Phantomhive

27 Montando O Quebra-cabeças


Notas iniciais
Olá pessoal ^-^ Aquele momento feliz em que a gente finalmente posta o capítulo novo *______* Desculpem os possíveis erros... nos vemos nas notas. Boa leitura ~^.^)~

Capítulo 27: Montando O Quebra-cabeças

Ciel estava de muito bom humor aquela manhã. Nem o choro matinal de sua irmã recém-nascida, nem os olhares tortos dos colegas, nem as piadinhas de mau gosto de Mason e seus amigos seriam capazes de acabar com seu bom humor. Ciel passara toda a manhã relembrando pequenos momentos de seu passado, aqueles que ele julgava importante, ou que lhe traziam boas memórias. Era um exercício, ele queria ver do que ele se lembrava. E era espantoso como acontecimentos de muitos anos atrás pareciam ter acontecido no ano passado.

Lembrou-se das trapalhadas de seus servos. Do saudoso e antigo mordomo, Tanaka, cuja alma permaneceu no passado e continuava viva apenas em suas lembranças. O atrapalhado Príncipe Soma e seu mordomo Agni, o sonso do Lau e sua irmã, Ranmao. Que fim eles levaram?

Lembrou, principalmente, de várias missões que teve e de todos os momentos em que esteve com Sebastian. E apesar de todo o convencimento do mordomo, e de suas provocações e alfinetadas que irritavam Ciel, o garoto pôde ver que o akuma o amava, ao seu modo.

Ciel, sem perceber, colocou a mão no bolso da calça e sentiu a textura do papel do pequeno bilhete que Sebastian lhe deixara naquela manhã. Seu rosto ficou corado repentinamente, então, ele resolveu prestar atenção à explicação do professor de história.

Se não estivesse tão distraído, Ciel teria notado que Mason não lhe dirigiu qualquer palavra a manhã toda. Mas o silêncio de Mason não durou muito tempo. No período da tarde, quando todos os alunos estavam indo para o campo de Rugbi, uma mão agarrou o colarinho de Ciel e o puxou do corredor principal para um corredor paralelo.

– Por sua causa e daquela sua amiguinha, Elizabeth, eu vou ter que ficar de detenção depois da aula até o final do mês – Mason falava enfurecido. – É melhor tomar cuidado comigo. Você pensa que me engana, Valentine, mas eu sei que tem alguma coisa de muito esquisita em você. Além da sua gayzisse, obviamente.

– Não sei do que você está falando.

– Sabe. Sabe sim. Eu vi. Um brilho lilás no seu olho. E aquilo não era normal.

– Um brilho? Lilás? No meu Olho? Humph! Sabe o que eu acho, Mason? Acho que você está tão obcecado por mim que está começando a imaginar desculpas só para vir falar comigo.

– Ora seu...

O soco foi inevitável.

– Hey! Senhor Mason, pare agora mesmo! – a srta Bathory veio correndo em direção aos dois adolescentes, tão rápido que seus compridos cabelos pretos esvoaçavam. – Pare com isso ou será expulso da escola.

– Você não pode me expulsar. É só a bibliotecária – Mason debochou, suas orelhas e seu nariz redondo estavam vermelhos de raiva.

– Está me desafiando mocinho? Posso até não poder expulsá-lo, mas o que acontece se você levar mais uma suspenção?

– TÁ BOM! Já estou saindo – Mason falou entre dentes e se afastou lançando um último olhar furioso em direção ao Ciel.

– Veja só isso. Seu nariz está sangrando – Bathory falou com um suspiro no final e um menear de cabeça em reprovação. Ela estendeu um lenço para Ciel e pediu para avaliar o estrago. – Não me parece quebrado, para a sua sorte, mas não deixe de passar na enfermaria depois. Francamente, sr. Valentine, não se deixe levar pelas provocações de Mason, você é melhor que isso. Além do mais, violência não resolve nada.

– Eu sei. Mas eu não bati nele, vê? É o meu nariz que está sangrando.

A bibliotecária sorriu.

– Mas provocou que eu sei. Só tenha cuidado – ela sorriu. – Então, nunca mais te vi na biblioteca e tenho a impressão de que você não estava presente na última aula de artes.

– É, eu não estava.

– Até imagino... Se me permite um conselho, sei como é divertido estar namorando e, geralmente, quando o namorado é mais velho, os alunos costumam cabular aula. Mas sempre priorize seus estudos, ok?

A professora concluiu com uma piscadela, Ciel ficou perdido e constrangido com a forma como a conversa se desviou para o lado pessoal. E ele não tinha cabulado aula para namorar... espera... Não, é claro que não. O objetivo era bem diferente, o resto foi consequência.

– Isso é sério. Mesmo sendo apenas a substituta, ainda tenho que informar no relatório os alunos que faltarem. Por mais que eu não queira.

– Entendi. Não vai acontecer novamente.

– Bathory, os livros que eu pedi – interrompeu Cranston, o intragável professor de geografia. Ciel o achava metido e bossal demais. Uma versão adulta e pior de Ivan Mason. Mas fazia sucesso entre as alunas por ser bonito, um galanteador barato, pensava Ciel.

– Sim. Estão na biblioteca.

– Então vamos logo. Estamos esperando o quê? – falou de um jeito debochado. Talvez achando que estava sendo engraçado, no entanto, parecia extremamente rude. Pelo visto, ele só era educado e atencioso quando lhe convinha. – E aí garoto? Tudo beleza?

Cranston colocou a mão sobre a cabeça de Ciel bagunçando o cabelo, o que fez o jovem se sentir uma criança de 10 anos ou um vira-latas recebendo festinha. Ciel não suportava aquele cara.

Os dois adultos se afastaram e Ciel ficou observando como Cranston ficava cheio de mãos em cima da srta. Bathory, enquanto ela, toda sem graça, tentava alertá-lo de que eles estavam em local de trabalho. Mas pelo visto, isso não incomodava Cranston, tanto que ele nem disfarçava uma espiada nas alunas que passavam pelo corredor. O que a stra. Bathory via nele? As mulheres são realmente complicadas. Pois Ciel pensou que se fosse com ele, mandava o cara pastar.

– Ei, Ciel! – Liza e Pauline vieram correndo para ele, quase o derrubam, agarraram seus braços e saíram o arrastando pelo corredor. – O time do Dimas tá jogando agora. Temos que ir lá torcer.

Ciel ficou sentado na arquibancada ao lado de Lizzy e Pauline. Contra sua vontade. Até tentou ser legal e torcer pelo Dimas, mas depois de meia hora, já estava entediado. Os times iam avançando as jardas, o placar ia alterando os pontos, mas o tempo parecia não passar. Rugbi não era o esporte favorito de Ciel. Ele ficava vendo o quarterback lançar a bola, o runnin atravessar o campo com a bola em mãos e todos se chocarem bruscamente, como touros em combate. E depois a mesma, novamente. Estava enjoado daquilo, mas Elizabeth não o deixaria fazer a desfeita de sair no meio do jogo do amigo.

A mente de Ciel começou a vaguear. Seus olhos continuavam fixos no campo, mas sua mente estava longe. Seus ouvidos capitavam os sons vagamente. Duas fileiras abaixo de onde Ciel, Lizzy e Pauline estavam, dois alunos começaram uma discursão por causa de uma moeda.

– Ela tinha caído bem aqui. Você a pegou!

– Eu não peguei nada. Procura direito, idiota!

– Pegou sim. Onde ela está?

– Já disse que não peguei sua maldita moeda!

– Droga! Era minha moeda da sorte. Onde ela está? Onde ela está?

“Onde ela está?”

Onde ela está...?

A pergunta foi ecoando nos ouvidos de Ciel como um mantra, trazendo com ela a estranha sensação de já ter ouvido aquelas mesmas palavras. As arquibancadas, o campo, as pessoas, tudo a sua volta desapareceu e deu lugar a uma escuridão fria, e dela saiu uma mão com garras negras, agarrou seu pescoço com força. Olhos vermelhos e furiosos o fitavam no escuro, e uma boca cheia de dentes pontiagudos rosnou a centímetros de seu nariz: “Onde ela está?”. A sensação era a de tentar respirar e não conseguir e, de repente, tudo em volta era fogo.

Piscou três vezes, rapidamente. Abriu os olhos e viu que estava de volta a arquibancada. Elizabeth e Pauline olhavam para ele, preocupadas.

– O que houve, você se engasgou com a saliva? – Pauline indagou, um olho em Ciel e o outro no jogo. O time de Dimas tinha conseguido avançar mais três jardas desde a última vez que Ciel prestou atenção.

– Você está bem? – Lizzy perguntou, mas na sua dúvida havia muito mais coisas implícitas. Uma preocupação genuína. Ela e Ciel partilhavam segredos que a colega, Pauline, jamais saberia.

– Estou.

Ciel estava sério e agia como se não tivesse acontecido nada demais. Mas Lizzy sabia que não era verdade.

– Quer ir à biblioteca? A gente fica lendo até o fim do jogo.

Ciel concordou. Por dentro, seu coração estava acelerado e ainda sentia sua pele arder por causa do fogo. E a cicatriz em seu pulso, quase esquecida, doía como ferida inflamada.

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Sebastian estava sentado dentro do seu jaguar preto. Ouvia uma música qualquer no rádio. Tentava se distrair. Ele chegou alguns minutos antes de Ciel sair da escola. Ele realmente não entendia porque o jovem escolhera continuar levando a vida como antes, principalmente ter de continuar a frequentar aquela escola. Se dependesse do akuma, os dois teriam voltado naquele mesmo dia para Londres, ele mesmo se encarregaria da educação de seu mestre, e de todo o resto, assim como fizera no passado. Mas não dependia dele. Não apenas dele.

No fundo, ele sabia que seria um grande choque tirar Ciel do seu círculo de convívio de uma hora para outra. O mais importante é que eles estavam bem, e juntos. O resto iria se ajeitando aos poucos.

Duas batidas no vidro escuro do carro o tiraram de seus pensamentos. Ele virou-se, sorridente, pensando que fosse Ciel, mas seu sorriso morreu quando se deparou com Elizabeth. Ele abaixou o vidro da janela e perguntou o que ela desejava. Olhou em volta da garota para ter certeza se Ciel não vinha logo atrás, mas nada do jovem.

– Preciso falar com você. Agora.

Ela falou respirando fundo e apertando as alças da mochila lilás. Sebastian a encarou por alguns segundos. Ele abriu a porta do carro, saiu e ficou de pé diante da jovem.

– Estou ouvindo.

– Você precisa contar pro Ciel. Sobre a Lílian.

– Pensei que já tivéssemos conversado sobre isso e descartado essa ideia.

– Não. O que nós concordamos foi em conversar sobre isso depois e fazer o que é melhor para o Ciel.

– Eu vi como as memórias estavam afetando ele. Odeio ter que admitir, mas Undertaker estava certo em apagar a memória dele. Ciel está bem agora.

– Não, ele não está. E não finja que você também não se perguntou qual o interesse do Undertaker em apagar a memória do Ciel. Por que eu tenho certeza que ele não fez isso apenas para te ajudar. E está ignorando esse fato porque tem medo que Ciel o rejeite caso se lembre da verdade.

– E você certamente adoraria isso, não é?

Elizabeth olhou para ele irritada e bufou com impaciência.

– Sim, eu adoraria. Mas eu não estou preocupada com o que eu quero. Além do mais, que diferença faria? Ele não gosta de mim da mesma forma que eu. Ele gosta de você. O Ciel tem o direito de saber que ele teve uma reencarnação antes dessa, tem o direito de saber o que aconteceu lá. As lembranças vão voltar e ele vai acabar se lembrando de um jeito ou de outro. É justamente por me importar com o bem dele que eu estou aqui dizendo pra você, cabeça dura, que o melhor seria ele saber por você.

– Cabeça... dura?

Os dois ficaram em silêncio. Elizabeth olhou para os dois lados da rua, não buscando observar quem passava, mas tentando formular uma imagem do passado. Trazendo de volta lembranças. Seus olhos ficaram marejados por alguns instantes. Ela piscou várias vezes, tentando fazer a sensação de tristeza passar.

– Por que nos deixou? – ela perguntou num fio de voz. Sebastian a encarou surpreso, as sobrancelhas unidas. Não estava com raiva, estava apreensivo porque aquele assunto o incomodava. – Você jurou que nunca abandonaria o Ciel. Por que nos abandonou no meio da guerra? Você simplesmente sumiu, por muito tempo. Foi como uma facada em todos nós. Por que você se foi?

– Eu não... não sei ao certo. Não foi por vontade própria, eu garanto.

Elizabeth encarou Sebastian se perguntando se ele estava sendo sincero ou não. Aquela não parecia ser uma resposta muito convincente, certamente não era o tipo de resposta que Ciel engoliria facilmente. Até entendia porque Sebastian preferia que Ciel continuasse sem saber.

– E por que matou todas aquelas pessoas em 1940?

– Em minha defesa, a maioria delas já estava morta.

– Destruiu as almas, matou um shinigami. Já estava um caos, já tínhamos muitos problemas e você ajudou a piorar tudo.

– Eles mataram a Lílian. Mereciam morrer.

Sebastian falou convicto, como se sua lógica fosse inegável.

– Sebastian, não foi... – Elizabeth ainda abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas reparou que Ciel e Dimas se aproximavam deles.

– Algum problema? – Ciel indagou olhando de Sebastian para Lizzy.

– Não, nenhum – disse a loira sorrindo com afetação. – Estava apenas dizendo ao Sebastian que falei com minha avó. Ela mandou dizer a ele que está tudo bem nas Indústrias Midford. Então ele não precisa se preocupar em voltar para Londres tão cedo. Dimas, você viu a Pauline?

– Vi sim. Ela estava saind...

– Então vamos lá, você me mostra – a loira nem deixou o garoto concluir a frase, o agarrou pelo braço e saiu puxando-o pela rua.

Sebastian disse que tinha novidades para o Ciel e o convidou para tomar um chá. No entanto, Sebastian insistiu para que eles fossem a um lugar diferente do Darjeeling Chá. Foram a um lugar mais distante. Um restaurante no Albet Dock. No caminho, Ciel tirou o terno, a gravata e o pulôver, ficando apenas com a camiseta branca e a calça. Não queria andar por aí com o uniforme da escola.

O garçom servia os dois quando Ciel perguntou:

– Então o que conseguiu descobrir sobre a tal Melissa?

– Melissa foi enterrada em meados de 2000, como indigente. O corpo foi carbonizado e encontrado no aterro sanitário da cidade. Segundo o coveiro e os registros do cemitério, um ano depois, um homem pagou para que mudassem o túmulo de lugar, lhe dessem uma lápide bonita e escrevessem o nome Melissa Utterson, e apenas isso.

– Alguém não queria que ela continuasse como indigente. E descobriu quem era esse homem?

– Infelizmente, o misterioso sujeito pagou o suficiente para que não fizessem perguntas.

– E ninguém lembra como era o rosto dele?

– Não. O cara fez todo o negócio pelo telefone. Mandou o pagamento pelo correio, sem remetente.

– Que droga! Bom, pelo menos já temos alguma coisa. Podemos...

– Ciel... – Sebastian o interrompeu. O Jovem olhou para ele sem entender. – Já concluímos nosso trabalho por hoje.

– Como assim concluím....

– Não vamos mais falar sobre isso por hoje, concorda? Estou tentando ter um jantar romântico aqui – falou sorrindo.

Só então Ciel reparou na comida leve servida nos pratos, no vinho nas taças, na música suave, nos casais em volta, conversando, nos pares valsando lentamente na área para dança. De repente se sentiu constrangido.

– Você poderia pelo menos ter me avisado disso com antecedência, não é?

– Aí não seria surpresa. Pode ficar tranquilo, aqui eles não têm nenhum tipo de preconceito com casais não convencionais. Eu chequei. Embora eu não saiba se eles teriam a mesma opinião sobre humanos e demônios. O importante é que poderemos ter um momento a sós sem preocupações ou olhares tortos.

– Não precisava tudo isso. Se você tivesse me comprado um sanduíche e uma latinha de soda eu ficaria feliz do mesmo jeito.

– Imagino que sim. Mas onde estaria o romantismo?

– Não sei muito bem como me portar em jantares românticos.

– Ouvi dizer que os casais costumam trocar informações sobre suas vidas monótonas.

– Nossas vidas não são monótonas. E pensei que a primeira ordem fosse não falar sobre o que fazemos.

– É verdade. Sobre o quê você quer conversar?

Ciel riu da situação. Será que transar era realmente tão mais fácil do que conversar? Parecia um raciocínio absurdo. Mas as coisas entre eles tinham acontecido numa ordem e numa velocidade maluca. No sexo, palavras não eram necessárias, os sentimentos falavam por si. Bastava um toque, um beijo e uma carícia para um já saber o que o outro sentia. Mas o que Sebastian estava propondo era algo um tanto mais complicado para Ciel. Falar sobre seus sentimentos era um pouco mais difícil do que demonstrá-los. Ciel só o fazia em raras ocasiões, mas em situações assim, sentia-se um pouco pressionado e constrangido.

– M-me fale de você. Quantos mestres você teve depois de mim?

– Uns dois... três, com a Amanda.

– Só isso? Os contratos demoraram tanto assim para serem concluídos?

– Não. Foram até rápidos. Eu só... Parei por uns tempos.

– Sentiu a minha falta? – um sorriso maldoso brincava nos lábios do jovem.

– Na verdade senti sim – Sebastian colocou a mão sobre a de Ciel, a segurou e olhou nos olhos do jovem. – Ciel, apesar de qualquer erro que eu possa ter cometido, eu nunca esqueci de você. Nem deixei de espera-lo. É algo um tanto piegas para um akuma dizer, não é mesmo? Mas é a verdade.

Ciel sentia seu coração acelerado, e alguma coisa nos olhos do akuma o prendiam. Ciel sentiu como se Sebastian ocultasse algo. Havia algo de diferente em Sebastian, mas Ciel não conseguia perceber o que era. Ao mesmo tempo em que as palavras dele lhe causavam um borbulhinho de felicidade, Ciel também sentia uma pontinha de angústia.

– Porque está me falando isso?

– Por nada. Apenas quero que saiba que estou feliz em tê-lo como mestre novamente. E como namorado, não vamos esquecer.

No início, Ciel não queria beber o vinho, mas Sebastian o convenceu de que era apenas uma taça, não teria grandes efeitos em seu organismo, além disso, era preciso saber apreciar alguns prazeres da vida. Moderadamente, é evidente. Eles seguiram o jantar conversando sobre coisas variadas. Em alguns momentos, o silêncio surgia, mas Sebastian não se incomodava, deixa Ciel livre para falar ou não falar. Só queria ficar com ele. O jantar e a conversa eram o de menos. O que importava era a companhia.

– Vamos dançar?

– O quê?! Nem pense nisso. Sabe que eu sou péssimo. Péssimo desde a Era Vitoriana.

– Uma dança não mata ninguém. Além disso, é uma música lenta, não tem como errar o passo. Vamos?

Sebastian ficou de pé estendendo a mão para ele, Ciel, com a cara fechada, a pegou e, juntos, caminharam para a área de dança. Ao passarem entre as mesas e ao se prepararem para dançar, Ciel viu que as pessoas arriscavam um olhar para eles. Não eram olhares tortos, nem reprovadores, mas curiosos e interessados. Uma mera afinidade com o jovem e belo casal, que parecia tão feliz. Olhando de fora pareciam perfeitos, sem nada a esconder.

A música exigia uma proximidade muito grande, então, Ciel colocou os braços sobre os ombros de Sebastian, e este o abraçou pela cintura. Tão logo começaram a se movimentar, Ciel pisou no pé do akuma. Fazendo os dois pararem bruscamente.

– Se você disser alguma coisa, eu vou embora! – sussurrou.

– Não pretendia dizer nada – Sebastian conteve um sorriso. E ambos continuaram dançando. Ciel apoiou a cabeça no peito de Sebastian e fechou os olhos; era menos constrangedor assim. E tão naturalmente quanto o soar da melodia, seus rostos se aproximaram para um beijo.

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– Onde você estava? Chegou tarde hoje – disse Hortense Valentine. Ela estava sentada no sofá, assistindo o noticiário da noite enquanto amamentava a pequena Evangeline.

– Estava com o Sebastian – respondeu ao se encaminhar para a escada.

– Tem andando muito com o Sebastian ultimamente – a mãe falou trocando o bebê de posição.

– Verdade – Ciel respondeu cauteloso. – Algum problema nisso?

Sua mãe olhou para ele por uns instantes, depois, voltou os olhos para a tela da televisão.

– Não, nenhum. Seu pai já está em casa. Vá lá cumprimentá-lo.

Ciel gostaria mesmo era de ir direto para seu quarto, mas mesmo assim foi falar com o pai. Afinal, quase não o via ultimamente. Roger estava sentado, jantando e lendo o jornal ao mesmo tempo. O celular e o distintivo estavam sobre a mesa, ele ainda não tinha tirado o coldre com a arma.

– Oi filho. Faz tempo que nós não conversamos direito, não é mesmo? Eu sei que ando deixando você, suas irmãs e sua mãe meio de lado, mas... tudo está tão...

– Eu sei, pai. Eu entendo.

– Você... Você vai jantar?

– Vou.

– Faça seu prato e sente aqui.

Ciel não estava com fome, acabara de voltar de um jantar, mas mesmo assim, colocou o mínimo de comida no prato e sentou-se ao lado do pai. Estava se sentido muito feliz e queria dividir essa sensação com alguém, mesmo que de forma silenciosa e sutil.

– E como vai a escola? – Roger perguntou depois de algumas garfadas.

– Bem – Ciel respondeu objetivo. Seu pai simplesmente balançou a cabeça em aprovação. – E como vai o trabalho?

– Não tão bem quanto eu gostaria – respondeu. E a conversa sessou.

Assim eram as conversas entre Ciel e seu pai, sempre muito curtas e objetivas. Enquanto acompanhava o pai na refeição, Ciel se perguntava como ele reagiria se Ciel disse naquele momento que estava namorando um homem. Qual seria a reação dele? Qual seria a reação de sua mãe?

Ciel imaginou todas as possíveis reações. Ele poderia se levantar, virar a mesa, gritar e esbravejar. Xingá-lo, trancá-lo em casa ou expulsá-lo. Ele poderia tentar convencê-lo de que estava errado, que era só uma fase, poderia proibi-lo de ver o Sebastian. Ele poderia começar a chorar e perguntar onde havia errado ou simplesmente ignorar o que Ciel falou e fingir que tem um filho hétero. Ou ele poderia aceitar numa boa. Nenhuma das alternativas parecia se encaixar no perfil de seu pai, nem sabia como sua mãe reagiria. Ciel nunca ouviu seus pais comentarem sobre isso, de modo que não fazia ideia de qual era a opinião deles sobre homossexualismo. Perguntar, assim, do nada, agora, soaria um tanto suspeito. A conclusão a qual Ciel chegou era simples: eles pirariam.

– Estou namorando – Ciel soltou a frase no ar, esperando que o pai não a pegasse.

– Que bom? Voltou com a filha dos Wilson?

– Ah, não. Liza e eu somos apenas amigos, mesmo.

– E qual o nome da felizarda? – Roger perguntou depois de uma pausa.

“Qual o nome da felizarda?”

“Qual o nome dela?”

A típica pergunta, que direcionada a uma pessoa do sexo masculino, leva a entender que ele só poderia estar namorando alguém do sexo feminino, sem mais. Não era uma pergunta feita de forma maldosa, nem preconceituosa, era apenas a forma mais comum de perguntar. Nem por um instante passou pela cabeça de Roger que ele poderia ter perguntado de forma diferente. Que a resposta poderia ser um nome masculino. Diante da pergunta, Ciel apenas pensou que aquele não era o momento certo.

– É segredo – respondeu olhando para o prato vazio. Roger olhou para ele curioso.

– Mesmo? E eu a conheço?

Novamente a dedução implícita de que o filho só poderia ter uma garota como interesse romântico.

– De vista, talvez.

Roger não insistiu mais em perguntas, para alívio de Ciel. O jovem queria contar aos pais, queria mesmo, só não sabia como fazê-lo.

Apesar do começo de noite agradável, Ciel teve uma péssima noite de sono. Não sabia se foi por ter comido demais ou por outra razão, mas teve pesadelos a noite toda. Os mesmo pesadelos de sua infância. Sempre cenas ruins e uma sensação de morte, imagens tão reais que pareciam ser lembranças. Só que Ciel não se lembrava de nada como aquilo.

Tão estranho quanto os pesadelo e visões que pareciam piorar, mesmo depois do Despertar, era a cicatriz em seu pulso, que parecia agora tão vermelha e doída quanto no dia em que a ganhara.

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No dia seguinte, Richard, Ruby, Dimas e Ciel se reuniram na casa do Sebastian para juntar todas as pistas e informações que tinham. Ciel fez uma lista de todas as mulheres mortas pelo tal Assassino de Liverpool, acrescentando suas idades e profissões. Ele ficou olhando para a lista, para as fotos delas grudadas no quadro. Sabia que o padrão ou o motivo estava escondido ali em algum lugar, ele só precisava enxergar da maneira correta.

– Será que é pela beleza? Eram todas mulheres bonitas – Richard chamou a atenção dele para esse fato. – A forma como o assassino desfigura suas vítimas, geralmente, em casos similares, representa inveja.

– Seria algo assim tão simples? Tão banal? – questionou Ruby.

Ciel olhou novamente para a lista.

1. Rosemary Farraday....................... 16 anos...............Estudante

2. Alexandra Lessing..........................26 anos............. .Enfermeira

3. Lucilla Race....................................28 anos.............. Dona de casa

4. Sara Ann Baxter............................ 20 anos.............. Garçonete

5. Mary Margareth Carson................30 anos.............. Professora

6. Joan Redford............................... 26 anos.............. Guitarrista

7. Belinda Copperpot....................... 19 anos.............. Universitária

8. Melinda Copperpot...................... 19 anos.............. Universitária

9. Isabella Enfield............................. 28 anos.............. Atleta

10. Akasha Jackeline Ratchett............. 31 anos.............. Escritora

11. Sibyl Ashton................................. 29 anos............. Dona de casa

Akasha e Lucilla eram negras, as outras eram brancas. A tonalidade de cabelo delas variava em diferentes tonalidades de loiro, castanho, preto e ruivo. Rosemary, Sara e as gêmeas, Belinda e Melinda, eram as mais jovens, as outras tinham mais de 26. As quatro primeiras e Sibyl moravam e foram mortas em cidades diferentes, as demais moravam e foram mortas em Liverpool. Ciel não colocou na lista os pais das gêmeas, porque ficou claro que eles foram mortos apenas para provocar a polícia, e diferente das outras, o casal foi estraçalhado pelos kroboros e não pelo assassino. O casal não pertencia ao grupo. Mas o que fazia cada uma das mulheres merecer fazer parte desse grupo mórbido?

Foi quando Ciel se deu conta de que nem todas ali faziam parte desse grupo.

– A escritora! – ele exclamou e os outros se sobressaltaram. – Seja lá qual for o método de escolha do assassino, Akasha não fazia parte dessa lista, lembram? Ela foi usada no ritual para capturar o shinigami.

– Que por sinal, não sabemos que fim levou o desgraçado – Richard acrescentou, cruzando os braços e encostando-se a parede.

– Tinha até me esquecido daquele shinigami – Dimas comentou.

– O fato é que Akasha foi morta por vingança, porque ameaçou contar o que sabia. Temos a prova disso – Ciel apontou para a folha rasgada, onde havia uma ameaça escrita com sangue, presa logo abaixo da foto de Akasha no quadro. – Ela foi morta por um motivo diferente das outras. Não faz parte desse grupo. Será que mais alguma também não faz?

– Hey! Espera, espera, espera... – Richard parou por um instante, puxando a memória do fundo de sua mente. – As duas garotas, as gêmeas, lembra, Ruby? Quando os kroboros atacaram as duas, eles escolheram uma para levar embora e a outra eles tentaram comer.

– E você lembra qual das duas eles escolheram? – Ciel indagou. Richard coçou a cabeça, era difícil lembrar quem era quem. Elas eram idênticas.

– Eu lembro – Ruby falou convicta. – A que eles escolheram foi a Belinda e a que eles iriam comer era a Melinda. Eu sei por que a tal de Melinda ficou gritando o nome da irmã o tempo todo.

– Essa é a nossa chave – Ciel comentou. – O que difere uma gêmea da outra?

Ciel apagou o nome das duas mulheres da lista.

1. Rosemary Farraday....................... 16 anos...............Estudante

2. Alexandra Lessing..........................26 anos............. .Enfermeira

3. Lucilla Race....................................28 anos.............. Dona de casa

4. Sara Ann Baxter............................ 20 anos.............. Garçonete

5. Mary Margareth Carson................30 anos.............. Professora

6. Joan Redford............................... 26 anos.............. Guitarrista

7. Belinda Copperpot....................... 19 anos.............. Universitária

8. Isabella Enfield............................. 28 anos.............. Atleta

9. Sibyl Ashton................................. 29 anos............. Dona de casa

– Nos sobra nove mulheres mortas pela mesma razão. Agora, o que faz Belinda Copperpot pertencer a essa lista e sua irmã gêmea não? O que Belinda tinha em comum com as outras, que Melinda não tinha?

– E como a falecida Melissa Utterson se encaixa nisso tudo? – Dimas lembrou.

– O assassino deixou um bilhete. “Aqui, ela morreu” e na ameaça a Akasha ele disse “Um desrespeito à memória dela” – Sebastian acrescentou.

– Vingança pela morte de Melissa? – Dimas indagou.

Ciel ficou analisando a situação e chegou à conclusão de que não poderia trabalhar com tão poucas informações. Tudo o que eles tinham eram artigos de jornal e algumas informações dadas por Claus e Callaway, o Undertaker.

– Vou dar uma missão para cada um. Bard... quero dizer, Richard e Ruby irão interrogar amigos, vizinhos e parentes de Farraday, Lessing, Race e Baxter. É melhor irem de metrô, assim vocês voltam mais rápido. Sebastian pode conseguir as passagens, não pode? – o moreno confirmou. – Dimas, você fica comigo e vemos o que descobrimos por aqui. Sebastian quero que você reviste a casa dos Copperpot e descubra o que puder, o lugar está fechado e protegido pela polícia, então só você vai conseguir entrar. Só quero que voltem com o máximo de informações que vocês conseguirem.

– Sim, Meu Lorde! – as vozes de Sebastian, Ruby, Dimas e Richard soaram em uníssono. Cada um sorriu discretamente em seu íntimo, até Ciel, porque fazia um bom tempo que eles não ouviam aquelas palavras, e era muito bom sentirem-se novamente na ativa. Como uma equipe.

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Verônica caminhava pelas ruas do Bairro Vermelho de Liverpool, a zona da prostituição. Procurava garotos e garotas de programa, e sempre que os encontrava, ficava os observando por algum tempo antes de se aproximar, precisava ter certeza. Depois de algum tempo, encontrou um grupo de cinco prostitutas num pub, conversando animadamente com um homem que parecia ter muito dinheiro. Uma delas, alta e de cabelos loiros e cacheados, ficava o tempo todo sussurrando no ouvido do homem, o qual parecia hipnotizado, e sorrindo para as outras garotas. Verônica abriu o seu colete e os botões da blusa apertada que usava, aumentando seu decote. E aproximou-se da mesa onde os seis riam bobamente. O risco era parecer ridícula.

– Olá meninas. Alguma de vocês está afim de um pouco de diversão comigo? – ela falou num tom sensual. – Eu pago bem.

As mulheres riram. O homem pareceu não notá-la, continuava com um sorriso enorme.

– Vai ter que pagar muito bem mesmo, gracinha. Se você quiser uma exceção especial – disse uma.

– Podemos até fazer uma brincadeira a três se você tiver um amigo – falou uma ruiva.

– Eu posso ser esse amigo? – o estranho entrou na conversa.

– Não, obrigada. Três é demais pra mim.

Todos riram.

– Deixa. Eu fico com ela – a loira alta tomou a frente das outras. Ela olhou para Verônica dos pés a cabeça, mordendo o canto do lábio inferior. Ela usava um vestido preto muito, muito curto, e muito, muito justo. Não usava tanta maquiagem quanto as outras, no entanto, era evidente que ela era a mais bonita. Parecia até... Perfeita. – Eu nunca recuso uma boa diversão. Mas diz aí, onde vai ser?

– Meu carro está logo ali na outra rua. A gente encontra um lugar legal.

Verônica e a prostituta caminharam lado a lado pela rua até ficarem fora do campo de visão das pessoas próximas ao pub. Verônica estava ciente de que a outra não parava de fitar o seu corpo nem por um segundo.

– Que tal ali – Verônica apontou para um beco sem saída.

– Ali? – falou com incredulidade e indignação. – Você quer transar num beco sujo?

– É ao ar livre. É excitante. A gente só aquece ali, depois vai para o carro – Verônica abriu mais a camisa, andando de costas até o beco.

– Gostei de você – a mulher falou com um sorriso malicioso. Ela começou a beijar o pescoço de Verônica, acariciando seus seios por sobre o sutiã e alisando sua cintura, empurrando-a até a parede.

– Gosta de bondage? – Verônica perguntou sorrindo, colocando a mão no bolso de seu casaco. A Loira sorriu em resposta e voltou a beijar seu pescoço.

Verônica tirou, cuidadosamente, uma corrente prateada de seu bolso e rapidamente enlaçou o pescoço da mulher com ela.

– Fica imóvel! – Verônica ordenou, e a loira caiu de joelhos, sem conseguir se mover, e suas pupilas se contraíram, como olhos de cobra. Ela olhou furiosa para Verônica. – Como eu suspeitei, sempre tem um incubus ou uma sucubus disfarçado de prostituta. A maneira mais fácil de saciar sua fome de luxúria.

– Todo mundo precisa se alimentar. Pelo menos eu não mato ninguém. Como você me descobriu?

– Os olhos dos sucubus e incubus reagem ao desejo repentino, um dilatar e contrair bem rápido; e quando falam, liberam um odor semelhante ao feromônio humano. É muito sutil para humanos comuns notarem. Mas chega de papo. Tenho umas perguntas...

– E o que a faz pensar que eu sei as respostas e que as darei? – cuspiu as palavras.

– Porque a sua raça dorme com praticamente todo mundo, são sempre os melhores delatores, quero dizer, informantes. E se você não responder...

Verônica puxou a corrente, que apertou o pescoço da sucubus, penetrando a pele como ferro em brasa.

– O QUE VOCÊ QUER SABER?

– O que você sabe sobre Phantomhive?

– Fala sério! Eu não estava incomodando ninguém. Tá bom. O que eu sei? O mesmo que todos os outros demônios: fique longe deles.

– “Deles”? Não é só uma pessoa?

– É um Clã. Você é idiota? Até eu sei disso.

– Caçadores de demônios?

– Só dos que causam problemas, como os kroboros. Chegaram a Liverpool há pouco tempo.

– Como eu os encontro?

– Eu não sei – Veronica apertou mais ainda a corrente, esta atingiu a carne, fazendo a sucubus sangrar. – Certo! Certo! Eu vi uma deles. Uma vez. Dá pra afrouxar isso aqui...? Ok! Ok! Uma mulher ruiva, cabelos ondulados. Usava um uniforme com avental. Estava escrito... estava escrito... Darjeeling Chá. É tudo o que eu sei. É tudo. Vai me soltar agora?

– Sinto muito – falou com um suspiro.

– SUA PUT...

O demônio não conseguiu concluir sua frase. Verônica apertou a corrente, sua forma humana começou a tremular. Os elos da corrente continuaram a penetrar a carne até contar a cabeça da sucubus fora. A cabeça ainda rolou meio metro antes de começar a se deteriorar e se desfazer. Verônica guardou a corrente no bolso e fechou sua camisa.

– Eu sei que você iria acabar contando pra alguém que eu andei perguntando. Não posso me dar ao luxo de ser descuidada. Darjeeling Chá. Mulher ruiva.

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E essas foram todas as informações coletadas pelos Cães de Guarda da Rainha:

Rosemary Farraday foi a primeira vítima. Foi vista pela última vez saindo da sua escola em Newcastle. Seu desaparecimento só foi notificado à polícia após 3 dias. A adolescente morava num abrigo para jovens órfãos, os funcionários do lugar acharam que ela havia fugido; o que não era incomum acontecer. Três semanas depois, seu corpo foi encontrado em Liverpool. Na época a polícia achou se tratar de um caso de sequestro seguido de homicídio. Como não havia parentes reclamantes e por falta de provas, o caso foi arquivado. O caso era da polícia de Newcastle, então a polícia de Liverpool não se envolveu.

A segunda vítima foi Alexandra Lessing, 26 anos e enfermeira. Foi vista pela última vez no estacionamento de um hospital em Carlisle. Corpo encontrado também uma semana depois em Liverpool. O caso era da polícia de Carlisle, e a DP de Liverpool apenas cooperou com o necessário. O crime também foi classificado como possível sequestro seguido de assassinato. Entre a primeira e a segunda vítima houve um intervalo de quatro meses, então a polícia das três cidades não notou as semelhanças entre os dois primeiros crimes até aparecer a terceira vítima, um mês depois.

Lucilla Race, 28 anos, típica dona de casa. Vista pela última vez num supermercado em Sheffield. Corpo encontrado em Liverpool com as mesmas características: sinais de tortura, cortes, mutilação, desfiguração e as agulhas. Foi quando a polícia percebeu que podia se tratar de um possível serial killer, hipótese que se confirmou com o aparecimento do corpo de Sara Baxter, e posteriormente de Mary Carson, Joan Redford, as gêmeas Copperpot, Isabella Enfield, A.J. Ratchett e Sibyl Ashton.

Em todos os casos, ninguém presenciou o momento em que a vítima foi capturada, exceto por Joan Redford, que chegou a fazer uma ligação para seu companheiro de banda, o vocalista Jim. Todos os possíveis suspeitos tinham seus álibis comprovados. Os parentes, vizinhos e amigos não sabiam dizer quem poderia ter alguma coisa contra elas, nem viram qualquer pessoa suspeita rondando suas casas ou as observando. Nenhuma delas parecia estar assustada ou comentou ter medo de alguém. Nenhuma, exceto Sibyl Ashton, que chegou ao estremo de isolar-se em sua própria casa por meses. Mas segundo seu marido, ela sofria de agorafobia e tinha síndrome do pânico. Mas Ciel suspeitava que a fobia de Sibyl tinha outra causa. Ciel acreditava que Sibyl sabia quem estava matando as pessoas e sabia que viria atrás dela, principalmente depois que o senhor Ashton contou que o estado dela piorou à medida que novos casos iam sendo noticiados. Mas nenhuma, nenhuma delas, chegou a mencionar com alguém qualquer coisa Melissa Utterson.

– O que encontrou na casa dos Copperpot? – Ciel direcionou a pergunta a Sebastian assim que ele entrou na sala.

– Muito sangue seco e isto.

Sebastian colou uma caixa cheia de álbuns de foto sobre a mesa de centro.

– Álbum de família? – Ciel indagou intrigado. Viu que eles estavam organizados por data e pegou o álbum mais antigo, 1995.

– Estava no quarto das gêmeas. Dê uma olhada.

Sebastian poderia simplesmente dizer o que concluíra, mas preferia deixar que seu mestre raciocinasse. Ela sabia que Ciel gostava de descobrir sozinho. Além disso, era uma ótima forma de Ciel colocar sua mente para trabalhar como fazia antigamente.

Ciel começou a folhear o álbum, estava intitulado “Álbum do Bebê”. Havia muitas e muitas fotos do casal Copperpot com o bebê. Mas tinha algo estranho naquelas fotos, algo que Ciel não estava conseguindo notar. O mesmo no álbum de 1996, 1997, 1998... Ciel teve um estalo. Ele começou a folhear rapidamente os álbuns restantes. Sebastian sorriu, pois soube que Ciel tinha percebido. O jovem olhou para ele com aquele mesmo olhar de antigamente. A excitação de dar um xeque no jogo de xadrez, a satisfação de descobrir algo que ninguém descobriu.

“Álbum do Bebê”.

– Há somente um bebê. Nos primeiros álbuns, apenas uma delas aparece. De 1995 a 1999 há apenas fotos do casal com uma menina. Só aparecem duas meninas nas fotografias nos álbuns de 2000 em diante.

– E adivinha qual das gêmeas não estava nos álbuns de 1995 a 1999?

– Belinda – Ciel respondeu sorrindo e jogando o álbum que tinha em mãos sobre os outros na pilha. – Mas por quê? Por que Belinda não estava com eles nessa época?

– Foi o que me perguntei, e encontrei isso – Sebastian entregou duas folhas para Ciel. Primeiramente, o jovem achou que eram certidões de nascimento, mas eram de adoção. – Elas eram filhas adotivas. Melinda foi adotada algumas semanas depois de seu nascimento. Mas Belinda só foi adotada cinco anos depois. Procurei a irmã da sra. Copperpot, Nancy Quincey, e ela me confirmou a informação e me explicou o por que do espaço de tempo entre as duas adoções. Segundo a sra. Quincey, os Copperpot foram informados, no momento da adoção de Melinda, que a menina tinha uma irmã gêmea, mas que por uma confusão, o hospital acabou enviando a outra menina para um orfanato diferente. O casal quis adotar a outra criança, mas não conseguiram localiza-la. Então, em 2000, numa revisita a um orfanato, eles se depararam com uma criança idêntica a filha deles. Eles confirmaram que era realmente a gêmea de Melinda e a adotaram.

– E por onde andou Belinda todo esse tempo?

– Verifiquei isso. Os registros do orfanato em questão apenas diziam que ela foi abandonada na porta do orfanato durante a noite. Estava desnutrida e suja.

– Só um momento – Ciel voltou para o quadro de informações e folheou suas anotações. – A primeira vítima, Rosemary Farraday, ela morava num abrigo para menores. Ela era órfã também. E o marido da Sibyl disse que ela não tinha parentes, apenas uma prima que ele não chegou a conhecer. É possível que ela fosse órfã também. Temos um ponto em comum entre as três. É possível que elas tenham estado no mesmo orfanato? Um em que Belinda esteve, mas Melinda não?

– É uma ótima hipótese.

– Mas precisamos primeiro descobrir se as outras mulheres também foram adotadas e se sim, de qual orfanato elas vieram.

– Vou verificar isso agora mesmo – Sebastian assentiu com a cabeça e virou-se em direção a saída.

– Espera! Eu... – Ciel exclamou e Sebastian parou para ouvi-lo. Ciel queria dizer que Sebastian não precisava ir naquele exato momento, afinal eles ficaram sem se ver o dia todo. Queria pedir para ele ficar mais um pouco porque sentira sua falta. Mas não conseguiu dizer. Ele ficou constrangido. Por que era tão difícil dizer o que ele sentia? – Não é nada. Pode ir. Eu tranco sua casa, vou deixar a chave sob o capacho.

– Pode ficar com ela, eu tenho uma cópia. E não se esqueça: a casa é sua.

– Ah! Pois é, esqueci – Ciel falou sem jeito.

Sebastian voltou para perto dele e o beijou. Ciel sentiu uma sensação boa em seu corpo no momento em que Sebastian tocou em seus lábios; quis abraçá-lo, mas manteve os braços junto ao corpo. O moreno ainda lhe fez um carinho no queixo antes de se afastar.

– Vou te fazer uma visita hoje à noite. Deixe a janela aberta.

– Certo. Mas se você demorar vai ficar do lado de fora.

– Entendido.

Depois que Sebastian saiu, Ciel ainda ficou conferindo as informações que eles tinham conseguindo e anotando a hipótese que eles tinham formulado. Ciel julgava estar na pista certa.

Arrumou suas coisas, guardou na mochila e se encaminhou para a porta. Antes de sair, seus olhos avistaram a porta da sala do piano, o lugar onde eles se beijaram pela primeira vez. Sentiu um impulso de ir até lá... e foi. Ele girou a maçaneta, no entanto a porta não abriu. Estava trancada. Por que Sebastian trancaria a porta? No momento em que se fez a pergunta, Ciel lembrou do nome gravado na tampa do piano: L. Cavendish.

“O piano pertenceu a Lílian Cavendish.”

“Sebastian não deixa ninguém chegar perto dele.”

“Lílian também era um Cão da Rainha, e veja o que aconteceu com ela.”

“Foi a mestre antes da Amanda.”

“Sebastian não gosta de falar sobre isso, porque os problemas dele começaram com ela.”

Ciel sentiu-se nauseado e fraco, seu coração acelerou e teve a impressão de que iria cair. Apoiou a cabeça na porta e ficou parado até a sensação ruim passar. Forçou a maçaneta mais uma vez, como se ela fosse abrir agora. Pegou o celular no bolso da calça e começou a digitar um número.

– Departamento de Polícia de Liverpool, Boa tarde – a voz disse no outro lado da linha.

– Eu gostaria de falar com, com o legista, Mark Callaway.

– Quem gostaria?

Não poderia dizer seu nome, Ciel Valentine, saberiam que era o filho do Chefe de Polícia.

– Diga que é Phamtonhive.

– Pham...?

– Phamtonhive.

– Só um momento.

Houve uma longa pausa. Ciel não sabia direito o que estava fazendo, nem porque ligara logo para o shinigami. Não seria melhor perguntar logo ao Sebastian? E parecer intrometido... ou ciumento?

– Olá jovem Phantomhive – a voz soou arrastada. – O que você deseja? Deve ser muito importante, sim, para ter que ligar para mim, aqui.

– Quero que me diga uma coisa: quem foi Lílian Cavendish?

Uma pausa silenciosa. Quando Undertaker voltou a falar, Ciel soube, pelo tom de voz, que ele estava sorrindo.

– Você não se lembra dela?

– Como assim? Eu a conheci?

– Pode se dizer que sim.

– Acho que eu saberia se eu tivesse a conhecido, além disso, ela viveu quando eu estava morto.

– Tem certeza disso?

– ...

– Ela se chamava Lílian Eleonore Iven Cavendish. Era uma moça muito bonita. Não era da nobreza, como você foi, mas tinha uma boa condição de vida. Infelizmente sua saúde não era das melhores, sabe? Ela tinha um irmão, Thomas, eu acho...

– Não quero saber a biografia dela, só quero saber qual era a relação dela com o Sebastian!

– Ah! Então é isso... Está com ciúmes. Veja bem... ou melhor, escute bem, houve pelo menos duas outras equipes de Cães de Guarda depois que você morreu como Phantomhive. Era um período entre guerras, todo mundo morria. Lílian fazia parte de um desses grupos. E se quer saber como era o relacionamento dela com Sebastian, eu digo. Eles eram amantes.

– ...

– Alooou... Você ainda está aí?

– É claro.

– Não fique muito impressionado com isso, todos nós sabemos que Sebastian sempre amou você – Undertaker falou do outro lado da linha, girando entre os dedos, o pedaço de jornal que encontrara em Sibyl. O shinigami ainda não o tinha entregado, nem para o Ciel, nem para a Polícia.

– Certo, eu vou desligar...

– Espera, pequeno, espera! Quando eu entrei na casa do mordominho para pegar o anel dos Phantomhive, encontrei outra coisa também. Um relicário. Se quiser saber tudo sobre Lílian é só ir lá pegá-lo. Está numa caixinha, em uma das gavetas da escrivaninha da biblioteca.

– Eu já sei tudo o que precisava. Mesmo assim, obrigado. Vou desligar.

– Disponha.

Eles foram amantes, grande coisa. E daí? Isso foi há muito tempo. Provavelmente mais uma diversão sem importância do Sebastian. Ciel não ligava. A quem ele estava enganando? Estava incomodado sim. Ciel ficou parado, encostado na porta trancada. Continuou olhando para a saída. Mas por que Sebastian guardaria recordações dela?

Largou a mochila no chão, mandou o mundo todo para o inferno e foi para a biblioteca procurar, gaveta por gaveta, o tal relicário. Encontrou a caixa mencionada por Undertaker, e dentro dela o relicário. Era feito de prata e parecia ser bem antigo. Tinha pequenos ramos de rosas gravadas em volta de sua forma oval e, no centro, as iniciais de Lílian, provavelmente. Assim que tocou o objeto, Ciel sentiu um tipo de choque no corpo, e teve mais um tipo de visão, ou alucinação, ele não sabia o que era. Ouviu uma música, de Beethoven, tocando. O som era de piano. Então, ele viu uma mulher tocando piano, cabeça baixa, melodia triste e pesada, Moonlight Sonata. Cada nota parecia ferir Ciel, e ele viu lágrimas caírem sobre as teclas monocromáticas. E a imagem se desfez.

Por alguma razão, Ciel não devolveu o relicário à sua caixa, levou-o consigo.

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EM ALGUM LUGAR DE LIVERPOOL

Havia um prédio abandonado. Suas paredes eram pichadas e sujas. Em algumas partes o teto havia caído. Quase todas as suas janelas estavam quebradas e estilhaçadas. As árvores ao redor começavam a invadir a construção. O vento frio sempre o atingia com força, como se pudesse derrubá-lo na rajada seguinte. O prédio todo gotejava, mesmo quando não chovia. Costumava ser o lugar preferido dos mendigos, mas há muito não se via sequer um deles ali.

Nos galhos de uma das árvores mais altas, um corvo empoleirava-se. Seus olhos miúdos observavam atentamente as pessoas que se movimentavam dentro do prédio. Uma das poucas salas ainda inteiras ali. Alguns homens estavam próximos à lareira improvisada, estraçalhavam a carne de um corpo e rosnavam como animais. No outro canto, havia cinco caixões enfileirados. O quinto estava aberto e em posição de destaque, fora colocado sobre uma mesa.

O quinto caixão continha uma menina, pele de porcelana, cabelos pretos e curtos. Ela usava um arco de ouro no pescoço e braceletes nos pulsos. Uma figura encapuzada sentou-se ao lado do ataúde e curvou-se para observar a criança.

– Tão linda e perfeita minha pequena bonequinha. Nunca estive tão perto de conseguir o que eu sempre quis – seus dedos percorreram o rosto da menina, mas sem realmente tocá-la. Não resistiu a tentação e encostou apenas a ponta do indicador. Letras surgiram como que em alto relevo nos adereços dourados da menina. O demônio sentiu seu dedo queimar e necrosar. Afastou-se rapidamente do ataúde, com a mão apodrecida junto ao corpo. – Logo livrarei você da coleira que os anjos lhe impuseram. E quando esse dia chegar, você será minha.

– Eu realmente gostaria de saber o que você pretende com essa menina e com as outras aberrações encaixotadas alí.

Os olhos do corvo se desviaram para a outra pessoa que acabara de entrar. Diferente dos outros ali, esta pessoa não era um demônio, nem por isso deixava de fazer coisas menos odiosas e terríveis.

– Já disse a você que não lhe devo explicações. Eu ajudo na sua vingança e você não me atrapalha. O que eu planejo diz respeito somente a mim.

– É realmente muita presunção vinda de alguém que precisa de mim. Sendo assim... Onde está a Gladys? Não a vejo em lugar nenhum.

– Sua Gladys atende agora pelo nome de Verônica. Verônica Cartwright. Estava tentando fugir de Plymouth. Infelizmente, ela conseguiu escapar.

– E mais uma vez seus lacaios provaram ser incompetentes – chutou um dos ossos espalhados pelo chão. O osso quicou na madeira e atingiu as costas de um dos kroboros. Ele se virou rosnando, irritado, e com a boca pingando sangue e saliva. – Eles só servem mesmo para matar, rasgar e estraçalhar. Não são capazes de cumprir uma tarefa simples como capturar alguém sem fazer estragos. Eles chamam mais atenção pra mim do que o necessário.

– Não vou negar a incompetência deles. Mas você esqueceu de mencionar que Gladys não é uma humana comum.

– Isso não me importa. Agora ela sabe que estou atrás dela. Ela já deve estar muito longe, quem sabe em outro país – apertou as mãos em fúria. – Gladys era a última. A última e tudo isso terminaria. Eu mataria a última e finalmente estaria em paz.

– Infelizmente, você não poderá matar a Gladys. Não por enquanto. O que sente em relação a isso?

O demônio foi se aproximando lentamente.

– Sinto raiva. Muita raiva.

– E não é para menos. Eu entendo você. Se não fosse a indiscutível inabilidade dos kroboros, você teria Gladys em suas mãos agora. Poderia apertar e torcer seu pescoço. Poderia sentir o prazer da faca perfurando a pele lentamente. O cheiro do sangue dela, jorrando como água. E os gritos... Ah, os gritos! Você adora os gritos. Tanto quanto eu. Implorando piedade a você, como porcas no abate.

O demônio sentia até sua boca salivar. Seus olhos vermelhos brilhavam intensamente na escuridão de seu capuz.

– Eu a faria sofrer mais do que as outras, só pela audácia de fugir – sentia seu sangue ferver só de imaginar o que poderia fazer com Gladys. E o demônio continuou a sussurrar em seu ouvido.

– Não é saudável que você saia por aí com essa sensação de dever não cumprido. Esse anseio por violência. Essa frustação. Essa raiva contida. Pode acabar por despejá-la involuntariamente. Pode colocar sua máscara em risco.

– E o que sugere que eu faça? Atiçou em mim o desejo de sangue, mas não tenho aquela porca aqui para matar. Não tenho em quem despejar minha fúria.

– Mas não precisa ter a Gladys aqui para saciar sua fome por vingança. Pode usar um paliativo. Para extravasar esse sentimento. Algo que sirva de prática para você. Algo que sirva até mesmo para amedrontar a própria Gladys.

– Um paliativo...

– Existem tantas outras porcas como Gladys. Tantas parecidas com ela. Se elas são parecidas, são como ela. Elas merecem morrer. Você sabe que elas merecem. São todas porcas prontas para o abate. E no fim, que diferença faz? Você sabe, você sente, bem lá no fundo, que não faz isso apenas por vingança. Você gosta de matar. Gosta da sensação prazerosa de ter o poder de vida e morte em suas mãos. Gosta de ouvi-las implorar, do cheiro de sangue fresco, de se sentir mais forte e dominante.

– Tem razão – concordou e o demônio colocou uma faca em sua mão.

– Gladys ou Verônica conseguiu escapar de demônios, sozinha. Você tem que se preparar para enfrentá-la. Então toda vez que cortar, estará cortando ela. Toda vez que fizer jorrar o sangue, será como se estivesse fazendo jorrar o dela, até o dia em que a encontremos.

Apertou os dedos em volta do cabo da faca e saiu do prédio com sede de sangue, borbulhando de ódio. E rindo-se maldosamente do azar que teria a primeira maldita loira que cruzasse seu caminho. Era imprudente, era arriscado, alguém poderia ver, alguém poderia escutar. E quanto mais pensava nessa possibilidade, mais seu sangue esquentava, sentia a adrenalina aumentar cada vez mais. Caminhava a passos rápidos. Cortando a noite com seus olhos impiedosos, procurando a vítima perfeita.

Então as viu...

Bêbadas, saindo de um pub. Lutavam para andar sem cair e penavam para encaixar a chave na porta do carro. Chegava a ser vergonhoso. Aproximou-se delas achando até que estava fazendo um bem a humanidade. Quem sabe quantos acidentes elas poderiam causar dirigindo naquele estado? Antes que notassem sua presença, agarrou a morena pelo cabelo e bateu com sua cabeça no carro com toda a força, a mulher apagou na hora. A loira nem teve tempo de perceber o que estava acontecendo, recebeu dois golpes na barriga. Tentou escapar, mas ao girar o corpo, foi atingida no pulmão. Soltou um grito esganiçado antes de receber mais dois golpes nas costas.

A faca ficou presa nas malditas costelas, mas, felizmente, conseguiu tirá-la e fugir. Em cada golpe, sentiu como se matasse a própria Gladys. Era maravilhoso!

As pessoas no pub ouviram o grito e saíram para ver o que tinha acontecido. Era tarde demais.

Notas finais
E aí pessoal, tudo bom com vocês? *______________* Eu estou muito feliz, porque finalmente terminei esse capítulo, porque recebi comentários lindos de leitores mais lindos, uma mensagem super motivadora no final do ano (Tô falando de vc Seed, seu lindo *-*)~ e pq o kuroshitsuji existe o/ Eu sei que eu estou parecendo maluca hoje, mas é que vcs não sabem o perrengue que eu passei pra conseguir terminar isso aqui. >.< Conselho pra vocês, quando fizerem uma burrada com a pessoa que você gosta, mesmo que sem querer, contem...pq dá confusão depois. Sebastian, Sebastian... depois não diga que a Lizzy não avisou. Sebastian foi um sucesso no capítulo anterior, todo mundo caiu de amores, principalmente Ciel. Até eu fiquei apaixonada por ele... o que é meio bizarro, pq fui eu que escrevi aquilo ¬¬ Undertaker, seu infeliz, se não vai ajudar o Ciel, ajuda pelo menos a polícia...os caras tão perdidos. Agora a investigação tá tomando rumo...pelo menos espero. Primeiramente, eu tinha escrito de forma diferente, com os personagens indo lá e investigando, mas não estava ficando bom, além de alongar muito o capítulo, estava ficando muito repetitivo. Tinha também duas pessoinhas que deveriam aparecer lá no início do capítulo, mas não deu...então vcs só vão conhece-los no próximo. Engraçado, quando eu termino o capítulo penso em um monte de coisas para dizer, aí quando chego aqui, a mente dá vácuo XD. Obrigada a todas as pessoas que leram, comentaram e favoritaram.... vou responder todo mundo que fiquei devendo agora. Não vou prometer voltar logo porque... né... nunca dá certo mesmo.¨¬¬ Conversamos nos comentários. Beijos e até o próximo. Altas tretas Tai o/ *3*