Phantomhive

29 Um Lírio Em Meio A Guerra - Parte I


Notas iniciais
Olá pessoal ^_____^/ Gostaria de agradecer a Maya, Miellanny e a SweetPoison pelas recomendações lindas

Capítulo 29: Um Lírio Em Meio A Guerra — Parte I

A um ausente
“Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
[...]
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.”

Carlos Drummond de Andrade

LONDRES, 1902

“Vossa Majestade enxerga as borboletas que um dia podem transformar o mundo”, Ciel dissera uma vez, só não imaginava que ela conseguia isso graças a duas quimeras com a incrível habilidade de prever o futuro. Mas esse era um poder grande demais até mesmo para os reis da Inglaterra, por isso, tiveram que deixá-las ir; não por vontade própria, mas por ordens superiores. Bem superiores.

Ciel e os outros tinham por missão escoltar as duas misteriosas mulheres até um secreto mosteiro no meio da floresta da Irlanda. Eles encontraram alguns obstáculos pelo caminho. Em um certo momento, a carruagem que transportava as mulheres foi arremessada num declive, deslizando ladeira a baixo. Ciel subiu num cavalo e desceu atrás da carruagem, deixando seus companheiros em meio a uma luta. A carruagem parara ao atingir uma área mais plana, sem sofrer grandes danos. Ciel abriu a portinhola perguntando se estava tudo bem. Então ele as viu. Mesmo com pouca luz. Eram gêmeas. Mais que isso, seus corpos eram unidos um no outro, como aquelas pessoas em shows de horrores dos circos. Mas não havia horror ali, elas eram bonitas.

– Querem ajuda para levantar? – Ciel estendeu a mão e uma delas o segurou. As duas olharam-no nos olhos.

– Desviou-se tanto do seu caminho, Phantomhive – disse uma delas.

– Sua família deveria proteger as pessoas do mal, agora é só um mal que combate outros – disse a outra.

– Trabalhando para os propósitos de um governante humano.

– Bom... – Ciel começou meio confuso – Alguém tem que fazer o trabalho sujo. Para que os puros permaneçam puros, alguém tem que se sujar por eles. Esse é o meu dever como Phantomhive, como Cão de Guarda, punir as pessoas que quebram as leis do submundo do país; manipular o mundo entre o bem e o mal, entre este mundo e o além.

– Nós sabemos Cão de Guarda do Rei. Sabemos muito sobre você.

– Vimos seu passado e seu futuro.

– Vocês são as videntes que deram aquelas profecias a rainha Victória.

– Nenhum governante deve nos ter em seu poder – disse uma.

– Sim, nenhum.

– Estou vendo – Ciel tentou soltar sua mão, mas elas ainda o seguravam com força.

– Seu futuro é longo, além do que esta vida pode contar.

– Aqueles que causam aflição ainda não foram vencidos.

– Dor e sofrimento nós vemos.

– E um grande mal.

– Sim. Muito grande, irmã.

– Eu não estou entendendo, sobre o que vocês estão falando?

– Sobre tu e o akuma contigo...

E Ciel passou a escutar tudo o que elas diziam.

– Você morrerá jovem. Nem atingirá a idade de seu pai.

– Sim, morrerá, mas viverá além desta vida e da outra.

– Morrerá e viverá para que ela venha.

– Ela virá depois da guerra, irmã.

– Sim, durante a guerra.

– Ela quem? Guerra? Não estou entendendo o que vocês querem dizer?

– Traição, dor, sofrimento, sacrifício, morte. Algumas coisas devem acontecer.

– Sim, precisam acontecer, irmã.

– Eu...

– Ouça... Morrerás jovem, mas viverá além desta vida. E quando vir pássaros de ferro voando sobre uma cidade de fogo...

– E levares contigo o rebento de um demônio em secreto, deverá vir até nós, e nós ajudaremos.

– Sim, ajudaremos. Não se esqueça.

E dito isso, elas se afastaram de Ciel como se nada tivessem dito. Suas quatro pernas perdendo a batalha para a neve.

Charles Phipps se aproximou para ajudar as siamesas, e Ciel se afastou um tanto assustado. Não entendeu grande parte de tudo o que elas tinham dito. Mas uma coisa ele tinha certeza: morreria jovem. Provavelmente nem chegaria a completar trinta e três anos. Isso era um problema.

Curioso, Charles Grey se aproximou de Ciel e perguntou discretamente:

– O que elas lhe disseram?

– Que algumas coisas simplesmente têm que acontecer.

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LIVERPOOL, ATUALMENTE

– Ciel não veio mesmo pra escola. Acha que devemos ligar para a casa dele? Para saber se está tudo bem?

Dimas sentou-se ao lado de Elizabeth durante o intervalo e falou baixinho para que os colegas em volta não os escutassem.

– E se ele não estiver lá, que desculpa a gente vai inventar pra mãe dele? Melhor não. Aposto que ele está na casa do Sebastian. Que inconsequente! Será que ele esqueceu o que resultou as inconsequências dele na vida anterior? O que eu estou dizendo? É claro que ele esqueceu.

– Então... Como eles se conheceram? Sebastian e Ciel... Quero dizer, Sebastian e Lílian.

– Eu os apresentei.

– Você?!

– Pois é. Na época, Lílian e Thomas tinham uns dez ou onze anos, eu acho. Eu lhe falei do Thomas, não falei? O irmão gêmeo da Lil? Phillip precisava de um tutor particular e Sebastian queria muito conhecer os gêmeos. Então, eu apresentei Sebastian como se ele fosse um professor. Lílian nasceu com asma, assim como Ciel, e teve uma saúde muito frágil nos primeiros anos de vida, isso fez com que Eleonore, a esposa de Phillip, se tornasse muito superprotetora e muito controladora. A pequena Lílian odiava isso. E odiou a ideia de estudar em casa, mas quando ela conheceu Sebastian...

– Amor à primeira vista?

– Isso eu não sei te responder. Acho que não, ela só tinha dez anos. Mas acredito que ela tenha sentido que eles estavam ligados. Ela tocava piano divinamente, embora fosse ainda muito jovem. Sebastian adorava ouvi-la tocar, e desconfio de que quando ela tocava, tocava para ele. E o brilho nos olhos dela quando estava com ele era admirável. Uma felicidade quase palpável.

– Você fala dos dois com admiração.

– É estranho, não é? Mas as coisas estavam mudadas, eu tinha mudado. Na época do Ciel Phantomhive, eu era apenas um empecilho entre ele e Sebastian, o meu amor era apenas um sentimento unilateral. Não importava o ponto de vista, não importava o ângulo pelo qual eu olhasse, para mim, o amor de Ciel pelo Sebastian era sempre algo que me causava dor e tristeza. Mas na época de Lílian, Dimas, eu já havia vivido uma vida inteira. Lílian não era para mim mais do minha neta, a quem eu queria bem, e apenas isto. Depois do Despertar, ela fez de mim sua confidente e eu pude ver o quanto ela amava o Sebastian. Eu confesso que uma parte de mim ansiava que Ciel, ao reencarnar, não nutrisse mais os mesmos sentimentos por Sebastian, mas tudo aconteceu de forma inesperada. Ciel voltou muito cedo, e como menina, eu era uma velha. Lílian ainda amava o Sebastian, e os únicos sentimentos que mudaram foram os meus. No fim, Ciel e eu não éramos mesmo para ser.

Elizabeth suspirou e olhou para o horizonte.

– Conte-me mais sobre Lílian.

– Está assim tão interessado na vida passada do Ciel?

– Bom... Estou curioso sim, mas, na verdade, gosto de ouvir você falar.

– Acho que você é o único Dimas.

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LONDRES, 1933

Lílian estava cansada de ser tratada como uma boneca de porcelana, cansada de não poder sair, cansada de não poder fazer nada. Ela nasceu com asma, e desde bebê sua saúde não era das melhores. Quando chegou a idade de estudar, seus pais tentaram colocá-la em duas escolas diferentes, mas nas duas, Lílian teve uma séria crise de asma. Não que ela tivesse chegado à beira da morte, mas foi o suficiente para que sua mãe começasse a trata-la como se ela fosse feita de vidro barato.

Ela não podia sair sozinha, nem correr, nem brincar com outras crianças, nem ir à escola como Thomas. E agora sua mãe vinha com a ideia de um tutor particular que a ensinaria em casa. Ela sabia que o tal tutor era um amigo de sua avó Elizabeth e deveria gostar dele por isso, mas não conseguia deixar de se sentir zangada. Tudo o que ela queria era estar em outro lugar que não fosse naquela casa.

Mas quando ela conheceu aquele homem, esqueceu de ser rude, esqueceu que estava zangada. Alguma coisa nele lhe era familiar. Aqueles olhos castanhos olhavam diretamente para os olhos dela, como se procurassem algo em seu interior. Ela não prestou mais atenção nos outros adultos, apenas no misterioso tutor Michaelis.

Depois de algum tempo, ela se deu conta de que o conhecia, ou quase isso. Ela já havia sonhado com aquela pessoa. E agora ele estava ali na sua frente. Isso era possível?

As aulas com Sebastian se revelaram melhores do que Lílian jamais teria imaginado. Ele era muito exigente e rigoroso, mas também muito gentil e atencioso. Ele conseguiu convencer Eleonor a permitir que algumas aulas fossem feitas no jardim, o que Lílian adorou. Michaelis sempre a tratava de um modo que ninguém mais tratava, fazia ela se sentir única e especial. Ele sempre a ouvia com atenção, fazia elogios em qualquer oportunidade, fizera até um balanço para ela.

Em sua família, Thomas era sempre o centro das atenções, o filho homem, o herdeiro, o que nascera primeiro, mas durante as aulas do sr. Michaelis, ela era a mais importante. Não era de admirar que ela ansiasse pelas aulas dele, e, naturalmente, pela presença dele. Com o passar dos anos, sua admiração foi se tornando algo maior. Lílian só não imaginava que seu sentimento seria correspondido tão prontamente.

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1938

A música ecoava por toda a sala e pelo corredor. A jovem dedilhava as teclas do piano com grande habilidade. Tocava de olhos fechados, sentindo a sonoridade de cada nota. Sebastian estava sentado no sofá ao lado, observando Lílian com admiração. Quando a garota, agora com 15 anos, terminou sua apresentação, Sebastian a aplaudiu.

– É um grande exagero de sua parte aplaudir-me, senhor Michaelis – a garota girou no banco do piano e encarou o homem, com seus intensos olhos azuis.

– Mas é claro que devo aplaudir. Você toca melhor a cada dia. Deve estar praticando com empenho.

– Nem tanto. É porque o senhor insisti que eu toque para você todas as vezes em que vem aqui.

– Isso é porque eu adoro ouvi-la tocar e adoro muito mais vê-la tocando. Vamos começar a nossa aula? – Sebastian a convidou, indicando a escrivaninha ao lado do sofá em que ele estava sentado.

Mal tinham começado a estudar a matéria daquele dia, o irmão gêmeo de Lílian, Thomas, entrou na sala, os interrompendo.

– Desculpa a intromissão. Vim ver se sua aula já tinha acabado – Thomas falou como quem não quer nada, mantendo as costas eretas, tentando parecer mais alto e mais sério do que realmente era.

– Não Tom – disse Lílian –, acabamos de começar.

– Ah... Não esqueça que vamos ao cinema essa tarde. Nós dois.

– Que filme pretende ver, não gosto dessas produções americanas. E não gosto dos gêneros que você escolhe.

– Saberemos quando chegarmos lá e a maioria é produção yanque, não posso fazer nada. Bem, ouvi dizer que lançaram um desenho. É como num livro de estórias, mas os personagens falam e se movem como pessoas.

– Parece curioso... Qual o nome?

– Branca de Neve e os Sete Anões. Talvez você goste.

– Pode ser.

– Certo. Vou te esperar nos jardins. Quando terminar sua aula venho buscá-la.

– Não é preciso que venha. Quando o professor Michaelis terminar a aula eu irei até você – Lílian respondeu impaciente.

– Faço questão de vir busca-la – ele falou, encarando Sebastian com desdém –, para que não se atrase como da outra vez.

– Se não deseja que eu me atrase, deveria deixar de interromper a aula do senhor Michaelis – falou incisivamente.

– Como queira – Thomas se deu por vencido e saiu da sala ainda ignorando o professor da irmã.

Depois que o irmão saiu, Lílian reparou que o professor continuava a observar o garoto que se afastava. Ela se sentiu um tanto incomodada com a atitude.

– Você gosta do Thomas? – Ela se assustou ao perceber que realmente tinha perguntado em voz alta.

– Por que a pergunta?

– Sempre que o vê, você o olha de maneira estranha, quase contemplativa.

– Isso a deixa com ciúmes?

– ...

Lílian não disse nada, apenas ficou vermelha.

– Eu o olho com saudade. Seu irmão me lembra alguém.

– Deve ser alguém muito querido, pela maneira como você olha para Tom...

– Tão querido quanto você é para mim.

– Não deveria ficar dizendo esse tipo de coisa para suas alunas, senhor Michaelis, pode ser entendido de forma errada.

– Eu só tenho uma aluna. Além disso, eu quis dizer exatamente o que eu disse.

– Sei exatamente o que você quis dizer. É melhor ter cuidado com o que fala, minha mãe pode ouvi-lo. Acho que Thomas está desconfiado, ele anda muito ciumento comigo e muito ríspido com você. Ele não costuma ser tão rude assim com as pessoas.

– É natural dos irmãos querer proteger as irmãs de homens com segundas intenções.

– O senhor é um homem com segundas intenções sr. Michaelis?

– Depende de quais intenções estamos nos referindo – falou com um sorriso dissimulado. – Aproveitando a oportunidade, devo dizer que adorei receber a sua última carta.

– Também gostei muito da sua. Mas anseio poder passar mais tempo com você, além desses tempos de aula, e anseio ter mais de você do que cartas com belas palavras.

– Faço de suas palavras as minhas. Mas devemos esperar.

– Esperar o quê?

– O momento certo.

Pouco tempo depois, Sebastian contou a Lílian sobre os Cães de Guarda do Rei e sobre Ciel Phantomhive. Depois, com muita cautela, contou que ela era a reencarnação de Ciel Phantomhive. A princípio, a reação de Lílian foi sorrir de todo aquele absurdo. Para ela, Sebastian estava tentando ludibria-la. Mas não podia ignorar que muita coisa fazia sentido, sobretudo os sonhos extremamente vívidos que ela nunca contara a ninguém. E todas as coisas que ela sabia sem saber como.

Depois do Despertar, Lílian se sentiu muito estranha. Era um pouco complicado ter a memória de duas vidas em sua cabeça. Mais complicado ainda era saber que ela era, de fato, Ciel. Sempre que parava para pensar nisso, ficava muito confusa. Muitas vezes, ela não sabia diferenciar se era uma menina com a mente de um menino, ou um menino no corpo de uma menina. Embora não parecesse ter diferença, para ela tinha. Essa confusão também gerou um desconforto com o seu corpo, e ela acabou se distanciando de Sebastian por um tempo. Mesmo o akuma dizendo que para ele não havia diferença, Líl não se sentia nem inteiramente Lílian, nem inteiramente Ciel. No entanto, o relacionamento dela com Sebastian se tornava cada vez mais achegado, embora ela sempre evitasse partir para algo mais íntimo.

Quando Lílian entrou oficialmente para os Cães do Rei, assumindo assim seu legado como Phantomhive, os Cães de Guarda já contavam com alguns membros, orientados e liderados, de longe, por Lizzy e Sebastian. Brendan Findlay era grande e forte. Lesley Phipps era tão habilidoso com as espadas quanto seu pai, mas tinha um gênio terrível. Zhao-Wei Leong era calmo e sempre lutava de mãos limpas, o que não o tornava menos letal que os outros. E então chegaram os gêmeos, Lílian e Thomas Cavendish. No começo, Brendan e Lesley não ficaram muito contentes em seguir as ordens de uma jovem de dezessete anos. Em parte a culpa foi de Elizabeth, que desde o começo deixou claro que chegaria o dia em que eles teriam que servir ao mestre original, o Conde Phantomhive; e os Cães começaram a imaginar como seria esse tal conde reencarnado, futuro líder. Digamos que, no dia das apresentações, a decepção dos dois foi visível.

– Então você é o famoso conde Phantomhive? – Lesley se dirigiu a Thomas com uma expressão de incredulidade, o jovem na sua frente nem barba tinha ainda.

– Ah, não, senhor. Este seria a minha irmãzinha Lil – Thomas falou sorrindo e puxou Lílian para o centro do grupo.

O desconforto era quase palpável, e as reclamações pareciam estar presas nas bocas de Brendan e Lesley, prontas para explodir. No entanto, Zhao-Wei falou primeiro:

– Nunca subestime um adversário pela aparência. Até mesmo a pequena abelha pode fazer um tigre urrar de dor.

Depois disso, Lílian sentiu uma instantânea simpatia por Zhao-Wei, e ninguém mais se atreveu a dizer qualquer coisa em contrário. Fosse mulher, fosse ainda muito jovem, fosse o que fosse, era Lílian quem controlava o akuma, e ninguém queria irritá-la.

Em alguns momentos, Lílian imaginava como Meylene e Lizzy se sentiram sendo as únicas mulheres de seus grupos. Será que elas se sentiam intimidadas às vezes? Lílian concluiu que não. Ninguém era melhor do que Meylene com rifles nas mãos, assim como ninguém era mais ágil que Lizzy com duas espadas. Elas eram muito boas em alguma coisa, conquistaram o direito de estarem ali. Então Lílian achou que precisava fazer mais, e se esforçava para aprender tudo o que podia. Ataque, defesa, usar armas. Ela não queria depender apenas de Sebastian, mas isso não era muito fácil.

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1939

Lílian ainda era considerada menor e ainda estava sobre a guarda de seus pais, o que resultava em muitos inconvenientes. Lílian conseguiu tempo e liberdade para completar suas missões com a desculpa de que Elizabeth tinha conseguido um emprego como secretária na P&M Company. Um emprego falso para Lílian e para Thomas, uma vez que seu irmão descobriu tudo, foi difícil mantê-lo longe da equipe. Naqueles tempos, todas as missões envolviam espionagem, resgate ou qualquer coisa relacionada a guerra que se avizinhava ao país, e tinham algumas missões que eram realizadas durante a noite, consequentemente, Lílian e Thomas acabavam ficando de fora, pois não tinham como sair sem serem vistos. Isso foi irritando Lil.

Nesse meio tempo, Sebastian se dividia entre as missões com Lílian e os Cães, e as tarefas de seu outro mestre. No início, tudo ia muito bem, mas com a sombra da guerra se aproximando de todos a passo veloz, conciliar os dois trabalhos se tornava cada vez mais complicado.

Alguns meses depois, a Alemanha iniciou um forte ataque a Inglaterra. O governo decidiu mandar as crianças para o interior, onde estariam mais seguras, teoricamente. Percebendo o perigo, muitas famílias decidiram fugir para o interior também. Quando Phillip Cavendish foi convocado para servir a Marinha, Eleonor achou melhor também se mudar para o interior com seus filhos. Lil e Thomas não concordaram com a ideia, ir para o interior tornaria muito mais difícil ter informações sobre o pai, o conflito nos portos estava piorando cada vez mais. Mas não teve jeito, Lílian se viu obrigada a seguir a mãe. Voltar para o interior não só atrapalhava seu trabalho, como dificultava seu contato com Sebastian, contato que parecia diminuir.

Thomas não suportava a sensação de estar fugindo quando seu pai estava lutando pelo país, navios ingleses contra submarinos nazistas. Ele também queria ajudar, participar, mas ainda não podia se alistar. E se o exército não o permitia lutar, queria ao menos estar perto. Como um Cão de Guarda do Rei, ele seria de alguma ajuda. E então ele teve uma ideia.

– Lil, mamãe nunca vai te deixar voltar sozinha para Londres, nem você, nem eu. Enquanto papai estiver fora somos responsabilidade dela. Estamos presos a ela.

– Eu sei disso. Detesto quando ela nos trata como se tivéssemos cinco anos. Não deveríamos estar indo para o interior, deveríamos estar encontrando algum jeito de ajudar o papai. Vou fugir na primeira oportunidade.

– O quê?! Ficou louca? Não, não. Pense, existe outra maneira de você se tornar independente da mamãe.

– Como?

– Você poderia casar, passaria a ser responsabilidade de outra pessoa.

– Esse é o seu plano brilhante? Que raios de independência eu teria me casando?

– Ó, cabecinha dura. Case-se com o Sebastian. Ele gosta de fosse e você gosta dele, certo? Isso facilitaria as coisas. Mamãe não teria autoridade maior que o seu marido.

– Casar? Com o Sebastian?

– E por que não? Claro que se vocês não me convidarem para passar uma temporada com vocês eu vou amaldiçoá-los pela eternidade. Não seria pra sempre só até eu poder me alistar.

– Que desespero é esse para se alistar? Você pode morrer.

– É um risco. O que me diz?

– Ora, eu não digo nada. Como pode pensar numa coisa dessas?

– Ora, digo eu. Desde quando casar com o compridão é pior ideia que fugir com ele? Francamente. Casamento seria a melhor opção, conseguimos o que queremos e ainda mantemos sua honra intacta.

– Oh, então é com isso que está se preocupando? Minha honra? E por que você não se casa?

– Com quem? Por que você tem que ser tão complicada? Se você gosta dele, por que não tenta?

– Porque... porque... Você não entenderia.

– Não entendo mesmo. – Thomas suspirou e saiu do quarto.

Ele não voltou a tocar no assunto, mas Lil ficava se perguntando por que a ideia lhe parecia tão ruim. Talvez porque ela não quisesse ser tão dependente do Sebastian, talvez medo de que ele achasse que ela era fraca demais para resolver seus próprios problemas, talvez por medo de que ele achasse que ela não tinha a antiga força e tenacidade. Ou seria medo da vida e da intimidade a dois? Certamente, nem tudo seria como era no passado.

A distância não só dificultava seu acesso às informações do que estaria acontecendo em Londres, como a impedia de ver Sebastian. Ele vinha apenas uma vez por semana. E a cada semana, o intervalo entre uma visita e outra parecia ficar cada vez maior. Cada dia ela ansiava mais ainda pela presença dele. A solidão naquele refúgio só aumentava sua saudade. Mas sempre que o encontrava, seu orgulho não lhe permitia deixar isso tão óbvio, embora Sebastian conseguisse perceber toda essa ansiedade e paixão nos beijos cada vez mais intensos e na busca cada vez mais frequente por contato.

Sebastian sabia que Lílian estava ficando cada vez mais impaciente com toda aquela situação, e se sentia culpado por deixa-la sozinha por tanto tempo. Mas o que ele poderia fazer? Enquanto seu contrato com o outro mestre não terminasse não poderia se dedicar somente a ela. De repente ele se lembrou de como tudo era mais simples quando havia apenas ele e Ciel. Talvez, se houvesse apenas ele e Lil, tudo poderia ser mais simples novamente.

– Sinto falta de ouvi-la tocar – Sebastian disse em uma de suas visitas secretas.

– Eu toco. Toda noite – ela respondeu olhando para o sol poente.

– Então, a partir de hoje, todas as noites ficarei em silêncio, recordando suas melodias, e será como se eu estivesse ao seu lado, escutando.

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1940

Os dois estavam deitados no meio do campo de flores azuis. A temperatura estava agradável e o dia estava calmo como há muito não se via. Dia após dia, o silêncio e a quietude se tornavam mais raros, mesmo no interior. Aquele campo florido era o único refúgio dela, onde ela podia ficar só, e onde podia ficar com ele. Ali, os problemas não a alcançavam.

Ela arrancou uma das flores e ficou girando o talo entre os dedos, fitando a fragilidade daquelas pétalas. Pensou que era assim que todos a viam, como uma criatura frágil. Naquele dia, ela estava aborrecida. Aborrecida e inconformada com o rumo que sua vida tomava. Com tudo o que era obrigada a fazer e suportar. Por saber que uma guerra estava a sua porta, e ela não podia fazer absolutamente nada. No entanto, o que mais a incomodava era ter de dividir o seu servo.

– Queria que você ficasse apenas comigo. Mas não posso exigir isso, não é verdade? Você tem um mestre, cuja alma lhe é mui desejável – ela olhava para o céu e falava como se aquilo não tivesse grande importância, mas corroía-se de ciúmes do sujeito misterioso que teimava em roubar seu servo.

– Não mais do que a sua – o akuma disse com naturalidade, como se estivesse acostumado a repetir aquilo.

– Seja verdade, seja mentira, tanto faz. Suas palavras acariciam meus ouvidos e afagam meu ego. Mas é essa sua função não é, Sebastian? Bajular-me.

– Vamos realmente discutir sobre isso? Por que duvidas? Você é a mais importante pra mim, Lilian.

– Já disse pra me chamar de Lil.

– E desperdiçar um nome tão bonito...

Sebastian tentou distraí-la acariciando lhe o rosto, mas ela estava irredutível.

– Então prove! – Lílian se colocou de pé subitamente, uma pequenina flor era amassada em sua mão direita.

– Provar o quê?

– Que eu sou mais importante.

– Não entendo sua insegurança. Ultimamente você tem estado tão irritadiça.

– Passas mais tempo com ele do que comigo. Ele não precisa de você, mas eu sim. Ninguém me dá ouvidos, apenas porque sou mulher. Não posso sair daqui porque ainda não sou legalmente maior de idade. É frustrante! Preciso de você do meu lado.

– E eu estarei. O que quer que eu faça?

– Que o deixe.

Sebastian suspirou. Ela era muito ciumenta, embora não admitisse.

– Sabe que não posso fazer isso. Tenho um contrato com ele.

– Tem um contrato comigo também. Sabe muito bem que eu sou egoísta e não gosto de dividir. Estou numa situação complicada, Sebastian. Não posso esperar aqui a vida toda.

– Tudo bem. Conversarei com ele e darei um jeito. Espere-me aqui depois de amanhã. Consegue fugir? Ao meio-dia virei buscá-la. Não é necessário trazer malas, apenas seu casaco.

Lílian balançou a cabeça afirmativamente e sorriu para Sebastian. O akuma inclinou-se para beijar os lábios rosados dela. Lílian deitou-se no chão, amassando algumas flores. Sebastian colocou seu corpo sobre o dela e ficou observando seu rosto corado.

– Veja como o campo de bluebells fica lindo quando a luz do sol o toca. São centenas e centenas de pequenos sinos com o mesmo azul dos seus olhos.

Lílian olhou para as pequenas flores ao seu redor e além. Ela se deu conta de que Sebastian sempre elogiava seus olhos, será que era porque eles eram as únicas coisas que não havia mudado de uma vida para a outra? De repente, o elogio que deveria envaidecê-la a deixou triste.

– Sebastian... Você gostaria que eu tivesse reencarnado no corpo do Thomas?

Sebastian olhou para ela, ponderando o que estava por trás daquela pergunta e o que deveria dizer.

– Não vou mentir, às vezes, sinto falta do que você foi. Mas, o que eu preciso fazer para que você entenda e acredite que não me importa a forma ou a aparência que você tenha? – Lílian continuou em silêncio, então, Sebastian acrescentou: – Lembro-me do conde Ciel vestido como uma dama, e não estava muito diferente do que você é hoje. Deveras, muito gracioso.

– Ah! Quieto! Por que foi lembrar disso? – a moça falou constrangida e empurrou o akuma, que caiu, sorrindo, sobre as flores.

Sebastian tomou as mãos de Lílian entre as suas.

– Sei que se sente diferente, mas não está, não para mim. Eu vejo você, sua essência, sua alma. Isso não muda. Para mim, tudo em você continua igual. A textura do seu cabelo, a maciez da sua pele, o seu cheiro, seu calor, o sabor do seu beijo. Thomas pode ter sua aparência anterior, mas as únicas coisas que ele provoca em mim são boas recordações, recordações de você. É você quem eu quero. Não importa o seu sexo. Nunca importou.

– Humph! Você fala demais – fingiu indiferença, como se as palavras do akuma nos surtissem efeito nela. Mas a quem ela estava enganando? Ela podia esconder do mundo inteiro seus sentimentos pelo Sebastian, só não conseguia esconder dele, não mais.

Lílian puxou delicadamente a gola do vestido, revelando a pele branquinha de seu ombro, o qual Sebastian beijou com prazer. Depois os beijos subiram para o pescoço da jovem, fazendo a pele dela arrepiar, e, por fim, voltou a tomar a cavidade úmida de sua boca. Ficou extasiado ao tocar a língua dela com a sua, e ao sentir as curvas de seu corpo sob o vestido. Seus dedos percorreram a meia do tornozelo até a coxa, sentindo a meia findar sob a saia do vestido e permitindo que ele sentisse o calor daquelas pernas, acariciando e apertando-as. Sebastian começou a desabotoar o vestido da jovem, o peito dela batia acelerado e seu corpo tremia e emanava calor ao mesmo tempo. Pela primeira vez, ele se atreveu a ir tão longe, e, pela primeira vez, Lílian não tentou afastá-lo. Naquela tarde, Sebastian e Lílian fizeram amor pela primeira vez, numa cama de flores azuis.

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Clive Halpenny era o mestre de Sebastian já há algum tempo, conseguira muitas vantagens graças à ajuda extra do akuma. No entanto, nos últimos anos, Sebastian não andava tão dedicado quanto no início. Tudo se devia, Clive tinha conhecimento disso, ao outro mestre do akuma. Clive não fazia ideia de quem era a tal pessoa, Sebastian era sempre muito discreto a respeito, mas esse sujeito misterioso estava atrapalhando o andamento de seus planos. Ele já havia notado que Sebastian sempre dava prioridade ao outro, isso era irritante. Se pudesse se livrar desse outro mestre, se pudesse voltar a ter o akuma só para si. Coincidentemente, seu desejo foi atendido.

Sebastian tinha saído naquela tarde, sem grandes explicações, dissera apenas que demoraria a voltar. Clive estava no escritório de sua casa quando o sujeito misterioso apareceu repentinamente, como se tivesse sido invocado. Trazia uma proposta estranha, pra não dizer duvidosa. Ele não parecia demônio, mas sua presença tinha um quê de sobrenatural.

O estranho falava com Clive como se fossem velhos amigos, e, como uma criança pequena, tirava do lugar todos os objetos da sala que lhe chamavam a atenção.

– Estou aqui para abrir os seus olhos. Para ajudar você a compreender que o contrato que fez com o akuma lhe trará apenas prejuízo.

– Como sabe sobre o meu contrato?!

– Eu sei de muitas coisas – ele tocou o dedo indicador com uma comprida unha preta nos lábios três vezes, pensando. – Sei, por exemplo, que você é um homem ambicioso. Diga-me, de que lhe servirá conseguir tudo o que você mais deseja se logo depois terá que entregar sua alma a ele? Nem lhe restará tempo para aproveitar, pois se você acha que aquele akuma esperará um segundo que seja depois de cumprir o acordo entre vocês, devo lhe informar que você está sendo ingênuo. Ele está louco para voltar a servir apenas um único mestre, e lhe garanto que não é você – ele falou sorrindo, o que deixou Clive muito irritado. – E se tivesse uma forma de você poder realmente controlar aquele akuma? Você o faria obedecer todas as suas vontades, sem qualquer interferência de outro mestre que ele possa ter, e o melhor, você não precisaria entregar sua alma. Se existisse algo que lhe permitisse isso, você o faria?

– Mas é claro que sim.

– Nesse caso, eu tenho um presente para você.

O estranho misterioso tirou um tipo de colar da manga de seu casaco preto, como se fosse um truque de mágica. Era um cordão simples, que tinha como pingente um pequenino frasco com um líquido vermelho escuro.

– O que significa isso?

– É um amuleto mágico, use-o e terá o akuma inteiramente só para você.

– Amuleto mágico? – debochou. – Acha que sou um pirralho? Magia não existe.

– Ah, os incrédulos humanos! Acham-se tão espertos e conhecedores de tudo. Magia existe sim, mas não como a maioria pensa. Varinhas, pozinhos mágicos, fadas, isso não existe. Mas isto aqui... – ele colocou o amuleto nas mãos de Clive – Isto é real.

– Essa coisa realmente funciona?

– Juro pelos meus ossos que funciona perfeitamente. Eu mesmo já testei e consegui fazer um demônio envenenar uma jovem grávida. Depois ele voltou para mim como um cachorrinho. Infelizmente, não pude ficar com ele, seria suspeito.

– O que é este líquido vermelho dentro? É sangue?

– Sim, sangue de akuma. Mais precisamente do seu akuma. É uma parte essencialmente importante para o amuleto funcionar, sabe?

– Isto é sangue do Sebastian?

Undertaker revirou os olhos.

– E por acaso você tem contrato com algum outro akuma?

– Como conseguiu isso?

– Foi entregue a mim de muito bom grado. Uma longa história. Oras, não vai me dizer que o homem que faz contrato com demônios tem medo de usar um simples amuleto mágico. Amuleto este que lhe concederá vantagens maravilhosas.

– Por que está fazendo isso? O que quer em troca?

– De você? Nada. Mas é do meu interesse que Sebastian fique longe de uma certa pessoa por uns tempos. Prometa-me apenas que vai deixar aquele akuma bem preso.

– E como essa coisa funciona exatamente?

– Bem, eu já fiz toda a parte complicada, para você sobrou apenas a diversão. Basta colocar o amuleto e dê uma ordem a ele. Ele obedecerá prontamente.

– Mas ele já faz isso.

– Sim, mas ele tem o livre arbítrio de escolher obedecer ou não, ele pode escolher obedecer agora ou daqui um ano. Isso porque você não é o mestre original dele. Esse amuleto lhe garante obediência cega. Se me permite uma sugestão. Para sua primeira ordem, ordene-o que esqueça.

– Que esqueça o quê?

– Que existe outro mestre além de você.

Clive nem pensava em realmente usar aquela coisa, dada a natureza suspeita de seu generoso visitante, mas por vezes o destino se mostra mais traiçoeiro que um inimigo.

Na noite daquele mesmo dia, o akuma retornou decidido a romper o contrato. Clive vociferou impropérios, tantos quanto pôde, fez inúmeras ameaças e promessas, mas Sebastian parecia decidido. O akuma tirou de Clive a marca do contrato, e, dando-lhe as costas, dirigiu-se a saída. Furioso, Clive tirou o amuleto da gaveta, colocou em seu pescoço e gritou:

– PARE!!

Naquele exato momento, Clive sentiu como se o amuleto sugasse algo de seu corpo, o sangue dentro do vidrinho brilhou como rubi. Sombras sobrenaturais se projetaram sob seus pés e se encaminharam até o akuma, formando um tipo estranho de pentagrama sob ele. Sebastian estacou na porta. Clive deu um pequeno sorriso.

– Eu ordeno que volte.

O akuma obedeceu. Os olhos dele estavam negros. Não havia o costumeiro olhar sarcástico nem o sorriso irônico, apenas um semblante sombrio.

– A partir de hoje, eu sou seu único e verdadeiro mestre.

Dois dias depois, a quilômetros dali, uma jovem esperaria por horas, sentada entre um campo de bluebells, primeiro embaixo de sol, depois sob a chuva. Esperaria até o anoitecer.

Esperaria até se dar conta, com muita tristeza, que aquele alguém não retornaria.

Notas finais
Primeiro...pq demorei?...Bem, em parte trabalho e universidade, como sempre, esse início de ano foi puxado tinha um monte de coisa pra fazer ao mesmo tempo, para piorar fiquei doente. Peguei dengue, culpa do meu vizinho. Foi horrível! no começo eu ganhei uns dias de folga e ingenuamente achei que pelo menos teria tempo para ler...háh!, fiquei tão mal que nem conseguia ler ou levantar da cama...MAS não se preocupem, já estou melhor. . . Sobre o capítulo. Sim, o filme da Branca de Neve é super antigo, foi lançado em 1937. E teremos nazistas no próximo capítulo. Queria mostrar nesse capítulo um pouquinho de como era a vida de Lílian/Ciel e as complicações que ela teve ao nascer como mulher. O que acharam? Gostaria de saber também o que vocês acharam de Thomas. Pois é, nem tudo é como vocês imaginavam, Lilian não era mais uma vadia tentando afastar Sebastian do Ciel, nem Sebastian foi tão cretino a ponto de abandoná-lo... mas é isso o que vai parecer para Lilian, e as coisas vão ficar complicadas para ela no próximo capítulo, acho que vocês já podem imaginar porquê. Conversaremos mais nos comentários, espero. Até a próxima. Beijos, Tai