, tá acontecendo alguma coisa muito estranha ― cochichou apenas para mim.

― Amiga, tá passando mal? ― Caitlin chegou depressa onde estávamos. ― Abram espaço, ela precisa sentar.

A conduzi para a cadeira, e Kara também se ergueu da mesa dos noivos e foi ao nosso encontro, e logo estávamos cercados de pessoas.

― Ainda ruim?

― Fica acontecendo essas… Ai, peixinho.

― Onde tá doendo? ― Cait insistia em perguntar, já conseguindo um copo de água.

― Não doendo exatamente, mas é… Preciso ir ao hospital. ― A abracei para falar sem que outros ouvissem.

― Você acha que tem a ver com... ― Felicity balançou a cabeça afirmativamente. ― Temos que ir ao hospital, gente. Podem continuar a festa, mandamos notícias.

― Hospital, tem certeza? Tenho tentado te arrastar pra lá há semanas e você não querendo... ― Caitlin franziu o cenho. ― Eu tenho alguns remédios no carro, podemos ver se algum serve.

― Obrigada, amiga, mas não vai servir, preciso ir ao hospital ― Felicity a cortou, se apoiando em meu braço para ficar em pé.

Logo eu dirigia a toda velocidade em direção à emergência do hospital mais próximo, que para nossa sorte, era o que ela fazia o acompanhamento de pré-natal. No caminho, ligamos para o doutor Wells, e como ele estava de plantão, já estava pronto para nos atender quando chegamos.

O que não contávamos era que, enquanto a ficha de admissão ainda era preenchida, uma pequena multidão em trajes arrumados entrou atrás de nós, fazendo um barulho descomunal de alto na recepção do hospital.

― O que vocês estão fazendo aqui? Kara, seu casamento!

― Ficamos preocupados, você nunca vai em hospitais, nem quando ficaram doentes depois da lua de mel. ― Foi Cait que explicou, e a maioria assentiu concordando.

Felicity me olhou procurando uma resposta, só que eu não sabia o que dizer. Como explicar que era uma emergência relacionada ao bebê que ninguém sabia existir?

― Felicity Smoak ― a atendente a chamou, nos livrando de ter que falar algo.

― Eu volto com notícias.

Fomos conduzidos a uma sala de exames, e quando o médico entrou sorriu para nós, ignorando totalmente o nosso completo estado de semi desespero.

― Então, o que sentiu, Felicity?

― Foi uma fisgada estranha na barriga, meio que uma tremidinha, eu nunca senti nada assim antes.

― Pode me mostrar onde? ― Quando ela indicou o lugar, ele deu um sorriso pequeno e anotou algo no tablet que carregava. ― Alguma perda de líquido, sangue?

― Não.

― Dor pélvica?

― Não também. Doutor, me diz o que é isso, está me deixando maluca. Tudo bem com o bebê?

― Eu vou fazer um ultrassom rapidinho e te confirmo o que estou pensando.

Com um lençol sobre as pernas e o vestido erguido, ele logo passou aquele gel na barriga dela, enquanto ela quase esmagava minha mão com seu aperto nervoso. O pequeno espaço logo foi tomado pelo som, mais lindo do mundo, as batidas aceleradas do coraçãozinho do meu filho ou filha, o que já me fez relaxar um pouco.

― Um, okay. É isso aí.

― É isso aí, o que, pelo amor de Deus?!

― O bebê de vocês está ótimo, um feto saudável de 16 semanas. ― Sorriu, limpando a barriga dela e colocando o medidor na máquina. ― O que você sentiu, querida, foi seu bebê mexendo.

― Como é que é? ― Ela sentou-se abruptamente, e eu tive de apoiar a mão em suas costas, também indo na direção do médico.

― Completamente normal nessa idade, você vai sentir muito isso daqui pra frente. E em breve, você também poderá sentir, Oliver.

― Mas eu senti uma coisa estranha.

― Normal não conhecer a sensação, é sua primeira gravidez, mas está tudo bem. Você tem mais alguma queixa? ― Ela negou com a cabeça. ― Ótimo. Estão liberados então. Nos vemos na próxima consulta marcada, tenham um bom dia.

― Que mico, peixinho! ― Escondeu o rosto em meu ombro, mas eu sorri a abraçando, murmurando um “está tudo bem, amorzinho”. ― Mas que criancinha mais inapropriada, não tinha hora melhor pra fazer isso não?

― Eu que deveria estar chateado, eu não senti ela mexer. ― Ela fez beicinho. ― Ei, tudo bem, está tudo bem! Só que agora temos que lidar com vinte pessoas bem vestidas e barulhentas na recepção do hospital. ― Suspirei com a perspectiva do que viria a seguir. ― Amor, acho que é hora de contar a eles.

― Ou podemos dizer que era gases ― sugeriu bem séria.

― Felicity!

― Estou brincando, vamos contar a eles. ― Sorriu, descendo da cama, ao segurar a minha mão. ― Pelo menos vamos ter uma justificativa melhor quando notarem que um pedaço do bolo sumiu. Hey, só mais uma coisa. ― Me parou quando já estávamos saindo da sala de atendimento. ― Obrigada, tá?

― Pelo quê?

― Você tem sido o melhor de todos, segurado bem a barra em cada surto, cada consulta, cada desejo, cada enjoo. Quando penso que não posso te amar mais, você vem e me prova o contrário.

― Linda. ― Beijei sua testa, e a abracei. ― Te amo.

Quando chegamos na recepção, logo tivemos todas aquelas pessoas vindo em nossa direção. Troquei um olhar com Felicity e seguramos firme nossas mãos.

― Então, você está bem? ― Kara estava preocupada. Tadinha, nunca poderia me desculpar o bastante por atrapalhar seu casamento.

― Sim, estou ótima, na verdade...

― Na verdade, temos uma notícia ― complementei sua frase ficou no ar. ― Estamos grávidos!

As expressões de susto e surpresa foram impagáveis, então logo vieram as congratulações.

― Eu sabia, você pediu folgas semanais nas últimas semanas para ir ao dentista. Você não vai ao dentista! ― Diggle me abraçava. ― Isso vai ser ótimo, vocês vão ser ótimos, os gêmeos amam vocês.

― Então isso já está rolando faz um tempo ― Curtis supôs.

― É, decidimos contar agora, pra diminuir o tempo de espera de vocês.

― E os padrinhos? Já aviso logo que não quero, já basta minha pequena xará Diggle que me dará trabalho o bastante no futuro ― Sara se manifestou.

― Pra evitar maiores discussões, a gente estava pensando em… Onde estão eles? ― Foi quando Felicity perguntou que notei a ausência de Tommy e Caitlin.

Claro que eles seriam os escolhidos, mesmo sabendo a confusão que estávamos nos metendo ao fazer isso. Mas eles tinham feito um bom trabalho no casamento, talvez pudessem se entender nessa nova função. E também tínhamos plena ciência que caso contrário, as reclamações por não terem sido escolhidos durariam a vida toda.

― Caitlin foi buscar os próprios refis de remédios na farmácia e Tommy estava dando em cima das enfermeiras da última vez que eu vi. Mas o que importa, eu vou ser titia! ― Thea abraçou nós dois. ― Se preparem para lidar com uma criança muito mimada, porque vocês querendo ou não, eu vou estragar ela.

― Oh, Deus.

― Acabou sim, criatura demoníaca. Eu ia sair com as duas e você acabou com minhas chances com seu falatório.

― Se por “acabar” você quer dizer contar a verdade, então fiz isso sim. Tenho que proteger as mulheres de cafajestes como você, somos todas irmãs no fim das contas. ― A duplinha confusão chegou discutindo. ― Hey, amiga, você já se liberou.

― Por que todo mundo está com cara de idiota? ― Tommy olhou ao redor.

― Tommy Merlyn, Caitlin Snow… ― comecei solenemente. ― Querem ser os padrinhos?

― Quem mais vai casar? ― Cait sorriu sem graça olhando ao redor.

― Na verdade… ― Felicity fez um carinho na própria barriga.

― Não pode ser... ― O sorriso de Caitlin se iluminou, e ela correu até a amiga. ― Sim, mil vezes sim! ― Se ajoelhou e abraçou Felicity pela barriga, quase chorando.

― O que tá rolando, gente? ― Tommy ainda era o único sem entender, segurando os remédios que Caitlin jogou para ele quando correu pra abraçar Felicity.

― Felicity está grávida e eles te chamaram para padrinho, seu lerdo! ― Laurel o empurrou em nossa direção.

― Ollie, é verdade? ― perguntou incrédulo, falando estranhamente baixo.

― Isso aí, parceiro, mas vai ter que prometer ser mais cuidadoso e responsável. Então, vamos ser compadres?

― Você vai ter um bebê e se você e Felicity morrerem, eu vou ter que tomar conta dele?

― Teoricamente sim, mas…

― Eu tô passando mal, não consigo respirar, não consigo respirar ― Começou a se abanar, me usando como apoio para que não caísse, derrubando no chão tudo que tinha nas mãos.

― Agora mais essa… Se recomponha, homem! ― Caitlin lhe deu um tapa na cabeça.

― Você vai nos dar a honra, Tommyzinho? ― Felicity fez uma vozinha infantil, as mãos em prece.

― É sim, claro que sim! ― Me abraçou.

― Ótimo, agora podemos comemorar tudo isso de volta à nossa festa? A enfermeira está nos olhando de cara feia faz tempo ― Monel sugeriu.

― Por isso que eu te amo. ― Kara lhe deu um beijo rápido. ― Vamos voltar para a festa, já que agora temos motivos em dobro pra comemorar!

Notas finais
Então? Confusão a caminho? Com certeza!! Me digam nos reviews o que vocês acham que vai acontecer!! E por aqui em POU, nos vemos em 2021!! Até mais.. Bjs*