Phantomhive
22 Os Pecados do Passado – Parte IV
Notas iniciais
Capítulo 22: Os Pecados do Passado – Parte IV
Londres, 1898
Três dias depois, algumas pessoas, sabendo da tragédia, apareceram na mansão para visitá-los. No entanto a versão contada a sociedade era de que o bebê nascera com o cordão umbilical enrolado no pescoço, isso geralmente acontecia. Dizer a verdade geraria uma porção de perguntas incômodas. Ciel proibiu que Soma e Agni vissem Elizabeth. O príncipe chorava tanto que só deixaria a loira mais deprimida. Ciel estava aborrecido com a presença de todas aquelas pessoas. Excluindo o príncipe indiano e a família de Elizabeth, o resto não estava ali para saber se eles estavam bem ou para dar conforto, mas para ter assunto para fofocas futuras. Sabia que devia se esforçar para consolar a esposa, mas ele não estava em condições de confortar ninguém; nunca esteve.
Sebastian arranjava desculpas dizendo que Ciel estava muito abatido para receber as pessoas. As pessoas acreditavam. Nem era tão mentira assim.
Maylene maquiava Elizabeth, tentando disfarçar as olheiras de choro com pó de arroz. Antes de descer para receber as visitas, Elizabeth viu o mordomo entrar em seu quarto. Sebastian segurou seu queixo delicadamente, fazendo-a erguer o rosto. E ela pôde olhar fixamente para aqueles olhos carmesins. Sebastian pareceu querer recuar, incomodado com algo, mas continuou.
– Aquela corja lá embaixo não veio para demonstrar compaixão. Estão esperando para vê-la fraquejar, vê-la cair, derrotada. Mostre a todos eles que você é superior, que nada pode derrubá-la. Que você é inabalável.
– Como uma Midford?
– Não, como uma Phantomhive.
Os lábios da mulher se curvaram num sorriso. Ela apertou a mão do mordomo como se buscasse forças para não chorar. Sebastian não fazia ideia do quanto aquelas palavras significaram para a loira.
– Obrigada, Sebastian.
– Não por isso – o mordomo se afastou em direção a porta. Meylene guardava os estojos de maquiagem.
– Espere. Eu prometo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para deixá-los juntos se me ajudar a vingar meu filho.
– Essa já é a vontade do meu Mestre, mas quem sou eu para negar um pedido da senhora Phantomhive?
E com uma reverência saiu do quarto.
O único momento realmente reconfortante foi quando ela pôde ficar sozinha com sua mãe. Francis nada disse. Apenas a acolheu em seus braços. E provavelmente ela era a única pessoa ali capaz de entender a dor da filha.
No final do dia, Ciel juntou-se a ela no sofá em frente à lareira. Colocou um chale de lã em volta de seus ombros e abriu um livro. O conde pigarreou e começou a ler:
– “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, de posse de boa fortuna, deve estar atrás de uma esposa.”
Elizabeth sorriu. Era seu livro favorito. Orgulho e Preconceito. Ciel não era bom com palavras, principalmente quando o assunto era sentimento. Aquela era a maneira dele mostrar que se importava com ela.
– Obrigada – ela sussurrou. Ciel deu apenas um meio sorriso e continuou.
– “Por mais desconhecidos que sejam os sentimentos e as opiniões desse homem no momento em que chega a uma nova vizinhança...”
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Sebastian procurou Ciel pela mansão, mas não o achou. O mordomo foi até o jardim, mas não havia ali sinal de seu mestre. Como o conde não poderia ter saído sem carruagem ou cavalo, só havia um lugar onde ele poderia estar: o cemitério da família.
Ciel estava em pé ao lado do túmulo de Philip e fitava a lápide com intensidade. Sebastian aproximou-se dele lentamente e parou a uma pequena distância do rapaz. Ao perceber a presença do akuma, Ciel olhou para ele por um breve instante e voltou a fitar a lápide.
– Por que ficou aí escondido? Queria ver se eu estava chorando? – o conde indagou.
– Não estava escondido, apenas achei melhor esperar você terminar o que quer que esteja fazendo. Não fica bem um mordomo interromper seu mestre.
– Humph...
– Não me importo se você quiser chorar. Por que acha que eu não aprovaria? Você é um humano, depois do que aconteceu nada mais natural do que...
– Mas eu não vou! E não ligo a mínima pro que você aprova ou deixa de aprovar. Não sou eu quem dá as ordens?
– Sim, Metre – Sebastian falou sorrindo.
Os dois permaneceram em silêncio. O vento soprou gélido, levando pétalas do buquê de flores deixado ali por Elizabeth. Sebastian ficou pensando em como seu mestre parecia perfeito naquele cenário frio e mórbido. Não compartilhava sua dor, mas sentia seu desejo por vingança.
– Parece que esse é o meu destino, jurar vingança sobre o túmulo dos inocentes. Chorar não resolve nada; agir, isso sim, faz grande diferença – uma nova rajada fria o fez tossir. Enrolou o cachecol no pescoço para aquecer-se melhor e virou-se para o mordomo. – Descobriu alguma coisa?
– Sim. Há pelo menos 14 pessoas em toda Londres, entre nobres e burgueses, que possuem o tipo de carruagem que o invasor mencionou. Desses, onze tem algum tipo de ligação com comércio estrangeiro e ligação com pessoas do submundo.
– Então vamos vigiar mais de perto esses onze.
– Recebi uma informação do conde Gray também, parece que um carregamento de munição foi interceptado. Não se sabe o que aconteceu.
– Isso é ruim. Se usarem as armas com o selo real para atacar algum lugar fora da Inglaterra, isso poderá gerar um conflito.
– Acredito que seja exatamente esse o objetivo do demônio. Conheço o tipo. Ele não vai querer só vingança, vai buscar caos e poder.
– Um demônio que não conhecemos o nome e nem a face de quem o ajuda. Dessa vez o inimigo tem a vantagem. Eles sabem quem somos, mas nós não sabemos quem eles são. Encontrou o livro sobre o qual me falou?
– Sim. O que pretende fazer, Mestre?
– Por enquanto. Tente encontrar esse carregamento e trazê-lo de volta para seus legítimos donos. Quanto a mim... Acho que é hora de mover alguns peões. Precisamos capturá-lo antes que ele consiga a cabeça da rainha.
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Seu nome era Jonanthan Brent. Mas pelas artimanhas daquele demônio passou a ser chamado de Jonanthan Weatherfield.
O demônio, que se apresentou a ele como Dhalion, tomou seu corpo como morada naquela noite. A princípio teve medo do que poderia acontecer quando percebeu que Dhalion tinha total controle sobre o corpo que ambos habitavam. Por vezes tomando a rédea da situação e mandando a mente de Jonanthan ir passear em algum canto escuro de sua consciência. Mas em troca, Dhalion lhe deu fortuna e status. Deu-lhe mais do que seu falho desejo de vingança poderia ansiar.
Dhalion escolheu a dedo um velho e recluso visconde que vivia numa cidade bem afastada de Londres. Arquimed Weatherfield. A inesperada morte do velho só não causou mais espanto a sua viúva e filhas porque ele já era de idade avançada; mas as mulheres ficaram chocadas quando souberam que o velho tinha deixado toda a fortuna da família como herança para um sobrinho até então inexistente: Jonanthan. O homem até sorria ao lembrar-se da expressão de incredulidade e desespero das mulheres. Mas para um demônio como Dhalion, um possessor, mestre em manipular mentes, foi muito fácil subjugá-las.
Depois de quatro meses ali, Dhalion disse que havia chegado o momento de dar início a segunda fase de seu plano e retornaram a Londres. Jonanthan se apresentou a sociedade londrina como um recém-chegado a cidade, e, para todos os efeitos, ele estava li para comandar uma fábrica de tecidos pertencente ao seu suposto e falecido tio. A fábrica, é claro, era apenas uma fachada. Ele ganhava dinheiro com outros negócios. O falso visconde conseguia aliados facilitando e ajudando o comércio ilegal e outras atividades ilícitas. Exigia como pagamento pela ajuda certos favores. Esses favores envolviam desde roubos e ataques a mercadorias importadas e exportadas legalmente pela Inglaterra até atentados contra a vida de membros da realeza.
Weatherield nunca agia diretamente. Sempre usava terceiros para fazer os serviços. Em pouco tempo, ele conseguira se tornar alguém realmente importante. E com o carisma de Dhalion, se tornou um querido e admirado nobre respeitável. Que hilário! Mas existiam duas pessoas em especial cuja atenção Dhalion queria ganhar. A rainha e o conde Phantomhive.
Eles eram seu objetivo maior.
Mas não conseguia resistir à tentação de causar pânico e conseguir poder. De derramar sangue. Demônios são gananciosos por natureza. Sempre querem mais do que lhes é concedido. Ele era um Possessor e não um Akuma. Não se contentava com uma alma de cada vez. Queria todas sob seus pés.
Experimentar todo o luxo, poder e glória concedido por Dhalion fez o coração de Weatherfield ficar mais ganancioso. Ele tinha grandes ambições agora e alegrava-se com a sensação de controlar e manipular as pessoas e as situações. Cego pelo poder, não se dava conta de que era o demônio possessor quem realmente manipulava tudo.
Estando bem estabilizado em Londres e com uma boa quantidade de aliados ao seu dispor, Dhalion colocou em prática a terceira fase do seu plano. Começou a enviar mensagens ameaçadoras para a rainha, anunciando seu retorno. E começou a reunir súditos que pudessem realizar seu pequeno projeto. E assim capturou as primeiras mulheres. Seus planos estariam se cumprindo com maior rapidez se não fosse a constante intromissão do jovem conde Phantomhive. Sempre há um Cão de Guarda para atrapalhar tudo. Iria se livrar dele também, mas ainda não era o momento apropriado.
Mas para realizar sua audaciosa jogada, teria que tirar o conde do tabuleiro. Já tinha uma ideia de como.
Weatherfield intensificou a captura de mulheres, não que mais delas fossem necessárias para Dhalion naquele momento, mas queria fixar a atenção do conde nos assassinatos. Num espaço de três semanas, foram seis mulheres desaparecidas e quatro encontradas mortas. Era um plano arriscado. O conde poderia chegar até ele ou encontrar o local onde a seita escondia as mulheres, mas ele tomava o cuidado de conseguir os álibis perfeitos para todas as ocasiões. E protegeu o local da seita contra o cãozinho traidor do conde. Tanto Weatherfield quanto Dhalion divertiam-se com o pânico da população e a irritação do conde ao não conseguir sequer algo que colocasse em dúvida a inocência de alguns dos nobres que ele tanto observava. Weatherfield foi além.
Seu plano de capturar a esposa do conde falhou. Aqueles idiotas interpretaram uma ordem de sequestro silencioso e discreto com um ataque em massa. Tolos! Incompetentes! Queria a mulher grávida. Seu plano falhou, embora tenha conseguido o bônus de matar o herdeiro Phantomhive. Mas queria tirar do conde sua preciosa honra antes de tentar matá-lo novamente.
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– Sua Majestade – Charles Gray entrou no escritório do príncipe Eduardo com uma expressão preocupada. – O Cão da Rainha conseguiu recuperar o carregamento de armas que tinha sido roubado.
– Graças! – o homem suspirou de alívio, mas as rugas em seu rosto lhe deram uma aparência mais velha e cansada ao perceber que o secretário não viera até ali apenas para dar boas notícias. – O que mais?
– Uma diligência real foi atacada essa manhã. Não se preocupe, os soldados foram bravos e seu primo George passa bem. Mas deixaram mais um bilhete ameaçador para a rainha.
Gray entregou o bilhete ao príncipe. O homem mais velho sentou-se na poltrona de espaldar alto e vermelho.
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Enquanto o cão caça o bandido quem protege a casa?
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– Não podemos contar apenas com a sorte e deixar tudo nas mãos do conde Phantomhive. A rainha está muito doente e aqui ela fica muito exposta. Vou mandar minha mãe e meus filhos para um lugar seguro. Se o demônio não conseguir matar a rainha a profecia não se cumpre e a família real continua. Mesmo que eu morra, meu filho tem plenas condições de assumir o trono. Mande o Phantomhive ficar em alerta também e ofereça algum reforço se ele desejar. Estou no controle por enquanto, mas para qualquer um que possa perguntar a rainha continua aqui em Buckingham.
– E quanto a elas, senhor?
– Elas? – o príncipe alisou seu bigode branco. Nervoso.
– As deixaremos aqui?
– Não. Levarei junto. Não quero pensar o que os nossos inimigos, demônios ou não, fariam com elas. Se não as usarmos de modo indevido, os Serafins não as tirarão de nós.
– Certo.
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A situação política do país não era das melhores. A Família Real estava em alerta constante. E a sociedade escondia suas grávidas temendo que elas fossem roubadas de suas mãos.
Nas últimas semanas, Elizabeth vinha tendo que lidar com os assuntos na Funtom Company da melhor maneira que conseguia, pois Sebastian e Ciel passavam o dia resolvendo um problema atrás do outro e investigando o caso das mulheres grávidas.
Graças a uma informação conseguida por Lau, Ciel preparou uma armadilha para o tal demônio. Tudo parecia estar saindo bem até dar tudo errado. Na confusão, Ciel se afastou de seu akuma e cada um seguiu um suspeito em direções diferentes. O suspeito que Ciel seguiu o levou até um hotel duvidoso numa das partes mais movimentadas de East End. O conde não o perderia de vista. O seguiu pelos corredores, esbarrando em homens com as roupas mal colocadas e em mulheres com vestimenta questionável. Derrubavam pessoas e móveis e ignoravam as reclamações de protestos. Alguns começaram a chamar a polícia a plenos pulmões ao ver que Ciel estava armado. O suspeito se embrenhou pelos corredores com Ciel em seu encalço e entrou num dos quartos.
Ciel entrou no quarto completamente atento a todos os sons ao seu redor. Ouviu três disparos vindos da sala ao lado. Uma capa negra passou diante de seus olhos, tão rápido que não conseguiu ver o rosto. Ciel atirou, mas o estranho saiu pela janela, como se pudesse voar. A janela, por sua vez, fechou-se sozinha assim como suas travas de segurança, antes que o conde chegasse até ela.
Ciel tentou abrir a janela, mas estava presa e nem se movia. Não era possível que alguém sobrevivesse a uma queda daquela altura. Lembrou-se de que o estranho tinha atirado em algo ou em alguém no outro cômodo. Era uma mulher. Uma das desaparecidas.
– Que lástima! – disse Ciel, notando onde havia se enfiado.
Naquele exato instante, a polícia, atraída pelo barulho dos tiros, invadiu o quarto. Havia uma mulher seminua sobre uma cama ensanguentada, morta com três tiros. Ciel tinha uma arma e pólvora nas mãos. Roupa ensanguentada. A janela estava lacrada impossibilitando a saída de qualquer um. Logo o culpado não tinha como ter fugido e só havia ali um único suspeito. O conde podia até ouvir as engrenagens dos cérebros dos policiais se movendo. O que parecia essa cena?
– Acreditariam se eu dissesse que sou inocente?
Os policiais apenas riram e algemaram Ciel. Seria mais do que complicado explicar tal situação. Acabou sendo preso e passou a ser um dos principais suspeitos dos assassinatos. Como ele fora tão descuidado? Era exatamente o que o demônio queria; tirá-lo do caminho. Estava profundamente zangado. Além de ser pego numa armadilha tola, sua honra estava jogada na lama. Mas aquele era seu território, e vira-lata nenhum iria lhe passar a perna.
– Ora, ora... nunca pensei que viveria para ver o dia em que o líder de todos os nobres maus fosse finalmente preso – dizia Lord Randall com certa satisfação.
– Espero que viva o suficiente para ver que não permanecerei aqui, Lord Radall – Ciel falou convicto, sorrindo.
– Nem mesmo atrás das grades você perde a postura, não é conde Phantomhive?
– Nós dois sabemos, senhor, que não sou eu quem deveria estar aqui. Sabe muito bem que sou inocente. Quanto mais tempo me mantém aqui, mais atrapalham o meu trabalho.
– Muitas pessoas viram você no local do crime, não podíamos deixá-lo sair como se nada tivesse acontecido. As pessoas poderiam achar que a polícia não está fazendo seu trabalho.
– Pra começo de conversa, se a polícia realmente fizesse seu trabalho não precisariam da minha ajuda. Admita, você não quis perder a oportunidade de me prender, mesmo sabendo que a melhor possibilidade que vocês têm de obter sucesso neste caso depende unicamente de mim.
– Ora seu... Como ousa falar comigo assim? Mal saiu das calças curtas e acha que pode...
– Vejo que o Mestre já se enturmou aqui – Sebastian falou ironicamente ao chegar para visitá-lo.
– O mordomo não tarda a chagar. É realmente curioso, senhor Sebastian, sempre que o vejo, parece ter a mesma aparência. É como se não envelhecesse – Randall encarava Sebastian com curiosa atenção.
– Devo ter herdado um bom tipo físico dos meus pais. Mas devo dizer que apesar da minha aparência, minhas juntas me matam – falou de modo inocente fingindo uma dor nas costas. – Eu trouxe uma torta de limão para seu lanche, Mestre. Mas infelizmente o senhor Abberline disse que seria necessário confiscá-la.
– Esqueça a torta. Chegue mais perto, preciso falar com você.
Sebastian aproximou-se das grades. Percebendo que Randall os observava atentamente, Ciel puxou Sebastian pela gravata, ficando os dois mais próximos que o aconselhável, e sussurrou em seu ouvido de forma demasiadamente íntima. Depois falou em alto e bom tom:
– Será que posso ao menos conversar com meu mordomo em particular?
Randall, envergonhado, se afastou resmungando qualquer coisa como “ além de tudo é um degenerado”. Assim que o velho se afastou, Ciel continuou.
– Ouça com atenção, Sebastian, fará exatamente como eu disser...
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– O que está fazendo aqui Lady Elizabeth? – indagou Gray assim que viu a senhora Phantomhive entrar em seu escritório.
– Vim exigir que entre em contato com os energúmenos da Scotland Yard e providencie a soltura do meu marido. Agora.
– Gostaria muito de poder ajudá-la, mas não posso.
– Claro que pode! Vocês sabem muito bem que ele é inocente. Por que insistir nessa idiotice de mantê-lo preso?
– A população está em pânico. E dar a ela um culpado, um culpado que está preso a manterá calma por enquanto. Até acharmos o verdadeiro culpado.
– Têm noção da tamanha idiotice que acabou de dizer? Quanto mais tempo Ciel ficar preso, mais tempo o inimigo terá para agir. O país está um caos, como espera que Ciel aja estando preso?
– Sim, eu sei. Faz ideia de quantas pessoas o viram na cena do crime? Não podemos simplesmente soltá-lo sem provas do verdadeiro assassino para apresentar a população.
– E por isso vão prender um inocente?
– Inocente?! Ele pode ser inocente nesse caso, mas acredito que essa palavra não se aplica ao Cão da Rainha – sorria como se tivesse ouvido uma piada. O rosto da loira ficou vermelho de raiva.
– Escute aqui, seu infeliz! – Elizabeth apontou o leque para o nariz de Gray. – Se algo acontecer a Ciel ou a rainha, saiba que a culpa será sua. Passar bem, senhor Gray.
A loira saiu batendo a porta com força. Sabia que aquele não era um comportamento nada fofo, mas estava furiosa. Esbarrou no visconde Weatherfield no corredor.
– Perdão senhor.
– Oh, não se preocupe. A propósito, sinto muito por seu marido. Deve ser realmente difícil e vergonhoso para uma jovem dama como você...
– Não há do que ter vergonha. Meu marido é inocente.
– Acredito que sim – o homem colocou o braço em volta dela de maneira muito intima. Era impressão ou o homem estava se aproveitando dela. – Se precisar de alguém para se consolar...
Elizabeth ficou horrorizada. Não tinha conversado muito com Jonanthan Weatherfield no passado, mas aquele atrevido não se parecia com o homem gentil que se apresentou a ela certa vez. O homem ainda deslizou os dedos pela alça do seu vestido e tentou tocar sua clavícula, mas se refreou, olhou para os seios da mulher descaradamente.
– Agradeço, mas vou recusar – a loira falou livrando-se dos braços do homem.
– Certamente – falou a contragosto.
Elizabeth pôde jurar ter visto um brilho estranho nos olhos do homem.
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Com suas intrigas, Weatherfield e Dhalion conseguiram gerar um estado de descontentamento e desconfiança entre as nações. Aproveitaram-se da prisão de Ciel para forjar atentados de um país contra outro, colocando a Inglaterra como suspeita na maioria das vezes. A rainha Elizabeth e o príncipe Eduardo sabiam quem estava por trás disso tudo, mas os outros países não, e dificilmente acreditariam. Por isso tentavam manter a situação política equilibrada. Isso se mostrava uma tarefa quase impossível quando um oficial condecorado alemão é atacado sem razões aparentes por soldados ingleses, que ao serem capturados não se lembravam sequer de terem saído de suas casas, muito menos de terem tentado matar alguém.
– Isso é um absurdo sem tamanho! Acha que somos tolos para crer em tão absurda desculpa? O que a Inglaterra pretende com isso? – esbravejava o embaixador alemão ao exigir a prisão dos tais soldados.
– Isso será resolvido, Senhor – dizia um ministro inglês. – Garantimos que nosso país não teve qualquer participação com esses atentados. Nenhum interesse político. Foi apenas um incidente infeliz.
– Há! A quem vocês querrem enganar? – ironizou o cônsul francês. – Um de nossas navios forram atacados porr uma navio de bandeirra inglesa. Que isso enton? Voltamos a erra da pirratarria?
– É isso esmo....
– E onde está a rainha?
– Por favor, acalmem-se! – os ministros ingleses tentavam apaziguar. Mas logo todos entravam em discursão.
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– Possessores. De uma classe mais baixa. Servos.
Sebastian conversava com Undertaker, Elizabeth e os três servos na sala da mansão Phantomhive.
– Então você também pode senti-los – o funerário falava de maneira arrastada rondando o mordomo. – Sim. Muitos deles entraram no Domínio Humano nas últimas semanas.
– O que eles fazem? – Finnian perguntou.
– Possuem os humanos. Roubam seus corpos e fazem o que querem com eles – Undertaker explicava com um sorriso no rosto.
– Isso significa que o Possessor que procuramos deve possuir uma seita própria. Um lugar para convocar os seus servos. E consequentemente as mulheres devem estar servindo pra isso – Sebastian explicou.
– E por que mulheres grávidas?
– Não sei. Cada demônio com sua obsessão.
Os olhos de Undertaker corriam de Sebastian para Elizabeth com grande excitação. Por fim decidiu falar:
– Há algo que esqueci de contar ao conde. As mulheres encontradas. Os fetos não estavam mais em seus ventres.
– Que horror! – a loira exclamou chocada. Sebastian estreitou os olhos para o shinigami. – Ei de vingar a morte do meu filho e dessas pobres mulheres. Sebastian, se você pode sentir esses possessores, não poderia rastrear o lugar onde eles estão? Onde estão escondidos?
– Não se estiverem possuindo um corpo humano. E a seita deve ser um lugar protegido contra anjos e... eu. Se não fosse assim, eu já teria encontrado.
– Acho que eu posso encontrar o local da seita – o shinigami confessou.
– Como? – todos perguntaram em uníssono.
– Isso é comigo. Mas saberíamos apenas onde as mulheres podem supostamente estar. Mas não seria sábio ir lá sem antes saber quem é o humano portador do demônio que devemos capturar.
Repentinamente Elizabeth pôs-se de pé. Agitada. E caminhou em direção a Sebastian, postando-se de frente para ele. Muito próxima. O mordomo deu um passo para trás, estranhando a atitude da loira tanto quanto os outros. A mulher se aproximou dele novamente, quase tocando seus corpos. O mordomo automaticamente recuou.
– Me estrangule. Com as mãos – o akuma a olhou como se ela tivesse enlouquecido. – Anda logo!
Sebastian direcionou as mãos para o pescoço da mulher, mas refreou-se encarando com severidade os seios da loira. Elizabeth deu um salto para trás e apontou o dedo para o mordomo como a criança que encontra alguém numa brincadeira de esconde-esconde.
– Você olhou pros meus seios. E não conseguiu me tocar! – Sebastian chegou a ficar encabulado com a afirmação absurdamente sem propósito. Maylene ficou completamente vermelha. Os outros tiveram certeza de que a loira tinha ensandecido. – Você não me tocou. Você olhou para meus seios. DEUS! Eu sei quem é o possuído! Aquele infeliz, mentiroso, falso, traiçoeiro e aproveitador. “Sinto muito” ele disse, pois sim.
– Ahhhh.... Lady Elizabeth? – Sebastian a chamou.
A loira puxou a correntinha dourada que usava no pescoço. E algo como um apito dourado e comprido saiu do abrigo de seu busto. Uma pequena flauta dourada. A Flauta Celeste.
– O anjo Iridel me deu isso. Acho que repele demônios também.
– Não repele – Sebastian disse –, mas dá certa repulsa.
– Visconde Weatherfield. O encontrei quando fui falar com Gray. Ele tentou me galantear, como nunca tinha feito. Não era seu feitio. Mas ele recuou ao se aproximar de mim. A expressão foi a mesma que Sebastian fez. Ele olhou para o meu seio. Eu achei que era pro meu seio, mas era pra Flauta Celeste. Ele não sabia que estava escondida aqui. É ele. Tenho certeza, Sebastian.
A loira vibrava.
– Vou confirmar isso. E tirar meu Mestre daquele lugar. Mas antes disso, preciso que aprenda isso, Meylene também.
O mordomo entregou um livro antigo nas mãos da loira. A empregada se sentou ao lado de Elizabeth.
– O que é? Está em latim.
– Rituais de banimento. Precisam saber como vamos mandar o demônio de volta para o inferno. Se ele realmente estiver em Weatherfield.
– E por que só elas e nós não? – Bardroy perguntou sentindo-se injustiçado.
– É. Por que nós não? – Finnian lhe fez coro.
– Por que o Mestre disse que seria perda de tempo tentar ensiná-los.
– Acho justo – Bard deu de ombros.
– Está faltando algumas páginas – Elizabeth falou analisando os restinhos de folhas no meio do livro.
– Eu arranquei a parte que se referia aos Akumas.
– Acha que eu usaria contra você? – perguntou indignada.
– Acredito que não. Mas como dizem os anjos: é melhor manter a tentação longe dos olhos.
– E como vai libertar Ciel?
– O plano do Mestre é o seguinte...
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