Phrenesis
12 While Your Lips Still Red
Notas iniciais
Dia 1
Brian nos cedeu uma tarefa um tanto inesperada, selecionou um grupo pequeno para os testes iniciais. Gente que ele mesmo atendia, já que ele não era o único psicólogo. Eu não conseguia botar fé naquilo, ao contrário de Frankie, que só faltava dar piruetas.Era o seguinte: Um dia desses, o menor reclamara do jardim para Molko, dizendo que estava muito abandonado e o quão seria linda a restauração – era uma daquelas sessões de desabafo em grupo -, e eu concordei, assim como alguns que estavam ali. Tempos depois ele veio com a ideia de que nós poderíamos arrumá-lo. Coisa básica como cortar e aparar algumas rosas. O problema é que seguraríamos aqueles tesourões enormes. E o objetivo era esse: ter aquela ferramenta suicida na frente, sem nenhuma tentativa de se machucar ou machucar o amiguinho ao lado. No caso, faríamos em dupla para uma maior segurança – sério, isso não era sinal de segurança. Pelo menos para mim -, além daquelas algemas chatíssimas que custavam em roçar no meu pulso. No dia seguinte teria que ouvir reclamações das enfermeiras achando que eu estava me cortando ou algo assim. Contudo não ligava, eu iria passar um ótimo tempo com Frank.
— Ai – Pausou, fez careta e começou a chupar o dedo indicador – espetei. De novo. – Disse Frank, depois de estancar o pouco de sangue. Já deveria ser a quinta vez que ele espetava o dedo nos espinhos das rosas.
- Veja pelo lado bom, não foi um machucado acidental. – Disse tentando soar divertido, enquanto tirava os espinhos da rosa que ele cortava.
- Nah, não é como se eu estivesse doido para me matar. Estou perfeitamente bem. – Frank respondeu com certo brilho nos olhos. Meneei a cabeça, rindo em sincronia.
— Para você – estendi a rosa sem espinhos para ele, e Frank com um sorriso a aceitou. Óbvio que não fora nada bonito, porque ele estava com as algemas e todos os movimentos tornavam-se limitados.
- Eu me sinto um psicopata com essa coisa pendurada – Falou Frank com as sobrancelhas arqueadas -. De qualquer modo, obrigado.
– Aproximou-se de mim, e me deu um beijo rápido (com direito a mordida no lábio inferior), sem antes checar se tinha alguém vendo.
- Hey – Jeph e Jimmy se aproximaram por trás da moita volumosa –, não adianta vigiar antes, eu tenho olhar de raio-x! – Jimmy disse apontando para os olhos. Frank corou.- A gente precisa de ajuda com as trepadeiras, Syn e Ronnie já estão lá. Vocês aceitam? – Jeph nos questionou sem rodeios. Meneamos a cabeça e seguimos os garotos.Passamos o resto da tarde sob o sol quente, o tempo sendo refrescado pela brisa leve. Uma das melhores que já tive.
Dia 2
- Tem certeza de que não viu nada? – Disse, remexendo a omelete já fria. Ele insistia na mesma pergunta, e eu em contrapartida o respondia com o mesmo tom.
-Já, Frankie... – Suspirei, dando uma olhada em volta ao refeitório. Realmente, não havia ninguém o seguindo ou sussurrando coisas em seu ouvido. – Coma antes que isso congele de vez. Frank meneou a cabeça fracamente, se encolhendo no acento. Deu uma garfada e engoliu a comida lentamente, soltando um grunhido baixo. Desde quando acordou adquirira comportamentos estranhos. Andava receoso, estava meio abatido. Eu achei que fosse medicamentos novos, mas tudo se encaixou direito pouco tempo depois. Estava começando a soar e ofegar, isso sem fazer exercício nenhum. Os olhos começaram a lacrimejar, e dava para perceber que o menor estava terrivelmente espantado.
- Eu sinto, tem alguém... sai... SAI DAQUI! – Caiu em prantos enquanto levantava rapidamente do lugar e corria feito louco para longe do refeitório. E eu assim como os outros, permanecia com um grande ponto de interrogação na cabeça. Brian que antes estava encostado na batente da porta do refeitório, foi em disparate em direção a um dos corredores para pegá-lo, e eu fiz o mesmo. A diferença é que, ou ele estava muito cansado ou eu estava muito, porque eu o ultrapassei em questões de segundos, antes que Frank fechasse a porta do dormitório, seu novo esconderijo.
- Me deixa entrar. – Disse para ele. Brian permanecia estático em seu lugar, com sinal de expectativa em seus olhos. O menor abriu espaço, deixou-me entrar, e escorregou na porta de madeira desgastada. E agora, o que eu faria? Frank, você está vendo coisas, trate de sair daí e deixe Brian te tratar, ok? Não. Definitivamente não. Por mais que fosse eu, ele não iria acreditar, eu já estava pegando conhecimento das coisas que ele tinha. Eu só tinha apenas uma chance, antes que ele surtasse de vez.
- Eu não queria dizer para você, mas ele... está aí. Vem te pegar. – Suspirei, agachando-me para ficar em seu campo de visão. Ele estava começando a chorar.
– Frankie, não se preocupe, é só seguir o que eu digo, okay? – Tentei soar o mais confiante possível. Deu resultado quando ele meneou a cabeça, concordando. – Tudo bem, deita na cama. Se você estiver com muito medo, tape os olhos, vire para a parede. Eu só vou verificar se ele está perambulando por perto, uh? — Okay. – Frank concordou, levantou de fininho e deitou na cama, espremendo seu corpinho frágil contra a parede. Só então eu pude perceber o quão frágil nós somos, o quão poderosa nossa mente é. Eu estava tentando protegê-lo, porém aquilo soava como se eu estivesse contra Frank.
Abri a porta vagarosamente, olhei para o lado e ali estava Brian acompanhado de um enfermeiro, perto a batente. Fiz sinal com a mão para que eles se aproximarem. Os dois entraram e viram Frank virado à parede, encolhido. Sabe aquele negócio de sensos mais sensíveis? Então. Ele rapidamente abriu os olhos e percebeu que os dois queriam pegá-lo. Ele ficou bem mais pálido, e revezava o olhar entre eles e eu, em um pedido de explicação muda.
- Você me enganou, Gerard? – Disse, com a voz embargada, tremendo minimamente. Droga. Eu estava com vontade de chorar.
- Tudo bem Gerard, obrigada. Você pode esperar lá fora. – Brian disse gentilmente, sem tirar os olhos do alvo. Não é como se eu tivesse escolha, e mesmo se tivesse, preferia ficar lá fora em vez de ver aquela cena horrível. É, fraqueza. Se coloquem no meu lugar: ‘entregar’ a pessoa amada que foge de alguém que nem existe, e ainda se sentir mal por isso.
Fiquei esperando lá fora, enquanto ouvia toda a luta para pegar Frank. Quando ele saiu, os olhos amendoados estavam entreabertos, brilhantes e vermelhos por excesso de choro. Ele balbuciava coisas como “Eu acreditei em você”, “Você me entregou agora eu vou morrer”, “Eu te odeio”, e afins. Não preciso dizer que fiquei arrasado. Meu coração tinha despedaçado em mil partes, porque eu tinha conseguido estragar tudo. Eu simplesmente não sabia lidar: Ou o entregava para Brian, ou deixava-o naquele estado de alucinação, e como ele tinha prometido me ajudar, eu faria o mesmo com ele. Só que não era tão fácil assim.
Ele foi arrastado para o segundo andar.
Dia 3
Com minha estupidez excessiva, achei que Brian fosse deixar Frank lá em cima por algumas horas. Coisa básica como fazer exames idiotas ou receitar mais um quilo de remédio. Contudo, ele ficara mais tempo que imaginei: duas horas, três horas, doze horas, um dia, dois dias. Dois dias sem ele ao meu lado. Soou deveras clichê e meloso, eu sei. Mas tente o mesmo, tente se afastar dela ou dela quando se está tão acostumado com a sua presença. É difícil. Eu digo, nós praticamente dormíamos juntos – sem malícias. Era chato e tedioso fazer qualquer coisa sem ter ele ao meu lado. Tinha os palhaços de sempre, tentando me por para cima – muitas vezes acidentalmente -, mas não dava. Simplesmente não dava. Eu olhava para qualquer coisa e pensava em Frank, e o quanto ele deve estar me odiando nesse exato momento. Jeph me dissera que às vezes, quando o caso é muito maluco, eles botam uns fios na cabeça para o cérebro do paciente ser eletrocutado. Vai que isso aconteceu com ele? Eu perguntei pro Brian, se ele estava bem, quando ele poderia sair. Ele respondia que Sim, está tudo bem, ótimo estado, ele sairá o mais breve possível, e só. Como seria suposto eu ficar mais leve quando eu tinha poucas informações?
Então eu fiz uma coisa muito, muito idiota (mas que valeu a pena depois): Dei uma de louco. Sério. Comecei a gritar, jogar toda a comida do refeitório no chão e desejar a morte de todo mundo. Só faltou eu começar a babar. Os garotos inclusive, olhavam para mim com receio, com garfos postos em mão mas – agora – sem nenhuma comida para enfiar na boca, porque eu tinha jogado tudo para os ares. Não demorou muito para que algum enfermeiro babaca me arrastasse para o segundo andar. E eu tive a maravilhosa oportunidade de morder o braço dele. Algum tempo se passou, e eu estava em uma das celas daquele lugar desbotado, com Frank a alguns metros de mim – para minha sorte, na cela da frente. Era bastante assustador desde a última vez que eu fui lá. Talvez os gemidos constantes que vinham de ambas as paredes que dividiam o quarto pequeno.
Eu estava o observando atentamente, não podendo perder nem um gesto do menor. Ele, aparentemente, estava terrivelmente pálido com olheiras enormes. Não conseguia dormir. Em gestos terrivelmente curtos ele retirara um bloquinho debaixo do travesseiro junto com uma caneta, e com ela pôs-se a escrever algo que me deixou muito curioso. Segundos depois ele enganchara a caneta no caderno e o fechou, logo depois deixando o deslizar no chão até que chegasse a mim. Abri o bloquinho na página que ele tinha marcado e li tudo minunciosamente.
“O que você está fazendo aqui?” Ele escreveu.
“Fiquei com saudades. Desculpas?” Respondi com a letra de garrancho.
“Claro, a culpa não foi sua, você só tentou ajudar. Obrigado, de qualquer forma, era para eu estar aqui. Vai ter que aguentar esses meus chiliques por um longo tempo. O único que deve desculpas sou eu... o que eu posso fazer para recompensá-lo?” Redigiu, sua letra redonda.
“Uh... eu te quero” Palpitei.
“Eu acho que... estou apaixonado por você” Contrapôs, desenhando um coração besta ao lado da última frase.
“Eu também estou” Completei, com o coração acelerado e um sorriso enorme no rosto.
Ele descansou o caderninho sujo ao seu lado e mandou um beijo pelo ar. Passamos a estadia inteira trocando recados ou fazendo contato com os olhos.
Ps: Estávamos deitados no chão.
Dia 4
- Megadeth é melhor, já disse – Comentou, com as mãozinhas tatuadas pousadas na barriga.
- Nuh-uh, Metallica que é – Voltei a encará-lo da minha cama com semblante de quem tem toda razão, fazendo com que ele me mostrasse a língua.
— Heeey – Comecei, como se estivesse ofendido e levantei da cama. – Ninguém te ensinou a ter bons modos? – Frank me encarou, entortou o nariz e me puxou para sua cama pelo meu pulso.
- Meus pais morreram quando eu era pirralho, não aprendi muito disso – Deu desculpas. De certo modo isso apertou meu coração, ele falava com tanta naturalidade. Frank percebeu que eu tinha ficado meio desconcertado: Pousou uma das mãozinhas no meu rosto e começou a guiá-lo para perto de sua boca. Tivemos um beijo calmo, e depois, ele ajeitou minha franja.
- Não precisa ficar assim, eu estava brincando – Suspirou Frank. Eu meneei a cabeça, deixando claro que eu tinha entendido.
Ele me puxou mais ainda para perto de si. No momento, eu estava deitado sob ele, as mãos apalpavam o lençol branco, para sustentar minha cabeça que encarava aqueles olhos de cor indescritível. Dependia do humor, do lugar, mudava o tom. E eu achava aquilo lindo. Quer dizer, eu dizia que seu olhar transparecia os sentimentos, mas pelo brilho, pelo modo mesmo que ele me olhava. E tinha isso da cor, que tornava tudo mais claro, diferente, mais bonito. Mais Frank. Eu estava começando a me apaixonar por ele.Dei um sorriso bobo e mordi seu lábio inferior, Frank correspondeu mordendo o meu lábio superior. Ficamos assim até que aquilo se transformasse em um beijo profundo, carregado de sentimento. Pedi passagem, e ele deu. Começamos uma briga interna de quem comandava, nossas línguas partiam instintivamente para as partes que jugávamos serem certas ou melhores, e no fim nós dois ganhávamos. O menor, que antes pousava as mãos em minha nuca, começou a descê-las pelas minhas laterais, devagarinho, até que chegasse na barra da blusa. Ficou brincando, enquanto eu deslizava minha mão por suas coxas. Frank parou com tudo, bruscamente. Distanciei meu rosto e o olhei, perguntando internamente se eu tinha abusado demais. Eu esperaria o quanto ele quisesse.
- Posso tirar sua blusa? – Disse, com aqueles olhos brilhantes. Perguntou feito uma criança. “Hey mamãe, posso chupar picolé?” Pode sim, claro que pode. — Faça o que desejar – Respondi, categoricamente. Frank meneou a cabeça, sorriu e começou a tirá-la em um ritmo lento. Pra me provocar. Estávamos sensíveis já, àquela altura do campeonato: Enquanto ele retirava, simultaneamente descia-me um frio na espinha, muito bom por sinal.
Então foi a minha vez. Em meio aos beijos vezes desconexos e molhados, fui tirando a blusa de Frank – rapidamente, pois eu era impaciente — que agora estava sentado em meu colo. Com as nossas partes de cima despidas, troquei nossos lugares novamente, e em uma fração de segundo permaneci no colo de Frank. Comecei pelo pescoço tatuado, deixando trilhas molhadas de beijinhos rápidos. Ele não parava quieto debaixo de mim.
Comecei a descer pelo seu peitoral – que por surpresa era bem definido – chupando e mordiscando-o — a intensão era deixá-lo marcado como prova de que ele era meu e de mais ninguém –, fazendo o suspirar mais e mais.
- Sentiram saudades? – A porta se escancarou. Eu não queria tê-lo visto.
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