Phantomhive

28 As Iniciais no Relicário


Notas iniciais
Olá pessoal ^w^/ Fui mais rápida dessa vez, né? aproveitando loucamente o feriado para escrever. Obrigada a todos que leram e comentaram.... aos fantasminhas, obrigada tbm, mas não sejam tímidos. Espero que gostem do capítulo....tomara que ele não esteja muito confuso e que ajude a resolver algumas questões. Boa leitura

Capítulo 28: As Iniciais no Relicário

LONDRES, 1931

Quando Elizabeth trocou seu nome de casada para o seu antigo nome de solteira, apenas dois meses após a morte de seu marido, toda a sociedade achou um desrespeito sem tamanho. Obviamente, ninguém sabia das ordens deixadas por Ciel antes de sua morte.

“Façam com que o nome Phantomhive seja esquecido pelo mundo exterior. Façam com que eles acreditem que desaparecemos para sempre. Esse nome será conhecido apenas no submundo, assim como o Cão de Guarda. E sempre que ele for mencionado, todos saberão que o castigo se aproxima e que não há escapatória.”

Depois de voltar a ser uma Midford, Elizabeth, com a ajuda de Sebastian, mudou o nome da Funtom Company para P&M Company. O P era de Phantomhive, Elizabeth achou uma ótima maneira de manter o nome da família de Ciel no título de suas empresas, além disso, ninguém precisava saber o que significava o P. Tudo o que estava sob o nome Phantomhive, passou a estar sob o nome de Elizabeth Midford e um misterioso homem chamado Sebastian Michaelis.

Muitos torceram o nariz para Elizabeth quando ela resolveu assumir o lugar do marido na liderança da empresa. Achavam que não era coisa para uma mulher, achavam que ela era uma feminista agitadora, achavam que ela não tinha capacidade. Até mesmo as mulheres olhavam para ela como se ela fosse louca.

Mas teimosa como era, quanto mais diziam que ela não podia, mais ela se esforça em aprender e em fazer o melhor. Havia prometido a Ciel que daria o seu melhor. Por um ano, Sebastian a acompanhou, até ela conseguir conquistar a confiança dos empregados, dos parceiros e dos outros grandes empresários. Ao findar o ano, Sebastian partiu. Ele voltava depois de longos intervalos de tempo, sempre com a mesma piada.

“Veja só, as fábricas ainda estão inteiras! Estou surpreso que não as tenha transformado em uma lojinha de fitas coloridas.”

Depois de aprender a aturar as provocações de um akuma e de bater de frente com tantas coisas bizarras, não era o preconceito besta de velhos gordos que a desanimaria. Elizabeth conseguiu dirigir a companhia, e fazer os negócios prosperarem. Talvez o seu lado deslumbrado e infantil tenha vindo a calhar ao criar novos brinquedos, novas bonecas. Expandiu o comércio de perfume, e a parceria com Nina Hopkins gerou um novo seguimento na área da moda, o que foi extremamente oportuno durante a guerra, quando as pessoas pareciam não interessadas em comprar brinquedos.

Foi durante a guerra, que ela veio a descobrir que Ciel tinha parceria com algumas fábricas de armas, o que não a agradou muito, mas nem o Cão de Guarda pode contrariar o rei. Foi nessa época em que surgiu a primeira grande missão sem o Ciel. Havia apenas ela, Sebastian e Finnian. Bard e Maylene não podiam mais lutar. Então, juntou-se a eles mais dois membros, Charles Phipps e Charles Gray. Quem diria, a Dupla Charles como Cães de Guarda do submundo. No fundo, Sebastian e Elizabeth achavam que eles queriam apenas ficar de olho, saber se o Clã Phantomhive cumpriria com suas obrigações acordadas em contrato mesmo sem o seu líder.

Depois do fim da missão, a Grande Guerra continuou. Finnian morreu em batalha, e Elizabeth se sentiu tão triste quanto no dia em que Ciel morreu. Por anos, o antigo jardineiro tinha sido seu parceiro, seu companheiro, um amor. Perdeu também o irmão mais velho, Edward. Foi um grande choque. Ela ficou meses de luto pelos dois.

Passada a guerra, era visível a transformação do mundo. Todo o esplendor e poder que a alta sociedade e os nobres possuíam iam ruindo aos poucos. A quantidade de dinheiro valia mais que um título da nobreza. E quantos nobres arruinados ela viu! Depois, veio a Grande Depressão. E o que parecia ruim ficou pior. Elizabeth teve de fechar algumas fábricas e cortar custos para manter os negócios, e com muito trabalho, conseguiu manter a maioria de suas fábricas abertas quando outros empresários em todo o país iam à falência. Sebastian aparecia apenas de tempos em tempos, e sempre lhe dava alguma ajuda. Elizabeth não era capaz de pedir mais, além do quê, já ficava admirada a cada retorno dele. Ela jurava que Sebastian desapareceria depois do primeiro ano sem o Ciel. No entanto, por mais que demorasse, ele sempre voltava.

Para ela, os anos passavam e a maturidade vinha com mais e mais fios brancos, mas ele sempre retornava igual. Sempre que Sebastian entrava por sua porta, era capaz de visualizar Ciel ao lado dele. Jovem, saudável e vivo! O orgulho e a tenacidade em forma de conde e seu fiel mordomo ao lado. Ela sempre ficava feliz, nem tanto por rever o antigo mordomo, mas por saber que ele realmente gostava de Ciel. Era até estranho ela se sentir tão feliz ao ver um akuma. Para muitos, seria um mau presságio, para ela, era recordações de dias felizes.

Mas, passado o período de maior crise, as coisas foram se equilibrando novamente.

Ela estava no escritório da Funtom Company com August Midford, seu sobrinho-neto, avaliando os orçamentos para a compra de material para as novas bonecas.

– Madame Midford – a secretária entrou no escritório –, há um representante da Companhia Kunlun pedindo para lhe falar.

– Kunlun?! Depois de tanto tempo! Bem... Estou um pouco ocupada agora.

– Ele insistiu que eu lhe entregasse isso caso não pudesse atendê-lo.

A secretária entregou o envelope nas mãos de sua senhora. Assim como Elizabeth suspeitou, havia o nome do Lau no remetente. Ela abriu o envelope e começou a ler a carta.

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Cara Elizabeth

Perdoe-me por me dirigir a sua pessoa com tamanha intimidade, ainda mais depois de tanto tempo que não nos falamos. Mas eu não a importunaria se não tivesse uma boa razão para fazê-lo.

Creio que a velhice levou o que me restava de vigor, e o ópio e a crise financeira me levaram o que me restava de saúde. Sim, como deve suspeitar agora, estou morrendo. Mas não se preocupe, está tudo bem comigo. Escrevo-lhe apenas por acreditar que não seja correto que eu leve comigo para o túmulo tamanho segredo. E, desde já, lhe asseguro que tudo o que fiz, não foi pensando em causar sofrimento, mas unicamente para preservar a linhagem dos Phantomhive. O legado de Ciel.

Seu filho, Phillip, não morreu como aquele funerário a fez acreditar. Não pense que estou a brincar com assunto tão sério; seu filho vive!

Ele foi-me entregue ainda bebê e, desde então, fiz de tudo para cria-lo da melhor forma possível. Sei que parece ser um crime horrível privar uma mãe de criar seu próprio filho, mas lembre-se dos acontecimentos que marcaram a época do nascimento do pequeno Phill. Foi uma época perigosa, todos queriam fazer mal ao conde e sua família, muitos queriam que os Phantomhive desaparecessem do mapa. Tu sabes tão bem quanto eu que cedo ou tarde tentariam matar seu filho novamente, e novamente, e novamente...

Eu o criei longe do submundo. O mantive longe dos Cães de Guarda e também da máfia chinesa; veja só, ele pensa que seu avô é um comerciante honesto, e prefiro que ele continue pensando assim, se não se incomodar.

Ranmao e eu o criamos como um filho, e nunca lhe faltou nada, eu garanto. Ele tem cabelos dourados como os seus e olhos azuis como os de Ciel. É um homem de bem. Tem uma linda esposa e gêmeos de oito anos. Ele acredita que seus pais, Vincent e Cordélia, morreram num naufrágio. Deixo em suas mãos a decisão de contar-lhe a verdade ou não.

Envio seu filho até você com esta carta. Ele pensa estar levando um pedido de parceria entre a Companhia Kunlun e a P&M Company. Seu nome é Phillip Cavendish.

Espero que algum dia venha a me perdoar.

Atenciosamente,

Lau

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Elizabeth terminou de ler a carta em lágrimas. August tentou confortá-la, perguntando se havia algo de errado. A senhora apenas deu ordem para que deixassem o tal representante entrar. Era um homem alto e loiro, por volta dos trinta. Trinta e três anos mais exatamente, se aquele fosse mesmo seu filho.

– Como você disse que se chamava? – ela perguntou apertando a carta contra o peito.

– Eu não cheguei a dizer, sra. Midford. Sou Phillip Cavendish, prazer em...

Elizabeth o abraçou e começou a chorar. Phillip ficou sem reação. Estava preparado para convencer qualquer um de que a Companhia Kunlun tinha bons lucros e poderia ser uma ótima parceira, mas aquilo era completamente inesperado. Ele apenas a abraçou de volta, tentando confortá-la, fosse qual fosse a razão do súbito pranto.

– Oh, perdão, meu jovem. Não sabe como estou feliz em vê-lo.

– A senhora me conhece? – ele indagou confuso.

– Sim. A última vez que o vi, você era um bebezinho tão pequeno.

– Então a senhora deve ter conhecido meus pais. Os conhecia?

Aquele homem tinha muitos traços de Ciel quando adulto, os mesmos olhos. Não havia dúvidas, ele era realmente seu filho. Elizabeth fitou o rosto do Phillip por mais alguns segundos antes de responder.

– Sim. Eu conheci seus pais – Ela disse sorrindo e contendo as lágrimas. Optou, naquele momento, por não causar confusão ao filho. – Eram como se fossem de minha própria família. E fico espantada em ver como você lembra seu pai.

Elizabeth convidou Phillip para um chá, e pediu que ele lhe falasse sobre a vida. Phillip lhe contou sobre sua esposa, seus filhos e Lau. Depois daquele dia, Elizabeth fez de tudo para estar presente na vida de seu filho, tornou-se uma amiga para a jovem família. Dois meses depois, Lau faleceu, e Elizabeth estava lá para confortá-los. Com um ano de convivência, Phillip já considerava a gentil sra. Elizabeth Midford como uma mãe, sem saber que ela de fato o era.

Antes de morrer, Lau contara a Elizabeth que tudo fora um plano de Undertaker. A mulher ainda foi à procura do funerário para conseguir mais informações, mas ele desaparecera sem deixar rastros.

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LIVERPOOL, ATUALMENTE

Ciel chegou em casa pensativo. Fragmentos de imagens surgiam em sua mente a todo momento, mas não conseguia distinguir nada, nem lembrar de nada. Entrou na cozinha e encontrou sua irmã mais velha sentada a mesa com um pote de sorvete. Ela parecia estar no mundo da lua. Ciel pegou uma colher na gaveta do armário e sentou-se de frente para Angélica.

– Posso? – Ciel perguntou, apontando o sorvete com a colher. Angélica apenas deu de ombros. – Está se afogando em sorvete porque deu vontade de comer mesmo ou tem outra razão para isso?

Angélica colocou uma mecha de seu cabelo ruivo alaranjado atrás da orelha e suspirou. Para Ciel a resposta era visível, mas não quis pressioná-la a falar.

– E o pai e a mãe?

– O pai estava aqui, mas recebeu um chamado urgente. A mãe tá lá em cima tentando colocar a Evangeline para dormir – ela respondeu sem ânimo e apoiou a bochecha na mão.

– Está mesmo tudo bem com você, Angie?

– Fiquei sabendo de uma coisa que me deixou muito triste, maninho. Assim que eu cheguei, encontrei o Daniel ali na entrada. Ele disse que queria me contar uma coisa. Ele queria me apresentar a namorada.

– Não. Sério?

– Sério. Infelizmente. Ela deve estar jantado com ele agora. Daniel a trouxe pra conhecer a mãe. Sabe o que isso significa? Que o lance é sério. Aquele estúpido!

– Eu... sinto muito Angie.

– Ela é pediatra. Ela trata as crianças que tem câncer. É a senhorita perfeita. Sabe o que é pior? Não posso nem odiar minha rival. Ela é tão legal. Sabe o que ela me disse? “Então você é a famosa Angie?! Daniel me falou tanto de você que sinto como se já a conhecesse”. E nem por um instante ela me olhou com olhar de perua enciumada desconfiada. E sabe qual o nome dela? Violet. Ela tem nome de flor. Como é que eu vou competir com isso?

A ruiva terminou sua frase enfiando a colher mais uma vez no pote de sorvete. Ciel sorriu.

– Você é muito engraçada, sabia? Parece tão independente e decidida, toda cheia de si e das certezas, compreende todo mundo e sabe dar palpite e conselhos sobre todo mundo, mas quando se trata da sua vida amorosa...

– Sou um zero a esquerda. Eu sei – falou com a boca cheia de sorvete.

– Por que nunca contou ao Daniel o que sente por ele? Vocês se conhecem a mais tempo que eu conheço você.

– Acho que tenho medo. Medo de dizer a ele e... E ele responder que me vê apenas como a irmã mais nova que ele nunca teve. Aí as coisa ficariam estranhas entre nós. E nem amiga eu poderia continuar sendo. Mas eu não desisti ainda. Eles não estão noivos ou casados. Quem sabe o que pode acontecer, não é?

– Se você diz.

– E você e o Sebastian? Como estão?

– Bem.

– Mesmo? Você parece preocupado.

– Digamos que eu tive uma surpresa ruim também. Sebastian teve um caso com uma mulher chamada Lílian.

– Outra com nome de flor. Deve ser maldição de família. Diz aí, quem é a bruaca... Espera, “teve”, no passado? Foi antes de te conhecer?

– Bem... sim. Mas acho que ele realmente gostava dela.

– E o que tem isso? Ela já é passado. Todo mundo já teve um caso antigo. Até você teve um rolo com a Liza. Vai ficar aí remoendo ciúmes por causa disso?

– Não. Não é isso. É que sempre que eu penso nessa mulher sinto algo estranho, como se Sebastian estivesse me escondendo algo.

– Acha que ele ainda pode estar envolvido com ela?

– Impossível.

– Então qual é o problema? Ele está com você agora, não está? Se realmente está te incomodando, conversa com ele. Assim ele vai saber o que você sente e ele poderá dizer o que ele sente. Talvez ele nem lembre dessazinha aí.

– Disse a garota que não tem coragem de se declarar para o vizinho.

– Olha só, isso foi cruel. São duas situações completamente diferentes; ok?

Angie sorriu, e Ciel ficou feliz por isso. Quanto mais ele pensava na tal Lílian, mais ele percebia que não era exatamente ciúmes o que ele sentia. O problema é que ele não conseguia ver claramente o que estava o deixando tão perturbado.

– Ei, Ciel. A mãe andou perguntando sobre você e o Sebastian?

Ciel sentiu seu sangue congelar.

– Perguntando o quê?

– Perguntou se eu sabia aonde vocês vão quando saem juntos, o que fazem... Essas coisas.

– E o que você respondeu?

– Que vocês faziam coisas chatas de nerd, tipo, ir para a biblioteca pegar livros e depois participavam de algum clube de leitura.

– Angie... Como você acha que a mamãe reagiria, se eu contasse?

Angélica olhou para Ciel com compaixão.

– Mamãe te ama muito, Ciel. Acho que ela irá entender.

– E o papai?

– ... Eu não sei.

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Sebastian entrou silenciosamente no quarto de Ciel pela janela. O jovem estava deitado em sua cama e lia um livro. Sebastian aproximou-se dele cuidadosamente e falou-lhe ao ouvido. Ciel sobressaltou-se com o susto e quase cai da cama.

– Que droga! Porque você fez isso? – Ciel ralhou, e sentou-se adequadamente na cama.

– Não percebi que você estava tão distraído – Sebastian respondeu sorrindo. Ciel sabia muito bem que era mentira. É claro que ele percebeu que o jovem estava distraído, justamente por isso fez a brincadeira. Sebastian sentou-se ao lado dele. – O que estava lendo?

– Um Brinde de Cianureto. Da Ágatha Christie.

– Oh, a história da moça que se envenena durante um jantar com vários convidados?

– Hey! Sem spoilers!

– Spoilers?

– Sem “revelações sobre o enredo”.

– Mas não é “spoiler”. Isso acontece no início do livro.

– Mesmo?

– Estava realmente prestando atenção a leitura?

– Não. Eu estava lendo, mas minha cabeça estava em outro lugar.

– Posso saber onde?

Ciel olhou misteriosamente para Sebastian.

– O que descobriu sobre as mulheres? – desviou o assunto sem responder a pergunta de Sebastian.

– Todas eram órfãs. Algumas foram adotadas, outras cresceram em abrigos do governo.

– Ótimo. Estamos no caminho certo. Precisamos descobrir em qual orfanato todas estiveram ao mesmo tempo e o que ocorreu lá.

– Eu fiz tudo o que você mandou e o mais rápido que pude. Não ganho nenhum tipo de agradecimento?

– Humph! Não seja tão metido. Não fez mais que sua obrigação.

– Ouch! Isso foi rude. Fiz algo que o desagradou e não fiquei sabendo?

Só então, Ciel percebeu que estava zangado com Sebastian, embora não soubesse exatamente o motivo para isso.

– Não é nada. São aborrecimentos pessoais. Não tem nada a ver com você.

Sebastian reparou que o jovem falava esfregando o pulso direito. Sebastian aproximou-se dele e segurou-lhe o baraço. Afastou a manga do pijama para olhar o pulso. A cicatriz antes quase imperceptível estava, agora, muito vívida e vermelha. Não era como se Ciel tivesse feito outro corte por cima, mas parecia que ele tinha pressionado uma lâmina ali.

– Você fez isso?!

– Fale baixo! Quer que meus pais te escutem? Não. Eu não fiz isso.

Sebastian encarou os olhos furiosos do garoto e soube que ele dizia a verdade.

– Dói?

– Não é nada insuportável. É só uma ardência constante.

– Tem tido lampejos de memória?

– Sim. O que isso significa?

– Talvez você precise descansar. Durma. Amanhã nós conversamos.

Sebastian beijou a cabeça do jovem e partiu.

Ciel fechou a janela e puxou as cortinas. Pegou o relicário que tinha escondido na gaveta da escrivaninha, ao lado do desenho que ele tinha feito da Evie. Fazia um bom tempo que a menina não aparecia e isso o preocupava. Ele tinha aberto o relicário, mas não havia foto nem nada dentro. Ele deitou-se na cama e fitou as iniciais gravadas na prata.

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Roger encontrou Claus tentando interrogar a testemunha. A mulher estava sendo examinada por um paramédico. O enfermeiro fez um curativo no corte em sua testa, a qual estava incrivelmente roxa e inchada. A mulher chorava mais do que falava, mas Claus continuava tentando.

– Eu já disse, não vi quem foi. Nós duas chegamos perto do carro, não tinha ninguém na rua nessa hora, ninguém. Só lembro de estar rindo porque a Kat não estava acertando colocar a chave na porta do carro, então, alguém empurrou a minha cabeça contra o carro, com toda força, e eu apaguei. Quando acordei, as pessoas já tinham ligado para a polícia e a Kat já estava...

A mulher voltou a chorar.

– Obrigada pela cooperação, srta. Kemp.

– Então? – Roger Valentine se aproximou de Claus e começaram a caminhar para a cena do crime.

– O nome da vítima era Katrina Browne. Loira, 29 anos. Morta com seis facadas. Tem mais outra mulher a cinco quadras daqui, as mesmas características. Ninguém viu nada.

Os dois pararam ao lado do corpo ensanguentado da mulher. Os policiais forenses coletavam amostras e tiravam fotos de tudo ao redor.

– O que você acha? Temos um novo assassino a solta ou será o mesmo cara nos desafiando? – Roger indagou.

– As duas mulheres mortas hoje eram bem parecidas, e não foram mutiladas ou torturadas, nem há agulhas enfiadas nelas. Essas duas parecem ter sido vítimas de alguém que surtou numa fúria assassina. Levando isso em consideração, pode ter sido outra pessoa. No entanto... Como você disse, pode ser o nosso louco das agulhas nos desafiando.

– Mostrando que ele pode sair e assassinar alguém brutalmente sem ser visto ou pego – Roger passou a mão pelos cabelos. – O Pub aqui do lado não tinha câmeras de segurança?

– Tinha, mas não estavam filmando. Parece que o dono é avarento demais para mandar trocar as câmeras queimadas.

Roger suspirou.

– É incrível a sorte que temos – ironizou.

– Nem me fale – completou Claus.

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Depois de duas horas de sono tranquilo, os sonhos começaram. Ele estava na Era Vitoriana, estava mais velho, Sebastian e os outros estavam ao seu lado. Era a casa de Sieglinde, a bruxa. Ela conversava com eles...

“O homem é feito de corpo e alma. A vida só existe quando esses dois estão juntos. Os registros dessa vida ficam gravados no que os Ceifadores, os shinigamis, apelidaram de “Cinematic Record”. Depois que o anjo da morte ceifa a alma, o corpo se deteriora, o registro cessa e o ser vivo se torna morto.

Por alguma razão, algumas dessas almas jamais voltam ao mundo dos vivos. Mas há aquelas que voltam, e há aquelas que voltam mais de uma vez. Quando alguém morre, todas as suas memórias ficam gravadas em sua alma, incorporam-se a ela, tornam-se parte de sua própria essência. Quando uma alma volta, ela tem a chance de começar do zero, mas suas antigas lembranças continuam gravadas em sua essência, como que adormecidas no subconsciente. Por isso chamamos o feitiço que rompe esse bloqueio para as memórias passadas de ‘O Despertar’.

O Despertar consiste em duas partes: uma deve ser feita antes de sua morte, obviamente; a outra será realizada somente em sua reencarnação. O feitiço preparatório irá aprisionar sua alma num ciclo de reencarnações, assim garantimos que você sempre irá retornar. Agora, esta vida se torna seu ponto de origem, todas as vezes em que voltar, lembrará primeiro desta vida e depois de todas as outras depois desta. Ao manterem o Contrato de Fausto, em todas as suas vidas, o akuma continuará obrigado a servi-lo, assim como sua alma continuará pertencendo a ele. Ao jurarem lealdade a você, em nome de suas próprias almas, seus servos estarão também presos a esse feitiço. Todos vocês estarão ligados, eternamente. Entendem a seriedade do que estão prestes a fazer?

Assim que reencarnarem, o processo do Despertar começa a funcionar. Vocês estarão mais sensíveis a lembranças de vidas passadas do que uma pessoa comum estaria. A maioria das pessoas sonha que estava em outro lugar, ou outra época; outras simplesmente sentem que já fizeram algo antes, ou estiveram em tal lugar sem ter estado. Para a grande maioria, sua ligação com suas antigas memórias não passarão de simples dejà vú. Mas com vocês será diferente. Vocês terão sonhos com muito mais frequência e vivacidade. Terão muito mais do que sensações de dejà vú, terão visões. Irão se recordando aos poucos, mesmo sem perceber.

O Despertar será inevitável, acontecerá com ou sem o feitiço de conclusão. Mas se ocorrer sem o feitiço, correrá o risco de perder algumas memórias ou coisa pior. Lembrem-se: Não poderão fazer alguém lembrar de forma abrupta de seu passado, nem deverão deixar a pessoa despertar sem o feitiço para estabilizar o processo. Se possível, utilizem um objeto que tenha pertencido à pessoa numa vida anterior, isso pode ser de grande ajuda.

Por último, e não menos importante, se alguém tiver uma morte trágica, tenham cuidado ao despertar essa pessoa. Memórias traumáticas têm mais poder do que possam imaginar. Sejam cautelosos.

Agora, vou perguntar novamente: É realmente isso que desejam fazer?”

A resposta de todos foi afirmativa. A imagem se desfez.

Logo em seguida, Ciel estava no meio de um jardim com muitas flores brancas, roxas e azuis. Embora o lugar lhe parecesse familiar, ele não sabia onde era. Mas com certeza não era na Mansão Phantomhive. Sebastian estava a sua frente, colocando um balanço em um dos galhos de uma árvore. Ele testou para ver se o balanço estava firme e virou-se sorrindo para Ciel, estendendo a mão para que fosse até ele.

Ciel percebeu que estava sorrindo, mas, antes que alcançasse Sebastian e o balanço, a imagem se desfez. E se refez em um novo cenário.

Ele estava agora diante de Undertaker. O funerário lhe falava alguma coisa, mas ele não conseguia escutar direito o que o outro falava. Aos poucos, a voz do funerário foi ficando mais clara.

– Eu o procurei. Realmente o procurei, mas não o encontrei. A única informação que consegui é de que ele está servindo outra pessoa. Já parou para pensar que talvez ele não queira ser encontrado?

Ciel se sentia zangado, indignado, magoado e decepcionado. Sentia uma imensa vontade de gritar e quebrar tudo, de chorar de ódio e de tristeza, no entanto permanecia firme, não queria demonstrar tamanha fraqueza diante do shinigami. E o funerário continuava a falar:

– Não é de se estranhar que ele tenha ido embora. Na verdade eu acho até que ele demorou bastante. Bem, é a natureza dele, não é? Demônios costumam ser traiçoeiros e inconstantes. E os akumas, então, costumam pensar mais com a barriga do que com qualquer outra parte do corpo. E faminto como Sebastian estava...

“Chega! Chega!”

– Você deixou o seu cão muito tempo sem a coleira. Deixou-o muito livre para passear. Ele viu a oportunidade e escapou.

– JÁ CHEGA! – gritou, e sua voz soou um tanto diferente. Ele se virou para ir embora, e o cenário se desfez novamente.

Ele estava agora de joelhos sobre uma insígnia de sangue. Seu pulso sangrava e ele sentia-se muito fraco. O demônio encapuzado apareceu. Dentes pontiagudos. Olhos vermelhos e ferinos. Garras compridas que apertaram seu pescoço.

– Onde ela está? – perguntou furioso, mas Ciel não respondeu, estava sufocando. O demônio apertou mais ainda sua garganta. – ONDE ELA ESTÁ?

– Com os anjos. – Ciel se esforçou para sorrir em deboche.

O demônio, enfurecido, colocou uma corda em volta do pescoço de Ciel. Depois disso, tudo era fogo e dor.

Ciel acordou sobressaltado. Acendeu a luz do abajur e olhou ao redor. Torceu para não ter gritado durante o sonho. Seu coração estava palpitante. Pegou o relicário caído ao lado de seu travesseiro e passou dedão sobre as iniciais gravadas na prata.

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Ruby e Richard tinham acabado de chegar da viagem. Richard se jogou no sofá do apartamento de Ruby, e ela foi direto para a cozinha. O alerta de mensagem do celular de Richard tocou, o homem gemeu de preguiça e, só um minuto depois, ele resolver ler a mensagem de texto.

– Droga! Esse cara deve achar que somos como ele. Que não precisamos comer, dormir ou descansar.

– Tá falando do Sebastian? – Ruby perguntou com a cara enfiada dentro da geladeira. As prateleiras estavam vazias e a única caixa de leite que tinha estava vencida. Passaram a noite viajando, ela estava faminta.

– Sim. Ele quer que a gente vá a casa dele agora de manhã. Alguma coisa sobre o caso. Ele nunca se dá ao trabalho de explicar direito. Mas eu só vou depois de comer. Estou faminto. O que você conseguiu aí?

– Nada. Esqueci de fazer compras esse mês – a ruiva respondeu ao checar a última porta vazia do armário.

– Como é que alguém esquece de comprar comida?

– Eu estava indo comprar, mas me distraí no caminho. Tinha chegado a nova edição de um mangá que eu acompanho na banca de revista.

O homem se levantou do sofá como se o ato exigisse um esforço sem tamanho.

– Deixa. Tem um mercado aqui perto. Vai querer alguma coisa?

– Traz um daqueles potinhos de pudim.

– Tá bom.

Depois que Richard saiu, Ruby resolveu aproveitar o tempo de folga para colocar as suas narrativas em dia. Ela pegou o notebook e sentou-se sobre a cama. Abriu a pasta de texto e começou a digitar. Alguns minutos depois, ela viu que havia recebido uma mensagem no grupo social.

Shiro_neko diz: M31R1-NyahLover?

Shiro_neko diz: ...

M31R1-NyahLover diz: Olá pessoal!

KawaiiSakura21 diz: Hey! Por onde você andou?

Shiro_neko diz: Ficou tanto tempo sem entrar.... achei que tinha desistido.

M31R1-NyahLover diz: Não. Não. Eu fiquei muito ocupada esse mês. E viajei com meu namorado nos últimos três dias.

Lord das Travessuras diz: Você já tem namorado!!!! Nãããããããão.... Meu amor é impossível T.T

Shiro_neko diz: que exagerado Lord das Travessuras.

M31R1-NyahLover diz: kkkk.....eu tinha um admirador e não sabia.

KawaiiSakura21 diz: Que fofo Lord das Travessuras *-*.... vou escrever uma fic sobre vc e seu amor impossível pela M31 *______*

Lord das Travessuras diz: Ok... vamos me tirar do foco da conversa. Estou envergonhado o////o.

KawaiiSakura21 diz: Foi boa a viagem M31R1-NyahLover?

M31R1-NyahLover diz: Sim, foi. Investigamos uns assassinatos. Matamos alguns demônios no caminho... Essas coisas.

Shiro_neko diz: kkkkk

KawaiiSakura21 diz: kkkkkkk....Você é muito engraçada.

Lord das Travessuras diz: É minha alma gêmea. Só acho.

KawaiiSakura21 diz: Quando sai o próximo capítulo de Sob as Cerejeiras?

M31R1-NyahLover diz: Breve. Só tenho que revisar. Amanhã eu posto.

Shiro_neko diz: Amém senhor!!

Lord das Travessuras diz: o/ o/ o/ o/

M31R1-NyahLoverdiz: tem alguém apertando a campainha.... vou sair, pessoal.

Lord das Travessuras diz: Até, linda.

Shiro_neko diz: Depois a gente conversa.

KawaiiSakura21 diz: Vou contar os segundos para o próximo capítulo.

Ruby se levantou para ver quem era, provavelmente era o Richard que tinha esquecido as chaves novamente. No entanto, ao abrir a porta, Ruby deu de cara com uma mulher jovem de cabelo castanho e curto.

– Pois não?

– Você é Maylene Rubystein? Passei no Dajeerling Chá e me disseram que você morava aqui?

– Sim, sou eu. Por quê? – ela perguntou desconfiada.

– Sou Verônica Cartwright. Iridel me enviou. Disse para eu procurar por Phantomhive.

Verônica deu o mínimo de informação, apenas o necessário para que a mulher acreditasse nela. Além disso, ainda não sabia se ela podia confiar naquela mulher. Ruby esperou Richard voltar e explicou a estranha que eles a levariam até alguém que confirmaria a história dela. Os três chegaram à casa de Sebastian uma hora depois. Verônica ficou surpresa e ainda mais receosa ao descobrir que o tal Sebastian era um akuma. Será que os anjos tinham mandado ela para uma armadilha? Ou será que eles queriam que ela pegasse esse demônio? Ela nunca tinha visto um akuma, mas este lhe pareceu amigável. Mas não é assim que todos os demônios se apresentam?

Antes que eles conseguissem conversar sobre qualquer coisa, alguém tocou a campainha da casa repetidas vezes. Sebastian pediu licença e foi atender a porta.

Verônica viu um adolescente entrar na casa. Ele parecia não ter dormido bem. Ignorou todos os outros presentes na sala e se dirigiu ao akuma.

– Quero falar com você.

– Ciel?! – falou surpreso ao ver o jovem. – Você não tinha aula pela manhã?

– Sim, eu tenho. Mas eu não fui.

– Você está bem? Parece abatido.

Sebastian o observa preocupado, Ciel estava muito inquieto.

– Eu estou bem. Estou bem. Precisamos conversar. Agora!

– Claro. O que houve?

– A sós.

Os outros perceberam que o clima estava ficando pesado ali. Até Verônica que esta por fora dos acontecimentos percebeu que devia ser algo muito pessoal.

– Então... – Richard começou, tentando aliviar a sensação de constrangimento. – A gente vai dar uma chegada ali na cozinha. Comer alguma coisa, porque eu nem tive tempo de comer. Depois a gente volta. Ou não.

Dito isto, os três saíram da sala e deixaram o casal a sós.

– Quer se sentar? – Sebastian perguntou.

– Não. Só me escuta.

– Estou ouvindo.

– Com oito anos, comecei a ter pesadelos terríveis. Por um tempo, eles sumiram, mas voltaram recentemente. Naquela época eu não sabia o que eram. Por anos, meus pais e “especialistas” me fizeram crer que eu tinha algum tipo de perturbação mental que me fez chegar ao extremo de tentar suicídio. Mas sabe de uma coisa? Apesar de viver assombrado e de não conseguir dormir sem a ajuda de remédios, eu não me lembro de querer morrer ou de tentar tirar minha vida. Lembro-me apenas de estar assistindo televisão na sala com a Angélica e, logo em seguida, acordar num hospital, com os pulsos enfaixados. Depois que você apareceu, os sonhos voltaram, assim como as visões e a alucinações. Tentei ignorá-las porque achei que estava ficando louco novamente e... Eu não queria que você pensasse que eu era louco. Mas então, veio o Despertar e descobri que parte disso tudo eram lembranças de uma vida passada. Mas veja só a parte engraçada: as lembranças que mais me atormentavam, aquelas que me causavam pesadelos, aquelas que me tiravam a sanidade e a capacidade de diferenciar realidade de ilusão, essas continuaram. Por quê?

Ao falar, Ciel andava de um lado para outro, sem conseguir se aquietar ou se concentrar direito no que dizia ou fazia. Seu cabelo estava um pouco desalinhado, ele suava e tremia levemente. Provavelmente viera para a casa do Sebastian assim que o dia amanheceu. Sebastian achou que deveria tentar acalmá-lo, fazê-lo descansar, mas seria imprudente tentar interrompê-lo. O melhor era deixar o garoto falar.

– Fiquei aqui pensando, e lembrei do que Sieglinde nos disse quando resolvemos colocar toda essa loucura em prática. Você lembra? Ela disse que pessoas com mortes traumáticas sofreriam mais durante o Despertar. Mas as coisas com as quais eu sonho... eu não me lembro de ter vivido aquilo como Ciel Phantomhive. E se me recordo bem, eu não tive uma morte traumática; embora eu estivesse muito doente, morrer, naquele tempo, foi quase como adormecer nos seus braços. Então por que eu continuo atormentado? Por que eu continuo tento essas visões? Por que elas me afetam? Só pode haver uma explicação. Eu só posso ter tido outra vida. Outra além das duas das quais eu tenho conhecimento. Eu já vivi antes Sebastian?

Sebastian ficou observando o garoto, sério, sem dizer nada. Ele suspirou bem devagar, e achou por melhor tentar explicar a situação.

– Sim.

– Sim? E por que mentiu para mim? – Ciel indagou um pouco irritado. – Por que não me disse isso antes?

– Eu não menti, Mestre. Você apenas não me perguntou nada do tipo...

– Então você omitiu. Mentir, omitir, para mim é tudo a mesma porcaria – Ciel ficara muito irritado. Irritado por Sebastian achar que ele era um tolo, por esconder coisas deles, e por se dirigir a ele de forma tão indiferente quando o chamou de mestre. – Pro inferno com suas omissões! Por que está escondendo coisas de mim? É por causa disto? – Ciel mostrou a Sebastian o relicário de prata. O clima pesado parecia se espalhar por toda a sala de visitas.

– Como você... – Sebastian ficou surpreso. Sua pergunta morreu no meio do caminho. Encarou o jovem e suspirou mais uma vez. – O que sabe sobre a dona dessa joia?

– Esperava que você me contasse – respondeu com o cenho fechado e sentou-se no sofá.

– Ciel, escute ... – Sebastian pegou uma cadeira e sentou-se de frente para Ciel, tomando as mãos dele entre as suas. – Antes de eu começar a falar, quero que saiba que nada muda o que eu sinto por você e o que nós temos agora.

– Certo – Ciel respondeu, sentindo-se repentinamente desarmado pela declaração do outro.

– Você teve sim uma vida antes desta. Undertaker achou que as memórias estavam te prejudicando, então as bloqueou, mas pelo visto, não teve muito êxito. Eu sabia disso, mas não quis te contar. Eu queria que você lembrasse de sua vida como Phantomhive, mas não queria que se lembrasse da outra, por duas razões. A primeira razão foi vergonha. Eu não queria que você soubesse que eu havia falhado na minha obrigação primordial, que era te defender. Eu fiz uma escolha errada e quando decidi fazer a escolha correta, já era tarde demais. Por causa da minha falha, você morreu. A segunda razão foi medo. Medo de que você acabasse me odiando por isso. Quando eu fui solto, Agatha Midford me contou que você me odiava.

Inconscientemente, Ciel apertou a mão de Sebastian, como se temesse que ele se afastasse. Sentia seu coração apertado, parecia tão impossível ele odiar Sebastian. Mas ao mesmo tempo, sentia um gosto amargo de raiva e ressentimento ir crescendo aos poucos.

– Solto? Como assim? – imagens surgiam em sua mente, mas eram vagas e rápidas demais para que ele conseguisse distinguir o que eram. Eram como puzzles tentando desesperadamente se encaixar na posição correta. Na ordem correta.

– Deixe-me começar pelo começo. Você reencarnou em 1923, mas nós só nos encontramos em 1933. Naquela época, eu já servia outra pessoa e achei que poderia muito bem servir a dois amos. Eu estava enganado.

– 1933? – as imagens se tornavam cada vez mais nítidas. Dentro dele, uma enorme sensação de abandono e de raiva. Olhava para Sebastian e sentia vontade de gritar e de chorar, uma crescente onda de ódio e de tristeza.

– Consegue lembrar de alguma coisa?

– Não...

– De tempos em tempos eu voltava para ver como estavam as coisas na mansão e nas fábricas, foi em uma dessas visitas que Elizabeth me falou de uma carta que Lau havia endereçado a ela...

– Não... Não. Não. Não.

Ciel levantou-se e se afastou de Sebastian, sua cabeça estava um caos. Por sua vez, Sebastian não sabia o que o jovem já havia lembrado ou não. O akuma podia perceber que Ciel estava um tanto transtornado e temia lhe dar informações demais e isso acabar alterando mais ainda o estado mental dele.

– Ciel. Eu não queria que nada daquilo tivesse acontecido. Eu não queria que...

– VOCÊ NÃO QUERIA?!

– Ci-el?

Quando Ciel se virou, Sebastian notou que havia algo muito errado. Os olhos do jovem não estavam azuis intensos, estavam cinza, apagados. De alguma forma, Ciel não estava mais ali, não conscientemente.

– Eu esperei você por semanas. Fiz papel de idiota tentando convencer a todos de que você voltaria. Mas você não voltou. Você me traiu! Você estava com eles.

Sebastian não soube se, naquele momento, Ciel tinha de fato recuperado suas memórias ou se eram as memórias falando.

– Não por minha própria vontade, Ciel. Eu juro! – Sebastian tocou no braço do jovem tentando chamar-lhe a atenção. Ciel levantou os olhos cinza para ele, furioso. Ciel não o reconhecia, não o via de verdade. Viu apenas a marca de contrato e as unhas negras na mão que prendia seu braço.

– Discedite a me daemonis! Discedite a me, idest animam peccatricem. Purga corpus in nomine Domini.

Sebastian foi imediatamente lançado para longe de Ciel. Arrastou pelo caminho um sofá, uma mesa e a estante de livros da sala de visitas. Tudo veio a baixo, em pedaços e estilhaços.

– MAS O QUE DIABOS FOI ISSO?!! – Richard e as duas mulheres irromperam na porta da sala com o coração em mãos. Viram Sebastian se levantar em meios aos móveis quebrados e a parede rachada. Ciel parecia fora de si. – Caramba! Foi você que fez isso garoto?

– Eles estão vindo. Estão vindo... dabo meum sanguinem...

Sebastian viu o pulso de Ciel sangrar. Afinal, o garoto não mentira, o corte abrira-se sozinho. E Ciel continuava a balbuciar palavras desconexas e frases em latim. Quando o sangue escorreu para os seus dedos, Ciel ajoelhou-se e começou a desenhar no chão, um circulo em volta de si. Sebastian percebeu que eram símbolos angélicos e avançou sobre o garoto, abraçando-o. Ciel continuava a se debater. Às vezes, ele parecia chorar, depois, voltava a ficar irado.

– Mestre, não! Pare!

– Sebastian! Se-bastian!

– Eu estou aqui, mestre. Estou aqui! – tentava conter o jovem.

– O que há de errado com ele? – Ruby perguntou atônita.

– Deixe-me vê-lo – Verônica se jogou de joelho ao lado dos dois. Ela puxou as pálpebras de Ciel para avaliar os olhos, depois segurou a cabeça do jovem. – Ele está... possuído.

– Impossível! – disse Sebastian, ainda segurando seu mestre. – O contrato não permite. Ele pertence a mim.

– Não possuído por um demônio. Por ele mesmo. As memórias dele estão tomando conta do corpo, agindo por conta própria. Parece que ele quer lembrar e não quer, ou algo o impede. Está se destruindo. Se ele continuar pode morrer.

– Só me diga como parar isso!

– Temos que ajuda-lo a lembrar de tudo calmamente. Segure-o bem firme, vou tentar romper o bloqueio.

Verônica colocou a mão sobre o peito de Ciel e começou a sussurrar um encantamento em latim. Seus lábios se moviam rapidamente e as palavras soavam baixinho, quase como um mantra. Fitas de luz saíram do peito do garoto, várias imagens passavam dentro delas rapidamente. As imagens eram quase translúcidas, sem som, como um filme mudo. Verônica viu os olhos do akuma brilharem, as pupilas dele se contraíram e suas narinas dilataram. Era uma reação instintiva, afinal, sangue e uma parte da alma do jovem estavam ali diante dos olhos dele. Para surpresa da mulher, o akuma se retraiu. Ele trincou os dentes e fechou os olhos. O corpo dele tremeu, tamanho era o esforço que ele fazia para se controlar.

Aos poucos, o registro de memórias foi voltando para dentro de Ciel, lentamente. Quando Verônica terminou, o jovem acordou de súbito, puxando o ar com força. Ele olhou nos olhos de Sebastian e ficou em silêncio. Sebastian percebeu que Ciel lembrava-se de tudo agora, que o jovem estava realmente completo. O akuma não sabia se Ciel estava zangado ou magoado, a expressão dele não delatava nada, e o silêncio só o preocupou.

Por sua vez, Ciel não se sentia mais estranho e confuso como ficara da primeira vez. Tudo estava em seu devido lugar, e ele nunca esteve tão consciente.

– Quem é ela? – Ciel indagou ao ver a estranha ao seu lado.

– Sou Verônica Cart...

– Depois ela se apresenta – Sebastian a interrompeu –, preciso cuidar de você agora.

– Eu pego os curativos! – Ruby falou e saiu da sala, correndo.

Sebastian pegou Ciel no colo como se ele nada pesasse e o levou para o quarto. Ciel não fez qualquer objeção, nem disse qualquer coisa. Assim que Sebastian pôs Ciel sobre a cama, Ruby entrou no quarto com um kit de primeiros socorros, entregou ao akuma e saiu dali engolindo a curiosidade de ficar espiando.

Sebastian ajoelhou ao lado da cama e pegou a mão ensanguentada de Ciel. Seus olhos cintilavam diante daquele sangue.

– Menos mau. Não atingiu a veia. Ou o ferimento já está cicatrizando sozinho.

– Você pode.

– Perdão?

– Eu disse que você pode.

Sebastian olhou para Ciel, confuso. O garoto estava bem empertigado, apoiando-se na cama com a outra mão e sua expressão era de altivez. Ele olhou para o próprio pulso ensanguentado e disse:

– Vá em frente. Eu deixo.

Sebastian aproximou o rosto da mão de Ciel e, lentamente, lambeu o sangue que havia no ferimento, na mão e nos dedos. Ciel sentiu primeiramente a ardência dolorida no local do corte quando Sebastian deslizou a língua ali, depois, sentiu um estranho prazer e um arrepio que fez seus pelos eriçarem. E Sebastian... Sebastian fechou os olhos ao lamber o último resquício de sangue da mão do jovem, apreciando o sabor e a sensação de êxtase que se espalhava por todo seu corpo. Ao abrir os olhos, estes brilhavam como nunca e estavam vermelhos como o próprio sangue.

– Isso me parece tão nojento. – Ciel comentou.

– Não para mim, mestre. Ainda mais vindo de você. Tudo em você me apetece.

Ciel meneou a cabeça lentamente, dando sinal de que o entendia.

– Sabe, sempre fiquei surpreso e envaidecido de ver como um pouco do meu sangue, um beijo meu, meu corpo, são capazes de provocar em você reações tão diferentes e tão intensas. Se pequenas doses de mim são capazes de provocar tudo isso, imagino o que minha alma poderia provocar. Durante nossos longos primeiros anos juntos, você fez questão de repetir inúmeras vezes que tudo o que fazia era unicamente por causa da minha alma. Mas depois disso, nossa relação mudou tanto que você desistiu de comer minha alma. Você disse que me queria mais como pessoa do que como alimento. E eu fiquei feliz por isso. Não porque eu não perderia minha alma, você sabe que eu não te negaria isso. Fiquei feliz porque percebi que você realmente gostava de mim. Eu acreditei nisso.

– E eu não menti, mestre.

– Eu ainda não terminei – Ciel falou firmemente. Sebastian continuou na mesma posição, de joelhos ao pé da cama, encarando seu mestre. – Eu acreditei no que você disse que sentia por mim. Eu confiei em você. Agora, imagine o que eu senti quando você se foi, jurando voltar, e não voltou. Não pense que eu duvidei de você tão facilmente; não. Eu me recusei a acreditar que você tinha me abandonado. Mas tente imaginar como eu me senti quando você me abandonou para servir outra pessoa. Você não faz ideia de quantas vezes eu me amaldiçoei por me permitir desenvolver tamanha fraqueza, quantas vezes eu me amaldiçoei por gostar tanto, tanto, tanto de você. A verdade, Sebastian, é que por mais raiva que eu estivesse de você, eu não conseguia odiá-lo. Eu odiava a mim, por ser tão tolo e ingênuo, por me apaixonar por um akuma e por acreditar que um poderia realmente se apaixonar por mim. – Os olhos de Ciel começaram a lacrimejar e sua voz ficou embargada. – Eu me odiei por confiar, por me deixar iludir. Nunca me senti tão fraco como naquela vez; nunca estive tão frágil. Odiava-me mais ainda porque eu era incapaz de odiá-lo, mesmo com toda a mágoa que eu sentia. Eu... desconfiei de você, Sebastian. Eu duvidei dos seus sentimentos por mim, duvidei da sua palavra...

Ciel não conseguiu mais falar. As lágrimas começaram a descer involuntariamente. Sebastian podia notar que o jovem estava constrangido e contrariado por chorar e tentava enxugar as lágrimas com o dorso das mãos. Sebastian, um tanto aflito com a situação, levantou-se e acolheu Ciel em seus braços.

– Era eu quem deveria estar sofrendo um castigo doloroso agora, mestre. Então, por que é você quem chora?

Sebastian estava confuso. Ele estava preparado para ser castigado, para ouvir ofensas até não poder mais, a ser feito de capacho. Até ponderou a possibilidade de Ciel não querer mais olhar em sua cara por toda a eternidade. No entanto, a reação de Ciel fora inesperada. Estranhamente, ver como Ciel estava sofrendo lhe causou mais angústia do que um castigo causaria.

– Eu sou um humano, Sebastian. É assim que os humanos são. Eles desconfiam e duvidam mesmo quando querem confiar. Eles deixam a dúvida e o ciúme corroerem seus sentimentos. Eles são fracos e egoístas. Sempre reparam nos defeitos das pessoas e sempre esperam o pior delas, porque são pequenos e, muitas vezes, não confiam nem em si mesmos. Eu também sou assim, Sebastian. Eu não confiei em mim e não confiei em você. Eu duvidei de você. Eu não sabia o que fazer. Tudo o que me restava era sentir raiva. Eu sinto muito, Sebastian.

– Não precisa se desculpar por nada, mestre. Eu errei...

– Não. Sebastian, escute. Eu cheguei a pedir a Iridel que ela anulasse o meu contrato com você. Ela disse que não podia fazia fazer isso. Acho que ela sentiu pena de mim, porque, antes de eu morrer, ela me contou a verdade. Você nunca me abandonou, manipularam você para fazer isso.

– Faz sentido. Lembro-me de estar indo dizer ao meu outro mestre que eu não continuaria o servindo quando ele me deu uma ordem que eu simplesmente não consegui desobedecer. Quando dei por mim, já havia se passado muito tempo. Foi quando ouvi você me chamando. E eu fui, por cima de tudo e de todos... mas já era tarde. Eu sinto muito.

– Tudo bem. Agora eu vejo com clareza. Queriam acabar com os Phantomhive, e conseguiram. Queriam você longe de mim, e conseguiram. Eles queriam que eu estivesse só e desesperado. Queriam algo que era nosso, mas não conseguiriam pegar se você estivesse lá para impedir.

– O quê eles queriam? – Sebastian indagou, confuso, e Ciel o encarou em silêncio...

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LONDRES, 1933

– Sebastian, esse é Phillip Cavendish e sua esposa, Eleonore – Elizabeth os apresentou.

– É um grande prazer finalmente conhecê-los – Sebastian os cumprimentou sorrindo.

– O prazer é todo nosso, senhor Michaelis. Devo confessar que o imaginava como um senhor de idade. A sra. Elizabeth falava de você como se o conhecesse desde jovem, pensava que você fosse um pouco mais velho.

– Não se deixe enganar pela minha aparência, sr. Cavendish, provavelmente eu sou mais velho do que você – Sebastian respondeu animadamente.

– Estou vendo que o senhor tem bom humor – disse Phill, concluindo que o visitante só poderia estar fazendo uma piada.

– A sra. Elizabeth nos contou que o senhor foi tutor e professor de boas maneiras de um jovem conde – Eleonore parecia muito impressionada ao falar. – Estamos mesmo precisando de um tutor, mas não sei se poderemos pagar pelos trabalhos de alguém como o senhor.

– Quanto a isso, não se preocupem. Eu recuso veementemente qualquer tipo de pagamento em nome do respeito que tenho por lady Elizabeth. Mas onde estão os gêmeos que terei que ensinar? Adoraria conhecê-los.

– Na verdade, as aulas serão apenas para um deles. Ah! Veja só! Ali está a parte mais travessa dos gêmeos. Thomas! – Phillip chamou ao ver um menino passar correndo pelo corredor. – Thomas venha até aqui e cumprimente a visita.

O garoto veio até Sebastian e Elizabeth. Era todo energia e cabelos esvoaçantes. Sebastian ficou surpreso ao ver como Thomas era a cópia perfeita de seu antigo mestre Ciel. O mesmo cabelo, os mesmos olhos azuis, a mesma altura que Ciel tinha nessa idade. O menino cumprimentou Elizabeth a chamando de vovó, e depois cumprimentou Sebastian com visível curiosidade.

Elizabeth percebeu que Sebastian, assim como ela quando conheceu o pequeno Thomas, ficou surpreso com a aparência do menino. Mas para Sebastian, Thomas era apenas isso: um sósia de Ciel. A aparência do menino trouxe ao akuma lembranças e fortes sentimentos, nada além disso. Sendo descendente de Ciel, era natural que se parecesse com o avô. Elizabeth pareceu desapontada com a reação de Sebastian, provavelmente a velha senhora tenha visto em seu pequeno neto a reencarnação de Ciel. No entanto, Thomas era apenas Thomas.

– É você quem eu terei que ensinar? – Sebastian perguntou ao menino.

– Não, senhor. Eu estudo numa escola. Como todas as crianças. É minha irmã que precisa de professor particular, porque ela é muito doente para frequentar a escola. E ela não gosta das outras crianças.

– Thomas! – repreendeu a mãe, mas o menino não viu o que tinha dito de errado. – Não fale assim da sua irmã.

– Mas é a verdade. Posso ir agora?

O menino pediu com olhos grandes e brilhantes, e sua mãe deu permissão.

– Venham, ela deve estar na sala do piano – Eleonore continuou a falar. – Phill e eu a ensinamos a ler e a escrever, mas pela idade dela, já deveria estar estudado outras coisas. Mas frequentar uma escola regular está fora de cogitação.

– Tentamos duas vezes matriculá-la – explicou Phill. – Uma vez a colocamos na mesma escola que Thomas, e a outra vez a colocamos numa escola só para meninas, mas não tivemos boas experiências. Aconselharam-nos a procurar um tutor particular.

– Devo avisá-lo sr. Michaelis que terá de conquista-la. Apesar de tímida, ela tem um gênio forte e estava odiando a ideia de ter que estudar em casa.

Eles escutavam uma melodia de piano vindo da sala, mas, antes que chegassem à porta, a música parou. Antes mesmo que a porta fosse aberta, antes mesmo que visse com os dois olhos a pequena figura, Sebastian sentiu o cheiro dela, e a presença dela abalou todas as células de seu corpo.

A menina era um pouco mais baixa que seu irmão, Thomas, mas era muito parecida com ele. Ela estava de pé ao lado do piano e fitava o estranho ao lado de seus pais e de vovó Elizabeth com admiração e curiosidade. Intensos e expressivos olhos azuis. Usava um vestido azul claro e uma fita com o mesmo azul de seus olhos prendia seu cabelo preto. Ela era muito magra e pálida, mas nada disso afetava sua beleza.

A voz de Phillip interrompeu a admiração de Sebastian, insistindo para que a filha se apresentasse adequadamente. A menina deu alguns passos a frente e fez uma reverência.

– Prazer, senhor. Sou Lílian Eleonore Ivenn Cavendish. Mas pode me chamar de Lil.

– Lílian, querida, não pode pedir que as pessoas a chamem por um apelido – a mãe a repreendeu.

– Sua mãe tem razão, mocinha. Lílian é um nome muito bonito para ser abreviado – disse Sebastian, fazendo a pequena corar. – Sou Sebastian Michaelis e serei seu tutor. Espero que esteja tão ansiosa pelas aulas quanto eu.

A menina meneou a cabeça afirmativamente. Sebastian notou que ela usava um relicário de prata no pescoço. Era uma joia delicada, com rosas e as iniciais do nome dela gravadas.

L. E. I. C.

Sebastian sorriu para ela novamente.

– Senhor Michaelis, nos acompanhe no chá? – Phillip convidou.

– Será um grande prazer.

Os quatro adultos se despediram da menina e seguiram para tomar chá no jardim. O akuma sorriu ao sentir os olhos da menina o espiando. Sebastian deu o braço para Elizabeth e, assim que surgiu a oportunidade, ele sussurrou para a senhora:

– É ela – ele falou sorrindo. Elizabeth o encarou confusa. – Lílian é a reencarnação do Ciel.

– Como...? Tem certeza?

Todos aqueles anos, Elizabeth pensou que Thomas fosse Ciel, afinal eram idênticos. Mas nunca lhe passou pela cabeça que a irmã gêmea do garoto também poderia ser. Talvez porque nunca lhe passou pela cabeça a possibilidade de Ciel voltar como uma menina.

– Tenho. Absoluta. Sempre reconhecerei meu mestre, não importa a forma que ele tenha.

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LIVERPOOL, ATUALMENTE

– Tudo bem. Agora eu vejo com clareza. Queriam acabar com os Phantomhive, e conseguiram. Queriam você longe de mim, e conseguiram. Eles queriam que eu estivesse só e desesperado. Queriam algo que era nosso, mas não conseguiriam pegar se você estivesse lá para impedir.

– O quê eles queriam? – Sebastian indagou, confuso, e Ciel o encarou em silêncio. – Ciel?

O jovem pareceu repentinamente desconsertado e nervoso. Sebastian podia ouvir o coração dele acelerado e a respiração descompassada. Ciel se preparou para continuar a falar e pareceu inseguro ao fazê-lo.

– Eles queriam... Queriam a nossa filha.

Sebastian arregalou os olhos, surpreso, tentando saber se escutara bem o que seu mestre dissera. A declaração de Ciel o deixou tão atônito, que tudo o que ele pôde dizer foi:

– O quê?!

Notas finais
Eu escrevi um monte de coisas nas notas do capítulo anterior e saiu tudo cortado...então serei breve nesta nota. 1. Gostaria de saber se alguém teve a ideia de tentar escrever as iniciais da Lílian. L.E.I.C. é CIEL ao contrário. No capítulo anterior eu apenas mencionei as iniciais, mas não escrevi pq achei que ficaria muito de mão beijada. 2. Parabens para Perona, Liv Trancy eTorrance que foram as primeiras e únicas a descobrirem que Lílian era a reencarnação do Ciel..e Perona, vc descobriu mais coisas né? Vão ganhar um botom de detetive. 3. Curiosidade básica sobre nomes. O nick nome da Ruby,M31R1-NyahLover , foi feito para lembrar MEIRIN, apenas a leitora Satell percebeu. O nome do undertaker, Mark Callaway, é o mesmo nome de um lutador de luta-livre, cujo nome artístico é... Undertaker XD . Se mais alguém descobriu antes, mas não tinha comentado...fala nos comentários. Até o próximo capítulo =^.^= . . http://fanfiction.com.br/historia/582054/Hora_do_Cha/ Para quem interessar, essa é uma fic com estórias curtas de no máximo 400 palavras, todas as fics em que aparecem a idade de Ciel mencionadas nas notas iniciais, são spin-off de Phantomhive. Assim vc saberá onde encaixá-las no enredo dessa fic aqui.