Phantomhive
6 Jack e Joan
Notas iniciais
Capitulo 6: Jack e Joan
– A noite hoje foi legal, o pessoal realmente se divertiu – dizia Jim, o vocalista, guardando os fios e os microfones.
– Verdade. E aquele garoto? Cara, até que ele mandou bem! A bagunça começou com aqueles dois, não foi? – Joan guardava sua guitarra vermelha.
– Foi, Rock and Roll cara! – disse Will, o baterista, batendo as baquetas na mesa. – Nem vi quando os dois foram embora.
– Também, com toda aquela confusão. Espero que amanhã seja animado assim – dizia Joan colocando a guitarra sobre as costas. – Tchau, pessoal. Boa noite pra vocês e sonhe com os Beatles.
– Você também gata! Boa noite! Quer carona? – perguntou Jim.
– Não precisa. Tô aqui perto, vou andando.
Joan saiu d’O Submarino Amarelo abrindo o guarda-chuva. Eram 3 horas da madrugada e a chuva ainda caía com força. Caminhava pela rua balançando os cabelos coloridos e cantarolando um refrão. Escutou um barulho atrás de si; se virou, mas não havia ninguém. Devia ser só a chuva. Continuou andando. Ao sentir um cheiro estranho, olhou para o chão. Havia um corpo na calçada e a chuva levava o sangue até os seus pés.
Apavorada, Joan largou a guitarra no chão e procurava o celular na bolsa ao mesmo tempo em que tentava segurar o guarda-chuva. Colocou o telefone no ouvido esperando que atendessem.
– Alô.
– Jim, por favor, rápido... Tem um corpo aqui... – ela tremia, não sabia se de frio ou de medo.
– Joan? Joan, calma. Fica calma, o que houve? Onde você tá?
– Eu tô aqui perto, tem uma pessoa morta aqui, eu...
– Joan? Joan o que está acontecendo? – perguntava Jim ao telefone.
Joan olhou para o chão. Onde estava sua guitarra? Estava caída a seu lado. Mas não estava mais. Joan sentiu seu coração acelerar. Olhou ao redor, mas não via nada além da chuva e das ruas vazias. De repente, as luzes dos postes se apagaram. “Meu Deus!” Joan sussurrou. Queria correr, mas suas pernas não se moviam. Lágrimas começaram a surgir no canto dos olhos. Sentiu que alguém se aproximava. Ao virar-se, a última coisa que viu e sentiu, foi sua própria guitarra acertando-lhe a cabeça.
–Jim...................................
Jim não ouviu mais nada além do barulho da chuva que caía.
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– Cieeeeeeel! – Liza o alcançou na Rua Barnabas. – Onde você estava ontem? Eu te liguei várias vezes e você não atendeu.
– Desculpe, eu sai com o Sebastian e esqueci o celular em casa.
– Saiu com... O dia inteiro?!
– Aham – respondeu distraído, olhando para os dois lados antes de atravessar a rua.
–Ah...... – Liza ficou em silêncio, pensativa. Ela ficou meio triste e Ciel nem percebeu. – Bom, eu ia te convidar pra ir lá em casa. Minha mãe tinha feito aquele bolo que você adora, mas fica pra próxima, né? ....Você acha seguro a escola reabrir tão cedo? Quer dizer, a professora Carson desapareceu lá dentro, o que quer dizer que o assassino conseguiu entrar com facilidade lá. E se ele resolver voltar?
– Ele não vai voltar. Provavelmente não. As quatro primeiras mulheres foram capturadas em diferentes cidades da Inglaterra e seus corpos abandonados em diferentes lugares de Liverpool. Se a senhora Carson foi capturada na escola, provavelmente ele não voltará mais a Nottingham – Ciel falava sério, como se analisasse o caso. – Está mais do que óbvio que se trata de um assassino em série. Psicopatas costumam seguir uma espécie de regra ou hábitos que se repetem em todos os crimes, como as agulhas encontradas nos corpos das vítimas.
Liza teve um calafrio.
– Isso é muito assustador, podemos mudar de assunto? – implorava chorosa já subindo os degraus da entrada da Academia Nottingham.
– Ciel! Hey, Ciel! – um garoto chamado Dimas, de cabelo castanho claro e um pouco encaracolado, os encontrou no corredor. – Vocês viram o noticiário antes vir pra escola? – Ciel e Liza negaram com a cabeça. – Encontraram o corpo da senhora Carson em Albert Dock. Outra mulher desapareceu no mesmo local, uma tal de Joan Redford.
– Pobre senhora Carson... – sussurrou Liza.
– Não faz sentido – Ciel dizia. – Serão duas vítimas de Liverp.... – Ciel sentiu um forte empurrão nas suas cortas, fazendo-o cambalear e atingir os armários na parede.
– Ops! Esbarrei em você Valentine? Eu não tive culpa, você é quem estava obstruindo a passagem – Ivan Mason falava fingindo educação, simulando uma voz empolada. Logo em seguida caindo na gargalhada.
– HAHÁ! – Ciel simulou ironicamente um sorriso. – Muito engraçado Mason. Logo se vê que uma jamanta como você não sabe simplesmente pedir licença pra passar – Ciel rebateu com um sorriso maldoso. Alguns alunos que observavam deixaram escapar risinhos.
– O que foi que você disse Valentine? – disse o mais alto entre dentes, seu rosto ficando vermelho de raiva.
– O que você ouviu – Ciel respondeu em tom desafiante. Dimas sentia a tensão dos pés a cabeça. Liza mantinha os braços junto ao corpo com as mãos juntas, rezando para que os dois garotos não fizessem nada.
– Fala na minha cara então, seu idiota!
– Mas eu falei. Você é retardado ou o quê? – as pessoas ao redor fizeram um “uuhhhhh” espantados com a coragem, ou seria estupidez, de Ciel.
– Oras seu... – Ivan falou levantando Ciel pela gravata do uniforme e posicionando o punho para o soco quando um de seus amigos sussurrou “Deixa pra lá, o carrasco tá no corredor”. O carrasco era o professor de Inglês que se aproximava da confusão. – Merd...
Ivan acabou tendo de soltar Ciel.
– Não abusa da sorte Valentine – Ivan ameaçou, e ao se afastar alfinetou mais um pouco. – Me diz uma coisa Valentine, quantos inocentes ainda vão morrer por culpa do seu pai?
Ciel o olhou ferozmente. Um sorriso maldoso se instalou no rosto de Mason, conseguira acertar na ferida.
– Esquece Ciel – dizia Dimas. – Seu pai não tem nada a ver com isso.
– Vamos logo pra sala, por favor – Liza pedia agarrando o braço esquerdo de Ciel e puxando-o para o corredor.
– Quem vai dar aula de artes pra gente agora? – Dimas perguntou.
– Dimas! – Liza repreendeu.
– Desculpa, foi sem querer – disse abaixando a cabeça. Depois levantou como se lembrasse de algo. – Eu esqueci de contar, arranjei um emprego. Numa floricultura. O dono é legal. O trabalho não é pesado, embora eu não me importasse se fosse. Eles estão precisando de mais um ajudante, se você quiser Ciel posso te indicar – dizia sorrindo.
– Ah, obrigado Dimas, mas jardinagem não é comigo.
– vendem rosas cor-de-rosa lá? – Liza perguntou animada. – Amo rosas! São tão lindas....e os lírio então....
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– Saiu o resultado da perícia senhor. O exame de DNA confirmou, o corpo realmente era de Mary Margareth Carson – Harris, um jovem policial entrava no gabinete do chefe de polícia de Liverpool.
– O que significa que Joan Redford está mais do que em perigo. Isso não faz sentido, Harris. Não tem como ser só um cara. Como é possível alguém raptar mulheres de diferentes lugares da Inglaterra e trazê-las para serem mortas aqui, juto aqui, sem que ninguém veja nada? Sem deixar pistas ou o mínimo rastro que seja? Nada! – dizia o chefe frustrado.
– Não sei Chefe. Acha que Joan Redford já estava na mira do assassino ou será que ela apenas estava no lugar errado na hora errada?
– Quem sabe – tirou os óculos e passou os dedos entre os cabelos. – As vítimas desse cara não seguem um padrão. Elas variam entre 16 e 30 anos. Diferentes em altura, cor do cabelo e da pele. Até agora foram uma estudante, uma enfermeira, uma dona de casa, uma garçonete, uma professora e provavelmente uma guitarrista. A única coisa em comum entre todas é a beleza.
– Talvez seja isso. Tem mais, os departamentos de polícia de toda a Inglaterra continuam recebendo queixas de pessoas desaparecidas, não há como sabermos se umas dessas será uma próxima vítima e se esses surtos de desaparecimento tem alguma relação com o assassino. A Scotland Yard realmente vai mandar um homem para cá?
– Sim. Esse caso está se tornando realmente preocupante. As pessoas estão começando a chamar esse assassino de Novo Jack Estripador. Isso é inadmissível – sua expressão adquiriu um ar sombrio. – Se essa ideia se espalhar, será um grande problema para Polícia Inglesa.
– Não entendi, por que Chefe?
– O caso Jack, o Estripador ficou registrado como o maior fracasso da história da Scotland Yard. Quando a polícia achou que o caso havia acabado, eis que o tal Jack ressurgiu fazendo troça da cara da polícia. Todas as pistas e suspeitos davam em nada. O assassino anunciava e cometia crimes que a polícia não conseguia evitar. Assassinos inescrupulosos se aproveitavam do pandemônio pra cometer crimes. Era o caos. E até os assassinatos sessarem, a Scotland Yard continuou tão desnorteada quanto estava no primeiro crime. Um caso nunca resolvido. Não podemos permitir que algo assim aconteça novamente.
– Mas isso foi em Londres, Chefe.
– Sim, Harris, foi em Londres. Mas não podemos permitir que exista um Jack em Liverpool.
– O que terá sessado os crimes naquela época, senhor?
– Até hoje não se sabe. Mas espero que, dessa vez, a polícia consiga capturar o assassino antes que ele escape.
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No final do dia, Ciel conseguiu escapar de Dimas, que afinal iria para o novo emprego, e de Liza que se distraiu conversando com as amigas sobre o episódio anterior de uma novela. Ciel se perguntava como aquelas meninas conseguiam mudar de um assunto mórbido como o de um serial killer rondando a escola para os acontecimentos de uma novela boba.
Chegava a Rua Barnabas dizendo a si mesmo que seria bom ir logo pra casa dar uma lida nos apontamentos de história. Repetia firmemente essa resolução quando escutou o alerta de mensagem no celular.
Estou te esperando no Darjeeling, tenho algo pra você.
S.M.
“Não posso ir” Ciel dizia a si mesmo. Mas achou que seria falta de educação deixá-lo esperando. Além do mais, ficou curioso sobre o que iria ganhar.
Ao chegar ao Darjeeling Chá, encontrou Sebastian na mesa de sempre. Ele trajava preto novamente. Calça, uma camiseta com desenhos indefinitos estampados em vermelho e um colete cinza escuro por cima.
– Você está me devendo um livro – provocou o adolescente sentando-se.
– Acaso você tem algum problema em me dizer bom dia, boa tarde ou boa noite? Percebi que você sempre se esquiva de alguma forma – dizia sorrindo, Ciel nada respondeu, apenas olhou pela janela. – E você me deve uma partida de xadrez. Mas eu não trouxe o livro realmente.
– Com licença! Bom dia amo Ciel! – Ruby cumprimentou trazendo chá e uma fatia de bolo para Ciel. Serviu chá para os dois e se retirou.
– Tomei a liberdade de pedir para você espero que esteja ao seu agrado.
– Você fala esquisito às vezes. Às vezes não, a maior parte do tempo. Nem meu pai fala tão certinho – Ciel pegava o garfo e retirava um pedaço do bolo. Levou-o a boca e fechou os olhos assim que a maciez da massa tocou sua língua, estava maravilhoso. Ele não disse nada, claro. Mas Sebastian percebeu que ele tinha adorado.
– Meu modo de falar o desagrada?
– Não – por que ele tinha que ser tão dramático? – Eu gosto, mas é... Diferente.
– Gosta é?
– Você não disse que tinha algo pra mim? Eu não tenho o dia todo.
– Nossa, e o bolo não conta? Você devia ser mais agradecido às vezes.
Ciel corou, não pretendia ser mal-educado, mal-agradecido nem nada, só se sentiu constrangido. E quando se sentia assim acabava sendo rude.
– Desculpe, o bolo está ótimo.
– Ei – Sebastian tocou-lhe os cabelos e desceu a mão pelo rosto de Ciel. O garoto paralisou com o toque. Sentiu suas bochechas queimarem. – Não queria constrangê-lo, só estava brincando. Veja, eu trouxe uma cópia das fotos do passeio pra você – disse entregando um envelope pardo ao garoto, que ainda se recuperava do susto.
Ciel pegou o envelope, tirou as fotos e começou a olhá-las. Tinham ficado muito boas, embora ele tenha saído com uma expressão emburrada na maioria delas. Guardou as fotos novamente e ficou olhando para o bolo fixamente.
– Não gostou das fotos?
– Sebastian se... Se eu te fizer uma pergunta, promete ser sincero e não ficar chateado?
Sebastian fez uma expressão espantada depois sorriu.
– Claro, pode perguntar – respondeu o mais velho realmente curioso sobre o conteúdo da pergunta.
– S-sebastian.... – Ciel se mexeu na cadeira obviamente incomodado e constrangido. Mas tinha que perguntar, ou essa dúvida o atormentaria sempre que estivesse com ele. Aparentemente tomara coragem, pois levantou a cabeça, inclinou-se um pouco sobre a mesa e sussurrou para Sebastian:
– V-você é gay?
Sebastian arregalou os olhos, depois sorriu muito divertido.
– Por quê? Ficou interessado em mim? – provocou. Ciel ficou mais vermelho ainda.
– Que absurdo! Estou falando sério idiota! – disse exasperado e olhando para as mesas do lado. Sebastian riu mais ainda.
– Não, Ciel. Não sou.
– É que voc....bem....eu pens... – tentava explicar-se visivelmente envergonhado. – Desculpe Sebastian, acho que te interpretei errado. Não está zangado, está?
– Como eu poderia ficar zangado com você? – disse de um jeito meigo e gentil. Ciel sentiu mais carinho naquelas palavras do que em qualquer coisa que alguém já lhe tenha dito. Ficou mais confuso. Até então, julgara que as atitudes prestativas e atenciosas de Sebastian, sem falar nas provocações estranhas se devessem a... Mas ele disse que não. Pelo menos foi o que ele disse.
– Prometi ser sincero, não foi? Estou sendo. Como estou vendo que você está confuso, acho melhor te explicar algo. Existem duas razões para eu ser gentil com você e querer sua amizade. E quero que compreenda isso. Apesar de qualquer coisa, quero que você esteja sempre comigo. E que estou com você porque quero.
– Que duas razões são essas?
– A prim...
– Sebastian.
Uma mulher muito bonita interrompera os dois. Tinha cabelos loiros platinados, compridos até o bumbum. Alta e muito elegante. Num vestido salmon, e tinha penetrantes olhos âmbar. – Desculpe interromper, mas está na hora.
– Oh, sim. Perdoe-me. Distrai-me – Sebastian levantou-se beijando a mão da mulher. – Este é Ciel.
Ciel espantou-se e apressou-se a levantar pra cumprimentar a mulher.
– Ciel Valentine – disse apertando a mão da mulher. Sebastian o observava.
– Então este é Ciel?! Sebastian me falou de você. – “Ele não me falou nada de você” foi o que o garoto pensou. – Prazer Ciel, Amanda Villefort.
– Um momento Ciel – pediu Sebastian, e se afastou um pouco para falar com Amanda.
Ciel sentiu vontade de afundar a cabeça na mesa. Como pôde ser tão estúpido pra perguntar uma coisa dessas? Veja a bela mulher que veio atrás dele. Ciel nunca viu uma mulher tão bonita. O que Sebastian iria pensar dele? A primeira pessoa que realmente valia a pena conhecer e ele dá uma mancada dessas. Os dois voltaram para a mesa.
– Vou ter que sair Ciel. Pode terminar o bolo, já está pago.
– Não se preocupe Ciel, estou apenas pegando o Sebastian emprestado por uns tempos. – Disse Amanda sorrindo e de braços dados com Sebastian. Pareciam deuses da beleza juntos, e essa ideia, de alguma forma desagradou Ciel.
Antes de sair, Sebastian se virou para Ciel e disse:
– Ciel, você fez a pergunta errada – Sebastian sorriu e saiu com Amanda.
Como assim a pergunta errada? Qual é a pergunta certa então? E que duas razões são essas que Amanda inconvenientemente interrompeu? Eram tantas coisas na cabeça.
“Por quê? Ficou interessado em mim?”
A voz dele lhe veio à mente. Como ele é convencido, pensou. Até parece. Foi ele que começou com as provocações, os elogios sem sentidos e os agrados exagerados. Tudo o que Ciel queria era um livro emprestado. Quer dizer, é o que ele quer. Claro que Sebastian é um cara legal, um bom amigo. Nada mais além disso. Um amigo.
Ciel levantou-se e saiu do Darjeeling Chá. Caminhou para casa meio que perdido. Estava chegando a esquina quando sentiu a visão embaçar. Seu olho começou a arder. Sentiu o ar ficar repentinamente frio. Viu na sua frente uma pequena figura. Uma menina, de pelo menos 12 anos, tinha cabelos negros, lisos e curtos, na altura do pescoço. Usava um vestido preto com detalhes vermelhos. Havia estranhos arcos de ouro em seu pescoço e nos pulsos, com inscrições estranhas. A menina segurava um pequeno corvo na mão direita e mantinha a cabeça baixa. Ao levantá-la e abrir os olhos, Ciel pode ver que ela possuía um olho azul como o céu e outro vermelho como sangue. Ciel levou a mão ao próprio olho direito.
“ Vá para casa.”
A menina sussurrou com voz infantil. O corvo voou em sua direção, Ciel protegeu o rosto com os braços. Mas nada o tocou. O corvo, assim como a menina, sumiu.
– Ci-el! – ouviu alguém chamá-lo. Mas era uma voz grossa, de homem. Não era mais a menina. “Ciel!”, ouviu mais uma vez.
– Quem é? – Ciel gritou, olhava ao redor, mas não via ninguém nas ruas. Começava a ficar irritado. “Ciel!”, virou-se e viu alguém virando uma esquina.
– Eu vi você! – Ciel pensou e pôs-se a correr atrás do estranho.
– Pare! Quem é você e o que quer? – o estranho, um rapaz de talvez uns 20 anos cabelos acinzentados, parou, sorriu e voltou a correr. Ciel continuou seguindo. Afastando-se cada vez mais do caminho de casa. Quando deu por si, estava numa área sem casas ou lojas, praticamente deserta. “Droga!”, pensou e ficou atento. Havia seguido uma trilha até a morte.
– Quer dizer que seu nome é Ciel. Eu sinto um cheiro bom vindo de você Ciel – dizia o rapaz esboçando um sorriso maldoso.
– Você é maluco?
– Eu tinha que fazer um trabalho e voltar, mas acho que se eu parar pra fazer uma boquinha não fará mal nenhum – o rapaz se aproximava e todo o corpo de Ciel dava alerta de perigo. Quando o outro chegava perto, Ciel pôde ver seus olhos adquirindo um tom amarelo brilhante nada comum, quase sobre-humano.
– O que diabos é você? – Ciel perguntou afastando-se cautelosamente.
– Passou perto! – o estranho rapaz saltou sobre Ciel, que rapidamente tirou a mochila e usou-a para acertá-lo. Quando ele se voltou para Ciel, seu rosto não era mais o de antes, ganhara um aspecto mais assustador e seus dentes pareciam presas.
– Você não é humano!
– Surpresa! Vou te dar 5 segundos de vantagem, só pra ficar divertido – ele sorriu mostrando as presas. – Um...
Ciel pôs-se a correr o mais rápido que podia. Tinha que chegar a uma área mais movimentada. Mas logo que virou a esquina, tropeçou em algo e caiu rolando no chão. Quando se levantou, viu que tinha tropeçado em alguém caído no chão. Voltou pra ver quem era. Era um corpo ensanguentado, estava de bruços. Ciel esperou por um momento, depois virou-a. Ele reconheceu o rosto e os cabelos coloridos. Era a moça que estava tocando guitarra n’O Submarino Amarelo. Provavelmente esta era a tal Joan Redford.
– Vejam só o que o meu lanchinho encontrou – sua voz adquiria um tom grotesco. E não havia ninguém por perto a quem Ciel pudesse gritar por ajuda. Devia ter seguido o conselho daquela menina. – Então, humano, você teme a morte?
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