Phantomhive

18 Enquanto Ele Dormia


Notas iniciais
Oi Pessoal ^_^

Nossa, 318 comentários e 10 recomendações!!! Sabem quando eu sonhei com isso? nunca. Quando publiquei a fic, meu sonho era conseguir pelo menos cinquenta ..kkkkk...sério mesmo.
Só tenho a agradecer a todo mundo que lê e que comenta, e que continua acompanhando apesar da minha demora.

Obrigada a Karura, Lady Spoiler, Myla senseii, Pandora Beaumont e Liny Nyan por favoritarem...sejam bem vindas.

ATENÇÂO:

Já devem ter notado que esse capítulo é pequeno comparado aos últimos, como sabem, não tenho muito tempo pra escrever, e isso foi o que consegui fazer nesse feriado. é um capitulo chato, mas necessário, por que o próximo será muito longo, pra esclarecer algumas coisas, várias e acalmar seus corações...kkkkk

Como não faço ideia de quando vou poder escrever novamente e quando vou poder terminar o próximo captulo, resolvi postar logo essa parte.

Espero que gostem. apesar de tudo. e fala sério que vcs não perceberam? O quê? ora, boa leitura.
*-*

Capítulo 18: Enquanto Ele Dormia

ANOS ANTES, LONDRES

– Os pecados do passado deixam marcas profundas. – dizia Ciel em frente ao espelho, deslizando os dedos pela cicatriz em suas costas. Tinha o olhar perdido e o semblante triste. – Espero que sejam profundas o suficiente.

Sebastian se aproximou dele.

– Esta cicatriz não será mais que uma lembrança ruim. Mas isto... – Sebastian virou o corpo de Ciel de frente para o espelho, e apontou para o olho com o selo do contrato – Isto será seu verdadeiro estigma. O elo que nos manterá conectados. – Sebastian deslizou as mãos pelos ombros do homem; Ciel ainda observava a imagem dos dois no espelho. No fim, não conseguira ser tão alto quanto Sebastian, alcançando apenas a altura do ombro do moreno. Olhou para seu próprio cabelo, que Sebastian acabara de cortar. Estava bom assim. – Que blusa gostaria de vestir hoje?

– Escolha uma pra mim. – Ciel falou sentando-se no sofá da sala de vestir.

– Esta azul. Você sempre ficou muito bem de azul.

Sebastian ajudou Ciel a colocar a blusa e o colete. Como de costume, Ciel deixou Sebastian fazer o laço de sua gravata.

– Que vergonha, mestre, vinte e nove anos e ainda não sabe fazer um laço numa gravata. – Sebastian disse sorrindo.

– Humph! Não seja insolente, Sebastian. – Disse Ciel se afastando, ajeitando as abotoaduras e tossindo um pouco.

– É melhor levar seu casaco, fará frio. – Sebastian ficou olhando Ciel enrolar o cachecol em volta do pescoço. – Podemos ficar, não precisa ir se não quiser.

– Sabe que há apenas uma maneira de me fazer desistir.

– O mestre sabe que não vou fazer isso.

– Então prosseguiremos com nossos planos. Não tenho medo, Sebastian. Contanto que você esteja comigo. Agora vamos, não fica bem demorarmos tanto.

Sebastian fez uma reverência, pegou o casaco e as luvas de Ciel e o seguiu pelo corredor da mansão. Os dois desciam as escadas, os outros cinco já aguardavam no salão de entrada. Elizabeth foi a primeira a se virar. A mulher tinha os cabelos presos num penteado bonito. Ciel a cumprimentou e beijou-lhe a mão.

– Elizabeth, tu sabes que não precisa fazer isso.

– Ora, Ciel. Sabes muito bem que sou tão teimosa quanto você. Talvez até mais. Já estou decidida; todos nós estamos.

Os três servos confirmaram com a cabeça. Ciel suspirou. Olhou para Sebastian e sentiu segurança.

– Muito bem. Senhor Undertaker?

O Shinigami tirou o chapéu e fez uma mesura exagerada para Ciel que apenas o ignorou.

– Se alguém quiser desistir esse é o momento. – Undertaker falou e olhou para todos; um sorriso perpassou por seus lábios finos. – Não? Ninguém? Senhor Akuma... Você mostra o caminho.

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AGORA, LIVERPOOL

– Por aqui!

Dizia Richard abrindo a porta do salão subterrâneo sob a casa de Sebastian. Claus o seguia, descendo as escadas carregando Elizabeth no colo e ignorando as paredes decoradas com armas. A garota estava inconsciente, mas ainda gemia de dor e chorava baixinho. Ruby e Dimas desciam logo atrás deles carregando dois baús de madeira de tamanho médio. Ruby jogou o seu no chão, abrindo-o e retirando de dentro dele um giz.

– Rápido, por Deus! – Pedia Claus.

– Estou tentando! – Ruby se abaixou e começou a desenhar um círculo em volta de si. – Dimas, pegue o livro e vai me mostrando os símbolos.

– Tá!

Dimas pegou um livro velho no outro baú. Folheou as folhas e entregou a Ruby.

– Richard pegue as velas. Cinco. Disponha-as ao redor do círculo, em uma distância igual entre elas.

Richard pegou cinco velas grossas de cera da Babilônia e saiu medindo a distância em que elas deveriam ficar.

– Mais rápido! Se ela despertar sozinha...

– Senhor Claus, estou indo o mais rápido que posso. Esses símbolos são difíceis de desenhar. Nunca realizei um Despertar sem a ajuda do Sebastian.

– O quê?! Tem certeza de que sabe o que está fazendo?

– Não me pressione. Preciso de atenção. – dizia a ruiva tentando reproduzir todos os desenhos o mais rápido que conseguia, apagando-os quando não saiam perfeitos – Dimas o próximo símbolo!

– Certo!

Ruby terminou os desenhos e saiu do círculo. Pegou o livro com Dimas e começou a lê-lo.

– Coloquem-na no centro.

– Me dê ela. – Richard pediu a Claus. Pegou a adolescente no colo e a colocou no centro do círculo. Tendo o cuidado para não apagar os símbolos desenhados com giz.

– Afastem-se.

Ruby fez um gesto com a mão para que os outros se afastassem. Abriu o livro e respirou fundo. Estava nervosa. Mas já tinha visto Sebastian fazer isso antes e conhecia bem latim, ela podia fazer isso. Olhou para as inscrições e começou a recitar o encantamento. Como não era bruxa, a primeira frase era necessária para tornar o encantamento válido. A insígnia usada na alquimia permitia que qualquer humano pudesse fazer uso de magia.

– Haec signa facere verum augurium!

No momento em que as palavras foram pronunciadas, as velas se acenderam. Ruby continuou.

– Immemor oblivionem ánimam

“recordabitur enim omnium quae memoria vixit,

“At heri et nunc

“Numquam deficiet in memoria

“Inveniet viam tuam per tenebras

“Discere a erroribus

“Praeter unum, qui id, quod erat in eo

“Consonat omne corpus hoc praesentibus,

“Expergiscere ad novam vitam,

“Et omnes testimonium consequat

“ante Deum et Dominum nostrum

“EXPERGISCENDUM!”

A insígnia sob o corpo da jovem brilhou e inúmeras fitas de luz saíram de seu peito. Giraram em volta do corpo de Elizabeth formando um casulo de luz. A luminescência tomou todo o aposento ofuscando a visão dos ali presentes.

Após alguns segundos o casulo se desfez e as fitas voltaram para o corpo da jovem. Todos ficaram parados por um instante até verem que a garota respirava. Elizabeth começou a se mexer.

– Ela está acordando. – disse Dimas.

– Ainda bem. – Ruby suspirou aliviada caindo sobre os joelhos. Pelo menos a garota estava viva.

– Qual o seu nome, minha cara? – Claus perguntou ajudando a jovem a erguer a cabeça.

– Elizabeth Midford. – respondeu abrindo os olhos verdes.

– Seja bem vinda. Que bom que está bem. – Dimas sorrindo. A loira olhou para ele.

– Agora sei por que começou a me chamar de Lizzy. – Elizabeth falou sorrindo. Dimas retribuiu o sorriso constrangido.

– Nem tinha percebido.

Elizabeth olhou para todos e ao redor. Havia vários equipamentos de treino, armas variadas e uma estante cheia de objetos estranhos.

– Que lugar é este, tio?

– Estamos na casa do Sebastian.

– Devia ter imaginado. – depois ficou mais preocupada e tentou se levantar. – Onde está o Ciel?

– Acalme-se, Sebastian foi buscá-lo. – Claus falou segurando a sobrinha pelo braço.

– Não, tem algo errado com ele. Eu senti. – a adolescente falava aflita.

– Espere. Preciso falar algo a você. – Claus olhou para os outros três – Podem nos deixar sozinhos?

Richard fez uma cara desconfiada, mas subiu as escadas com Dimas e Ruby, deixando Claus e Elizabeth a sós.

– O que está acontecendo? – a jovem perguntou preocupada.

– Durante o tempo em que você esteve inconsciente, muitas coisas aconteceram. Antes de ir falar com aquele akuma ou com Ciel, precisa saber de algo...

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Elizabeth entrou na sala de visitas seguida por Claus. Seus olhos verdes cruzaram com os olhos rubros de Sebastian. Em pensar que ela achou que Sebastian estava tentando sequestrá-la algumas horas antes; agora aqueles acontecimentos pareciam tão distantes. Sem dúvida era uma sensação muito estranha. Lembranças que se confundiam e se encaixavam.

– Olá Sebastian. – falou hesitante.

– Senhorita Elizabeth, vejo que despertou perfeitamente bem. Espero que não esteja ressentida por nossos recentes desentendimentos. – Sebastian falou com toda a doçura e cortesia que podia, mas Elizabeth sabia muito bem que se pudesse beber aquelas palavras morreria envenenada.

– Não quero falar sobre isso agora. Onde está Ciel? – perguntou ao constatar que Ciel não estava presente na sala.

Sebastian fechou o cenho.

– Está lá em cima. Ainda não acordou. – a loira fez menção de subir, mas o moreno a impediu. – É melhor deixá-lo descansar.

– O que houve? – Dimas perguntou.

– Undertaker. – Sebastian falou como se o nome fosse um xingamento. Ergueu a mão para que todos na sala pudessem ver suas unhas negras e o selo em sua mão. – Ele realizou o Despertar. Ciel quase morreu.

– Callaway fez o quê?

– O que você ouviu, senhor Claus. Agora, queira fazer o favor de chamar seu amigo, gostaria muito de falar com ele. – Sebastian curvou os lábios num sorriso maldoso. Claus engoliu em seco e olhou para Elizabeth, que assentiu.

– Com licença. Vou ver se ele vai me atender. – o homem ajeitou a gravata e enxugou a testa com um lenço. Claus pegou o celular e se afastou do grupo.

– Não será necessário, eu já estou aqui.

Undertaker apareceu na entrada da sala com um sorriso cínico. Fez um gesto amplo com as mãos e uma mesura mal feita. E se sentou na poltrona apoiando as costas e as pernas nos braços desta. Não estava com sua aparecia original, mas como Mark Callaway, a forma humana escolhida por ele. Ficou sacudindo a manga comprida do seu cardigã cinza como se espantasse uma mosca.

– Então... Perdi alguma coisa? Como o garoto está?

– A alma dele estava muito fragilizada... Ele ainda não acordou e isso não é nada bom. – Sebastian falou agarrando o shinigami pelo colarinho, tirando-o da poltrona e o jogando-o no sofá. A poltrona continuou vazia. – Você sabia dos riscos que ele corria se fosse submetido a um Despertar naquele estado, você mesmo nos desaconselhou a fazer isso. O que pretendia?

– Ora, cheguei à conclusão que o melhor seria que ele despertasse logo ou morreria de qualquer jeito. Como você mesmo me relatou, as lembranças estavam provocando transtornos mentais e se revertendo em lesões físicas. Claro que havia 85% de chance dele não sobreviver ao processo; sabia que nenhum de vocês concordaria com isso, por isso o sequestrei, era preciso arriscar. E funcionou muito bem.

– Ele ainda não acordou. – Sebastian rosnou entre dentes.

– Mas está vivo. Não está? O que aconteceu com Você, Sebastian? Costumava ser mais paciente e divertido.

– E se ele demorar pra acordar? Ele não pode ficar aqui por muito tempo, a família dele vai ficar preocupada. – Elizabeth comentou.

– Dimas, ligue para a casa dos Valentine e diga que Ciel dormirá na sua casa por conta de um trabalho. – Sebastian falou como se aquilo fosse enfadonho. Tentando ignorar a súbita vontade de destroçar o shinigami.

– De novo? – Dimas resmungou.

– Invente a desculpa que quiser. O fato é que ele estará mais seguro aqui.

– A mãe de Ciel não é boba. Ela vai acabar desconfiando, se é que já não desconfia. – Elizabeth falou olhando para Sebastian com desgosto.

– Isso pouco importa. Ciel continuará aqui até acordar. – Sebastian falou. E Dimas se afastou dos outros treinando sua mentira em voz baixa, era péssimo nisso.

– Há algo estranho. – Elizabeth começou – Há alguns dias venho tendo pesadelos, e passei muito mal várias vezes. Imaginei que estivesse doente. Mas os sonhos estranhos continuaram. E acho que quase despertei sozinha umas duas vezes antes de hoje. A primeira vez foi quando eu voltava da aula de esgrima com Dimas. A segunda vez foi em casa. Nem sempre eram lembranças minhas.

– Pelo que a Irmã de Ciel me contou, ele teve esse mesmo tipo de reação quando estavam no hospital, mas com Ciel era sempre mais desastroso. E pelo que parece, quando Ciel teve as reações mais estremas foi exatamente no mesmo momento em que você também teve uma ligação maior com o passado, como hoje.

– Talvez tenhamos algum tipo de ligação. – A garota arriscou.

– O mais provável é que alguma coisa estava forçando Ciel a recuperar as lembranças. – Undertaker começou – Talvez essa mesma coisa estivesse exercendo alguma influência sobre você também, Lady Elizabeth.

– Alguma coisa ou alguém? – Sebastian perguntou. O shinigami voltou os olhos para o akuma. – Aquela garota era uma quimera, estou errado?

– Garota? Que garota? – Perguntou Richard com o cigarro pendurado na boca.

– Uma quimera? – Ruby falou.

– Sim. Tinha a forma de uma criança. Pergunto-me se não era ela quem Ciel chamava de Evie. Imagino que ela seja obra sua.

Undertaker começou a rir histericamente, como se toda a situação não passasse de uma grande piada.

– Minha, meu caro akuma. Obra minha. Heheheh! De fato, ela é a quimera perfeita. Corpo de demônio e alma humana. Ah! Quantas possibilidades... Quantas coisas podiam ser feitas com ela.

– Mas ela não está mais em seu poder. – Elizabeth falou com desprezo. Undertaker girou o corpo para olhar a jovem, parecia estar dançando. Fitou a jovem de maneira misteriosa.

– Sim. Não está mais em meu poder. Infelizmente, minha lady.

– Então uma das cinco quimeras roubadas era de sua criação. – Sebastian falou.

– Na verdade, me roubaram duas quimeras. Mas isso não vem ao caso.

– O que me deixou curioso, na verdade, foi o fato daquela quimera carregar símbolos angélicos. Pensei que a Corte dos Serafins não concordasse com a existência de quimeras, sobretudo do tipo demônio, como aquela menina. E você me aparece com uma quimera com selos angélicos? A Corte está de acordo com isso?

– Digamos que exista uma exceção. – Undertaker deu um largo sorriso.

– Eu não senti a presença daquela quimera até que ela estivesse lá, e pelo visto ela é mais forte do que qualquer quimera que eu já tenha visto. Tive a impressão de que você esperava que ela aparecesse. Aquela criatura estava em contato com Ciel, o que ela e o que você pretende com isso?

– Eu? Devo lembrar-lhe, demônio, que perdi todo o contato com as quimeras roubadas.

– Roubadas por quem?

– Se soubesse a resposta não seria necessário chamar o Clã Phantomhive, não é mesmo? O que posso dizer é que se resolverem usar elas contra nós, estaremos bem encrencados. Por isso é de vital importância encontrar o ladrão e assassino.

– Qual o interesse em Ciel?

– Não faço ideia. Como lhes expliquei no passado, tentar fazer com que alguém se lembre de sua vida anterior é extremamente perigoso. Sobretudo se alguém tem um passado como o de Ciel; acho que não preciso lembrar-lhe de como ele morreu da última vez. É possível que a quimera...

– Evie! – Elizabeth falou subitamente. Todos olharam para ela. – Sebastian disse que a quimera se chama Evie.

– Não tenho certeza, as características da quimera batem com a descrição que Ciel tinha nos dado. Undertaker? – Undertaker deu de ombros.

– Bom, chamemo-la de Evie. Hihihihi! – Undertaker continuou – Como eu dizia, é possível que Evie tenha forçado Ciel a recuperar a memória, talvez ela não soubesse que tal atitude pudesse ter consequências desastrosas.

– Ou talvez fosse justamente o que ela pretendia, já que a garota está com o nosso inimigo. – Richard comentou. – afinal, é muito suspeito, se a quimera, Evie, está nas mãos dos responsáveis pelos assassinatos, como que ela consegue andar por aí. Teoricamente ela é uma prisioneira.

– Pelo menos deveria. – Sebastian declarou ainda muito intrigado com toda aquela situação. Como ele não conseguiu sentir aquela Quimera antes, Undertaker teria finalmente conseguido criar uma criatura tão poderosa? Não tirou os olhos das reações do shinigami e de Claus, não conseguia deixar de lado o pressentimento de que havia algo errado e o que mais incomodava era o fato de ele não fazer ideia do quê. Como era possível que ele, um akuma de alto escalão, não conseguisse desvendar esse mistério?

Uma quimera do tipo demônio com selos angélicos.

Isso sim era estranho. Desde a criação dos Phantomhive, os anjos não interferiam mais nos problemas dos humanos. Qual o interesse dos serafins nas quimeras? E como seriam as outras quatro? Se havia alguém que Sebastian odiava mais que shinigamis eram os anjos. Por nada em particular, apenas por serem inimigos naturais. E ver Undertaker mancomunado com os Serafins não era nada agradável. Boa coisa não era.

Continuaram conversando, expondo cada um suas opiniões. Claus relatando o que a polícia de Liverpool tinha conseguindo, quais suas suspeitas, o que não era muita coisa. Como era de se esperar, apesar de Sebastian considerar a investigação empacada, os Cães da Rainha ainda estavam muito a frente da polícia.

Dimas disse que a mãe de Ciel não ficou convencida, sobretudo porque não falou com o filho. A mulher exigira que o filho fosse para casa. Sebastian disse que daria um jeito. Elizabeth também se recusou a ir para casa, mas como estava com o tio, não havia problema; uma das exigências que os Midford fizeram para que a garota continuasse morando com os Wilson, já que eles tinham a guarda legal dela, foi permitir que Elizabeth visitasse os Midford pelo menos uma vez por semana.

Depois de algum tempo Undertaker foi embora. Claus nunca gostou muito da presença de Sebastian, mas se recusou a deixar a sobrinha sozinha com o akuma por mais que a loira tenha dito não haver problema.

– E se Ciel não acordar? – Dimas perguntou tristonho.

– Ele vai acordar! – Elizabeth e Sebastian responderam em uníssono. Olhos verdes e rubros se encontraram e se separaram rapidamente.

A contra gosto, Sebastian disse que precisava sair. Deixou a segurança de Ciel nas mãos de Ruby e Richard e antes de sair pela porta, olhou para o topo da escada como se pudesse ver Ciel parado ali. Desceu os olhos lentamente para o símbolo gravado em sua mão e tentou não pensar em como seria se Ciel acordasse e ele não estivesse ali ou pior, se Ciel não acordasse.

O akuma fechou a porta e partiu.

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MANCHESTER

A Louca de Berwik.

Era assim que todos no bairro de Berwik, em Manchester, chamavam Sibyl Ashton. Sibyl tinha 28 anos e sempre fora uma mulher estranha, reclusa e um tanto paranoica. Mas no último ano seu comportamento havia piorado, principalmente nos últimos meses. Recusava-se a sair de casa e a falar com quem quer que fosse; não queria que os dois filhos pequenos, os pequenos Paul e Adrian fossem para a escola. Fazia uma confusão sempre o marido saia para o trabalho e mais de uma vez, tentou agredir o carteiro e o entregador de jornal. Não aguentando mais a situação e temendo pela segurança dos filhos, o marido dela pegou as crianças e foi embora de casa, já que ela até mesmo se recusava a procurar tratamento.

Naquela noite fazia três meses que estava sozinha. Três meses sem sair de casa. Três meses sem qualquer contato humano. Mas naquela noite estava mais inquieta que o normal. Sabia que ela era a próxima, mais cedo ou mais tarde. Viriam atrás dela.

Estava sentada no sofá a meia luz, vendo o noticiário. Era só o que assistia o dia inteiro, o noticiário. Via todos os jornais que podia, até os de outros estados. Estava ali encolhida, quando seus ouvidos atentos capitaram um som vindo do portão. Não poderiam ser as crianças baderneiras, elas só apareciam durante o dia e faziam questão de ficarem gritando “Louca de Berwik!” a plenos pulmões. Estava torcendo para que fosse algum ladrão.

Ouviu passos.

Seja quem fosse, tinha conseguido abrir o portão e estava agora avançando pelo jardim. Sibyl desligou a TV e ficou quieta. Não houve barulho além dos batimentos de seu coração. Encolheu-se mais ainda. Talvez tenham ido embora, ela pensou. Mas ouviu um forte baque na porta de entrada que a fez pular do sofá e soltar um gritinho de pavor. Sibyl se escondeu atrás do sofá, todo seu corpo tremia. Um vento gélido percorreu sua espinha. Olhava fixamente para a porta implorando para que tivesse apenas imaginado.

O baque novamente.

Mas dessa vez foi seguido por rosnados. Parecia que vários cães arranhavam a porta. E batiam contra a entrada com tanta força que o porta guarda-chuvas ao lado caiu no chão, as paredes tremiam. Todas as janelas estavam fechadas, as portas bem lacradas, mas os cães nas portas estavam quase a derrubando e pareciam furiosos.

Não sabia o que fazer suas pernas tremiam. Tomou coragem, começou a empurrar uma estante contra a porta, os baques eram tão violentos que a empurraram para trás quando ela se aproximou da porta. Viu garras atravessarem a madeira.

– O que é isso?!

Exclamou apavorada. E em seguida ouviu uma voz.

– Sibyl abra a porta!

Ao ouvir aquela voz, Sibyl sentiu todo seu corpo congelar. Parecia que seu coração sairia pela boca. Parecia que uma pedra de gelo havia caído em seu estomago.

– Eu sei que você está ai.

As garras estavam quase estraçalhando a porta. Subiu as escadas tropeçando nos próprios pés. Entrou no quarto e jogou o máximo de coisas que podia para barrar a porta. Começou a abrir todas as gavetas do guarda-roupas até achar um álbum de fotos. Pegou um recorte de jornal e o dobrou várias vezes até ele ficar o menor possível. Ouviu a porta ser arrombada e o barulho de patas e rosnados avançando escada a cima. Foi até o banheiro pegou um saco plástico e enrolou em volta do pedaço de papel dobrado. Respirou fundo, estava quase chorando, e colocou o embrulho na boca e o engoliu. Encheu a mão de água da torneira e bebeu. Quase se engasgou, tossiu várias vezes. Tinham chegado à porta do seu quarto. Sabia que não conseguiria fugir. Sabia como as outras tinham sido mortas, não se escondeu durante tanto tempo para morrer daquele jeito.

Quando a porta foi derrubada, nem olhou para ver o que estava a perseguindo, apenas saiu do banheiro e correu para a janela e a abriu. Colocou o corpo para fora e tentou se atirar dali. Mas antes que conseguisse completar o suicídio, sentiu uma mão segurar seu pulso com força, puxá-la para dentro e arremessá-la contra a parede. Para sua surpresa, homens a seguravam, mais tinham uma aparência grotesca. Sibyl se debatia desesperada tentando se libertar. Então aquela pessoa entrou.

– Que vergonha Sibyl. Sabe muito bem que não pode escapar de mim. Gostou dos meus novos amigos? Podem soltá-la.

Ela foi arremessada contra o chão.

– Você. Eu sabia que era você. Por que está fazendo isso? Eu não tive culpa, sabe que não. Sou tão vítima quanto ela. Todas nós somos. Por favor, tenha piedade.

– Piedade, sua vadia imunda. Víbora. Vou mostrar pra você o que é piedade. Matarei você bem rápido se me disser onde a sua prima Gladys se escondeu? Você se acha esperta. Há! Sempre soube onde te encontrar, mas a Gladys, ela sim é esperta, mas eu sei que você sabe onde ela está.

– Nunca vou dizer nada.

– Não tem problema. Eu adoro brincar. Mas você já sabe disso, não é?

Apavorada, Sibyl levantou-se de súbito e tentou escapar. Não deu nem três passos completos e sentiu o que pareceu ser agulhas acertarem suas pernas. Caiu no chão sentindo uma dor aguda que se irradiava por toda a perna. Suas pernas não se mexiam.

– Quando vão aprender que isso é inútil? – disse pisando sobre as pernas de Sibyl fazendo as agulhas penetrarem a carne e atingirem os ossos. Sibyl gritou desesperadamente, a dor era terrível. – Pode gritar o quanto quiser, todos acham que você é louca mesmo. Como te chamam mesmo? A Louca de Berwik.

Sibyl chorava de tanta dor. Não conseguia mover as pernas, mas ainda assim, sentia a dor. Sabia que iria morrer, tinha certeza disso. Só conseguia pensar nos seus filhos. Teve tanto medo de morrer durante todos esses anos, que nem percebeu que havia deixado de viver. Em pensar que poderia ter passado esses últimos dias com sua família. Pobres meninos cresceriam achando que a mãe era uma louca. Pelo menos estariam seguros. Sibyl foi agarrada pelos cabelos e arrastada pelo quarto. Os homens com aspectos animalescos jogaram a cama para um canto do quarto, deixando um espaço vazio no centro. Prenderam um tipo de gancho no teto ao lado da lâmpada.

Alguns minutos depois, Sibyl estava pendurada pelos pés; os braços amarrados num bloco de cimento que a impedia de levantá-los e fazia os ossos do ombro doerem. Estava nua. Sentia a pressão em sua cabeça aumentar. Seu rosto estava vermelho e seus pés doíam muito.

– Tive uma ideia divertida. – Pegou uma meia no guarda-roupa e enfiou na boca da mulher com violência. – que tal começarmos fazendo uns desenhos com essa faca aqui, depois, se você se comportar poderemos introduzir mais umas agulhas em lugares mais divertidos.

Deslizava os dedos pelo abdome da mulher parando em seu baixo ventre.

– Até que você ficou bem bonita, vamos ver se vai continuar assim. – Sussurrou no ouvido de Sibyl, que gemeu implorando para que não a machucasse, mas nada adiantava. Seus olhos foram vendados. – Vamos começar?

A sensação era terrível. Tudo estava escuro. Não conseguia respirar direito e não fazia ideia de onde a faca viria, que parte de seu corpo seria cortada primeiro. Até o ar frio em sua pele lhe causava espanto, achava que já era a lâmina lhe perfurando. Só a expectativa a mortificava, mas era essa a intenção. Tortura.

Por um instante era como se estivesse só naquele quarto. Mas então veio a dor. A lâmina abrindo sua pele; gritou, mas seu grito saía abafado.

– Se ficar se mexendo vai ser pior, a faca pode ir mais fundo. Não se preocupe, minha queria vadia, antes de eu terminar, você me dirá onde está Gladys.

Sibyl escutava a voz dançar ao seu redor. E novamente mais um corte. E dessa vez foi pior, pois a lâmina esta quente. Sentia o cheiro de sangue impregnar suas narinas e o líquido escorrer por seu corpo. Seus ouvidos invadidos por seu choro e pelo rosnar daqueles monstros.

– Acalmem-se, talvez eu deixe comerem ela no fim.

Sibyl sabia que aquilo era só o começo e que a tortura ficaria cada vez pior. E por uma ironia cruel, extremamente cruel, do destino, ela que sempre pediu para ficar viva, agora implorava para morrer depressa.

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LIVERPOOL

Hortense ninava a pequena Evangeline quando escutou a campainha. Foi atender e para sua surpresa era Ciel.

– Ciel? São dez horas da noite filho! Não sabe como é perig... Por que tocou a campainha?

– Esqueci. Posso entrar?

– Mas é claro. – falou olhando para o filho. – E o trabalho? Dimas ligou, mas...

– Tudo bem. Conseguimos terminar a tempo.

Hortense achou o filho um pouco estranho.

– Você ficou chateado? Sabe Ciel você nunca foi de ficar tanto tempo fora de casa, de dormir fora de casa, você anda diferente... gostaria de conversar...

– Não. Está tudo bem... mãe. Sou o mesmo de sempre.

– Oh! Certo... vai querer jantar?

– Não, já jantei, a avó do Dimas fez o jantar. Posso ir me deitar?

– Claro... Pode colocar a Evangeline no berço pra mim, por favor? Vou guardar as sobras na geladeira.

Ciel ficou parado encarando a mãe. Depois pegou o bebê no colo. E subiu as escadas. Viu a porta do quarto com uma bonequinha pendurada segurando um cartaz escrito Evangeline. Entrou e parou diante do berço. Olhou para a pequena garotinha em seus braços e aproximou-a de seu rosto sentindo o aroma.

– O que está fazendo?

Angie estava parada na porta.

– Ela tem um cheiro bom. Mas nem tanto.

– Bom, então da próxima vez, você escolhe o perfume.

Ciel colocou o bebê no berço.

– Se eu fosse você, contava logo pra mamãe. – a ruiva falou, Ciel continuou olhando para o bebê. – Cara, você está sendo muito relaxado, sabia? Acha que pode mudar seu comportamento da noite para o dia que ela não vai desconfiar? Terminou seu namoro com a Liza sem dar explicação nenhuma, não sai da casa do Sebastian e ainda dorme por lá. Como eu disse, eu vou te apoiar no que você quiser fazer. Mas se você realmente não quer que nossos pais saibam, seja mais cuidadoso, tá?

– Vou me lembrar disso. Boa noite, Angie.

Angie ficou olhando o irmão seguir para o próprio quarto.

– Ciel?

– Quê?

– Nada. Boa noite.

Ciel entrou no quarto, apagou a luz. Entrou embaixo das cobertas e fechou os olhos.

Era só esperar o dia amanhecer.

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Quando Sebastian chegou em casa, todos ainda estavam na mesma sala. Ruby servia café.

– Onde esteve? – Richard perguntou.

– Isso não importa.

– E a família do Ciel? – Dimas indagou, queimando a língua no café quente.

– Pensa que Ciel dormiu em casa e que está na escola. – o moreno respondeu sentando no sofá.

Ninguém fez mais perguntas, porque perceberam que Sebastian não estava com humor para dar respostas. Ciel ainda não havia acordado. Depois das oito da manhã, Claus teve que ir para o Departamento de Polícia. Na sala, reinava um silêncio incomodo. Sebastian preferia que nenhum deles estivesse ali.

Ruby puxou conversa e com muito custo conseguiu fazer Dimas e Elizabeth falarem também, depois, Richard. Conversavam bobagens, claro, mas mantinham todos distraídos. Apenas Sebastian mantinha seus pensamentos focados em apenas um lugar daquela casa, embora não tenha voltado a pisar lá depois de deixar Ciel naquela cama.

Era mais de dez horas da manhã, quando Elizabeth viu os olhos de Sebastian brilharem com um vermelho intenso. E naquele momento ela soube, porque Sebastian havia sentido, que Ciel havia acordado.

– Ciel acordou!

E todos subiram as escadas correndo.

Mas Sebastian continuou parado onde estava.

– Sim, ele acordou. Finalmente. – disse para si mesmo.

Notas finais
Explicações: Gente, eu trabalho o dia inteiro e faço faculdade T.T por isso não tenho tempo pra nada.... gostaria de escrever mais rápido e postar mais rápido, mas não dá...quero só que saibam que eu não demoro por preguiça. nem sempre se está inspirado, por exemplo, prometi atualizar Diários, mas é uma fic que exige um estado de espírito muito... poético... pra escrever aquilo...tenho medo de forçar a mente e fazer merda, tenho um carinho especial por aquela fic e não quero que ela saia do rumo. Odeio quando eu demoro, sou leitora tbm e sei a agonia que dá.

Bom...

Sério que não perceberam? eu acho que muitos sacaram, mas ficaram com medo de falar e eu trollar vcs, não é? ^.^ bem...sim, Ciel Valentine é a reencarnação de Ciel Phantomhive, por isso eu disse no cap anterior que era um alívio publicar aquele cap, achei que todos perceberiam. Dei pistas desde o início, até o sobrenome Valentine foi escolhido propositalmente para rimar com Phantomhive.

agora resta outros mistérios a resolver, não é?
no proximo capitulo faremos uma viagem ao passado... e o que acontecerá quando Ciel acordar?
Veremos no próximo episódio de X-men Evolution, não, pera...

beijos da Tai e até o cap 19
=^.^=