Phantomhive

10 O corvo, a menina e o piano de cauda


Notas iniciais
Olá amores ^^ Sei que demorei...mas o tempo foi curto e esse capitulo complicado...como podem ver saiu enorme...eu particularmente ainda não gosto dele...queria que tivesse ficado melhor mais não teve jeito...espero que vcs gostem e que não decepcione ninguém Ç_Ç Muito obrigada a todos que deixaram review...eu os amei e me incentivaram a não parar de escrever( mas acho que exagerei XD)...não se preocupem...não vou abandonar a fic, o fim já está pronto...só tenho que chegar até lá. Então não há risco de eu parar no meio. Novos leitores, sejam bem vindos ^^ e um obrigada especial a Sarah Okumura, KatherineH, Haruno no Hime e a Liv por favoritarem...Liv recebi sua MP...hahahah...estava terminando o capítulo na hora. E um beijo a diva Yuka Harumi pelo comentário 100...nossa nem eu acredito *w* Em fim, perdoem os erros de português, nos encontramos nas notas....respirem fundo e ... Boa leitura (^^)/

Capítulo 10: O corvo, a menina e o piano de cauda

Era retaliação.

Pensava Roger Valentine, o chefe da Delegacia de Polícia de Liverpool. Ele foi o primeiro a criticar com veemência a atitude da impressa de expor as gêmeas Copperpot. Culpa dos jornais e programas sensacionalistas que as apresentavam como sobreviventes do assassino serial, quando não estava comprovado se seus agressores tinham realmente alguma ligação com o tal assassino. Se tinham ou não, a verdade é que o assassino se irritou, pois os corpos das garotas estavam ali para provar.

Quando a polícia foi até a casa das garotas, para dar a triste notícia a seus pais, encontrou um cenário mais terrível ainda. Parecia que alguém soltara um furacão dentro da casa e trancara a porta com ele lá dentro. Havia sangue por toda parte. Restos de ossos e carne, que pareciam ter sido estraçalhados por uma corja de lobos famintos, foram reconhecidos, graças ao exame de DNA, como sendo o que sobrou do senhor e da senhora Copperpot.

Não era um assassino comum. Não era um psicopata comum. Era um monstro. Sem uma gota de racionalidade humana. E terrivelmente vingativo.

Roger exigiu que nenhuma informação sobre o ocorrido na residência dos Copperpot fosse levada a público. Ele não queria que a população ficasse mais alarmada do que já estava.

Os vizinhos foram interrogados. Ninguém viu nada. As gravações das câmeras de segurança da delegacia foram assistidas. Nada foi filmado. Pela primeira vez, em todos esses anos resolvendo todo tipo de crime, Roger se perguntava com o quê eles estavam lidando.

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Quando os primeiros raios de sol tocaram a janela do quarto de Ciel, ele já estava acordado. O jovem ficou alguns minutos ali. Apenas deitado, olhando para o teto. Como seria maravilhoso se ele pudesse passar o resto do dia deitado pensando no nada. Mas não podia. Tinha que ir para a Academia Nottinghan. Pelo menos era sexta-feira.

Desceu para tomar café. Encontrou Angie brigando com a mãe por se esforçar demais. Mesmo com aquele enorme barrigão de grávida, a mãe teimava em tentar fazer tudo dentro de casa.

– Mãe, vai se sentar. Deixa que eu faço isso. – tentava guiar a mãe até a mesa.

– Eu só estou grávida, não estou inválida. Posso muito bem tomar conta da minha casa. Quem você acha que fazia as coisas quando eu estava grávida de você? – a senhora Valentine desviava-se da filha e voltava para a cozinha. – Vocês sempre guardam tudo no lugar errado. Onde estão as facas dessa casa? Se não for eu, isso aqui fica de pernas para o ar. Angie, onde você deixou o isqueiro?

Ciel estava sentado sem ouvir uma palavra da discursão das duas. Uma mão tocou-lhe a testa, trazendo-o de volta a realidade.

– Está doente, filho? Você está mais quieto que o de costume. – perguntou a mãe.

– Só estou cansado. Semana puxada na escola. – Angie o observava atentamente.

– Tudo bem. Eu queria te pedir um favor, poderia afinar alguns instrumentos pra mim? Hoje ou amanhã. Não posso ensinar as crianças desse jeito. Os instrumentos de corda são os mais necessitados.

– Tudo bem. – falou sem emoção.

Hortence Valentine herdara dos pais a paixão pela música e uma pequena escola chamada Little Mozart, onde crianças e jovens aprendem a cantar e a tocar. Como era desde pequena uma exímia violoncelista, fora chamada para tocar na Filarmônica Real de Liverpool aos dezessete anos. Porém, aos dezoito se apaixonou por um jovem estudante de Direito de 23 anos.

Casaram-se.

Angélica nasceu quando Hortence tinha dezenove anos. Para cuidar melhor da filha, a jovem senhora Valentine abandonou a Filarmônica e passou a dedicar-se à Little Mozart. O início foi difícil, pois o casal era jovem e inexperiente. Mas as coisas prosperaram.

Roger começou a trabalhar na polícia e tão eficiente era que subia de cargo rapidamente. Aos trinta e um anos assumira o posto de Chefe de Polícia de Liverpool. Quando a pequena Angélica tinha oito anos, Ciel nasceu. As duas crianças praticamente cresceram na Little Mozart. Hortence ensinara desde cedo os filhos a tocar e a cantar. Infelizmente os dois pequenos não carregavam a mesma paixão que a mãe sentia pela música. Angie tinha, e ainda tem uma voz maravilhosa, no entanto escolhera a carreira de médica. Ciel odiava as aulas de canto, tanto que conseguira fazer a mãe desistir de ensinar-lhe quando tinha apenas nove anos. O garoto até aprendera a tocar alguns instrumentos, era realmente bom nos de cordas, mas ele parecia não se interessar nem um pouco em se aprimorar. O que a mãe achou uma pena, pois o garoto tinha um talento natural.

Embora os filhos tenham abandonado a Little Mozart, Hortence ainda amava lecionar na escola. E amava sua família. Alguma vez ela se arrependeu de ter abandonado uma possível brilhante carreira? Não, nunca. Pois sempre teve aquilo que ela mais amava a seu lado: sua família e a música. E agora, aos quarenta e três anos, estava grávida novamente. O que Ciel achou um absurdo, mas Angie adorou. Quem sabe não seria este terceiro um amante da música.

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Ciel seguia o caminho para a escola tentando pensar em qualquer coisa, tentava até prestar atenção no falatório matinal da Liza, mas sua mente teimava em lembrar-lhe de alguém. Liza contava como Amanda era divertida e elegante, que as duas foram ao shopping, que Amanda a convidara para ir a um salão de beleza... Será que Liza não percebia que o nome que Ciel menos queria ouvir era o da Amanda? Não, ela não percebia. Como poderia saber? Estava sendo novamente injusto com a garota.

– Ciel...

Passaram-se três dias, e o adolescente não tivera nem um sinal de Sebastian. Sem mensagens sem ligações. Se bem que... Ciel o ignorara, talvez ele tenha ficado chateado.

– Ciel...

Talvez ele só esteja trabalhando esses dias, ou então está com a Amanda. Mas, e se tiver acontecido alguma coisa séria? E se Sebastian quisesse dizer algo importante? Se ele realmente gostasse de Sebastian, seria correto tentar afastar-se? E se Sebastian o odiasse? Isso não importava realmente. Importava? Talvez Ciel estivesse apenas confuso, perturbado. É realmente possível desenvolver esse tipo de sentimento em tão pouco tempo? Mesmo que ele gostasse de Sebastian dessa forma, ele não poderia magoar a Liza. Mas se Sebastian soubesse, como ele reagiria? Teria o garoto coragem de confessar?

–CIEL!!!!

– O quê?! – finalmente o garoto percebera que Liza o chamava.

– Ciel, não se desligue quando eu estiver falando com você. – o garoto murmurou um pedido de desculpa. – Sabe Ciel, – a garota começou num tom melancólico – desde que nós começamos a namorar no primeiro ano, eu venho tentando respeitar o seu jeito de ser e tenho tentado puxar conversa, mas você nunca me fala sobre você, não me diz do que você gosta. Há momentos em que penso que te irrito e que sou um estorvo. Não quero significar isso pra você.

– Não penso em você como estorvo, Liza. Eu gosto de você. – sentiu-se culpado, pois sabia que a garota interpretaria “gostar” de outra forma, diferente do que ele sentia. Embora quisesse muito gostar de Liza da mesma maneira que ela gostava dele, não conseguia... Nunca conseguiu. Sentiu que mentia, não para Liza, mas para si mesmo. Liza continuou a falar, Ciel olhava para um corvo pousado num poste.

– Então permita que eu me aproxime de você. Permita que eu te conheça, e tenho certeza que podemos voltar a ser tão íntimos como éramos quando crianças. Você pode voltar a ser como era se quiser.

– Não quero falar sobre isso agora. – disse sério. Não queria tocar naquele assunto incômodo.

– Mas quando falaremos? Falar ajuda e ...

Ciel não escutava mais a garota, sua atenção fora novamente desviada. Estavam longe, mas podia ver bem Dimas saindo de um carro preto, reconheceria aquele jaguar a quilômetros de distância. Era o carro do Sebastian. Ciel não podia ver o moreno graças à película escura dos vidros, mas parecia que Sebastian dizia alguma coisa a Dimas, pois este se demorou um pouco parado a porta, confirmando algo com a cabeça.

– ...Seria divertido, e você estaria entre amigos. O que você acha? Concorda?

– Claro, Liza. Faça como quiser. – confirmou sem fazer a mínima ideia do que a namorada havia proposto. Só queria encontrar Dimas.

Quando se encontraram nos corredores da escola, Ciel perguntou ao colega de onde ele conhecia o Sebastian.

– Sebastian? Que Sebastian? Não conheço ninguém com esse nome. – respondeu sem lhe olhar nos olhos e afastou-se com a desculpa de que tinha uma reunião com o time de Rugbi. Dimas podia ser forte e bater em garotos maiores que ele, mas seu lado covarde sempre o denunciava quando se sentia encurralado. Ciel sabia que ele estava mentindo, só não sabia por quê.

Sentiu raiva de Dimas. E raiva de Sebastian. Odiava Sebastian. Odiava-o por deixa-lo tão confuso. Por se intrometer em sua vida, arrastando-o para uma realidade terrível até então desconhecida. Por enfeitiça-lo e provocar nele sentimentos nunca sentidos, sensações pecaminosas, sonhos luxuriosos. Odiava-o por fazê-lo querer estar com ele.

Ciel nunca fora um garoto do tipo pervertido. Nunca ficou vendo coisas impróprias na internet ou tentando espiar a calcinha das colegas de turma, como muitos faziam. Nunca fizera esse tipo de coisa e, com certeza, fazer ou deixar de fazer essas bobagens não tornava ninguém mais homem ou menos homem. Nunca fizera nada tão sujo como se masturbar, pelo menos até agora. Mas foi uma única vez e ele estava inconsciente e jurara a si mesmo que isso não iria se repetir. O que o garoto não entendia era a razão desses sonhos. Sempre tivera sonhos estranhos, sombrios, assustadores e aterrorizantes, sonhos frios e escuros, mas nunca lascivos. Mas desde que conhecera Sebastian, sonhava constantemente com ele. Era frustrante fugir dele durante o dia, quando ele o encontrava nos sonhos.

Ciel estava num empasse. Temia encontrar o moreno, mas desejava muito vê-lo.

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Estavam na aula de Biologia, esta dada pelo professor Thompson, um homem robusto, enorme e de aparência amedrontadora, de nariz redondo e cabelos loiros quase ruivos e ralos. Qualquer um que o visse julgaria estar na presença de um homem terrível, pelo menos até ele abrir a boca. Os alunos sempre caíam na gargalhada a primeira vez que ouviam sua voz, o primeiro dia de aula era sempre uma algazarra sem fim, o professor até se acostumara. Se os risos persistissem era só ameaçar descontar pontos. Sua voz era extremamente fina. Tão fina que parecia estar sendo dublado por uma mulher com dor de barriga, tamanha era desproporcionalidade da voz para ele.

Dimas sentara-se com Pauline, e sempre que Ciel olhava para ele, fingia estar lendo o livro. Liza, ao lado de Ciel, desenhava no caderno. O adolescente deu uma bronca nela, nunca prestava atenção, fica sempre desenhando, rabiscando e escrevendo na margem dos livros e depois vinha pedir socorro para não ficar com nota baixa. Se bem que, dessa vez, nem ele estava tão atento assim. Esfregou o olho direito com a parte interna da mão. Correu os olhos pela sala. Viu uma menina parada a porta de entrada. Tinha cabelos curtos e negros e olhos bicolores.

Ciel piscou os olhos devagar, para ter certeza de que não estava dormindo. A menina levou o dedo indicador aos lábios pedindo silêncio, depois o chamou com a mão.

– Com licença Senhor Thompson, posso ir ao banheiro? – disse Ciel levantando a mão. O professor se virou para a classe procurando por quem fizera o pedido, surpreendendo-se ao notar que fora Ciel. O garoto jamais pedira para sair da sala.

– Claro senhor Valentine. Mas não se demore. – falou com sua foz fininha, risinhos abafados explodiram na turma.

Ciel chegou ao corredor, olhou para os lados procurando a garotinha.

– Por aqui. – ela disse numa voz melodiosa. Ciel a seguiu sem fazer perguntas, depois de algum tempo, o adolescente percebeu que estavam indo ao terraço. A menina subiu a escada de acesso e abriu a porta revelando o céu azul fora da escola. Ela caminhou até certo ponto, depois se virou para Ciel. Sua cabeça pequena caiu levemente para o lado enquanto observava o adolescente.

– Você é do bem ou do mal? – Perguntou o garoto, analisando a pequena figura. Olhava fixamente para aqueles olhos tão incomuns. Um azul e um vermelho. Sua expressão era serena. Ela devia ter uns doze ou treze anos. Era baixa, deveria ser mais alta que a cintura de Ciel pouca coisa. Pele muito clara e cabelos extremamente pretos. Bonita, muito bonita.

– Essa é uma pergunta muito difícil de responder, você não acha? – falava de um jeito meigo e fofo. Ciel jamais achara nada fofo, e essa palavra parecia sair somente da boca da Liza, mas foi essa palavra que lhe veio a mente quando olhava para a pequena a sua frente. – Há tantas criaturas boas fazendo coisas ruins, por vontade própria ou não. Há tantas criaturas ruins fazendo coisas boas, por desejos egoístas ou para parecerem bonzinhos. Mesmos as pessoas mais bondosas fazem coisas cruéis às vezes. Escolhem caminhos errados. Fazem as escolhas erradas. Destroem a própria vida e a de outros e ainda assim não se arrependem. E a despeito disso, não podemos julgá-las como más, pois também fizeram coisas boas. Ninguém é totalmente bom. Ninguém é totalmente mal. Então... Não posso dizer que sou boa, nem posso dizer que sou má, pois sou os dois. – ela ergueu os olhos para o adolescente o fitando de maneira mais intensa.

– Nesse caso, acho que a pergunta mais apropriada seria: o que você quer de mim?

– Estou aqui para te ajudar a ajudar outros.

– Por quê?

– Porque também preciso de ajuda. E você é o único que pode me ajudar, mas não está pronto pra isso ainda. – ela se aproximou mais de Ciel, o garoto teve que abaixar a cabeça para olha-la – Em breve você receberá um convite. Deverá aceita-lo, por mais absurdo e perigoso que pareça. Você não tem outra escolha. Eu o ajudarei no que for possível. Estou sempre de olho em você.

A menina se afastou do jovem e ergueu o braço para o corvo, que chegou voando, pousar em sua mão. Ela acariciava a cabeça do pássaro com os dedos, cantarolando London Bridge Is Falling Down, balançando o corpo para um lado e para o outro, seu vestido preto acompanhando o movimento. Os arcos dourados em seus pulsos e em seu pescoço reluzindo ao sol. Pelo visto não diria mais nada.

– Posso ao menos saber o seu nome? – ela cantarolou mais um pouco, brincando com o corvo.

– Evelyn... Mas pode me chamar de Evie. – ela esboçou um enorme sorriso. Depois voltou ao semblante sério de sempre. – Ciel, tenha cuidado. A pessoa que todos procuram está mais perto do que imagina. Fingir é sua maior habilidade. Fique atento.

– O q... – O corvo voou na direção de Ciel, este se assustou. A menina já havia desaparecido e o corvo já cortava o céu, distante. Era melhor voltar para sala.

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Ciel jurava a si mesmo que realmente passaria a ouvir tudo o que Liza dizia, pois nunca mais se meteria em situações assim novamente.

Por sua distração, acabara concordando em sair num encontro em grupo. Liza escolheu o lugar do passeio e os convidados. Deveria ter deduzido que a garota obviamente convidaria sua nova amiga. Ela chamara Amanda e consequentemente Sebastian. Elizabeth concluiu que Sebastian e Amanda tinham um relacionamento romântico, pois estavam sempre juntos. A garota também comentara como Sebastian a tratava bem e sempre fazia tudo o que a loira pedia, como os dois juntos eram fofos, como Sebastian sempre dava atenção a mulher e etc. Aquelas informações incomodavam Ciel, pois eram verdadeiras.

Do tempo em que esteve com Sebastian, Ciel pôde notar que o moreno tinha diferentes maneiras de tratar as pessoas. Era sempre educado com todos, isso era fato. Mas era aquela cordialidade fria e impecável de um lorde inglês, seu sorriso era sempre contagiante, mas indiferente. As mulheres eram tratadas com cortesia e um certo ar galante. Os homens eram tratados de forma neutra, muitas vezes Sebastian dava a impressão que só se dirigia a eles porque as convenções sociais obrigavam. E era por essas atitudes do mais velho que Ciel sentia-se apreensivo, Sebastian o trataria diferente caso... ? Não queria pensar. A verdade é que Ciel e Amanda eram as únicas exceções. As únicas pessoas que Sebastian tratava de maneira especial.

Sebastian lhe dava atenção. Ele parecia gostar da companhia de Ciel. Provocava o garoto, o irritava e ao mesmo tempo tentava agradá-lo. Não se irritava com o jeito indiferente do jovem e parecia, pelo menos parecia gostar dele com todos os seus defeitos. O adolescente temia dizer algo a Sebastian e este o rejeitar. A amizade dele era importante, embora nunca admitisse isso a ele.

Os outros convidados de Liza eram Dimas e Pauline, embora os dois não fossem namorados. O primeiro sempre bajulava Liza e a acompanhava nas infantilidades, a segunda era sua melhor amiga desde pequena. Os três sempre andavam juntos, geralmente era deles que Ciel fugia na escola. Angie e seu novo namorado Carter, que Ciel tinha certeza que duraria no máximo dois dias, se o cara tivesse sorte. Não que a irmã fosse uma namoradeira incorrigível, tá, talvez um pouco, mas ela só arranjava namorado para provocar ciúmes num certo vizinho.

Os oito foram a um parque de diversões. Liza devia achar que o namorado precisava se divertir. O garoto só esperava pelo momento em que Dimas e Sebastian se encontrassem. Liza apresentou todo mundo. Sebastian cumprimentou o garoto de cabelos castanhos claros como se nunca tivesse o visto, mas Dimas parecia desconfortável, provavelmente porque temia ser pego na mentira. Dimas sempre foi péssimo mentiroso. Pelo visto insistiram no teatro de fingir não se conhecerem.

Ciel tentava ao máximo parecer contente. Concordando e sendo arrastado por Liza para todos os brinquedos sem oferecer resistência, pelo menos não muita. Não falara uma palavra com Sebastian depois do “Boa noite” inicial, quando todos se encontraram. E o moreno ficou todo o tempo com Amanda, não tentou falar com o jovem.

Angie achou a atitude do irmão muito estranha. Teria se desentendido com o Michaelis?

Por fim, Liza e Amanda insistiram em ir à roda-gigante. Mas Angie e Carter queriam ir à montanha-russa novamente. Dimas e Pauline foram com eles, para fugir de Ciel e Sebastian obviamente.

Entraram os quatro numa cabine da roda-gigante.

– Esperem um instante. – Amanda saiu balançando os fios platinados. Fora pedir ao responsável pelo brinquedo para parar a cabine deles no topo.

– Está sendo divertido, não é Ciel? – Liza falou animada, nunca passara tanto tempo com o namorado. O garoto forçou o melhor sorriso que conseguiu, afinal, Sebastian olhava para eles. O garoto ficou olhando pelo vidro da cabine. – Cadê a Amanda? – a jovem foi tentar chamar a amiga, quando sua pulseira prendeu no trinco da porta, partindo-se e espalhando pingentes por toda a plataforma. – Minha pulseira!

Liza saiu da cabine, juntando os diversos pingentes, antes que as pessoas pisassem sobre eles, Amanda ajudava a garota a apanha-los. Sem perceberem o brinquedo a suas costas já começava a girar.

– Elizabeth! – Ciel chamou ao notar que a porta do brinquedo fora fechada e a roda-gigante já girava, e Liza tinha ficado do lado de fora.

– Essa não! Eu queria ir... – a loira disse choramingando, vendo a cabine se elevar.

Estava sozinho com Sebastian.

Os dois ficaram em silêncio até a cabine parar ao chegar ao topo. Aquela sensação desconfortável ia crescendo.

– Está zangado comigo Ciel? – o moreno perguntou.

– Por que estaria? Você não fez nada. – o mais novo respondeu com a mesma cara fechada, olhando a cidade pela janela.

– Tive a impressão que você estava me evitando.

– Não estava te evitando... – mentira – Só estava ocupado. Tenho coisas importantes a fazer. Não posso ficar o tempo todo por aí, ao contrário de você, eu não sou rico. Tenho que trabalhar pelo meu futuro.

– Certo. Porque estar comigo é perda de tempo.

– Não foi o que eu disse. Pensei que não fizesse diferença. Você também não falou comigo, parece que está se divertindo muito com a Amanda hoje. – controlava-se para não passar desprezo em seu tom de voz.

– Estava apenas deixando que você se divertisse com a sua namorada. – Ciel olhou para ele. – A senhorita Elizabeth se esforçou muito para agrada-lo. Você não gosta de cinemas, festas, piscinas, parques... Há algo que você goste?

– Não são os lugares que me incomodam, são as pessoas. Todo mundo acha que eu ficarei mais feliz se sair e me divertir com muitos amigos, que isso vai ajudar em alguma coisa, mas não vai. Eu não gosto de estar com muitas pessoas, mas parece que ninguém percebe isso.

– Eu percebo. Por isso te convidei à minha casa, onde ficamos a sós. – o moreno o olhava muito sério.

Ciel corou.

– Já conhecia o Dimas? – tentava mudar de assunto. Ficou esperando a mentira vir. Sebastian o fitava.

– Sim.

– Por que fingiu não conhecê-lo?

– Porque era o mais apropriado. E não direi mais nada a menos que mude de assunto. – Ciel amarrou a cara.

– Eu não gosto que mintam pra mim Sebastian. Geralmente eu não daria a mínima pro que você faz ou deixa de fazer, mas eu tenho a estranha sensação de que há um complô contra mim.

– Isso foi inesperado. Está sendo muito radical. E se o segredo não diz respeito a você? Todo mundo tem segredos que não pode revelar, nem para o melhor amigo. Ninguém conta tudo o que faz, por exemplo, o que você faz a noite? – Ciel retraiu-se no acento, ficando vermelho. Sebastian arqueou as sobrancelhas, surpreso com a atitude do mais novo. – Vá me visitar amanhã. Será domingo e não terei nada para fazer. Seria bom conversar. Se você não tiver nada mais importante para fazer, claro. – finalizou com um leve tom irônico.

O brinquedo voltara a girar, a cabine ia descendo lentamente. Ciel parecia ponderar a proposta.

– Eu vou. Se tiver tempo. – disse baixinho. Sebastian sorriu.

– É realmente uma visão apaixonante.

– O quê?! – Ciel levantou a cabeça, encontrando os olhos rubros. Ciel corou imediatamente.

– Liverpool... – Sebastian apontou com a cabeça a paisagem noturna da cidade pela janela da cabine. – É realmente uma cidade fascinante, não é?

– Sim, fascinante. – mas não era para cidade que o adolescente olhava.

Quando saíram da cabine, encontraram as duas loiras e os outros a espera.

– O que houve? Vocês dois foram sozinhos na roda-gigante? – Angie perguntava incrédula, fazia parecer mais constrangedor do que foi.

– Eu não entrei na cabine a tempo. – Liza informou.

– Não quero voltar lá, é o brinquedo mais entediante que existe. – Ciel falou de cenho fechado.

– Vamos comer alguma coisa. – Amanda juntava-se a Sebastian novamente.

– Vamos ao PlayGame Center? É legal. – disse Carter, o namorado temporário da Angie.

O PlayGame Center era um local muito visitado pelos jovens de Liverpool. Além de ficar estrategicamente situado próximo ao parque de diversões era uma lanchonete Fast Food que oferecia espaço para dança, para bandas independentes tocarem, diversos jogos e videogames.

Os sete sentaram-se em uma mesa, Dimas dissera que tinha que voltar cedo para casa. Comiam, bebiam, sorriam e conversavam. Até que o tal de Carter era engraçado, ele ficava contando piadas e todos caiam na gargalhada. Apenas uma pessoa permanecia em silêncio.

Ciel observava Sebastian novamente. Era deveras humilhante ter que admitir, mas gostava de olhar para ele. O jovem não sabia o quê, mas algo naquele maldito homem o atraia, o fascinava, o aprisionava. Talvez fossem o brilho misterioso e sarcástico dos olhos castanhos, talvez suas palavras gentis e provocantes, talvez sua forte presença. Queria muito vê-lo novamente, apenas ele. Provavelmente iria mesmo à casa do moreno.

O jovem desviou os olhos do mais velho e deparou-se com os olhos azuis claros da irmã. Angie olhava fixamente para ele. Tinha uma expressão estranha. A mesma expressão que fizera quando descobriu que Ciel, então com 11 anos, quebrara o vaso chinês da mãe e colara os pedaços para disfarçar. Angélica sorriu para o irmão e voltou a comer suas batatas fritas.

– Olha só, se não é o senhor Valentine! – Ciel escutara a voz de Ivan Mason atrás de si. Era só o que faltava pra deixar a noite perfeita. – E ele está com amigos! Pensei que não tivesse amigos Valentine. Estão comemorando alguma coisa? Não vai me dizer que o incompetente do seu pai desvendou o caso. – Mason fazia uma expressão cômica de surpresa, seus amigos sorriam tolamente.

– O que foi que você disse garoto? – Angie perguntou muito séria.

– Quieta Angie! – Ciel falou autoritário e calmo. Mason continuou com as provocações, todos olhavam para Ciel.

Carter conhecia o tal Mason. Era um riquinho insuportável que se achava o bonzão. Sempre dava as caras no PlayGame Center, mas era só ignorá-lo. Se adivinhasse que o playboyzinho conhecia o irmão da Angélica, não teria sugerido o lugar. Queria impressionar a garota e esse idiota aparece pra perturbar o irmão dela.

Mason continuava jogando piadinhas, Ciel tentava se controlar, mas já estava perdendo a paciência.

– Oi gata, gosta de homens mais jovens? Eu não curto mulheres mais velhas, mas pra você eu posso fazer uma exceção. – o arrogante garoto cantou Amanda ao notar sua beleza, mas rapidamente se afastou ao ver os olhos do homem moreno ao lado dela se estreitarem perigosamente.

Ciel achou aquilo uma falta de respeito sem tamanho.

– Qual é o seu problema Mason? Não tem respeito pelas pessoas? – levantara-se da cadeira, o jovem falava de forma severa e moderada. – Acha que é melhor que todo mundo, mas não é.

– Melhor que você com certeza. Posso derrubar você a hora que eu quiser.

– Isso é um desafio? – Ciel falava com uma perigosa cautela.

– Se tiver coragem... Te derroto facinho. – Ciel não sabia o que irritava mais, as provocações ou a estupidez no falar do garoto.

– Se brigarem aqui terei que expulsar os dois. – Informou um dos garçons. Sebastian reclinou-se na cadeira, cruzando os braços, queria ver no que resultaria.

– Ninguém vai brigar. Só haverá uma competição entre mim e meu amigo Ciel. Não é Ci-el? – Mason sorria maliciosamente. – uma disputa saudável. Sem riscos. Que tal, videogame?

Mason sabia que Ciel não jogava, provavelmente nunca pegara num joystick. E já tinha até o jogo em mente, ninguém nunca ganhara dele.

– Que seja. Escolhe um. – Ciel não demonstrava medo. As pessoas ao redor observava o tumulto.

– Guitar Hero. – Mason falou confiante. Angie soltou um riso sarcástico.

– Quem ganha?

– Quem tocar melhor a guitarra. Se eu ganhar quero um beijo da Elizabeth. – Liza fez uma careta e olhou para Ciel.

– Se perder você paga nossa conta. Não será algo tão difícil já que você é rico.

– Fechado. Fica de olho, loirinha, volto pra pegar seu beijo. – o garoto pegou o instrumento de plástico conectado ao jogo, pediu a música número 33, um rock, e começou a tocar. A música soava alta e todos acompanhavam a boa desenvoltura do adolescente. Ciel parecia não se abalar, olhava apenas a lista de músicas disponíveis.

– Pensei que Ciel não soubesse jogar. – Sebastian disse a Angie.

– E não sabe. – o moreno olhou para a ruiva. – Mas você nunca viu o Ciel tocar.

– Ele toca? – agora estava surpreso. Percebeu que Elizabeth também não parecia preocupada.

– Ciel nunca perde, gato. Só toma cuidado pra não perder o espetáculo. Esse filhinho de papai já era. – um sorriso travesso surgia no canto dos lábios de Angélica.

Mason acabara. Exibia-se o máximo que podia. As pessoas o aplaudiam, conseguira uma pontuação muito boa.

– Faz melhor Valentine.

Ciel caminhou até uns garotos que tocavam aquela noite.

– Pode me emprestar a sua guitarra? – O outro jovem, surpreso, entregou o instrumento. Mason não entendeu nada. Ciel caminhou até o homem que colocava as músicas. – Eu quero a 83.

– Tem certeza, garoto?! – o homem espantou-se. Ciel confirmou. – Muito bem, então. 83: Bad To The Bone. – o homem anunciou.

Ciel passou a alça da guitarra sobre a cabeça, preparou a palheta e iniciou o solo de guitarra inconfundível. Da mesa, Sebastian arregalou os olhos, em seguida sorriu muito satisfeito. Ciel tocava muito concentrado, os lábios estavam comprimidos e a testa franzida. Batia a palheta nas cordas com ferocidade, descontava toda a raiva, a confusão e a frustação recente naquele solo rasgante. Fazendo a guitarra quase gritar, em alguns momentos sacudindo o braço do instrumento para prolongar o som. A música de letra provocante e cômica soava atrás de Ciel, na tela do jogo, os solos do jovem se destacando, fazendo o acompanhamento. Tocava com ímpeto e fúria, movendo a mão rapidamente, produzindo um som que chegava a ferir os ouvidos, gotículas de suor formavam-se em sua testa. Quando terminou, a aceitação foi geral. Nem Mason acreditava, estava literalmente de queixo caído.

Ciel caminhou até o seu inimigo declarado e falou:

– Você acha que me conhece, mas está enganado. Não sou nenhum desses nerds bobinhos que você costuma importunar. Eu sou paciente, mas tudo tem limite. – Falava de um jeito ameaçador — Da próxima vez, vai mostrar respeito pelas pessoas que estiverem comigo. E é bom pensar duas vezes antes de me provocar, porque eu posso ser muitas coisas, mas bonzinho, não é uma delas.

Ciel deu as costas para um Mason boquiaberto, jogou a guitarra de volta para o dono e voltou para sua mesa.

– Vamos. Já me cansei de passeios. – Liza muito feliz pulou sobre o pescoço do rapaz, depositando um beijo na sua bochecha.

– Cieeeel, você foi demais!!!

– Esse é meu maninho. – Angélica bagunçava lhe os cabelos.

– Ainda não conhecia esse seu lado, Ciel. – Sebastian aproximou-se.

– É porque eu não fico me exibindo. – Falou ainda emburrado.

– Pois devia. – Ciel sentiu suas bochechas queimarem pelo elogio do outro.

– Onde aprendeu a tocar assim? – Amanda perguntou, seus olhos âmbar brilhavam de admiração.

– A mãe do Ciel é musicista e professora de música. Ela ensinou Ciel e Angie a tocar. – Liza explicava.

– Só que eu sou péssima, o Ciel é brilhante. Ele sabe tocar piano também. É ele quem afina os instrumentos da mamãe.

– Oh, mesmo? – disse Sebastian. – tenho um piano em minha casa que precisa ser afinado, se você pudesse dar uma olhada, Ciel... Eu pagaria pelo serviço. – Ciel o olhava desconfiado.

– Mas é claro! Ele vai sim. – Angie confirmou por ele. – Seu piano tocará como nunca. Você vai, né Ciel? – Ciel olhou para Sebastian.

–Claro.

Por fim, os sete foram embora.

– Aqui está. Um garçom entregou uma folha para Ivan Mason.

– O que é isso? – perguntou confuso.

– Sua conta, senhor. – respondeu o garçom satisfeito, finalmente alguém colocara o insuportável jovem no lugar.

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Domingo.

Sebastian desfrutava da silenciosa tarde de domingo, quando ouviu a campainha.

– Já estava achando que você não viria. – Sebastian recebeu o mais jovem com um sorriso.

– Estava ocupado. – na realidade, passara o dia se torturando, tentando decidir se devia ir ou não. Temia estar na presença do moreno e agora que estava, sentia-se confortável e ao mesmo tempo tenso. Isso era possível? – posso ver o piano? Tenho que voltar cedo. Ciel foi até uma sala ao lado da biblioteca, praticamente fazia, não fosse o único e imponente objeto em seu centro: o piano.

Era um belíssimo piano de cauda, negro como a noite. Um legítimo Bösendorfer. O piano era antigo, oitenta e cinco teclas, oito oitavas. As teclas pretas eram revestidas de ébano e as brancas de puro marfim. Ciel jamais viu um piano em que as teclas não fossem de plástico ou outro material. O jovem sentou-se no banco em frente ao piano. Muito antigo e muito conservado. Posicionou as mãos sobre o teclado, sentindo a superfície lisa e fria do marfim. Ciel tocou tecla por tecla do piano.

Pousando o dedo médio sobre as teclas das notas naturais, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, em seguida pressionava as teclas dos acidentes na ordem dos sustenidos e as correspondentes na ordem dos bemóis. Uma por uma, pausadamente. Ouvindo com atenção o som de cada nota, a vibração nas cordas provocada pelo toque do martelo. Os olhos de Ciel permaneciam fechados, para aguçar a audição. Os olhos de Sebastian sobre a feição tranquila do jovem.

– Como disse, não sou especialista, mas não me parece haver nada de errado com o seu piano. Mas posso estar enganado, você poderia chamar o Carl, o pianista da Little Mozart, ele saberia dizer com certeza se está desafinado ou não.

– Não será necessário. Confio no seu julgamento. – Sebastian disse sorrindo docemente. – Talvez eu tenha tocado errado, na realidade sou péssimo. Bom, já que estamos aqui e você mais especificamente está aí, porque não toca alguma coisa pra mim?

– O quê?! Não, não sou tão bom em piano, além disso, não toco há muito tempo...

– Não há ninguém aqui para zombar de você, e sei que eu não farei isso. Vai recusar um pedido tão simples para um amigo? Uma música apenas. – Ciel olhou para ele, é impossível dizer não, se aqueles olhos estão sobre você.

– Mas depois não venha reclamar se ficar com dor de cabeça. – respondeu o jovem emburrado, voltando-se novamente para o teclado, pensando o que tocaria. Sebastian exibia o seu mais cínico sorriso de vitorioso.

O adolescente começou a tocar uma música chamada Bird, que ouvira Angie escutar certar vez. A melodia era romântica e muito bonita. Tocava como se pudesse enxergar no ar a partitura da canção. Por alguns instantes Sebastian permaneceu observando-o a distancia, depois se aproximou do jovem e sentou-se ao lado dele no banco. Muito próximo. Ciel errou duas notas, espantado com a atitude do outro. Continuou tocando. Tentava se concentrar nas notas, pois estava incomodado com o moreno o observando tão de perto.

De repente, Sebastian levantou a mão direita e tocou o dorso da mão direta de Ciel com o dedo médio, logo em seguida pousando o indicador e o anelar, deslizando-os sobre a mão do jovem que paralisou. O moreno deslizou os dedos entre os dedos do jovem, aprisionando a pequena mão na sua. Ciel hesitou, depois virou o rosto para Sebastian, este o olhava de forma intensa. Com a mão esquerda, o moreno afastou os cabelos pretos azulados que caíam sobre os olhos azuis do adolescente, acariciando lhe a face com o dorso da mão, desenhando o contorno do seu belo rosto até o queixo, sentindo a maciez do lábio inferior com o polegar.

– O que está fazendo? – o jovem falou num sussurro quase inaudível. Seu coração acelerava.

– Estou gravando o seu rosto, pra que eu possa me lembrar de cada detalhe seu quando não estiver comigo. – respondeu numa voz rouca e meiga.

Os dois se entreolhavam fixamente.

Sebastian abriu a mão sobre a face do jovem, segurando-lhe o rosto. Inclinou-se para ele, se aproximando cada vez mais. Parou a centímetros dos lábios do garoto e olhou profundamente nos olhos azuis. Ciel esquecera até de como respirar, se perguntava por que o outro parou. Parecia que Sebastian esperava por esta reação, pois deu um leve sorriso de canto ao notar o olhar inquisidor do mais jovem. Decidiu não protelar mais. Porém, Ciel inclinara-se primeiro. Pousando os lábios sobre os lábios do mais velho, que correspondeu.

Ciel sentiu Sebastian pressionar-lhe os lábios ternamente, depois aprisionar seu lábio inferior entre sua boca, sugando-o de maneira gentil. Os lábios dele eram macios e cálidos. Sugava-lhe os lábios como se o garoto fosse o doce mais saboroso e mais delicado do mundo. Quando sentiu a língua de Sebastian encostar-se a sua boca, buscando passagem, Ciel recuou.

– Não era o que você queria? – perguntou o mais velho não entendendo por que o jovem recuara se deixara claro que desejava isso.

– Não é isso... Eu nunca... – começou meio sem jeito levantando-se do banco. Sebastian entendeu. Ciel nunca beijara de língua. Saber que ele era o primeiro a tocar aqueles juvenis lábios vermelhos lhe causou um enorme contentamento. Um prazer egoísta que o mais jovem não fazia ideia.

– Não se preocupe. – levantou-se, segurando o jovem, prendendo-lhe entre seu corpo e o piano, de modo que ele não conseguisse escapar. – Primeiro sinta, depois tente acompanhar. Vamos tentar novamente?

Ciel nem teve tempo de responder, Sebastian já lhe sugava os lábios novamente. O moreno segurou o jovem pela cintura, o levantou e o sentou sobre o teclado do piano, produzindo uma confusão de notas desconexas. Sebastian afastou os joelhos do garoto para que seus corpos pudessem ficar mais próximos. Ciel mantinha as duas mãos fechadas segurando a camisa do outro, mantendo com os braços uma certa distância entre os dois. Sentiu a língua de Sebastian novamente, dessa vez, o jovem entreabriu a boca, permitindo que o homem invadisse sua cavidade bucal.

Quando sentiu a língua de Sebastian tocar a sua, Ciel estremeceu, um arrepio percorreu todo o seu corpo. O moreno explorava cada canto de sua boca de forma lenta e delicada. No inicio Ciel se atrapalhou, sentiu-se desconfortável por se embaraçar e não saber o que fazer com a própria língua, ficando envergonhado com a falta de experiência e por interromper o beijo em alguns momentos, ofegante. Mas Sebastian parecia não se importar, continuava a beijá-lo ternamente. O maior tirou as mãos de sua cintura, percorreu suas costas, sua nuca, adentrando os fios lisos de seus cabelos. Essa dança sensual das mãos sobre seu corpo, fez Ciel relaxar mais, logo ele acompanhara o ritmo do beijo e a medida que pegava o jeito, o beijo ia se intensificando, aumentando a velocidade, a urgência. Tornava-se mais apaixonado, lascivo. Não demorou muito e os dois já brigavam por espaço na boca do outro. Suas línguas buscavam tocar cada pedaço daquela cavidade úmida, perdidas numa dança sensual e quente. Beijavam-se com sofreguidão. Hora ou outra Ciel deixava escapar um gemido inaudível que provocava mais ainda o outro. Beijavam-se como se esperassem por esse momento há séculos.

Durante o beijo, nem por um minuto, Ciel se preocupou se beijava um homem ou uma mulher, se era mais velho ou de sua idade, se o conhecia há muito tempo ou há pouco. Sabia apenas que beijava Sebastian e era muito bom. Enlouquecedoramente bom. Poderia ser apenas mais um sonho, mas era real. Ciel podia sentir o perfume provocante do moreno, sua respiração quente, o calor que emanava de seu corpo. Sentiu Sebastian aprofundar mais ainda o beijo, roubando-lhe completamente o ar. Decidiu quebrar a única distância que existia. Soltou a camisa do moreno, deslizou os braços pelos ombros largos do mais alto e enlaçou-lhe o pescoço. Os corpos estavam agora colados.

Entregara-se completamente ao beijo.

Notas finais
Como devem ter percebido...esse Ciel é bem mais ....livre....um garoto bem moderno. e sim, Liza é namorada do Ciel desde o primeiro capitulo, tentei não deixar óbvio, mas acho que ninguém se tocou....tadinha dela Vamos lá o/ Título inspirado em o leão, a feiticeira e o guarda-roupas. Hortence Valentine: desde o início imaginei a mãe do Ciel como uma professora de música, isso explica a habilidade musical do garoto, mas só depois inventei a Little Mozart pra ela. Filarmônica Real de Liverpool: realmente existe. É uma das mais antigas orquestras britânicas e também do mundo, reúnem-se no Liverpool Philharmonic Hall. Evelyn: agora sabem o nome da menina do corvo, escolhi este, por ser o nome de duas das minhas personagens femininas favoritas: Evelyn OConnel ( A Múmia) e Evelyn (V de Vingança). PlayGame Center: não existe, se existir sou paranormal, pois juro que inventei isso. As músicas tocadas por Ciel: Bad To The Bone: cantada por George Thorogood e The Destroyers. Se não souberem qual éessa música ficou mundialmente conhecida como tema do filme O Pestinha. Deem uma conferida na letra. Mason disse que ganharia quem tocasse melhor a guitarra, mas não especificou que tinha que ser a do jogo. XD Bird: de Yuya Matsushita....me inspirou para a última cena. Bosendorfer: piano austríaco. O do Sebastian é bem antigo, é raro pianos com 85 teclas e hoje em dia é proibido fazer teclas de marfim. Bom...muito obrigada a todos que sobreviveram a leitura até aqui...prometo que tentarei escrever menos XD......e olha que eu cortei coisas...tirei uma cena do assassino, uma da Ruby e uma da Evelyn que deverão estar no próximo...prometo tentar fazer melhor. ^^ Mesmo assim, deixem comentários com a opiniões de vcs...eles sempre me inspiram e motivam. Desde já agradeço, Beijos e até o 11. Tai Bluerose =^.^=