Notas iniciais
http://letras.terra.com.br/the-used/995627/traducao.html achei que a letra se encaixou um pouco. hihi.

– É para o seu bem, filho – Disse secamente.

O caralho. Ele só queria se poupar de trabalho. Afinal, que mal faria se largasse o próprio filho naquele inferno? Ele não teria de mover um dedo para tomar conta de mim! Teriam os médicos filhos das putas tratando-me feito como mais um louco. E bem, de qualquer jeito eu sobreviveria, pois não me deixariam encostar nem em uma faca se quer. Era o dever deles. E se eu vivesse, o papel de meus pais estaria feito; era o básico que eles poderiam fazer por mim, e faziam de má vontade.


Jogou as malas com descuido sobre a calçada molhada pela chuva recém caída. Donna olhou-me com certo desprezo e pena. Não teve contato físico. Ela apenas deu um aceno tímido e voltou para o carro, deu a partida e o deixou sozinho com pensamentos perturbadores. Olhou o carro se distanciar vagarosamente, e voltou para o portão até sumir todos os resquícios do veículo sob o horizonte. Definitivamente aquele era o portal para o inferno. O portão de ferro fundido era todo trabalhado em forma de flores e galhos, e acima havia escrito “Clínica Campbell” um tanto enferrujado.

Antes de sequer tocar o portão, um pensamento malicioso o envolveu: Ele estava do lado de fora da clínica, sozinho, sem ninguém para lhe perturbar. Ele poderia fugir para longe, a escolha estava exclusivamente em suas mãos. Ficaria sob tortura naquele lugar com a mínima chance de sair razoavelmente bem, ou simplesmente sairia pouco ligando para o futuro e tentaria sobreviver jogado por aí, tentando arranjar alguns trocados e doses de bebida?

Ah, foda-se tudo. Já estava ferrado de qualquer modo, preferia se foder de seu próprio jeito. Seu coração estava completamente quebrado e os pensamentos só se redirecionavam a tragédias. Não conseguia se lembrar da última vez em que acordara plenamente feliz. Tudo o que conseguia enxergar era uma escuridão melancólica que o deixava cego, sem saber para onde ir. Não havia ninguém para dar-lhe a luz; só havia aqueles que punham mais obstáculos sob o caminho para fazê-lo tropeçar. Até que houve uma hora que explodiu e se entregou completamente a vida que o satisfazia rapidamente. E após alguns tempos o traria mais complicações.

Deu meia volta e sem pegar as malas, correu para longe daquele lugar que lhe dava arrepios. Ele tentava fazer menos barulho possível para chamar pouca atenção. Seu coração estava acelerado, e por mais que estivesse frio, sentia-se um pouco suado pelo exercício. Sentia-se como um pássaro à beira da morte: Por mais que voasse fraco e soubesse que não estaria ali por muito tempo, as asas lhe davam uma sensação falsa de liberdade. Finalmente o mundo estava conspirando ao seu favor, pensou.

Porém não por muito tempo.

Estava tão extasiado com o fato de poder sair da clínica, que mal percebeu uma raiz de árvore no meio do caminho e tropeçou, metendo o rosto no chão. Soltou um baixo gemido e praguejou um palavrão baixinho, sentindo as mãos e o rosto arderem por possíveis arranhões. Ficou um tempo ali deitado de olhos fechados, tentando recuperar a respiração. E antes que ele pudesse levantar, mãos firmes seguraram seus pulsos com força e o puxaram para trás violentamente, fazendo o pescoço do garoto doer.

– Que porra está acontecendo? – Gritou Gerard tentando soar autoritário, porém sua voz apenas demonstrava nervosismo e insegurança.

Um homem de terno escuro caminhara até o garoto e agachara para pegar o queixo de Gerard e virá-lo para cima com certa violência.

– E você acha mesmo que um mimadinho feito ti irás conseguir escapar de seu novo lar? -Disse rispidamente o homem com um sorriso sarcástico adornando seu rosto. Apesar de querer socá-lo e proferir todos os palavrões existentes, Gerard pode notar o quão bonito ele era. Deveria ter uns 35 anos; seus cabelos tinham um tom cor de mel e seus olhos eram azuis cristalinos. Ele parecia ser cansado e havia traços de velhice precoce ao lado dos olhos.

– Não vou deixar que um pirralho estrague a imagem desse hospício. Sabe por quantas gerações ela já passou? É melhor se comportar, ou as consequências serão graves para você. Entendeu Gerard? – Disse o loiro apontando o dedo para o garoto, que ainda permanecia imobilizado no chão molhado; percebendo o quão irônico aquela frase soara: Desde quando um hospício cheio de gente louca haveria alguma fama boa?

– Não, não entendi. Eu não tenho medo de um funcionário babaca– Uma mão fria bateu em seu rosto violentamente antes que pudesse completar a frase. Sentiu o gosto metálico de sangue invadir sua boca, e fechou seus olhos com força em uma tentativa falha de aliviar a dor.

– Fracassado. Repita isso de novo que eu arranco-lhe os olhos e penduro nas lanças do portão. Espero que você fique ciente de algo: Aqui não terá mamãe e nem papai para te proteger, uh? – Sussurrou nos ouvidos de Gerard e logo após deu um tapinha em suas costas, levantando-se novamente.

– Eu tenho mais o que fazer. Vocês dois – Gesticulou o homem para os dois rapazes que seguravam Gerard pelo pulso – levem esse imbecil para dentro. Aliás, meu nome é Jamie, Jamie Campbell Bower. E o funcionariozinho babaca aqui é o proprietário de sua nova moradia – Disse cantarolando com uma pontada sarcástica e piscou um dos olhos para Gerard; prontamente saindo da visão dos três em passos largos, ao entrar naquele lugar monstruoso.

Os dois rapazes acenaram para o chefe e puxaram o paciente para cima, fazendo-o gemer de dor. Um deles retirou uma algema do bolso e enlaçou no pulso de Gerard rapidamente, fazendo este rolar os olhos e tremer levemente pelo choque do metal frio em sua pele. Sentia-se um completo maluco ponto para morder o primeiro que estivesse a caminho; talvez até o fizesse tamanho stress que estavam proporcionando a ele. Ele só queria um pouco de paz.


O caminho fora longo, mas pelo menos pode desligar sua mente apenas para olhar a mórbida paisagem que por um lado, parecia transmitir seu estado naquele momento. O jardim que adornava o local estava em completo descuido e à noite parecia ser deveras assustador. As rosas vermelhas estavam monstruosamente grandes junto com a grama verde que poderia alcançar seus joelhos. A arquitetura da mansão o lembrava de castelos mal-assombrados, com ervas daninhas invadindo as janelas e manchas pretas que corriam pela superfície acinzentada, devido às chuvas. A porta era de madeira e estava completamente desgastada devido ao tempo. Gerard chegara à conclusão que aquela clínica deveria abrigar apenas velhos com distúrbios, e que seria completamente silenciosa e entediante. Tencionou os músculos ao pararem em frente à porta, e seu coração começou a acelerar levemente. Não tinha mais volta.

– Bem vindo ao nosso mundo, garoto. Boa sorte – Pronunciou um dos moços ironicamente que o segurava, ao abrir a porta rangente. As pupilas de Gerard dilataram-se em um ato involuntário; pois a luz ali dentro era apenas proveniente do céu nublado que adentrava pelas poucas janelas. Estavam na ponta de um corredor extenso e largo com várias portas em ambos os lados. O chão era xadrez em cores verde azulado assim como a parede, e salmão, captados pelos olhos artísticos de Gerard. Na outra ponta do corredor o garoto pode enxergar possivelmente a sala de televisão. Estranhou o lugar completamente. Onde os pacientes estariam agora?

– Eles estão almoçando. Acho melhor você ir logo antes que tenha de esperar o café da tarde – Disse um homem para Gerard, que surgira do nada. Ele era um tanto andrógino; alto e magro, tinha cabelos completamente negros e lisos que chegavam à altura do ombro. Era extremamente branco, até mais que Gerard; e este cogitou a probabilidade do homem estranho poder reluzir no sol, tamanha a palidez.

– De onde você surgiu?! – Exclamou Gerard automaticamente, assustado e mais nervoso. Desde que chegara naquele hospital era tomado por surpresas atrás de surpresas. E não era como se aquilo fosse algo bom, estava fazendo se desgastar lentamente. Todavia a aparência daquele homem demonstrava uma áurea tão limpa que era quase impossível julgar que ele o fizera aquilo de modo para assustá-lo. Perguntou-se internamente como ele poderia ser tão puro em um lugar tão encardido como aquele, onde a tensão era densa, fazendo o ar ser mais pesado.

– Oh, desculpe-me; acho que te assustei, uh? – O homem respondeu com um sorriso zombeteiro, alternando os olhares para Gerard e os dois rapazes que trabalhavam ali. – Sou Brian Molko, seu novo psicólogo. Estava tão distraído olhando para frente que não notou eu me aproximar. Deduzi que estivesse procurando alguma vida por aqui. – Brian completou, dando um ligeiro tapinha nas costas de Gerard, que se afastou instintivamente e crispou os lábios em nervosismo. Por mais que o psicólogo quisesse demonstrar confiança por meio de seus atos – assim Gerard deduziu – Ele simplesmente não conseguia deixar esse sentimento em recíproco. Era como se um alarme soasse em sua cabeça a todo momento, dizendo “Hey Gerard, cuidado. Não confie em ninguém; se ela não quiser te foder no sentido literal, ela certamente irá te foder figuradamente.”

Brian fez um bico infantil pensativo e pegou as malas de Gerard da mão de um dos rapazes e fez uma careta por achar a mesma pesada demais.

– Estão dispensados – Instruiu para os dois rapazes que ainda temiam que o paciente escapasse do lugar. – Eu vou mostrar o lugar para ele. E ah, antes que eu me esqueça: Acho que as enfermeiras precisam de ajuda no quarto 165. Eu entrei lá e, ugh, levei uma tremenda mordida de Synyster– Brian apontou para a barriga com a cabeça, e só agora Gerard notou uma ligeira mancha de sangue em sua camiseta que apesar do tom escarlate ali, era extremamente limpa e branca, perto do umbigo. Arregalou os olhos e sentiu seu estomago dar voltas, uma ansiedade o invadindo. Seu semblante demonstrava parecer algo rotineiro ganhar algum ferimento. E apesar de levar tudo como sendo comum, não pode deixar de notar olheiras em seu rosto. Até agora não encontrara ninguém que não tivesse aparência de cansado naquele lugar.

Mesmo assim não conseguia se sentir confortável no local. Mesmo com aquelas pessoas que talvez pudessem ter os mesmos sentimentos e problemas que ele, sentia que aquele definitivamente não era seu lugar. Ele se não se julgava corajoso o bastante para ferir alguém, era como se agora ninguém pudesse comparar seu estado emocional. Era um estranho no ninho que fora abandonado pela própria mãe, e esse pensamento fez seu coração bater mais rápido e uma vontade imensa de chorar o invadiu: Sentia-se a pessoa mais azarenta do mundo. Estava completamente perdido e a maldita sensação de solidão apareceu novamente para aterrorizá-lo. Era algo contraditório, pois ao mesmo tempo em que não quisesse ficar sozinho, evitava tudo e todos para não piorar seu estado já completamente abalado. Não conseguia mais encontrar a tal da felicidade por mais que procurasse em todos os lugares, e então sua busca fora abandonada há tempos dentro de algum filtro de cigarro. Talvez aquilo se resumisse a apenas uma palavra: medo.

Fora desperto de seus pensamentos quando viu um molho de chave ser jogado para Brian e os dois rapazes se afastarem afoitos para dentro de um quarto onde poderia se ouvir gritos grossos e esganiçados. Sinceramente, Gerard não queria saber o que estava acontecendo ali; já estava tenso demais com sua própria situação. Percebeu Brian se movimentar para trás dele e logo depois ouviu um ‘click’: Ele retirou suas algemas e colocou no bolso de sua calça junto com o molho. Gerard fez movimentos circulares com os pulsos para aliviar a dor causada pelo objeto de metal e notou que aquela área estava um tanto avermelhada. Deu um suspiro cansado, amaldiçoando internamente Jamie por ter tomado uma medida tão drástica quanto aquela.

– Bom... siga reto e vire à esquerda, o fim do corredor é o refeitório; vá rápido antes que seja tarde demais. Colocarei seus pertences no quarto e logo após lhe farei companhia para apresentar o hospital. Au Revoir, Gerard!– Brian cantarolou a última frase e deu uma piscadela sútil, adentrando em uma das portas daquele corredor enorme.

Gerard por um momento ficou petrificado no lugar, seu estomago dando reviravoltas, já sentindo o gosto amargo da bile invadir sua boca pelo nervosismo acentuado. Deu-se conta que teria de enfrentar aquele bando de loucos sozinho; como se ele fosse um leão enjaulado para um espetáculo de um circo, e bem, os espectadores sedentos por diversão barata seriam os pacientes insanos ali. Mal deu passos desengonçados e imaginou estórias mirabolantes de como os loucos ali poderiam lhe arrancar a pouca sanidade que o restava. Respirou algumas vezes após virar o corredor e percebeu que seus olhos estavam marejando, mas não aceitaria de jeito nenhum chorar diante daqueles. Segurou a vontade imensa de sair correndo e foi com os punhos fechados para o refeitório, não sabendo direito de onde tirara o pouco de coragem.

Talvez não fosse coragem, mas sim seu maldito orgulho que tinha o poder de ferrá-lo inúmeras vezes.

Adentrou na sala ampla com o coração na boca, semblante indiferente, e correu os olhos por toda a extensão rapidamente. Praticamente todos que estavam no refeitório haviam parado de fazer o que estavam fazendo para visualizar o mais novo vizinho. Não que Gerard fosse super atraente, pelo contrário: O garoto esquecera de que deveria estar completamente sujo e ensanguentado pelas últimas ações que vivera.

Alguns o olhavam com surpresa, outros com desprezo, e outros em especial apontavam para o garoto e riam debochados. Porém, todos faziam algo em comum: o olhavam de cima para baixo e cochichavam com gosto, como se este fosse o acontecimento do século. Gerard sentiu o sangue correr violentamente por todo seu corpo e se olhasse para algum espelho, com certeza se veria completamente vermelho pelo constrangimento que estava passando, parecia que cada olhar penetrante que recebia era uma faca que atravessava seu corpo. Este tencionou mais os músculos e tentou ser o mais natural possível; passando pelos cozinheiros depois de pegar a bandeja e a transferiu para uma senhora gordinha para que ela pudesse preenchê-lo. Porém ao visualizar melhor a comida dentro da panela, decidiu mudar de ideia.

– Ahn, na verdade eu só queria a sobremesa, não estou com muita fome... – Hesitou Gerard ao receber o prato com algo que ele não soube identificar direito e que não parecia muito apetitoso. Olhou para a cozinheira esperando a resposta em silêncio; e esta olhava sério para o garoto, até que começara a rir exageradamente acompanhada de alguns pacientes que estavam presente, como se acabasse de dizer uma piada engraçadíssima.

Sentiu-se deveras deslocado e a vontade de chorar o invadiu violentamente de novo, porém segurou as lágrimas tentando descontar a vergonha com a agressividade que segurava a bandeja azul.

– Acha que aqui é um restaurante? Só conseguirá sobremesa se engolir tudo isso aí – Disse sarcasticamente apontando o conteúdo do prato com uma espátula velha. – Enquanto tiver algum resquício mínimo de comida, não ganhará nada– Terminou o sermão secamente, esperando que o garoto respondesse. Mas este apenas pegou o prato e contornou o balcão para pegar alguma mesa vazia, e por alguma força, maior havia uma bem no canto, longe daqueles retardados. Mas antes que pudesse encostar a mão na mesa, uma mão envolveu seu braço fortemente, fazendo-o revirar seus belos olhos. Será que não poderia comer em paz?

– O que te faz pensar que pode sentar na MINHA mesa, novatinho de merda? – Um garoto com olhar faiscante o perguntou com sua voz grossa. Seus lisos cabelos negros batiam quase em seu peito, seus olhos eram genuinamente azuis e lhe parecia que não fizera a barba recentemente.

– Bert, você acredita que o frouxo do Molko me deixou sem sobreme– Outro garoto aproximou-se da mesa cortando completamente a conversa. Este parecia visivelmente irritado, o que combinava com seu físico: Seus cabelos negros eram espetados para cima e parecia que debaixo de seus olhos ele aplicara um pouco de lápis. Sua camiseta de manga curta exibia as tatuagens coloridas por toda extensão do braço e que provavelmente teriam mais por cima de seus ombros largos. Mas antes que este pudesse terminar, Bert o interrompeu bruscamente.

– Cala a merda da boca, Syn. – Então esse era o tal de Synyster? E a afirmação silenciosa veio assim que Gerard viu um filete de sangue quase imperceptível ao lado de sua boca. Gelou completamente. Se ele fizera isso com um psicólogo, o que ele seria capaz de fazer comigo? – Quero ouvir o novato agora, posso? – Bert o cortou maldoso com as sobrancelhas arqueadas e braços cruzados. Synyster deu apenas um aceno de leve com a cabeça e encarou Gerard de modo entediante.

O garoto revezou o olhar para os dois que esperavam a resposta e engoliu em seco, tentando demonstrar que não estava com medo.

– Não está escrito seu nome em porra de mesa nenhuma e não vou sair daqui só porque você se denominou dono, ok? Foda-se, já estou cansado de perguntas – Explodiu Gerard exasperado ainda mais tenso com aquela situação. Bert dera um olhar maroto para Syn e este deu uma risada de deboche para o amigo. Bert aproximou-se de Gerard e tocou-lhe os ombros, como um pacto.

– Oh, bem vindo ao nosso grupo, Gerard, hm? Falaram que este é seu nome. Mas particularmente após esse show, prefiro Drama Queen. É praticamente uma versão feminina de um bad boy como nós dois – Apontou para si mesmo e Syn. – Fique orgulhoso de sentar com a gente, pois não abrimos caminho para qualquer um. E uh, você parece ser muito interessante! Meu nome é Bert. – Bert o olhou quase maliciosamente, fazendo Gerard corar as bochechas pálidas. Isso com certeza não fazia parte do plano de manter-se longe de todos. Rolou os olhos para ver se tinha alguma mesa disponível para se sentar – preferia se distanciar sem respondê-lo pelo apelido idiota, já estava com muitos problemas e não queria levar um soco para piorar a situação de seu rosto – e visualizou Brian se aproximar dele junto com um garoto alto esquisito. Este estava conversando com o psicólogo com certo aborrecimento, porém Gerard não pode ouvir nada que ele falara, até o doutor ficar ao lado de Gerard e lhe lançar um sorriso maroto.

– Não adianta Jimmy. Eu sinto muito, mas hoje você terá de almoçar sem ele, ok? Se distraia, lembre-se do que eu disse para você na última consulta – Brian voltou a encarar o garoto de um jeito encorajador, e este apenas deu um aceno fraco com a cabeça e se distanciou do grupo, com a cabeça baixa.

– Senhor Molko, espero que esteja feliz, acolhi esta pobre alma perdida – Bert apontara para Gerard em um sorriso irônico – Segui seu conselho de ajudar o próximo. Ensiná-lo-ei a ser tão durão como nós. – O meio sorriso de Brian se apagou na hora e deu lugar a uma expressão carrancuda.

Bert sempre teve potencial para fazer quase tudo. Os pais do garoto deram-lhe uma educação de melhor qualidade, porém tudo desandou quando se descobriu com sociopatia e cleptomania. E todo esse misto de doenças que adquiriu em conjunto com seu jeito mimado e arrogante o tornara insuportável. Mas obviamente Brian sabia como tratá-lo e não perderia as estribeiras por um adolescente folgado; e sinceramente esperaria que Gerard também não, pois por ordem dos superiores ele teria de dividir o quarto junto com ele. Apenas deu os ombros e encarou Gerard por um tempo, esperando que ele não se incomodasse muito com o fato de morar junto com Bert.

– Bem, é ótimo ver que vocês já estão se relacionando; e para a felicidade do Bert vocês dividirão o quarto– Gerard retesou os ombros em um gesto automático e suspirou inconformado. Por que tinha que ficar justo com um daqueles que o havia provocado?

O que ele fez pra viver tudo isso? Quando aquela tempestade iria passar?

Não estava tão esperançoso quanto a isso, parecia que sua vida era um furacão continuo. E em pouco tempo chegara a um estado onde estava se entregando a mercê da vida, deixando-a levar para onde quiser, como se fosse uma onda prestes a se quebrar.

Bert olhou Gerard com curiosidade e deu mais um risinho malicioso, olhando de esguelha para Syn que sustentava um sorriso charmoso com as sobrancelhas arqueadas.

– Venha, Drama Queen, iremos lhe apresentar nosso doce lar – Disse Bert entusiasmado, retirando com descuido a bandeja das mãos de Gerard para depositar na mesa e logo após enlaçou os ombros de Gerard com os braços. Brian olhara a cena com certa preocupação; talvez fosse tolice a direção tentar manter os dois juntos.

– Hey Bert, olhe lá. Se fizer algo de errado te tirarei dez pontos e você não irá poder sair para resfriar essa cabeça maquiavélica. Estamos combinados? – Brian deu a advertência e rolou os olhos ao ver Bert fazendo-o uma reverência.

– Sim, vossa majestade – Disse sarcasticamente voltou a enlaçar os ombros de Gerard com falsa cautela. Ainda poderia sentir sua pele queimando devido a olhares curiosos, o que fez ele alargar os passos em direção à porta.

– Nossa primeira parada será teu quarto. – Cantarolou Bert, que agora enlaçara o outro braço em Syn.


Notas finais
merece reviews? se vocês lerem, por favor comentem. só assim eu tenho noção se eu posso continuar ou não D: obrigada seus lindos. ♥