Phrenesis
6 I'm A Fake
Notas iniciais
É a primeira que eu escrevo, então críticas são maisque bem-vindas hihih ^_^
Jaqueta de couro, camiseta da Iron Maiden, jeans apertada. Era o que Frank vestia naquele dia meio friorento, meio quente. Vez em quando o sol dava o ar de sua graça saindo por entre as nuvens de outono, brancas manchadas com um cinza chuvoso. E as árvores naqueles tempos estavam todas pomposas, exibindo um show de folhas coloridas de um certo laranja e vermelho sangue que caiam ao chão, com ajuda da brisa fresquinha. Brisa fresquinha que insistia bagunçar os fios de cabelo de um Frank irritadiço e preocupado com a aparência, deixando mechas ora de um lado, ora de outro.
– Argh, vento idiota. – Resmungou, batendo os pés no chão. Justo agora, Gerard daqui a pouco descer e... oh, ali está ele. Ele estava ansioso para mostrar aquela cidade a Gerard. Dedicaria o tempo que tinha livre para fazê-lo, completamente feliz.
Gerard morava em Londres junto com a mãe. Depois que as coisas começaram a piorar, ela o transferiu. E a vida de Donna – sua mãe – continuava normalmente.
– Oi, Frank. – Gerard estava ali. Aparentemente descera sozinho, Bert, Syn e Ronnie ainda não estavam ali. Agradeceu aos céus por não acompanhá-lo com McCracken, seria praticamente impossível manter a calma.
Após aquele episódio constrangedor, incrivelmente os dois se aproximaram mais e mais. Fazia dias – talvez semanas – que os dois andavam juntos com Jepha e Jimmy. Frank estava mais que determinado a ajudar Gerard a se acostumar com os novos medicamentos, ele sabia que no começo era difícil, e que Gerard parecia precisar de atenção. Ele estava mais quieto que quando entrou, e esse dia Frank esperava distraí-lo com as maravilhas bestas do local. Frank estava introduzindo Gerard em um mundo novo que nem ele conhecia, mas que estava debaixo de seu nariz arrebitado. O menor estava começando a reeducá-lo, mostrando para o garoto pálido que todos ali estavam no mesmo barco, e que ele não precisava sofrer sozinho.Frank não sabia ao certo porque estaria fazendo isso, apenas uma luz indicava que o caminho da razão ficava dentro de sua caixa torácica, profunda, cheia de mistérios guardados em um órgão pulsante e quente. Ele não prestaria muita atenção naquilo, havia coisas mais claras para se preocupar.
E sem saber, Frank estava lapidando um diamante valioso.
Durante esse tempo todo, as conversas entre Gerard e Bert foram-se tornando mais escassas. Uma porque Gerard sempre evitava os encontrões, outra porque Bert parecia não se importar – ou fingir não se importar. O mais pálido não estava reclamando, ficara feliz que o outro o deixara em paz, assim eles evitariam brigar um com o outro.
Após o começo do tratamento Gerard estava bem mais calmo, e só o remédio não poderia ser culpado. Até agora ele não havia tido nenhuma crise, o que era bom. Por outro lado, pessoas quietas sempre tinham algo mais a esconder, Frank sabia muito bem disso, pois ele era como Gerard bem no começo. Não que ele fosse ser um perigo para quem estava em volta, mas sim para si mesmo. Remédios nunca seriam bons e completamente milagrosos, a depressão se tornaria mais forte e só remédio não adiantava. Só Brian não adiantava.
Gerard usava uma calça escura surrada e uma camiseta preta lisa. O menor notou que mesmo com cabelo preto azulado terrivelmente bagunçado ele conseguia ser fodidamenteatraente. A ponta de seu nariz e bochechas estava um pouco avermelhada por causa do frio, e isso o deixava com aparência de gato.
Então percorreu seus olhos para encará-lo e percebeu que essa não era a causa de estar corado. Frank notou que ele estava o olhando durante uns bons segundos, deixando Gerard constrangido.
– Desculpe, acho que viajei um bocado... – Frank desviou os olhos para os pés, rindo nervoso.
– Tudo bem, – Gerard meneou com a cabeça – faço isso o tempo todo.
– Jepha ganha de vocês – Jimmy se aproximou com sua síndrome maníaca*, cheio de blusas e um cachecol adornado seu pescoço branco – O peguei sentado no chão do banheiro quase babando, enquanto olhava para a janela. – Frank arregalou os olhos e engoliu em seco.
– Jimmy, você... – Nah, tranquilize-se, ele não se suicidou. Aliás, olhe ele ali.
Jepha descera sem ao menos olhar o chão que estava pisando, de tão compenetrado na leitura; era quase impossível vê-lo sem um livro na mão. Jeph era quieto, sempre em seu canto. Trocava poucas palavras, mas essas nunca deixavam de ser gentis ou tocantes. Ele tinha seu jeito especial e os amigos o respeitavam pelo jeito que era.
Após o pequeno grupo de pacientes sair, Jamie surgiu da janela de seu escritório e jogou um sorriso sarcástico para baixo.
– Todos prontos? – Gritara o enfermeiro na ponta. Terrivelmente patético, pensou Gerard.
*-*-*
Bateu no aquário pequeno cheio de peixinhos coloridos, zanzando de um lado para o outro. Observava-os com certa tristeza, todavia o sorrisinho não saia de seu rosto. Vez em quando esbarrava o braço coberto nos de Gerard, distraidamente. O maior perguntou o que ele tanto pensava, os olhos perdidos naquela água cristalina.
– Você não acha triste? – Questionou Frank, lambendo os lábios.
– O que eu acho triste? –Gerard perguntou com suas sobrancelhas arqueadas.
– Os peixes, — apontou para eles rapidamente. – digo, tão vivos e coloridos, presos nessa caixa de vidro minúscula como se fossem enfeites. E vivem suas vidas realmente sem ter um porquê, um objetivo. Sei que são animais, mas imagine: São bem mais espirituosos quando em um lago enorme e cristalino. Essa caixa de vidro é uma prisão, assim como gaiolas em que pássaros vivem, trancafiando suas asas e cessando suas cantorias que um dia já foram tão presentes, e...- Frank sentiu um solavanco, seu corpo tombando para frente. Ville estava passando todo indelicado enquanto segurava uma risada marota na face zombeteira.
– Por Deus, Frank – disse entre risadas de escárnio – consegue ser mais bizarro que eu, hm? – Rolou os olhos – Sinceramente... – Saiu da loja meneando a cabeça para os lados, sem antes piscar para a enfermeira gostosa que os acompanhava.
– Não era para ele estar indo embora – Jimmy se apoiou nos ombros de Frank, olhando Ville de canto.
– Pouco importa, — Gerard replicou, revezando o olhar entre os dois – eu concordo com o que você disse, Frank. – Gerard ofereceu um sorriso tímido. Frank corou.
A voz da enfermeira entrecortou o pensamento dos ali presentes. O vocal estridente anunciara que o próximo lugar a visitarem seria a loja de brinquedos. Sempre assim: Qualquer fosse o lugar de visita, tinham que dar uma passada na maldita loja de brinquedos que Frank tanto detestava.
O menor fechou a cara, inconformado. Queria acompanhar Gerard. Cruzou os braços e se aproximou um tanto do maior, desculpando-se rapidamente enquanto olhava para seus próprios pés.
– Eu vou esperar vocês lá fora na praça – Apontou para fora com a cabeça -, depois explico para você. – Gerard concordou, dando um toque em seu ombro e os dois partiram para caminhos diferentes.
Frank esperava por eles sentado em um dos bancos afastados da praça. Ele tinha trauma daquela lojinha de brinquedos em que os garotos se encontravam – era sua loja favorita quando criança –, então preferiu ficar por ali mesmo enquanto trilhava os dedinhos na extensão de madeira ao seu lado.
– Bert? – Frank quase gritara quando vira o garoto surgir em sua frente. Durante a viagem inteira ele não avistara nem ele e nem seus amigos. Seu coração começara a bater mais forte.
– Ouça queridinho, só vou falar uma vez – Bert o agarrou pela gola da camiseta fazendo-o levantar rapidamente. Frank estava entrando em pânico: Olhos marejados, pernas bambeando e coração acelerado. — Afaste-se de Gerard, okay? Não precisa estragar meus planos, já não disse? Seu esquizofrênico de merda, vê se esquece ele. Caso contrário, as ilusões se tornarão verdadeiras, e o seu Gee estará fodido. Estamos entendidos?
– Oh-okay – Frank sussurrou segurando os pulsos de Bert, com seus dentes travando e a vontade de chorar cada vez maior. – Bert, me põe no chão, por favor... – As primeiras lágrimas começaram a escorrer, e seu rosto era banhado de dúvidas, medos e um coração despedaçado.
Bert riu sarcasticamente para ele e o soltou logo em seguida, virou-se, pretendendo fingir que não fizera nada, e saiu saltitando para a loja. Frank voltou a se sentar, dessa vez com as mãozinhas cobrindo o rosto molhado. Soluçava fracamente, querendo expelir toda a ansiedade e angústia fora. Ele sabia que às vezes nada era fácil, mas Frank já estava completamente cansado de cair e não ter forças para levantar. Por trás daquele sorriso superficial escondia ideias suicidas, sangue, podridão, medo, e a maioria de adjetivos ruins que poderiam existir. Tinha Bert para puxá-lo a realidade amarga, sempre e sempre; o pior de tudo é que ele não poderia fazer nada sobre isso. Gerard estava completamente perdido.
E como ele queria que fosse diferente. Frank tinha olhos observadores: sua doença o ajudou a ter tatos mais aguçados, e isso era tão bom quanto ruim. Sentia a maldade nas pessoas dançando por suas epidermes, atiçando os pelos do braço pela energia ruim e sugadora.
Gerard de certo não era o contrário, mas não o prejudicava. Gerard era vazio, mas não porque ele nascera assim. Durante todos esses anos de vida, sua energia positiva estaria se esgotando a cada obstáculo que ele passava, mesmo que fosse pequeno. Quando estamos tristes, qualquer mínima coisa nos afeta, e para Gerard essa situação era como uma bola de neve faminta por mais e mais. O que Frank precisava saber era como tudo isso começou: Sempre, sempre tinha um começo. E talvez, se ele soubesse o começo, ele poderia ajeitar tudo. Ajeitar tudo não era por um fim, pois não tinha um, Brian disse. Era tudo sobre lidar com dificuldades em vez de fugir delas. Era tudo sobre como apreciar a chuva ao invés de esperar a tempestade passar. [n/a: Essa frase em itálico não é minha, eu vi ela em inglês no Tumblr. Não sei o autor :c]
Porém Frank naquele momento precisaria pensar primeiramente em si mesmo. Ele estava completamente perdido e ainda tinha que se preocupar com Bert. Às vezes tudo que ele necessitava era de um abraço confortante seguido de um “tudo vai ficar bem”, mas a realidade não era essa. Ele sabia que não ia ficar bem, e que nem ao certo saberia para onde ir depois que saísse – se saísse – dali. Ele sentia saudades de seus pais, de seus carinhos que em momentos de saudades apareciam como toques de fantasmas na sua pele amorenada. Ele já esquecera a muito como seria ter seus pais de volta, ter uma vida normal, poder fazer coisas rotineiras e gostosas sem se preocupar constantemente com tudo. Era como se ele fosse um daqueles peixes no aquário, um daqueles pássaros presos em gaiolas.
Ele não poderia negar que tinha amigos – Jepha e Jimmy eram ótimos – mas não era a mesma coisa. Eles semelhavam viver em outras dimensões, suas áureas não se encaixavam. Ele precisaria de alguém que fosse como ele, ou que o entendesse por completo. Tinha Brian, que era como um pai: Sempre disposto e lascivo, sabia que poderia sempre contar com ele, todavia era diferente. Apesar de seus problemas mais ocultos, estes não se igualavam as dores de Frank. Não como se dor medisse, mas as duas não muito semelhavam em forma.
E o único ao seu alcance que parecia poder ajudá-lo – e vice-versa – era Gerard. Mas no momento ele parecia tão distante de Frank como aqueles peixes estariam distantes de seu habitat.
Frank’s P.O.V
Os dias se passaram, e eu aprendi a conviver sem Gerard, assim como era antes. Então eu poderia reservar minha cabeça para outras coisas, como Quinn de meio sorriso para o teto. Estávamos deitados – nós dividíamos o mesmo quarto – e preguiçosos para levantar. Eu o encarava, mas nada dele responder – não é como se ele fizesse isso -, porém hoje ele estava diferente, mais radiante. Isso nunca acontecia, portanto não pude deixar de perceber. Eu queria muito perguntá-lo a ele o que lhe causa a mínima felicidade, mas além de soar intrometido, eu não queria estragar aquele momento. Ver Quinn com depressão sorrindo era quase como uma benção, eu decidi que levantaria de vez até que ele fechasse a boca; não poderia perder um minuto daquilo. Ficamos um tempo assim, até que subitamente o garoto levantara todo alegre e com as bochechas coradas. Ele abria a boca, entretanto hesitava a todo o momento, sempre querendo falar algo. Não o forcei, esperei até que ele tomasse coragem. E eu desejei que ele não tivesse falado nada.
– Eu preciso falar com o Bert, — Iniciou Quinn acanhado, segurando fortemente a beirada da cama. – Será que você... – pigarreou um pouco – pode falar com ele?
– Tudo bem. – Não, não estava tudo bem, merda. Tinha que ser, Bert estava por trás disso e não era coisa boa. Bert era antônimo de gentileza. Entretanto, o que eu poderia fazer? Se eu interferisse, aposto que ele arrancaria meus olhos com as mãos. Concordei, torcendo para que não fosse nada do que eu pensasse. Que tudo ficaria bem com ele. Quinn era muito frágil.
Saímos do quarto de pijama mesmo, – ir ao banheiro naquela hora demoraria séculos, já que tínhamos que ir acompanhados, (para garantir que não nos afogaríamos na privada propositalmente, etc.) – o quarto de Bert estava vazio, então eles provavelmente estariam na sala de televisão. Pois bem, fomos em direção ao local – eu sempre na frente, e estavam lá os garotos jogando cartas. Gerard dividindo o mesmo cigarro com Bert. Eu me aborreci. Tentei ficar apático, mas eu tinha certeza absoluta que meus olhos denunciariam. Sempre fora assim.
– Quinn quer falar com você. A sós. – Disse secamente para Bert, com um traço de preocupação.Bert levantou-se sem rodeios e fora para o jardim com o Quinn. Muito próximos.
E eu, fiquei meio desnorteado, sem saber o que fazer. Revezava o olhar entre e a mesa e o jardim, preocupadíssimo. Fechei os punhos para controlar-me, seria horrível eu chorar por ali. A única coisa que eu pude fazer fora sussurrar um “cuida dele” para Gerard. Talvez ele entendesse.
Voltei para o quarto novamente. Eu precisava de um tempo sozinho.
Gerard’s P.O.V
Depois que saímos para cidade, Frank ficara um tanto recluso e estranho, e o pior que era só comigo. Toda vez que eu tentava me aproximar, ele inventava alguma desculpa esfarrapada e se afastava o máximo de mim. Após alguns dias, eu já havia desistido de perguntar o que tinha acontecido, e cedi aos rápidos acenos e olhares significativos quando esbarrávamos pelo corredor do hospital, cada um com seu grupo. Eu me sentia como uma bolinha de ping-pong, vez em quando de um lado, outrora de outro. Eu estava dentro de um joguinho estúpido onde os loucos controlavam. Sentia que precisava de mais medicamentos: Aposto que se fosse antes, eu estaria jogado na cama chorando horrores, porque ninguém se importava. Fora que Bert, de um jeito meio esquisito voltou a se aproximar de mim, até demais. Como um pedido silencioso de desculpas sobre aquele episódio antigo, talvez ele tivesse se arrependido. Ele me tratava como se eu fosse algo precioso, minhas falas tornavam-se quase palpáveis perto dele, sempre atencioso e até... simpático. Não posso dizer que eu não ligo, porque assim eu não me sinto sozinho. Tento retribuir tudo o que ele faz, mas não é de coração, é quase como um dever.
Estávamos jogando pokerna sala de televisão – tinha acabado de aprender com Syn, ele era ótimo com isso –quando Frank e seu colega de quarto saíram. Era absurdamente cedo, e até agora só nós tínhamos acordados. Os dois se aproximaram sorrateiros até nós, Frank à frente e Quinn envergonhado logo atrás. O menor olhou para minha cara como se eu fosse a coisa mais entediante do mundo, se eu não notasse seus olhos reluzentes.
– Quinn quer falar com você. A sós. –Disse secamente para Bert, seu olhar mudando imediatamente com as sobrancelhas levemente arqueadas de preocupação.
Fazia algum tempo que Bert reparava – ou fingia reparar – em Quinn. Vezes ele me falava como o achava gostoso e fofo, porque ele era tímido. Não me surpreendia se os dois estivessem se pegando as escondidas, todavia sempre me falaram que Quinn era muito reservado. Bert levantou-se sem rodeios, e saíra com Quinn para o jardim. Não teve contatos, apenas uma piscadela em direção à mesa.
Frank ficara meio desnorteado, sem saber o que fazer. Olhava para o jardim, para mesa – Syn e Ronnie estavam preocupados demais com as cartas, mas eu não – engolindo em seco, as mãos fechadas, os olhos marejados. Então a única coisa que fez foi se aproximar de mim e sussurrar um baixinho “cuida dele” antes de ir embora com passos firmes e cabeça para baixo.
Meu estomago deu um nó.
*
Eu não sabia quanto tempo fazia que eu estava deitado. E sinceramente, eu não dava a mínima, só queria continuar deitado (e nunca mais acordar). Só que eu senti um peso horrivelmente enorme sob minhas costas, fora isso o que me despertou. Quer dizer, eu gemi, grunhi, tentei chacoalhar, e nada. Então eu ouvi a voz de Ronnie preencher meus ouvidos. O mandei para puta que pariu, que se foda, eu queria dormir. Mas nada dele escutar. Aliás, como ele conseguiu entrar aqui?
Os pontinhos conectaram. Eu tinha noção de que ainda era madrugada. Era madrugada. Ronnie estava em cima de mim. Tentando me acordar.
– Alguém morreu? – Perguntei com voz embargada, finalmente cedendo à curiosidade.
– É, quase isso. – Finalmente Ronnie se levantara, me deixando respirar. – É que Bert pediu para eu vir aqui agora, mas ele sumiu... Syn e eu procuramos em alguns lugares, mas nada dele aparecer. — Ronnie falou, passando as mãos na cabeça em sinal de preocupação.
– O que você quer que eu faça? Chama algum enfermeiro, sei lá. – Sério mesmo que Ronnie me acordou pra isso?
Parece que ele tinha ficado puto com minha sentença. Empurrou-me para o lado e apontou o dedo indicador tatuado bem no meio do meu nariz, fitando-me seriamente.
– Chamá-los nunca, nunca será a solução. Nem que você esteja em um mar de soda cáustica, não se atreva a chamá-los. Eles são cruéis... – Ronnie terminou a sentença levantando-se para espiar a janela.
– Ele também não está lá fora. – Bateu os dentes, nervoso. – Levanta essa bunda daí, vem me ajudar.
Eu não tinha escolha mesmo. Levantei ainda relutante, proferindo palavrões horríveis. Saímos do quarto de mansinho (Ronnie ensinou alguns macetes para não sermos pegos, um deles era que havia uma ronda a cada hora. A próxima seria daqui quarenta minutos), e nos separamos. Ele pediu para eu procurá-lo no banheiro masculino, eu disse que precisava de chaves e o filho da puta me retirou uma cópia do bolso. Eles poderiam ser vagabundos e nojentos, mas eram espertos: disse que ‘achou’ quando ‘passeava’ pelo escritório de Campbell. Ele fora para o estúdio de pintura.
Depois de corredores e mais corredores, cheguei ao banheiro. Ele era meio escondido, afastado de todas as outras portas. Talvez fosse para manter os internados longes, porque Deus, um banheiro para um suicida é a utopia. Abri a porta com cuidado – ela estava trancada – e a primeira coisa com que me deparei fora um molho de chaves jogado no chão. Ouvi barulho de chuveiro aberto. E quando me aproximo para ver quem estava tomando banho...
Bert. Bert tomando banho. Bert tomando banho com Quinn.
Bert’s P.O.V
Gerard estava lá, bem como eu queria. Boquiaberto, claro.
– Eu não queria... ah, desculpa, eu já estou indo. – Gerard virou os calcanhares, completamente corado, indo em direção a porta.
– Meh, a culpa não foi sua, princesa. Mande lembranças para Ronnie, diga que eu estou ocupado.
Gerard meneou a cabeça e saiu correndo. Eu tive que evitar o riso. Quinn estava completamente nu em meus braços, não queria que ele soubesse meu plano. Pelo menos agora não.
– Onde estávamos?
A água morna caia nas minhas costas e partes em Quinn. A luz que saia da janela, bem ao topo, brilhava na epiderme quente do loiro. Ao que ele arranhava meus ombros sem pudor, eu o chupava, lambia e mordiscava toda a extensão de seu pescoço, o forçando a jogar a cabeça para trás, era o único jeito de ele conseguir respirar entre seus ofegos, que me atiçavam.
– Nhw, Bert. — Quinn não sabia, mas tinha um terrível poder de sedução sob mim. Talvez fosse sua inocência presa em um corpo tão modelado.
Parei segundos para visualizar o outro e soltou um suspiro. Gostoso. Delineei minha mão por suas curvas bem feitas, desde cochas até a maçã de seu rosto, puxando-o para perto de mim. Beijei-o sem pestanejar, desajeitado, nossas línguas misturadas. Ao que isso acontecia eu o agarrava pelas cochas e andava para frente até que ele grunhisse em choque a parede gelada. O suspendi por alguns centímetros – nossas bocas ainda estavam grudadas, molhadas obscenamente tanto pela água que caia do chuveiro, tanto pela saliva -, vez em quando soltávamos gemidos baixos, não pretendendo acordar ninguém.
Quinn passou a envolver meu pescoço com os braços, para que tivéssemos equilíbrio. Fez o mesmo com as pernas, passando uma de cada lado da minha cintura, fazendo com que nossos membros chocassem e eu, inconscientemente investisse sobre ele.
Não demorou muito para que ele parasse o beijo e mordesse meu lóbulo, sôfrego, pedindo-me para que entrasse nele.
Não recusei, tampouco o ajustei. Todavia entrei devagar, e pude perceber Quinn quase fechando os olhos pela dor inicial, até que eu entrasse todo nele. Bastou pouco tempo para que ele — antes agarrado a mim, mordendo meu pescoço — começasse a rebolar sobre mim. Ugh, Quinn. Ele era quente.
Minhas mãos antes em suas cochas subiram para sua cintura, de modo que ficasse mais firme. Eu investia fortemente contra ele, às vezes roubando beijos enquanto ele grunhia coisas desconexas, e eu ofegava horrores. O clima estava quente, delicioso, eu poderia explodir a qualquer minuto.
Era um deleite. Enquanto estocava, agarrei seu membro e escorregava minha mão com destreza, de sua base até a glande com os movimentos de vaivém ritmados.
Em um momento, acertei seu ponto sensível. Se eu não tivesse subitamente colocado meu punho em sua boca, provavelmente o hospital inteiro iria acordar. Quinn revirou os olhos, completamente fora de si. Segurei-o para que pudesse o acertar mais vezes — e a cada vez, Quinn choramingava mais -, até que ele se derramasse sob mim. E sua contração fez que eu me derramasse dentro dele, quente.
Sai com lentidão, tentando acertar a respiração, e Quinn fazia o mesmo. Após minutos assim, afoitos, finalmente sossegamos. E então, terminamos de nos lavar.
Meu plano fora ótimo.
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