Phantomhive
16 Armadilha Para Quem?
Notas iniciais
Olá novamente....não irei perder tempo com desculpas pq finalmente estou de férias... *_______________* ......e pq todos já devem estar cansados de esperar.
Muito obrigada a todos que comentaram, principalmente a Liv, vou terminar de responder a todos, ok?...obrigada a Asuka May, Nyan animes, Perona, Sakurasinha, Darkgirl, Hannah san, Kimsive, Sweet Cookie, Bia s2 e a Thamy Stone por favoritarem e a e um super obrigada atrasado para BiaWonderwall, Sarah Okumura e a Kuro Fan pelas recomendações.
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Dedico esse capítulo a Yuka Harumi. Yuka, saudades de vc e das suas fics.
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Obrigada a todas as sugestões de nomes, nossa fiquei louca pq tinha que escolher só um, então dei um jeito de usar todas as sugestões, claro que só um foi para a personagem.
O capítulo não tá lá essas coisas, mas espero que gostem.
Capítulo 16: Armadilha Para Quem?
Naquele dia faria um ano desde que Ciel aceitara namorar Liza. A garota estava feliz, pois logo que começara o namoro, tivera a impressão de que o relacionamento não duraria um mês. Mas Ciel jamais se opôs a qualquer vontade dela ou sequer mencionara um término. No entanto, embora um ano tivesse passado, a relação dos dois não evoluiu em nada no quesito romance.
Os pais de Liza, os pais de Ciel e Angélica ficaram muito felizes com o namoro, Liza estava muito feliz com o namoro, mas este era o problema: todos estavam felizes com o namoro, exceto Ciel; Liza não era tão boba a ponto de não perceber isso.
Muitas vezes temia que Ciel tivesse se arrependido. Temia que Ciel não a amasse. Temia que ele a abandonasse. Um ano se passara sem que Ciel colocasse um fim a tudo, mas também um ano sem qualquer demonstração íntima de afeto com sua namorada. E eles continuaram com o pseudo namoro.
Elizabeth repetia para si mesma que Ciel precisava apenas de mais tempo, mais carinho, mas não conseguia evitar a tristeza que lhe abatia. Havia momentos que ela estava ao lado de Ciel, enlaçava o braço do jovem carinhosamente e repousava a cabeça no ombro dele e, ainda assim, sentia que ele não estava verdadeiramente ali.
Tão perto e tão longe.
Era assim que Elizabeth sempre se sentia em relação ao Ciel. Não importava o quanto ela se empenhava em agradá-lo e compreendê-lo, tudo parecia insuficiente para preencher o vazio que ela via nos olhos dele.
Mas naquele dia, eles fariam um ano de namoro. E Liza era esperançosa ou teimosa, tanto fazia. Terminara sua aula de esgrima e Ciel esperava por ela para levá-la para casa. Era quase sete da noite e Ciel, pelo visto, esquecera a data especial. Liza achou melhor nada dizer, ele poderia sentir-se constrangido por ter esquecido. Entretanto, para sua enorme surpresa e contentamento, assim que a viu, Ciel lhe entregou uma pequena caixinha com um laço de cetim lilás. Radiante, Elizabeth desfez o laço e retirou a tampa da caixinha, revelando um interior forrado de veludo rosa que abrigava uma pulseira. A pulseira era de ouro, com uma corrente se entrelaçando a outra, parecia um ramo dourado, com dois pingentes: um violino e uma bailarina.
– Eu não sabia o que você gostaria de ganhar, então comprei isto. Lembra quando nos conhecemos? O violino sou eu e a bailarina é você ou quase isso; e você pode acrescentar outros pingentes depois. Eu sei que não é grande coisa...
– Eu amei! É perfeito, Ciel.
Aquele pressente foi a prova do amor de Ciel, a dose extra de esperança que Liza precisava. A certeza de que ele a amava.
Mas amava de que forma?
De que forma...
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Elizabeth lembrava-se dessas coisas durante a aula de esgrima. Olhava para a pulseira dourada em seu pulso com uma atenção melancólica.
– Dawson! Wilson! – chamou o treinador. Elizabeth colocou a luva branca de proteção, cobrindo a pulseira, apanhou seu sabre, colocou a máscara e caminhou até a pista onde Oliver Dawson, seu adversário, já a aguardava com sabre em punho. Os dois se colocaram na posição de guarda. – Comecem!
Dawson fez o primeiro ataque. Elizabeth defendia-se com custo, tentava se concentrar no confronto. Percebendo que a garota não estava concentrada como o de costume, Dawson aumentou as investidas; perdendo o equilíbrio, Elizabeth deixou o sabre cair. Pelas regras e pela ética, Dawson esperou que a garota recuperasse a arma, uma vez que não fora ele que a desarmara.
– Mais concentração, Wilson. Concentração! – dizia o treinador. Liza apenas meneou a cabeça em afirmação. Respirava ofegante dentro da máscara de proteção. – En Garde! Comecem!
O tilintar do toque das lâminas foi ouvido mais uma vez. Os pés se moviam com agilidade, adquirindo posturas de defesa e ataque. Liza acabou acertando a cocha do rapaz.
– Isso é uma luta de sabres e não de espadas, Wilson. Não pode mirar da cintura para baixo. – gritava o treinador – O que há com essa garota?
Infelizmente, aquele não era o melhor dia para a loira; acabou sendo atingia no peito pela ponta do sabre de Dawson umas três vezes seguidas. O professor parou o combate. Dawson tirou a máscara revelando um imenso sorriso; era a primeira vez que ganhara da Liza.
– O que foi isso, senhorita Wilson? – indagou o treinador com uma expressão desapontada.
– Desculpe-me, professor. Não consegui me focar...
– Então sugiro que vá para casa, e só volte quando estiver focada ou vai acabar perdendo um braço ou arrancando o de alguém.
– Sim, senhor.
Elizabeth guardava seu florete e o sabre, e organizava sua bolsa, preparando-se para sair da aula de esgrima. Com a manga do suéter, enxugou uma lágrima que teimava em surgir no canto do olho. Caminhava lentamente pelo corredor, passando silenciosa pelos outros alunos que combinavam treinarem juntos, exibiam seus floretes novos e discutiam sobre o torneio de esgrima. Tudo parecia tão menos importante. Quando saiu da escola, viu um rosto familiar a sua espera.
– Oi Lizzy!
– Oi Dimas! – forçou um sorriso. – O que veio fazer aqui?
– Bem... – o jovem embaraçado coçou a cabeça. – Ontem, durante a aula, Ciel comentou umas duas vezes que você tinha aula de esgrima hoje, mas que ele tinha um compromisso e não poderia vir buscá-la e, mesmo que ele pudesse, você provavelmente não gostaria de vê-lo. E seria perigoso você voltar sozinha pra casa assim tão tarde. Então... Acho que ele queria que eu viesse te buscar.
Isso foi amavelmente cruel. Saber que Ciel se preocupara com ela tinha um efeito doloroso em seu coração. Por que Ciel parecia ser duas pessoas diferentes? Uma que a abraça e outra que a afasta.
– Obrigada, Dimas. Mas o senhor Midford... quero dizer, o tio Claus ficou de vir me buscar. Mas ele virá apenas as dezenove e trinta, ainda falta meia hora, se quiser me fazer companhia até ele chegar? – sua voz saia sem força.
– Sem problemas.
Os dois ficaram parados em frente à escola, Liza fitava a rua sem realmente vê-la.
– E... como ele está, o Ciel?
– Bem, aparentemente. O pessoal da escola não tem sido muito legal com ele, sabe? Por causa daquilo que a Pauline te contou sobre o vídeo do Mason. Se você for voltar pra escola na segunda, é bom voltar preparada, provavelmente te perturbarão também. – Dimas falava meio sem jeito com o silêncio da garota. Estava frio e a névoa cobria tudo ao redor. – Ainda está brava com ele, com o Ciel?
– Não estou brava com o Ciel. Estou brava pelo que aconteceu, a forma como aconteceu, pois em parte foi culpa minha. Eu queria tanto que tudo fosse perfeito que me recusei a ver que as pessoas não são perfeitas; queria tanto que ele me amasse como eu o amava que o obriguei a me amar da maneira errada. Sabe qual foi a última coisa que a Amanda me disse? – Dimas meneou a cabeça negativamente. – Ela disse: “quando amamos realmente uma pessoa, não devemos ficar chateados se essa pessoa não nos ama dessa ou daquela maneira; mas devemos ficar felizes se ela apenas nos amar”. Na hora, eu não entendi muito bem o que ela quis dizer, mas acho que ela já havia percebido os sentimentos do Ciel e quis me reconfortar. Depois de muito pensar, eu cheguei à conclusão de que Ciel sempre me amou, mas como amiga. Mas não era o suficiente pra mim, e acabei fazendo mal a nós dois; ele se sentiu obrigado a sentir por mim o que não sentia e eu me sentia triste por não fazê-lo feliz como gostaria. Entende? Fui egoísta e boba. Por isso não estou brava com Ciel. Estou... triste.
– Não devia ser tão severa com você, Lizzy. Às vezes, as coisas estão além do nosso controle, sobretudo o Ciel... Mas, em todo caso, por que não diz essas coisas a ele?
– Acha que ele me ouviria? – a voz saía chorosa.
– Tenho certeza que sim. Ele ficaria menos preocupado com você, sabe?
– Você é um bom amigo, Dimas. – Elizabeth sorriu verdadeiramente e olhou para a rua ao redor. – Você não acha essa névoa estranha? Até agora não se dissipou. Eu nem consigo ver o que há no fim da rua.
– Verdade. – os olhos de Dimas fitavam a noite com desconfiança.
– Tamb...
Elizabeth soltou a bolsa com o uniforme de esgrima e o estojo com o florete e o sabre no chão. Levou as duas mãos a cabeça e caiu sobre os joelhos. Uma dor aguda e repentina na cabeça a deixara zonza e nauseada.
– Lizzy!! O que houve? Você está bem?
Ao abrir os olhos, Elizabeth viu a rua em que estava se tornar um longo corredor, o qual, em seguida, era tomado pelas chamas. Viu alguém fitá-la no fim do corredor, uma menina, talvez. Não enxergava direito, as chamas aumentavam cada vez mais até se desfazerem na névoa e o calor se tornar frio. Aos poucos a imagem da rua voltava a se formar diante de seus olhos.
– Lizzy? Lizzy?
Elizabeth escutava a voz preocupada de Dimas. Sua visão estava embaçada e todo o resto parecia girar. Aos poucos a dor foi diminuindo até que se extinguisse. Ainda atordoada, fitou o jovem de cabelos castanhos claros a sua frente.
– Você está bem? – indagava inseguro, ajudando a garota a se levantar.
– A-acho que sim.
– Tá. Certo – Dimas falou sem saber com certeza se a garota estava mesmo bem. – Veja, o senhor Midford.
Dimas acompanhou a garota até o carro. Elizabeth perguntou se ele não desejava uma carona, mas Dimas recusou.
– Richard ou a senhorita Rubinstein estão por perto? – Claus dirigiu-se a Dimas.
– Sim, senhor.
– Então fique com eles. Não é seguro andar sozinho por aí, você ainda é só um garoto. Boa noite, Gardner.
– Certo, senhor. Boa noite senhor Midford. Boa noite Lizzy.
Dimas viu o carro ser engolido pela névoa. Pegou o celular e ligou para Ruby pedindo sua localização e partiu logo em seguida.
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ALGUMAS HORAS DEPOIS
A brancura e a claridade do ambiente causaram estranheza aos olhos azuis que se abriam lentamente. A memória fragmentada impedia o jovem de definir com clareza onde e como fora parar ali. Avistou a figura feminina e ruiva em pé ao lado de seu leito e, só então, os pedaços de memória começaram a se encaixar.
– O que aconteceu? – ergueu o corpo da cama, olhou ao redor e reconheceu o hospital.
– Você teve uma convulsão ou pelo menos foi o que pareceu. O que houve? – a voz de Angélica oscilava entre séria e preocupada.
– Foi o que eu acabei de perguntar – Ciel ironizou.
– Eu estou falando sério, Ciel! Os pesadelos voltaram?
– Não. – a resposta foi seca, e o semblante já adquiria uma expressão nada animadora. Odiava quando Angie tocava naquele assunto.
– Tem sentido algum mal-estar, dor, tontura, estresse...
– Você está me estressando com essas perguntas; eu já disse que não. Estou bem.
– Bem?! Ciel, você teve um ataque do nada, seu coração parou por alguns segundos, os enfermeiros tiveram que reanimá-lo. Eu não sei o que aconteceu, mas com certeza “bem” você não está.
– Eu não sei o que houve, ok? Eu não lembro o que aconteceu; eu tinha acabado de ligar para o papai e quando dei por mim, já estava aqui. Eu não fiz nada, não sonhei nada, não senti nada. Estou bem, eu juro!
– É justamente o fato de você não fazer ideia do que provocou isso que me preocupa. Se estiver mentindo para mim...
– Não estou!
Ciel inflou as bochechas, as sobrancelhas unidas numa expressão severa. Angélica respirou fundo tentando manter a paciência.
– É bom mesmo.
– Agora que você já sabe que estou bem, podemos ir embora?
– Ainda não. O médico vai dar uma checada em você. E nem pense em resistir ou eu conto agora pra mãe. Quer que eu faça isso? Você sabe como ela vai ficar.
– Que droga, Angie! Odeio médicos.
– Ora, vejam só, e eu achando que você fosse com a minha cara. – Daniel Morrison, o vizinho e amigo de infância de Angie, entrou pela porta do quarto. O jaleco impecavelmente branco, os cabelos pretos minuciosamente penteados. Os olhos azuis reluziam quando ele sorria, e ele parecia estar sempre alegre. Daniel é o tipo de pessoa que você não consegue odiar, mesmo que tente, pois ele é educado demais, gentil demais; talvez por isso Angie o amasse. – Muito bem Angélica, pode deixá-lo comigo agora. Não se preocupe Ciel, faremos apenas alguns exames pra ter certeza de que não há nada errado. Só para deixar sua irmã despreocupada. Tudo bem?
Ciel achava tudo aquilo desnecessário. Olhou do rosto do médico para o rosto da irmã, e chegou a conclusão de que não poderia continuar com a pirraça. Pelo menos não com aqueles dois. Devia sua vida a eles, não podia negar nada, ainda mais se envolvesse sua saúde. Além do mais, só assim Angie o deixaria em paz.
Daniel, ou melhor, Dr. Morrison fez algumas perguntas sobre o que Ciel tinha feito, comido, bebido. Ciel relatou todo o seu dia, alterando sua tarde na casa do Sebastian para uma tarde na Biblioteca Pública. O médico retirou uma amostra de sangue, checou a respiração e os batimentos cardíacos do jovem.
– Aparentemente, não há nada de errado com você, Ciel. Seu coração e pulmões parecem perfeitos. Mas não podemos ignorar que o episódio de hoje é de fato preocupante. Vamos esperar o resultado dos exames para ter certeza.
– Certo. Posso ir agora? O senhor sabe como detesto hospitais.
– Pode sim. – o homem respondeu bagunçando os cabelos do jovem como se este tivesse doze anos. – Só... Só prometa que vai me relatar qualquer coisa que venha a acontecer, certo? Não espere que as coisas fiquem fora do controle.
– Tudo bem.
Ciel saiu do quarto e, assim que viu Daniel sumir no fim do corredor, parou, fechou os olhos e respirou fundo. Mentiu para a irmã, ele se lembrava. Pelo visto tivera algum tipo de alucinação, pois suas roupas estavam intactas. Seu olho direito ainda queimava, mas apenas isso. Esfregou os pulsos, fitando-os por um instante; não havia neles nada além de uma fina cicatriz há muito curada. Seus olhos fitavam o nada. Perdidos.
– Será que Sebastian viu? – perguntou para si mesmo.
Ciel balançou a cabeça como se tentasse derrubar os pensamentos e foi em direção à ala da maternidade. Encontrou Angie a meio caminho.
– Daniel me liberou.
– Certo. Mamãe vai dormir aqui esta noite. Papai vai ficar com ela. Vamos, eu te levo pra casa.
Diferente do caminho de ida até o hospital, a volta estava sendo tranquila. Angie dirigia devagar e em silêncio, talvez por estar escuro e por causa da neblina que ainda cobria as ruas. Mas não. Pelo semblante da irmã, Ciel sabia que ela estava remoendo o acontecido. Ela parecia realmente preocupada, nem o nascimento da irmã, nem Daniel foram capazes de tirar aquela expressão do rosto dela.
– Daniel disse que minha saúde está perfeita. Pode ter sido só o estresse ou uma reação alérgica. Não há por que se preocupar... Então, como se sente agora que não é mais a única menina da família?
– Como uma mestra jedi ansiosa para treinar minha pequena padawan.
Angie falou com ironia, segurando o volante com apenas uma mão e gesticulando a outra no ar como se segurasse um invisível sabre de luz.
Ciel respirou mais aliviado.
– Como você é metida.
– Serei a Super Irmã. Iremos ao salão de beleza, faremos o cabelo e a maquiagem juntas, iremos ao shopping, vamos paquerar uns gatinhos, etc e etc. e você ficará morrendo de ciúmes.
– Você tem noção de que quando ela tiver doze anos você terá mais de trinta e cinco? Com sorte você será a Super Babá.
– Sério? Ai que droga! Vou ter que jogar meus planos fora. Diz aí... onde você estava a tarde?
– Na casa do Sebastian.
– Namorando é?
– ...
– Fizeram o quê a tarde inteira? Sexo?
– É. – disse meio sem jeito olhando pela janela do carro.
– Há! Há! Até parece que Ciel Valentine teria coragem. Muito engraçadinho você. – ainda sorria, achando que o irmão faria qualquer coisa para distraí-la – Então... você foi o ativo ou o passivo?
Angie e suas perguntas indiscretas. Por um momento Ciel lembrou-se da tarde com Sebastian.
– Ai. Meu. Deus. Você ficou vermelho! Ficou vermelho!! – Angélica apontou para o rosto corado do irmão, fazendo o carro ziguezaguear um pouco – É sério mesmo? Nossa! E como foi?
– B-Bom.
– Bom. Bom é legal. Vai me contar como foi?
– Não.
– Tá bom. – respondeu. Ficou em silêncio, mas vez ou outra espiava o irmão comprimindo um sorriso.
– E pare de me olhar assim!
– Tá bom.
– Angie!
– Parei.
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A segunda-feira amanheceu fria. A neblina havia diminuído, mas não dissipado.
A nova Valentine já habitava a casa e provara durante a noite que tinha ótimos pulmões, chorou várias vezes. Ciel foi para a escola com muito sono, não sabia se realmente dormira durante a noite ou se foi apenas impressão sua, pois sempre que fechava os olhos, acordava com o choro da irmã caçula.
Ao chegar a Academia Nottinghan, deparou-se com Elizabeth. A loira o fitou por um instante e murmurou um bom dia antes de entrar na sala. Na certa ainda estava magoada para falar. Liza não se sentou no lugar de sempre, ao lado de Ciel, trocou de lugar com Dimas e sentou-se com Pauline. Ciel não se incomodava com a atitude da amiga, achava que ela tinha todo o direito de evitá-lo, o que o incomodava eram os cochichos e os risinhos abafados de todos sempre que os via. Ciel tinha certeza de que eram comentários maldosos, pois eram sempre atiçados por Ivan Mason, que não passava por ele sem destilar seu veneno.
– Vejam só se não é a bicha mais famosa do colégio. – alfinetava Mason ao esbarrar com Ciel no corredor – Eu sei que foi você que apagou o vídeo da internet, não sei como você fez isso, mas sei que foi você?
– Fico lisonjeado por você achar que sou esperto a esse ponto, mas não sei de vídeo nenhum. – Ciel continuou andando sem dar muita atenção ao garoto.
– Você se acha muito, não é Valentine? Quem diria? Logo você com toda essa marra... Não vê que você virou a piada do colégio?
– Eu não acho nada. E não me importo com o que você pensa. Se está incomodado comigo, mude de escola.
Colocando Mason e outros idiotas a parte, o dia fora tranquilo.
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A senhora Valentine segurava o pequeno bebê enquanto Roger Valentine abria as cortinas do antigo quarto de hóspedes, agora decorado com motivos infantis, para deixar a luz entrar. Ciel colocava os puffs ao redor da mãe para que Angie e a visita, o senhor e a senhora Wilson e Elizabeth, pudessem sentar.
Todos perceberam o mal estar em torno dos dois jovens quando se viram, mas preferiram não tocar no assunto e concentraram-se no bebê. Felizmente os pais de Elizabeth pareciam não ter nenhum ressentimento de Ciel por causa da filha, talvez a preocupação gerada pelo surgimento da família biológica da garota tenha tomado o espaço para qualquer outra preocupação.
– Olha só que coisinha mais fofa. E veja o tamanho dessas mãozinhas, mãe. – Elizabeth falava e balançava um pequeno chocalho colorido tentando chamar a atenção do bebê. De alguma forma, Ciel ficou mais contente ao ver Liza sorrindo, o constante ar melancólico da amiga o estava preocupando.
– Você deve me achar louca, Helen, ter um filho nessa idade. – Dizia a senhora Valentine.
– Deixa disso, Hortense. Se eu pudesse ter filhos, já teria uns oito.
– Ai de mim! – falou Edgar Wilson – Estou satisfeito com nossa Elizabeth.
– Vamos lá para baixo, Edgar, deixe as mulheres e as crianças aqui.
– Espero que o senhor tenha me incluído nas mulheres e não nas crianças, pai? – Angie jogava o cabelo para trás fazendo pose de mulher séria.
– Como quiser Angélica. Só espero que essa menina puxe ao Ciel e não a você.
– Que maldade, pai!
– E como andam as coisas na polícia Roger? – Edgar perguntou.
– Nem pergunte, Ed.
Os dois patriarcas deixaram o quarto, suas vozes foram sumindo a medida que se distanciavam. Ciel permaneceu encostado na parede ao lado da porta.
– Já escolheu um nome, Hortense? – Helen quis saber.
– Ainda não.
– Que tal Mel ou Emily? – sugeriu Liza.
– Emily é bonito. – disse Hortense.
– Que tal, Britânia é bem inglês, talvez Agatha, tem um toque misterioso. – sugeriu Angie.
– Agatha é o nome da minha “nova” avó. – disse Liza meio sem jeito.
– Sério? Aquela senhora toda chique que estava no enterro? – Liza meneou a cabeça – Podia ser Mandy ou Lola.
– Margaret? – falou Helen.
– Margaret era o nome da nossa professora que morreu. – Informou Liza – Pode dar azar.
– Annabeth ou simplesmente Anna. – Helen tentou mais uma vez.
– Sempre gostei de Catherine. Ou Luiza. – Hortense falou.
– Luiza? Coloca Cielly então. – Angie ironizou.
– O quê? – Ciel sobressaltou-se.
– Você ainda não opinou Ciel. – Angie falou – Dê sua sugestão.
– Poderia ser Rachel? – Ciel falou o primeiro nome que lhe veio à mente.
– Rachel é bonito. – Hortense falou.
– Que tal Aiko, não, Eiko, não, melhor, Keiko, coloca Keiko.
– É o quê menina? Que nomes são esses, Angélica?
– É japonês.
– Nem pensar. Nem consigo pronunciar isso.
– Por quê? É só treinar. Chame-a de Merlia, então.
– Evangeline. – Liza disse baixinho, mas ainda assim conseguiu atrair a atenção de todos no quarto. A bebezinha segurava o dedo indicador da garota. – Significa “aquela que traz boas novas”.
– Eu gosto de Evangeline. – Ciel falou e seus olhos azuis cruzaram com os olhos verdes de Liza.
– É diferente e não é ruim. – Angie analisava o nome. – Eu gostei também.
– É um nome fofo com significado fofo. – falou sorrindo ao ver a pequenina bocejar e fechar os olhinhos.
– Que seja Evangeline. Evangeline Valentine. – Hortense decidiu.
– Ela tem os olhos do Ciel, espero que tenha os mesmos cabelos ruivos meus e da mamãe. – Angie ajudava a mãe a colocar a neném no berço. E todos se retiraram do quarto.
Quando desciam as escadas, Liza sussurrou para Ciel.
– Não se preocupe, eu não contei a mamãe sobre você. Eu apenas disse que terminamos, não falei o motivo. Imaginei que não tivesse dito nada a seus pais. Sobre você sabe quem.
– Obrigado Liza. – Ciel agradeceu com um pequeno e sincero sorriso. Elizabeth corou e desceu as escadas na frente de dele.
Ciel deu uma desculpa qualquer para não ficar na sala para o chá. Observou Elizabeth por alguns instantes notando que havia algo de diferente nela ou na forma como ela olhava para ele. Não era desprezo, nem rancor ou tristeza. Era um olhar mais sério, mais compreensivo.
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Com a chegada de Evangeline, todos estavam trabalhando em dobro, pelo menos Ciel e Angie estavam. Os dois irmãos se alternavam com a mãe em cuidar do bebê, dar aulas na Little Mozart e ajudar nas tarefas de casa quando não estavam na universidade e na escola. O pior não era o tempo corrido, mas as noites mal dormidas; Evangeline adorava chorar entre as sete da noite e às cinco da manhã. Ciel odiava quando a mãe pedia ajuda para trocar a frauda, o jovem se perguntava como uma criaturinha tão pequena poderia produzir algo tão horrendamente fétido.
– Que horror! Ela só como leite. Como pode?
– Não reclame. Você e sua irmã não eram diferentes. Me passa aquela frauda limpa. – dizia a mãe.
Ciel passou a tarde tentando terminar o livro Classificação dos Demônios e Outras Criaturas Negras, o qual já teria concluído há muito tempo se o maldito livro não estivesse escrito metade em um inglês bem arcaico e metade em latim. Sempre que precisava recorrer a um dicionário ou passar horas pesquisando na internet, Ciel se lembrava de mentalmente de “agradecer” ao Sebastian pela ótima leitura. Além disso, tinha que concluir um trabalho de história sobre a Unificação Inglesa, mas sempre que se sentava para fazer o trabalho, sua mãe o chamava para fazer algo ou Evangeline começava a chorar.
– Posso dormir na casa de um amigo? –pediu finalmente, já sem outra opção.
– Está me pedindo pra dormir fora? – a mãe repediu perplexa – B-bom, não sei filho...
– Eu preciso terminar esse trabalho hoje, tenho que apresentá-lo amanhã. Não consigo me concentrar com a Evangeline chorando o tempo todo.
– Certo, certo, pode ir. – a mãe ninava o bebê no colo, caminhando de um lado a outro na cozinha. – Mas lembre-se de deixar o endereço e o telefone pra contato na geladeira. E me ligue quando chegar lá. E não vá ficar acordado até tarde.
– Tá. Ok. Está aqui. – disse colocando o papel preso a um ímã a geladeira e jogando vários livros na mochila.
– Sebastian? – disse Hortense lendo o bilhete.
– Ele tem uma biblioteca em casa.
– Mas será que não será um incomodo pra ele?
– Não. Eu liguei pra ele e ele disse que tudo bem.
– Bom... – Hortense olhou para o filho com a desconfiança natural das mães. – Está bem, mas tenha cuidado. E não se esqueça de deixar o quarto de hóspede exatamente como encontrou. Não quero que o moço pense que eu não soube educar meu filho direito.
– Certo, mãe.
Na tranquilidade da casa do Sebastian, Ciel finalmente conseguiu concluir o trabalho. Tinha até esquecido de como era maravilhoso o silêncio de uma casa na qual não habita um recém-nascido. Por volta de dez horas da noite, Ciel levou suas coisas até o quarto de hóspedes que já conhecia.
– O que está fazendo? – Sebastian perguntou, encostando-se a porta.
– Vou dormir. – o jovem respondeu sem olhar para ele e continuou a preparar a cama.
– Não aqui. – num espaço de um segundo Ciel ouviu a voz do moreno bem perto de seu rosto. Sebastian tirou o cobertor da mão do menor e o encarou com um olhar terno – Comigo.
Ciel olhou acidentalmente o moreno nos olhos e corou.
– ...
– O que foi? Tivemos uma tarde maravilhosa no sábado, não? Não me diga que ficou tímido agora. Não se preocupe, vou deixá-lo dormir, você tem trabalho amanhã, não é?
– Humph! Eu sempre dormi só, então não reclame se eu te chutar durante a noite.
Ciel deu-se por vencido e levou seu pijama até o quarto do Sebastian. Enquanto escovava os dentes ficou se encarando no espelho. Quando terminou, retirou a lente que cobria seu direito. Fitou o jovem do espelho, que possuía um olho azul e outro esbranquiçado e cego. Respirou fundo e saiu.
Sebastian já estava sentado no lado esquerdo da cama com livro nas mãos, sem desviar os olhos das páginas impressas ele falou:
– Não estou nem aí para seu olho. Sou um demônio, Ciel, perfeição não faz grande diferença pra mim.
Ciel o encarou por alguns segundos e caminhou até o lado direito da cama. Puxou o tecido branco que cobria o colchão e cobriu-se com ele. Era uma situação estranha, uma sensação estranha. Sebastian fechou o livro e o colocou sobre o criado mudo, deitou-se e virou-se para o jovem. Os olhos castanhos rubros analisavam os olhos do jovem enquanto Ciel fazia o mesmo.
– Você dorme? – Ciel perguntou.
– Se eu quiser. Mas não é algo que seja extremamente necessário. Posso passar anos sem dormir assim como posso passar anos sem me alimentar.
– Qual é o sabor de uma alma humana?
– É algo difícil de descrever, não há um sabor para o paladar humano que seja comparável. Uma única alma é capaz de manter um akuma saciado por anos, mas muitos devoram uma atrás da outra simplesmente pelo prazer que elas proporcionam. É uma sensação de êxtase sem igual.
– Melhor do que o prazer do... – Ciel começou depois parou com vvergonha de terminar a pergunta.
– Sexo? – Sebastian sorriu e o jovem assentiu – Na verdade sim.
– Por que nunca me propôs um contrato? Minha alma não está à altura do seu paladar?
– Primeiro porque precisamos de você vivo. E existem outras maneiras de apreciar o sabor de uma alma sem precisar devorá-la.
Ciel ergueu-se um pouco da cama e beijou Sebastian carinhosamente. O mais velho sorriu e abraçou o corpo do jovem sob o lençol, beijou os lábios do adolescente com a mesma doçura com a qual fora beijado. Virou-se sobre o jovem sem quebrar o beijo, suas mãos corriam pelo sobre o tecido do pijama que cobria o peito tenro, ao mesmo tempo em que sentia Ciel acariciar suas costas. Ciel encerrou o beijo e virou-se de lado.
– Agora me deixe dormir.
Sebastian passou o braço pela cintura do jovem encaixando os corpos mais uma vez. Ciel pôde sentir o peito de Sebastian tocar as suas cortas e a respiração dele em sua nuca, sentia-se confortável e aos poucos foi tragado pelo sono.
Naquela noite não houve pesadelos. Nem se lembrava de qual fora a última vez que dormira tão bem.
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Ciel acordara com um ótimo humor, a apresentação do trabalho tinha sido uma maravilha. Liza lhe dera um bom dia quando chegou e um tchau no fim da aula. Nem as intrigas e as ofensas dos colegas de escola foram capazes de perturbá-lo, nem o fato de Dimas derrubar acidentalmente suco de uva em seu livro de química o deixou zangado, bem, não muito zangado.
Evangeline dormiu a tarde inteira e ele pôde finalmente concluir o Maldito Livro das criaturas negras.
Achou que o livro lhe daria alguma pista, mas nada. Irritado, jogou o livro sobre a escrivaninha, mas só conseguiu derrubar no chão uma pilha de outros livros. Quando os juntava uma folha escorregou de dentro de um deles. Ciel pegou o papel, era um panfleto de uma livraria. Correu os olhos sobre o anúncio, fez uma bola de papel e a jogou no lixeiro. Já ia saindo do quarto, quarto sua mente deu um está-lo. Correu e pegou o papel novamente.
– É isso! – Ciel correu para o quarto do bebê que dormia tranquilamente. – Evangeline! – tentava acordá-la. – Evangeline, você tem me perturbado dia e noite, então só dessa vez, faz um favor pro seu irmão, maninha? – a pequenina o encarava com um par de olhos com o mesmo tom de azul que os seus. – Chore, Evangeline. Chore!
Como se tivesse entendido o pedido do irmão, a pequenina começou a se esgoelar. Ciel voltou correndo para o quarto e logo a mãe sua as escadas.
– Oh, não! Era bom demais pra ser verdade. Estou indo Querida! – dizia a mãe.
– Mãe, vou fazer um trabalho na casa do Dimas Gardner. Talvez eu tenha que dormir lá. Não se preocupe o endereço e o telefone está na geladeira. Tchau.
Ciel saiu voando de casa e mãe mal teve tempo de pensar com o choro da Evangeline.
– Essas crianças vão me deixar louca!
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– Então, qual a emergência? – Richard perguntou com o cigarro pendurado na boca, se jogando no sofá da sala de visitas da casa do Sebastian.
– Acho que sei onde o assassino vai atacar novamente e talvez até quem será a vítima. – informou Ciel.
– Como descobriu isso? – Dimas perguntou esbarrando num vaso chinês que foi rapidamente aparado por Sebastian, o qual lançou um olhar de desaprovação para o garoto. Dimas sorriu sem jeito e sentou-se no sofá perto de Richard.
– Bom... há uma menina, deve ter uns doze ou treze anos, e tem o corvo e ela sempre aparece pra mim...
– Espere, Ciel. Você já mencionou essa menina antes, quem é ela. – Sebastian parecia sério.
– Evie. Ela começou a aparecer assim que conheci vocês. Cheguei a achar que ela também fosse do Clã Phantomhive, que fosse um dos Cães da Rainha, mas vocês disseram que não a conheciam. Ela simplesmente aparece e some.
– Como assim? Porque nunca me falou dessa menina?
– Eu não sei. Ela não me parece ser inimiga.
– Ela é um demônio? – Richard perguntou.
– Talvez sim. Talvez não. Ela tem um olho vermelho como os seus, Sebastian. – Sebastian levantou-se e caminhou em direção à lareira, incomodado – Mas até agora ela só me ajudou, além disso, é só uma criança, não parece ser um demônio.
– E eu pareço um? Tem que ser mais cuidadoso, Ciel. – Sebastian segurou o jovem pelos braços. – Um dos demônios mais perigosos e perversos que existe assume a forma de garotinhas inocentes. Não pode confiar nas aparências.
– Evie. Não. É. Má. E deixemos esses assuntos sem importância para depois, podemos voltar ao que realmente interessa? – Ciel falou autoritário se desvencilhando das mãos de Sebastian e caminhando até a mesa de centro, atraindo a atenção de todos. – Evie me deu uma pista, ela falou alguma coisa sobre amigos traidores ou não confiáveis e disse que eu devia ler um livro. A princípio, achei que ela estivesse falando coisa com coisa. Depois achei que fosse algo que estivesse no livro de Aodh Ferghus, Classificação dos Demônios e Outras Criaturas Negras, li o livro de capa a capa e nada. Foi quando encontrei isto... – Ciel retirou do bolso da calça um pedaço de papel dobrado, era um panfleto anunciando um evento de lançamento de um livro. – Vejam o slogan da livraria.
O panfleto era roxo com letras garrafais verdes.
MEGABOOK
*Leia Um Livro*
– Isso não é grande coisa, eu sei, mas vejam o título do livro que será lançado.
– “Esteja no lançamento do mais novo e aterrorizante livro de A. J. Ratchett, O Cavaleiro da Morte” – Ruby leu no panfleto.
– “Pois os mortos cavalgam céleres”. – Sebastian lembrou.
– Exato. A. J. Ratchett é uma mulher. Akasha Jaqueline Ratchett. Acredito que ela seja a próxima na lista do Serial Killer.
– Se o assassino estabelece algum padrão para suas vítimas, Ratchett ou o seu livro nos darão algumas pistas. – Richard disse soltando uma baforada de fumaça.
– Muito bem, precisamos garantir o nosso. Quando é mesmo esse evento aí? – falou Dimas.
– Hoje à noite. – Ciel disse fazendo Richard engasga-se com a fumaça do cigarro – Precisamos ser rápidos.
– Não podemos descartar a possibilidade de ser uma armadilha. – Sebastian disse sério.
– Armadilha para quem? Ratchett, a polícia ou nós? – perguntou Ruby.
– É o que vamos descobrir. – Sebastian falou – Richard, pegue toda a munição que for capaz de esconder na roupa.
– Agora eu gostei.
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Megabook era uma das maiores e mais visitadas livrarias de Liverpool. Com espaço para os fãs e apreciadores de algum autor ou livro realizarem discursões, eventos ou rodas de leitura. Sempre que um livro novo era lançado, o escritor era chamado para participar de uma festa e sessão de autógrafos, como a que estava acontecendo naquela noite.
Ao contrário do que Ciel imaginou, a Megabook estava lotada. Havia uma música ambiente animada, mas não muito alta. Alguns dançavam, outros conversavam, muitos olhavam livros e outros os compravam. A grande maioria ansiosa para conhecer a nova escritora.
– Não imaginei que haveria tantas pessoas. Geralmente, quando é o lançamento de um escritor novo, os visitantes não passam de dez. deve ter mais de 60 pessoas aqui. – dizia Ciel. –Essas pessoas serão um problema se algo acontecer.
– Talvez o nosso “amigo” esteja contando com isso – disse Richard correndo os olhos pela multidão.
– Não há policiais, apenas sete seguranças armados espalhados em pontos diferentes. – disse Ruby.
– Estão distribuindo cupcakes grátis na seção infantil – Dimas apareceu comendo um bolinho colorido.
– Sério? Pra que lado... – Ruby indagou animada.
– Os dois idiotas querem prestar atenção?! – Ciel bradou.
– Foi mal. – os dois disseram em uníssono.
– É melhor que nos separemos.
Cada um foi para uma direção, observando as pessoas atentamente vendo se alguma tinha atitudes suspeitas ou se alguém poderia ser um demônio disfarçado.
– Não precisava vir comigo, Sebastian, sei me cuidar sozinho.
– Prefiro não arriscar.
Ciel tentava atravessar por entre as pessoas tentando chegar perto do local onde a escritora se apresentaria e acabou esbarrando em alguém. Uma mulher de compridos e lisos cabelos pretos se virou pedindo mil desculpas.
– Desculpe... esse frio embaça meus óculos e... Oh! Ciel?! – Era a senhorita Bathory, a mulher ajeitava os óculos para enxergar melhor o jovem. – Você veio!
– Ah, oi senhorita Bathory.
– Que bom que você veio, achei até que tivesse esquecido. E eu ando tão ocupada tendo que dar as aulas de Arte também. Mas você não tem mais ido à biblioteca, não é?
– Pois é. – Ciel reparou que a professora estava só. – E o senhor Cranston, não veio?
– Ele não pôde vir. Infelizmente ele teve que comparecer a um evento para professores de Geografia ou algo assim. – Ciel se perguntou se isso era verdade mesmo ou se era uma desculpa esfarrapada, pois todos na escola sabiam o quanto o professor de geografia era mulherengo. A senhorita Bathory era uma mulher tão inteligente, Ciel se perguntava se ela realmente não via a infidelidade do namorado ou se ela fingia não ver para não perdê-lo. Por um instante lembrou-se de Liza. – Mas ele ficaria entediado, não gosta muito de ler. Veja se uma coisa dessas pode? Um professor não gostar de ler. – a mulher sorriu e depois de olhar Sebastian, que estava um pouco afastado, perguntou baixinho – Mas e aquele homem que entrou com você, seu irmão mais velho?
Ciel olhou para as costas de Sebastian, hesitou um pouco e depois falou:
– Não. Ele é... meu... Namorado.
Ciel não sabia, mas um akuma sorriu a suas costas.
A professora o olhou com seus grandes olhos negro, um tanto surpresa, olhou mais uma vez para Sebastian e voltou para Ciel.
– Oh, ele não é... um pouco velho pra você?
– Não.
– Bom... ele é bonito. Seu bom gosto não é só para livros, não é mesmo? – a mulher sorriu deixando o jovem sem jeito – Me disseram que há um ótimo livro sobre as obras do Renascentismo, deixe-me ir comprá-lo antes que a A. J. Ratchett apareça, estou louca para conseguir um livro autografado, dizem que a história é muito boa. Até.
– Até.
A mulher se afastou e Ciel voltou a vigiar a multidão. Sebastian se juntou a ele novamente.
– Vamos pegar uma cópia do livro, meu namorado. – Sebastian sussurrou no ouvido do jovem.
– Calado... e faça seu trabalho. – Ciel falou completamente vermelho. Sebastian sorriu.
– Por mim tudo bem. – Sebastian sorriu e estendeu a mão para o jovem. Ciel estava com o cenho fechado, mas depois olhou surpreso ao perceber que o moreno estava dizendo tudo bem para o namoro. – Quer ser meu namorado?
Ciel olhou para os lados, mas ninguém parecia prestar atenção neles.
– Tá. – respondeu corando mais ainda, segurando a mão do mais alto. Ciel olhava atentamente todos os rostos até reconhecer um: o cara de óculos, cabelos castanhos e estranhos olhos verdes. – Veja! Aquele homem, já o encontrei em alguns locais dos crimes.
Sebastian olhou diretamente para o homem e este pareceu olhar diretamente para o akuma com imenso desagrado.
– Shinigami.
– O quê?
– Um ceifeiro. Aquele, no momento, não é nosso inimigo, mas se ele está aqui, significa que você está certo. Alguém morrerá esta noite.
De repente, um alvoroço começou. Akasha Ratchett finalmente apareceu para o público. Era uma mulher negra de cabelos cacheados e muito curtos. Parecia amedrontada, como um animal encurralado. Um mau sinal.
– Tem alguma coisa acontecendo, a neblina voltou a ficar densa. Está ao redor de todo o prédio. – Ruby falou ao encontrar Sebastian e Ciel. Logo Richard e Dimas os encontraram também.
– Parece que vem uma tempestade. – disse Dimas.
– Não conseguimos rastrear nada, se há algum demônio aqui, está se ocultando muito bem. – Richard informou.
– Ratchett vai falar. – disse Ciel.
Todos os presentes se voltaram para a escritora. A mulher estava visivelmente abatida. Talvez nervosismo ou medo do público. Mas não. Outra coisa a deixava apavorada. Ela se aproximou do microfone, tremendo. Olhou para uma cópia de seu livro que estava na tribuna. Olhou por um instante para o título, colocou as mãos sobre ele e respirou fundo.
– E-Eu sei que todos esperam que... que eu fale sobre meu novo livro, m-mas... mas há algo mais importante que, que todos devem saber. A verdade. O... – Ratchett fez uma pausa ao notar uma mancha vermelha em seu dedo. Seu coração começou a palpitar quando percebeu que era sangue. Ao abrir a capa do livro, deparou-se com uma mensagem escrita com sangue.
Eu confiei em você e em troca tenta me trair?
Isso é um desrespeito à memória dela.
Você merece morrer... como todas as outras.
Mas não se preocupe, darei um fim especial a você.
Veja se me encontra antes que a morte a alcance.
Ratchett encarou a multidão apavorada. Seus olhos arregalados e lacrimosos percorriam a multidão buscando a pessoa que deixara tal ameaça. Logo as pessoas começaram a cochichar, sem saber o que estava acontecendo. Ela tentava falar, queria sair correndo, mas suas pernas não se moviam.
Na multidão ali presente, Sebastian teve um sobressalto.
– O que houve Sebastian? – Ciel perguntou.
– Um demônio. Aqui. Está se afastando.
– Então vá atrás dele, capture-o!
Sebastian hesitou por um instante, olhou para Ciel e disse:
– Richard, Dimas, Ruby, protejam Ciel.
– Certo! – Disseram os três em uníssono, colocando-se em volta de Ciel e Sebastian seguiu aquela presença, sentindo uma terrível sensação.
– Precisamos chegar mais perto dela. – Ciel falou tomando a frente em direção à escritora. Alguns funcionários tentavam falar com Ratchett, mas ela estava paralisada, correndo os olhos cheios de pavor pelos presentes.
Quando estavam a três metros da escritora, todas as luzes se apagaram. Gritos de surpresa e um zunzunzum se espalharam por todo o local. O shinigami ali presente estranhou ao analisar seu livro e perceber que outros nomes surgiam logo abaixo do nome de Akasha Jaqueline Ratchett, o local da morte? Livraria Megabook.
– Mas o quê?! Isso não é bom. – sussurrou o shinigami antes de sentir uma estranha energia invadir seu corpo e sua mente. – O qu....
Toda a livraria foi invadida pelo estrondoso barulho de um trovão, o relâmpago iluminando tudo brevemente.
– Ela sumiu! – Ciel procurava a escritora, mas não conseguia vê-la.
Logo todo o lugar mergulhou no escuro novamente, e novos gritos foram ouvidos. Mas dessa vez eram gritos de dor. Vários deles, vindos de todas as direções. As lâmpadas de emergência se ascenderam permitindo uma vaga visão do local. Muitos corriam desesperados, passando uns por cima do outro, em direção à saída sem saber o que realmente estava acontecendo.
– Mas que droga! Kroboros estão aqui. – disse Richard já tirando duas pistolas do casaco – Fiquem de olhos abertos...
Do nada, um homem de olhos negros saltou sobre eles com a boca escancarada cheia de dentes pontiagudos e cheios de sangue.
– Dimas, cuidado! – Ciel gritou, mas o jovem girou e acertou o kroboro com um soco que o lançou de volta na escuridão. – Como...?
– Precisamos sair daqui. – Dimas falou.
– Não. Temos que encontrar a Akasha. O shinigami! – Ciel gritou ao ver o Shinigami arrastar a escritora pelo braço; a mulher gritava e se debatia. – Por ali.
Ciel seguiu o Shinigami pela escuridão, escutando os gritos desesperados das pessoas e os rugidos vorazes dos kroboros. Um homem ensanguentado caiu em cima de Ciel o derrubando no chão. Dois kroboros os atacaram; Ruby chutou a cabeça de um, tirou a pistola escondida sob a saia e começou a atirar neles.
Quando Ciel chegou à tribuna, viu a mensagem escrita com sangue, arrancou a página e a enfiou no bolso.
– Temos que tirá-los daqui... – dizia Ruby em meio à gritaria e a confusão, alguém esbarrou nela e Ciel a segurou para não deixá-la cair — ...ou eles matarão a todos.
– Não será necessário, acho que eles querem nos matar. – Richard falou ao perceber que os kroboros tinham os encurralado. As pessoas corriam apavoradas até as saídas tentando escapar não sabiam exatamente do quê, alguns diziam “monstros!” e outros gritavam “terroristas!”.
– Não podemos perder tempo aqui, ou aquele cara vai fugir com a Akasha. – Ciel falou.
– Então dê uma ideia do que fazer, garoto! – Richard falou.
Ciel olhou ao redor, conseguia ver pouca coisa naquele escuro. Viu uma garrafa de vidro no chão e a pegou.
– Ruby! – Ciel jogou a garrafa sobre os kroboros e Ruby acertou a garrafa com um tiro, estilhaçando vidro sobre os demônios. – Potejam-se! – Ciel jogou-se atrás de uma estante e pegou um livro muito grosso que estava ali. – Dimas, jogue com toda a força que tiver.
– Certo! – o jovem arremessou o volume 10 da Enciclopédia Britânica c om toda a força, atingindo a cabeça de um kroboro em cheio, que cambaleou. Logo Dimas arremessou outro volume e depois outro.
– Que maluquice é essa? Isso não vai matá-los. – Richard falou.
– Não, mas vai atrasá-los. Preciso ir para o andar de cima. Tá esperando o quê? Comece a atirar e não pare até matá-los. – Ciel ordenou.
– Como quiser chefinho. –Richard saiu de trás da estante atirando em todas as direções. – Vocês me fizeram perder o meu cigarro, agora fiquei irritado. COMAM BALA SEUS CÃES DO INFERNO MALDITOS. Anda logo, moleque!
– Vamos Ruby.
Ciel saiu correndo em direção as escadas que levavam ao andar superior por onde o Shinigami tinha ido, Ruby foi atrás dele.
Dimas ficou com Richard acertando os demônios carnívoros com livros, cadeiras, estantes e o que encontrava pela frente. Um dos kroboros lançou Dimas nos equipamentos elétricos provocando um curto. O jovem escutou vários estalos elétricos.
– Dimas! pegue mais munição no meu bolso esquedo, as balas estão acabando.
– Certo! – Dimas enfiou a mão no bolso direito de Richard e tirou um pequeno pedaço de arame. – O que é isso?
Richard olhou para a mão do garoto e arregalou os olhos.
– Eu disse o bolso esquerdo! ESQUERDO! – Richard tirou a granada de dentro do bolso e jogou-a sobre os kroboros.
– Uma granada?! VOCÊ É MALUCO?! A GENTE VAI MORRER!!
Richard agarrou a gola de Dimas e saiu o puxando.
– MERDA! Corre garoto, corre garoto!
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Sebastian perseguia a estranha figura vestida com uma capa preta. Por mais que corresse o estranho corria mais rápido ainda. Já tinham percorrido uma longa distância, quando Sebastian quase conseguiu tocar a capa que o estranho usava. Mas ele desapareceu bem diante de seus olhos. Sebastian parou e ao virar-se viu o estranho parado, não conseguia ver seu rosto.
– Quem é você? – Sebastian perguntou, seus olhos brilhavam com um vermelho intenso. O estranho não teve reação nenhuma. Ele apenas girou a capa e foi tragado pela névoa, sua presença sumindo completamente. – Que inferno! Eu sabia, estava apenas me afastando de lá.
Sebastian deu meia volta em direção à livraria.
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Quando Ciel e Ruby chegaram ao final da escada, agradeceram por ali haver luz.
– Por aqui. – Ciel falou apontando para uma trilha de sangue que seguia para a esquerda.
– O que é isso aí no chão? – Ruby apontou para o que parecia ser um pedaço de carne ensanguentado. Ciel abaixou-se e olhou de perto.
– É... Uma língua.
– Arg! Melhor eu ir na frente.
– Não seria nada cavalheiro da minha parte permitir isso.
– É. Mas eu tenho as armas – Disse a mulher exibindo as duas pistolas antigas de cano longo.
– Então me entregue uma. Pra que diabos você me treinou?
– Nem....
O barulho de uma explosão fez todo o prédio tremer. Os dois tiveram que se apoiarem nas paredes para não caírem.
– O que foi isso? – Ciel perguntou.
– Acho que foi lá embaixo. Espero que eles estejam bem. Vamos.
Os dois seguiram pelo corredor e foram parar num enorme salão cheio de tralhas e teias de aranhas. Logo na entrada, pisaram em uma poça de sangue, mais a frente encontraram o corpo de Akasha Ratchett, a garganta degolada, sem língua e os olhos furados. Várias faixas de luz, claras como neve, saíam de seu corpo e exibiam várias imagens que mudavam rapidamente.
– Memórias – Ruby virou o rosto tentando controlar a respiração e viu, numa parte mais vazia do salão, um circulo de sangue com vários símbolos. – Magia negra. Eu conheço esse símbolo... – Ruby falou, tentando lembrar-se o que aquele ritual significava.
Ciel continuou andando cuidadosamente, uma luz fraca atrás de uma pilha de caixas o atraiu. A luz fraca bruxuleava fracamente, provocando sombras e formas fantasmagóricas sobre as pilhas de entulho. Aproximava-se quase prendendo a respiração. Sentia o ambiente ficar cada vez mais frio, cada vez mais escuro. Quando foi virar-se para voltar para Ruby, uma lâmina passou a centímetros de seu rosto. O garoto caiu sobre uma pilha de caixas velhas e atingiu o chão com um forte e barulhento baque. O shinigami, que segurava a lança, a ergueu e desferiu o ataque com violência contra o jovem, Ciel desviou-se por pouco. O homem foi dar um outro golpe, mas Ruby o acertou com uma barra enferrujada de ferro.
– Corre Ciel. Não podemos lutar contra um shinigami.
Ruby puxou o garoto pelo braço. Quando saíram da sala, viram que chamas já consumiam todo o caminho pelo qual eles tinham passado.
– Pra direita! – Correram o mais rápido que podiam, percebendo que o shinigami já se aproximava. – Era um ritual, alguém fez um ritual de controle...
– Controle de quê? – gritou Ciel.
– Dele. Alguém o está controlando. – Subiram as escadas que davam para o terraço do prédio. Ciel tentou fechar a porta de acesso, mas o shinigami a arrombou. Ruby tentou atirar, mas as balas tinham acabado – Droga! Do auto do prédio puderam ver uma multidão de carros se formando diante da livraria e correram para a parte de trás do edifício.
– Como se para isso? – Ciel perguntou recuando.
– Precisamos do objeto usado para controlá-lo. Que com certeza está bem longe daqui.
A Ruiva tentou lutar contra o homem, desviando-se dos golpes da lança. O shinigami a jogou para fora do prédio, mas a moça se segurou na sacada. Ciel pulou sobre o shinigami derrubando-o no chão e voltou para tentar pegar Ruby que continuava pendurada.
– Me ajude!
– Calma.
– Cuidado Ciel!
Ciel virou-se e viu o shinigami vindo em sua direção, os olhos deles não estavam verdes, mas brancos e opacos. Não sabia o que fazer ou como escapar. Quando o shinigami ergueu a lança, uma menina de cabelos curtos surgiu entre os dois.
Evie.
A menina ergueu os dois braços, e foi como se o homem tivesse congelado no ar.
– In nomine Christi. Vade!
E o shinigami tomou outra direção. Evie virou-se para Ciel, sorriu e transformou-se em vários corvos.
– Obrigado – Ciel sussurrou.
– Ciel!
Ruby gritou. Ciel procurou a escada de incêndio, desceu por ela e tentou alcançar Ruby. A mulher teve que se jogar e Ciel quase não consegue segurar sua mão. Os dois descerão até o chão e encontraram Richard e Dimas com os cabelos chamuscados.
– E as pessoas? – Ciel perguntou.
– Fugiram todas. Algumas estão sendo atendidas por paramédicos, é melhor irmos, tá começando a chegar polícia, bombeiro. – Richard falou.
– Precisamos encontrar o Sebastian.
Os quatro seguiram pela rua tentando se afastar o máximo da confusão. A neblina pelo menos estava ajudando na fuga.
– Acha melhor voltarmos pra casa dele, Ciel? – Ruby perguntou – Ciel?
Os três se viraram e perceberam que Ciel havia parado muito atrás. Estava de quatro e tossia muito. Ruby voltou até ele.
– Ciel? – Ruby perguntou insegura, pois o garoto havia tossido sangue e a encarou com os olhos vazios como se não a reconhecesse ou não a tivesse vendo. – Ciel está tudo bem?
– Sim. Estou logo atrás de você. Vamos.
Richard e Dimas se entreolharam misteriosamente quando Ruby e Ciel os alcançaram. Continuaram correndo. Não demorou muito e logo começou a chover.
Ciel não disse nada, mas seu olho direito agora ardia como fogo e o mais estranho de tudo é que estava conseguindo enxergar com ele. Nunca conseguira enxergar nada com ele sem a ajuda da lente, mas quando fechou o olho esquerdo, percebeu que estava enxergando agora. Sim, enxergando tudo em um tom de vermelho sangue.
Notas finais
Sabre e florete: são tipos de espadas usadas na esgrima.
Sebastian faz referencia a Lilith de Sobrenatural, alguém sacou? Ah...Lílian não tem NADA relacionado com Lilith, só pra não deixar vcs fazendo suposições erradas :D
Sim o nome escolhido foi Evangeline, sugerido por Vamp Chan, ela deu a sugestão, disse o significado, falou pq gostava do nome e deu essa explicação maluca que eu achei super 10: " Porque poderia ter essa ordem: Angélica, pula a letra B, Ciel, pula a letra D, e um bebẽ com a letra E".......e eu tbm gostei da sonoridade do nome.
Bom...é o que pude lembrar agora, espero...ESPERO poder atualizar bem rápido.
Obrigada por lerem e comentem
Bjs da Tai *3*
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