Phantomhive

8 Carnívoros A Meia Noite


Notas iniciais
Olá pessoal^^.. não imaginam a saudade que senti...pois é...prometi pro final da semana e cá estou. não sabem o trabalho que esse capitulo deu....digitei enquanto "assistia" 4 filmes com minha amiga q chegou de surpresa...não podia ignorá-la nem faltar com vcs, tive que fazer os dois ao mesmo tempo..ele teria saido antes da meia noite se não demorasse tanto pra editar o maior capitulo até agora....sem falar na net péssima q tá só caindo....então me perdoem qualquer erro ou se não tiver muito bom....tentei me esforçar e espero que gostem... .juntem suas pistas, façam suas apostas. Gostaria de agradescer a Yuka Harumi pela recomendação que eu amei^^...e a Fernanda, Michelle, Amanda, Júlia, Bia e ao Kiba por favoritarem...e obrigada a todos que comentaram. Bom, é isso. Boa leitura o/

Capítulo 8: Carnívoros A Meia Noite

Quando Ciel acordou, a primeira coisa que lembrou foi do seu ferimento. Mas ao mover o pé não sentiu dor alguma. Ele afastou o cobertor e pressionou o local que estava enfaixado. Não sentia nada. Desfez o curativo e para sua surpresa o ferimento havia desaparecido. A pele estava intacta. Nem um arranhão sequer. Se não fosse o curativo e a dor terrível ainda em sua memória poderia jurar que tudo não passara de um sonho...

Sonho.

A palavra lhe trouxera a lembrança do sonho que tivera durante a noite. Sonho deveras constrangedor, pra dizer o mínimo. Além de ser absurdo e completamente impróprio. Seria normal ter sonhos assim? Ainda mais com outro... Ciel balançou a cabeça. Levantou-se num pulo testando a perna. Nada fora do normal. Que remédio seria aquele?

“Ele prometeu explicar tudo hoje.” Ciel lembrou-se. E se aprontou o mais rápido que pode.

Saiu antes que Angie ou a mãe pudessem vê-lo. Foi direto para o Darjeeling Chá. Ao chegar lá, encontrou uma sonolenta Ruby.

– Amo Ciel?! Chegou cedo hoje.

– Sim. Eu... – Ciel reparou na roupa incomum que a mulher usava. Vestia uma saia rosa com tule azul por baixo. Meia-calça com desenhos de gatinhos, sobre esta, usava outra meia. A segunda meia era listrada e colorida, a direita subia até a coxa, a esquerda estava só até o joelho. Botas pretas. Usava uma camiseta rosa com alças finas e por cima desta uma blusa branca folgada, cuja manga caia para o lado direito mostrando o ombro nu. A camiseta branca tinha os dizeres “I love ... e um circulo vermelho e brilhoso”. E muitas, muitas pulseiras nos pulsos. Ciel analisava meio aturdido a escolha de peças. – Isso é novo uniforme?

– O qu...? Não. É...como explicar? Um modelito tipo cosplay, estilo Harajuku Girl. Gostou? Meu uniforme está aqui. – Ela levantou uma sacola na frente de Ciel. – Eu me troco aqui porque já estraguei dois uniformes e se usá-lo somente aqui as chances de eu estraga-lo é menor. – Explicava a moça entre bocejos. Ciel chegava à conclusão que talvez Ruby fosse mais maluca do que imaginara. – Ai, me desculpa a falta de educação, é feio ficar bocejando assim na frente dos patrões, mas é que eu fui dormir super tarde ontem. Cheguei tarde do trabalho, tive que resolver uns problemas.. – Ela gesticulava pra lá e pra cá, Ciel se perguntava se realmente havia a necessidade de informar isso, ou se a garota estava apenas resmungando consigo mesma. — ...quando finalmente cheguei em casa era uma da manhã, mas não podia dormir logo, eu tinha que checar meu blog, depois fiquei lendo quase a madrugada toda...

– Que livro está lendo? – Ciel a interrompeu. Sempre fazia esta pergunta para alguém que estivesse lendo. Se julgasse o título interessante, procuraria para ler. E também porque temia que a moça continuasse narrando sua noite mal dormida.

– Não, não é livro. São... Histórias de autores amadores.

– Sério? Sobre o quê? – perguntou realmente interessado.

– Ah....muahahahaha! – a mulher corou e começou a sorrir de um jeito esquisito. Ciel a achou mais estranha ainda. – Sobre... Sobre muitas coisas. Eu escrevo também. Se quiser ler é só procurar na net. Meu nickname é M31R1-NYAHLover.

– Ceeeerto. Talvez eu procure. – Ciel entrou no Darjeeling Chá com Ruby. Fora os dois, só havia mais três garotas trocando as rosas dos vasos e colocando as toalhas nas mesas. Ruby pediu que Ciel esperasse enquanto ela se trocava. A mais nova das três garçonetes ofereceu uma xícara de café a Ciel. A garota tinha cabelos curtos e castanhos, serviu Ciel toda sorridente. O garoto chegou a ficar constrangido. Ele tomou o café no balcão até Ruby voltar.

–Pronto Amo Ciel! O que deseja? Não vai dizer que ficou viciado no nosso bolo de chocolate, com recheio de chocolate e cobertura de chocolate. O Triplo-Black?! – falava como se estivesse num comercial.

–Não. Vim apenas esperar o Sebastian.

– Oh... – Ruby fez uma cara estranha. – Sebastian não vem hoje. Ele está com a senhorita Villefort.

– Villefort? Amanda Villefort?

– Sim, essa Amanda. – Falava com certo desanimo e um leve tom de desprezo.

– Você gosta do Sebastian, não é? – Normalmente Ciel nunca faria uma pergunta indiscreta assim, mas percebeu que Ruby fugia dos padrões britânicos de discrição, assim como outra ruiva que conhecia. Será que a loucura está na cor dos cabelos? – Eu vejo como você fica olhando pra ele toda vez que vai nos servir.

– É difícil não ficar admirando ele. – ela falava olhando para o vento, com certeza visualizando um certo moreno. – Já tive uma paixonite por ele sim, mas foi há muitos anos. Mas ele só tinha olhos pra uma pessoa, e eu acabei por me apaixonar por outro alguém.

– Mas o Sebastian não disse que te conheceu aqui no Darjeeling Chá há um mês? – Perguntou Ciel meio confuso.

– Mas ein? – Ruby mordeu o lábio inferior, ainda olhava para o vento, mas dessa vez parecia estar acordada e com uma estranha expressão. – Pois é.... É isso mesmo. Foi só um jeito de falar que o que eu sentia ficou no passado, parece que foi há anos.... O que não me impede de admirá-lo. Além do mais eu também fico olhando para o Amo Ciel. Só que de longe, porque ele pode brigar.

Ruby colocou os cotovelos sobre o balcão e apoiou o queixo nas mãos olhando descaradamente para Ciel. O adolescente corou por completo.

– B-bom, já que ele não vem...Eu tenho que ir pra escola.– Ruby sorriu. – Bem... Pode dizer a ele que estive aqui, caso ele apareça?

– Sim senhor!

– Ruby, como sabia? Como sabia que Sebastian não viria hoje?

– Ele me disse ontem à noite. – Ontem à noite em que hora? Foi o que Ciel quis perguntar. Pois Sebastian Ficara com Ciel até umas oito e meia da noite. Quando Sebastian saiu de sua casa já era muito tarde. Ruby disse que chegou em casa as uma da madrugada. Ciel ficou formulando tanta coisa na cabeça que desejou não ter perguntado. Às vezes sua curiosidade irritava a ele mesmo.

Ciel só esperava que Sebastian não estivesse pensando em
enganá-lo.



Chegou a Academia Nottingham mais cedo do que jamais chegara. O zelador acabara de abrigar a porta de entrada. E poucos professores haviam chegado.

– Bom dia, senhor Valentine. Chegou cedo hoje, está assim tão apressado para assistir a aula? – Dizia a senhoria Bathory, a bibliotecária. – Senti sua falta, há dias não aparece na biblioteca. Não me diga que trocou os livros por videogames?

– Não senhorita, um amigo tem me emprestado.

– Ah, que bom! Mas sabe que será sempre bem vindo a minha biblioteca. – sorria amavelmente. – Olha, haverá uma noite de autógrafos na Megabook, sabe onde fica? – Ciel assentiu com a cabeça, já fora algumas vezes na livraria com a Angie. – A entrada é gratuita, uma escritora vai lançar um livro de mistério e vários outros livros do gênero estarão em exposição. Eu sei que você gosta, então... – ela entregou um panfleto que anunciava o evento. – Eu estarei lá. Espero te ver lá também.

– Claro, com certeza. – Ciel despediu-se da stra. Bathory. Ficou olhando ela se afastar, seus cabelos negros balançando. Ciel sentia certa simpatia pela professora. Ela sempre o tratara bem e sempre indicava bons livros, pois a professora tinha a mesma paixão por contos policiais como ele, assim como um certo tratante que assume um compromisso e depois some. Sempre que Ciel se lembrava de Sebastian ficava irritado.

Foi para sua sala. Sentou-se na cadeira de sempre e pegou o celular. Nada. Nenhuma mensagem, nem ligação perdida. Ciel queria ligar e perguntar o que diabos ele estava fazendo, se esquecera de que havia prometido explicar-lhe sabe-se lá o quê, mas o orgulho não o deixava. A impaciência o corroía, a curiosidade o fazia olhar a todo o momento para o celular, mas sua teimosia era maior. O que ele tinha de tão importante pra tratar com a tal Amanda? Amanda não foi quase devorada viva, ele fora. Nada mais justo do que receber uma explicação, já que o infeliz do Sebastian dera a entender que sabia de algo. Não, mais do que isso. Ciel sentia que ele estava escondendo alguma coisa. E todos os acontecimentos estranhos que vinha presenciando o faziam crer que estava certo.

– Bom dia Ciel! – Dimas entrava na sala com algumas rosas nos braços.

– Pra que isso?

– É meu dia de organizar a sala. Achei que colocar essas rosas num vaso deixaria a sala mais bonita. – Ajeitava o dito vaso numa estante do lado esquerdo da sala. – Além disso, elas são cor-de-rosa!

– E o que tem isso? – Ciel perguntou sem muito interesse. Seu amigo era da equipe de Rugbi, e apesar da pouca musculatura e de ser mais alto que Ciel pouca coisa, Dimas era realmente muito forte. Felizmente o garoto se apegara a Ciel por alguma razão. E sempre que alguém o importunava, Dimas o defendia. As vezes era humilhante, pois o fazia parecer fraco, e outras vezes era vantajoso, pois até idiotas como Ivan Mason, pensavam duas vezes antes de partir pra agressão física. Mas a verdade é que Dimas era um bobo, no bom sentido da palavra. Muitas vezes infantil e aluado, é verdade, mas com certeza o mais querido da classe.

– Liza disse que gosta de rosas cor-de-rosa. Acho que ela vai gostar. Você pode dizer que foi você quem me pediu pra trazer, ela vai ficar muito feliz.

– Isso seria mentira. Quer ajuda? – Ciel ofereceu-se para ajuda-lo a organizar a sala, mais por tentativa de distração do que por altruísmo.

A primeira coisa que Liza, assim como as demais alunas, viu quando entrou na sala foram as rosas.



Ciel passou todo o dia esperando um sinal de Sebastian e nada. As horas pareciam se arrastar. Quando o sinal tocou, suspirou de alívio. Infelizmente, Liza insistiu para que ele a acompanhasse até a aula de esgrima. Deixou a menina lá e voltou para casa. Ainda passou em frente ao Darjeeling Chá olhando pela vidraça, mas tudo que viu foi Ruby servindo as mesas atrapalhada e sorridente como sempre. Lembrou-se da roupa que a moça usava pela manhã e esbouçou um pequeno sorriso. Já inconformado com o desaparecimento de Sebastian deu-se por vencido. Pegou o celular e ligou para ele quando passava pela Rua Barnabas. Para aumentar a sua fúria a ligação caiu em caixa postal. Se Sebastian aparecesse agora, Ciel acertaria sua cabeça com o celular.



Liverpool já estava coberta pelo manto negro da noite. Havia poucas pessoas nas ruas. Duas pessoas seguiam o rastro de alguns suspeitos. Os dois pararam no telhado de um galpão. Viram as duas garotas sendo perseguidas por quatro Homens na rua logo abaixo. As duas garotas se pareciam muito. As garotas gritavam abraçadas pedindo socorro. Eles tentavam separá-las, mas uma tentava segurar a outra.

– Não! Por favor, deixa a gente em paz. Não machuca a minha irmã.

– Socorro! Melinda, não me solte. Não me solte.

– Belinda! Por favor, solte minha irmã. — Um dos homens pegou a outra garota, jogou-a sobre os ombros e saiu correndo. – Não. Belinda! Por favor, devolva minha irmã. SOCORRO! Alguém...pelo amor de Deus....

Os dois no telhado preparavam as armas.

– Eles escolheram aquela. – O de casaco marrom apontou para a tal Belinda sendo levada para longe. – Se eles capturarem mais uma, Sebastian nos mata. Vou atrás deles.

– Certo. Eu fico com estes. – Disse colocando os fones nos ouvidos e girando as pistolas nas mãos. – Trilha sonora pra ação.

Melinda tentou fugir, mas fora encurralada. Os três que ficaram se aproximavam sorrindo maldosamente. Não eram bandidos comuns. Quando chegaram mais perto, ela pode ver que eles tinham olhos incomuns. Dois tinham olhos vermelhos, o outro olhos amarelados. As pupilas anormalmente dilatadas.

– P-ra onde levaram a Belinda? O que v-vão fazer com minha irmã? P-por favor, não me machuquem. – Implorava chorando.

– Não é justo que só sua irmã se divirta. – falava o da esquerda.

– É, nos também podemos brincar. – o da direita sorria.

– Prometemos ser bonzinhos. O do meio se aproximava. Os três caíram no riso.

Melinda se encolhia, rezando para que a irmã estivesse em situação melhor. Os três pularam sobre ela. Melinda fechou os olhos e ouviu um tiro. Quando abriu os olhos, viu uma mulher lutando e atirando contra os três caras. A mulher vestia um short preto muito curto, corselete preto e jaqueta vermelha de capuz cobrindo a cabeça. Calçava coturnos pretos e meias negras que iam até a coxa, presas por cinta liga. Manejava duas pistolas com grande destreza. Ela chutou o primeiro homem pra longe, acertou o segundo com o cotovelo e atirou no terceiro a sua frente. Virou-se para a jovem.

– Tá esperando o quê? Fuja! – a mulher falou. Melinda levantou e correu, deixando a atiradora para trás. E foi na direção que Belinda havia sido levada. Quando não podia mais ver a mulher ou os três caras, achou que tinha conseguido, mas logo um dos homens apareceu vindo atrás dela. Melinda correu o mais rápido que podia, seu coração parecia que iria sair pela boca. Quando estava cruzando a rua viu uma forte luz vindo em sua direção. Fora atingida por um carro.



Ciel jantou. Teve que lavar as louças do jantar sozinho porque Angie inventara mil desculpas como sempre. Passou horas em seu quarto. Ligou o computador e começou a pesquisar tudo o que havia sido noticiado sobre os desaparecimentos e os assassinatos. Todas as informações se resumiam a falta de pistas. A polícia não fazia ideia de como o assassino agia, nem por onde começar a procurar. Ciel lia atentamente, já era quase meia noite, pela primeira vez no dia conseguira realmente se distrair. Até seu celular vibrar.

Assustou-se. Quando viu o nome de Sebastian no display, pensou em atender imediatamente. Mas uma ideia maldosa o parou. Pensou em deixa-lo esperando. Se ele havia esperado até agora para ligar, que esperasse até amanhã.

O celular tocou mais duas vezes e parou. De repente, Ciel ouviu o barulho de alguma coisa acertando sua janela. Caminhou até ela e olhou pelo vidro. Sebastian estava parado no outro lado da rua. O homem acenou sorrindo de um jeito que irritava mais ainda o adolescente, ele apontava para o próprio celular. Ciel olhou para o celular que segurava, este voltou a vibrar. Por fim, atendeu.

– Boa Noite Ciel. Já passa da hora de você dormir. Estava me esperando até agora?

– Idiota! O que você quer?

– Precisamos conversar, não é? Pode descer até aqui?

– Agora?! Já é quase meia noite, ficou maluco?

– Se quiser que eu conte alguma coisa, tem que ser agora. Eu sei que você é esperto, dê um jeito de sair sem que te vejam. Estou esperando.

Ciel pensou por alguns segundos. Sua mãe e irmã dormiam, seu pai pelo visto não dormiria em casa.

– Está bem, espere um instante.

Ciel pegou os tênis e desceu as escadas devagar. Andava com a cautela de um gato. Quando finalmente saiu de casa, sentou-se na escadaria da entrada para calçar os tênis e foi até Sebastian.

– Olá, sentiu a minha falta? – Ciel o fuzilava. – Está zangado.

– É claro que estou! – esbravejava – Você disse amanhã e some o dia todo. Eu até liguei pra você, crápula! E além de tudo, fez a desfeita de não atender. É preciso muito pouco pra me deixar aborrecido, muito pouco mesmo. Mas você faz isso com maestria.

– Bem ainda não é meia noite, então tecnicamente não quebrei a promessa. – Sebastian dizia cheio de razão. – E não adianta me olhar com essa cara emburrada, porque na verdade eu gosto muito dela. Se continuar com essa expressão só vai me encantar mais ainda. Além do mais estou apenas seguindo suas ordens. Você disse “conte-me apenas o necessário até achar que for apropriado”.

– Que absurdo, eu nunca disse isso, você é quem está dizendo. – Ciel rosnava indignado.

– Tem razão. Venha. – Sebastian segurou o garoto pelo pulso e começou a puxá-lo pela calçada.

– O que está fazendo? Onde estamos indo?

– Ao meu carro. O estacionei no fim da rua pra não fazer barulho. Está muito frio aqui fora e não é prudente conversar onde dá na vista. – os dois chegaram ao final da rua. Ciel entrou no carro ainda emburrado. Sebastian deu a partida.

– O que pensa que está fazendo?

– Ligando o carro. Como pensa que chegaremos em casa?

– Que casa? A sua? Não. Nem pensar. Eu não vou sair daqui. Vai ter que explicar aqui mesmo. Qual o problema com o carro? Ninguém vai nos espionar.

– Eu pensei que na minha casa seria mais confortável, mas se você prefere que seja no carro...

– E-está me enrolando. – Ciel falou fugindo dos olhos de Sebastian, sentindo-se repentinamente constrangido.

– Muito bem. – Sebastian tirou as mãos do volante e ficou alguns segundos olhando para a noite. Ele adquirira aquela aura sombria novamente. Tudo o que Ciel conseguia ouvir era a própria respiração e o farfalhar das árvores vizinhas fora dos vidros escuros do jaguar preto. Quando Sebastian voltou a falar, seu tom era extremamente sério. – Aquilo que o atacou no beco era um demônio.

– Está brincando comigo?

– Não. Você mesmo chegou à conclusão de que ele não era humano. Responda você se estou mentindo. O que eu ganharia mentindo sobre isso? – Ciel nada respondeu. Por mais absurdo que possa parecer, depois de ver a aparência daquele cara mudar de forma grotesca, não haveria explicação melhor. No fundo, sentiu que esperava apenas que alguém confirmasse que ele não estava louco. – Existem muitas raças, mas aquele era especificamente um kroboro, Devorador de Carne. kroboros são demônios fracos e não muito espertos, mas muito perigosos. São capazes de comer um homem inteiro em poucos minutos. E quando digo inteiro é inteiro. Devoram até os ossos. Eles atacam as vítimas com uma mordida inicial, que espalha um veneno paralisante que imobiliza a vítima. Se eu não tivesse aparecido naquela hora, você com certeza teria virado jantar. Há muitos deles, não só em Liverpool, mas em toda a Inglaterra.

– Quer dizer que o assassino que a policia procura na verdade é um demônio como aquele?

– Não. Os kroboros são, sem sombra de dúvidas, a causa dos desaparecimentos. Os jornais devem ter noticiado a repentina onda de desaparecidos ou possíveis sequestros sem pedidos de resgate. Bom, devo dizer que estas pessoas jamais serão encontradas. No entanto, devoradores jamais viriam ao mundo humano sem que alguém os trouxesse. O assassino é alguém esperto. Esperto o bastante para despistar a policia, escolher as vitimas a dedo e mata-las sem deixar vestígios seus nos corpos. Esperto o suficiente para lidar com kroboros. As agulhas encontradas nos corpos das vítimas indicam que o assassino sente um prazer sádico e é deveras minucioso ao tortura-las, isso está de acordo com os métodos usados pela maioria dos demônios e psicopatas. No entanto, demônios não costumam desfigurar suas vítimas, pois apreciar a beleza delas faz parte do prazer. Esse ato de mutilar as mulheres retirando qualquer sinal de sua beleza, são traços comuns de humanos que sofrem de doentia inveja. O que me faz crer que o assassino possa ser humano. Mas Devoradores não obedecem a humanos. Apenas demônios mais fortes são capazes de controla-los.

– Então um demônio mais poderoso pode está ajudando o assassino? Claro, um humano jamais poderia atravessar todo um país carregando uma vítima sem que ninguém o visse, mas alguém com capacidades sobre-humanas sim. Sabe quem pode ser, Sebastian?

– Não. Mas sei que está nessa cidade. Os kroboros apenas recebem a incumbência de capturar vítimas nas outras cidades, como não conseguem ficar sem comer, acabam matando humanos no caminho.

– Por isso o maior número de desaparecidos está justamente nas áreas em que as vítimas moravam ou onde foram encontradas. Quando aquele cara me atacou, ele disse que tinha que fazer um trabalho e voltar, alguém o mandara deixar o corpo de Joan Redford lá. – Era tudo tão surreal, mas fazia sentido. A polícia nunca resolverá esse caso se for tudo como Sebastian disse. E Ciel duvidava que algum policial acreditasse em tal história. Por um instante Ciel pensou que poderia acordar amanhã e descobrir que apenas dormiu sobre mais um livro e que tudo não passara de um sonho maluco, mas Sebastian estava bem ali. Ele era real, Ciel podia sentir sua presença mais que qualquer coisa. – Como sabe de todas essas coisas?

– Isso eu explicarei depois. Primeiro quero te pedir um favor.

– O quê? Fala logo agora, e eu faço que você quiser.

– Olha, não faça promessas eu posso cobrar. Tudo bem, é sério. Pode convencer sua amiga Liza a falar comigo.

– O que você quer com ela? – estranhou o pedido.

– Não se preocupe. É um assunto que diz respeito somente a ela. Prometo que ela ficará bem. Se fizer isso, estarei a sua disposição para fazer o que você desejar.

– Não sei Sebastian. Talvez eu... – Ciel sentiu novamente aquela sensação de tontura e de irritação no olho direito. Olhou pelo para-brisa do carro. A garotinha com o corvo estava no final da rua. Ela levantou a mão e fez sinal para que ele a seguisse. – A menina!
Rápido, segue ela.

– O quê?! Não vi ninguém. – Sebastian olhou ao redor não havia ninguém. – Ciel...

– Rápido liga o carro, vamos praquela direção. – Dizia apontando o caminho. – Anda Sebastian, estou mandando, rápido. – Ciel sentava-se e colocava o cinto. Sebastian apenas obedeceu meio confuso. O que Ciel teria visto? – Acho que ela quer me mostrar alguma coisa.

Sebastian dirigia sem saber exatamente o que procuravam. Depois de percorrer várias ruas Ciel gritou: “Cuidado!”. Alguém entrara na frente do carro. Sebastian freou o mais rápido que pode. A pessoa caiu, não sabiam se tinham a atingido ou não. O kroboro que a perseguia ainda ameaçou ataca-la, mas Sebastian acendeu os faróis e buzinou. Quando os viu, a criatura saiu correndo. Ciel saiu do carro e correu para ver a moça caída.

– Você está bem? – Ciel perguntou aproximando-se da garota.

– Por favor, me ajude, uns caras..monstros...eles...ele levou minha irmã. Minha irmã...não...não me deixe sozinha.

– Está tudo bem, eu vou chamar a polícia. – Ciel tentava acalmar a garota, pegando o celular no bolso da calça. Sebastian viu o cara de casaco marrom deitar a outra garota no chão, onde os dois adolescentes não podiam ver. Conseguira salvá-la do outro kroboro. O homem de marrom fez uma continência e partiu.

– Aquela é sua irmã? – Sebastian perguntou apontando a garota deitada na rua.

– Belinda? Belinda! Ela está bem? – Os três correram até a garota. Melinda tentava acordar a irmã.

– Ela está só desmaiada, vamos esperar a policia. – Dizia Sebastian.

– Chamei uma ambulância também. – Se eles não tivessem aparecido... Não sabia quem era aquela menina com heterocromia, mas pelo menos ela estava do seu lado.

– Se machucou? – Sebastian segurara sua mão. Ciel sentiu o contato quente. Olhou para as duas mãos dadas por alguns segundos.

– Não. Estou bem– Puxou a mão de volta para si, abraçando o próprio corpo. Sebastian providenciou um cobertor para as gêmeas, enquanto as interrogava e as acalmava, Ciel o observava. O adolescente não pode evitar olhar para seu rosto, sua boca e lembrar-se do sonho. A realidade traria a mesma sensação? Censurou-se por ficar-se indagando sobre algo que deveria tentar esquecer. Mas a verdade era apenas uma: desde que conhecera Sebastian, Ciel nunca se sentiu tão confuso. Se encostaram no Jaguar preto, as sirenes já se aproximavam. – Quer saber de uma coisa? – Sebastian olhou para ele. – Acho que ficarei de castigo.

Os dois riram. A vida de um adolescente é realmente intrigante. Eles fogem de casa a noite, perseguem menininhas estranhas que desaparecem como fantasmas, atropelam pessoas, enfrentam demônios e no fim de tudo, se preocupam em ficar de castigo. A noite chegava a suas horas mais gélidas, inconscientemente, Ciel se achegou mais a Sebastian, este por sua vez, se perguntava quando o jovem despertaria. As duas irmãs se aninhavam, felizes por terem escapado. Mas alguém, bem longe dali, não gostou nada.

Notas finais
Harajuku Girl: Como são chamadas as garotas japonesas que desfilam pelo bairro Harajuku, em Tóquio. Existem vários estilos, mas o que Ruby usava era o DECORA. Roupas muito coloridas e com muitos acessórios. M31R1-NYAHLover: se alguém aqui no Nyah! Tiver um nome parecido, me perdoem. Não foi minha intenção. Rugby: Futebol inglês, pra mim é a mesma coisa que futebol americano. Kroboro: significa devorador de carne, o nome do cão cérbero vem dessa palavra. então...quantos suspeitavam que o dono dos coturnos era uma mulher?...aguardem mais revelações nos próximos..... Por favor deixem comentários dizendo o que acharam ou dando ticas, sei lá.. Muuuito obrigada a todos que leram e que comentaram Espero que tenham gostado...Bjs, até o nove Tai Blurose^^