Phantomhive

15 Desejos Consumados


Notas iniciais
Oi gente^^Estou envergonhada, demorei oficialmente um mes pra atualizar, mas saibam que não foi de propósito.Gostaria de agradescer a Takara 13, Alice, Bocchan, Suelen Michaelis e Yukari_shii por favoritarem e a todos que comentaram.Esse capitulo é dedicado a Shasha das Alcaparras e a Liv que foram as primeiras a pedi-lo.espero que gostem.Atenção: o capitulo é longo, aconcelho ir ao banheiro, beber uma água e trazer um salgadinho caso dê um sono durante a leitura.Boa leitura amores o/

Capítulo 15: Desejos Consumados

ANTES

O relógio ainda nem marcara sete horas da manhã quando alguém ligou pedindo que a polícia fosse verificar um local, o qual poderia ser a cena de mais um assassinato. Numa rua qualquer, em um dos bairros mais pacatos de Liverpool, a polícia encontrou uma enorme poça de sangue, nesta havia um cartão com uma mensagem que comprovava o crime. No dito lugar, o chefe de polícia, Roger Valentine e seu assistente, Harris, esperavam Midford.

– Alguém mexeu no local ou tocou naquele cartão? – o detetive Claus Midford perguntou aos dois policiais assim que os avistou.

– Não – Roger respondeu –, os vizinhos encontraram o sangue assim que saíam para o trabalho e contataram a polícia. Não mexeram em nada. Mandei isolar todo o local, apenas o Perito e sua equipe entrou lá pra colher pistas. Essa é realmente nova. Geralmente o assassino nos deixa um corpo, exceto aquela garçonete que foi abandonada próxima a Avenida Druitt ainda com vida. Agora temos a cena do crime, mas não temos o corpo. Por que fazer questão de indicar o local em que a vítima foi morta?

Roger não perguntava para Midford, perguntava para si mesmo. Tentava achar uma razão, por mais doentia que fosse, para toda aquela brutalidade.

– Ele está brincando conosco – Claus falou. O que ele realmente queria saber é se esse assassino estava tentando provocar a polícia ou outra pessoa.

A equipe da perícia tirava fotos e tentava descobrir ao redor do sangue qualquer coisa que fosse de alguma ajuda. Midford decidiu fazer algumas perguntas para os moradores, como ele sabia sobre a existência do sobrenatural era possível que ele conseguisse alguma informação que outros policiais desconsideraram.

– Chefe Valentine – Claus falou –, envie aquele cartão ao seu datiloscopista mais eficiente, deve haver alguma digital, marca ou qualquer coisa naquele papel. E peça ao chefe da perícia que me apresente todos os dados coletados assim que eles terminarem aqui.

Claus fez todas as perguntas possíveis, mas, como sempre, ninguém viu nada. Roger Valentine colocou várias viaturas por toda a Liverpool em busca do corpo da vítima. À tarde, seu filho Ciel viera finalmente entregar-lhe os papéis com os dados dos desaparecidos, ainda mais essa: os desaparecidos. O que estava acontecendo na Inglaterra? Pediu que as unidades menores de polícia fizessem as buscas. Nas últimas horas da tarde, ele mesmo, Roger, e Claus foram ajudar nas rondas, mas nada fora encontrado ainda. Um dia inteiro de buscas infrutíferas.

Por volta das cinco horas da tarde, Midford e Claus terminavam a vistoria de mais um quarteirão, e nada fora encontrado. O sol brilhava forte num céu cheio de nuvens. Roger estava rezando para que não chovesse ou as evidências que já eram poucas, desapareceriam.

– Chefe! Detetive! – Harris veio ao encontro deles com um celular nas mãos – encontraram o corpo de uma mulher em Winton Park no Eccles. Pedi para a polícia militar fechar o local e impedir os curiosos de se aproximarem.

– Fez bem, Harris. Vou chamar o Perito. Encontramo-nos lá, detetive?

Claus assentiu com a cabeça, e Roger foi esvoaçando seus cabelos pretos, antes impecavelmente penteados, numa corrida até o carro. Harris virou-se para Claus.

– Detetive Midford, hum... A emergência contatou a polícia, uma diarista ligou pedindo socorro, pois sua jovem patroa não reagia. Quando a ambulância chegou, constataram que a mulher já estava morta. O número do senhor estava como único contato em caso de emergência. O nome dela é Amanda Villefort. Sua conhecida?

Harris viu o detetive fechar os olhos como se tivesse recebido um forte golpe no estomago, respirar fundo e soltar o ar lentamente.

– Enfim atingiu seu objetivo minha irmã. – balbuciou baixinho.

– Perdão, o que disse senhor?

– É minha irmã. Era. Minha irmã caçula.

– Meus pêsames, senhor.

Claus olhou para a poça de sangue e depois para o céu. “Em nome da Rainha, espero que tudo esteja caminhando para uma solução”, ele pensou.

Em Winton Park, o perito criminal realizava um minucioso exame externo do corpo sobre a grama recém-aparada, analisava tudo sem tocar nele. Fora o visível corte na garganta, a mulher não apresentava nenhuma outra lesão. Examinou o local em volta do cadáver, mas como em todos os outros casos, não foi possível coletar muita coisa. E ainda havia outro problema, esse assassino era tão minucioso, que o material que a pericia coletava não tinha ou não revelava nenhuma ligação com o assassino.

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Era noite quando Mark Callaway deixou os policiais e os investigadores com seus problemas e tentativas de dedução. Sempre era um trabalho enfadonho ter de cooperar com a polícia nesse tipo de caso, dizer o que eles precisam saber sem sequer mencionar demônios e o sobrenatural. Se os humanos soubessem tudo o que está envolvido nesse caso talvez eles fossem mais eficientes, ou não. Com certeza estariam mais preocupados do que estão agora. Mas esse caso não cabe à polícia, não. São “eles” que devem solucionar esse enigma.

Callaway entrou em sua sala escura. Seu local de trabalho era constituído de duas salas, uma pequena e uma grande. A menor era uma espécie de escritório, entulhada de caixas de arquivos e papéis, além disso, a sala tinha um odor nada agradável de produtos químicos que ficavam presos ali, já que ele mantinha o local sempre fechado e sem ventilação. A sala pequena dava acesso a maior, a Sala de Necropsia. A sala mais divertida, na opinião dele. Nessa sala os corpos eram limpos, analisados e armazenados até poderem ser liberados para os parentes.

Encaminhou-se para a segunda sala. Vestiu o jaleco e as luvas de borracha. Retirou o tecido branco que cobria o corpo reconhecido como sendo Isabella Enfield. As roupas haviam sido enviadas para o Instituto de Criminalística. O corpo já havia sido pesado e lavado. O rosto antes belo estava agora descorado e cinza, a garganta degolada exibia um corte violento e profundo.

– Com licença, senhorita – disse brincado antes de começar a examinar cada parte daquela inerte forma nua, desde as unhas do dedão do pé até atrás das orelhas. Cantarolando, Mark pegou um bisturi e posicionou sobre o tórax da vítima, fazendo um corte em forma de Y que ia do pescoço ao púbis.

Pôs-se a examinar os órgãos da caixa torácica e do abdome. Retirava cuidadosamente órgão por órgão e os colocava em um recipiente esterilizado para serem também analisados em seguida.

– A que devo a honra de sua visita, demônio? – indagou segurando um intestino nas mãos. Sua voz rouca ecoando pelo ambiente vazio e escuro.

Sebastian saiu das sombras e caminhou até um ponto em que a luz conseguia alcançá-lo. Seus olhos vermelhos estavam extremamente sérios. Acabara de deixar Ciel na casa dos pais e fora logo tentar descobrir o que estava acontecendo.

– O que veio fazer aqui? – pareceu mais uma bronca do que uma pergunta.

– Como assim, demônio? Eu trabalho aqui – sorriu de um jeito maroto, gesticulando com as mãos enluvadas manchadas de sangue. Espiava a reação impaciente do outro homem entre a franja acinzentada.

– Não se faça de tolo. Você entendeu a minha pergunta, Undertaker. E onde está Claus?

– Ele está resolvendo uns probleminhas familiares. Parece que a irmãzinha dele morreu. Chegou a conhecê-la, demônio? – perguntou cinicamente, pois sabia que a caçula dos Midford fizera um pacto com Sebastian. Sem tirar os olhos do corpo aberto, esperou o outro falar.

– Qual o seu interesse nesse caso para vir de Londres até aqui?

– É preciso algum? Ora, estou apenas conhecendo outros lugares, sendo útil... Hehehe, um sentimento desagradável esse, não é mesmo? A sensação de que você não é mais necessário. Já sentiu isso, demônio?

Tentar arrancar alguma coisa daquele homem, quando ele realmente não queria falar, era uma tarefa inútil. Undertaker enrolava e não respondia nada do que lhe era perguntado. O melhor era falar com o Midford, esse não poderia tentar enganá-lo.

– Conheci um garoto deveras interessante hoje. O novo Cão, eu suponho. Realmente impressionante hehehe. Uma alma rara. Mas, sabe hehehe, notei algo estranho nele. Tem certeza de que a alma daquele garoto suportará tudo? Eu poderia...

– Fique longe dele! Não sei o que você pretende Undertaker, mas sei que de alguma forma você está envolvido nisso tudo. Se me atrapalhar ou se meter com o Ciel, eu destruirei você com minhas próprias mãos.

– Hehehehe... É uma ameaça muito forte, vinda de um akuma que está com a corda no pescoço. Enquanto os Cães da Rainha não estiverem devidamente completos e preparados, você continuará enfraquecendo. E o garoto que você escolheu como líder ainda é fraco e instável, você sabe disso. Ele ainda não está pronto, submetê-lo a um processo tão delicado pode ser fatal. Por outro lado, você pode fazer alguns contratos, talvez nem todas as almas sejam apetitosas, mas dão alguma energia, não? A não ser que realmente queira aquele garoto. Bem, só não faça dois contratos ao mesmo tempo, lembre-se do desastre que foi a última vez que tentou manter dois mestres, hehehe. Nunca tinha visto a Corte dos Serafins tão furiosa.

Em milésimos de segundos, Sebastian erguia Undertaker pelo jaleco.

– Tenha cuidado com suas palavras, shinigami. Não me subestime – disse entre dentes.

– Oh, não, demônio. Nunca.

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AGORA

Por dois dias, Elizabeth não compareceu a escola ou deu qualquer sinal de vida. Nesses dois dias aconteceram muitos infortúnios. Logo Ciel descobriu quem fora o responsável por todo o problema com a Liza.

Não bastasse contar para Elizabeth sobre ele e o Sebastian, o maldito Mason tratou de colocar na internet um vídeo em que os dois apareciam se beijando. Diante de tal prova, não havia como negar qualquer acusação. Não demorou muito para que os alunos do Nottinghan começassem a fazer comentários maldosos nos corredores e olhá-lo de um modo estranho, alguns zombando outros repudiando. E cada vez mais alunos assistiam ao vídeo idiota. Se não estivesse com a cabeça em outros problemas e preocupado com Liza, talvez Ciel se importasse com as provocações dos colegas.

Felizmente, assim que ficou sabendo do vídeo, Dimas contou a Sebastian o que Ivan tinha feito. Por sua vez, Sebastian pediu – ou mandou – que Ruby desse um jeito de apagar os vídeos da internet. Uma hora depois o vídeo já não podia mais ser encontrado, mas o estrago já estava feito. Os que tinham assistido tratavam de contar para os que não tinham, sempre aumentando a história maldosamente.

Ciel passou o dia aturando piadinhas preconceituosas dos colegas. Os professores ou não percebiam o que estava acontecendo ou não ligavam. Afinal, adolescentes estão constantemente humilhando os outros, principalmente se a humilhação do outro desvia a humilhação de si mesmo.

As coisas não iam muito bem com Lizzy e com a escola, mas estava tudo indo muito, muito bem com Sebastian.

Depois da aula, Ciel foi até a casa do Sebastian. Mas ele não estava. Ruby, que ficara na casa a espera do garoto, contou-lhe que Sebastian tinha voltado para Londres. O homem fora resolver alguns assuntos empresariais relacionados às Empresas Midford, algo urgente, e como Claus não poderia chegar tão rápido quanto ele a Londres, sobrou para o akuma encarregar-se de todo o trabalho. Tantas informações novas haviam surgido que Ciel esquecera que Sebastian era realmente um dos responsáveis por uma companhia empresarial. Era de se esperar que sobrasse mais trabalho para ele, levando em conta que a Amanda, que era quem o ajudava nesse ponto, estava morta. Ciel se perguntava por que Sebastian se dava ao trabalho, sendo ele um demônio poderia fazer o que quisesse, ou não? A verdade é que não conseguia imaginar Sebastian dirigindo uma empresa. E com qual propósito? Para manter o seu estilo de vida, talvez. Mas Sebastian se importava com esse tipo de coisa? Ou será que os Midford tinham um contrato com Sebastian? Podia ser; isso explicaria a empresa ser tão bem sucedida. Quando se fazia essas perguntas, Ciel percebia o quanto não conhecia Sebastian. Queria tanto poder vê-lo agora ao mesmo tempo em que achava bom manter certa distância. Pelo menos o akuma não se demoraria em Londres.

Sebastian deixara Ruby encarregada do treino de Ciel. A garota deveria ensiná-lo a usar alguns tipos de armas. Ruby levou Ciel até o porão da casa. Bem, deveria ser um porão, mas o jovem surpreendeu-se ao encontrar um enorme salão de treino físico e de tiro, e um arsenal realmente impressionante. Ficou imaginando o que a polícia pensaria se encontrasse aquele lugar. Ruby mostrou sua parte favorita da sala: uma enorme parede ornada com todos os tipos e tamanhos de pistolas que se pode imaginar.

– Estamos indo para a guerra e não fiquei sabendo?

– Não. Mas é bom estar preparado para tudo. Você deve aprender a usar todas. Sabe, se eu morrer, você saberá como se virar.

Ruby falou de um jeito natural, mas a declaração pareceu de alguma forma errada, injusta. Ciel já vira Ruby em ação. Morrer? Que absurdo! Quem seria capaz de derrotar Ruby? Não soube bem explicar seu repentino orgulho pela mulher a sua frente, mas percebeu que, deles, apenas Sebastian era imortal. E os outros integrantes da dita “família” Phantomhive eram meros mortais sujeitos a morte.

O fato de Ciel saber segurar uma arma e atirar facilitou muito seu treinamento com Ruby. Apesar de excelente atiradora, a jovem não era lá uma boa professora. Ficava nervosa e constrangida toda vez que o adolescente perdia a paciência. E olha que Ciel a estava ajudando a ajudá-lo. O aluno ser mais autoritário que o professor realmente não era uma coisa boa. Pequenos problemas a parte, o treinamento fora bem sucedido e, até que Ciel aprendera rápido.

Às cinco e meia da tarde estavam os dois na cozinha do Sebastian tomando um copo de suco de laranja.

– Você conhece o Sebastian há muito tempo, Ruby?

– É. O conheci na Rússia há alguns anos.

Rússia?!

– Você já viu o piano que Sebastian tem aqui?

– Já. É bonito.

– Não sei se você chegou a ver, mas há uma inscrição nele. Um nome.

– Hm... – Ruby ficou um pouco tensa.

– L. Cavendish. Sabe quem é?

– P-perguntou p-pro Sebastian? – torcia as mãos.

– Não. Sei que ele me enrolaria e não diria nada. Se ele brigar com você, diga-lhe que eu a obriguei a falar e deixa que eu me entenda com ele depois. Mas, agora, diga-me o que você sabe.

A mulher pensou por um instante e com muita relutância falou.

– O L é de Lílian. Lílian Cavendish. Não sei muita coisa sobre ela, pois morreu antes mesmo de eu nascer. Sei que foi a mestre de Sebastian anterior a Amanda. E por alguma razão, Sebastian fez outro contrato, não sei com quem, sem ter concluído seu contrato com ela. Sebastian odeia qualquer menção a essa época, porque os problemas dele começaram aí. Ele fez alguma coisa que não deveria ter feito e foi punido pelos Serafins. E tudo começou pela morte de Lílian. Como eu disse, não sei muito, o Richard é quem descobriu algumas coisas, mas ele não quis dizer nem pra mim. Mesmo eu ameaçando deixa-lo sem... Enfim, Richard disse que preferia morrer a falar e que era melhor eu não me meter. Sabe, o Sebastian não é muito agradável quando é contrariado. Às vezes nos esquecemos de que ele é um demônio, e isso realmente não é bom. É tudo o que sei, você teria de perguntar para alguém que a conheceu.

– E suponho que não haja ninguém assim.

– Na verdade há.

– Quem?

– Você o conhece como Mark Callaway.

– O legista da Scotland Yard?

– Ele não é legista, nem é da Scotland Yard. Mas, sim, ele conheceu Lílian. Só não sei se você deveria falar com ele. Mas por que ficar se importando com alguém que já morreu há anos, não é? Afinal de contas, ele está aqui, lindo, maravilhoso e perfeição, com você. E vocês ficam tipo tão kawaii juntos.

– Tão o quê?

– Kaw...

– Que surpresa boa chegar em casa e encontrar você aqui, Ciel – dizia o recém-chegado Sebastian entrando na cozinha. – Você já pode ir, Ruby.

A moça fez um biquinho de desapontamento. O homem praticamente a mandara pastar. Já estava na porta da cozinha quando Sebastian a chamou.

– Ruby, você apagou aquele vídeo que eu falei?

– Sim, senhor! – ela disse batendo continência.

– Tem certeza de que apagou todas as cópias?

A pergunta fez a memória de Ruby viajar para a manhã daquele mesmo dia. Ela estava em seu apartamento. Sebastian acabara de ligar. Invadir alguns sistemas e apagar alguns vídeos na internet, alterar algumas informações, esse tipo de coisa era moleza pra ela. Ela mesma criara o programa para o pendrive que Sebastian usou para invadir os dados da empresa do tal Hector MacDonald. Em pouco tempo já havia eliminado qualquer rastro daquele vídeo. E como o Dimas conseguira apagar a cópia que o Ivan Mason tina no celular, enquanto os alunos tomavam banho depois da educação Física, ninguém jamais veria aquele vídeo novamente. Mas ver aqueles dois se beijando foi tão maravilhoso, ela quase tivera um ataque. Não, ela queria poder ver eles sempre.

– Que DVD é esse aí? – Richard perguntara com uma sobrancelha levantada, ao ver a jovem segurando o DVD e olhando para o mesmo como se fosse uma nota de cem dólares novinha.

– NADANÃO! Um yaoi novo que baixei, quer ver?

– Tô fora. Já terminou o serviço que o Sebastian pediu?

– Sim.

– Então vamos. Eu te dou uma carona até o Darjeeling Chá.

E Ruby guardou o DVD onde só ela acharia.

– Tem certeza de que apagou todas as cópias?

– Sim. Ninguém mais o verá. – ninguém além dela, foi o que pensou.

E saiu.

No instante em que ficou só com Sebastian, Ciel sentiu uma sensação de constrangimento. Há pouco sorrira internamente ao vê-lo entrar pela porta da cozinha, agora, recriminava-se por ter sentido saudades, por pensar nele o tempo todo. Tentava mostrar-se sério e indiferente, um desejo tolo de não parecer fraco ou controlável ou submisso.

– Não precisava fazer isso, eles continuarão me importunando do mesmo jeito.

– De qualquer forma, não permitiria que continuassem a humilhá-lo com aquilo. Até porque tive um pouco de culpa. Fui descuidado naquele dia. – aproximou-se do jovem, enlaçando-o pela cintura.

– Somente matando a todos os faria parar. – sentia a face corar com a proximidade.

– Não seja por isso. Agora, porque não falamos de outra coisa? Ou não falamos... – inclinou-se para beijar o jovem, mas esse se desvencilhou de seus braços e começou a afastar-se, indo para a sala.

– Eu estive pensando essa manhã, sobre os assassinatos, e me ocorreu uma coisa. – falava sem olhar para o homem que o seguira até a sala. Não sabia muito bem por que estava evitando ele. Ou talvez soubesse. Sentou-se no sofá, pegou a mochila, retirou dela uns papéis e espalhou-os sobre a mesa de centro. Havia a foto que Dimas tirara do corpo da mulher e uma foto do cartão, que Richard conseguira tirar ao entrar disfarçado no meio da equipe da perícia criminal. Sebastian sentou-se ao seu lado, apoiou um cotovelo no braço do sofá e o queixo na própria mão, olhando-o de um jeito estranho e divertido.

– Estou ouvindo. Prossiga.

– Todos os corpos encontrados até agora não nos dava nenhuma pista. Mas nesse último, o assassino nos deixou duas mensagens: “Aqui, ela morreu” e “Pois os mortos cavalgam céleres”. Ele não deixaria essas mensagens se elas não tivessem um propósito. Só precisamos saber qual é.

– O que lhe dá a certeza de que são mensagens?

– Ora, Sebastian – encarou os olhos castanhos –, o prazer do pecado está na sensação de perigo, na possibilidade de ser pego. Até agora ele tem sido tão perfeito que a polícia está extremamente longe de pegá-lo. Onde está a graça nisso? Ele quer cometer os crimes com a polícia a sua porta e, ainda assim, conseguir escapar sob o nariz da lei. Provando que ele é o mais astuto. Isso é divertido. Isso daria mais emoção aos crimes que ele comete.

– Espantoso!

– Sim. Tenho certeza de que temos uma pista aqui. Pra começar você poderia verificar se ouve alguma morte na rua em que...

Sebastian tirou as fotos das mãos do Ciel e jogou-as sobre a mesa. Segurou o jovem pela nuca e forçou um beijo. Tão repentino foi que Ciel não tivera tempo de escapar, restou-lhe apenas aceitar e retribuir. Quem conseguiria escapar dos lábios de Sebastian uma vez que o beijo era iniciado?

– Você pelo menos escutou o que eu estava dizendo? – Ciel falava emburrado, com a voz rouca pela falta de ar, o rosto vermelho, e ainda assim tentava parecer sério.

– Cada palavra. Mas, sinceramente, não estou com a minha vontade de falar sobre isso agora. Escute, Ciel... Não tem curiosidade de experimentar algo diferente? Algo mais... íntimo. –sussurrava ao ouvido do menor.

Ciel levantou e encarou o moreno com um olhar maldoso.

– Tenho. – segurou o queixo do homem levantando-lhe o rosto. Deu um beijo curto e encarou os olhos castanhos intensamente. – Mas hoje não.

Jogou as coisas dentro na mochila e colocou esta sobre as costas.

– Por que não?

– Em mim mando eu. E você me terá quando eu quiser. – Sebastian seria capaz de tomá-lo para si naquele exato momento. Mais o garoto foi tão determinado que se aquietou, mesmo sabendo que o jovem tinha unicamente a intenção de provocá-lo.

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Era uma tarde tranquila. O sol se escondia uma vez ou outra atrás das nuvens que planavam no céu sem pressa alguma. Sob o céu azul, estavam várias pessoas trajadas de preto, assistindo com grande pesar a cerimônia lúgubre. Pelo menos quase todos ali presente estavam pesarosos.

Lá estava ele. Corpo comprido e esbelto, de ar sombrio e olhar atraente. Não tinha mais nenhuma obrigação relacionada à Amanda Villefort – ou Amanda Midford como Ciel viera a descobrir depois –, ainda assim, lá estava Sebastian garantindo que o enterro dela saísse perfeito. Sebastian cuidou de todos os detalhes. Ninguém poderia dizer, depois daquela tarde, que o cortejo fúnebre de Amanda não fora tão belo quanto ela fora em vida.

Mesmo Claus Midford, que nunca gostava da presença de Michaelis, sentiu-se grato, pois dificilmente conseguiria preparar um funeral decente para a irmã em tão pouco tempo. Por outro lado, achava que era o mínimo que aquele demônio deveria fazer, uma vez que ele causara a morte da caçula dos Midford. Lembrava-se agora que a família ganhara uma nova herdeira.

Várias pessoas compareceram ao funeral: familiares, amigos da faculdade, colegas de trabalho e alguns conhecidos, como Ruby, Richard, Dimas e Ciel e sua família. Todos muito tristes com a repentina e inexplicável morte da Amanda.

Elizabeth e os pais, Helen e Edgar Wilson, estavam sentados na primeira fileira – as cadeiras destinadas à família. Liza, que não falava com Ciel desde o incidente e não olhara para ele desde o inicio do funeral, sentava-se entre a mãe e uma senhora bem velha. Ao lado da velha estava o detetive Claus. Apesar de velha, a anciã tinha uma aparência bem conservada, boa postura e qualquer coisa no semblante que passava uma sensação de ternura e autoridade. Era alta e elegante. Cabelos brancos com uma única mecha loira do lado direito, olhos extremamente verdes, “a marca dos Midford”, foi o que Sebastian dissera ao explicar a Ciel como tivera a certeza de que Elizabeth era a sobrinha da Amanda. Pelas rugas da idade, Ciel podia concluir que aquela mulher era a mãe de Amanda e Claus e, consequentemente, avó biológica de Liza.

Elizabeth sabia desde pequena que era filha adotiva. Os Wilson nunca esconderam isso dela, e tratavam de mimá-la como podiam para preencher qualquer vazio que viesse a existir. E esse vazio existia, embora Elizabeth amasse muito seus pais e achasse que tinha tudo o que queria. Mas toda criança adotada não consegue deixar de imaginar que seus verdadeiros pais não a quiseram e a descartaram como um simples objeto. A sensação de abandono sempre existe, com Liza não era diferente. Descobrir que na verdade sua mãe biológica foi enganada, e que de outro modo ela nunca teria abandonado seu bebê foi de certa forma reconfortante. Mas era uma sensação estranha e confusa, sobretudo triste, ao mesmo tempo em que ganhara uma nova família, ela também perdera uma mãe, um pai, uma tia e amiga. Como alguém reagiria a tudo isso de uma única vez?

Talvez por isso Liza estivesse como estava.

A garota usava um vestido preto simples, uma fita de cetim cinza cingia-lhe a cintura. Ela não chorava, mas tinha os olhos vermelhos e inchados, vidrados em lugar nenhum. O semblante deixava transparecer uma profunda melancolia. Ao ver a amiga, Ciel sentiu-se penalizado por ela, pois ele sabia como o medo e a tristeza podia destruir alguém. Torcia para que a amiga mostrasse ser a garota forte que ele sabia que ela era, pois, se a dor não a destruísse a faria mais forte.

Apesar de a cerimônia ter sido realizada naquele cemitério, o caixão não seria enterrado ali. O corpo da Amanda seria cremado e levado para o mausoléu da família, em Londres. Quando todos se levantaram para cumprimentar e dar os pêsames ao familiares, Ciel reconheceu um corvo que estava sobre uma lápide.

Ele admitia, era estranho o fato de ele “achar” que reconhecera o corvo, afinal aquele corvo era exatamente como qualquer outro. Mas algo lhe dizia que, aquele específico corvo era o de Evelyn. Afastou-se dos outros convidados e caminhou até a ave negra. Esta levantava voo e pousava na lápide mais adiante, distanciando o jovem cada vez mais da multidão. Impaciente, Ciel tentou chamar o pássaro, dando-se conta de que não sabia o nome dele. Que idiotice! Quem dissera que aquele corvo tinha nome? Estava ficando maluco mesmo. Deu meia volta, riu de sua própria bobagem e começou a voltar para os outros convidados.

“Pou”

Escutou a pronúncia de um nome a suas costas. Virou-se imediatamente balbuciando um “O quê?”.

– Eu disse que o nome do corvo é Poe.

Depois de tanto tempo, ali estava ela. Com seu vestido preto e vermelho. Os cabelos negros e curtos. A pele branca e os olhos bicolores de um azul e um vermelho intensos. Graciosa e misteriosa como sempre.

– Evie! – exclamou estranhamente feliz e surpreso.

– Eu mesma.

– Onde você estava? Por que desapareceu?

– Fiquei com medo.

– De quê?

– De você estar bravo comigo por eu ter te machucado. Não foi por querer, sabe? – a menina aproximou-se de Ciel e inclinou-se para ele como se fosse contar-lhe um segredo, automaticamente, Ciel inclinou-se também. – Eu não podia usar aquele tipo de poder, perco o controle quando uso eles, e você não podia ter me tocado enquanto eu os usava. – falava balançando o dedo em desaprovação, dando-lhe uma bronca.

– Sinto muito por não ter sido avisado disso com antecedência – ironizou.

– Não se preocupe, eu perdoo você. – falou de um jeito meigo e todo cheio de razão, indignando Ciel. A menina arrancou uma pequena margarida que crescia ao lado de um túmulo e sentou-se sobre uma lápide, balançando as pernas. Girava a pequena flor nos dedos e olhava o corvo bicar uma cruz de pedra logo adiante. Depois voltou a falar do nada. – Eu também me machuquei. Demorei pra me achar e te encontrar novamente. Do lado de fora, só posso ir aonde ele vai.

A menina observava o corvo com ar triste. Ciel não entendeu muito bem o que ela quis dizer.

– Então, por que você apareceu?

– Como assim?

– Sempre que você aparece, é pra me meter em alguma confusão ou ajudar...do seu jeito.

A menina olhou-o nos olhos e sorriu.

– Desta vez, eu senti saudades sua, por isso vim.

– Quando você me avisou de um convite que eu teria de aceitar, estava se referindo ao convite dos Phantomhive para ser um Cão da Rainha?

– Hum, hum.

– Quando falou sobre o assassino estar perto, não se referia ao Sebastian.

– Não. Por que achou que fosse ele?

Ciel não respondeu. Aquele dia foi tão confuso e Sebastian também não é do tipo confiável. Não é à toa que tudo se misturou na sua cabeça levando-o a conclusão errada. E encontrar o moreno com a Amanda morta também atrapalhou as coisas. Como Ciel poderia imaginar que Sebastian era um demônio e que Amanda tinha feito um contrato com ele?

– Tenho um aviso pra você. – Evie falou. Sua voz abandonava o tom doce e gentil e adquiria um tom sombrio. – Você só conta os seus maiores segredos para o seu amigo mais confiável. Mas se este passa a ser seu inimigo, então ele deve morrer. Antes que dê com a língua nos dentes ou que escreva o que ninguém jamais deve ler.

– O que isso quer dizer, Evie?

– Leia um livro.

Isso era uma piada? Estava pronto para dizer uns desaforos para a menina, quando viu os olhos delas se arregalarem em espanto e logo em seguida ouviu a voz de Sebastian as suas costas.

– O que está fazendo, Ciel? – os olhos do moreno o espreitavam com desconfiança.

Ciel olhou em volta e viu que Evie havia desaparecido.

– Nada.

– Estava falando sozinho.

– Não estava não. Vai ficar parado aí feito um dois de paus ou vai voltar comigo? – falou emburrado.

Ciel percebeu que segurava uma margarida na mão. Jogou a flor sobre o ombro, a qual caiu sobre a lápide que a pouco Evie estivera sentada. E seguiu entre as lápides.

Sebastian olhou para pequenina flor branca e leu o nome gravado na pedra: “Melissa Utterson”. Ninguém em especial. Sebastian viu o jovem se afastando, provavelmente exercendo a sua personalidade mais birrenta. O moreno sorriu, suspirou e pôs-se a seguir o jovem.

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O sábado amanheceu frio. Uma densa neblina cobria a maior parte de Liverpool. Embora a cidade ficasse próxima do mar, aquele fenômeno ainda era raro. Os carros tinham de transitar com os faróis ligados. O dia parecia noite. Não era possível enxergar a longas distâncias, não se via nada além de um cobertor branco. Alguns achavam o clima perfeito. Outros ficavam admirados. Outros um tanto apreensivos. E outros, temerosos.

Ciel passara a manhã em casa, tentando fazer os deveres da escola, mas sua mente teimava em lembrar-se do Sebastian. Iria vê-lo à tarde e a ansiedade do motivo de sua visita tirava sua concentração. A relação deles tinha ficado bem mais íntima e Ciel se perguntava "por que não?". Resolveu preparar-se logo, calmamente. Tomou um banho bem demorado, talvez o mais demorado de sua vida. Estava limpo. Nem mesmo acreditava que estava fazendo isso. E se fosse uma ideia ruim? Escolheu uma roupa apropriada para o dia frio. Até chegar a hora, estaria pronto ou desistiria. O que sua coragem achasse melhor.

Por volta das três horas da tarde, Sebastian foi atender a porte da sua casa. Era Ciel.

– Aqueles três idiotas virão aqui hoje? – perguntou já adentrando a casa. Usava um casaco preto e luvas para se proteger do frio.

– Não.

– Ótimo.

Sebastian trancou a porta e seguiu o jovem até a sala. Curioso.

Ciel parecia determinado e ao mesmo tempo receoso. Parou em frente ao sofá, mas não se sentou. As sobrancelhas quase unidas, no rosto, a sua costumeira expressão emburrada.

– Aconteceu alguma coisa? – Sebastian perguntou. Viu o garoto encará-lo, abrir a boca para dizer algo e não dizer nada, ficar vermelho e desviar o olhar. Sebastian sorriu de canto. – Deseja alguma coisa, Ciel?

O adolescente o olhou feio. Caminhou até ele e segurou seu pulso, dizendo:

– Só... Não diga nada.

Ciel puxou Sebastian pelo braço, guiando o homem escada a cima até chegarem ao quarto. Ciel parou na frente do moreno e, ficando nas pontas dos pés, beijou-lhe os lábios. Depois parou e fitou a camisa do maior.

– É hoje, Ciel? – Sebastian perguntou com um sorriso satisfeito.

– Hum, hum – respondeu constrangido, sem olhar o homem nos olhos.

– Estava tão determinado quando chegou. Tem certeza de que quer fazer isso? – Ciel assentiu com a cabeça. – Você não é obrigado a fazer o que não quer. Tem certeza de que não está fazendo isso apenas porque eu disse que queria?

– Se eu vim aqui é porque EU quero – respondeu zangado. Ao ver o sorriso no rosto do maior percebeu o que suas palavras significavam: a declaração do seu desejo pelo outro. – Por que esperar mais tempo?

– Tudo bem.

Sebastian passou as mãos pelos cabelos do garoto. Segurou seu rosto e o beijou nos lábios, depois na testa. Pediu que o jovem esperasse um pouco. Foi até o banheiro, voltou com um pequeno frasco que colocou sobre o criado mudo ao lado da cama. Abraçou o jovem por trás e sussurrou uma música:

Time waits for no one

O tempo não espera por ninguém

So do you want to waste some time,

Então você não quer perder algum tempo

Oh, oh, tonight?

Oh, oh, hoje à noite?

Don't be afraid of tomorrow

Não tema o amanhã

Just take my hand, I'll make it feel so much better tonight.

Apenas pegue minha mão, eu o farei sentir muito melhor esta noite

[...]

You've got to lose inhibition…

Você tem que perder a inibição...

Ciel virou-se para o moreno. Sentia seu coração acelerado.

Sebastian acariciou o rosto do jovem. Tocou-lhe os lábios por um momento, sentindo a maciez daquela rosada pele virgem. Passou o braço esquerdo pela cintura do menor puxando-o para mais próximo de seu corpo. Tomou-lhe os lábios num beijo.

A princípio, lento. Macio. Terno. Ciel sentia Sebastian sugar-lhe os lábios delicadamente, de um jeito carinhoso e ao mesmo tempo sensual, apertando seu corpo ao dele. As mãos correriam por seu corpo, às vezes sentia os dedos dele adentrando o seu cabelo, às vezes apertavam seu quadril. Sentia seu próprio coração bater cada fez mais forte. Seu corpo esquentando um pouco. Suas mãos trêmulas acariciavam as costas do maior. Um certo receio o amedrontava, mas o desejo o impedia de parar. Sebastian beijava-lhe o pescoço. O moreno tinha um cheiro terrivelmente agradável, um aroma sedutor que o atraia para a perdição. Sentia-se completamente envolvido pelos toques do outro, pela língua sedenta que invadia sua boca, tomando-lhe o ar e o sabor. Tocando e massageando cada canto de sua cavidade bucal. Dessa vez, Ciel não precisava se controlar, não precisava parar, nem ter medo de continuar como das outras vezes. Porque já havia se decidido, sabia o que queria e o que desejava. Pronto ou não, a partir dali não havia mais volta.

Era o ponto sem retorno.

Sebastian guiou-o até a cama, sem quebrar o beijo. Lentamente. Segurou a mão do jovem, mordendo a luva dele e tirando-a com os dentes. Tirou o casaco que o jovem usava, o pulôver azul escuro, e...

– Espera, espera... – Ciel interrompeu o outro, ofegante. Olhou o homem de um jeito misterioso. A curiosidade pelo corpo alheio e a vergonha do próprio se misturando. – Você primeiro.

Ordenou, inclinando o corpo para trás e apoiando os cotovelos sobre o colchão. Sebastian sorriu de um jeito malicioso e se afastou três passos da cama.

Retirou o colete e o largou ali mesmo no chão. Desabotoou os botões da própria camisa, um a um, de cima para baixo, revelando primeiro o peito, depois o abdome. Quando os botões acabaram, não tirou a camisa de imediato. Encaminhou os dedos para a fivela do cinto. Depois para o botão da calça e deslizou o zíper lentamente. Deixou que a calça escorregasse por suas pernas até tocarem o chão, deu um passo à frente, abandonando a peça de roupa para trás.

Vestia apenas a camisa branca aberta e uma cueca boxer preta.

O homem levou a mão direita até o peito, deslizando-a sobre o abdome. Segurou a barra da peça intima que contrastava com a pele alva, puxando-a para baixo, revelando seu baixo ventre e alguns pelos. Continuou puxando o tecido para baixo, mas antes que esse revelasse tudo, Sebastian soltou a cueca fazendo o tecido voltar ao seu lugar, cobrindo-lhe devidamente as partes íntimas.

Inconscientemente desapontado, Ciel olhou para o rosto do homem em busca de resposta. Sentiu o rosto queimar ao ver o sorriso cínico que se desenhava nos lábios do mais velho, dando-se conta de que devia estar observando com grande cobiça o outro despir-se. Sebastian tirou a camisa branca, e Ciel não conseguiu evitar que seus olhos se direcionassem para a única peça restante. O homem tinha formas perfeitas. Alto e esbelto. Músculos definidos, mas não exagerados. Simplesmente olhar para ele assim, seminu, já provocava um desejo tentador de tocá-lo, sentir seu calor, seu toque. Não fora justamente admirando aquele corpo que se sentiu excitado pela primeira vez?

Sebastian abriu os braços e sorrindo perguntou:

– Lhe agrado?

O jovem apenas fechou o cenho em resposta, irritado e constrangido com a audácia do outro. Seu coração parecia querer saltar do peito. Sebastian foi até ele. Ciel sentiu uma pontinha de arrependimento por mandar o mais velho despir-se primeiro, agora que o via mais de perto e sem as roupas, ficou mais receoso de livrar-se das próprias. O colchão afundou sob o peso do homem que se deitou sobre o corpo do jovem, tomando-lhe os lábios e abraçando sua cintura. Ciel teve até receio de tocar o outro, mas, antes que percebesse, suas mãos exploravam a pele macia e fria do maior, segurando os ombros largos. Sebastian pressionava-lhe o corpo com grande desejo, beijava-lhe com ternura e lascívia. Os beijos fugiam dos lábios e espalhavam-se pelo rosto, pelo pescoço, pela clavícula e pelos ombros do jovem, só para em seguida, fazer todo o caminho de volta, perdendo-se por completo entre os lábios juvenis.

O beijo era lento, porém, mais intenso, mais profundo. Não tinham pressa, aquele dia era unicamente para que pudessem apreciar o sabor um do outro com toda a atenção. Sebastian movimentou o corpo sobre o do garoto, arrancando-lhe um gemido entre o beijo. Interromperam o beijo por um instante. Os olhos se cruzaram com uma intensidade avassaladora, como se um fosse capaz de enxergar dentro do outro.

– Confia em mim?

– Hum, hum.

Sebastian levantou-se, e sem tirar os olhos dos do garoto, soltou o fecho da calça do menor. Nunca o barulho de um zíper se abrindo pareceu tão alto para Ciel; teve a impressão de que se alguém estivesse passando em frente à casa naquele momento, saberia que uma calça havia sido aberta e que um adolescente estava prestes a perder sua virgindade. O jovem levantou o quadril para que Sebastian pudesse puxá-la, quando a peça de roupa foi tirada, já se sentia completamente desprotegido. Não sabia o que devia fazer com as mãos ou com os pés; ficou paralisado.

O homem deslizou as mãos pelas coxas macias e quentes, apertando o quadril e a cintura, adentrando a camisa do jovem. Segurou o tecido da camisa e retirou a mesma pela cabeça do garoto, que levantou os braços para facilitar a retirada da roupa. Sebastian pousou as duas mãos sobre os ombros do adolescente. Estavam os dois com uma única peça, de joelhos sobre a cama.

Sebastian pediu que Ciel deitasse. Respirou o perfume maravilhoso que emanava da pele tenra. Deu um pequeno selinho nos lábios vermelhos do jovem e distribuiu beijos da boca até o umbigo do mesmo. E daquele ponto, deslizou a língua por todo o abdome do garoto até chegar ao pescoço. O ato libidinoso fez Ciel respirar fundo, surpreso. O mais velho sorriu, ainda nem tinha começado.

As mãos e a língua de Sebastian começaram a trabalhar juntas para proporcionar prazer ao jovem ou torturá-lo. Ele acariciava e massageava todo o corpo do menor, beijava aquela pele branca e pura, em seguida lambia a carne macia, provando do sabor que o garoto possuía. Tocá-lo daquela maneira era uma sensação indescritível. Ciel era como seu veneno. Ele maculava o jovem com sua impureza e sua luxúria, mas era aquele garoto que o aprisionava. A inocência da primeira vez, a descoberta do prazer, tão delicioso. Queria provocá-lo ao máximo, estimulá-lo, o prazer dele era seu elixir de ânimo. Cada gemido, cada ofego, cada vez que via Ciel morder o canto do lábio tentando prender um gemino, sentia-se mais e mais excitado. Lambia aquele corpo quente com desejo. Pressionava e massageava os mamilos rosados, algumas vezes sugando-os com vigor outras mordiscando de leve, apenas para ver o rosto do pequeno se contrair.

As carícias de Sebastian faziam seu corpo aquecer-se mais e mais. Sebastian lambia, beijava e sugava sua pele, e vez ou outra, voltava para beijar-lhe a boca. Alguns beijos eram rápidos e simples, outros invadiam sua boca, tocando cada parte de sua língua de maneira intensa. Em certo momento, Sebastian começou a beijá-lo lentamente, carinhoso. Era um beijo demorado. A mão do homem, deslizou por seu corpo novamente, mas, desta vez, continuou a descer, tocando o tecido da cueca, movendo a mão lentamente, acariciando o órgão que estava guardado ali em baixo. O toque surpreendeu Ciel, que se sobressaltou um pouquinho.

– Tudo bem, Ciel – Sebastian falou ao seu ouvido com uma voz sedutora e tranquila. – Já se tocou antes? Dessa forma? – começou um lento movimento para baixo e para cima, ainda sobre o tecido.

– Uma vez – Ciel prendia os gemidos na boca e um quase conseguiu escapar quando fora responder.

Sebastian voltou a beijá-lo e continuou com a massagem. Quando percebeu que Ciel já estava acostumado ao toque, adentrou a roupa íntima do garoto, sentido o falo semi-ereto sob seus dedos, prosseguiu com a massagem.

– Seb... Ahh.... – Ciel deixara um gemido escapar. O toque gelado e extremamente íntimo fazia seu corpo ferver. Sebastian continuava estimulando seu membro. Fechava os olhos tentando sentir melhor aquela onda de prazer, tentando controlar o próprio corpo. Movia o quadril algumas vezes, o que não passou despercebido do outro. Quanto mais Sebastian o masturbava, mais desejo sentia. Um anseio por mais daquele ser tão provocante quanto só um demônio poderia ser. Ciel ergueu o tronco, segurou o rosto do homem e o beijou com urgência. Respirando o aroma do corpo do mais velho, beijando-lhe o pescoço, sugando a pele. – Você está me torturando, Sebastian – sussurrou ao ouvido do homem.

– Não seja apressado – Sebastian retirou a mão e empurrou delicadamente o menor para a cama. – vamos ver o seu tamanho?

Sebastian livrou Ciel da cueca, deixando o garoto nu em pelo. Parecia que o coração do garoto sairia pela boca. O ar frio ao tocar sua pele dava uma sensação de choque. E a maneira como Sebastian olhou para seu corpo, lhe deu a impressão de que estava mais nu do que já estava. Se aquele olhar simbolizava a luxúria, então estava satisfeito por conseguir provocar a luxúria de um ser como Sebastian, embora não soubesse exatamente o que ele via no corpo de um adolescente sem graça.

– Você é perfeito, Ciel. As mulheres adorariam vê-lo agora.

Sebastian segurou o pé do garoto, beijou-o e o encostou ao próprio rosto. Suas mãos prosseguiram pela perna e a coxa, sempre apertando e beijando. Até que seus dedos tocassem a virilha, e caminhassem até o falo virgem. O jovem estremeceu ao toque. Sebastian segurou o membro pela base, pressionando os testículos, e iniciou um movimento de sobe e desce. Ciel apertava os lençóis com toda a força, tentando manter-se em silêncio a todo custo. Era uma tortura terrível, terrivelmente prazerosa. Sebastian aumentou a velocidade com que movimentava a mão, apertando mais um pouco o membro. Logo a pele do prepúcio se contraiu ao máximo, deixando toda a pele avermelhada da glande exposta. Ciel estava completamente hirto e rijo. Era o momento certo para o segundo passo.

Ciel viu Sebastian levar dois dedos a boca e sugá-los. Separou mais as pernas do garoto e tocou-o no seu ponto mais íntimo.

– O que vai fazer?

– Preparar você. Por favor, não se contraia dessa forma quando eu for entrar em você, poderá se machucar. – o sorriso afetuoso e o jeito preocupado com o qual falou, só deixou o jovem mais envergonhado ainda. – Relaxe. Relaxe. Vê, fica mais fácil. – À medida que Ciel ia relaxando, Sebastian ia introduzindo um dedo. – Dói?

O menor não olhou para ele, a jovem face corada apenas fitou o teto. Estava ofegante.

– Não. É só... Estranho, desconfortável. – “Ótimo” foi o que Ciel escutou Sebastian dizer e sentiu-o começar a movimentar o dedo em seu interior. Não doía mesmo, mas era uma sensação estranha e constrangedora. Sebastian movia o dedo e acariciava suas nádegas e a parte interna da coxa. Quando sentiu ser invadido por dois dedos, o moreno inclinou-se sobre ele, beijando-lhe os lábios e dizendo que estava tudo bem. Logo veio o terceiro e, desta vez, Ciel sentiu uma pontinha de dor e ao mesmo tempo uma sensação de volúpia inexplicável.

Sebastian desejou mais ainda o jovem ao constatar que ele havia se preparado antes de vir entregar-se, o que significava que ele realmente queria transar com o demônio. O moreno mordeu os lábios ao imaginar o garoto no banho. Os olhos castanhos viram com grande prazer a primeira gota do pré gozo surgir na ponta da glande. Sebastian não resistiu, lambeu aquele pequeno líquido, seus olhos adquirindo um brilho avermelhado e arrancando um gemido mais alto do menor. Deslizou sua língua pela ereção do garoto, lambia a virilha e os testículos até abocanhar por completo o membro.

– S-sebastian! Ahh... não...

Sebastian o sugava com intensidade e paixão. Ciel agarrou os fios negros do cabelo do homem que mantinha a cabeça entre suas pernas. Sebastian o sugava e estimulava sua entrada. Ciel sentia todo seu corpo tremer e queimar como se ardesse em febre. Suas unhas deixavam cinco marca avermelhada no ombro do homem. A boca e a língua de Sebastian tomavam seu pênis com tanto vigor que Ciel sentia que o mais velho fosse capaz de arrancá-lo fora. Uma tensão indescritível lhe invadia o corpo, seu baixo ventre sofria espasmos, seu membro latejava tanto que chegava a doer. Parecia que seu corpo estava preste a explodir.

– Sebastian, S-sebastian pare, eu não... não... humm – contorcia-se e cravava as unhas na pele do outro.

Sebastian sentiu que o jovem estava quase no limite. Aumentou a sucção até ouvir seu nome ser pronunciado mais uma vez antes de sua boca ser invadida por um jato quente. O prazer liquefeito do garoto. A pureza da inocência sendo perdida. A primeira vez que Ciel gozava na vida. E aquele sabor era sem igual. A única coisa que lhe dava a prova de que aquela alma era imensamente deliciosa.

Ciel deixou seu corpo suado cair sobre o colchão. Sentia uma onda de espasmos percorrerem cada músculo seu. Por um instante não conseguiu perceber nada além daquela sensação em seu corpo. Logo os beijos de Sebastian queimavam seu abdome. Estimulavam seus mamilos. O maior o beijou ternamente nos lábios e fitou os olhos azuis com ansiedade.

Ciel acariciou o rosto e os cabelos molhados de Sebastian, aquele demônio parecia mais bonito e mais sedutor suado como estava. Ciel o beijou na curva do pescoço, massageando-lhe o peito alvo e o provocando com uma mordida perto da orelha. O garoto o abraçou iniciando um beijo de língua, arrancando um gemido quase inaudível do mais velho ao pressionar propositalmente seu corpo contra o membro dele.

– Eu quero você, Sebastian – sussurrou no ouvido do outro.

– Se estiver pronto, prometo ser carinhoso.

– Se eu mandar parar, você para.

– E onde estaria a graça?

Sebastian guiou as mãos do jovem até o tecido de sua boxer preta. Ciel retirou a cueca do homem e se deparou com uma ereção maior que a sua. Olhou para o outro que se atentava para cada reação sua com grande prazer. Com um sorriso maroto ele disse:

– O que posso fazer? Você me excita.

Constrangido, Ciel começou a estimular o membro do adulto. Mantinha o rosto abaixado, fugindo dos olhares do outro. Os orbes azuis fixos no falo rijo em suas mãos. O membro era pulsante e quente. Sebastian deixou um gemido escapar de propósito, apenas para ver a reação do menor. Ciel, aos poucos, voltou a ficar excitado. Os dois sentaram-se de frente um para o outro, Sebastian colocou as penas do jovem sobre as suas; uma de cala lado de sua cintura. Puxou o jovem para mais perto de seu corpo, pressionando os dois falos entre os abdomes. Beijavam-se com paixão e carinho. Ciel depositava beijos no ombro do maior enquanto este acariciava os dois falos ao mesmo tempo.

– Está pronto?

– Sim.

– Vai doer um pouco, mas não precisa ficar com medo. Vamos fazer isso juntos. Se fizer o que eu disser, não machucarei você. – Sebastian usara um tom mais terno e gentil. Ciel não estava com medo, sentia-se seguro e, naquele momento, ele não queria estar com nenhuma outra pessoa. Mantendo a mesma posição dos corpos, Ciel repousou as costas no colchão de modo que Sebastian continuasse entre suas pernas. – Lembra como você se contraiu há pouco? Não faça novamente. Relaxe e fique calmo, quando sentir que está pronto me diga.

Ciel respirou fundo, segurando o travesseiro com as duas mãos. Sebastian pegou o pequeno frasco sobre o criado-mudo, desenroscou a tampa e retirou dali um tipo de gel, o qual espalhou sobre o próprio pênis e depois aplicou um pouco na entrada de Ciel, fazendo movimentos circulares ali. Posicionou a glande de seu membro no centro de Ciel e aguardou um sinal. Ciel assentiu com a cabeça e Sebastian pressionou seu membro contra a entrada do jovem, vendo com satisfação o rosto juvenil se contrair, o exato momento em que o menino abandonava completamente a infância, para conhecer os prazeres da vida adulta. A inocência roubada, não, a inocência entregue, e de boa vontade. Parou a penetração no exato momento em que viu a glande ultrapassar o esfíncter anal. Mandou o jovem relaxar novamente, e quando esse não estava mais contraído o penetrava um pouco mais. Ciel sentiu um pouco de dor mais nada tão insuportável, Sebastian controlava a penetração de modo que não o machucasse, e todo o tempo acariciava seu corpo e sua ereção. Sem causar dano ao jovem, Sebastian lentamente conseguiu entrar completamente naquele espaço apertado.

Ciel sentia um desconforto, todo aquele volume o fazia se sentir cheio. Não era todo dia que tinha um pênis inteiro em seu interior. A princípio, ficou quieto, tentou mover o quadril para ver se melhorava, mas conseguiu apenas arrancar um gemido de ambos. Ao sinal do adolescente, Sebastian retirou-se quase que completamente e o penetrou novamente, movimentava-se de forma lânguida, com estocadas profundas e lentas. Ele segurava o quadril do jovem com força, deliciando-se com a pressão daquelas paredes estreitas sobre seu membro. Era realmente prazeroso! E o melhor de tudo era ter a certeza de que aquele garoto era apenas seu.

Só de olhar a maneira sensual que Sebastian movia o corpo para estocá-lo, Ciel ficava mais excitado. Era a primeira vez que alguém o tocava de forma tão íntima. Os corpos suados, a respirações ofegantes, os gemidos mudos que ambos não tentavam mais esconder. Estavam entregues um ao outro. Os olhos azuis percorriam os músculos suados e o rosto adulto e bem-feito ornado por cabelos negros úmidos. Aquele movimento de vai e vem tocando-o cada vez mais fundo e massageando sua próstata. Não havia explicação. As investidas de Sebastian estavam cada vez mais rápidas e intensas.

– S-sebastian...

Sebastian deitou-se sobre Ciel, os corpos deslizando um sobre o outro, o membro do menor sendo comprimido pelos ventres. Encaixavam-se perfeitamente. Beijavam-se quando conseguiam. A dança luxuriosa dos corpos roubava-lhes o ar. Logo os movimentos que começaram lentos e cautelosos, tornaram-se mais urgentes e profundos. O barulho dos corpos se chocando era ouvido em todo o quarto. Ciel abraçava-se a Sebastian com desejo, movimentando o quadril para facilitar a penetração, mordeu o lábio inferior com tanta força que o fez sangrar. Sebastian sugou o sangue voltando a beijar aqueles lábios vermelhos com uma necessidade sem igual. A entrada do garoto parecia cada vez mais estreita. Mais apertado. Tão delicioso!

O corpo de Ciel ardia como se estivesse em chamas, não sabia se Sebastian queimava os lábios ao beijar sua pele ou se eram os beijos dele que queimavam seu corpo. Contorcia-se num prazer sem igual, deslizando seus pés pelas pernas do outro, tocando aquele corpo perfeito, o peito, as costas largas, o quadril que se movimentava libidinosamente, as nádegas macias. Tudo naquele homem parecia feito pra lhe seduzir e o levar a perdição. Estava em êxtase, enlouquecido pelo cheiro lascivo que emanava dos corpos. Estava no seu limite.

As mãos se entrelaçaram.

– S-sebastan, Seb... eu não.... eu vou... eu..

Balbuciava palavras sem nexo até que seu gozo foi liberado ente os corpos ainda em movimento. Os espasmos percorriam seu corpo ao mesmo tempo em que continuava a ser estocado. Sebastian deu três investidas e mais uma última investida mais profunda e sofrida, antes que Ciel pudesse sentir um jato quente invadir seu interior.

Ofegantes. Respirações descompassadas. Entreolharam-se com um reconhecimento cúmplice que só a intimidade era capaz de proporcionar. Ciel levantou o tronco e deu um selinho em Sebastian, deixando-se cair sobre o colchão novamente. Sentiu Sebastian sair de dentro de seu corpo e limpá-lo com um lençol, ainda tremia e as imagens rodavam em sua cabeça. O moreno beijou, carinhosamente, seu pênis – agora flácido e dolorido –, seu umbigo, seu peito, seu pescoço, seu queixo e seus lábios. Deitou-se ao lado do jovem e afagou seu rosto suavemente.

– Você foi maravilhoso. Descanse... Meu Ciel.

Ciel virou-se de lado e aconchegou-se no peito do homem que abraçou sua cintura. Sebastian podia sentir o cheiro maravilhoso que o jovem tinha, podia ouvir os batimentos cardíacos dele aos poucos se normalizarem. Ciel fechou os olhos sentindo o cheiro do corpo do outro; sentindo os dedos de Sebastian acariciarem sua pele nua. Ficaram um bom tempo deitados juntos, apenas sentindo a respiração um do outro. Até Ciel, cansado, pegar no sono.

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.

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O jovem não fazia ideia de que horas eram, depois de tudo, ignorava completamente que estavam em plena tarde, e o tempo frio e fechado transformara o dia em noite. Uma noite apaixonada.

Quando Ciel acordou, estava sozinho na cama. Virou o rosto para o lado e viu a poltrona virada para a janela.

– Sebastian? – sussurrou com a calma de quem acabou de acordar. A cabeça do homem apareceu ao lado da poltrona buscando o dono da voz que o chamava. Levantou e foi em direção à cama. – SEBASTIAN!! – o jovem exclamou recobrando de vez a consciência. O homem parou.

– O que foi?

– V-você está nu. – disse baixinho desviando os olhos. Sebastian olhou para o próprio corpo e sorriu.

– E o que tem isso? Há pouco não tocaste em cada parte de mim? – Ciel franziu a testa, estava ainda mais envergonhado. Sebastian segurou o rosto do garoto entre as mãos e beijou-o ternamente. – Sabia que eu adoro essa sua cara emburrada? Está tudo bem com você?

– Hum, hum. Eu dormi muito?

– Uns quarenta minutos. São cinco horas.

– Tenho que ir pra casa. Posso tomar banho aqui?

– Só se for comigo.

– Não começa a se aproveitar, não.

Ciel levantou-se da cama completamente despido. Ao caminhar para o banheiro pôde sentir seu corpo dolorido.

– Tudo bem, Ciel. É normal na primeira vez. Sexo é uma atividade física e, como tal, requer prática.

– Está falando desnecessariamente. – gritou do banheiro. Ciel entrou sob o chuveiro e sentiu a água percorrer toda a sua pele. Fechou os olhos lembrando-se de cada toque. – Sebastian! – chamou.

– Sim? – o garoto ouviu a voz do lado de fora do banheiro.

– Eu gostei. – disse baixinho. Um humano não conseguiria ouvi-lo, mas o sorriso no rosto de Sebastian provava que um demônio podia.

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Assim que Ciel entrou pela porta de sua casa foi surpreendido por uma irmã encolerizada.

– CIEL ONDE VOCÊ ESTAVA?! VOCÊ E O PAPAI SÃO DOIS IDIOTAS QUE ANDAM COM O CELULAR DESLIGADO. EU LIGO, LIGO E NINGUÉM ATENDE ESSA JOÇA. TEM CELULAR PRA QUÊ? ANDA TÁ FAZENDO O QUÊ AÍ PARADO? ME AJUDA!

– O que houve? Por que esse desespero?

A garota andava de um lado para o outro, abrindo gavetas e retirando as almofadas do sofá.

– Mamãe entrou em trabalho de parto. Tenho que levá-la agora para o hospital. TÁ ESPERANDO O QUÊ? SE MEXE! VAI PEGAR A BOLSA LÁ EM CIMA QUE EU VOU LIGAR O CARRO.

– E a mamãe?

– Tá no carro, eu tô procurando as chaves que se enfiaram não sei... ACHEI!! Anda, Ciel!

Ciel correu até o quarto dos pais para pegar a bolsa do bebê e as coisas da mãe. Descia as escadas rapidamente enquanto Angie buzinava na porta da frente.

Bibibi Bibibi bibiiiiiiii!!!!!!!!! Biiiiiii!!!!!!!!!!!!

– ANDA LOGO, Cieel!!

– Angie querida, eu estou apenas tendo um bebê, não estou à beira da morte.

– Ficou maluca? Com todo o respeito. Se não chegarmos ao hospital a tempo eu terei que fazer o parto eu mesma aqui em casa. A senhora sabe todos os risco que um parto na sua idade oferece tanto a mãe quanto ao bebê?

– Obrigada pelo conforto filha. Tenho pena dos seus futuros pacientes.

– Obrigada mãe. Só estou sendo clara. CIEL SE VOCÊ NÃO DESCER LOGO COM ESSAS BOLSAS EU JURO QUE PASSO COM O CARRO POR CIMA DE VOCÊ!

– Eu já estou aqui. Não fique me dando ordens! Onde eu coloco essas coisas?

– No banco de trás com a mãe. Entra aí. Rápido!

Angélica pisou no acelerador e saiu procurando todos os atalhos que conhecia até o hospital.

– Angélica vá mais devagar. – pedia a senhora Valentine.

– Se eu for devagar não chegaremos a tempo.

– Se morrermos também não. – Ciel ironizou.

Enfim chegaram ao hospital. E a senhora Valentine foi imediatamente encaminhada para a sala de parto. Ciel e Angie ficaram na sala de espera. Esperando. Impacientes.

– Machucou o lábio? – Angie perguntou do nada.

– O quê?

– Seu lábio, tá ferido. – o garoto levou os dedos ao lábio inferior, sentindo uma leve ardência ao tocar a língua no local. Lembrando-se de como conseguira o ferimento.

– Devo ter mordido enquanto descia as escadas, aparvalhado por seus gritos. – mentiu sem dar maior importância.

Duas horas depois o médico veio até os dois irmãos.

– E então doutor? – Angie tomou a frente.

– Sua mãe passa muito bem. Tem uma saúde de ferro. O bebê também tem ótima saúde. Parabéns, vocês ganharam uma irmãzinha!

– Podemos vê-las?

– Claro. Pode entrar.

Ao entrarem no quarto, encontraram a mãe com um pequenino embrulho nos braços. Era um bebê rosadinho e dormia tranquilamente. Angie chovia paparicos e elogios sobre o bebe e a mãe. As duas tinham um brilho no olhar e uma alegria radiante que só o instinto maternal era capaz de provocar. Ciel sentia um estranho contentamento ao ver a pequena irmãzinha e ao mesmo tempo, uma estranheza de não saber o que dizer ou como agir, resignou-se apenas a comtemplar o pequeno ser nos braços da mãe.

– Que nome a senhora vai dar?

– Ainda não decidi. Vamos esperar seu pai chegar pra escolher.

– Ah não! Deixa-me escolher? Papai decidiu o meu nome, a senhora o do Ciel. Nada mais justo que eu escolher o da minha irmãzinha.

Angie e Hortence passaram um bom tempo discutindo qual o nome que mais combinava com a nova Valentine.

– Ciel pode tentar ligar pro papai novamente?

– Ok.

Ciel retirou-se do quarto por um instante. Tentou ligar para o pai umas duas vezes e somente na terceira tentativa, conseguiu avisá-lo. Caminhou pelo corredor do hospital tentando passar o tempo. Enquanto passava pela ala da maternidade, Ciel sentiu uma estranha tontura. Seu olho direito começou a arder novamente, parecia que a lente que cobria seu olho imperfeito estava em chamas. A vertigem repentina o levou a se apoiar na parede. Sua cabeça doía e mal conseguia pensar. Sentiu algo escorrer de seu nariz, assustou-se ao perceber que era sangue. Deparou-se com seu reflexo no vidro de uma das salas, assustado tentou estancar a hemorragia nasal, não sabia por que aquilo estava acontecendo. Ficou ainda mais atônito ao ver uma grande quantidade de sangue pingar no piso branco do hospital. O sangue escorria de dois profundos cortes em seus pulsos.

– Não. Eu não fiz isso.

Ciel tentava parar o sangramento, mas parecia que seu sangue se esvairia completamente.

Preocupada com a demora do irmão, Angie foi procura-lo. Encontrou o garoto caído no corredor, ele se debatia como se estivesse tendo um ataque.

– Socorro! Ajuda, aqui!

Logo, enfermeiros e médicos apareceram para acudir o adolescente. Perguntaram se ele tinha epilepsia, Angie informou que não. Tentavam acalmar o jovem. Quando Ciel parou de se debater, sua respiração parou. Um médico pediu um desfibrilador automático que foi imediatamente entregue por uma enfermeira. Ciel recebeu dois, três, quatro cargas elétricas até seu coração voltar a bater e ele voltar a respirar. Enquanto Ciel era levado para um quarto ainda inconsciente, Angélica se perguntava o que teria acontecido para provocar tal reação. Achou melhor não contar a mãe e esperar que o irmão acordasse. Ficou por alguns instantes observando o irmão deitado numa maca. Seu corpo estava intacto. Sem ferimentos.

Sem uma mancha de sangue sequer.

Notas finais
E então, meu primeiro lemon E primeira cena de sexo que escrevo na vida.... peguem leve. Não, sério, o que acharam?...não sou boa nessas coisas....Nota de esclarecimento: "ciel tomou um banho demorado, talvez o mais demorado de sua vida. Estava Limpo", não quiz deixar claro, mas Ciel se preparou ( se é que vcs entendem) para sua tarde caliente com o sebby.Tive uma ideia, vou deixar vocês escolherem o nome da irmã do Ciel. aceitando sugestões. o nome que eu achar mais legal estará no próximo cap.a música que aparece na fic é "Illuminated" - Hurts....foi essa música que me inspirou pro lemon, se não conhecem, confiram, tem um ritmo sedutor.espero que não tenha ficado ruim....contando os dias para as férias.Beijos da Tai e até o cap. 16=^.^=