Phrenesis

2 Welcome To The Family


Notas iniciais
Oi gente. Eu ia postar mais cedo mas acabei me esquecendo :/ espero que tenha alguma alma acordada ou sei lá dasjdklasjd. Eu li as reviews de vocês e fiquei super feliz, sério. muito mesmo. obrigada ♥ se alguém quiser saber quando a fic vai ser atualizada, fala no twitter (@vampsico) que eu aviso por lá :3 valeu.
o título é da música do a7x, pra quem quiser ouvir. http://letras.terra.com.br/avengedsevenfold/1710427/traducao.html geralmente não tem muito nexo com o capítulo kkk, mas eu não tenho criatividade. sahdjasd

O quarto era simples, e Gerard teve de admitir que aquilo lhe passava uma sensação de aconchego. Paralelamente à porta se encontravam duas camas de solteiro e entre elas um abajur em cima do criado-mudo desgastado. Na cama à direita as malas antigas de Gerard estavam posicionadas milimetricamente, e em cima de uma delas alguém depositara um bilhete pequeno que despertara a atenção do novato.

“Sr. Way, sua primeira consulta é amanhã, depois do almoço. Pegue este tempo de sobra para refletir sobre si mesmo e por em ordem suas dúvidas. Ao seguir isto, garanto que teremos um ótimo progresso. Cuide-se e não deixe Bert roubar suas coisas. Atenciosamente, Sr. Molko.”

Gerard lera cada palavra minuciosamente com os olhos estreitos, e ao terminar fez uma breve careta olhando para um ponto perdido. Primeiro que ele não pedira ajuda para ninguém, e mesmo que alguém o ajudasse ele saberia que era por pura obrigação ou até por pena. E depois, como ele poderia esclarecer tudo que estava sentindo no momento se nem ele mesmo sabia o que estava acontecendo em sua mente? Ele ainda estava digerindo os últimos acontecimentos que acontecera em sua vida; e suas antigas passagens que deixara marcas profundas em seu coração ainda eram completamente confusas e assombrosas. Não era fácil lembrar-se de seu passado; tentava evitar ao máximo ter que expor aqueles malditos sentimentos, por mais que inconscientemente durante anos tenha as vivido intensamente tentando afogá-las em bebidas.

– No que está pensando? – Bert o despertou de seus devaneios, tentando olhar o bilhete por cima do ombro de Gerard.

– Uhm... No porquê do Brian ter me dito para tomar cuidado com minhas coisas, pois você poderia roubá-las – Gerard deu os ombros, dando uma falsa justificativa.

Sentiu as mãos de Bert empurrá-lo para o lado com força e arrancar-lhe o papel que segurava, seus olhos quase faiscavam de tanto ódio e seus dentes estavam cerrados, descontando parte de seu ódio ali. Gerard arregalou os olhos com a cena e se esquivou na parede automaticamente, estranhando ver Syn olhando-o como se fosse algo típico do garoto; Bert rasgou o bilhete em inúmeros pedaços e jogou no chão, cuspindo e amassando com a sola do tênis, finalmente parando a ação com a respiração falhando.

– Que diabos?! – Foi apenas o que Gerard conseguiu pronunciar, retesou o corpo vagarosamente e engoliu em seco, ainda espantado com Bert.

– Ele tem sociopatia e cleptoman- Antes que Synyster pudesse completar qualquer sentença, Bert golpeou sua barriga com força, fazendo este cambalear e cair sobre a cama de Gerard. Ele colocou uma das mãos sobre a barriga fazendo uma careta de dor, acompanhado de alguns tossidos esganiçados a procura de ar.

– Você é louco?! Sabe que eu tenho hemofilia e faz isso comigo? Quer que eu morra?! – Syn vociferou eufórico, seus olhos estavam mais brilhantes que o comum, evidenciando que ele poderia cair aos prantos a qualquer momento. Bert deu uma risada sarcástica e sentou por cima dos quadris de Synyster, fazendo este não se aguentar e chorar exageradamente.

– Filho da puta, você não tem hemofilia, é só um retardado idiota. Isso é pra você aprender a nunca me cortar ou falar merda; principalmente para o novato, ok? Fica na sua, idiota. Estou pouco me fodendo se você vai morrer ou não– Bert gritou, segurando os quadris de Syn para encará-lo com ódio. Ficaram assim por um bom tempo, só sendo ouvidos soluços angustiosos que lentamente foram cessados.Syn acenou com a cabeça fazendo Bert jogar-lhe um riso zombeteiro e soltar as mãos de seus quadris lentamente, esporadicamente dedilhando seus dedos sobre o tecido da blusa.

– Ótimo. – Bert saiu da cama de Gerard e sentou-se na sua, espalmando a mão sobre o colchão com o objetivo de chamar o novato para ficar ao seu lado; o novato engoliu em seco e obedeceu a ordem do garoto, com medo de que ele o atacasse. Bert suspirou, visualizando distraidamente Gerard depositar as duas mãos sobre suas coxas bem feitas evidenciadas pela calça jeans apertada.

– Sobrevivi! — Um garoto alto gritou e chamou a atenção de todos ali no quarto para à porta.

Ele era alto, magro, seus cabelos negros arrepiados no topo batiam nos ombros; e em seu rosto destacava-se os olhos que apesar de pequenos, eram chamativos pela camada de lápis preto colocada na região. Também tinha uma certa quantidade de tatuagens em seus braços e pescoço, aparentando-o durão como os outros garotos que Gerard conhecera naquele pouco espaço de tempo. O novato suspirou cansado e massageou a têmpora, pensando no quão longo aquela estadia seria; principalmente com aqueles rapazes que pareciam não ter senso de porra nenhuma. Prometera a si mesmo que quando saísse daquele lugar, faria da vida da mãe um inferno, só para ela provar de seu próprio veneno. Nunca sentira tanto ódio de uma pessoa na vida, e achava isso completamente engraçado, afinal era sua mãe a causadora de todo esse ódio; e parcialmente ela tinha boa parte de culpa de seu filho ser tão velho por dentro.

Lembrara-se da figura frágil de Mikey sentado sozinho em um dos balanços do parque que Gerard recordou ser absurdamente verde com todas aquelas gigantescas árvores espalhadas pelo local. Parecia ser tão distante aquela lembrança, que aparentava ter vivido duas vidas, uma no paraíso e outra atual, no inferno. O sorriso tímido encarnava no rosto do irmão mais novo que movia as pernas para frente e para trás, devagar. E naquela cena Gerard parecia tão longe de tudo aquilo, como se ele nunca fosse tocá-lo novamente.

E será que Gerard teria a chance de poder vê-lo de novo?

Seu coração começou a falhar e na garganta, gritos e soluços eram entalados por orgulho e falsa força. Colocou as mãos no rosto e respirou profundamente com a tentativa de voltar ao normal, conseguindo algum resultado.

Eu quero morrer.

–... Sim, eles me amarraram em uma cadeira e tentaram enfiar alguns remédios dentro da minha goela! — O garoto gritou estufando o peito com orgulho.

– E o que você fez, Ron?- Synyster o questionou, aproximando-se dele para lhe dar um leve soco em um de seus ombros, rindo da situação do amigo.

– Eu cuspi os comprimidos na cara da enfermeira gostosa! – Respondeu entusiasmado, sustentando o melhor sorriso com dentes trincados que pode fazer.

Fora o que apenas bastara para o grupo de garotos se explodirem em risadas segurando suas barrigas com força para tentar ao menos se controlarem com a má ação do amigo. Synyster se aproximou para dar tapinhas de orgulho no amigo que limpava um pouco de lágrimas acumulada nos cantos dos olhos, ainda rindo.

– Hey... você estava chorando? Sua cara está inchada, parece até um porco... – Ronnie perguntou preocupado, mas ainda risonho. Arqueou as sobrancelhas em dúvida, fazendo Bert revirar os olhos em seu costumeiro mal humor.

– É sério cara, eu tenho hemofilia. E o desgraçado do Bert me deu um soco.

– Você não é hemofílico Brian, é só mais um doente idiota – Após Ronnie respondê-lo desanimado, Bert ergueu as mãos para o céu em falso agradecimento, fazendo Syn virar os olhos. E então o quarto ficara em completo silêncio que Gerard julgara ser completamente bem-vinda. Tudo o que falavam era decodificado por seu cérebro em acelerado funcionamento e transformados apenas em ruídos horríveis, fazendo-o ter uma tremenda dor de cabeça.

– E quem é esse viadinho ali? – Ronnie perguntou aos amigos, apontando o dedo para Gerard sentado na cama.

Puff. Fora como se aquela pequena frase desligasse todo seu senso, sua crise tinha o transformando quase instantaneamente em uma máquina perigosa pronta para descontar todo o ódio em alguém. O coração começou a acelerar e bombardear forte a ponto de chocar-se com sua caixa. Percebeu as mãos suadas ao fechar os punhos,estranhamente ansioso para sentir o sangue sujo escarlate de qualquer um invadir entre seus dedos pálidos. Avançou rapidamente sobre Ronnie e o prendeu sobre uma das paredes do enorme corredor, chamando a atenção de quem passava ali com a colisão das costas do garoto na superfície fria. Com uma mão em cada lado de seu corpo, pode sentir a respiração descompassada do garoto devido à aproximação. Gerard deu-lhe um sorriso maquiavélico; retirou uma das mãos da parede, e então, socou o nariz de Ronnie com uma força onde nem o novato poderia saber de onde tirara.

Sentiu o sangue escorrer por sua mão o fazendo estender o sorriso maníaco mais ainda, e por conta disso Bert e Syn se afastaram do garoto. Ronnie não reagira ao ataque e apenas descansara uma de suas mãos sobre o machucado no nariz, gemendo baixinho tamanha a dor dilacerante.

Aquela ação o deixara mais leve; como se do soco saísse uma parte de seu sofrimento; como se seu coração afrouxasse por dentro daquele corpo pálido e aparentemente frágil. Como se ele voltasse a viver por míseros dois segundos. Porém, não é como se aqueles gestos fossem voluntários, nem que o garoto quisesse ele poderia controlá-los.

Está tudo bem se isso me dá a falsa sensação de como é voltar a viver.

– Me chame de viadinho agora, imbecil– Vociferou Gerard, encarando intensamente os olhos de Ronnie. Estes o entregavam que o garoto tatuado havia resquícios de receio em conjunto aos seus lábios estavam fechados para tentar reprimir qualquer gemido de dor. O novato em um momento sádico só aumentou mais seu sorriso a ponto de encostar as extremidades nas orelhas, e apunhalou o estomago de Ronnie com velocidade, o fazendo se desvencilhar lentamenteaté cair no chão enquanto soltava um urro.

Os ossinhos da mão de Gerard já latejavam devido ao trabalho prazeroso, porém o novato não reclamara e planejava continuar com os golpes. Notou que ninguém estava disposto a atrapalhá-lo, então com certeza não iria desperdiçar aquela chance. Afinal, ele não tinha escolha. Sustentou o olhar artístico para os punhos fechados, movimentando uma parcela dos dedos para cima e para baixo, extasiado com o sangue seco cravado em sua pele tão absurdamente branca. Era o contraste não harmonioso entre duas personalidades quase diferentes, que se dividiam em uma pessoa só.

– Se alguém mover um passo, garanto que este ficará sem sobremesa durante uma semana– Era engraçado como ali as coisas se resolviam a bases de prêmios ou perdas fúteis como uma simples maçã depois de uma grotesca papa denominada ‘comida’ para quem morava ali. Era tão ridículo; ninguém se importaria com uma sobremesa quando se tinha vingança e um modo de paz temporária em mãos. Era como trocar ouro por... absolutamente nada.

Grunhiu em resposta – não que Brian fosse ouvir, pois o psicólogo estava a uma distância considerável do novato – e olhou para os lados, vendo Syn e Bert boquiabertos a alguns passos do garoto, chocados e covardes demais para intervir a situação. Deu de ombros e voltou a encarar Ronnie que estava tremelicando no chão, um tanto ocupado com a região atingida em seu rosto para notar alguma movimentação.

O maior suspirou agora, sentindo o sangue quente correr por seu corpo em uma velocidade incrível, fato dado a sua ansiedade incontrolável para ouvir algum sôfrego urro do rapaz tatuado. E então, chutou-o com força nas laterais de seus quadris, o fazendo rolar pelo chão enquanto gritava de dor. Riu, satisfeito com o barulho, se alimentando do sofrimento alheio.

Foi quando ouviu Brian gritar seu nome, irritado; todavia Gerard notara sua falha ao esconder a preocupação em seu tom anasalado. Pelos ouvidos do artista, sua voz soara um tanto desesperada.

E então, puff, outra vez. Um bolo em sua garganta fora formado rapidamente ao olhar para a imagem de Ronnie desfalecido no chão enquanto uma quantidade generosa de sangue saia de seu nariz machucada. Desviou o olhar, enojado de si mesmo e olhou para Brian que o encarava intensamente com as sobrancelhas arqueadas, como se quisesse decifrar um pedaço de sua alma, no mínimo, misteriosa. Estava estranhamente tranquilo e caminhava em direção à Gerard em passos lentos, e o pintor estava pronto para receber punição já no primeiro dia de estadia.

Não aguentou oremorso e caiu aos prantos em soluços altos, sacudindo por completo seu corpo pálido. Tampou o rosto vermelho com as mãos na tentativa de acalmá-lo, mas não conseguiu nem ao menos diminuir um pouquinho o desespero que tomava conta de si e o deixava mais confuso que o normal. A sensação de culpa veio com tudo o abalando; não queria fazer isso com o garoto por mais que merecesse. Era como se ele tivesse um poder fortíssimo em mãos e não conseguisse controlá-lo.

Eu não quero virar um monstro.

Aqueles minutos para o psicólogo não fora apenas uma perda de tempo, ou então mais um problema para acarretá-lo. Considerou aquilo como uma rica fonte de novas informações do paciente que parecia ser diferente de tantos outros. Sabia que a possibilidade de Gerard ter agredido o garoto por não ter controle de si mesmo, era maior do que ele ter o feito por conta própria. E com o acesso de choro, Brian tinha leves suspeitas do que ele poderia ter.

– Hey, Gates e McCracken, levantem Ronnie e me sigam. Gerard, você também– Ordenou Brian sem quebrar contato com um Gerard choroso que desviara o olhar triste no chão.

– E-eu... desculpa, eu... não foi de propósito, eu juro – Gaguejou, meio desesperado e envergonhado.

– Não te culparei, não agora – Murmurou Brian com seriedade olhando-o nos olhos mesmo que este ainda sustentava a cabeça para baixo. – Só peço que me obedeça agora – Emendou.

Gerard meneou com a cabeça e seguiu Brian junto com Ronnie sustentado por Bert e Syn, o que atraiu mais olhares curiosos. Durante o percurso inteiro o artista ficara cabisbaixo, e só ergueu a cabeça quando avistou uma escada grande em sua frente rumo ao primeiro andar. Percebeu os garotos mais a frente se entreolharem surpresos.

– Pra que o segundo andar? Aposto que só foi um corte besta e – Bert disse mal-humorado antes de ser interrompido por um Brian quase didático.

– Eu sei, McCracken...quero apresentar o segundo andar para o briguento aqui – Brian o respondeu brincalhão, dando um leve soquinho no braço de Gerard tentando descontar o clima mórbido. O garoto apenas moveu os olhos de lado, sem nenhuma emoção; e se colocou a subir a escada, desolado.

–E então, este é o segundo andar, caro Way. Aqui tratamos temporariamente de casos mais graves; mas não se preocupe por enquanto, só precisará subir aqui se tiver alguma crise – Falou Brian ao chegar ao topo, meio desinteressado, coçando os olhos.

– Ou quando quisermos invadir – Entrecortou Bert divertido, causando risadinhas em Syn e Ron, que último mancava levemente. Brian o olhou com descaso e continuou a caminhada.

Durante o percurso, Gerard percebeu o quão sombrio aquele lugar podia ser, aproximando-se de seus últimos pesadelos atordoados que o fazia acordar com a camiseta ensopada por suor. Também possuía um corredor como o andar debaixo, e além das portas, havia às vezes celas em suas frentes, preenchidas por pacientes que o novato considerou serem bem mais problemáticos que os outros do andar de baixo. Alguns jovens estavam deitados e amarrados impossibilitando qualquer movimento mínimo; e aquela cena, fora um tanto comovente. Era notável a dor e o sofrimento que eles transmitiam pelo olhar durante os longos surtos, e Gerard conseguiu captar isso de cada rapaz ali; porém um lhe chamou mais atenção, quando Brian parou em uma das celas.

Era um garoto magro – frisando que ele era extremamente magro, provavelmente pela doença que o acarretava– baixinho. Moreno – quase dourado–, como se viesse de um país tropical; e isso contrastava com seus olhos profundos de uma cor que Gerard achou difícil identificá-la, talvez – só talvez – fosse castanho claro, perto do verde, não soube. Não diferente dos outros pacientes, tinha algumas tatuagens coloridas distribuídas pelos braços, que combinavam muito bem com os piercings no nariz e na lateral da boca junto com aquele cabelo meio moicano, que caia em um dos olhos tampando parcialmente a visão do rapaz que estava lendo um livro com uma capa ilustrada: Uma poça de sangue com partes de corpo humano dilacerados em vários pedacinhos, mergulhado ali. Na capa estava escrito “A arte da boa e velha carnificina”. Arregalou um pouco os olhos pelo título horrendo que não fazia juízo a figura humana que estava a lendo, muito pelo contrário. Ele poderia ter certeza que era uma das pessoas mais bonitas que havia visto. Se não fosse, era no mínimo bem diferente das outras pessoas que já teve o prazer – estava mais para desprazer – de conhecer. Aquele garoto o dava vontade de ficar sentado no chão apenas vendo cada ângulo de seu rosto que parecia ser moldado por mãos experientes. Era uma obra de arte.

Estava ali sentadinho compenetrado na leitura violenta que mal percebeu a aproximação de Brian, retirando um molho de chaves para abrir a cela pintada de branco, que não escondia nem um pouco o estado avançado da ferrugem. Quando o garoto notou a presença de Brian, esse escondeu o livro por trás das costas, enquanto um tom avermelhado subia por seu pescoço até atingir seu rosto amorenado.

– Pode passar o livro, Frank – Brian cruzou os braços e arqueou as sobrancelhas, esperando pacientemente o outro garoto entregar-lhe o livro.

– Hm? Que livro? Não sei do que está falando–Agora o rapaz cruzara as pernas como um índio e fitou o teto, passeando a língua por suas bochechas fofas. Gerard estava envolto aos seus próprios braços, fitando intensamente cada movimento do garoto ­agora não mais preso na cela.

Brian aproximou do garoto e apoiou uma das mãos na cama para arrancar o livro de suas mãos escondidas nas costas largas. Deu um sorriso fraco de vitória, fazendo o outro virar os olhos em derrota, formando um leve biquinho magoado. Que gracinha.

– Já lhe disse quantas vezes para não ler esse livro, hein? Aliás, quem conseguiu isso aqui? Estava na minha sala – Olhou para a capa do livro enojado, perguntando-se mentalmente quem tinha uma mente tão fria para fazer uma obra como aquela. Frank lia aquilo pela centésima vez e com o mesmo interesse de sempre, então Brian sempre ouvia um trecho ou outro da estória repulsiva.

– Qual o problema, Brian? Fala como se eu fosse matar alguém lendo isto aí – Apontou o dedo tatuado para a capa do livro monstruoso – E se não me falhe a memória, lembro-me de você dizendo – Estufou o peito e jogou o maxilar para cima, tentando imitar alguma postura didática de Brian – “distraia-se quando estiver aqui, leia algum livro, Frankie”. E bem, eu o fiz. A culpa é sua, e não minha – Agora o garoto desmanchou a postura e mostrou os dentes em um sorriso extrapolado.

Brian franziu a testa e fez uma careta, rolando os olhos. Mesmo assim não pode evitar o sorriso de satisfação ao ver Frank recuperado de seu último surto. Afagou rapidamente os ombros do garoto e lhe fitou com os olhos brilhantes.

– Está liberado, Frankie. Mas antes, quero que conheça seu novo colega – Disse, chamando Gerard com um aceno. Este se aproximou devagar do garoto que ainda estava sentado na cama, balançando as pernas docilmente para frente e para trás; o olhou com curiosidade, oferecendo-lhe um sorriso simpático.

– Frank Anthony Thomas Iero Jr – Estendeu uma das mãos para cumprimentá-lo – Mas se quiser me chame de Frankie – Mordeu levemente os lábios, esperando algum contato de Gerard. O novato corou levemente, e pela primeira vez há tempos dera um legítimo sorriso, mesmo que fosse quase imperceptível.

Ao envolver com lentidão uma de suas mãos na de Frank, um frio desceu de sua espinha até os joelhos, deixando suas pernas bambas. A epiderme do moreno era tão quente que quem segurasse acharia que ele estivesse com febre. Diferente daquele lugar horrendo; tão frioe sem vida, em minutos Gerard pode perceber que ele emanava brilho próprio.

Frankparecia ser normal.

– Gerard... Gerard Way – Articulou um pouco nervoso, fitando distraidamente suas distintas tatuagens coloridas.

– Se não formos para a enfermaria agora, é capaz de Radke morrer de hemorragia – Brian pronunciou com certo exagero, fazendo Frank rir baixinho.

O psicólogo acenou para todos os seguirem ao fim do corredor. Assim que o fizeram, Frank que estava ao lado de Gerard ao fim do grupo, o olhou de relance, para começar algum assunto.

– Eu sou voluntário aqui. – Disse, olhando para algum ponto fixo enquanto mordia os lábios. – Quer dizer, eu também sou paciente, entende? Mas como eu vivo aqui há muito tempo, acabo ajudando os funcionários. Principalmente Brian, ele é muito legal, não acha? – Indagou Frank, puxando a barra da camisa, absorto.

–Ah... sim – Respondeu simples, meneando a cabeça. Virou a cabeça para olhá-lo direito e se deparou com o garoto o olhando com as pupilas brilhantes, mantendo aquele sorriso que Gerard considerou ser puro demais. Tentou retribuir um sorriso e engoliu em seco, ruborizado.

– E você tem o que? – Perguntou Gerard, a curiosidade cara-de-pau o impulsionou a perguntá-lo.

– Oh. – Frank arqueou as sobrancelhas, surpreso pela iniciativa de Gerard – Esquizofrenia. -Franziu a testa, os olhos brilhantes se apagando um pouquinho. Gerard o olhou com as sobrancelhas arqueadas, perguntando a si mesmo se ouvira direito. Esquizofrenia? Gerard nunca iria imaginar que aquele garoto teria algo tão complicado. Nem todo louco é realmente louco.

– Que... terrível. – Disse, baixinho, quase para si mesmo.

– É... – Crispou os lábios, movendo uma mecha de cabelo para trás de sua orelha. – Mas eu consigo sobreviver. Aposto que você também. – Disse. Deu uma piscadela e ofereceu um sorriso bondoso.

Gerard ficou extasiado.


Notas finais
ou, é isso :3 se tiver algum erro me avisem. hihihi. obrigada seus lindos quero casar com todos vocês