Phobos

2 Um problema


Notas iniciais
Acho que é interessante os capítulos terem essa média de 1600 palavras, acho que vou manter assim. Infelizmente, não consegui formatar bem o texto e ele ficou meio compacto, espero que entendam. Boa leitura.

Cara, há tantos palavrões em minha cabeça que mal posso pensar. Como é que você num momento está num interrogatório sério e depois você cai num abismo infinito de escuridão por causa de uma piada de mal gosto. Ando em passos totalmente pesados e aleatórios e, talvez pra distrair a cabeça, tento me equilibrar no meio fio da calçada. Não funciona tão bem quanto dar um murro na parede.

Enquanto a angústia crescia cada vez mais em meu coração, ia se escurecendo o céu de forma rápida e silenciosa — afinal o quão estranho seria se o céu fizesse barulho durante a passagem do tempo? -, quase imperceptível a menos que alguém prestasse atenção. Pouco depois de 20 minutos andando em direção a minha casa, recebo uma mensagem no meu celular. É meu tio Dave, dizendo que vai demorar pra chegar em casa. Bom, pelo menos vai dar tempo de dar um cochilo. Mais alguns minutos e chego no portão da minha casa — que é branco, não que importe — e logo vou abrindo o cadeado. Após fechar a parte externa, vou em direção à porta e a abro com a chave. Meu cachorro — Um Pug chamado Bob — me recebe com um pulo em minhas pernas. Acaricio seus pelos e me jogo no sofá. Então me dou conta de que esqueci minha mochila na central. Droga, amanhã eu busco. Meu cachorro quer brincar. Dou um osso que acho no chão pra ele e deito novamente. Fecho meus olhos e tento dormir um pouco.

–

Acordo no dia seguinte as 5 da manhã devido ao meu celular, tocando alto o toque — Que é Buried Alive, essa música é muito épica. Por que alguém ligaria a essa hora? Olho pra a tela e vejo que é o tio Dave. Espere. Meu tio Dave. Ele sempre chegava em casa as 10 da noite em dias de atraso. Ele ainda não chegou. Onde ele está? Atendo a ligação.

– Alo? — Falo esfregando os olhos.

– Enzzo Walker? — Responde uma voz totalmente diferente da de meu tio, mais rouca e grave. O que está havendo?

– Sim, onde está meu tio? — Odeio esperar pelas respostas.

– Vejo que não gosta de esperar pra saber suas respostas. — Cara, eu sou um livro aberto por acaso? — Então vamos logo com isso. Eu estou com seu tio aqui comigo. — Responde o homem de forma natural.

– Você... o sequestrou? — Pergunto já sabendo que sim.

– Digamos que nós o pegamos para fazer uma troca. — Ele ainda fala muito natural, como se ja tivesse feito isso diversas vezes.

– Maldito seja. Eu vou chamar a polícia. — Falo irritado.

– Não me entenda mal pirralho. — Cara, PAREM de me chamar de pirralho. Eu tenho 20 anos. — Mas a polícia é um pequeno grupo de idiotas achando que fazem o bem para outro grupo de idiotas que acham que eles protegem vocês de tudo. Então vou ser claro, isso aqui é muito grande pra polícia de sua região resolver.

– E se eu chamar a polícia nacional?

– Quem disse que eu falei da polícia da sua cidade? — Como? Impossível. Ele está se referindo a algo maior que o exército? Da onde ele é? Da máfia? Eu odeio perguntas que os interrogados não respondem.

– Q-quem... — Engulo em seco. Estou suando frio. Tento parecer calmo, mas não consigo. Mas tenho que ser. A vida de meu tio está em jogo aqui. — Quem são vocês?

– Isso não é de sua conta. E mesmo que fosse eu não contaria sem uma boa negociação. Falando em negociação...

– Quanto quer? — Pergunto.

– Pouco. Dois bilhões está bom? — Dois bilhões? Como assim? É impossível conseguir esse dinheiro. Se ele quer essa quantia em tão pouco tempo, eu... Quanto tempo eu tenho? Um dia? Não, não é possível.

– Quanto tempo eu tenho? — Tento falar relaxado. Tento.

– Duas semanas. É tempo mais do que suficiente.

Não. Não. Não. NÃO. NÃO. Não tem como isso estar acontecendo. Eu esperava alguns meses no mínimo. Duas semanas não... Eu sinto como se minha vida estivesse sendo retirada do meu corpo. Eu não tenho a quem recorrer. A polícia não vai me ajudar. No mínimo vai tentar encontra-los. E se eles são tão organizados quanto ele diz, ela não vai conseguir. Como vou conseguir esse dinheiro? Ou melhor, quem possui esse dinheiro? Eu estou com medo. Nunca senti tanto medo. Eu estou repleto desse sensor de perigo do corpo enchendo minha alma. Eu preciso salvar meu tio. Eu pre...

– Então nos vemos daqui a 14 dias. — Eu saio de um transe mental. — Espero que esteja com o dinheiro até esse tempo. As 00h00min do dia 28 deste mês eu lhe ligarei. Boa sorte.

A ligação se encerra. Junto com o resto de minha sanidade.

–

O que eu posso fazer agora? É o que eu penso logo após explicar minha situação a polícia, que diz que vai ajudar no que for possível. Eu não posso ficar simplesmente sentado esperando meu tio morrer. Cada hora é vital para eu conseguir fundos para salvar meu tio. Tenho que pensar.

Será que o caso da maleta e esse sequestro estão relacionados? Não tenho como saber. As únicas pistas eram a aparência daquele homem e... o papel. Eu boto as mãos nos bolsos. Estou usando a mesma calça jeans de ontem. Graças a Deus. O papel está lá. Eu o desamasso. Ligo a luz da sala. As janelas fechadas. Ainda estão lá, escritas a caneta em letras grandes e de forma, “Enganei vocês”. Eu me concentro no pedaço de papel, como se algo mágico fosse aparecer em sua superfície por eu simplesmente querer que isso acontecesse. Mas não há nada. Nada que me ajude. Nem ao menos no verso. Deve ser bobagem minha, esses dois casos não estão interligados.

Abro as janelas e desligo as luzes, sei que á coisas mais importantes, mas a conta de luz não vai parar – pelo menos eu acho – por causa desse meu “probleminha”. Vejo um carteiro passando pela porta – os carteiros estão cada vez mais competentes, às 6 da manhã? – e botando correspondência na caixa de correio. Imediatamente vou lá buscar as cartas, ainda segurando o papel. Vejo que não há nada muito interessante, exceto por uma revista que faço assinatura. Apenas pego-as e sigo para minha casa novamente. Olho fixamente para as palavras daquele maldito pedaço de papel. Elas parecem tão soltas. Como se ela estivesse escondendo algo. Deve ser paranoia minha. Viro o verso pra me certificar de que é apenas paranoia sem sentido. E vejo que seja lá quem for que mandou essa mensagem, estava certo ao escrever “Enganei vocês”.

–

– Uma fórmula? – Olho para escrituras no papel, feitas usando uma tinta invisível. Mas como? Ela não se mostrou antes, na minha sala. Será que quem quer que seja que fez isso criou uma tinta invisível á luz artificial? Quem é esse cara?

Há uma espécie de receita na mensagem escondida. Alguns números seguidos de ingredientes e depois algumas porcentagens, seguidas de um modo de preparo. Acima de todas essa palavras, vejo um título em latim, “Serum Timore”. Isso é... soro do medo? Meu latim não é tão bom pra chutar, mas deve ser algo assim. Entro em casa e fico na janela, olhando os escritos. Na ultima linha há os seguintes dizeres:

“Este soro pode induzir um ser á qualquer tipo de fobia, mesmo que ele não a tenha realmente, por apenas cita-la e ele já ter ouvido ou visto tal fobia.”

Espere. Esse cara está tentando dizer que esta formula faz uma pessoa ter medo de qualquer coisa? Como isso funciona? É um composto químico ou algo assim? E mesmo que eu soubesse usa-lo, como eu irei faze-lo? Eu não vou achar esses ingredientes em qualquer farmácia. Eu anoto todas as informações num caderno e sento no sofá com ele para tentar me situar melhor. Um soro que faz as pessoas terem fobias. Então basicamente esse soro estimula o cérebro a liberar os hormônios do medo em relativo com a última fobia vista ou ouvida. Isso me parece totalmente ilógico. Eu preciso testar. Mas como vou... Espere. É isso! Eu tenho como conseguir esses ingredientes. E diferente do que pensei antes, eu posso consegui-los em qualquer farmácia. Só preciso pensar direito. O que é isso em cima da mesa?

–

Eu percorro certa distância procurando chegar numa farmácia perto da minha casa. Ela é realmente bem próxima, apenas dou um desvio e sigo em frente e já estou nela. Eu chego no balcão e vejo um garoto jovem, de aproximadamente 20 anos como eu, cabelos pretos curtos, olhos castanho escuro e uma roupa totalmente branca. Saco meu trunfo do bolso e mostro a carteira de detetive de meu tio, que apesar de conter o nome Dave Philip, não possui nenhuma confirmação de idade, apenas a foto, que eu alterei por uma minha.

– Agente Philips. – Digo, estendendo a mão ao garoto.

– Me chamo Lerry senhor. – Ele responde nervoso. – Lerry Jefferson.

– Vamos logo aos finalmentes. Preciso de alguns desses produtos. – Mostro uma lista com uma série de remédios.

– Nossa, quanto disso você precisa? – Ele diz, provavelmente impressionado com os números.

– O bastante. Se tiver também um pouco desses aqui... – Entrego outra lista.

– Daqui só temos um item senhor.

– Perfeito, então podemos fazer alguns cortes na outra lista. – Digo, tirando dois remédios da primeira folha.

– Mas, desculpe a pergunta senhor, por que você gostaria de tantos desses produtos? – Pergunta o jovem garoto.

– Em breve será revelado. Muito em breve.

O pequeno Lerry sai para buscar tudo nos fundos da loja enquanto eu olho minha carteira. Se isso der errado, provavelmente não vai ser só pro meu tio Dave.

Notas finais
Comentem e deixem sugestões e críticas se gostarem, não sejam leitores fantasminhas.