Phrenesis

13 Slaying the Dreamer


Notas iniciais
OI GENTE :3 é com tristeza no meu coração que digo que só falta mais um capítulo (e o epílogo e talvez a NC) pra fic acabar :~ está sendo uma honra postar pra vcs. ♥

Vejo que cheguei quase em cima da hora! — Bert exclamou, esfregando as palmas. – Será que tem lugar para mais um? – Perguntou desafiador. Sério, era só o que me faltava. Acho que eu estava delirando porque Frankie era muito bom ou algo assim. Tudo menos a realidade. O que Bert estava fazendo ali, todo alegre? Ele não poderia ter fugido, porque até aquele ponto do campeonato com certeza alguém o teria visto.

- O que você está fazendo aqui? — Frankie cortou, espantado. Sentou-se de forma categórica na borda da cama e esperou a resposta de Bert, com receio. Ele estava tão confuso quanto eu, e talvez, até mais. Há alguns minutos atrás, estávamos quase transando, e agora Bert entra no quarto como se tivesse chego em casa depois de um cansativo dia de trabalho? Okay.

- Ao contrario de vocês, o pessoal do outro prédio adorou minha presença. As enfermeiras nada viram de anormal em mim, então me transferiram novamente. Estão vendo? Vocês são mais loucos que eu. — Mostrou a arcada dentária em um riso escandaloso, espantando Frankie.

- Aquilo tudo foi um grande mal entendido, aposto que quando vocês ficam nervosos, besteiras pulam de suas bocas. Vocês deveriam ter dado um desconto para mim. – Bert disse, desconsolado, olhando para o chão.

Não, aquilo tudo estava errado. Bert era psicopata, ele não sentia porra nenhuma. Ele poderia matar os próprios pais e ficar feliz com isso. Ele poderia matar todo mundo na terra e ficar com consciência limpa, e só fazer isso por luxos particulares. Era o que resumia Bert.

Eu e Frank nos entreolhamos, procurando uma resposta pelos ares, pelas manchas frescas em nossas peles. Nada.

- Mas okay, isso são águas passadas, a correnteza é forte. Eu perdoo vocês. – Disse, apoiando o queixo em mãos, encarando o peitoral de Frank. Sai, você não pode olhá-lo.

- Bert — comecei, tentando soar o mais paciente possível, eu realmente não queria perder o controle e estapeá-lo ali -, ninguém tem que te pedir desculpas. – Simples assim, essa era a verdade. Bert era um canalha e não merecia nada além de sofrimento.

Ele me olhou todo carrancudo, mandou um beijo para – o meu – Frankie, e saiu, trancando a porta, sem antes tentar me irritar mais ainda. “Você não sabe o que está falando, docinho.”

- Eu estou com medo – disse Frankie com voz embargada, sincero. O abracei, de leve, tentando reconfortá-lo. Ele me abraçou de novo, na parte inferior das minhas costas, afagando de leve. Recostou a cabeça no meu ombro e permaneceu sob minha proteção.

Eu tentava convencer a mim mesmo de que estaríamos seguro, mas aquilo era uma tarefa praticamente impossível, ao decorrer dessa circunstância. Ainda bem que eu tinha aproveitado muito a companhia de Frank. Eu sei que isso quase soava como um testamento, mas parecia que aqui dentro todas as coisas se tornavam tão sensíveis e frágeis.

Ninguém tinha completo controle sob si mesmo, não adiantava tentar: O que é pra ser, tem que ser. Mas somos persistentes, o ser vivo não desiste tão facilmente, uh? Pelo isso acontece quando temos algo valioso. O meu diamante estava ao meu lado. Tão brilhante que cegava seus próprios olhos ao ponto de não reconhecer seu próprio potencial.

Frank’s P.O.V

Hematoma I

A água morna ajudava a expulsar um pouquinho dos pensamentos pesados que impregnavam minha cabeça outrora. Agora eles saiam devagarinho, um por um, descendo pelo ralo em forma espiral, do mesmo jeito que faziam com o meu cérebro. Talvez o banho fosse uma das horas mais distraídas do dia.

Uma das causas era que as portas dos boxes ficavam abertas o suficiente para verem meu traseiro branco. Era segurança, sempre segurança. Deveras vergonhoso, mas você se acostumava uma hora.

Bert estava se ensaboando no box ao lado, muito quieto. Ele geralmente tagarelava com quem quer que fosse, sempre matracava. Isso foi porque eu estava perto de receber meu primeiro hematoma.

Ele ligeiramente pegou o ralo de ferro que ficava obviamente no chão e o lançou contra mim no nível de seus tornozelos, como se fosse um bumerangue, já que tinha um espaço suficiente abaixo para passar uma pessoa.

Ficou roxo e fez um corte mínimo, brotando gotinhas de sangue dentre ele. Doeu. Pra caralho.

- Se você gritar agora, vai ter que gritar pra mim mais tarde também. No meu ouvido. – Sussurrou, provocativo.

Ninguém viu, se viu, manteve a boca fechada e fingiu que não aconteceu. Então eu certamente não teria nenhuma opção a não ser ignorá-lo.

Hematoma II

Era muito bom conversar com Brian. Eu tinha esse problema, não sei se era o único, mas eu esquecia coisas básicas que me faziam mais forte mentalmente no decorrer dos dias. Pequenos conselhos e exemplos que me deixavam melhor e faziam com que eu refletisse sobre tudo e todos, me colocasse a um passo a frente do meu passado. Eu achava uma das melhores sensações do mundo, junto com tomar banho frio nos dias quentes. Só que eu esquecia que era um pouco melhor que imaginava quando as coisas começavam a se desandar.

Bastou alguns passos – físicos, agora – para que eu com todo azar do mundo, trombasse em Robert. A principio eu me esquivei, tropecei nos meus próprios pés e fui pego pela parede mais próxima. Bert me olhou, virou a cabeça para o lado como um cachorrinho desentendido e pediu desculpas. Ele pediu desculpas para mim. Então se aproximou devagarinho e depositou um beijo na minha boca, com toda calmaria. Segundos depois ele saiu saltitando, vezes olhando de soslaio com um maldito sorriso na boca.

Sorriso de ‘há, por mais que você tente, você não vai conseguir me vencer’. Eu não conseguiria. Eu sabia que eu não teria futuro, que eu era um ridículo de um fraco, e ugh. Eu estava fazendo aquilo de novo.

Eu estava sendo sincero comigo mesmo, só isso. Todos ali tinham sua estadia limitada, entravam, logo saiam. E eu permanecia aqui junto com aquele filho da puta, sempre e sempre. Parecia que eu nunca haveria paz, e o pensamento de que eu teria que sofrer junto com ele por anos e anos me deixava deprimido e sem esperança. Eu não aguentava mais reprimir choros.

Gerard’s P.O.V

Bert voltara com todo o fogo do mundo. Ele estava pior que nunca, chegávamos a nos ameaçar com comprimidos, injeções e até facas de plástico enquanto não tinha nenhum supervisor por perto. Quem sofreria mais ao longo de tudo aquilo era Frank. Não tínhamos a mesma grade, ou seja, ele estaria no psicólogo enquanto eu por exemplo estaria pintando. Nada batia, e por isso, ficávamos distantes a maior parte do tempo. Apesar daquele lugar não ser uma cidade, era suficientemente grande e nos ocupava demais a ponto de me preocupar com a saúde do menor. Porque eu sabia que ele era sensível e que ele também estaria preocupado comigo àquela altura do campeonato.

Ele tinha aquilo de querer ser melhor que todos e eliminar quem era uma ameaça. Ou por diversão, tanto faz. Frank já estava com sérios hematomas em todo seu corpo, e o pior de tudo era que ninguém acreditava nele. Todos – menos Brian – achavam que ele estava tendo mais um de seus ataques típicos.

Eu estava me sentindo vulnerável pra caralho.

O cheiro doce que emanava do cabelo de Frank, sua pele macia entrando em contato com minha barriga, meu braço envolto em seu frágil corpo em procura de suas mãos tatuadas, a respiração serena, as pernas entrelaçadas. Alguns tapas no meu braço.

- Que diabos...? – Resmunguei baixinho, movendo-me para abrir os olhos. Levantei – tristemente porque tive que abandonar o calor do corpinho dele -, meio zonzo, permaneci com cara emburrada ao notar Jepha e Jimmy na minha frente, de braços cruzados.

- Oi? – Disse, sarcástico. Oi, como anda a vida, pessoal? Essa não é uma ótima madrugada para botar as novidades em dia? Sim! Não. Saiam daqui, por favor. – O que vocês querem?

- Precisamos dar um jeito em Bert – Falou Jepha categoricamente, com um livro em mãos. Jimmy acenou a cabeça violentamente – sério, achei que ele fosse deslocar a cabeça tamanha veemência -, concordando com Jeph.

- Realmente, vocês estão certíssimos. – Imitei o gesto de Jimmy – Mas vocês não acham que escolheram um horário meio idiota? – Enfatizei a última frase. Acho que eles não tinham relógio ou os remédios zoavam seus horários biológicos.

Frank continuava no sono profundo, como um bebê.

- Não, nós já temos um plano e precisamos da ajuda de você e de Frank. Acorde-o. – Jepha disse apontando para o menor dorminhoco, todo confortável.

Eu fiquei com dó de acordá-lo, aquela era a cena mais fofa que eu já tinha visto. Mas meh, eu queria ver isso outra vez, e com Bert aqui as coisas não funcionavam bem. Agachei a sua altura e beije-lhe a testa com cuidado, afagando seu cabelo para que ele acordasse.

- Acorda... – Sussurrei. Não demorou muito para que ele despertasse vagarosamente, esfregando os olhos com uma careta e abrindo os olhos minimamente. Estava brotando um ponto de interrogação de sua cabeça.

- O que aconteceu? – Foi sua primeira pergunta. Ele sentou-se na beirada da cama, encarando a mim e aos demais garotos. Ambos precisávamos de explicações.

- Já sabemos como eliminar Bert. Olha, Syn e Ronnie estão cansados de Bert assim como nós, ou até mais. Sei lá, vai saber o que ele já fez com eles. Então ele nos deu o molho de chaves que dá acesso a praticamente tudo, isso facilitou. A gente pode ir à diretoria daqui e destruir algumas coisas, depois dar um jeito de culpar Bert. É infalível. – Jepha sempre quieto, disse com garra, chacoalhando o molho.

- E então? – Jimmy perguntou, com os olhos arregalados, na expectativa.

- Parece fazer sentido – Respondeu Frank, passando a mão na cabeça enquanto suspirava. – Mas eu estou com sono. Hmmmmmmm. – Se jogou para trás, deitando novamente.

- Vem, vamos lá para cima, seu mimado – Cutuquei seu ombro, para que ele me obedecesse. Mas quem disse que ele fez isso? Frank fez um biquinho quase como se fosse chorar, e seus olhos ficaram brilhantes, grandes e expressivos. Filho da puta.

- Veeeem – puxei-o, então ele ficou no meu colo, com a cabeça apoiada nos meus ombros e as pernas envoltas na minha cintura -, seu folgado. – Ele gemeu em resposta.

- Eu vou vomitar – Jepha disse, entediado.

- Vamos! – Jimmy exclamou, com as mãos para cima. Agia como se fosse uma criança de dez anos pronta para ir ao acampamento de verão.

Saímos do dormitório de fininho, tentando não produzir nenhum ruído sequer. Fora uma tarefa deveras difícil, porque Jimmy parecia ser eletrocutado a cada dois segundos, de tão energético que o garoto era. Ele andava na frente, dava volta, apontava pra portas, era irritante. E Frank no meu colo respirando contra meu pescoço, resmungando porque Jimmy não parava quieto.

- Como sabemos que Bert está em seu dormitório? – Perguntei para Jepha, procurando por mais segurança. Não seria legal se esbarrássemos por aí. “E aí Bert, a gente vai pintar o sete no segundo andar e botar a culpa em você, okay?”

- Ronnie. – Olhou para mim, meneando a cabeça. Depois voltou a olhar para frente, tomando conta do canguru serelepe. – Ele disse que ia cuidar de Bert por nós.

Chegamos à diretoria do hospício. Ao contrário do resto do local, lá era escuro devido aos variados móveis de madeira. Estes eram ilustrados, limpos, aparentavam ser novíssimos. No chão, tiveram a má escolha de botar um urso morto como tapete, para todos pisarem nas costas do bichinho.

Tinha um sofá de estofado escuro no recostado na parede – que possuía vários quadros baratos em sua extensão, natureza morta e barquinhos descansando ao pôr-do-sol, impressos e vendidos em séries. Uma vergonha. – parecendo ser bem aconchegante.

Eu me aproximei dali, me agachando com cuidado para não acordar Frank e depositando-o no sofá com todo cuidado. Ele se remexeu um pouquinho, bocejou e virou o rosto para a parede. Resmungou.

- Hmm, tem uma bolsa cheirando a fumaça de cigarro na minha cara. – Avisou-me, jogando-a no chão com maior descuidado, quase me acertando. Quase tudo que havia dentro da bolsa se espalhou pelo chão: Maço de cigarros, RG da enfermeira – gostosa, segundo Radke -, preservativos, documento com título de Robert Edward McCracken, moedas...

Quê?

Lentamente peguei a papelada amassada, ignorando todos aqueles objetos jogados chão, e comecei a ler.

Ficou atônito e deveras curioso do que aquilo poderia ser. Quis até acordar Frank, mas voltou a encará-lo novamente com aquela respiração tranquila e rasa de bebê. Melhor não — Bert era seu bicho papão. E com os traços infantis, era fácil julgar que cada pesadelo em seu olhar, minunciosamente se tornava exageradamente grande. Todo mundo ali era dramático, inevitavelmente.

Chamou Jeph e Jimmy que iniciariam a bagunça logo se eu não os chamasse. Balancei a cabeça com certa urgência. Vamos, porra. O tempo não espera, e eu tinha um pressentimento de que aquele documento seria importante para nós de algum modo.

- Oi? — Jepha me atendeu, seu foco de atenção era o mesmo que o meu, aquela folha que pedia para ser lida.

Estendi o papel amarelado para que ele pudesse ser lido por ambos com clareza.
Nas margens da folha, nome, endereço dos testes, números, coisas fora do nosso interesse. Meh. Mas ao descer um pouco mais junto ao polegar, as coisas aparentavam mais estranhas. Eu vacilei para ler.

- Aqui — Jepha fazia careta enquanto apontava. Engoli em seco. Falou em alto e suficiente tom para que todos — inclusive Frank — escutasse. Era daquele tipo de cena que você iria reviver para o resto da vida. Não que seja tão importante para o curso da sua vida, mas porque ela tornaria impactante, e quem sabe, daria uma história boa e inacreditável para seus futuros netos. Não tanto por mim, mas por Frank. Ele não imaginaria isso de jeito nenhum.

- Obs: Paciente McCracken não apresenta nenhum transtorno mental, portanto, diante de seu estado comportamental, é considerado culpado. – O friozinho na barriga alastrava-se para o corpo inteiro, envolvendo a espinha friamente por entre as bordas do tronco, subindo até a nunca, eriçando todos os pelinhos. Isso acontecia nos mínimos dos casos. Como da vez que mamãe descobriu que eu comia garotinhos.

Ninguém disse nada. Ninguém se moveu. Ficamos estáticos, cada um preso em seu próprio pensamento e própria suposição do que aquilo poderia significar. A verdade era que aquele documento mais trazia respostas que perguntas. A começar por:

- Alguém me diz por que diabos isso aqui estava na bolsa dela? – O pensamento alto tomou conta da minha boca e saiu de forma esgoelada, quase como se estivessem me enforcando. Completamente desafinado.

Jeph fez cara de pensador e quase faltou pronunciar um “elementar, meu caro amigo”. Jimmy estava quase babando, com os olhos esbugalhados. E Frank olhava ternamente para mim, como se quisesse ler meus pensamentos em busca de alguma mísera pista do que poderia ser tudo aquilo. Sim, ele tinha acordado com aquela minha voz de gato morrendo.

A sensação era no mínimo estranha. Saber que aquele papel em minha mão seria o fim definitivamente de todo aquele mal estar que Bert causara em nós. Estávamos dando o troco, e isso era tão bom. Eu estava louco e ansioso para poder vê-lo atrás de alguma grade velha toda enferrujada nos cuidados de policiais mal humorados.

Nem precisaríamos fazer a baderna no lugar, era só pegar aquele papel e pronto... ou Bert seria detido ou estaríamos fodidos por roubar e entrar na diretoria do hospital. De qualquer jeito, eu estava preparado para fazer isso. Sentia que precisava honrar o nome de Quinn e tentar tornar a vida de Bert um inferno.

Eu estava levando ao lado pessoal cada vez mais. Eu lembrava um pouco de mim quando olhava para Bert. Eu queria eliminá-lo completamente assim como eu fiz com meu irmão. Porque de algum jeito eu queria avisar o caçula que eu ainda sentia falta dele e faria qualquer coisa para tê-lo de volta comigo. Qualquer coisa.

Não dava para contar nos dedos as razões pela qual eu queria que Robert se danasse. Eram inúmeras e eu estava doido para botar tudo aquilo em prática.

Mas só amanhã, porque hoje estamos todos sonolentos.

Após expor tudo que queria, dei um olhar cúmplice a todos ali, peguei Frank com cuidado, botei a bolsa no lugar – só o papel que estava debaixo do meu braço – e saí. Dormi abraçado com Frank, esperando que seu calor e carinho me amortecesse por um longo tempo.

Notas finais
Galere, eu acabei de fazer uma oneshot Frerard, e eles são vampiros asdjladkfasd então se vocês quiserem ler (kk propaganda básica) https://www.fanfiction.com.br/historia/215967/Nocturno :3 bejocas e obrigada ♥