Phantomhive

33 De Uma Forma Ou De Outra


Notas iniciais
Oi pessoal ^-^/ Desculpe por qualquer erro que possa haver, qualquer absurdo, me avisem. Espero que gostem. Nos vemos nas notas.

Capítulo 33: De Uma Forma Ou De Outra

LIVERPOOL, 7 anos antes

– Preciso ver como estão as coisas na escola – Hortense conversava com a filha mais velha. Ela parou diante do espelho do corredor para tentar dar um jeito no cabelo. Seu aspecto era de profundo cansaço. As bolsas sob seus olhos denunciavam noites sem dormir. – Fique de olho no seu irmão, cuide dele. Qualquer coisa, me ligue.

Angélica fechou a porta e voltou para a sala. Ciel estava sentado no sofá, assistindo a uma reprise de Doctor Who. Ele parecia bem, como não estivera em semanas. Angie sentou-se no outro sofá, mas não olhava para a televisão, ficou observando seu irmãozinho. Ciel era tão pequeno e tão cheio de problemas. Era desgastante ver que seu irmão estava sofrendo; atormentado por pesadelos, tendo que passar os dias indo e voltando de psicólogos, médicos; ter que tomar remédios e fazer tratamentos que não resultavam em nada.

Mas finalmente Ciel parecia estar melhorando. E isso trazia um pequeno alívio a Angie. As outras garotas de dezessete anos estavam ocupadas com compras, namorados, baile de formatura e planos para a faculdade, ela vivia com o medo constante de que o irmão sofresse de algum problema psicológico irreversível.

Ela queria que aquilo acabasse. Ela se sentia um pouco egoísta. Mas ninguém poderia culpa-la. Todos na família estavam desgastados.

– Ciel, eu vou até a cozinha, rapidinho, preparar um lanche para nós, ok?

O menino apenas meneou a cabeça. Aquele comportamento característico do efeito do remédio; movimentos lentos, reações quase inexistentes. Parecia que Ciel estava em outro mundo. Angélica enxugou uma lágrima antes que ela escorresse por seu rosto, e saiu, dando uma última olhada no irmão sentado no sofá.

Depois que a irmã saiu, Ciel olhou para o lado e disse:

– Não quero continuar com isso, Evie.

Ela estivera ali o tempo todo, observando Ciel e a irmã dele. A menina de olhos bicolores se aproximou, e se colocou entre Ciel e a TV.

– Mas estamos perto. Eu sei que estamos perto.

– Os médicos disseram que eu posso ser esqui-, esquizofrênico. Que você e tudo o mais são apenas minha imaginação – ele falou lentamente.

Ciel chegou a contar ao psicólogo que os pesadelos e as alucinações começaram depois que uma amiga chamada Evelyn estava o ajudando a lembrar de coisas que ele havia esquecido. Ao questionar a família sobre a tal menina, os pais de Ciel disseram que a única amiga que Ciel tinha se chamava Elizabeth. Foi Angie que lembrou a todos que Ciel tinha uma amiga imaginária chamada Evie. Ele sempre conversava com ela, sempre a desenhava. Uma garotinha de olhos bicolores. Ninguém além de Ciel a via, é um fruto da imaginação fértil do menino, pensaram. No entanto, pela primeira vez, parecia que a imaginação de Ciel o estava prejudicando.

Sem outra explicação mais plausível para o que ocorria com o pequeno filho dos Valentine, o psicólogo concluiu que se tratava de um caso de esquizofrenia, bem precoce. O que mais poderia ser? O menino já tinha realizado todo tipo de exame e teste, não havia nada de errado com seu cérebro. Parecia até algo... sobrenatural. Mas os especialistas e os médicos eram muito apegados aos fatos comprovados para se deixarem levar por tais ideias. Resolveram tratar o menino como se ele fosse esquizofrênico, para ver se surgia algum efeito.

E surgiu.

Mas os efeitos do remédio deixavam Ciel menos Ciel, menos vivo. Sua família sofria com isso, mas que alternativa tinham?

Evelyn olhou para Ciel, tristonha, e falou docemente:

– Você não é esquizofrênico, Ciel. Eu sou real. Você sabe que eu sou.

– Eles disseram que eu não saberia distinguir o que é e o que não é real.

Àquela altura, Ciel, que só queria se livrar dos pesadelos e dos monstros que o assombravam, não sabia mais o que era realidade e o que era alucinação. Os adultos repetiram tantas vezes que os monstros e Evie não existiam, que ele estava acreditando.

– Quando eu ajudar você a lembrar, você vai ver que eu sou real. Vai ver que você realmente é.

– Mas eu... eu não esqueci nada. Eu não quero lembrar de nada. Essas lembranças me dão pesadelos. Elas me assustam.

O tom do menino era de desamparo, de cansaço. Evelyn se sentiu mal. Ciel tinha apenas dez anos, era só uma criança e o que ela exigia dele era muito. Era muito para Ciel e muito para ela. Evelyn não tinha total controle sobre o que estava fazendo, ela tinha consciência disso, mas queria tanto que Ciel fosse capaz de lembrar.

– Eu... Eu não queria machucar você, Ciel. Só queria que se lembrasse de mim – ela falou, assumindo a derrota. Não forçaria mais o garoto, se ele não queria isso.

– Por quê? – Ciel indagou num fio de voz.

– Porque você é tudo o que eu tenho.

Ciel olhou para os olhos marejados da menina, o semblante infeliz. Ocorreu ao pequeno que a menina devia se sentir muito sozinha, onde quer que ela estivesse. Diversas vezes, ela dissera que Ciel a conhecia, e que se ele se lembrasse dela tudo seria melhor. Ciel nem ao menos lembrava de quando foi a primeira vez que a viu, só sabia que ele era muito pequeno, seis, sete anos, talvez. Evelyn sempre estivera ao seu lado, fazendo-lhe companhia, o ajudando, velando seu sono. Por afeição a menina, Ciel acabou concordando em continuar com a tentativa de trazer de volta a memória que Evelyn disse que ele havia perdido.

Evie tentou se concentrar no dia de seu nascimento, queria que Ciel fosse capaz de lembrar propriamente daquele dia. Ela tocou a testa de Ciel com a ponta do indicador, rapidamente, para não lhe causar dano.

Diversas imagens começaram a encher a mente de Ciel, mas não foram as memórias do nascimento de Evie que surgiram. Todas as lembranças do fatídico dia em que Lílian morreu começaram a surgir, embaralhadas, confundindo ainda mais a mente do menino de dez anos. Ciel viu demônios surgirem do nada e saltarem sobre ele. Ele se levantou do sofá num pulo. Uma mulher loira apertou seu pescoço e o lançou para longe, Ciel cambaleou até a escada. Várias explosões começaram a acontecer ao seu redor. Num segundo ele estava na sala da sua casa, no outro, ele estava no meio de fogo e explosões.

– Ciel, fique calmo! Fique comigo! Concentre-se em mim!

Evie ficou preocupada, ela não podia tocar em Ciel, e ele começava a ficar inquieto. Ela tentava controlar o turbilhão de memórias que invadiam a cabeça do menino, mas não estava tendo sucesso, o garoto estava fugindo do seu controle.

Ciel seguiu a voz da menina e conseguiu se concentrar nela por três segundos. O cenário a sua volta se alterou mais uma vez. Ele sentiu seu corpo queimar, e doer terrivelmente. Repentinamente, um rapaz, que deveria ter a idade de Angie, se materializou em sua frente, segurou em sua mão e o puxou, dizendo:

“Não podemos ficar aqui fora, temos que voltar para o prédio, tem um abrigo no subsolo.”

Thomas.

De alguma forma Ciel soube que o nome do rapaz era Thomas. Ciel o seguiu, subindo as escadas de sua casa, fugindo de um bombardeio invisível.

Por mais que tentasse, Evie não conseguia controlar as memórias de Ciel, nem conseguia trazer o garoto de volta a consciência. Ela o seguiu até o banheiro no andar de cima, onde Ciel se encolheu ao lado do box, assombrado por demônios que não estavam ali. Evelyn sabia que era arriscado mexer com memórias, mas aquela era uma reação extrema, ela não esperava por isso. Temia pela integridade de Ciel.

– Ciel, por favor, se concentra em mim. Concentre-se em mim para eu trazê-lo de volta. Sou eu, Evie.

Evelyn tentou mais uma vez conter as memórias, mas Ciel segurou seu pulso, na altura do seu bracelete. Os arcos dourados da menina brilharam, e cicatrizes surgiram nos pulsos de Ciel, como que feitas a fogo. O bracelete emitiu um tipo de pulso, que separou os dois. Evie acabou perdendo a ligação com Ciel, e sua imagem desapareceu do local. Ciel chocou-se com o espelho do banheiro.

Ciel escutou um zumbido e sua cabeça começou a latejar. Cacos de vidro caíram aos seus pés, refletiam um rosto familiar, mas não era o seu. Uma jovem mulher com um pentagrama no olho direito olhava de volta.

O menino ergueu os olhos e viu dois anjos e Thomas.

“É o único jeito de proteger Evelyn.”

As vozes e as imagens se misturavam.

– Ciel! Onde você está? – a voz de Angie soou longe.

“Depois de começarmos, não tem mais volta”

Thomas lhe entregou uma faca. E Ciel tomou um pedaço do espelho quebrado em sua mão.

“Não o faça tão profundo”. O rapaz advertiu.

Mas era o único jeito de proteger Evelyn. E repetindo o gesto gravado em sua memória, Ciel deslizou a “faca” sobre o pulso, abrindo as cicatrizes que há pouco tinham surgido, esperando que os anjos realizassem o encantamento com o sangue que saía de si. A dor real e o sangue quente escorrendo por seu antebraço, trouxeram Ciel de volta a consciência. Ele caiu e ficou olhando o sangue se espalhar pelas lajotas brancas. A voz de sua irmã soava longe, como num sonho.

Ela chamava por ele, desesperada.

Os olhos de Ciel se fecharam no momento em que a porta se abriu. Angélica caiu de joelhos sobre o sangue, lágrimas escorrendo, mãos trêmulas, dedos gelados. Ela verificou se o irmão estava vivo, e saiu correndo em busca de socorro. O coração dela ficou para trás, com Ciel. Se seu irmão morresse, ela morreria junto. Angie nunca correu tão rápido em toda a sua vida.

Angie clamou por Daniel, o vizinho recém-formado em medicina, e balbuciou uma explicação desesperada. O homem pegou sua maleta de primeiros socorros e seguiu a ruiva. Havia tanto sangue!

Daniel fez os curativos e chamou uma ambulância. Angie se perguntava por que Ciel tinha feito aquilo, o que teria acontecido. Daniel tentava acalmá-la, dizendo que Ciel ficaria bem, que o socorro já estava a caminho.

Ela ficou olhando para suas mãos sujas com um vermelho brilhante. Aquela cor nunca pareceu tão bela e tão assustadora. A ambulância chegou e levou os três.

Por pouco Ciel não morre naquele dia.

Muito longe dali, Undertaker entrou num quarto escuro e se deparou com a menina encolhida num canto abraçando os joelhos.

– Muito bem, sua danadinha. O que foi que você aprontou dessa vez?

–Acho que matei meu pai – ela falou com a cabeça escondida entre os braços e os joelhos.

Undertaker suspirou, tirou um caderninho de dentro de seu casaco, deu uma folheada e voltou a guarda-lo.

– Não, não o matou. Mas acredito que não foi por falta de tentativa.

– Como pode fazer uma acusação assim? – ela ergueu o rosto e olhou para o shinigami, indignada.

– Eu lhe avisei para não força-lo. Ele não está pronto. Você viveu sem pais até hoje, não pode esperar mais alguns anos?

A menina lançou lhe um olhar irritado. Desviou o rosto para o lado e ficou alguns segundos em silêncio.

– Eu sou má. Estrago tudo o que toco – ela disse olhando para os sapatos. – Até quando eu tento ajudar, eu estrago.

– Você é tão gentil e amável quanto um humano pode ser. Mas também... Você tem capacidade para a destruição e a maldade. É o que se espera da filha de um demônio.

Todos os objetos de vidro do quarto e as janelas se estilhaçaram instantaneamente. O corvo levantou vou com o susto e começou a grasnar. Os lábios de Undertaker se curvaram num sorriso.

– Controle, minha querida. Controle. Você não quer que eles a encontrem; quer?

.

.

LIVERPOOL, ATUALMENTE

Sebastian estava arrumando os estragos feitos por Ciel na sala de visita. Consertou a estante e colocava os livros no lugar quando ouviu o barulho de bicadas no vidro da janela. Ele foi até lá para ver o que era, e encontrou um corvo. Ele abriu a janela e pegou o pássaro. Ao fazê-lo, teve a estranha impressão de que havia algo de estranho com aquele bicho.

Inesperadamente, ele sentiu uma presença, que de alguma forma lhe lembrava Ciel. Ele virou-se e viu uma menina de uns 13 anos, sentada no sofá. Ela tinha os olhos de Ciel, mas um deles era castanho. O corvo soltou-se das mãos de Sebastian e pousou sobre os joelhos da menina.

– Oi pai.

Sebastian sentiu um arrepio por todo seu corpo, seus olhos castanhos, assim como o olho castanho da garotinha, brilharam, vermelhos como rubis. Ele analisou a criança que o encarava, sem qualquer sinal de medo ou hesitação.

– Olá Evie – ele respondeu sorrindo. – É um prazer.

Sebastian deu um passo à frente, mas a menina o impediu.

– Não, não – Ela levantou o indicador e o balançou de um lado para o outro, como quem repreende uma criança pequena. – Não pode chegar mais perto. Esse é o seu limite.

– Não precisa ter medo. Não vou machuca-la – Sebastian falou com voz doce.

– Não é para minha proteção, é para a sua. Mais um passo, e isto vai machucar você.

Ela apontou para o arco dourado em seu pescoço. Ela olhou para uma cadeira próxima a estante que Sebastian estivera consertando, e a cadeira se moveu até o akuma. Sebastian sentou-se e analisou a menina. Esperando que ela dissesse algo, mas ela parecia mais interessada em afagar a cabeça do corvo. Sebastian esperou.

– Imagino que o senhor esteja tão curioso quanto eu. Posso chamá-lo assim, de senhor? Ou prefere você?

– Me chame como você achar melhor – ele continuava a memorizar cada detalhe da menina. O cabelo dela tinha a mesma textura e tonalidade que os seus. O nariz dela era certamente muito parecido com o dele, o mesmo tom de pele. Os olhos eram os mesmos de Ciel, os mesmo de Lílian. Os lábios também eram iguais aos do Ciel, o mesmo desenho, o mesmo tom rosado. Tirando os olhos e os lábios, a menina se assemelhava muito mais a ele fisicamente do que ao Ciel, Sebastian constatou e sentiu um estranho prazer egoísta com isso. – Gosta de gatos?

– Está tentando puxar conversa? Essa pareceu uma pergunta fora de contexto.

A menina falou sem olhar pare ele. Ela parecia um tanto dispersa, alheia. Mas quando seus olhos se erguiam e se fixavam nos olhos de Sebastian, eram intensos e sustentavam o olhar com coragem. Não demorou para que Sebastian percebe que a menina também o analisava meticulosamente, embora tentasse disfarçar.

– Talvez eu esteja buscando pontos em comum. Não costumo conversar com garotinhas de 13 anos, muito menos com filhas. É que eu nunca tive uma para fazer comparação ou adquirir experiência.

– Eu pelo contrário tive dois “pais” no passado, muito bons por sinal, então você vai ter que se esforçar para superá-los.

Sebastian levantou uma sobrancelha. Admirando-se com a altivez e ironia da menina. Depois ela continuou a falar:

–Gatos são fofos. Eu tinha um gatinho. Presente da vovó Lizzy. Foi em 1949. O nome dele era Mich.

– Que tipo de nome é Mich?

– Era apelido de Michaelis.

– Vejo que o desrespeito com a minha pessoa é herança de família.

– Não entendi – a menina falou inocentemente.

– Seu pai, Ciel me deu... Deixa pra lá.

–Só pra você saber, eu não tinha a intenção de ser desrespeitosa, nem nada assim. Vovó Lizzy e tio August sempre falavam da minha mãe, mas nunca do meu pai. Sempre que eu perguntava sobre, eles mudavam de assunto. Um dia, perturbei o tio Thomas, até que ele me disse que o sobrenome do meu pai era Michaelis. Foi nessa época que ganhei o Mich. Não queria esquecer seu nome.

– Isso foi... ah... gracioso da sua parte.

Os dois ficaram em silêncio. Por três minutos. E Evie começou a rir. Sebastian ficou intrigado.

– Desculpe, desculpe – ela falou. – Disseram-me que você é um akuma perigoso. Mas você está desconfortável com a minha presença. Você não sabe como agir comigo, não é?

– É assim tão óbvio?

– É.

– Você não parece ser... mau.

– Não se iluda – Sebastian respondeu com um sorriso.

Silêncio.

– A perda de controle do Ciel, com as memórias, sabe? Em parte foi culpa minha. Sempre que eu entrava em contato com ele, sem querer forçava as memórias dele a voltarem.

– Eu suspeitei.

– Mas não foi intencional. Uma vez eu tentei fazer isso intencionalmente, mas não deu certo. Eu o perdi e não consegui encontra-lo por anos. Mas eu o encontrei e as memórias começaram a voltar lentamente. E quando ele te conheceu, acho que sua presença também forçou as memórias dele.

– Não culpo você por nada que tenha acontecido ao Ciel. Sei que Ciel também não.

Ela deu um pequeno sorriso. E Silêncio novamente. Sebastian tentou puxar conversa novamente, já que ela não parecia tentada a ir embora. E para falar a verdade, o akuma não se importava se ela ficasse um pouco mais.

– Uma projeção. Você não está aqui de verdade, não é?

– Estou e não estou. Meu corpo está num lugar do qual não posso sair, mas minha mente é livre. Posso ir a qualquer lugar se eu tiver alguém com quem fazer uma ligação. Geralmente é com o Poe. Ele me leva aos lugares.

Sebastian olhou para o corvo, seus olhos se estreitaram brevemente.

– Não lembro de demônios terem essa habilidade.

– Não têm. Aprendi com os anjos – ela respondeu, balançando as pernas.

– Andando com más companhias – Sebastian ironizou. – Por que não veio me procurar durante todo esse tempo?

– Sendo meu pai, você é o demônio que mais pode me afetar, o que deve ficar mais distante. Por anos eu achei que você tinha culpa pela morte da minha mãe. E você queria impedir que o Ciel lembrasse de sua vida passada, sua vida como Lílian. Achei que você queria que ele não se lembrasse de mim. Eu não sabia se podia confiar em você.

– O que a fez mudar de ideia?

– Sei que você conversou com o Ciel sobre mim. E vi que ele confia em você. E que você realmente o ama.

– Ouviu nossa conversa?

– Parte dela.

– Usou essa sua habilidade para ver e ouvir outras coisas também?

– Está me perguntando se eu ficava espiando seus momentos de intimidade? Não. Jamais fiz isso. Não sou pervertida nem doente a esse ponto. Não é o tipo de interação que os filhos costumam imaginar entre os pais. Até quando eu percebia que vocês iam se beijar, eu ia embora. Além disso, não posso ficar muito tempo longe do meu corpo e não fico o tempo todo na cabeça do Ciel, só quando precisava falar com ele. Minha presença é prejudicial para ele.

– Estou errado em pensar que sua visita não é apenas para conhecer o seu velho e querido pai?

– Não. Vim para pedir um favor. Quero que proteja o Ciel.

– Não é algo que você precisasse me pedir. Mas mesmo assim, por que eu deveria fazer isso?

– O assassino que vocês procuram, ele é apenas uma peça. Um meio para um fim.

– Qual fim?

– Eu.

– O que quer dizer com isso?

– Não posso dizer.

– Está sob feitiço de sigilo?

– Infelizmente.

– E por que Ciel estaria em perigo?

– Porque foi ele quem me deu isso – Ela tocou o arco em seu pescoço com a ponta dos dedos. – Tenho mais alguns minutos antes de precisar partir. Posso ficar aqui?

– É claro. A casa também é sua – Sebastian respondeu.

– Não precisa falar sobre nada, se é desconfortável para você. Eu não me importo.

Os dois ficaram por mais algum tempo ali, sentados. Só fazendo companhia.

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.

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Ciel acordou. Tomou um banho. Vestiu seu uniforme e saiu de casa antes que alguém lhe fizesse perguntas ou o atrasasse. Tomaria o café da manhã em outro lugar, com outra pessoa.

Chegou ao Darjeeling Chá ofegante, queria aproveitar todo o tempo que tinha antes de ir para o colégio. Sorriu ao adentrar o estabelecimento e ver Sebastian sentado no lugar de sempre, à sua espera. Ciel se aproximou da mesa, puxou a cadeira e colocou sua mochila de lado.

– Tomei a liberdade de fazer o seu pedido, espero que esteja do seu agrado — Sebastian informou.

– Alguma notícia da mulher? – Ciel indagou, enquanto abria o guardanapo e se servia do chá.

– Verônica? Nenhuma. Desapareceu e até agora não entrou em contato.

– Espero que não tenha morrido, se ela tinha alguma informação realmente importante. Então... o que fez ontem a noite?

Na noite anterior, Ciel tinha ligado para Sebastian e contado sobre a conversa que tivera com a mãe sobre sua sexualidade e o namoro deles dois. Ciel pediu a Sebastian que não o visitasse naquela noite. Era melhor ir com calma, afinal, sua mãe ainda parecia estar num estado de torpor em relação a tudo. Ela já estava desgostosa em descobrir que o filho tinha iniciado sua vida sexual com um cara mais velho, Ciel imaginou que ela piraria se encontrasse Sebastian em seu quarto. Claro que Sebastian jamais seria pego, suas habilidades de akuma serviam para alguma coisa, mas mesmo assim, a ideia do que poderia acontecer ficava perturbando sua mente, como um mosquito irritante. Era melhor ir com calma.

Além disso, era bem melhor estar com Sebastian sem precisar se esconder. Momentos como o que vivenciava agora, tomar café com ele e jogar conversa fora. Como nos velhos tempos. Bons tempos em que eles viviam como um casal, apesar de parecerem apenas mestre e mordomo aos olhos da sociedade. Ciel podia imaginar uma centena de formas de tornar essa nova vida bem mais prazerosa.

– Patrulha na cidade. Nada de assassinatos, nem de kroboros. Quieto até demais – Sebastian respondeu. Ele tomava seu chá apenas para disfarçar.

– Espero que continue assim.

– E você, como passou a noite?

– Bem. Fiquei lendo até tarde.

– Eu não te contei pelo telefone. Advinha quem me visitou ontem à tarde?

– Não faço ideia – Ciel deu de ombros e colocou uma garfada de bolo na boca.

– Evelyn.

Ciel parou por um momento, fazendo força para engolir. Aquilo era realmente inesperado.

– Como assim, ela foi vê-lo?

– Ela apareceu lá em casa. Disse que queria me conhecer.

– E? O que mais? – Ciel ficou visivelmente empolgado e curioso.

– Só isso – Sebastian respondeu e tomou mais um gole do chá.

– Só isso? Sobre o que vocês conversaram?

– Poucas coisas. Nada muito importante. Ela não é muito de falar. Ah, ela disse que tinha um gato, Mich.

Ciel piscou os olhos.

– Ela só apareceu para mim para falar coisas estranhas sobre o assassino. E ela te visita apenas por visitar e vocês conversam sobre o bichinho de estimação dela?

– Sim. Senti uma pontada de ciúmes?

– Humph! Não estou com ciúmes.

– Sim, você ficou. Acho que sou o pai favorito – Sebastian falou sorrindo.

– Pai favorito é o... Até parece. Você é muito convencido.

– Se você diz.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, enquanto Ciel pensava na situação e disse:

– Ela é... estranha.

– Os pais podem dizer isso dos filhos? Que eles são estranhos? – Sebastian indagou.

– É claro que não!

– Então porque...

– Cala a boca e me deixe terminar o meu bolo.

– Ela é linda como a mãe – Sebastian acrescentou. Ciel apontou o garfo para ele.

– Pai. Ela tem dois pais. Não me venha com piadinhas ou eu o faço engolir este garfo. Você tem quantos anos, dez?

– Mas não foi uma piada, eu falei sério.

Sebastian continuou sorrindo. E Ciel tentava disfarçar seu constrangimento, tentava. O rubor em suas bochechas o entregava.

Ciel continuou irritado por mais dois minutos, mas Sebastian, com jeitinho, conseguiu contornar o gênio do jovem e voltaram a conversar normalmente sobre trivialidades. É interessante como se consegue ter tanta intimidade quando se conversa sobre trivialidades.

–Vamos? – Sebastian se levantou e deixou o dinheiro sobre a mesa. Os dois entraram no jaguar preto e fizeram todo caminho em silêncio, apenas ouvindo a música que tocava no programa matinal da Rádio. Sebastian parou em frente à escola e olhou para o adolescente, que continuou parado no banco do carona. – Tenho que resolver algumas coisas em relação à Empresa Midford, sua parte da empresa, que deixou sobre meus cuidados. Então, pode ser que eu fique incomunicável durante o dia, mas estarei de volta à tarde. Quer que eu te pegue na saída?

– Eu adoraria – Ciel respondeu olhando para os para-brisas.

– Então até a saída.

Ciel olhou para Sebastian, corou, se atrapalhou ao desprender o cinto de segurança e saiu do carro. Sebastian sorriu consigo mesmo e saiu do carro também, chamando o jovem que já se adiantava.

– Ciel, espere. Você esqueceu algo.

Ciel se virou para ele sem entender, apalpando os bolsos para ver se tinha esquecido o celular, mas o aparelho estava no bolso da calça. Sebastian se aproximou dele e o beijou. E aproximando os lábios da orelha de Ciel, sussurrou:

– Nunca se refreie de me pedir algo que desejas, Ciel. Ainda mais se forem beijos.

– Ok. Quero ir para sua casa à tarde – Ciel falou ainda nos braços de Sebastian, tão próximo que podiam sentir a respiração um do outro.

– Nossa casa – o akuma acrescentou.

– Nossa.

– Tudo bem.

O sinal do instituto soou.

– Estou atrasado – Ciel falou.

– Não estou prendendo você – Sebastian abriu os braços. E Ciel se afastou com um sorriso.

Quando Ciel entrou no Instituto, a maioria dos alunos já tinham ido para suas salas. Ele sorria consigo mesmo e tinha plena consciência de que parecia um bobo.

Ele apertou o passo pelos corredores, não queria correr o risco de chegar à sala depois do professor. Depois de duas curvas, Ciel deu de cara com Ivan Mason, que tratou de esconder muito rápido no armário uma caixa de metal que tinha tirado da mochila. Pode-se dizer que ele ficou branco ao ver o Ciel. No entanto, Ciel pouco se importou com o que o garoto estava aprontando, e também não estava a fim de começar uma briga, por isso, Ciel continuou andando como se nada tivesse visto e fez a curva em outro corredor. O caminho era mais longo, mas estava livre das amolações de Mason. Era uma troca justa.

Estar naquele ambiente, depois de tudo o que tinha acontecido, era um pouco surreal. Ali, a vida permanecia a mesma, a mesma rotina de todos os dias. Os mesmos professores, os mesmos colegas de turma, os mesmos temas de conversas. Tudo estava igual, só ele tinha mudado.

No entanto, mesmo estando naquele circulo despreocupado, entre conversas sobre encontros no shopping, discussões sobre os eventos do último episódio de uma série qualquer de TV e fofoquinhas sobre quem saiu com quem, alguém puxava o tema do assassino em série. Todos estavam muito curiosos, alguns admirados, outros receosos. Mas, por mais interessante que fosse, aquele era um tema mórbido demais para os jovens, real demais, assustador demais; logo mudavam de assunto. Para eles, evitar o tema mantinha as garras do assassino longe. Às vezes, Ciel ficava até espantado em ver como as pessoas permaneciam alheias ao que aconteciam em volta delas.

No intervalo entre as aulas, Lizzy e Dimas seguiram Ciel até a biblioteca, o jovem tinha acabado de iniciar sua leitura quando a loira se aproximou dando-lhe uma bronca.

– Você não veio para a aula ontem, novamente. Faz ideia de quantas aulas já perdeu? Aposto que estava com o Sebastian. É claro que estava. Não que tenha algo de errado nisso, você pode visitá-lo quantas vezes quiser, não tenho nada a ver com isso, mas não pode desleixar dos seus estudos. Nós nos formamos em outra vida, nesta ainda temos muito trabalho pela frente.

– Acabou? – Ciel indagou com uma sobrancelha levantada. Lizzy piscou os olhos, colocou as mãos nos quadris, soltou o ar e respondeu:

– É. Sim.

–Sim, eu estava com o Sebastian. Resolvendo uns problemas. Apesar da minha negligência com as aulas, estou compensando com estudo extra, minhas notas continuam boas. Não se preocupe. Por último, estamos numa biblioteca façam menos barulho.

Lizzy e Dimas olharam para o balcão da bibliotecária, a srtª Bathory colocou o indicador sobre os lábios, fazendo sinal de silêncio, depois sorriu para eles. Os dois adolescentes sorriram, sem graça. Lizzy sentou-se de frente para Ciel e deu espaço para Dimas sentar-se ao lado dela.

– Resolvendo problemas? É sobre os assassinatos? – Dimas sussurrou.

– Se for – Lizzy acrescentou – , quero insistir para ser informada sobre. Afinal, eu comandei os Phantomhive por um bom tempo, acho que mereço ao mesmo fazer parte do grupo novamente.

– Por mim, tudo bem. Você conhece todos os riscos e consequências que esse tipo vida pode trazer.

– Eu sei. Acho que a vida se tornaria chata se tudo fosse só fofura.

– É realmente a Lizzy falando? – Dimas ironizou, e os três riram.

– Hey, repararam que vocês só me chamam de Lizzy agora? Isso é legal. É nostálgico.

– A propósito, Liza... Lizzy, tem algo que eu queria falar com você. Algo mais particular – Ciel falou com um semblante sério.

Dimas ficou meio sem jeito, coçou a cabeça e se levantou.

– Eu vou deixar vocês dois...

– Não, Dimas, você pode ficar – Ciel o impediu de sair. – Não é nada que você não possa saber.

Dimas voltou a se sentar ao lado de Elizabeth, e a garota perguntou preocupada:

– O que foi? Aconteceu algo.

– Obrigado – Ciel falou depois de respirar fundo, depois fez uma pequena pausa. – Por cuidar dela.

Elizabeth demorou um pouco para entender. Depois, a compreensão veio como um estalo.

– Oh! Então, você lembrou?

– Sim. Sebastian me contou tudo. Tudo mesmo. Pelo mesmo a parte que ele tinha conhecimento. Acho que parte do desentendimento entre vocês dois foi culpa minha. Qualquer dia quero que me conte como foi vê-la crescer. Como ela era.

– Nós vamos encontrá-la, resgatá-la, e ela mesma lhe dirá muitas coisas. Mas ela é um amor de menina, posso lhe adiantar.

Na parte da tarde, Ciel tinha aula de Educação Física. Naquele dia era aula de natação. Ciel não gostava muito, mas era melhor que correr. Ele tinha acabado de voltar para o vestiário para trocar de roupa, quando Mason apareceu, visivelmente furioso. Socou a porta de um dos armários, deixando um amassado no lugar. Ciel tinha esquecido de como o cara era forte.

– Foi você, não foi, Valentine? – Mason esbravejou.

– Eu deveria saber do que você está me acusando? – Ciel perguntou confuso, não resistindo a tentação de ser irônico.

– Não se faça de idiota! Eu sei que você quer ferrar comigo, seu bicha filho da puta...

– Se manda, Mason! Não sou obrigado a escutar seus insultos – Ciel se aborreceu e deu as costas para o outro. Mason contornou Ciel e o impediu de sair.

– Eu não terminei de falar, Valentine. Você pode se fazer de inocente, mas eu sei que foi você, e vai ter troco.

Ciel olhou para Mason, irritado. Bufou de impaciência.

– Céus! O que exatamente eu fiz?

– FOI VOCÊ QUE.... – Mason começou a gritar, mas acabou concluindo que não era inteligente chamar a atenção. Ele reduziu o tom de voz a quase um sussurro. – Foi você que disse pro diretor que a droga estava no meu armário.

– Você o qu...?

– Você me viu no corredor e foi correndo me dedurar. Queria se vingar de mim, achou que ia se safar, não foi?

– Estou surpreso com sua capacidade de raciocínio, Mason. Mesmo sendo falha. Mas por mais interessante que sua vida possa ser, eu não dou a mínima. Não fui eu que te entreguei, investigue novamente.

– É claro que foi você! – Mason parecia a um passo de agredir Ciel. Ciel percebia isso, mas não se deixava intimidar.

– Talvez você queira que tenha sido eu. É diferente.

– O que quer dizer com isso?

– Entenda como quiser.

– Eu perdi dinheiro por sua causa, Valentine, muito dinheiro. E o diretor me ferrou com meus pais, isso não vai ficar assim.

– Algum problema aqui, rapazes? – O treinador apareceu, com o time de Rugby em seu encalço fazendo o maior barulho.

– Não, senhor, nenhum – Mason respondeu e se afastou.

Como Mason foi suspenso, Ciel não teve mais que vê-lo pelo resto do dia.

No final da aula, Ciel saiu correndo para o portão. Sorriu a ver que Sebastian já o esperava, com toda a sua pinta de garoto malvado recostado no carro preto.

– Chegou cedo – Ciel disse.

– “Você pergunta onde eu estive. Estive em todo lugar, mas eu não quero estar em outro lugar além daqui” – Sebastian falou, e Ciel olhou para ele incrédulo. Uma sobrancelha erguida.

– Isso é de uma música?

Sebastian o ignorou, o puxou pelo quadril e cantou:

– “I've got a burning desire for you, baby” – logo em seguida, Sebastian depositou um beiijo no pescoço de Ciel.

– Você não tem jeito – Ciel comentou envergonhado.

– Estava tocando no rádio quando vinha para cá. Lembrei de você enquanto ouvia. Vamos para casa?

Em alguns minutos, já estavam os dois sozinhos na casa do Sebastian. Ficaram algum tempo sentados no sofá, um nos braços do outro. Ora lendo, ora trocando algumas palavras. Depois, Sebastian decidiu preparar algo leve para eles comerem.

O akuma colocava os ingredientes sobre o balcão quando Ciel se aproximou e disse:

– Você poderia me ensinar.

Ciel colocou a mão por dentro da gola da camisa para coçar o ombro, dando ao akuma uma breve visão da clavícula e do pescoço do jovem. Sebastian ainda não tinha notado, mas Ciel havia colocado o anel Phantomhive em um colar, usava-o como um pingente. Ficou curioso em saber porque Ciel não o usava no dedo.

– Ensinar o quê? – Sebastian perguntou distraído.

– A cozinhar.

Sebastian ri.

– Você é realmente engraçado, Ciel. Cozinhar, você?

Ciel ficou constrangido e aborrecido.

– Do que você está rindo? Eu estou falando sério. Eu não sou tão inútil quanto você pensa, sabia? Eu sei fazer uma coisa ou outra. Tendo sido criado por uma mãe atenciosa e uma irmã bajuladora, pode parecer que elas tenham me estragado fazendo tudo por mim, mas não foi bem assim. Na maioria das vezes minha mãe não podia estar em casa para preparar o almoço, isso ficava por conta da Angie. Mas Angie nunca gostou de tarefas domésticas e certamente não possui nenhum talento culinário. Eu tinha que me virar sozinho se quisesse comer algo realmente... comestível.

– E o que exatamente você sabe preparar? Ovos fritos, macarrão instantâneo? – o akuma ironizou.

– Eu não acredito nisso, você realmente está me tripudiando?

– Desculpe, não resisti a oportunidade de importuná-lo. É realmente interessante como você não para de me surpreender. Estou sempre descobrindo coisas novas a seu respeito. Venha cá e ajude-me, se é o que deseja. Pode cortar os legumes?

Ciel assentiu e pôs-se a trabalhar.

A ideia de Ciel não era propriamente arranjar trabalho extra ou se mostrar útil. Ele não se importava com isso, afinal, Sebastian estava acostumado a fazer tudo por ele, esse sim o estragara com tantos mimos. Mas a real intenção de Ciel naquele momento, era compartilhar um momento familiar com Sebastian, fazerem algo juntos. Cozinhar juntos era melhor do que esperar sozinho enquanto Sebastian aprontava algo para comer.

Sebastian sabia que Ciel queria passar um tempo com ele, e apreciou isso. Mas, claro, não comentou nada. Ciel negaria até a morte.

– Sabe, todas as minhas memórias estão de volta, ou voltando – Ciel comentou, para quebrar o silêncio. – Como se elas estivessem em movimento constante. Então, sem razão nenhuma, em um momento qualquer, me vem uma lembrança de algo que aconteceu há muito, muito tempo. Lembranças boas. É bom lembrar de momentos agradáveis, antes só me vinham os pesadelos.

– E que momentos agradáveis vieram a sua mente? Fiquei curioso – Sebastian indagou, interessado. Ele batia os ovos, mas não tirava os olhos de Ciel.

– Droga! – Ciel exclamou.

– O que houve?

Ciel tinha acabado de cortar o dedo. “Ora, mas que desastrado” Sebastian pensou. Ciel ficou corado e disse:

– Nem pense em dizer alguma coisa.

– Mas eu não ia dizer nada – respondeu com a cara mais cínica do mundo. – Venha, vamos cuidar disso.

Enquanto Sebastian fazia o curativo, Ciel observava aqueles olhos castanhos, que sempre olhavam para ele com profunda admiração, desejo, carinho e, por que não, amor.

– Por que você não tem nenhum gato na casa? – Ciel indagou. Só agora, com todas as suas memórias restabelecidas, e conversa pela manhã sobre o gato de Evie, foi que Ciel lembrou do fascício que Sebastian tinha pelos felinos. E já que o akuma vivera um bom tempo sozinho, era de se esperar que ele tivesse acumulado um monte daqueles bichos.

– Porque você não gosta de gatos.

– Só por isso?

– Gatos exigem atenção. Minha vida atual não me permite dar a eles a atenção necessária.

– Eu não sou mais alérgico – Ciel informou. – Talvez possamos ter um gato quando eu me mudar para cá.

Sebastian olhou para Ciel, se perguntando se o garoto falava sério, sobre o gato e sobre se mudar para lá. Quis perguntar quando isso seria, mas preferiu apenas sorrir para seu amável mestre.

.

.

.

Ela entrou no estacionamento para pegar o seu carro, não via a hora de ir para casa. Como sempre, esqueceu-se de onde tinha estacionado o carro. Ela podia ligar o alarme e se guiar pelo som, mas o maldito aparelho estava com defeito e só funcionava quando queria. O jeito era procurar da forma antiga, olhando.

Notou que uma parte do estacionamento estava com as luzes apagadas, isso era maravilhoso! Torceu para não ter deixado o carro naquela área, seria o inferno procurar ali. Ela já estava quase pegando o celular para usar como lanterna, quando ouviu barulhos estranhos vindos de lá. Curiosa, ela se aproximou com cautela. Ela ouvia vozes, talvez gemidos ou grunhidos. Seria um casal aproveitando o escuro do estacionamento para tranzar? Uma vez ela flagrara um casal fazendo isso.

Ao se aproximar mais, ela pôde perceber que os barulhos eram muito mais estranhos. E de forma alguma eram sons libidinosos ou de prazer. Escondendo-se atrás de uma coluna, ela espiou um pequeno grupo próximo à parede.

Seu coração parou.

Ela não sabia o que estava vendo exatamente, mas com certeza, aquelas criaturas que se assemelhavam a homens não eram homens. Havia pelo menos três deles, dilacerando pedaços de carnes com seus longos e horríveis dentes. Havia mais alguém, este estava de costas para ela, ajoelhado diante do corpo de uma mulher loira. A mulher não se movia.

Constatou, com imenso horror, que aqueles monstros comiam um homem. Provavelmente o dono do carro mais próximo, que estava com as portas abertas. Ela podia sentir o cheiro de sangue, mesmo estando longe. E a pessoa com casaco preto fazia alguma coisa com o corpo da mulher, que estava no chão. Movimentava os braços como se costurasse algo.

Ela cobriu a boca com a mão, para não gritar. Obrigou-se a se mover, e começou a se afastar lentamente. Seu coração parecia querer sair de seu peito, tão rápido e tão forte pulsava. Eles não a tinham visto, ela só tinha que chagar até a saída e...

Bip! Bip!

Ela estacou.

O maldito controle do alarme tocou sozinho.

Percebeu que vinham atrás dela, e ela tentou correr. Um dos monstros surgiu na sua frente, e com um único golpe, a jogou sobre um carro. Ela rolou e caiu sobre o tornozelo, a dor foi terrível. Ela viu a figura encapuzada se aproximar. Ela tentou gritar, mas viu que a voz não saía. Começou a balbuciar palavras desconexas, tamanho era o seu pavor, até conseguir pronunciar algo que fizesse algum sentido.

– Por favor, por favor não... Eu, eu, eu não vi o seu rosto. Eu juro que não direi nada a ninguém. Eu prometo. Mas não me machuque.

A figura encapuzada se aproximou mais ainda. Seu rosto não era mais que uma sombra escura, mas ela conseguia ver as mãos enluvadas manchadas de vermelho, em uma das mãos, segurava uma faca, que gotejava sangue.

– Eu... Eu te dou dinheiro! Eu tenho cartões de crédito, são seus – ela começou a tirar tudo o que tinha em sua bolsa e a jogar em sua frente. – Não me mate, não me mate. Meu relógio! Pode ficar com ele. É de ouro, herança de família; foi da minha avó. Eu juro que não falo nada a ninguém, só, só me deixe ir. Por favor, por favor, por favor, por favor....

Ela começou a choramingar e a rastejar de costas. Sentiu-se congelar, quando percebeu que o estranho se abaixou perto dela. Ela mantinha a cabeça virada para o lado, tinha a esperança de que ele a deixaria partir se ela não visse seu rosto. Ele pegou uma mecha de seu cabelo e ficou brincando com ela.

– Você é loira – falou como se não fosse óbvio.

Assustada, ela acabou olhando para o rosto que tanto quis evitar. E percebeu, naquele momento, que já estava morta.

O guarda passava por aquela rua pela terceira vez, e aquela mulher continuava sentada naquele banco, onde a luz do poste mais próximo mal alcançava. Da primeira vez, achou que ela estivesse esperando alguém. Da segunda vez, teve uma sensação de estranheza ao vê-la ainda no mesmo lugar, e já estava muito tarde. Mas agora, ele teve certeza que havia algo errado.

Ele se aproximou, checando a área ao redor por puro instinto.

– Senhora, não pode continuar aqui. Vou pedir que vá para casa. É perigoso andar sozinha por aqui.

Nenhuma resposta, nenhum movimento.

– Precisa de ajuda, ou desejar ligar para alguém?

Ele continuou se aproximando. A mulher permaneceu imóvel. Estaria dormindo?

Chegando mais perto, ele viu que um líquido escuro se acumulava ao redor da mulher no assento do banco, e pingava no chão.

Sangue.

O guarda rapidamente chamou a polícia.

Roger avançava a passos lentos. As mãos nos bolsos do casaco. Desviando-se do aglomerado de curiosos que os policiais tentavam manter longe. Ele parou ao lado de Claus, diante da fita de isolamento. Esfregou os olhos e deixou a mão deslizar pesadamente sobre o rosto. Respirou fundo, olhando para o cenário tingindo de vermelho antes de perguntar:

– O que temos aqui, sr. Midford?

– Mulher. Loira. Trinta anos. Branca. As circunstâncias da morte é a mesma das duas últimas. Sete facadas ao total. Sem sinal de armar do crime. Sem testemunhas.

– Diga-me, sr. Midford, porque sinto que estamos acumulando corpos em vez de pistas? – Roger indagou, cansado.

– Sinto muito, sr.Valentine. Estamos fazendo o nosso melhor, mas esse assassino é muito meticuloso, ele...

– Isso não é um assassino, Midford. É um monstro. Um monstro com sede de sangue. Não vejo outra razão para tamanha atrocidade.

O policial Harris, assistente de Roger se aproximou dos dois homens, analisou a cena e disse:

– Antes ele matava mulheres completamente diferentes, agora ele parece estar seguindo um padrão. Será que nosso assassino estava apenas experimentando e finalmente encontrou o seu estilo, ou será que estamos lidando com duas pessoas aqui?

– A ideia não é descartável – Claus concordou. – Não é o mesmo Modus Operandi. As vítimas anteriores eram capturadas, torturadas, mortas e descartadas. Ele tinha todo um trabalho e preparação com elas. Essas mais recentes foram mortas no que parece ter sido um pico de fúria. Ele simplesmente viu a oportunidade e as atacou.

– Talvez seja outro assassino se aproveitando da fama do primeiro – Roger acrescentou, tremendo com a ideia de que os crimes do serial killer que eles caçavam, poderiam estar incentivando o surgimento de novos assassinos. – Mas vamos presumir que seja o mesmo cara. Porque a mudança? Por que abandonar seus procedimentos tão cuidadosamente seguidos para se arriscar de forma tão imprudente numa matança louca?

Roger fez a pergunta. Longe dali, na sala de treinamento sob o subsolo da casa do Sebastian, Ciel dava a resposta a dúvida de seu pai:

– Ele está à procura da próxima – Ciel estava diante de um grande painel com a foto de todas as vítimas, com anotações sobre elas e sobre fatos relevantes. – Achávamos que a escolha das vítimas fosse aleatória, mas não é. Ele possui uma lista. Ele sabe por que as está matando e sabe exatamente quem ele quer. Parece ser algum tipo de punição. Ele as procura, as encontra, estuda seus hábitos, e espera o momento certo para apanhá-las. Um momento em que elas estejam só, um momento oportuno que dê a impressão de que foi algo que aconteceu ao acaso, para confundir a polícia. Acredito que a próxima da sua lista muito provavelmente também seja a última. É possível que ele não saiba quem exatamente ela é ou onde está, ou que ela tenha escapado e ele esteja tentando aterrorizar a sua futura vítima. As mulheres mortas recentemente provam isso, acredito que elas não fazem parte de sua lista original. Elas são... ferramentas de tortura psicológica para “A última”. As vítimas recentes são todas loiras, brancas, aparentando ter entre os 27 e 35 anos. Essa é a aparência da próxima vítima.

Richard, assim como os outros, estava impressionado com as percepções de Ciel. Ele comentou, com o cigarro balançando em seus lábios quando falava:

– Se você estiver certo, então ele poderá matar um número considerável de mulheres até chegar a que ele quer.

– Sim.

– Se ela tiver consciência de que está sendo caçada é provável que tenha tomado medidas para não ter mais tal aparência. É o que eu faria – Ruby acrescentou. E logo em seguida pegou o celular para responder uma mensagem que acabara de chegar. Comentários de seus leitores. Richard revirou os olhos para ela.

– Sibyl Ashton tinha consciência de que estava sendo caçada. Porque as outras não tinham? – disse Sebastian.

– Não podemos ter certeza de que elas não soubessem – Ciel falou.

– Bom, pelo menos a professora Mary Margareth não parecia estar preocupada com nada antes do ocorrido. Ela parecia tranquilamente normal – comentou Elizabeth, que se reunira ao grupo naquela manhã. – E Isabela Enfild, de acordo com os jornais, morreu durante uma caminhada. Quem está morrendo de medo de ser assassinado e sai para caminhar sozinho?

Eles ouviram a campainha tocar.

– Deixa, eu atendo – Dimas se levantou e subiu as escadas.

Richard disse a Sebastian:

– Você disse que elas estiveram no mesmo orfanato na mesma época. Então, é de se esperar que elas se conhecessem. Podem ter reconhecido as outras pelos noticiários. Ter notado a coincidência de mortes. As primeiras podem não ter percebido nada, mas as últimas conseguiram perceber.

Sebastian coçou o queixo e respondeu:

– Elas eram muito jovens. Sibyl era a mais velha. É provável que as mais jovens não tenham reconhecido as outras, ou que elas não tivessem tanta intimidade entre si no orfanato. As pessoas mudam muito de aparência depois dos 15 anos. Poderia ser que não soubessem da existência uma das outras. Não temos informações suficientes. Ainda não consegui localizar em qual orfanato todas estiveram por volta dos anos 2000.

Ciel continuou:

– Vocês estão se focando nos detalhes errados. Não importa muito se elas se conheciam bem ou se reconheceram as outras nos noticiários, a questão é: Sibyl viveu a vida inteira como se fugisse de alguém. E de acordo com o marido, o comportamento paranoico piorou depois que os assassinatos começaram. Ou seja, ela sabia que alguém viria atrás dela, e quem viria. Precisamos descobri o que aconteceu naquele orfanato em 2000. Precisamos encontrar “a última” da lista do assassino.

– E ela está bem aqui.

Falou uma mulher que acabara de entrar na sala na companhia de Dimas.

– E quem é você exatamente? – Ciel indagou.

– A pessoa que salvou sua vida outro dia. De nada.

Ela parou no meio da sala como um soldado e cruzou os braços.

– Você é a tal Verônica – Ciel falou. – Pensei que tivesse assuntos urgentes para tratar conosco. Desapareceu e não deu mais notícias. Isso não são modos.

– Até onde eu lembro, vocês dois me deixaram plantada na sala esperando por horas. Eu tinha coisas importantes a fazer, cobrir meu rastro, achar um lugar seguro, e.... Mas que raios de sala é essa? Vocês têm um material legal aqui.

Ela começou a analisar as armas que estavam na parede. Perguntava-se que tipo de grupo era aquele. Continuou correndo os olhos pelo local até parar sobre o painel das vítimas. Seus olhos se demoraram sobre a foto de Sibyl.

– Sibyl era minha prima. Não nos víamos olho a olho há muito tempo, mas mesmo assim foi um choque saber de sua morte por um noticiário. Entrei em pânico. Foi como se aquele maldito assassino estivesse respirando no meu pescoço, com a faca em minhas costas. Eu fugi e descobri que tinham realmente encontrado meu paradeiro. Sibyl deve ter dito. Eu não a culpo. Deus sabe o que ela deve ter passado antes de finalmente abrir a boca.

– Você sabe quem é o assassino? – Ciel foi direto.

– Não exatamente. Tenho uma suspeita. Não achei que eles fossem chegar tão longe. Não até ver aqueles demônios, tentaram me matar. Ela falou mais para si do que para os outros na sala. Passava os dedos sobre as fotos das vítimas e abraçou o corpo depois de um calafrio.

Mais uma mensagem no celular de Ruby. Desta vez ela pediu licença para se retirar da sala. Os outros continuaram em silêncio, observando a estranha.

– Bom, se nos contar o que sabe, poderemos protegê-la – Ciel informou, quebrando o silêncio.

Verônica sorriu.

– Proteger? A mim? Hah! Nem sei como expressar a minha decepção ao descobri que o tal Phantomhive que Iridel me mandou procurar não passa de um adolescente. Achei que fosse um, um exorcista habilidoso, um gangster poderoso, um feiticeiro especializado. Não um adolescente, um adolescente com um demônio de estimação.

– Eu diria que você expressou muito bem sua insatisfação – Ciel falou entre dentes. Refreou-se de dar uma resposta para a mulher, porque ela parecia revoltada, inquieta, possivelmente, apavorada. – Mas tenho de corrigi-la. Phantomhive são todos estes aqui presente, sou apenas... o dono da patente, por assim dizer. Agora, se sua informação for útil, poderemos protegê-la, percebo que você não está numa situação muito boa.

– É justamente o contrário, garoto pretensioso e arrogante. Não estou aqui para buscar ajuda. Na verdade, se eu realmente tivesse um bom senso e um pouco de autopreservação, eu estaria a caminho de outro país a essa altura. Só vim até aqui porque Iridel pediu, e eu tenho uma divida com ela. Minha permanência aqui, minha vinda até aqui é que põem minha vida em risco. Eu deveria estar longe. Então, talvez, eu possa ser de alguma ajuda pra você.

Sebastian falou:

– Não somos seus inimigos, srtª Verônica. Queremos deter o assassino e você quer fugir dele. Temos objetivos em comum. Assim sendo, por que não nos conta sua história?

Verônica ficou andando de um lado para o outro, roendo a unha. Ciel apontou uma cadeira para que ela se sentasse, e ela o fez. A mulher respirou fundo e esperou alguns segundo antes de começar:

– Eu sou o que se pode chamar de "pessoa mais azarada da face da Terra". Meus pais morreram em um acidente de carro e eu tive que ir morar com uma tia e uma prima, meus únicos parentes vivos. Minha tia não tinha condições nem tempo suficiente para cuidar de duas meninas pequenas, mas ela se virava. Uns seis meses depois de eu ter ido para lá, minha tia foi morta durante a droga de um assalto. Sem mais parentes que pudessem nos acolher, minha prima Sibyl e eu fomos mandadas para um orfanato. Parecia um lugar legal, a princípio. Os administradores do lugar era um casal até simpático. Sr. e Sra. Utterson. Eles tinham um casal de filhos gêmeos, crianças também, talvez treze ou quatorze anos. Eu tinha uma ideia bem ruim sobre orfanatos, mas aquele parecia ser um bom lugar... parecia.

Ela ofegava, como se lhe custasse muito contar aquilo, e continuou:

– Uma noite, fui dormir como todos os dias, mas ao acordar, percebi estar em lugar completamente diferente. Eu estava numa jaula. Foi... Foi onde eu ganhei isto.

Verônica se levantou da cadeira, virou-se de costas e levantou a camisa. Havia uma cicatriz em suas costas.

Ciel engoliu em seco. Conhecia bem aquela marca. Conhecia muito bem. E de repente aquilo pareceu um mau agouro.

– Hey! Vocês precisam ver isso! Ruby apareceu no auto da escada e chamou a todos. Eles seguiram Ruby até a sala, onde a televisão estava ligada em um noticiário. – Está em todos os canais e estão comentando em todas as redes sociais.

O noticiário dizia: Assassino serial monta cena terrível em estacionamento.

Mais um corpo tinha sido encontrado, e desta vez, a imprensa conseguira chegar ao local antes da polícia. E exibiram sem qualquer censura as imagens da mulher morta. E não era nada agradável de olhar. Uma mulher jovem e loira, nua, com algemas e grilhões nos pulsos, pendurada pelo pescoço. Suas pálpebras e lábios estavam fechados com agulhas e o sangue escorria por seu corpo pálido. A repórter parecia excitada com o furo de reportagem, e noticiava o crime com a empolgação de quem descobriu um escândalo romântico entre os membros da realeza.

Alguns minutos depois, as imagens seriam tiradas do ar, a polícia chegaria e proibiria a exibição de mais imagens do local e da vítima. Os jornais dariam a notícia sem divulgarem as cenas novamente, mas era tarde demais, as imagens já circulavam na internet.

Mesmo assim, antes da transmissão ser interrompida, todos na sala do Sebastian conseguiram ler a mensagem escrita a sangue, na parede atrás da vítima:

“Quantas inocentes você deixará morrer em seu lugar?

Entenda uma coisa: de uma forma ou de outra...”

Houve um momento em que o silêncio era quase palpável. E ele foi finalmente quebrado por Dimas.

– “De uma forma ou de outra... vou pegar, pegar, pegar você” – Dimas completou a letra da música. Achou que devia ser algum tipo de piada mórbida. Todos olharam para Verônica.

A mulher, visivelmente transtornada, enfiou os dedos no cabelo tingido de castanho escuro e deixou-se cair no sofá mais perto. E balbuciou para se mesma:

– Eu... estou fu....

Notas finais
Oi pessoal, espero que tenham gostado. Não sou adepta de falar sobre a minha própria vida, mas acho que devo uma explicação a vocês. Esses meses não foram fáceis. E tive que ser muito persistente para continuar escrevendo o capítulo, porque realmente fiquei desanimada. Bom, vocês já sabem que eu atraso sempre por dois motivos: trabalho e estudo. No capítulo passado eu falei que estava fazendo o trabalho de duas pessoas no meu emprego porque a outra pessoa estava de férias, pois é demitiram a outra. Isso foi horrível e sobrou trabalho extra para mim. Muita cobrança no trabalho e na faculdade e eu meio que pirei. Para completar, pode parecer bobo, mas pense na coisa que você mais gosta.... foi ao ar o “último” episódio de uma das minhas séries favoritas, Hannibal, que por acaso tinha sido cancelada. Depois disso fiquei em fase de luto. Fiquei desanimada para tudo. Nem sei como eu ficaria se Kuroshitsuji fosse cancelado. Ah, já me perguntaram por que eu gosto de Hannibal, bem, é como Kuroshitsuji: tem esse cara mais velho super educado, certinho, elegante, bonito, que gosta de tudo limpo, cozinha super bem, tem a maior pinta de bom moço, mas é o vilão, cujo maior desejo é devorar o seu mais admirado cliente; um cara mais novo, super inteligente, investigador, que gosta de ficar sozinho, tem uma história sofrida e escura, e tem essa mente especial e única que só o nosso vilão perfeito conhece. Os dois resolvem os crimes mais sinistros do seu país, enquanto a ligação entre os dois se desenvolve e se transforma. Tem investigação e mistério, tudo o que eu amo. Se você curte yaoi, e não tem frescura em ver sangue... eu super recomendo. O fim da minha amada série e os infortúnios da vida que tiravam meu tempo livre me deixaram muito triste, e eu conseguia escrever pouca coisa por semana, e me faltava inspiração, por mais que tentasse. Mas finalmente estamos aqui. E quero agradecer a todos vocês que me esperaram, me acompanharam e me incentivaram. Confesso que chorei lendo alguns comentários, não imaginava que o capítulo anterior causaria tanta comoção. Quero mandar um beijo especial para Maria Eduarda, sim você sua linda, você acertou, eu estava realmente precisando de uma forcinha, obrigada pela MP oportuna. E também para Lumi, Setsuska e Miellany... gente que comentários foram aqueles?! Maiores que o capítulo ..kkkk.... Obrigada! Obrigada Quero dizer também que descobri que alguns leitores são detetives natos, olha... palmas, palmas! Juntou cada pecinha, cada pista...vou nem dizer quem foi, heehehe! Bom, por fim.... As músicas do capítulo foram: Burning Desire de Lana Del Rey One Way Or Another de Blondie. Caso você só conheça essa música na versão do One Direction, aqui está o link para ouvir na voz de Blondie, eu realmente prefiro: https://www.youtube.com/watch?v=1VFuHj9_Tgw Acho que é isso. Nos vemos nos comentários. Espero responde-los em breve. Beijos e até. Tai *-*/