Phantomhive

3 Sangue e Diálogo


Notas iniciais
Fiz o máximo que pude pra postar esse capítulo hoje, embora já passe e muito da meia noite. Não sei se ficou muito bom, mas espero que vocês gostem (roendo as unhas) Boa Leitura!! o/

Capítulo 3: Sangue e Diálogo

Dormia profundamente quando escutou alguém o chamando ao longe. A voz parecia estar cada vez mais alta ou talvez fosse ele voltando à consciência.

– Ciel. Hei, Ciel acorde! – sua irmã o sacudia, pegando o livro que passara a noite sobre o garoto. – Levanta ou vai se atrasar. Você passou a noite toda lendo? Que horas você foi dormir?

– Não sei, quatro da manhã talvez – disse esfregando o olho direito com o dorso da mão enquanto sua irmã fazia uma expressão espantada.

– O olho está doendo, não é? Você sabe que não pode ficar forçando a visão desse jeito. Só você mesmo pra passar a madrugada lendo. Se seu olho piorar vai ter que usar óculos. Já imaginou? Ficaria igualzinho ao Harry Potter, hahahaha!!! – a garota ria alto.

– Cala boca, Angie! Você não tem que ir para faculdade não? – Ciel gritava, irritado, jogando o travesseiro na irmã.

– Tenho, mas não sem antes importunar meu irmãozinho caçula favorito – Angie esmagava Ciel num abraço enquanto depositava um beijo na bochecha do rapaz, que tentava se desvencilhar do aperto e da chuva de cabelos lisos e laranjas que caíam sobre ele.

– Eu sou seu único irmão... pelo menos por enquanto. Tá, tá, pode parar. Vai continuar a fazer isso até quando? Não sou mais criança.

Angélica tinha 25 anos e ainda assim parecia ser mais imatura que Ciel. Ela era muito diferente dele. Angie herdara a beleza da mãe. Os mesmos cabelos alaranjados. O mesmo tom claro de pele. Elas tinham olhos azuis, assim como os de seu pai, azul acinzentado, muito diferente do intenso azul dos olhos de Ciel. Angie se levantou e caminhou até a porta sorrindo.

– Que livro é esse? – Angie tentou espiar e Ciel lhe mostrou a capa para que lesse o título. – Pegou na biblioteca de novo?

– Não... Um amigo me emprestou. Conheci-o ontem à tarde.

– Foi por isso que chegou tarde ontem? Se te emprestou o livro assim quer dizer que confia em você. Que garoto legal!

– Eeeeé mesmo.... – Ciel concordou desviando o olhar para direita, se perguntando por que não corrigira a irmã, pois Sebastian não era um garoto.

– Quer saber, sábado nós iremos ao cinema, ok? Dar uma volta, curtir um pouco; a gente não pode passar o resto da vida preso em casa. Pode levar uns amigos se quiser, mas não convida muita gente não, sabe como é... A verba não está tão boa assim. Fui! – saiu do quarto jogando um beijo.

Por mais maluquinha que Angie fosse, Ciel realmente gostava dela. Se existia alguém nesse mundo de quem Ciel tinha certeza de gostar, esse alguém era sua irmã.

Ciel tomou banho e se vestiu em menos de 10 minutos. Tomou um copo de suco de laranja e saiu correndo, ignorando os protestos da mãe.

– NÃO VAI DESMAIAR PELO CAMINHO, MENINO!

Ciel passou pela Rua Barnabas não conseguindo evitar olhar para todas as direções. Nem sinal de Sebastian.

Quando voltava da escola, acompanhado pela falação de Liza, também não o viu. Talvez ele estivesse no Darjeeling Chá. Mas acabou por decidir só procurar Sebastian quando tivesse terminado o livro, o que não demoraria. Mas também não viraria a noite novamente, pois seu olho ainda doía.

– Algum problema Ciel? – Ciel, sem perceber, havia parado e ficado olhando para a direção da rua que levava ao café.

– Não é nada.

– Ciel... O que você vai fazer no sábado?

– Vou ao cinema com a Angie. – Ciel notou que a garota ficou muito triste. Impulsionado pela repentina pena, Ciel suspirou. – Ela disse que posso levar alguém, quer ir?

– Posso mesmo? Eu adoraria! – Disse pulando sobre ele. Talvez ter Liza e Angie no mesmo lugar não dê muito certo, já começava a se arrepender. Só de imaginar as duas o apertando.

De repente, Liza afrouxou o abraço e sussurrou em seu ouvido. A voz da menina transparecia medo. Ciel a afastou e se virou para ver o que ela olhava.

Uma multidão de pessoas se formava numa esquina adiante. Era possível escutar a sirene da polícia ao longe. Ciel caminhou até lá para ver o que acontecera. Abrindo espaço entre as pessoas, Ciel pôde ver num beco sem saída uma moça caída no chão, tinha o vestido branco todo ensanguentado. Ciel nunca vira tanto sangue e ainda assim ela ainda respirava. Ciel teve uma estranha sensação. Podia sentir o cheiro da morte. A moça abriu os olhos e tentou dizer algo, olhou para o lado. Ciel acompanhou seu olhar e viu um homem num canto do beco.

O homem olhou diretamente para ele. Era alto, seus cabelos eram castanhos claro e os olhos verdes. “Ela ainda está viva!”, “Está tentando dizer algo!”, “Quem fez isso?” diziam as pessoas ao redor da moça. Ciel olhou novamente para ela. Já estava morta. Voltou os olhos para o canto mais o homem havia desaparecido. Correu os olhos ao redor, mas ele não estava mais ali. Os carros de polícia já estacionavam.

– Ciel! – ouviu Liza chamar e voltou para a garota. – Estou com medo. Será que ela é outra?

– Não se preocupe... É melhor irmos pra casa.

Mal se afastaram da multidão que ficava cada vez maior, ouviram a buzina de um jaguar preto, que estacionou ao lado deles. O vidro foi baixando aos poucos, revelando Sebastian.

– Entrem. Eu dou uma carona até a casa de vocês.

– Não é necessário. – Ciel respondeu e Liza ainda amedrontada demorou um pouco até lembrar-se do rosto de Sebastian.

– Nem pensar – dizia ele em tom sério, saindo do carro e abrindo a porta para que eles entrassem. – Não vou deixar vocês andando sozinhos por aí, o assassino daquela moça pode estar por perto. Vamos, entrem.

– Ciel? – Liza agarrou seu braço. As mãos dela estavam geladas, parecia insegura em relação à Sebastian. Ciel olhou firmemente para Sebastian, como se tentasse ler sua mente. De alguma forma sentiu verdade nele.

– Tudo bem, Liza. Entre.

Os três entraram no carro e Ciel deu as instruções de como chegar à casa de Liza. Quando saiu do carro, Liza lançou um último olhar para Sebastian e disse ao Ciel: “me liga quando chegar”, e entrou no jardim da própria casa..

Ciel sentou no banco da frente e percebeu que Sebastian sorria.

– Qual é a graça?

– Nada. Só que ela desconfia de mim. Provavelmente ela acha que vou sumir com você.

– E não deveria suspeitar por quê?

– Me diga você. Também suspeita de mim?

– Não sei. Conheci você outro dia. Poderia ser um bandido, um assassino, um psicopata, um pedófilo, sei lá...

– Mas como eu seria um pedófilo, você não é mais criança, é
Ciel? – Sebastian esboçava um sorriso muito enigmático.

– Mas que raios de pergunta é essa?! – o rosto do rapaz era um misto de raiva e vergonha.

– Foi você quem começou... – Sebastian ria, parecia se divertir com a confusão do garoto. Parou o carro no acostamento e se virou para ele. – Não é necessário temer a mim. Eu nunca machucaria você.

– Então pare de falar tolices, idiota! – disse bufando. Embora não estivesse com medo de Sebastian, Ciel sentia-se um pouco desconfortável, pois estavam somente os dois no carro e não havia uma só pessoa na rua.

– Você continua igualzinho. Vai me dizer onde você mora ou pretende passar a noite aqui? – Ciel apontou a rua e Sebastian deu partida no carro. – Eu pensei que você fosse aparecer, afinal selamos um acordo, não foi?

– O quê?.... – Ciel não entendeu por um momento o que Sebastian quis dizer, mas o homem o ajudou a lembrar de que concordara em dar sua amizade em troca dos livros, isso lhe pareceu meio estranho pensando dessa forma. – Ah, bem , ainda não terminei o livro. Além disso, você me enrolou. Não me disse nada sobre você ontem. Como espera que eu não fique imaginando coisas?

Sebastian parou o carro novamente, para poder conversar melhor com o jovem.

– Eu não tenho família. Morreram há tempos, mas não se incomode com isso. Sou herdeiro das Indústrias Midford, o que me traz benefícios monetários e incômodo trabalho empresarial. Tenho 26 anos. Morava em Londres, mas mudei-me para cá há um mês a negócios. Achei Liverpool uma cidade muito bonita. Mas confesso que essa vida de empresário não me agrada, não conhecia ninguém além de um bando de acionistas gordos e hipócritas até você cair em cima de mim. Pode até parecer deprimente alguém da minha idade fazer amizade com um colegial, mas fazer o quê se não conheço ninguém aqui. Mas alguma coisa que gostaria de saber?

– Sou só um quebra-galho seu? Um passatempo? É isso? Não gosto que brinquem comigo, não tolero que me desrespeitem, nem que mintam pra mim – disse levando a mão em direção à porta do carro, mas Sebastian o impediu, segurando seu pulso.

– Não foi o que eu quis dizer. Se é tão importante pra você, prometo ser sempre sincero. Olha Ciel, eu só me relaciono com pessoas que realmente valham a pena, que mostrem ter algum valor ou potencial. Você é uma dessas pessoas. Na verdade diria que você é uma alma única. Existe algo de especial em você, só ainda não percebeu. Pessoas como você estão destinadas a muito mais. Eu sei disso.

– Você é estranho. Só diz coisas sem sentido. Então, vai me levar pra casa ou pretende que eu passe a noite aqui?

– Isso você é quem decide. Se for da sua vontade.....

Sebastian sorriu e pôs o carro em movimento novamente, era melhor não importunar tanto o menino ou ele poderia ficar realmente bravo. Ciel o observava pelo canto dos olhos, não sabia qual a real intenção dele com aquelas palavras ou o que ele poderia interpretar delas. Ciel se perguntava por que permitia que Sebastian se aproximasse dele, sendo que sempre escolheu se reservar de todos. Não conseguia definir bem uma resposta, mas algo em Sebastian lhe era agradável, algo nele lhe despertava curiosidade. Não entendia por que se sentia tão à vontade na companhia de alguém que acabara de conhecer, quando tentava a todo custo fugir dos colegas de classe que praticamente cresceram com ele. Fora Liza e Angie, ninguém lhe passava confiança. Lembrou-se então do passeio com Angie, será que deveria convidá-lo?

– Sebastian.......... Este sábado, minha irmã e eu vamos ao cinema, gostaria de ir? Eu poderia lhe mostrar a cidade. – Falava e olhava para os dedos da própria mão. Sebastian olhou para ele por alguns segundos, não tinha expressão, apenas o observava. Nesse momento, Ciel notou que Sebastian fazia isso, às vezes; gostaria de saber o que se passava na cabeça dele.

– Neste sábado? Se estiver tudo bem pra sua irmã, eu adoraria ter você como guia turístico – Sebastian deu mais um de seus sorrisos e olhou pela janela do carro. – Essa é a sua casa? Chegamos.

Ciel agradeceu a carona e já ia saindo do carro quando Sebastian o mandou esperar enquanto escrevia em um papel.

– Pegue, é o número do meu celular. Se precisar de qualquer coisa ou quiser falar qualquer coisa, mesmo que seja pra dizer qual capítulo do livro você está lendo, me liga.

– Não prometo nada, não tenho tempo pra ficar ligando.

– Que seja – disse dando de ombros. Dessa vez foi Ciel que ficou o encarando e por fim falou:

– Não vai querer o meu número?

– Não preciso, eu sempre acharei você. E, a propósito, tenha bons sonhos!

Sebastian sorriu, deu um até amanhã e foi embora deixando Ciel mais confuso ainda. Definitivamente Sebastian era um cara estranho.

Naquela noite, mesmo tendo presenciado uma cena tão horrível quanto a da garota morta, sonhou que apostava uma corrida a cavalo num imenso e verdejante descampado. Podia até sentir o vento em seus cabelos, o calor do sol em sua pele, o sangue nas veias, seu coração batia acelerado, ria verdadeiramente. Os dois cavaleiros avançavam pelo campo, um sorrindo para o outro. Nunca se sentiu tão vivo. Um delicioso piquenique lhe esperava no topo da colina, e este marcava a linha de chegada. Se ganhou a corrida ou não, se apreciou o piquenique ou não, nunca saberia, mas seu rival, o outro cavaleiro, era alguém já conhecido. Seu oponente: Sebastian.

Notas finais
NOTA: A casa do Ciel não fica tão longe da casa da Liza....Sebastian estava dirigindo devagar de propósito *-* Gostaria de agradecer as reviews que me deixaram nos dois primeiros capítulos *3* amei elas...se continuarem gostando o 4 sai logo. obrigada por ler. E se vc gostou, não custa nada dizer, né? =^.^=