Phrenesis
9 Cadence of His Last Breath
Notas iniciais
Então, a fic já passou da metade, tá quase acabando, só que eu só devo ter umas 10 páginas escritas por causa da escola, então eu tô dividindo os capítulos em dois pra dar mais tempo :cc mas eu vou continuar.
E AH preparem os lencinhos muahahaha hihihi.
3º Pessoa
“Mamãe, eu acharia injusto partir assim, sem deixar nada, tampouco explicações do porquê de eu fazer isso. Por favor não chore, não sinta pena, não diga que eu tinha muito a viver. Ambos sabíamos que não. Te ver novamente me causaria náuseas, as atitudes minhas poderiam mudar, mas a consciência pesada permaneceria sempre. E mamãe, eu mereço, tudo bem. Agradeço por ter me apoiado todo esse tempo. Você foi minha guia e eu só aguentei esse tempo todo por causa sua. Não pense que falhou, muito pelo contrário mamãe. Se não fosse por você, eu já teria partido faz tempo. Fiz isso por nós, por mim. Esse mundo é muito cruel para uma pessoa tão patética quanto eu. Esse lugar não me pertence, e eu não pertenço a esse lugar, e você soube desde o começo. Mamãe, leia isso uma vez apenas. Depois jogue essa carta no fogo, parte da dor vai se dissipar. O resto fica por sua conta, você precisa se ajudar como me ajudou.Você tem que prometer que vai me manter vivo dentro desse coração recheado de bondade, relembrando as aventuras doces que já tivemos antes desse furacão entrar em nossas vidas.
Aquela noite de natal com você e o papai, naquele chalé de fim de mundo.
Minha primeira visita da fada do dente.
A tarde de páscoa cheia de chocolate.
Eu vou estar ao seu lado, sempre e sempre, mãe. Eu vou para onde papai estiver, quero pedir desculpas pessoalmente. Viva intensamente, mamãe. Eu te amo.
Ps: Quero agradecer Bert por confirmar da pior maneira o quão esse mundo pode ser sujo e horrendo. Espero que morra da pior maneira.”
Os vários comprimidos já estavam fazendo efeito, estava experimentando um pedacinho do céu, contudo o desespero ainda estava presente. A garganta fechada, a dificuldade para respirar, a vontade de vomitar e não conseguir. Tinha que fazer tudo em silencio. Soava frio, na cama. A carta pressionada pela mãozinha que se contorcia em agonia. O rolar de um lado para o outro, agoniado. O choro silencioso, as lágrimas banhando o rosto ligeiramente espantado com um misto de confiança, mas mesmo assim muita dor. Tanta dor para uma pessoa só. Ficou assim por um bom tempo, então as mãozinhas começaram a se afrouxar, o corpo ficar mais quieto, a dor diminuir, e os olhos... perder a luz. A paz havia o acolhido como um de seus filhos. E lá em cima, Quinn estaria livre.
Gerard’s P.O.V
O vento gélido adentrava pelos fios de cabelo soltos e acariciavam meu rosto, deixando-me mais leve e livre. A paisagem surrealista branca e reluzente incrivelmente não machucava meus olhos, mas alimentava minha alma como se fosse combustível. Eu tinha quase certeza de que estivesse em algum quadro celestial de Dali, pela natureza extraterrestre que parecia ser totalmente criada por mãos estranhamente divinas, repletas de amor. Eu nunca tinha me sentido assim antes. E eu não poderia esquecer a figura raquítica e frágil que permanecia sentado em um tronco velho, a alguns centímetros de mim. O óculos grosso não parecia incomodá-lo, como se não tivesse peso nenhum. O cabelo voava delicadamente de um lado para o outro, como se tivesse vida próprio e ditasse seu próprio curso. A pele era abatida, contudo de um jeito saudável, e parecia ter luz própria. E antes que tudo tornasse escuro, pude ouvir a voz do caçula, sussurrando lentamente. Tudo vai ficar bem...
De um segundo para o outro eu estava suado e com o coração disparado. Os olhos estavam fechados, então eu tateei ao meu redor e pude perceber que estava em minha cama, coberto com um lençol vagabundo. Abri os olhos e sentei, pousando uma das mãos na cabeça: Tudo fora um sonho – ou um pesadelo, depende do ponto de vista –, uma grande bosta de sonho, que me deixara deprimido pra caralho por uma fração de tempo, antes que um calafrio descesse espinha abaixo. Um grito horrendo e profundo fora proferido, e eu conhecia aquela voz. Era Frank.
Primeiro eu olhei para o lado para certificar que Bert estaria em seu devido lugar, porque eu não gostava nem um pouco da ideia de vê-lo se aproximar dele. E ele estava lá, em um segundo dormindo, no outro também levantando, provavelmente assustado.
— Tenho certeza que foi a bicha do Frank. – Disse entre os bocejos – Aconteceu algo, e eu estou curioso – Terminou a sentença, calçou pantufas e fora em direção à porta, abrindo a cuidadosamente. E eu prontamente fui atrás, quieto.
Em pouco tempo eu já estava em frente dele, quase correndo. Alguns também acordaram pois algumas portas estavam se abrindo, inclusive a de Ronnie e Brian. Acompanharam Bert, logo atrás de mim. Já era possível avistar alguns enfermeiros ao final do corredor, mas eu fui rápido o suficiente para entrar em seu quarto primeiro que ninguém, talvez porque os curiosos não reconhecessem sua voz e tivessem dúvidas de onde fora a fonte daquilo.
E como eu não queria ter visto aquela cena. Mal entrei no quarto e fui recebido com um abraço apertado de Frank, chorando feito um bebê, agarrando minha camiseta, soluçando horrores. Eu nunca o tinha visto tão frágil assim, e eu entendia o porquê. Ao nosso lado jazia o corpo de Quinn ainda com olhos abertos e uma carta em mãos.
- Eu tive o instinto de acordar e o vi assim – pausa para um soluço –, eu achei que ele estivesse brincando, então eu pedi para ele parar, mas ele não me respondeu.
– Olhou para Molko que tinha acabado de chegar e voltou o olhar para mim, se escondendo em meu peito. Eu tentei acalmá-lo, afagando seus cabelos. Foda-se tudo, aquele era um momento péssimo, e eu sentia uma fração de culpa. Molko ao lado de Campbell se aproximaram do corpo e o psicólogo pegara a carta com cuidado e receio.
- Quero agradecer Bert por confirmar da pior maneira o quão esse mundo pode ser sujo e horrendo. Espero que morra da pior maneira... – Pronunciou baixinho, encarando Bert enquanto fazia uma careta.
— De nada, Quinn! – E o filho da puta se aproximou do corpo, pegando uma de suas mãos e chacoalhando levemente, rindo de sua própria piada. Nojento. Esqueça os filhos da puta que me zoavam na escola, Bert era mil vezes pior.
- Você vai ter muito tempo para agradecer quando for transferido para a segunda unidade. E agora. – Proferiu Campbell, e em um passe inserindo algemas no pulso de Bert, que por incrível que pareça não estava relutante.
- Vá em frente, sua bicha medrosa. Como se importasse com a segurança de alguém. – Bert o respondeu dando uma risada sarcástica.- Eu realmente não me importo, – Piscou. – só me importo com meu bolso. Se mais alguém morrer, esse lugar vai falir. – Virou os olhos, como se fosse óbvio.
- E a felina ali, uh? Ele só se matou porque eu e Gerard fodemos. – Arqueou a sobrancelha como quem desafia e jogou um beijo para o ar. E foi assim que todo mundo começou a olhar para mim com cara de espanto, inclusive Frank, com o semblante cheio de expectativa.
- Você sabe que só fiz isso porque eu... porque durante esses dias eu não engoli os malditos comprimidos. E você me influenciou. – Ele fez aquilo para eu admitir. E não tinha outra saída a não ser falar a verdade, mas nuh, eu tinha que ferrá-lo também.
- Okay, – Brian jogou as mãos para o ar – chega por hoje, vão para seus dormitórios. – Gritou em um tom mandão, fazendo gestos com as mãos para que esvaziassem o lugar.- E você Frank, vai dividir o dormitório com Gerard a partir de agora. Já pedi para que retirassem os pertences de Bert, amanhã transferiremos os seus. – Disse baixinho, cuidadoso.
Frank se desgrudou de mim e meneou a cabeça. Antes que saíssemos e a porta fosse fechada, Brian sussurrou “Deus o tenha”, inconformado, pousando a mão no coração. Pelo menos ele estaria em um lugar melhor que aqui, me consolava esse pensamento.
Notas finais
obrigada pelos comentários ♥
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