Piano e Violino.

4 Ele e o violino.


Notas iniciais
OI. ESTOU VIVA. Alguém ainda lê? *cai no chão e chora* Babs(amiga) desenhou a cena do capítulo anterior. Ela só leu o último parágrafo, portanto está como se fosse no universo das tirinhas. Mas gente, está muito lindo. https://lh3.googleusercontent.com/-Ben37Po54Ek/WEYPPZ1R3SI/AAAAAAAAFRc/wimm1m8GNuMK_hnGqyrXYx2efTgeqa3ngCLcB/s328-no/15218602_661117880722264_923938883_n.png Espero que apareça para vocês. Bom, este capítulo será um pouquinho diferente do habitual, mas eu gostei bastante dele. Espero que gostem também. Vou explicar o motivo e outras coisas nas notas finais. Músicas do capítulo(não vou colocar o título dessa vez porque...SURPRESA. Mas está na ordem): https://www.youtube.com/watch?v=69lyOAsn2rI https://www.youtube.com/watch?v=KyEuFpJuwfc https://www.youtube.com/watch?v=9L5cqAcLyQQ

Leo estava definitivamente irritado e tudo por causa de um cliente idiota. Ele sabia que a construção iria desabar se atendesse o pedido daquele sem noção. Toda vez que presenciava uma situação como essa se perguntava porque existia esse tipo de pessoa. Mal piscava os olhos e aparecia alguém falando que queria gastar menos com materiais, mesmo que isso colocasse a vida de muitas pessoas em risco. Pesquisas indicam que oito entre sete pessoas que o contratavam queriam fazer um ‘’ pequeno’’ corte nos gastos. E Leo sempre dizia não e corria. Olhou as pastas embaralhadas em cima da mesa de seu escritório. O cômodo era simples, havia apenas uma mesa, uma cadeira e um armário, o qual ficava próximo de Leo. Sorriu consigo quando observou as horas no relógio do pulso, pois percebeu que teria tempo de sobra, assim poderia encontrar Virgo.

— Virgo!! Eu preciso de você para alegrar meu coração! — perto do balcão, colocou a mão na cabeça, fazendo uma pose dramática.

— O que foi dessa vez? — disse entediado, olhando para o outro.

— Um cliente idiota, ele não queria seguir minhas instruções. — bagunçou o cabelo e suspirou posteriormente. — Propôs algo que os cálculos diziam que resultaria num desabamento digno de cinema. Meus cálculos são precisos, eles não erram... Aquele senhor me deu nos nervos!

Virgo ficou em silêncio. Notou que Leo nunca reclamara do trabalho, pensando bem, não fazia ideia do emprego do amigo. O habitual era que reclamasse de roupas, novelas ou qualquer coisa supérflua. Surpreendeu-lhe o fato de Leo trabalhar com algo tão sério. Começou a se questionar o quanto conhecia de Leo. Surpreenderia se fosse muito, afinal faz quase um ano que se conhecem. Um ano é muito pouco para conhecer alguém, porém, não saber uma coisa tão simples como essa, o fez questionar seu conhecimento sobre ele. Não que Virgo tivesse interesse.

— ... Qual sua profissão? — indagou Virgo.

— Oh! É verdade! Nunca falei! Eu sou arquiteto.

— Sério? — juntou as sobrancelhas numa carranca.

— Surpreso, não é? É a pura verdade, se acostume sou uma caixinha de surpresas. — sorriu convencido. — É bem trabalhoso, qualquer erro e bum! Tudo explode. Uso instrumentos adequados, lógico, um régua comum não mediria com a mesma precisão que uma graduada.

— Pelo menos sabe falar de outra coisa que não seja sua aparência.

— Ei! Não falo só disso!

— Sim.

— Eu falo de você. — fez um coração com as mãos.

— Pare com isso. — revirou os olhos.

— Bom, queria convidá-lo para ir num festival.

— Festival?

— Sim, sim, na praça próxima daqui, parece tão legal, vão ter muitos artistas, comida e... Não lembro, mas quero ir!

— Quer mesmo?

— Siiim! — balançou a cabeça sem parar, mostrando-se decidido.

— Ok. — suspirou. — Espere eu ligar para meu avô, preciso avisar.

***

Os dois andavam pela praça, a qual estava iluminada por piscas-piscas em forma de estrelas. As árvores e o coreto eram adornados por elas. Parecia que o natal chegara mais cedo. Caminharam calmamente, mas era evidente que Leo estava muito animado com aquilo. Atento a cada novidade que aparecia, seus olhos brilhavam tanto pelo reflexo das luzes, quanto pela animação, além de transparecer um sorriso inocente.

Já Virgo apreciava em silencio, atento aos detalhes e os apreciando. Percebeu que os bancos receberam uma pintura nova, havia desenhos de flores nas cores rosa, laranja, amarelo e azul. De repente, através de seu olfato, sentiu cheiros variados. Conseguiu identificar o cheiro de carne grelhada, batata cozida e pretzels vindos das simples barracas de comidas do parque. Também não podia ignorar a música suave e ao mesmo tempo alegre executados por instrumentos de corda e metal. No coreto, violinistas, violoncelistas e flautistas tocavam.

— Vamos sentar? — perguntou Leo.

— Sim.

Eles se sentaram no banco mais próximo e observaram ao redor. Crianças corriam sorridentes, brincando de pega-pega. Leo queria que sua infância tivesse sido dessa maneira. Ele gostava de ser bom qualquer coisa naquela época. Era ótimo nos estudos, esportes, desenho e em tocar violino. A família ficara maravilhada quando descobriram o talento de Leo com o violino. Todos olhavam orgulhosos e ele se sentiu orgulhoso de si mesmo, portanto decidiu se dedicar ao instrumento. Contrataram um professor para ensiná-lo, as aulas eram intensas, mas divertidas. Seu pais apareciam algumas vezes e acariciavam sua cabeça enquanto o elogiava. Eram bons dias, a única parte ruim era não poder brincar fora de casa. As aulas eram importantes.

Participara de várias competições e sempre alcançava o primeiro lugar. Leo era imbatível. As pessoas estremeciam toda vez que ouviam seu nome. Os concorrentes já sabiam que a batalha pela primeira colocação estava perdida, restava lutar pelas outras. As habilidades de Leo com o arco eram surpreendentes para alguém da sua idade. Nenhum jurado ousava dizer o contrário, todos ficavam encantados. E mais uma vez, seus pais estavam orgulhosos dele. Era o que importava.

— Pai! Posso ir numa festa? Só por hoje, por favor.

— A competição não está próxima?

— Sim, porém estive me preparando e já adiantei bastante...

— Quanto mais melhor. A resposta é não.

— Mas...

— Eu já disse que não, Leo. — a voz endureceu como uma rocha.

— ... S-sim.

Ainda recordava perfeitamente da conversa. De como seu coração acelerou, o suor das mãos e da dificuldade de se mover do local. Lembrava que ganhara o segundo lugar na competição. Quem presenciara a premiação não acreditava no resultado. Não recebera elogios nem do pai, nem da mãe. Nenhum som saíra da boca de Leo. Tentou dizer algo, contudo sem sucesso. As aulas se intensificaram.

A cor e o brilho das notas haviam desaparecido. Leo fazia movimentos repetitivos com o arco e o violino. Sua mente estava longe. Não sabia qual música executava. Somente tocou porque foi pedido. Quem a compôs? Que sons formavam a melodia? Por que era impossível de ouvir? Ainda diziam que tocava maravilhosamente bem. Ele duvidava. Antes era diferente. Seus sentimentos para a música eram que nem o nada. Então, Leo decidiu parar. Ninguém concordou. Viveu o resto da sua adolescência fugindo das reclamações dos seus pais. Até que um dia, depois de se tornar adulto oficialmente, pegou suas malas e partiu. Assim, sua jornada na Europa iniciou.

— Leo? Leo! LEO!

— Oi? Que susto, Virgo! Está querendo me matar do coração?!

— Eu chamei e você não respond... Espera, você está... Aconteceu alguma coisa?

— Por que pergunta? — perguntou confuso. Subitamente, sentiu uma lágrima escorrer. — Oh... Isso? São lágrimas m-masculinas. O violinista tem uma técnica incrível.

Leo tinha conhecimento sobre música, isso Virgo sabia. Quando se encontraram pela primeira vez ele o informou desse fato. Fazer comentários nada úteis era o habitual de Leo, porém também fazia observações críticas sobre canções de maneira que um amador nunca faria. Perguntava-se como ele sabia de tudo isso, no entanto, Leo desviava de assunto. A atitude deixava Virgo mais curioso, pois ele nunca dizia o motivo. Neste instante, os olhos verdes estavam olhando fixamente para o rosto adornado por mechas acobreadas. Virgo ansiava por uma resposta.

— ...— suspirou Leo. — Eu sei que você quer saber, não sou bobo.

— S-se não quiser contar, tudo bem.

— Eu quero falar, porque desejo tenhamos uma relação mais próxima.

Virgo assentiu lentamente.

— Bom, eu tocava violino desde novo, sete anos talvez? Era muito bom ver todos orgulhosos de mim. Receber palmas, presentes, elogios... O som do violino era marcante, tinha seu diferencial, por essa razão me identifiquei com ele, todavia... Era cansativo ser sempre perfeito, atender as expectativas do público, dos jurados, dos meus pais... Tocar virou obrigação para mim. Eu não me divertia mais. Sentia-me um robô. E... desisti, vim para Europa cursar uma faculdade, ter um emprego normal. — soltou uma risadinha fraca. — Lembro de quando vi o panfleto do seu concerto. Por que eu quis ir? Não faço ideia. No instante que ouvi você tocar, vi o brilho, senti a emoção que antes eu sentia. Pensei que você era uma pessoa maravilhosa, bom, falar que é perfeito e cem por cento amável seria exagero, mas... Você nunca me decepcionou.

Parecia surreal para Virgo. Nada parecia real. Isso aconteceu mesmo? Leo disse essas coisas? Tentou falar, contudo, nenhum som saíra de sua boca.

— Eu sinto que estamos mais próximos agora... — Leo sorriu.

— ... Sim, concordo. — Virgo sorriu.

— Vamos ouvir a música mais de perto. — Leo se levantou e estendeu a mão para o outro.

Virgo pegou a mão de Leo, que o puxou, levando-o para um lugar mais próximo do coreto.

***

Era sua primeira parceria. O corpo de Virgo tremia de excitação e nervoso. Participaria de duo com a cantora Letícia Gonçalves, a qual despertava interesse das pessoas, mesmo sendo novata no ramo. Seu empresário insistiu uma parceria, não tinha motivo para Virgo recusar. Agora se preparava para apresentar. O local escolhido era mais simples, porém havia certo ar de elegância. Nos bastidores, ele e os organizadores do eventos estavam em completo movimento. Virgo esticava as mãos, se alongava, nada diferente do habitual. As pessoas andavam sem parar de um lado para o outro e conversando. Letícia estava no camarim, porém rapidamente saíra do lugar e encontrara alguém, iniciando uma conversa divertida, a julgar pelas expressões. Virgo observava tranquilamente no momento em que ouviu chamarem seu nome.

Quando entraram no palco foram recebidos por aplausos calorosos. O público era diferente. Ele e Letícia se apresentaram e foram para seus postos. A cantora se mostrava deslumbrante. O longo vestido amarelo, que contratava com sua pele escura, apesar de justo no torso e cintura, era aberto na região dos joelhos e pés. No cabelo curto e loiro havia uma flor vermelha, cor também presente na sua boca, que transparecia um enorme sorriso. Virgo sentia-se apenas como um acompanhante, Letícia roubava toda a atenção, todavia, ele sabia de sua importância, então posicionou os dedos e começou a primeira música.

Tocou tranquilamente as primeiras notas de ‘’ Não se impressione’’, composta por Francisca Edwiges Neves Gonzaga, conhecida popularmente como Chiquinha Gonzaga. Pioneira feminina em compor para orquestra e musicar peças de teatro. Diante dos problemas sociais da época, produziu obras com fortes características populares, influenciada pelos ritmos marcantes das rodas de dança do povo. Ela representou a música brasileira, formada pela influência africana, ameríndia, portuguesa e entre outras. Tantas influências, mas que faziam os estilos serem únicos. Os sons das notas eram lentos, porém animados. Havia cadeias de notas que se assemelhavam a uma dança. O ritmo era simplório e espontâneo, assim como a letra. Letícia movimentava seus braços e dançava suavemente, as palavras eram ditas com uma ótima dicção, eram claras mesmo para Virgo, que não entendia a linguagem. A música era ótima para uma abertura, ela se comunicava bem com o público e era quase impossível ficar parado. Em conjunto com a voz dramática da cantora, martelou uma nota aguda e terminara a canção.

Tocou os acordes salientes da segunda música, ‘’ Tico-Tico no Fubá’’. Estaria mentindo descaradamente se dissesse que era fácil de tocá-la. Principalmente para ele que não era brasileiro. Precisava de técnica apurada da mão esquerda. A obra deveria fluir naturalmente. O choro foi composto por José Gomes de Abreu ou Zequinha de Abreu, musicista que não seguiu a carreia de médico e nem a de padra, atraído pelos belos sons do instrumento. Ele fizera um ótimo trabalho com a canção tocada por Virgo Erígone e cantada por Letícia Gonçalves. Virgo tentava manter a técnica junto com o ritmo notáveis dos sons. Executava numa frequência mediana. Houve uma pequena mudança de notas, tornando mais ressoantes, porém o arranjo era praticamente o mesmo. Virgo estava acostumando com os sons repetidos e por pouco não esqueceu de mudar posição de suas mãos para tocar os outros acordes. Contornou com rapidez o erro e uma melodia vibrante se manifestou.

As palavras da letra da música eram ditas rapidamente pela cantora e interpretada de forma cativante. Letícia dançava alegremente e sorria para o público, sentado nas cadeiras brancas, que combinavam com as paredes do espaço. A música foi nomeada ‘’ Tico-Tico no Farelo’’, pois o compositor quando viu pares dançando em um baile, os comparou ao pássaro apressado para comer. No entanto, já existia uma com o título, portanto tivera que ser mudado. ‘’ Tico-Tico no Fubá’’ era um expressão para pessoas solteiras que não se fixavam em nenhum relacionamento. A repetição do ritmo do chorinho representava as bicadas e a velocidade do passarinho tentando pegar algum fubá. Virgo tocou o mais rápido que pode a última parte da música e um som fino a desmanchou.

Iniciou suavemente a última música. A melodia formada por sons agudos representando os de uma flauta. As notas mais graves e mornas era o acompanhamento do cavaquinho. Ela, obra de Ernesto Nazareth, foi composta para ser uma polca, mas só tempo depois entrou nas rodas de choro. O compositor dedicara ela, ‘’ Apanhei-te o cavaquinho’’, ao amigo Juracy Nazareth Araújo, um compositor amador. Ernesto executava músicas populares no piano, geralmente em frente a um cinema. Detestava o modo rápido que alguns artistas tocavam sua música. Ele teriam que arpejar a mão esquerda, dando a impressão de um cavaquinho. Os musicistas simplesmente esqueciam disso. Diferente as duas canções anteriores, esta acabara de forma suave.

Antes de se levantar, Virgo ouvira um assobio. Dirigiu seu olhar para o público e viu que fora Leo. Revirou os olhos e se levantou. Letícia e ele agradeceram as pessoas e saíram do palco. Virgo mandou uma mensagem Leo, pedindo que se encontrassem num lugar fora deste. Segundos se passaram e recebeu a confirmação. Duvidava que Leo gostasse da surpresa, porém ele tentaria.

— Virgo!

— Oi. Vamos.

— Estou confuso, porque está apressado?

— Vai ver.

Entraram numa loja de instrumentos. Havia baterias na entrada, do lado direito. Pianos do lado esquerdo. Além de pôsters nas paredes, tinha guitarras de vários modelos e diversas cores. Virgo puxou a mão de Leo e andou apressado no chão de madeira. Chegou na sessão que queria. Instrumentos de metais e cordas foram postos cuidadosamente em um modelo de estante.

— Escolha. — apontou para a fileira de violinos.

— E-estou sem dinheiro, não dá... — riu nervoso.

— Tudo bem, eu pago.

— Ei! Eu não posso deixar você pagar tudo!

— Então pode pagar, não é? Pago metade.

— Não acredito que está fazendo isso. — sorriu com ternura.

— Eu sou uma caixinha de surpresas. — imitou o tom de Leo.

— Pare de tirar sarro da minha cara! O que eu fiz para merecer?! — aproximou-se de Virgo e esfregou seu nariz no dele.

Virgo estava torcendo para que Leo não notasse a coloração avermelhada no seu rosto, mas logo se tranquilizou, pois viu que o outro não estava diferente dele.

— Vamos, o tempo passa. — afastou-se.

— Siim!

Notas finais
Aqueles amigos que parecem que estão namorando, mas não estão. O que acharam? A Letícia Gonçalves é a Lea, só avisando. A fanfic pode se passar na Europa(deixei algumas dicas de onde é neste capítulo, vamos ver se conseguem descobrir o país) mas eu não poderia deixar de falar sobre o Brasil. BRASIL SIL SIL. A letra da primeira música fala de Forrobodó, que significa baile, festa popular. Tico-Tico no Fubá é bem famosa. Foi usada até num filme do Walt Disney. Apanhei-te o cavaquinho também é uma expressão para pego em flagrante. Será que o amigo de Ernesto o traiu? Achei que o capítulo iria ficar menor, porém não ficou. Bom, a fanfic é curta. Planejei praticamente tudo desde quando comecei. Este é o penúltimo capítulo. Talvez tem um epílogo, provavelmente vai ter. Então, serão no total seis capítulos. Focarei em outros pontos da história de agora em diante. Fufufu~ Depois dessa fanfic escreverei uma fanfic do shipp Klance( eu estou louca por esse shipp, me ajuda, por favor -q) e um especial de natal de LeoVirgem/VirLeo. Não sei o que mais dizer. Estou morrendo de sono. Qualquer erro me avisem. Yey. Beijos de sol e obrigada por ler.