Phantomhive

26 Visita ao Cemitério


Notas iniciais
Olá pessoas lindas ^.^/ Passando só pra dizer que ainda estou viva e escrevendo, que é o que importa. Bom, capítulo pequeno e meio parado, mas prefiro ir preparando o terreno e explicando aos poucos do que despejar tudo de uma vez. Esse capítulo é basicamente o que aconteceu no restante do dia retratado no capítulo anterior, mas não apareceu lá. (Ignorem a formatação estranha.) Obrigada a todo mundo que leu e comentou...logo responderei a todos ^_______^ Espero que gostem, desculpem qualquer possível erro e.. Boa leitura. :3

Capítulo 26: Visita ao Cemitério

LONDRES, ANOS ANTES


Os dois estavam deitados no meio do campo de flores azuis. A temperatura estava agradável e o dia estava calmo como há muito não se via. Dia após dia, o silêncio e a quietude se tornavam mais raros. Aquele campo florido era o único refúgio dela, onde ela podia ficar só, e onde podia ficar com ele. Ali, os problemas não a alcançavam.

Ela arrancou uma das flores e ficou girando o talo entre os dedos, fitando a fragilidade daquelas pétalas. Pensou que era assim que todos a viam, como uma criatura frágil. Mas ela não era assim. Provaria que não era.

Naquele dia, ela estava aborrecida. Aborrecida e inconformada com o rumo que sua vida tomava. Com tudo o que era obrigada a fazer e suportar. No entanto, o que mais a incomodava era ter de dividir o ela tinha de mais valioso.

– Queria que você ficasse apenas comigo. Mas não posso exigir isso, não é verdade? Você tem um mestre, cuja alma lhe é mui desejável – ela olhava para o céu e falava como se aquilo não tivesse grande importância, mas corruía-se de ciúmes do sujeito misterioso que teimava em roubar seu servo.

– Não mais do que a sua — o akuma disse com naturalidade, como se estivesse acostumado a repetir aquilo.

– Seja verdade, seja mentira, tanto faz. Suas palavras acariciam meus ouvidos e afagam meu ego. Mas é essa sua função não é, Sebastian? Me bajular.

– Vamos realmente discutir sobre isso? Por que duvidas? Você é a mais importante pra mim, Lilian.

– Já disse pra me chamar de Lil.

– E desperdiçar um nome tão bonito...

Sebastian tentou distrí-la acariciando-lhe o rosto, mas ela estava irredutível.

– Então prove! – Lílian se colocou de pé subtamente, uma pequenina flor era amassada em sua mão direita.

– Provar o quê?

– Que eu sou mais importante.

– Não entendo sua insegurança.

– Passas mais tempo com ele do que comigo. Ele não precisa de você, mas eu sim. Ninguém me dá ouvidos, apenas porque sou mulher. É frustrante! Preciso de você do meu lado.

– E eu estarei. O que quer que eu faça?

– Que o abandone.

Sebastian suspirou.

– Sabe que não posso fazer isso. Tenho um contrato com ele.

– Tem um contrato comigo também. Sabe muito bem que eu sou egoísta e não gosto de dividir. Estou numa situação complicada, Sebastian. Não posso esperar a vida toda.

– Tudo bem. Conversarei com meu mestre e darei um jeito. Espere-me aqui depois de amanhã. Consegue fugir? Ao meio-dia virei buscá-la. Não é necessário trazer malas, apenas seu casaco.

Lílian balançou a cabeça afirmativamente e sorriu para Sebastian. O akuma inclinou-se para beijá-la. Conhecendo bem seu mestre, sabia que não seria nada fácil quebrar um contrato tão longo. Era realmente uma pena jogar tantos anos de trabalho fora, e abandonar uma alma tão desejável. Mas as coisas mudam. Nem sempre se pode confiar na palavra de um akuma. No presente momento só lhe importava uma pessoa: Lílian Cavendish.

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LIVERPOOL, AGORA

Depois de saírem da casa do Sebastian, Elizabeth e Dimas pegaram um táxi até o hotel que a senhora Agatha Midford estava hospedada. O mais difícil foi ligar para mãe e inventar uma desculpa qualquer para ir dormir com a avó. Lizzy se sentiu mal pela mãe, sabia que ultimamente não vinha sendo uma boa filha e provavelmente sua mãe devia achar que ela a estava trocando por seus parentes biológicos. Mas não era esse o caso. Quem dera fosse algo tão simples.

Durante o percurso, a jovem ficou em silêncio, rasciocinando sobre tudo o que havia acontecido e sobre o que estava acontecendo. Questionava se devia compartilhar com Dimas suas preocupações. Na casa do Sebastian, por um momento, por culpa da raiva e da mágoa reprimida, pensou em lembrar Ciel da traição de Sebastian. No entanto, desde a Segunda Guerra, tantas coisas ruins, estranhas e sem explicação aconteceram com os membros do Clã Phantomhive, que Elizabeth se perguntava se, pelo menos dessa vez, Sebastian não seria realmente inocente.

O táxi parou em frente ao Albert Hotel. Elizabeth e Dimas desceram do carro, entraram no prédio e se encaminharam até o gerente.

– Estou procurando Agatha Midford. Ela está hospedada aqui – Lizzy falou.

– E quem gostaria? – o homem perguntou um tanto esnobe, empinando o nariz para os dois adolescentes.

– Diga que é a neta dela. Elizabeth Midford – a garota falou com uma altivez digna da Lizzy original.

– Perdoe-me senhorita Midford. Avisarei neste instante – o homem se desviou um pouco para falar ao telefone, alguns minutos depois, ele se dirigiu aos jovens novamente. – A senhorita pode ir. Quinto andar, quarto 1206.

– Obrigada.

Os dois entraram no elevador, as portas se fecharam, uma música monótona e baixa começou a tocar. Dimas se sentiu constrangido e sentiu a necessidade de dizer algo. Aquele silêncio entre os dois já havia durado muito tempo e isso já o estava incomodando. Reuniu coragem e fôlego, mas antes que abrisse a boca, Elizabeth lhe perguntou algo.

– Qual a sua última lembrança como Finnian? Ou melhor, você lembra como morreu?

– E-eu... Foi durante a guerra. Um tiro certeiro – ele respondeu massageando o peito. Por um instante pensou ainda sentir a dor do impacto.

Era 1917, Finnian estava em campo de batalha com mais cinco soldados, tinham de explodir uma base alemã, e conseguiram. No entanto, foram encurralados nas trincheiras quando tentavam voltar para o território inglês. Três foram apanhados pelo maldito gás mostarda, dois foram atingidos por explosivos; uma coisa horrível de se ver. A munição havia acabado e Finnian precisou se defender com as mãos; ele era forte, mas não a prova de balas. Era uma missão suicida, eles sabiam desde o começo.

Ruby havia advertido Dimas para não se fixar em memórias do momento de sua morte. Pessoas com morte traumática tinham a alma mais sensível a ação da mente. Assim que as memórias daqueles eventos vieram, ele desviou o pensamento para épocas felizes. Dias de sol em que ele corria livre pelos jardins da mansão Phantomhive.

– E eu chorei muito... quando soube que você tinha morrido. Costumava achar que você era invulnerável – a loira ficou em silencio por alguns segundos. – Depois que você morreu, o rei enviou uma carta convocando os Phantomhive. Você havia morrido, Maylene e Bardroy estavam muito velhos, só restava Sebastian e eu. Ele encontrou outros integrantes para substituí-los. Fizeram um bom trabalho. Aí começou uma segunda guerra e tudo saiu dos trilhos.

A porta do elevador se abriu e os dois seguiram pelo corredor.

– Eu vou te contar um segredo, Dimas, mas tem de me prometer não contar nada ao Sebastian. Pelo menos por enquanto.

– Eu prometo – ele falou sem pensar duas vezes.

– Durante a Segunda Guerra, Sebastian abandonou os Phantomhive. Ainda não sei por quê. Além disso, ele fez algo que deixou os Serafins furiosos.

– Ele e Richard mencionaram algo sobre isso, mas nunca disseram o que ele realmente fez.

– Ele dizimou meia cidade. Sim, Sebastian já tinha matado muitas pessoas antes, mas daquela vez foi diferente. Ele não só matou, mas destruiu as almas dos habitantes. Iridhel me explicou que os demônios não podem comer ou fazer qualquer dano a alma de um humano, a menos que o humano aceite vender sua alma ou que outro humano lhe dê uma ordem para destruir, isso livra o demônio da culpa. Não sei se Sebastian agiu por vontade própria, mas ele realmente destrui muitas almas. Centenas de pessoas inocentes que deixaram de existir, sem qualquer esperança de retorno. Os anjos o sentenciaram a 100 anos de serviços prestados a Corte dos Serafins, o levaram e o mantiveram preso por anos. Pelo que sei, ele só foi solto muito depois da minha morte. A Corte também nomeou os Midfords seus representantes na Inglaterra. Afinal, alguém precisava continuar a liderar o Clã Phantomhive... embora ele praticamente não existisse mais. Foram anos difíceis.

– Mas disso tudo o Sebastian já sabe. Por que o segredo?

– O segredo está na razão pela qual os Serafins nos escolheram como seus representantes. Eles fizeram isso por três razões. Era eu quem guardava o segredo dos Phantomhive. Eles queriam que minha família escondesse e protegesse alguém de Sebastian e de qualquer outro demônio. E por último, os Serafins fizeram um acordo com Ciel.

– Como é que é? Fiquei confuso agora. Quem vocês tinham que esconder? E como assim, o Ciel já tinha morrido há anos nessa época, não tinha?

Sem se darem conta, eles já estavam em frente ao quarto 1206. Dimas arregalou os olhos esperando a explicação, mas Lizzy continuou em silêncio. O rapaz sentiu como se tivessem o sacudido e seu cérebro tivesse saído do lugar. Elizabeth bateu na porta e logo uma senhora alta, de rosto enrugado atendeu.

– Olá vovó Agatha.

Agatha tinha os cabelos brancos com uma única mecha loira. Apesar da idade avançada, ela ainda conservava uma ótima postura; seus olhos verdes revelavam alguém que, na juventude, devia ter sido tão bela quanto Amanda o fora. Ela fez sinal para que os dois jovens entrassem e pediu que a acompanhassem no chá. Dimas quase derruba um jarro de decoração ao passar pela mesa de chá, arrancando um olhar severo de Agatha; ele sorriu sem graça, pedindo desculpas, e sentou-se ao lado de Lizzy.

– Claus me ligou informando que havia feito o Despertar e que você de fato é a Elizabeth Midford original. Este mundo é realmente insano. Perdi minhas duas filhas e recuperei uma neta. Se não me falha a memória, eu costumava chamá-la de tia-avó Lizzy, agora a avó sou eu – Agatha sorriu, o que deixou seu rosto ainda mais enrrugado e com um ar mais amigável, o que deixou Dimas menos tenso. – Se eu não pertencesse a família que pertenso, diria que tudo isso é uma loucura, mas esses meus olhos já viram muita coisa. Então... Suponho que não veio hoje apenas para fazer uma visita a sua avó.

– Sim, a senhora está certa. Vim para buscar a Flauta Celeste, se ainda estiver em seu poder; e para esclarecer o que se passou depois de minha morte.

Agatha deixou os ombros caírem, foi como se anos de histórias e segredos tivessem caído sobre suas costas. O fardo carregado pela família Midford não deveria ter sido carregado por ela, mas por seu irmão, Cyrus, infelizmente, ele escolheu outro caminho. Talvez o mais difícil.

Agatha respirou fundo e deixou o ar escapar lentamente. Ela olhou insegura para Dimas, mas Lizzy disse que estava tudo bem.

– Depois de sua morte, Lizzy, continuamos a esconder Evelyn, assim como os Serafins pediram. Mas depois que Sebastian retornou, tivemos medo que sua presença demoníaca despertasse algum mal na quimera, ou que ele a encontrasse em nosso poder. Foi quando Undertaker nos ofereceu um lugar seguro para escondê-la. Longe de demônios. Por anos não tivemos qualquer problema. Até meses atrás, quando ela foi roubada e todos esses crimes começaram a aparecer. Sinto muito, ela estava sobre minha responsabilidade. Não devia ter delegado a guarda dela a outra pessoa, ainda mais para aquele shinigami.


– Não, a senhora fez o que achou ser melhor. O importante, agora, é encontrá-la, antes que possam usá-la para propósitos obscuros.


– Se é que já não estejam fazendo isso. E aquele garoto, Ciel, sabe da existência dela?


– Não tenho certeza do que Ciel sabe ou não. Não tive a oportunidade de conversar sozinha com ele ainda, mas sei que ele esqueceu de muita coisa. Infelizmente, considerando a forma como ele morreu da última vez, creio não ser prudente fazê-lo lembrar.


– Espera. Espera. Espera aí... – Dimas interrompeu. – Você quer dizer que o Ciel...


– Esta vida, é a primeira reencarnação, sua, do Richard, da Ruby e minha. No entanto, é a segunda reencarnação do Ciel. Ele voltou mais cedo do que esperávamos. Sebastian tinha um contrato com outra pessoa na época. Acho que Sebastian acreditou que pudesse servir a dois amos. Como um demônio, ele devia ter previsto que não há como agradar a duas pessoas egoístas ao mesmo tempo. Não demorou muito para que as coisas começassem a dar errado... Foi quando ele nos abandonou, a todos nós.


Os olhos de Lizzy ficaram marejados, Dimas sempre soube que ela amava Ciel e que, com o tempo, adquiriu um carinho por Sebastian. Era óbvio que ela se sentia tão traída quanto Ciel deve ter se sentido, provavelmente culpava Sebastian pela morte de Ciel. Dimas sentiu uma sensação ruim só de ouvir a história. Queria perguntar mais coisas, queria que ela explicasse melhor, mas achou melhor não o fazer.


– Nunca pensei que Sebastian fosse capaz de abandonar o Ciel.


– Sebastian tem sido nosso aliado por anos – Agatha começou – , mas somente porque a Corte dos Serafins o obrigou. Nunca confiei completamente nele. Na primeira oportunidade, ele fez um contrato com minha filha mais nova. Não se pode confiar neles, os demônios, eles mentem, eles traem, eles matam. É a naturza deles.


Agatha se levantou, foi ao seu quarto e voltou com um estojo de veludo preto. O entregou a Elizabeth. A garota abriu e lá estava a pequenina flauta dourada pendurada em uma correntinha.


– Nunca consegui invocar Iridhel ou qualquer anjo com essa coisa – Agatha comentou. – Até hoje, apenas você, Cyrus e Claus conseguiram tal feito.


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A solidão de Ciel em sua casa não durou muito. Logo sua mãe e Angélica chegaram. A pequena Evangeline não estava em seus melhores dias e não parava de chorar. Para azar do Ciel, sua mãe descobriu que o bebê se acalmava nos braços do irmão. Só naquela noite, Evangeline foi parar no colo de Ciel umas cinco vezes. Sua mãe disse que o bebê passara o dia com cólica, o garoto não entendia muito de cólicas ou de bebês, mas pelo menos a confusão distraiu sua mãe o suficiente para que ela não o questionasse sobre onde estivera todo esse tempo (Claro que Ciel não sabia que Sebastian havia assumido a sua forma e passado a noite na sua casa para não preucupar a senhora Valentine). Ele nem teve tempo para ficar pirando com a história de reencarnação, duas vidas e tudo mais.


Enquanto ajudava Angie a pôr a mesa, enquanto lavava a louça do jantar (era a vez de Angie, mas ela inventou uma desculpa qualquer), enquanto prendia a respiração quando ajudava a mãe trocava a fralda do bebê, Ciel só conseguia pensar em como tudo parecia igual ao dia anterior. No fundo ele sabia que somente ele tinha mudado. Talvez esse fosse o segredo pra não surtar, deixar tudo como estava, sem ficar pensando em passado e presente. Sua cabeça não parecia mais embaralhada e nem se sentia nauseado. Talvez ele só precisasse mesmo de um tempo para se acalmar.


Sua mãe fora finalmente tomar um banho e o deixou vigiando a irmã. Observando a pequena Evangeline, sua mente divagou para uma lembrança distante. Ele lembrou-se, como se tivesse acontecido ontem, da noite em que pegou seu filho nos braços. Sim; um dia ele teve um filho, embora tenha sido por tão pouco tempo. Lembrou-se do choro sofrido de Lizzy quando percebeu que o filho estava morto, lembrou-se de seu próprio sofrimento.


Engoliu o gosto amargo em sua boca com muito esforço. Sentiu aquela sensação já conhecida de letargia. O cenário a sua volta ficou turvo, dando lugar a um novo cenário. Estava rodeado por fogo. As chamas pareciam hipnotizá-lo.


– Ciel? – sua mãe tocou em seu ombro. – Eu o chamei duas vezes. Está dormindo em pé? Pode ir dormir filho, eu fico com a Evangeline.
Ciel seguiu para o seu quarto em silêncio. Ele tinha aquelas visões desde criança. Algumas eram suas, ele sabia agora, mas outras não. Se não eram dele, de quem seriam?


Encontrou o desenho que tinha feito de Evie mais cedo. Ele realmente não desenhava muito bem, mas ao ficar olhando pra a caricatura malfeita da misteriosa menina, ficou se perguntando onde ela estaria naquele momento. Ela estaria bem? Estaria segura e aquecida? Será que havia alguém para protegê-la?


Quando criança, Ciel acreditava que ela fosse um tipo de amiga imaginária, e como se fosse uma, a menina desapareceu de sua memória. Agora ela retorna, provando que existe, que é mais do que isso. Ciel sentia que ela era mais.


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EM ALGUM LUGAR DE PLYMOUTH

Depois de ser atacada por demônios na estação de trem, e conseguir escapar, Verônica caminhou até chegar ao estacionamento de um cinema. Procurou um carro mais afastado. Pegou algumas ferramentas em sua mochila e agachou-se ao lado da porta do veículo. Demorou apenas alguns minutos para conseguir abrir a porta do carro e desligar o alarme. Estava quase cortando os fios para fazer uma ligação direta, quando notou que o dono do veículo tinha uma cópia da chave no porta luvas. Ela não sabia dizer se era muita prevenção ou muito descuido. De qualquer forma, era muita sorte.


Dirigiu 130 milhas até Bristol, onde resolveu parar e improvisar curativos. Temia ter quebrado uma costela e estava com um corte horrível na barriga. Ela estava terrivelmente cansada, e a perda de sangue a deixou sonolenta. Deitou-se no banco traseiro e tomou o cuidado de cobrir a cabeça com o capuz. Precisava dormir, nem que fosse por apenas alguns minutos.


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LIVERPOOL


Nas sombras que se projetavam no canto do quarto, Sebastian surgiu. Sorrateiro. Silencioso. Ficou observando seu mestre dormir. Sereno, jovem e belo como sempre fora. Sebastian puxou as cobertas para cobrir Ciel, mas o jovem acabou acordando. Ciel esfregou os olhos com o dorso da mão. Estranhou a figura em seu quarto, mas logo percebeu que era Sebastian.


– Desculpe, não queria acordá-lo – disse o akuma.


– Estava começando a achar que não viria – ele falou e sentou-se na cama.

– Estava me esperando?

– E por acaso você consegue ficar longe de mim? – sorriu provocante.

Sebastian sorriu ao ouvir aquilo. Apoiou suas mãos na cama, prendendo Ciel entre seus braços e o beijou. Ciel se entregara ao beijo com tal intensidade, que Sebastian teve de se segurar para não tomá-lo naquele instante. Ele sabia que havia outras pessoas na casa que poderiam ouvi-los, isso traria complicações a Ciel. O jovem interrompeu o beijo e levantou-se da cama.

– Precisamos ir a um lugar – Ciel sussurrou.

– No meio da noite? Tem a ver com os assassinatos? – os olhos de Sebastian seguiam o jovem, que despiu-se do pijama e trocou de roupa na frente dele, sem qualquer cerimônia. O akuma sabia que Ciel fizera isso naturalmente, sem qualquer intenção de provocá-lo, mas isso não o impediu de ficar excitado com o pequeno show.

– Sim. E sim. Vamos ao cemitério. Preciso checar uma coisa lá – Ciel colocou um casaco, pegou uma lanterna e abriu a janela do seu quarto com todo cuidado para não fazer barulho. – Pode me carregar? Como antigamente?

Sebastian levantou-se da cama e andou até o rapaz. Pegou os braços de Ciel e os colocou em volta do próprio pescoço. Seus rostos ficaram a centímetros, sustentaram o olhar um no outro. Sebastian segurou Ciel pela cintura e saíram pela janela.

Ciel sentia as mãos de Sebastian segurarem sua cintura e suas pernas com firmeza. Escondia seu rosto na curva do pescoço do akuma, protegendo-se do vento que os atingia com ímpeto. A aceleração repentina fazia seu estômago girar toda vez que Sebastian descia sobre um prédio qualquer para tomar impulso e lançar-se de volta no ar. Era uma sensação semelhante a de estar em uma montanha-russa.

Não levou mais do que três ou quatro minutos para que Ciel pudesse sentir que eles tinham chegado ao cemitério. Por sorte, a noite estava clara e o céu limpo de nuvens, mas repleto de estrelas. Assim que seus pés tocaram a grama, úmida pelo orvalho da noite, Ciel enfiou a mão no casaco, retirou a lanterna e começou a iluminar o terreno ao redor. Sebastian tinha aterrissado no espaço aberto usado para realizar as cerimônias. Onde a cerimônia de Amanda Midford/Villefort havia acontecido.

– O que estamos procurando aqui?

– Uma lápide. Quando estivemos aqui no enterro da Amanda, eu não prestei muita atenção. Akasha, ou melhor, aquela quimera nos disse um nome. Naquela hora não fiz qualquer ligação. Mas quando o Undertaker começou meu Despertar, eu vi milhares de lembranças girando em torno de mim, em uma delas eu estava aqui no cemitério com Evie.

– A menina quimera que Undertaker criou.

Ciel assentiu e continuou a iluminar lápide por lápide. Sebastian o seguia de perto, mais interessado em observar os movimentos do rapaz do que no caso que os levara até ali.

– Ela estava sobre uma lápide... Aquela! – Ciel iluminou uma lápide com a lanterna e ambos seguiram para lá. O facho de luz iluminou o nome gravado na pedra. – Melissa Utterson. Perguntei a Akasha como o assassino escolhia as vítimas e ela disse “Melissa Utterson”. Acho que era isso que Evie estava tentando me mostrar. Sempre que ela tentou me alertar de algo, nunca o fazia diretamente. Arranjava um jeito de dizer, sem dizer. Talvez não pudesse.

– Ela é uma das quimeras roubadas, provavelmente está em posse do demônio que ajuda o assassino. Se for o caso... Uma vez, ouvi falar de um feitiço que te impede de revelar algo.

– Mas se Evie está presa, como ela pode ter vindo falar comigo tantas vezes?

– Odeio ter de corrigi-lo, Mestre, mas apenas você a viu. Duvido que ela estivesse realmente presente. Aqui mesmo no cemitério, quando afirma ter conversado com ela, eu o vi falar sozinho; quando foi atacado por kroboros e afirmou estar com ela, Ruby disse que o viu sozinho. A primeira e única vez que a tal menina foi no seu Despertar.

– Como ela faz, então, telepatia?

– Nenhum demônio, anjo ou quimera possui tal habilidade. Possessão seria uma melhor hipótese.

– Quer dizer que ela está dentro de mim, é isso?

– Não. Nenhum demônio pode possuí-lo. O contrato te protege. Além disso, embora Undertaker não tenha dito que tipo de demônio usou para cria-la, ela teria que ser um demônio possessor completo para conseguir possuir alguém.

– Bom, eu sei que não a imaginei.

– Acho que a pergunta mais interessante seria porque ela aparece pra você e não para o Undertaker?

– Talvez porque até as quimeras dele sabem que ele é uma furada? Sei lá. O importante é que temos uma pista aqui. Melissa. Precisamos descobrir quem era essa mulher. Talvez isso nos ajude a saber quem é o assassino e porque ele está fazendo isso. Terminamos por aqui. Amanhã verificamos essas questões.

– Por que simplesmente não me mandou vir procurar o túmulo sozinho? O pouparia do trabalho, do perigo e do frio da noite.

– Porque eu queria lembrar como era a sensação de sair em campo à noite com você.

– É realmente uma lástima não haver mais carruagem, nem podermos voltar para a mansão. Onde podíamos fazer amor sem nos preocuparmos em sermos ouvidos.

Ao ouvir aquilo, Ciel ficou completamente corado. Sebastian falou de modo tão casual, que fez o garoto lembrar de todas as vezes em que eles estiveram juntos de forma mais íntima. Ciel se recordava de como aquela relação lhe parecia tão natural quando ele era adulto. Mas mesmo recuperando a memória, a simples mensão a suas noites de amor e prazer com Sebastian, o deixava tão constrangido quanto a um virgem. Talvez porque ele deixara de ser um virgem a alguns dias atrás. Talvez porque ele era um adolescente imaturo novamente.

– Você não tem jeito. A tarde de hoje não foi suficiente?

– Sabe muito bem que nunca fico satisfeito. E se me recordo bem, você também não.

Mesmo com a pouca luz, Sebastian viu o rosto de Ciel ficar vermelho. O garoto tentou se fazer de indiferente e evitou olhar diretamente para o akuma. Típicas atitudes dele para disfarçar o constrangimento. Sebastian estava realmente adorando tudo, tinha a oportunidade de rever em Ciel Valentine toda a inocência, constrangimento e rebeldia que seu mestre tivera no passado quando tinha essa mesma idade. Pena não tê-lo encontrado mais cedo.

Ele fez um sinal para que Ciel se aproximasse, para que pudessem ir embora, mas o jovem permaneceu parado, o observando.

– Eu deixo você me levar para sua casa, mas com uma condição – um sorriso faceiro surgiu no canto dos lábios tenros. – Tem que me deixar no meu quarto antes do sol nascer.

Havia um brilho especial naqueles olhos azuis. Malícia e desejo. Ciel era complexo, sempre fora. Havia um lado dele que apenas Sebastian conhecia. Orgulhava-se de ser a única pessoa que conhecia todas as facetas daquele garoto. O único a presenciar sua descoberta do prazer, a beijar sua boca e tocar sua pele macia. Orgulhava-se de ser único para ele. E agora que Ciel lembrava quem ele realmente era, tudo voltara a ser como antes.

– Entendido, Jovem Mestre.

Sebastian fez uma reverência e tomou Ciel no colo. Sebastian estava feliz, pois, desde aquela manhã em que reencontrara Ciel na rua Barnabas, depois de tantos anos, finalmente sentia-se completo novamente.

Chegaram a casa do Sebastian por volta de uma e meia da madrugada, e apesar de ser tão tarde, Ciel ainda não tinha sono. Talvez porque dormira por muito tempo no dia anterior. Estava no quarto do Sebastian, esperando que ele terminasse de preparar a cama. Ciel tentava se manter calmo e não ficar constrangido. Começou a observar os objetos de decoração que estavam sobre uma cômoda apenas para se distrair. Por curiosidade, abriu uma das gavetas e encontrou algo que não via há muito tempo. Jurava ter destruído aquilo.

Uma foto.

Não uma foto qualquer.

Uma foto de Ciel Phantomhive aos 13 anos. Ele aparecia dormindo na poltrona de seu escritório na Mansão Phantomhive. Sebastian estava em pé ao seu lado, com seu antigo uniforme de mordomo. E Pluto, o cão demônio já falecido há muito tempo, aparecia do lado de fora da janela. Porque a foto era especial? Sebastian a tirou sem a permissão de Ciel. Sim, Sebastian foi quem fotografou. Então como ele apareceu na fotografia? Simples, a câmera usada tinha o poder de revelar a coisa mais importante para aquele que era fotografado. Já que Ciel era o fotografado e Sebastian aparecera na foto, isso sugeria que Sebastian era a pessoa mais importante para o jovem conde.

Todos acharam aquilo muito fofo, e Sebastian ficou andando com a bendita foto para cima e para baixo se vangloriando de ser o favorito de seu mestre. Na época, Ciel sabia muito bem que o mordomo queria apenas se aproveitar daquela fraqueza para importuná-lo. Chegou a dizer que a foto não revelava os sentimentos dele, mas os de Pluto; o cão também aparecia na foto, e todos sabiam como ele adorava Sebastian, embora o mordomo o detestasse. A segunda hipótese pareceu não agradar Sebastian, então, ele parou com as brincadeiras. E Ciel nunca mais voltou a ver aquela fotografia novamente.

Entretanto, mesmo naquela época, ele sabia que a fotografia não estava de todo enganada. Sebastian era realmente a pessoa mais importante para o conde Phantomhive. Ciel precisava dele para tudo, era seu braço direito, sua arma, seu caminho para obter sua vingança. Sebastian era um servo importante. Agora, Ciel se perguntava se era apenas isso. Se a fotografia não estaria revelando tão prematuramente um sentimento que ele só viria a descobrir anos mais tarde.

– Eu estava falando com você, mas pelo visto, não estava escutando uma palavra – o akuma chegou por trás, abraçando sua cintura e beijando sua bochecha.

– Porque guardou essa foto?

– Ah, você a encontrou – ele falou sorrindo. – É a primeira prova de que meu mestre realmente gosta de mim.

– A primeira? E quais são as outras?

– Todos os dias em que ele esteve comigo.

Ciel virou-se para encarar o akuma, tomou seu rosto entre as mãos e o beijou. Foi puxando Sebastian para a cama lentamente, fazendo-o deitar sobre si. Depois que seus lábios se separaram, Ciel seguiu beijando o rosto e o pescoço do mais velho, então, parou e o abraçou.

– Está tudo bem? – Sebastian perguntou retribuindo o abraço.

– Naquela noite... em que eu morri... E você ficou ao meu lado até o final... Achei que aquela seria a última vez que eu o veria – Ciel soltou o pescoço do outro e pousou a cabeça no travesseiro. Olhos azuis fitavam olhos rubros. – Lembro-me de sentir medo de acordar em algum lugar e você não estar lá. Minha última lembrança como Ciel Phantomhive é um aroma. O seu cheiro. Eu sei que não estou exatamente como eu era no passado, eu já percebi alguns traços diferentes, sei que você também, mas ainda sou eu. Só quero que saiba que... A minha vida toda eu senti a falta de algo, agora eu sei que era de você.

Quando terminou, Ciel estava ofegante. Seus olhos em momento nenhum se desviaram do outro, assim como os olhos de Sebastian permaneciam fixos nele.

– Ciel eu...

– Não precisa dizer nada. Apenas me ame.

Sebastian continuou a observar Ciel por mais alguns segundos. Ele se inclinou e pressionou seus lábios nos do garoto, levemente, como se fosse o primeiro beijo entre duas crianças. Depois começou a sugar-lhe os lábios alternadamente, e foi intensificando a ação até que suas línguas se tocassem e ambos sentissem um arrepio correr por seus corpos. Em pouco tempo suas roupas se tornaram incômodas e quentes. A necessidade de sentir o calor da pele do outro era quase insuportável.

Cada beijo, cada toque e cada carícia eram carregados de paixão e carinho. Proporcionavam uma sensação maravilhosa e inexplicável. O calor emanava deles e gotículas de suor se formavam nos contornos de seus corpos nus. Ciel gemia quando a língua de Sebastian percorria as partes sensíveis de seu corpo ou quando ele o beijava de maneira mais lasciva. Quando Sebastian o penetrou, Ciel apertou os ombros do akuma com tanta força, que deixou marcas avermelhadas de unhas. Sentia seu corpo febril, mas era uma sensação prazerosa. Sabia que seu rosto estava corado, mas não sentia vergonha naquele momento. Tudo o que sentia era a sensação libidinosa provocada pelo deslizar dos corpos, o vai e vem lascivo e os espasmos excitantes sempre que Sebastian atingia seu ponto de prazer.

Sebastian enlouquecia sempre que Ciel gemia, ou quando ele ondulava o quadril sobre seu membro, ou quando lambia seu pescoço e sussurrava seu nome ao ouvido. Seu jovem, delicioso e devasso mestre. Como podia alguém ser a personificação da inocência e da doçura, e ao mesmo tempo da paixão e da luxúria? Era possível um único humano despertar nele tantas sensações? Sebastian adorava servi-lo e obedecê-lo, adorava lhe dar prazer e o prazer que sentia com ele. Adorava sua voz, seu cheiro, sua tenacidade. Adorava estar com ele e tê-lo em seus braços, a maciez de sua pele e o sabor de sua boca. Adorar não era a palavra mais apropriada, adorar implicava devoção, não era devoção o que ele sentia. Era algo diferente disso. Algo que ele não compreendia, não entendia, mas sabia, agora, que era capaz de sentir. Sebastian o amava e sabia que seu mestre sentia o mesmo. Não era necessário dizer, ambos sentiam.

Suas respirações estavam entrecortadas, seus corações estavam acelerados, os dois desfrutavam da satisfação que o orgasmo provocava em seus corpos. Os cabelos estavam completamente úmidos e os lençois tinham cheiro de sexo. Um olhou para o outro e começaram a rir, como se tivessem chegado ao consenso de que aquilo tinha sido intenso. Sebastian agarrou-se a cintura de Ciel e pousou a cabeça em seu peito.

Ciel não soube quando dormiu ou quando Sebastian o levou de volta para casa, mas estava em seu quarto quando acordou. Poderia achar que tudo em sua noite fora apenas um sonho, não fosse seu corpo levemente dolorido e o bilhete acompanhado de um bombom de chocolate deixado sobre o criado-mudo.

...
Obrigado pela noite maravilhosa. Pego você depois da escola.
Com amor, Sebastian.
...

Ciel sorriu ao ler o bilhete. “ Com amor”, Sebastian nunca disse algo do tipo. Nunca em todos esses anos. Ciel gostou tanto daquele pequeno bilhete, que perdeu as contas de quantas vezes ele releu aquelas duas linhas escritas, sempre se demorando na segunda. Admirado em como aquelas três últimas palavras pareciam tão belas ali no papel.

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EM ALGUM LUGAR DE BRISTOL


Verônica acordou com o barulho de uma buzina. Dormiu mais do que esperava, pois já era dia. Sentiu todo seu corpo doer e demorou três minutos para conseguir de fato se mexer e levantar. Dirigiu até encontrar uma daquelas lojas de beira de estrada. Comprou leite, pão, analgésicos, curativos e tinta para cabelo. A embalagem dizia “marrom marroquino” , ela se perguntava o que diabos seria um marrom marroquino. Levou suas compras estranhas até o caixa e esperou que a atendente não reparasse em sua aparência acabada e nas suas compras, que pareciam gritar KIT FUGA! Mas a mulher, loira e um tanto rechonchuda, com uma enorme espinha na bochecha esquerda, não tirava os olhos dela.

– Moça, posso te dizer uma coisa?

“Droga!”

Ela estava tão perto de conseguir sair sem interrogatório. Verônica acena com a cabeça, forçando seu melhor sorriso gentil.

– Larga esse filho da mãe , amiga. Você é jovem, bonita, vai arranjar coisa muito melhor. Escuta o que estou te falando.

– Você tem razão. Vou fazer isso.

– É isso aí. Faça mesmo.

– Vou sim.

Verônica saiu do mercado torcendo para ter colocado uma base ou corretivo na bolsa, precisava cobrir os hematomas do seu rosto. Nem tinha reparado que sua cara parecia a de um fugilista perdedor.

Abandonou o carro na rodoviária de Bristol, a essa altura, a polícia já podia estar atrás dele. Entrou no banheiro público e, ali mesmo, cortou e pintou seu cabelo de castanho. Seu cabelo ficou completamente desalinhado, o lado esquerdo mais comprido que o direito, a parte de trás repicada, o que lhe deu um visual rebelde e relaxado. Não havia tempo para se preocupar com o cabelo. Comprou uma passagem de ônibus e quatro horas depois estava em Liverpool.

Ela encontrou uma cabine telefônica e checou duas vezes todos os nomes na letra P, mas não havia nenhum Phantomhive. Ela sabia que não seria tão fácil assim encontrá-lo, mas não custava nada tentar. Também não poderia sair perguntando a qualquer um, não em Liverpool. Ali, ela estava praticamente na boca do lobo, não era sensato chamar atenção para si. Se um anjo a mandou procurar por um cara chamado Phantomhive, provavelmente ele deve ter ligação com o sobrenatural, ou estar muito encrencado, ou as duas coisas. De um jeito ou de outro era preciso ter cuidado, as notícias correm no submundo. tudo o que ela menos queria era seu paradeiro se espalhando por aí.

O melhor seria esperar outro recadinho angélico lhe mostrando a direção.

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LIVERPOOL


Undertaker estava em sua sala. O crachá preso ao seu jaleco dizia “ Mark Callaway”. Na mesa a sua frente estava o corpo de Sibyl Ashton. Ele analisa os órgãos da mulher como se aquilo fosse a tarefa mais divertida do mundo. Algo no intestino da mulher chamou sua atenção, um pequeno embrulho de plástico. Era uma coisa realmente estranha para se engolir ou será que o assassino a obrigou a engoli-lo?

O shinigami retirou cuidadosamente o plástico que envolvia o objeto, e percebeu que se tratava de um recorte de jornal, dobrado muitas vezes, até ficar pequeno o suficiente para se engolir. Como estava envolto num plástico, provavelmente, Sibyl queria garantir a integridade do papel. Só não sabia se ela não desejava que alguém encontrasse aquilo ou se ela queria muito que alguém encontrasse. Undertaker terminou de desdobrar o recorte e o leu. Ao fazê-lo, seus lábios se curvaram num sorriso malicioso.

– Para quem devo entregar isso, para a polícia ou para o Clã Phantomhive?

Notas finais
Nossa, foi um trabalhão arranjar tempo pra escrever esse capítulo. Depois, fiquei ontem de 8h da noite até meia noite tentando postar esse capítulo e não conseguia, e hoje... finalmente o/.... mas ficou nessa formatação feia aí de cima. Como todos sabem, é final de ano e a vida fica corrida em dobro, mas prometo postar o próximo capítulo ainda em dezembro. Logo vou responder aos comentários, muito obrigada a todos pelo incentivo...amo vcs Obrigada a todos que leram. Beijos da Tai. ^3^