Phrenesis
5 Conspiracy
Notas iniciais
Acordei com um súbito peso na minha cara: Um travesseiro. Já sabia que era Bert, poderia ver seus pés dentro de um par de meias cinza imundas tocando o chão. O travesseiro – que ele acabara de jogar – estava atrapalhando parcialmente minha visão, então ainda sonolento, o retirei do meu rosto com minha mão e o descansei entre meu tronco e braço. Assim pude visualizá-lo melhor. Ele estava sentado na cama com a postura nada certa, e um olhar maquiavélico para cima de mim enquanto balançava um relógio de pingente de um lado para o outro, devagarinho.
- Que merda está tentando fazer? – Disse ainda forçando um pouco a voz, minhas cordas vocais estavam desacostumadas pela falta de uso.
- Duh, te hipnotizar. – Suspirou, endireitando a coluna enquanto deixava o relógio de lado. – Não consegui. Desisto. – Fez um bico e pousou uma mão na coxa enquanto com a outra procurava um maço de cigarros perdido pelo lençol.
- Vamos, princesa da voz sexy. Estou te esperando para usar isso aqui. – Chacoalhou o maço um pouquinho, demonstrando o vício pelo tabaco.
- Uh, agora que lembrei, preciso te dizer algo importante. – Meneei a cabeça para que ele prosseguisse. Obviamente achei que fosse algo envolvido a remédios e doenças mentais, todavia o que ele declarou mexeu comigo mais do que deveria.
Ele saltou de sua cama e sentou ao meu lado, me encarando como se procurasse um jeito mais delicado para me dizer aquela coisa tão importante. Então em automático ele pousou sua mão em meu ombro.
- Frank zombou que viu você aos prantos enquanto pintava feito um autista. – Suspirou, lamentando-se. – Disse para não confiar nele. – Sussurrou Bert.
A sala ficou repentinamente em um silencio mortal, porque eu realmente não sabia o que dizer. Tudo antes parecia tão certo. Para mim, nunca que Frank seria uma má pessoa, nunca que Bert estivesse certo apesar do pouco convívio. Eu estava cometendo um erro tão idiota, que todos insistiam em frisar tanto que eu nunca imaginei que fosse cometê-lo: Talvez eu estivesse julgando pelas aparências. Eu precisaria de alguns minutos para me recompor e tentar entender a merda que eu tinha feito. Frank tinha zombado de mim com a maior frieza do universo, e eu acreditei que ele fosse uma boa pessoa e que não tivesse nenhuma intensão de me machucar. Nosso diálogo antes foi tanto sincero, sua máscara de bondade estava tão bem colocada que eu mal hesitei em parar com tudo aquilo.
Aos poucos meu coração começara a acelerar, minhas mãos começaram a soar e o stress fora tomando conta do meu corpo. Já não conseguiria controlar mais porra nenhuma, eu sabia exatamente o que estava prestes a vir. E eu não dava a mínima, aliás, estava achando delicioso poder acabar com a raça daquele filho da puta.
Meu corpo chacoalhava com os soluços altos acompanhado de lágrimas de ódio que só davam mais ar feio ao meu rosto contorcido e dentes trincados. Levantei rapidamente da cama e sai do quarto em passos largos, sem antes olhar para trás e olhar Bert, onde quase poderia jurar que ele estivesse sorrindo. Todavia não me importei, ele deveria ter algum motivo estranho para tal que não me envolvesse. Fechei a porta e corri para o refeitório, era lá onde Frank estaria.
Não me importei com a chuva de olhares me questionando, o por quê raios eu estava daquele jeito. Meu rosto apenas se direcionou a uma figura pequena de trás do balcão de onde serviam café da manhã. Aproximei-me dele e o agarrei pela gola do pijama, trazendo-o para perto de mim enquanto o resto de omelete que ele tinha colocado no prato caia parte no chão, parte em suas calças junto com café quente. Suas sobrancelhas estavam arqueadas e em conjunto com a boca aberta, o espanto dominando Frank estava evidente. Ele fora burro de não arcar com as consequências que gerara. Ponto para mim.Não tinha cena mais deliciosa que ver quem você odeia – começou a odiar recentemente – quase chorando de medo, na frente de uma multidão. Que estava sedenta por um briga, supus: Estariam todos rapidamente formando uma roda, e sorrisos de escarnio eram distribuídos para todos os lados. Era uma diversão barata que eu estava lhes proporcionando.
- Eu não sou tão idiota quanto pensa. – Vociferei. Frank iria me questionar, mas nah, não deixei. Acertei meu punho em seu rosto bem formado e esperei que o filete de sangue escorresse por seu pescoço, até descansar no tecido fino do pijama. Pude ver lágrimas brotando de seus olhos de cor indefinida.
- Permita-me te pintar nessa posição? – Fora o que bastou para que ele começasse a chorar feito um bebê, expulsando lágrimas enquanto seus soluços fortes misturavam com as risadas dos pacientes o expondo ao ridículo, e eu sabia muito bem, e eu queria muito mais.
- Touché! – Bert gritou enquanto batia palmas, gargalhando. Ele chegava ao meu lado, mas permanecia a uma distância considerável.
A cada segundo seu choro ficava mais histérico, e não só seus soluços chacoalhavam seu corpo pequeno, mas agora também tentativas de se afastar de mim om socos e pontapés. O escândalo miscigenava com várias súplicas para que o retirassem de perto de mim.
- Me deixem longe dele, por favor! Eu suplico. – Fez uma pausa, soluçando forte várias vezes – Coloquem-me no segundo andar, pelo amor de Deus!
E seus pedidos foram atendidos em um segundo. Mãos fortes agarraram meus braços pálidos enquanto a visão de Frank se distanciava de mim a cada passo em que ele era puxado para trás por um enfermeiro carrancudo, tentando aparar a discussão feita por mim. Odiei a ideia e me debati ao máximo para que aquele corpo se afastasse do meu, para então eu continuar com os golpes, todavia aquele rostinho falsamente inocente manchado de sangue deixou-me com uma sensação aconchegante e de alívio rápido.
Uma risada de escárnio saia de mim em um tom vocal grosso em que nem eu mesmo conseguia reconhecer. E como todas às vezes, não era realmente como se eu pudesse ou quisesse me controlar. Deixava-me levar porque era bom pra caralho, quase como sexo.
Só que era algo masoquista tirar o prazer do sofrimento de alguém que te fez sofrer. Todavia era justo. Eu achava justo: do mesmo jeito que Frank caçoara de mim, ele estaria me proporcionando minutos de um ápice delicioso. Muitos poderiam declarar que aquilo era doentio, mas uh, aposto que se experimentassem a sensação calariam a merda da boca na mesma hora. No momento realmente não pensamos o quão é doentio e estranho, talvez tempos depois, pensaríamos em nossas ações de outrora. Vê que num momento de fúria extrema apenas enxergamos nossas complicações e como acabar com ela, nada mais é interessante ou derradeira importância quanto nosso alvo de stress. Era assim como eu me sentia.
E aí se encaixava aquela maldita lei da ação e reação que eu tanto odiava. Tudo que ia, voltava. Todavia o universo brincava com a minha fúria e reagia em dobro, e eu nunca encarei isso como um aviso para que eu parasse – até porque eu não poderia – mas sim como uma provocação, e continuaria mais e mais sem dar a mínima.
Quando se está desse jeito, o passado e o futuro não importam. Tudo permanece focado ao presente, até que o ponto da reação chegue. É onde tudo começa novamente, é onde pensamentos culposos, lembranças do passado e uma atenção ao futuro imediato começam a corroer minha alma como se necessitassem disso para que eu ficasse bem; e isso era estupidamente contraditório.
Piedade convertida em soluços esganiçados e a sensação de alguém ter jogado um balde de água fria em minha cabeça espantava pra caralho. Os gritos de Frank estimulavam indulgência mais do que qualquer pessoa tenha feito isso acidentalmente. E aquilo me machucava bem diferentemente daqueles cortes antigos que eu me infligia. Esse machucado não me aliviava, mas sim deixava apenas uma marca horrorosa que nunca iria me abandonar. A única semelhança era que, como os vários cortes distribuídos por meus pulsos, o novo ferimento era mais um a me preocupar na coleção de vários; uns mais profundos que os outros.
Voltava à realidade da pior maneira possível.
E afrouxando os braços, deixei que me levassem para onde bem quisessem.
***
“Brian me jogou esse diário por debaixo da porta, dizendo que tudo fazia parte do grande plano de recuperação. Primeiramente o mandei tomar no cu, porque eu sinceramente não acreditaria mais em suas baboseiras sem sentido. Porém com falta do que fazer, cá estou eu deitado nessa cama vagabunda cheia de lençol branco, escrevendo com minha caligrafia nojenta.
Talvez seja fácil para eu escrever tudo nesse papel como forma de alívio, já que ninguém é mais confiante. Papel não trai, não tem boca, muito menos coração. Prefiro assim, menos drama e mais praticidade. Pelo menos por enquanto, até porque não tenho escolhas.
Hoje fora um dia deveras... agonizante. Parte isso, parte sufocante. Última parte causada por enfermeiras e médicos filhos da puta. Depois que, bem, aquilo aconteceu, fui puxado junto com Frank nessa merda de segundo andar. Aliás, ele está a alguns quartos daqui. Bom que não fora em frente ao meu. Meu choro não iria se cessar nunca, então meu corpo desidrataria. E eu não quero mais ninguém me examinando.
Não que eu tenha ficado com dó de Frank, e consequentemente o perdoado. Não justificava ter batido nele. Por Deus, se Ele existe, só o mesmo para saber o quanto eu detesto fazer isso.
Então dois enfermeiros amarraram meus pulsos e meus calcanhares nessa cama, enquanto eu caia aos prantos e ouvia Frank fazer o mesmo. O pior foi ver aqueles olhos me fitando sem nenhuma maldita expressão. Dó, raiva, o que fosse. Eram olhares vazios sem nada a compartilhar, como se minha presença ali fosse uma mentira. Nunca tivesse existido. Mas eu sabia que estava. Aquela fora uma experiência estranha: por um momento parecia que eu havia chegado perto da morte. Mas como um espectador, e não como um cliente. Eu poderia visualizá-la, mas não tocá-la. Ela poderia fazer isso comigo, todavia parecia não fazer. A máscara de indiferença fazia por si só; lançando-me desesperança por entre íris opacas que necessitavam vida.
Eu enxerguei minha vida ali. Contraditório. Mas quem disse que minha vida não era?
Um daqueles brancos encapuzados injetou a agulha no meu braços, e após isso, não me lembro de mais nada. Eu acordei e comecei a escrever.
Espero descer logo, não aguento mais aqui. A aparência branca me dá medo: era para parecer algo celestial. Para mim chega perto da insanidade do Homem. Aposto que se tivessem mais cores, elas vibrariam para os pacientes. A falta de intensidade nesse lugar me domina. Parecemos almas perdidas em busca do nada. É o nada procurando o nada, não tem começo nem fim, muito menos um vencedor. Esse tipo de coisa me perturba: Toda a situação era a representação ampliada de toda a parte da minha vida em que eu poderia lembrar. Que eu quisesse me lembrar.”
Ao ouvir passos se aproximando de minha cela, escondi o caderno abaixo o travesseiro branco e desconfortável. Sentei-me e comecei a encarar a grade branca com alguns pontos enferrujados. Estes pontinhos eram os únicos – a minha vista – que poderiam exalar a beleza da sua diferença de cor, que apesar de pequena, chamava atenção devido à intensidade delas. Mas logo elas desapareceram de vista, quando Brian puxou a cela para o lado, entrando no quarto minúsculo.
Não disse nada, inicialmente. Foi andando devagarinho para perto de mim, como se quisesse se introduzir novamente ao meu respeito. Visto que eu fiquei com a mesma cara de desanimo, ele suspirou fundo e sentou na cama, bem ao meu lado.
- Não me encare como vilão – Disse, entrelaçando as mãos sob a coxa coberta com a calça clara. Olhei para ele rapidamente, sério. Suas olheiras estavam mais fortes que sempre, e sua boca um tanto ressecada.
- Eu só quero ajudar. Um dia você vai entender – Pousou um das mãos no meu ombro e começou a afagá-lo delicadamente, tentando me consolar.
- A culpa não foi sua – E realmente não fora. Não era como se ele me fizesse ter socado Frank. Ofereci um sorriso magoado, triste comigo mesmo. As coisas poderiam ser diferentes.
Brian e eu ficamos quietos por um tempo, olhando a parede da frente, tentando de algum jeito retirar os gritos que vinham do quarto ao lado.
- Eu não consegui convencer Jamie. – ele disse com os olhos brilhantes, sua voz meio embargada. Sentia que pudesse chorar a qualquer momento. – Durante esses dias, Frank rejeitava a comida e os medicamentos, e Jamie o castigou colocando uma sonda nasogástrica nele. Pedi escondido para que colocassem um sedativo nele, para que as ânsias constantes parassem um pouco. Mas parece que o efeito já passou. – Explicou ele.
- Você não é um garoto mal, Gerard; tampouco Frank. Quero que vocês consigam se entender novamente, aposto que tudo foi um mal entendido.
Concordei levemente com a cabeça. Eu queria, e queria muito. Frank deveria estar sofrendo horrores e tudo era por minha culpa. Eu estava prestes a chorar, já poderia sentir um bolo se formar na garganta. Tapei meus rostos com as mãos, afagando os olhos para impedir o choro. Estava rezando mentalmente para Brian não abrir a boca, porque se ele o fizesse, eu desabaria.
- A culpa não é sua, Gerard – Projetei meus lábios para frente e deixei que as lágrimas salgadas banhassem meu rosto. Ele ficou em silêncio, e os gemidos de Frank entraram em sintonia com meus soluços esganiçados. Senti Brian se aproximar de mim e deixei-o fazer o que quisesse, abraçando-me e delicadamente colocando minha cabeça sobre seu peito. Talvez eu estivesse cometendo o mesmo erro novamente, eu não aprendia. O momentâneo era muito mais forte que as consequências.
- Quando estiver mais calmo, mostrarei os exames para você. – Disse ele baixinho, afagando meus cabelos – Precisamos trabalhar em sua confiança, hm? – Acenei com a cabeça, não dando atenção realmente o que ele estaria dizendo.
Logo depois ele pediu que eu o acompanhasse para ver Frank.Fiquei relutante primeiramente, mas Brian disse que não haveria problema já que Frank estaria preso. E segundo ele, mesmo se não estivesse ele não faria nada.
Quando eu entrei, automaticamente me senti um verdadeiro lixo. Virei meus calcanhares para sair o mais rápido possível dali, mas Brian me puxou para perto de Frank. Engoli em seco respirei fundo, tentei evitar seus olhos brilhantes, todavia já era tarde demais. Francamente quis arrancar minhas pupilas. Aquela imagem estava me fazendo mal, e ninguém ali sabia o quanto. Um flashback desgostoso percorreu minha mente, quis socar minha cabeça na parede para esquecê-la.
Frank estava deitado à força na cama, com marras prendendo seus pulso e tornozelos. A sonda ainda estava em seu nariz o alimentando com uma pasta nojenta. Arrastou as mãozinhas presas manhosamente pela pequena extensão – que podia alcançar – da cama, e tombou a cabeça para o lado, procurando por meus olhos. Não disse nada. Ofereceu-me um sorriso acompanhado de sobrancelhas arqueadas, um pedido de desculpas tímido.
Fechei os punhos, mordi os lábios, puxei Brian. O que eu deveria fazer? Brian suspirou, fez sinal para a enfermeira intitulada mal comida na batente da porta.
- Libere-o, hm? – Brian tentou. A enfermeira revirou os olhos e ajeitou o cabelo preso em um coque mal feito. Chegou rebolando batendo o salto no chão quadriculado enquanto mascava o chiclete – já provavelmente sem gosto. Retirou o cano vagarosamente com a expressão de que fosse a coisa mais simples do mundo, enquanto Frank revirava os olhos e agarrava a mão de Brian com desespero.
Eu não era o homem mais corajoso do mundo, então pedi licença, iria poupar-me daquela cena. Fiquei do lado de fora escutando gemidos baixinhos, isso bastava para me arrepiar por completo. Talvez sua imagem frágil e pequena contribuísse para que acima de muita coisa eu quisesse que tudo se resolvesse ao meu favor, ou seja, que ele não fosse culpado de nada. Eu até poderia não acreditar em suas futuras mentiras, mas diria que ‘tudo bem eu te perdoo’ por querer doar outra chance e assim pudéssemos ficar quites de toda essa confusão ácida que nos corroía. Eu não era o único afetado ali.
Depois que Frank ficou livre de toda aquela aparelhagem hospitalar, Brian ainda não nos dera descanso. Ordenou quedescêssemos para sua sala, e assim fizemos. A caminhada fora tensa – pelo menos para mim -, pois eu poderia sentir os olhos de Frank me encarando fixamente na nuca, enquanto eu caminhava duro e reto, ansioso para que aquele desconforto acabasse.
- Eu queria que você me explicasse o que aconteceu. – Brian perguntou, leve, descansando os pés na mesa de madeira. Com aquela questão idiota eu me senti voltando na pré-escola: A professora boazinha agora fica com a bochecha avermelhada, perguntando ao amiguinho qual o motivo de Gerard-balofa-Way jogar o bolinho do colega no chão e amassá-lo depois. Era engraçado, porque parecia que Frank estaria meio que congelado no tempo devido à altura e os leves traços infantis. De certo seus poucos cílios claros fariam enorme diferença em seu rosto.
- Gerard se lembra a cada minuto de que está em um hospital psiquiátrico, mas quando realmente acontece algo de anormal ele fica todo afoito. – Frank palpitou com a boca venenosa, um sorriso simpático surgindo vagarosamente enquanto traçava seu olhar pelo meu rosto.
- Huh? – Virei-me para ele, esperando que continuasse a sentença confusa.
- Vê que em todas as portas em uma janelinha para os enfermeiros verificarem de hora em hora – Frank apontou para trás dele, e eu pude ver que ali tinha uma janelinha minúscula instalada na porta -, quem garante que naquela hora ele não foi te procurar e te viu assim? É só perguntar para os – tossiu propositalmente, Brian rodou os olhos – amiguinhos dele.
Fazia sentido, e merda, fazia muito sentido, pra caralho.
- Agora cabe a você escolher se você vai acreditar ou não – Brian disse, debruçando-se na mesa, com os olhos arregalados cheio de expectativas. Frank olhava-me de lado, passeado os dedinhos no braço da cadeira de madeira. Retesei o corpo, joguei a cabeça para cima e respirei fundo.
Isso significava que Bert estava tirando com a minha cara, tinha que ter um culpado naquela confusão toda. Meneei a cabeça e passei uma mecha de cabelo por trás da orelha, tentando me conformar.
Mas hey, Bert era psicopata... isso significava que ele não tinha nenhum afeto por mim, logo dizer qualquer merda para ele daria na mesma.
- Eu acredito em você. – Ponderei não muito certo do que havia acabado de fazer. Frank deixou a mostra os dentes esbranquiçados ao sorrir para mim – ele parecia um personagem daqueles animes – e Brian o acompanhou rapidamente, batucando os dedos no móvel de madeira.
- Ótimo – Brian esticou os braços e segurou minhas mãos, agradecendo-me. – Será que você está pronto para receber o resultado do exame? Eu hum, — torceu os lábios fazendo um bico de leve – gostaria que Frank ficasse aqui. Sabe, iria ajudar ele também.
- Okay – Eu não tinha razões para não querer saber. E se talvez Frank soubesse, ele poderia relevar o soco que eu tinha o dado. – Pode falar. – Disse de uma vez. Brian então retirou uma papelada de uma de suas gavetas e me entregou. Não era como se eu fosse entender uma daquelas merdas, mas acho que Brian só o fez para que eu tivesse uma prova de que ele estaria certo.
- Você é bipolar. Isso justifica seus ataques, é uma fase.
Eu já sabia algumas coisas sobre bipolaridade, mas nunca achei que poderia ter. Parecia tão distante, como se apenas amigos de amigos tivessem. Nunca eu. Achei que pudesse ficar contente com a notícia, mas as histórias sobre essa doença esquisita conseguiram me assustar para caralho. E por mais que Brian fosse legal e simpático, parecia que ele não havia nenhum diploma para exercer a profissão. Brian era mais como um amigo conselheiro.
- O tratamento é à base de Lítio. Não significa que você vá parar com as crises, mas elas se tornarão mais raras. Porém você ficará com moleza, reflexo lento...
- E por quanto tempo vou ter que tomar isso? – O cortei, ansioso.
- Gerard... – Brian falou baixinho, aparentemente meio receoso sobre o que iria dizer. – bipolaridade não tem cura. Você vai ter que tomar medicamentos para o resto da vida.
Eu não queria ter ouvido aquilo. Soara deveras assustador que eu não poderia viver normalmente sem a ajuda de medicamentos, era como liberdade condicional, e eu queria ser totalmente livre. Não era justo, parecia que o destino me fazia de puta para eu me foder desse jeito.
- Você sabe que você tem a mim – Falou Frank, consolando-me. Ele então acariciou brevemente meu braço com os dedos, fracamente.
Um sorriso indevido brotou dos meus lábios secos.
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