Phantomhive
13 A Mui Nobre e Antiga Família Phantomhive
Notas iniciais
UFFA!!!!
gostaria de agradecer aos lindos comentrios que recebi e a Res Chan, HitmanXHunter, Misakim, okmariek por favoritarem.
Bem...esse captulo ficou meio...sei l...me digam vocs...
Ignorem os erros...^^
Boa leitura o/ ...nos vemos nas notas.
Capítulo 13: A Mui Nobre e Antiga Família Phantomhive
Sentiu primeiro o cheiro de rosas. Depois, a maciez do cobertor quentinho. O ar frio o fez abraçar os lençóis aconchegando-se na cama. Conseguiu, finalmente, distinguir o som da chuva que caía. Abriu os olhos lentamente, as pupilas se contraindo à medida que encontravam a luz. Percebeu que não estava em seu quarto. A memória voltou subitamente.
Reconheceu aquele lugar, estava na casa do Sebastian. Não vestia suas roupas, mas uma camisa branca de mangas compridas e um calção azul claro. Levantou-se da cama de uma vez, sentido de imediato um forte puxão no braço direito, fazendo seu corpo cair pesadamente sobre o colchão. Só então se deu conta de que estava algemado à cama. Passada a surpresa inicial, a fúria começou a borbulhar. Quem aquele idiota pensa que é para algemá-lo dessa maneira? Tentou soltar a mão de diversas formas, tentou partir a corrente, mas nada deu muito resultado. Por fim, explodiu.
– SEBASTIAN!!! – gritou brandindo o braço preso, fazendo a corrente tilintar.
– Não deveria fazer isso. Vai machucar o pulso. – Sebastian entrou no aposento carregando uma bandeja. Depositou o recipiente de prata sobre uma mesinha do quarto e virou-se para o jovem com um sorriso. – Bom dia, dormiu bem?
– E por acaso eu pareço bem, seu idiota? Que ideia foi essa de me algemar? Onde estão as minhas roupas? O que foi que você fez comigo?
– Quantas perguntas... – revirou os olhos – A algema foi um exagero, mas considerando que você fugiu da casa da Ruby pela janela, eu preferi não correr o risco de deixá-lo escapar. Suas roupas estão na primeira gaveta daquela cômoda. – apontou para o móvel de madeira trabalhada – Estão limpas e secas. E quanto ao que fiz com você, não se preocupe, não fiz nada além de ajudá-lo, pois você estava sujo, molhado e machucado. Não poderia deixar que dormisse assim.
Ciel o olhou desconfiado. A ideia de que o moreno o despira e lhe dera banho, o vira nu e tudo isso enquanto estava inconsciente e vulnerável não lhe agradou muito.
Percebendo a desconfiança do garoto, Sebastian aproximou-se da cama devagar. O jovem estava sentado com as pernas para fora, usando uma camisa branca meio aberta, revelando parte do seu peito, a pele alva e intocada. O peito juvenil subia e descia com a respiração alterada pela irritação. Ciel tinha dezessete anos, mas ainda conservava muitos traços infantis, os quais o tornavam ainda mais gracioso. Encarando os olhos azuis de cima, Sebastian acariciou delicadamente o rosto jovem.
– Sempre pensando mal de mim... Se nós tivéssemos feito alguma coisa, você, com certeza, se lembraria. – pronunciou as palavras com a voz mais sedutora que possuía, bastou isso para fazer o rubor subir à face do adolescente, que afastou rudemente a mão do maior de seu rosto. Sebastian riu. – Ora, Ciel, eu já fiz algo contra sua vontade?
– Você quer dizer fora me dopar, me sequestrar, me algemar e me manter em cárcere privado? – ironizou.
– É. Fora isso. – Sebastian enfiou a mão em um bolso da calça retirando uma pequena chave e a entregou ao garoto. – Pegue.
– O que é isso? – rosnou.
– A chave da algema. Solte-se, se vista e tome o seu café da manhã. Depois pode descer. Prometi explicações, terá suas explicações. Ah, sim... Sua irmã ligou três vezes ontem, senti-me no direito de enviar uma mensagem em seu nome, avisando que dormiria aqui, por causa da chuva. É só isso. Nós estaremos lá embaixo te esperando.
– Nós...?
O homem nada mais disse, apenas sorriu e saiu do quarto, deixando o garoto com o barulhinho da fina chuva que caía lá fora.
Ciel usou a chave para abrir as algemas, massageando o pulso que estivera preso. Pegou seu uniforme na gaveta da cômoda e vestiu-se rapidamente. Pensou em descer de imediato, mas uma súbita tontura o abateu. Nesse momento, o cheiro de torradas quentinhas chegou ao seu nariz, só então se lembrou de que não comia nada desde o intervalo da escola no dia anterior. Caminhou até a mesinha. Na bandeja havia café, leite, mel, torradas, frutas cortadas e uma fatia de bolo com morangos e calda de chocolate.
– Parece até que vai alimentar um batalhão. – Ciel falou para si mesmo, mas seu estomago tratou de avisá-lo que seria capaz de comer por um batalhão. Pegou uma torrada e colocou leite e mel numa xícara, levou o líquido branco até o nariz sentido o aroma e o vapor quente, bebericou um pouco. Parecia não ter nada de anormal. Era um cuidado exagerado, mas levando em consideração as recentes atitudes do Sebastian, era melhor ter atenção. E comeu apenas isso. Embora ainda estivesse com fome, achou que era suficiente para não desmaiar de inanição quando descesse as escadas. Sua mente repassava tudo que tinha acontecido, seu raciocínio funcionando como nunca.
Encaminhou-se para a sala de visitas e encontrou Sebastian acompanhado de um homem e uma mulher. A mulher ele já conhecia, Ruby, esta usava um vestido preto curto, meia-calça azul turquesa, botas vermelhas com muitas correias e uma jaqueta colorida, estava com os cabelos ruivos soltos e cacheados nas pontas, usava um óculos de armação verde e rosa. Bem estilo Ruby de ser. Embora a combinação fosse absurda, ela continuava bonita. Mas o homem ele nunca tinha visto. Tinha cabelos castanhos claros, quase loiros. Barba malfeita e tez queimada de sol. Seus olhos eram de um azul acinzentado, como os de Angie. Vestia um casaco marrom comprido e sua expressão era um pouco mal-encarada. Assim como Sebastian, aparentava ter entre vinte e seis e trinta anos.
– Ciel, estes são Ruby, que você já conhece e Richard. – Sebastian fez as apresentações, o tal Richard fez apenas um movimento com a cabeça, ele e Ruby permaneceram em pé encostados a estante de livros. – Sente-se, Ciel. – Sebastian apontou a poltrona vazia na parte central da sala, e sentou-se no divã, ficando de frente para o jovem e de costas para os outros dois. – Ontem, creio que lhe deixei claro qual a minha verdadeira natureza. Conseguiu perceber qual é?
– Mas é claro... Demônio. – Ciel permanecia sério. – Esses dois também são?
– Não, apenas eu. – falou com certo orgulho. – Gostaria que escutasse minha explicação até o final, depois... Bem, depois poderá ir, se assim desejar.
– Ouvirei atentamente.
– Primeiramente, sim, eu matei a Amanda. Mas foi uma morte de comum acordo.
– Explique-se.
– Há algum tempo eu lhe disse que existem várias espécies de demônios, cada uma delas se alimenta e se fortalece de uma forma diferente. Os kroboros, por exemplo, são comedores de carne e uma das raças mais fracas. Eu sou um Akuma, ou como os antigos diziam Devoratem Animarus. Um devorador de almas. Uma das raças mais poderosas e mais civilizadas.
– Civilizadas?
– Não é a palavra mais apropriada, admito, mas se conhecesse as outras raças e suas sórdidas e impuras formas de subsistência iria ver que devorar uma alma não é o ato mais profano do mundo. Entretanto, devido ao privilégio do livre arbítrio e outros tantos que os humanos possuem um demônio não pode devorar nem destruir a alma de um humano sem o consentimento deste. Assim surgiu o Contrato de Fausto, no qual um humano contrata os serviços de um demônio em troca de sua alma.
– Que tipo de serviços?
– Isso varia de demônio para demônio e de qual desejo o humano deseja realizar. Alguns humanos são insuportavelmente tolos e previsíveis e nem todos os demônios são tão exigentes quanto eu. Amanda firmou um contrato comigo de livre e espontânea vontade. Ao termino do contrato, peguei apenas o que me era de direito.
A última frase fora dita de forma tão fria que chegava a assustar. Ciel percebeu que devia, mais do que nunca, controlar suas ações diante daquele demônio que o observava atentamente, provavelmente procurando o menor sinal de fraqueza sua. Mas Ciel não daria esse gostinho a ele. Não depois de tê-lo tocado, abraçado e beijado. Não após ter se entregado tão abertamente aquele sentimento. Agora entendia porque Sebastian sempre parecia tão perigosamente sedutor. Recriminava-se apenas por ter tal pensamento. Mas algo o incomodava, um sentimento perturbador começava a amortecer seu espírito.
– Prossiga. – ordenou o jovem mantendo o tom indiferente.
– Segundo. Não sou o responsável pelas mortes em Liverpool ou no resto da Inglaterra. E aqui chegamos ao ponto que interessa a todos nós. – Sebastian fez uma pausa. – Já ouviu alguma vez o nome... Phantomhive?
Ciel vasculhou a própria mente a procura do nome, mas nada encontrou. Balançou a cabeça respondendo que não.
– Séculos atrás, quando as pessoas tinham plena consciência da existência do sobrenatural, o mundo estava mergulhado em caos. A maldade corria livre pela terra, humanos sabiam como recorrer a criaturas como eu e até piores para espalhar mais ruína. Era preciso dar um fim a tudo aquilo. A era da escuridão tinha que chegar ao fim. Muitos lutaram e morreram para livrar o mundo das influencias malignas. Decidiu-se que tudo que estivesse além do chamado lógico e natural para a maioria dos humanos deveria ser mantido em segredo, oculto, para que as pessoas não vivessem mais amedrontadas ou criassem pandemônios e acabassem matando pessoas inocentes como ocorreu durante a Caça às Bruxas. Ao contrário do que muitos pensam, nem tudo que é sobrenatural é mal. Enfim, com o passar dos anos, criaturas, pessoas, lugares, coisas e acontecimentos que muitos conheceram ou presenciaram tornaram-se nada mais que mitos, lendas, contos de fadas. Entretanto, mesmo que a população se tornasse cada vez mais cega, o mal continuava a existir e a atuar. E muitos ainda tinham conhecimento de seu poder. Fazia-se necessário a existência de alguém que lutasse contra isso. Que mantivesse o reino e a população protegida. A Corte dos Serafins, que é um grupo de anjos responsáveis pela execução das leis divinas e por assim dizer, manter as coisas sob controle, e os primeiros governantes dessas terras, hoje conhecidas como Grã-Bretanha, escolheram uma família para realizar esse trabalho.
“A Família Phantomhive.
“Os líderes dessa família, cada um há seu tempo, lutaram para limpar e purificar a Inglaterra, até chegarem a Era Vitoriana. Quando a Corte dos Serafins voltou para o domínio celeste. Época em que os Phantomhive juraram lealdade à Rainha. Época maravilhosa em que a sociedade finalmente se distanciou de tolices fantasiosas e mágicas. Demônios, anjos e magias, não existiam em outro lugar que não fosse nos livros e no imaginário humano. Sim, época perfeita... O berço da hipocrisia social e intelectual.
“ A princípio, os Phantomhive eram uma família nobre, escolhida pela Rainha para continuar a desempenhar o trabalho de protetora. Geração após geração, a família Phantomhive livrou essas terras das criaturas mais cruéis e deploráveis que você possa imaginar, sendo elas humanas ou não. Tudo acontecia secretamente. Para o submundo inglês eles eram O Cão de Guarda da Rainha, de fato, poucos tinham conhecimento da verdadeira identidade deste tão temido Cão. Para a sociedade, aquela família era apenas uma nobre família inglesa como tantas outras. No entanto, o último líder dos Phantomhive não possuía herdeiros. Isso começou a preocupá-lo. Ele não desejava que o título de Cão da Rainha fosse dado a outra família.”
– Por orgulho. – Ciel o interrompia ela primeira vez, fascinado pela narração, olhava diretamente para seus olhos.
– Não necessariamente. As famílias nobres estavam se desvirtuando. Você nem imagina o quanto. A maioria deles estava de alguma forma envolvida em atividades ilícitas, seitas e magia negra. Surpreender-se-ia com o que as pessoas são capazes de fazer para saciar sua luxuria, vaidade e ganância. Eram poucas as famílias que realmente mereciam ser chamadas de nobres. E o número dos que eram verdadeiramente leais a Rainha era ainda menor. A maldade e o materialismo escondiam-se sob a máscara da filantropia, homens impuros cometiam os mais terríveis pecados enquanto pousavam de Homens de Bem. A Inglaterra precisava dos Phantomhive para manter tudo nos eixos, ou tudo mergulharia no caos novamente. No fim, o último Conde Phantomhive temia que, se o título de Cão de Guarda da Rainha fosse dado à outra família, esta poderia não seguir o principal objetivo dos Phantomhive.
– Lealdade a Rainha?
– Aniquilar os maus. Sendo eles nobres, burgueses ou pobres, humanos ou não.
– Se o título fosse entregue a uma família de índole suspeita, esta poderia acabar favorecendo os seus.
– Exato. Por esta razão, antes de sua morte, o último Conde Phantomhive fez um acordo com a Rainha e a Corte dos Serafins. Ele escolheria aqueles que seriam os seus herdeiros, o título seria entregue a estes. O Conde Phantomhive escolheu alguns de seus servos mais fiéis e com o consentimento da Rainha, a Família Phantomhive deixou de ser uma família e passou a ser um grupo. O primeiro grupo fez um ótimo trabalho como Cão da Rainha, e quando os membros deste morreram, um segundo tomou o seu lugar e depois um terceiro. E assim tem sido até hoje. Nós somos o grupo que carrega o legado dos Phantomhive. Sempre que a Inglaterra é ameaçada por algo que esteja além da alçada da polícia comum, somos chamados.
– Tipo um grupo de heróis? – Ciel indagou com mais sarcasmo do que pretendia.
– Heróis?! Hah! Estamos mais pra vigilantes. – Richard falou pela primeira vez revelando um sotaque americano. – Ninguém aqui brinca, garoto. Não somos heróis nem mocinhos. Fazemos o que temos de fazer, seguimos nossas próprias regras.
– Sendo que as nossas regras são aquelas deixada pelo Conde Phantomhive. – Sebastian prosseguiu – Cabe a mim, sob as ordens da própria Rainha e do Conde, escolher aqueles que serão os novos membros e treiná-los, cada individuo deve corresponder a todas as exigências deixadas pelo Conde Phantomhive.
– Nunca, em toda a minha vida, ouvi ou li em qualquer lugar que fosse menção ao nome Phantomhive. O nome dessa família não consta nos livros de história, um clã como o que você descreveu deveria estar registrado em algum lugar. Por que nunca ouvi falar deles? Todas as famílias nobres estão registradas e até as que caíram em ruína são conhecidas até hoje.
– Não haveria como conhecer. A história da família foi mantida em segredo e tudo que estivesse relacionado a eles foi apagado. Qualquer coisa que comprovasse sua existência foi cuidadosamente modificada. Tudo foi feito de modo que, com o passar do tempo, as pessoas se esquecessem de que um dia a Família Phantomhive existiu.
– E por quê?
– Segredo de família. – o moreno respondeu com um de seus clássicos sorrisos. Ruby e Richard se entreolharam pelo canto dos olhos.
– Tudo bem, acredito em sua história. Mas, está tentando me dizer que a Rainha Elizabeth, aquela senhora de terninhos de tom pastel e chapéus enfeitados, sabe de tudo isso? Ela, Charles, William, Harry e Kate...
– Não. Apenas a Rainha Elizabeth sabe. Apenas o portador da coroa tem conhecimento dos acontecimentos do submundo. Quando Charles se tornar rei, ele saberá, embora eu realmente sinta, pois o acho um tolo, seu primogênito parece ter mais fibra e...
– Tá, tá... Explique-me uma coisa, por que você, um demônio, concorda em obedecer a Rainha e um conde que já morreu há séculos? Quer dizer, ajudar humanos e protegê-los do mal não é exatamente o que eu aprendi sobre as ações dos demônios. Então, por que você faz isso?
– Ele não tem escolha, foi amaldiçoado. – Richard soltou sem querer. Sebastian o fuzilou com o olhar, meio a contragosto, esclareceu o assunto.
– Digamos que A Corte dos Serafins não estava muito feliz comigo desde que espalhei a Peste Negra na Europa... – Ciel fez uma expressão que dizia “Você o quê?!” – E para piorar, alguns anos atrás, num momento de descontrole, acabei fazendo algo que a Corte chamou de “passar dos limites aceitáveis”. Enfim... Onde eu estava? Ah, sim. O Conde estipulou um número de membros, cinco.
– Só vejo três.
– Um está em treinamento e neste momento está provavelmente na escola, nem tudo é perfeito.
– Está falando do Dimas?
– Sim. Eu disse que não precisava ter ciúmes. – Ciel inflou as bochechas.
– Devo supor que Evelyn é a quinta?
– Quem? – perguntaram os três adultos em uníssono. Ciel os encarou, perturbado.
– Evie não é uma de vocês? – os três se entreolharam dizendo que não conheciam ninguém com esse nome.
– Quem é Evelyn? – Sebastian perguntou num tom assustadoramente ameaçador.
– Ninguém importante. – Disse tentando distraí-los, pois ele não sabia ao certo quem ou o quê Evie era. – Então, quem é o quinto?
– Esperamos que seja você. – Ruby respondeu empolgada.
– O quê?!
– Seu pai está envolvido no caso, você pode ter acesso às informações. Você é um rapaz de valores e virtudes admiráveis. É corajoso, esperto e inteligente. Apaixonado por contos policiais. Bem, essa é sua chance, talvez a única, de resolver o seu próprio mistério. Você é o membro que nos faltava, um detetive.
– Eu, ser um Phantomhive? Mas eu não sou um detetive. Sou apenas um adolescente. Talvez eu não seja digno de ser um dos Cães da Rainha. Como podem me escolher pra uma coisa dessas? O que os leva a crer que eu seria capaz de ajudar em alguma coisa?
– Porque eu sei que é. – disse Sebastian.
– Ciel, eu vi você enfrentar kroboros para tentar ajudar pessoas que nem conhecia. – Ruby começou – Defendendo-se apenas com uma faca...
– O que foi irresponsabilidade... – disse Richard.
– ...E quando eu apareci, você não foi embora, tentou me ajudar. É preciso coragem pra enfrentar um demônio sozinho.
– Ou loucura. – Richard acrescentou recebendo de Ruby uma cotovelada nas costelas.
– Não precisa responder agora. A decisão é sua. Afinal, é um trabalho deveras perigoso. Mas saiba que, agora que te contamos, mas cedo ou mais tarde o convite da Rainha chegará. – Sebastian informou – Não é querendo pressionar, mas, é indelicado recusar um privilégio concedido pela Rainha, mesmo que este mais pareça uma maldição. Por outro lado, deveria sentir-se orgulhoso, o Conde Phantomhive foi bem especifico, não é qualquer um que seja capaz de representá-lo tão bem.
Ciel levantou-se da poltrona e deu a volta na mesma. Ficou de costa para os três, pondo-se a analisar a situação.
– O que acontece se eu recusar?
– Não o incomodaríamos mais. Teríamos que nos virar sozinhos, pois duvido muito que encontremos alguém capaz de substituí-lo.
– Você também partiria? – perguntou baixinho. Virou-se para encarar o moreno, usou um tom mais alto e firme – Você partiria? Certa vez disse haver uma razão para ser gentil comigo e querer minha amizade, era esta a razão? Diria qualquer coisa para me convencer, não é?
– Eu disse haver duas razões...
– Sim, é claro. – falava magoado e com desprezo – Faço uma ideia de qual seja a outra...
Sebastian pôs-se ameaçadoramente de pé. Richard colocou-se em guarda e Ruby encolheu os ombros, ambos olhando, não para o adolescente, mas para o demônio à frente.
– O que está insinuando... Meu jovem?
– O que você entendeu. – O adolescente manteve-se firme. O demônio olhou-o friamente nos olhos. Ciel achou que Sebastian desistiria da máscara de bonzinho, que se irritaria, o agrediria ou pelo menos gritaria com ele, mas em vez disso, o mais velho apenas desviou o olhar num gesto tão desalentador que fez o coração do jovem fraquejar.
– Vous ignorez la vérité. Je ne serai pas en colère contre vous. – Sebastian disse com uma voz grossa e calma. O resultado foi a pronúncia francesa mais encantadora que Ciel já ouviu, embora não tenha entendido muito bem o que ele disse.
– Dê-me um tempo pra pensar.
– O tempo que desejar. Estão todos dispensados. – Sebastian informou retirando-se para a sala do piano.
– Será tão bom, Ciel, se você aceitar. Poderemos todos passar mais tempo juntos. S-se v-você quiser, é claro. – Ruby atrapalhava-se com as palavras.
– É, yupiee, que divertido! – ironizava Richard, empurrando a moça para a saída. – Depois você mostra sua coleção de quadrinhos...
– Mangá!
– Que seja. Se chegar atrasada no Darjeeling novamente, te demitem. Foi um prazer, moleque. Até mais ver!
– Moleque?!
Ciel sentiu-se aliviado quando os dois foram embora. Relutou por um momento, depois foi até a sala do piano. Sebastian estava olhando o jardim pela janela. O adolescente aproximou-se do piano em silêncio. Deslizando a mão sobre a maneira negra e fria. Sentindo uma saliência na tampa do teclado. Notou uma inscrição que não havia visto naquele domingo.
“L. Cavendish”
– Mudou alguma coisa? – o moreno perguntou ainda olhando pela janela.
– O quê?
– Saber que sou um demônio.
– Não mudou nada para mim.
– Mas algo mudou, está diferente.
– Sim, algo me incomoda. Mas não tem nada a ver com sua natureza. – Sebastian olhou para ele. – Temo que o Sebastian por quem me... Que conheci seja uma farsa. De tudo o que me disse, o que foi realmente verdade? Lá na sala, você falou que é sua função encontrar e treinar os integrantes do grupo. Todas as vezes em que esteve comigo, era porque queria estar comigo ou simplesmente queria que eu me afeiçoasse o suficiente para concordar com qualquer coisa que viesse a me propor?
– O que pensa que eu sou, um incubus? Jamais seduzi Richard, Ruby ou Dimas para que aceitassem qualquer coisa, se é o que está pensando. Nem eles, nem você.
– Não foi o que eu quis dizer. – um silêncio perturbador invadiu a sala.
– Houve um tempo em que eu não me importava com nada. Mas depois de passar anos preso a esta forma humana, aprendi a apreciar certas coisas, as quais eu não costumava dar valor. Livros, li muitos, são ótimos para passar a longa eternidade e os contos policiais, mistério, suspense são os meus favoritos. Não estava mentindo. Usei isso para chamar sua atenção? Sim. Talvez eu tenha ocultado algumas coisas, mas nunca fingi ser o que não sou. Com você eu sempre fui Sebastian Michaelis.
– Se eu dissesse que não quero ser um Cão da Rainha, desistiria de mim?
– Não desisto tão facilmente das coisas que realmente quero.
– Eu não possuo uma razão para fazer um contrato com um demônio.
– Será? Mais ainda assim, sua alma é tentadora, e mesmo que insinue que tudo o que quero seja ela, saiba que, para mim, estar com você é mais importante.
– O que quer que eu pense? Por que um demônio gostaria de mim?
– Por que um garoto gostaria de um demônio? – Ciel o encarou, Sebastian sorriu. – “Ama-me, sim. Eu sei que ele me ama... Eu o lisonjeio bastante, como se pode compreender. Acho um estranho prazer em lhe dizer palavras que, noutro caso, sentiria imenso ter dito. Ordinariamente, ele é bom comigo e passamos dias no ateliê a falar de mil coisas. Uma vez por outra, mostra-se horrivelmente desagradável e parece achar o verdadeiro prazer em me atormentar. Sinto ter dado toda a minha alma a um ser que a trata como uma flor a pôr na lapela, uma ponta de fita para a sua vaidade, um ornato de dia de verão...”¹
Ciel o olhou profundamente, reconhecendo aquela frase.
– Não sou um Dorian Gray... – sussurrou.
– Sei que não. Mas você é meu ideal, minha perdição.
– Não seria você a minha?
– Você me fala agora com mais liberdade, sem receios. Nosso jogo de fingir indiferença acabou? Espero que sim. Salvaria mil almas se me pedisse, entregaria outras mil à morte se fosse para atender um capricho seu.
– Por que gostas tanto de mim? – indagou com certa agonia. Era uma pergunta de mão dupla, pois ele, Ciel, também queria saber por que o que sentia por Sebastian era tão forte. – Não faz ideia do poder que tuas palavras têm sobre mim. Está tentando me seduzir com tais palavras?
– Se eu estiver... Quer que eu pare?
– Não. Quero que continue. Até conseguir. – confessou, era praticamente uma rendição. Sebastian aproximou-se sorrindo.
– Neste caso, palavras não são mais necessárias.
Ciel sentiu Sebastian tocar seu peito e deslizar a mão até seu pescoço. Segurando seu queixo de leve. O maior inclinou-se lentamente, podia sentir a respiração quente do jovem e seu coração palpitante acelerando a medida que seus rostos se aproximavam até que selassem os lábios. Dando inicio a um beijo lento e macio. Ciel sentia Sebastian acariciar sua nuca de maneira carinhosa. Sua pele arrepiou-se completamente ao passo que os lábios do akuma tocavam seu pescoço e voltavam para seus lábios vermelhos. Sebastian terminou o beijo envolvendo o corpo quente do jovem num abraço. Enquanto sentia o calor de Sebastian, uma ideia surgiu na mente do adolescente. Ideia que não ousava pronunciar em voz alta.
“A partir desse ponto não há mais volta. Quando é que juntos vamos ser um só?”²
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– Isso são horas, senhor Ciel? – Angie simulou um falso tom de repreensão assim que viu o irmão entrar pela porta da frente. – Você tem muita sorte mocinho, mamãe nem faz ideia de que você dormiu fora de casa. Porque se ela soubesse você estaria morto.
– E onde ela está? – caminhou até a cozinha sendo seguido pela irmã, abriu a porta da geladeira e pegou uma jarra de água.
– Ela começou a sentir umas dores ontem à tarde. Fomos às pressas para o hospital, mas foi só alarme falso. Por precaução, o médico dela preferiu que ela passasse a noite lá, sabe, caso o bebê resolvesse realmente vir. Vou buscar ela agora às onze. Pelo visto o bebê não quer nascer agora.
– Hum...
Ciel pegou um copo limpo no armário e levou até o balcão da cozinha, despejando a água gelada dentro dele. Levou o copo à boca e só então reparou que a irmã o observava com enormes olhos brilhantes de um jeito que o lembrava dos olhos da Ruby.
– O que foi? – perguntou meio receoso.
– Então... Como foi? – indagou animada.
– Como foi o quê?
– ‘Cê sabe. – Ciel olhou para a irmã tentando descobrir a que ela se referia, mas não conseguia entender o que ela queria que ele contasse. Percebendo que o irmão ainda não tinha se tocado, Angie suspirou. – Ai, Ciel, como você é lerdo! Como foi com o Sebastian, oras! Pelo menos se lembrou de usar camisinha? Você não vai engravidar, lógico. Mas... né?
Ciel quase engole o copo junto com a água. Engasgou-se e deixou o copo escapulir de sua mão, o qual se espatifou completamente ao atingir o chão.
– Mas que droga! Cof, cof! – o jovem praguejou ainda tossindo, abaixando-se para catar os cacos de vidro do chão e tentar, talvez, esconder o rosto vermelho. – De onde você tirou essa ideia absurda?!
– Não há nada de absurdo nisso. Eu não sou boba, Ciel. Se não quer contar, não conta.
– Não aconteceu nada, sua pervertida maluca. Ele dormiu no quarto dele e eu no quarto de hóspedes. Ninguém transou com ninguém. – ficou mais vermelho ainda ao pronunciar a última frase, tão perturbado ficou que acabou cortando a palma da mão em um dos cacos.
– Deixa, eu cuido disso. – Angélica fez Ciel sentar-se numa cadeira enquanto ela pegava a caixa de primeiros socorros. A moça conseguiu parar o sangramento e começou a enfaixar a mão ferida. Angie enrolava a gaze com cuidado, seus olhos percorrendo a pele do pulso do irmão. – Devia ser mais cuidadoso... Não quero que se machuque.
Estranhamente, Ciel teve uma sensação de déjà vu e um formigamento nos lábios, mas não conseguiu relacionar a nada em sua memória.
– Como percebeu?
– Você e o Sebastian? Bom... Tirando a Elizabeth, você não costuma ser muito íntimo de amigo nenhum. Mas com o Sebastian você é diferente. Naquela noite em que você chegou machucado e supostamente atropelado, eu fui falar com ele, sabe, pra ter certeza de que ele não era nenhum tipo de psicopata pervertido, e pra saber se você não tinha chateado ele com seu jeito antissocial. Mas me surpreendi quando ele falou que vocês tinham saído e que conversavam. Ele me fez algumas perguntas sobre você e a Liza, e basicamente a conversa foi sobre você, finalmente encontrei alguém que goste de te importunar tanto quanto eu. Naquele dia, eu soube que ele gostava de você, mas para mim era como amigo. Não vi nada além disso até o passeio no parque. Lembra-se de quando todos estavam jantando no PlayGame Center? Todo mundo conversava e sorria. Naquela noite, por um momento, eu vi nos seus olhos um brilho diferente, uma admiração e um desejo que nunca tinha visto em você. Imagine a minha surpresa quando, ao seguir o seu olhar, percebi que você olhava, não para Liza ou para a Amanda, como tive a impressão, mas para o Sebastian. A partir daí passei a observar vocês dois. Sempre que seus olhos se encontravam, eu percebia uma cumplicidade admirável. Ele corresponde ao que você sente?
– Sim. Acho que sim.
– Fico feliz que você finalmente esteja gostando de alguém. Sejamos sinceros, Liza nunca foi sua namorada de verdade, nunca vi diferença no relacionamento de vocês. Ainda acho que você só concordou ser namorado dela porque não sabe dizer não pra ela.
– Tenho que ter uma conversa com a Liza. Não me agrada mentir pra ela.
– É bom mesmo. Não sei o que o pai e mãe vão dizer, e você só conta se quiser, mas eu estou do seu lado. O que realmente importa é se você ama alguém e se esse alguém te ama. Diante disso, todo o resto é insignificante.
Ciel sorriu para a irmã.
Angie pegou uma vassoura e começou a varrer os cacos de vidro do chão.
– Ah, Ciel! Papai ligou pedindo pra que eu fosse deixar uns papéis que ele esqueceu. Tenho que ir buscar a mamãe e ir correndo pra faculdade, não vou ter tempo, você poderia ir pra mim?
– Claro.
– Não se esqueça de inventar uma boa desculpa pra ter faltado à escola.
– Que conselho edificante você me dá. – ironizou.
– Precisando, tamo aí!
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Ciel esperou até às duas horas da tarde para ir até o Departamento de Polícia deixar os papéis para o pai, assim ele não estranharia o horário. Ciel fez a entrega explicando que a irmã não pode vir, pois esta estava ocupada com a mãe e a faculdade, o que era verdade, e que ele saíra cedo da escola por concluir um trabalho antes de todos, o que era mentira. Mas considerando o histórico escolar do filho, Roger nem desconfiou.
O Departamento estava bem movimentado e os policiais agitados. Ciel seguia pelo corredor para ir embora, no entanto uma voz chamou sua atenção.
– Com licença, rapaz. – Ciel virou-se e viu um homem de aparência estranha, com um sorriso exagerado no rosto. – Faria a gentileza de ajudar um velho?
O homem era alto e meio encurvado e embora não aparentasse ser muito velho, seus cabelos eram completamente grisalhos, quase brancos, compridos até os ombros com uma franja longa e mal cortada cobrindo-lhe os olhos. Usava um cardigã cinza e folgado, as mangas mais compridas que os braços, um desleixo total. Ele apontava para duas enormes caixas de arquivos.
– Sem problema. – o adolescente respondeu pegando uma das caixas.
– Muito obrigado. Siga-me. – o tom de voz dele oscilava entre o alegre e o sinistro. Pegou a outra caixa e tomou a frente pelo corredor cantarolando alguma música que Ciel não identificou. – Qual o seu nome, rapaz?
– Ciel Valentine, senhor.
– Valentine... Tens algum parentesco com o Chefe Valentine?
– Ele é meu pai.
– Claro. Sou Mark Calaway.... Legista, trabalho divertido, mas minha área preferida mesmo é cuidar dos preparativos fúnebres. Infelizmente as pessoas hoje têm a péssima mania de Cremar os corpos. Ninguém mais sabe apreciar o valor de um belo ataúde. Você não acha, jovem... Valentine?
Ciel o encarou. Surpreendia-se com a predisposição que o estranho tinha para informar futilidades que o jovem não havia demostrando interesse em saber. Entraram numa sala pouco iluminada. Ciel instintivamente prendeu a respiração, pois a sala estava impregnada de um odor repugnante de álcool e formol.
– Esta é uma cidade muito bonita, não é mesmo? Receio não ter tempo para conhecê-la.
– Você é o enviado da Scontland Yard?
– Não sou da polícia realmente... – o homem disse num sussurro – sou apenas um consultor. Estou apenas acompanhando o detetive Midford numa importante missão. – Colocou a caixa numa mesa e começou a retirar os papéis com as pontas dos dedos, tentando ler o que havia escrito. Ciel se perguntava o que atrapalhava mais a falta de luz ou o cabelo comprido.
– Você disse Midford?
– Sim, você o conhece?
– Não. – procurou um lugar para por a sua caixa, já que Callaway não deu instrução nenhuma. Aquele odor estava lhe deixando zonzo e mal enxergava naquela penumbra. Não tinha lâmpada naquela sala?
– Mas esse nome lhe diz muita coisa, não é? – Ciel assustou-se ao ver Callaway bem a sua frente sorrindo de um jeito assustador.
– Não sei do que você está falando. – afastou-se andando para trás.
– Tem certeza de que não sabe exatamente do que estou falando? – Callaway encurralou Ciel num canto, encarando o jovem de cima, ainda sorrindo. Estando tão perto, o jovem pôde ver entre as mechas pálidas de cabelo dois olhos verdes, um verde incomum, como os daquele estranho do beco.
– Quem é você? – o jovem indagou como quem dá uma ordem.
– Se você souber uma boa piada... Eu conto. Hehehehe!
Callaway levou a mão à boca sorrindo de um jeito mais estranho ainda, afastando-se do garoto como se deslizasse pelo o chão. Balançando-se para lá e para cá.
– Você é louco! – Ciel aborreceu-se e encaminhou-se para a saída.
– Espere! Espere! – gesticulava os braços no ar, as mangas compridas do cardigã faziam seus braços parecerem mais longos do que realmente eram. – Tenho algo para você. Era o detetive Midford quem deveria entregá-lo a você, mas ele está resolvendo uns problemas familiares. Callaway enfiou a mão dentro da manga retirando um objeto com um gesto que lembrava um truque de mágica. Era um pequeno cilindro de prata com detalhes em dourado. Parecia um charuto. – Quase que me esquecia de entregar. Hehehe... Não podemos esquecer-nos de coisas importantes, não é, meu rapaz?
Ciel o encarou como quem encara um louco.
– O que é isto? – Ciel perguntou com o objeto em mãos.
– Uma carta. – e voltando a sussurrar declarou – aquele demônio não sabe de todos os segredos.
Callaway afastou-se novamente, dessa vez ignorando o jovem por completo. Ciel guardou o cilindro no bolso da calça e saiu do Departamento Policial.
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Sentado sobre sua cama, Ciel observava o objeto atentamente. Ele o sacudiu e pôde ouvir o barulho de algo chacoalhando lá dentro, mas não sabia como abrir aquela coisa. Não possuía lacre, tampa ou rosca. Começou a contornar os desenhos feitos em dourados e acabou cortando o dedo em uma das saliências de metal, fazendo um filete de sangue surgir na digital alva e pingar sobre o cilindro. Ciel praguejou qualquer coisa, era a segunda vez que se cortava.
Notou que o sangue, inesperadamente, se espalhou pelos contornos dourados, que assumiram um tom escarlate. Ciel ouviu um “tink” e os pedacinhos de metal vermelho se partiram, revelando a junção da tampa. O rapaz tirou a tampa do cilindro e virou-o de cabeça para baixo. Um envelope enrolado como um pergaminho caiu de dentro. O envelope estava lacrado com o sinete real. Nas costas do envelope podia-se ler o destinatário escrito à mão em tinta preta.
“Ao mais novo Phantomhive”
– Este seria eu? Perguntou a si mesmo. Sem mais demora, abriu o envelope e começou a ler a carta.
A carta dizia qual era o problema que os Cães da Rainha teriam que enfrentar. O conteúdo daquelas linhas parecia ser mais preocupante do que ele imaginava. Não eram apenas os assassinatos. Era mais que isso. Será que os outros tinham conhecimento do conteúdo daquela carta?
Ciel calçou os sapatos e saiu de casa como um raio. Sebastian precisava ler aquilo.
Ele aceitaria ser um Cão da Rainha e levaria adiante o legado da Nobre e Antiga Família Phantomhive?
Sim.
Evelyn tinha razão, não há outra escolha. Só gostaria de saber o que teria acontecido com a menina.
Notas finais
Akuma: é demônio em japonês, como todo mundo sabe, mas na fic fica sendo a raça de demônio que come almas. Eu queria arranjar um jeito de usar o clássico akuma e aí deu nisso.
Devoratem animarum: já mencionado nuns capítulos atrás significa devorador de alma caso não tenha ficado claro.
Nota 1: a frase dita pelo Sebby ao Ciel é um trecho do livro O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, no livro a frase é do pintor Basil descrevendo sua admiração (sei¬¬) pelo jovem Dorian. Amo esse livro, é na minha opinião o primeiro livro Yaoi da história kkkkkk..fala sério a frase parece ter sido feita pro Sebby e pro Ciel, né?
Nota 2: a frase dita por Ciel, duas na verdade, é um trecho da música The Point Of No Return de O Fantasma da Ópera.
Esclarecimento: algumas pessoas perguntaram... VAI TER LEMON?....reposta: SIM!...por isso coloquei classificação 18, porém o lemon tem um momento certo pra acontecer, depois de um fato e antes de outro, mais ele não vai demorar não :D.....porém, desde já aviso que não criem grande expectativa...esta é a primeira fic yaoi que escrevo e nunca escrevi lemon em toda a minha vida, pode ser que não agrade, mas tentarei fazer o melhor possível quando a hora chegar.
Gostaria de agradecer aos elogios ao capítulo da Amanda, ela era uma personagem que eu realmente gostava e que sabia que seria mal interpretada eu sabia que todos gostariam dela só quando soubessem sua história, como de fato aconteceu. Foi um capitulo difícil de escrever...não é fácil narrar uma cena em que um criança é violentada...quando escrevi não imaginam o ódio que senti do Hector.
Ciel não odiava a Amanda, ele a admirava e a achava muito bela, como tentei deixar claro, ele só não gostava da proximidade dela com o Sebby, porque o baka tava com ciúmes e não sabia.
Não sei o que vocês acharam desse capítulo, mas obrigada por lerem até aqui.
Deixem suas opiniões, suposições, reclamações....
Só assim tentarei fazer melhor.
Até o 14
Beijos..Tai Bluerose.
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