Phaeleh I

34 Capítulo 34 - Ruína


Notas iniciais
Miky: Olá meus amores *--* Trouxe mais um capítulo para vocês... preparem seus coraçõezinhos ♥ Apreciem a leitura!

Niels trancou a porta do quarto e repousou a testa contra a madeira fria. Soltou o ar por entre os lábios por um suspiro. Sua mente se encontrava em um tumulto silencioso, porém, exacerbadamente agitado. Ele tinha ciência do zumbido da quietude e, acima de tudo e de todas as sensações, da presença de Rurik no quarto que por muito tempo dividiram. Seu coração estava acelerado no peito por causa de uma estranha ânsia – e um nervosismo incomensurável. Tudo o que sabia era que tinha de juntar as letras e expressá-las adequadamente para que seu escravo compreendesse o que ele queria dizer.

Agira como um bastardo hedonista? De fato. Tinha total conhecimento da balbúrdia interna, da divisão em seu âmago – do medo, da insegurança, da confusão, da tristeza. Ele queria puxar os próprios cabelos da cabeça, pois não sabia o que fazer. Havia uma parte dele que queria proteger Rurik de tudo o que era péssimo no mundo, mas também havia uma parte dele que temia Rurik e desejava ardentemente fugir.

E ele sabia por que estava tão confuso. Pensara durante toda a noite em suas imprudências e tolices – porque, ao contrário de Svan, ele era ponderado e racional. Ele sabia o quão proibido era o relacionamento sólido entre escravo e amo. Sabia o preço por isso e Conselho algum permitiria algo. E, após anos sendo doutrinado para saber lidar com aquela classe imunda, ele agora não tinha noção do que fazer.

–- Niels – a voz impessoal de Rurik o fez se sentir incômodo e desconfortável e ele tentou com todas as forças empurrar aquele tipo de sentimento inseguro para longe – Você está ferido.

–- Então cuide de mim – disse rispidamente.

Inalou fundo, munindo-se de forças, para então se voltar para ele – para Rurik. Rurik, que estava parado, inexpressivo, porém, com os olhos destilando uma preocupação crua, patente, que poderia ser palpável no ar que os separava. E Niels sentiu aquele puxão, aquela atração novamente, que o instigava a querer se aproximar.

Ele não o fez.

Ele não podia. Era errado sentir aquilo. Era errado ceder àquilo.

Não importava o quanto se preparasse mentalmente, ele nunca estaria, de fato, devidamente preparado para confrontar aquele tipo de situação. Emergindo daquelas estranhas sensações, ele caminhou para a cama e se sentou pesadamente no colchão, apoiando os cotovelos nos joelhos e encarando Rurik até que o ruivo se sentisse desconfortável sob seu escrutínio. Rurik se dirigiu para a arca aos pés da cama e dela retirou um pano limpo. Com ele em mãos, rumou para a mesinha ao lado do dossel e emergiu o tecido no líquido frio dentro de uma terrina. Torceu-o e Niels observou a água cascateando para o recipiente. Silenciosamente, Rurik se aproximou, colocando-se entre seus joelhos.

Não houve movimento. Não houve reação.

Os olhos de Niels estavam fixos naquele peito forte coberto pela camisa. Ele o observava subir e descer à medida na qual Rurik inspirava e expirava.

A lareira estava apagada, portanto, o frio na habitação ascendia, fazendo o humano ruivo se arrepiar. Niels... Niels não gostava do rumo que seus pensamentos estavam tomando, então, engoliu-os como se fosse uma uva. Não eram importantes – não deveriam ser.

Então, Rurik ergueu uma mão e tocou seu cabelo. Um toque suave, despropositado, apenas para afastar algumas mechas e poder limpar o sangue coagulado de uma ferida que ele tinha na têmpora esquerda. O ardor não foi insuportável, apesar de incômodo. Rurik o tratava com mãos suaves – e isso o fez se arrepender por trata-lo tão rudemente. Entretanto, era assim que deveria ser – Rurik estava tomando liberdades demais para um escravo. Estava se tornando voluntarioso. Rebeldia levaria à traição. Não foi o que seu pai lhe ensinou?

Aquele tratamento do silêncio era péssimo. Niels nunca havia percebido o quanto detestava aquela quietude mórbida, não até aquele momento, quando o vazio o aguilhoava as entranhas.

–- Rurik – água escorria pela lateral de sua face enquanto Rurik o limpava sutilmente – Nós precisamos conversar.

–- Você já disse isso, amo.

Niels balançou a cabeça. Rurik apenas desceu o pano para o lábio inferior cortado de Niels, agora cuidando daquela sensível região. A tensão no ar era densa, como uma névoa desnorteadora, envolvendo-os em seu abraço causticante. Niels tragou seu desconforto como ele fosse uma pedra em sua garganta.

–- Eu... – não tenho palavras para me expressar. Pois sua mente estava completamente em branco, deixando-o perdido e confuso – Quero que durma aqui hoje.

–- Devo chamar alguém para esquentar sua cama?

Porra, por que aquilo o atingiu tão fortemente?

–- Não – grunhiu, sentindo o calor do aborrecimento surgindo em seu peito – Você basta.

O pano caiu da mão de Rurik e ele cambaleou para trás, tão nervoso e apavorado que tropeçou nos próprios pés e caiu bruscamente sentado no assoalho. Niels rapidamente se ergueu e estendeu a mão para ajuda-lo, mas o escravo se encolheu, com os olhos muito alargados e tremulando no mais notável terror. Ele sempre acreditou que Rurik era bastante alvo, mas, ao vê-lo tão pálido, descobriu que ainda havia um tom de branco que não tinha visto nele – a presença do pesadelo.

Niels se recolheu rapidamente, estranhando a reação por parte de seu escravo e imediatamente... Repudiando aquele tipo de atitude. Ele sabia que não era o melhor dos amos, mas Rurik não deveria já saber que ele, apesar de um pouco bruto, jamais iria machuca-lo? A não ser que a situação pedisse, como houve com Meine em seu rompante de fúria, todavia, aquele não era o caso – Rurik o fitava como se visse o próprio Satanás indo buscar sua alma.

Niels voltou a se sentar, incapaz de sequer pestanejar. Ele tinha certeza de que, caso avançasse, Rurik o agrediria com uma das toras de madeira da lareira. Ele realmente não compreendia e não gostava daquela reação.

Devo chamar alguém para esquentar sua cama?

Não. Você basta.

–- Oh, merda – praguejou, apoiando os cotovelos nos joelhos e segurando a cabeça entre as mãos, fitando o espaço vazio entre seus pés. – Não quis dizer dessa forma... sexual – Rurik não se moveu, como se, ao ficar quieto, pudesse ser absorvido pela mobília do aposento. Estava tão assustado que Niels não soube como recuperar o pouco contato que possuíam momentos atrás. Talvez fosse melhor assim. – Tire essa cara de quem está com medo de mim, Rurik, não vou te tocar. – Rurik sequer pestanejou. – Rurik! – ele pulou ante seu grito.

–- Sinto... Sinto muito, mestre.

Ele se forçou a levantar, os joelhos trêmulos. Odiava estar se sentindo tão débil e se esforçou para aprumar os ombros e passar uma imagem destemida – seu interior estava ruindo. Quando Niels dissera aquilo, quando Niels se ergueu e quando Niels gritou... Ele soube que não poderia mais ser seu escravo. Niels estava estrangulando seu amor e o passado de Rurik eclodia como um monstro querendo destroçar a pouca confiança que havia construído naquele curto período de tempo no qual servira ao clã de Svan.

Ele estava com medo. E estava odiando estar com medo. Ele queria, em parte, cuidar de Niels, e em parte, socá-lo por deixá-lo naquele estado. Sua vulnerabilidade e seus temores eram todos... Fantasmas. Cicatrizes que restaram do que lhe fora feito.

Ele se forçou a andar, a mover os pés, a desliza-los adiante, até se agachar, como se cada osso, cada vértebra, estivesse enferrujado. Ele pegou o pano e se ergueu com movimentos duros, tão nervoso e em alerta que, a qualquer movimento de Niels, ele pularia para longe e fugiria. Afastou-se, tentando não demonstrar o quão intimidado estava, colocando o pano sujo sobre a mesinha.

–- O que você sente por mim, Rurik?

A pergunta o pegou, novamente, desprevenido, e ele estremeceu, o coração se acelerando em um rompante. Seus lábios se entreabriram para dizer, as palavras na ponta da língua. Eu te amo. Amo há muito tempo, a ponto de doer, porque é um sentimento que não cabe em mim, que é grande e doloroso demais para suportar, para guardar. E, por mais que eu queira te odiar, eu não consigo. Eu provei da sua gentileza, mas também provei da sua crueldade. E foi quando pressionou os lábios com força para selar essa verdade dentro de si, pois ela jamais deveria ser exposta. Não quando a crueldade de Niels doía mais do que a cura que sua gentileza proporcionava. Se ele retirasse a frágil armadura que vestia, nada mais restaria para protegê-lo.

E Rurik sabia do desprezo que Niels sentia por escravos, do quanto o repudiava por ser inferior, por ser sujo. Niels já lhe provara tanto quanto lhe dissera. Ele não podia responder sinceramente. Ele não podia se declarar para ele.

–- Por favor, Rurik... Diga-me – a necessidade em sua voz, a carência de ouvir aquilo que ele prendia no peito com todas as forças.

Não, não podia dizer. Não podia ceder, não podia ser tão tolo. Agarrou a frente da camisa sobre o peito, como se assim pudesse enclausurar aquele maldito sentimento. Seu amor parecia lutar para sair, para ser dito e concretizado. Era algo tão crescente, tão vivo, tão fora de controle... Expandia e expandia. Dolorosamente. Ferindo-o.

–- Não sinto nada.

–- Vire-se e olhe para mim.

Ele se recusou. A mentira era sua única escapatória, pois Niels jamais o deixaria seguir em paz caso não lhe dissesse a verdade – uma verdade que ele queria ouvir, o que empurrava o rapaz para a beira de um abismo – abismo este que estava prestes a engoli-lo, sufocá-lo.

–- Quer que eu cuide das suas feridas, Niels?

–- Não! – Niels vociferou e Rurik enrijeceu para não estremecer – Já disse que quero que se vire para mim!

Não. Isto não.

–- Então, estou indo. Tenho muitos trabalhos a fazer.

Ele se voltou para a porta, fitando-a fixamente e lutando por fazer Niels se tornar obsoleto – impossível. Niels era todo um atrativo. Era o maldito dono dos seus pensamentos e... da droga dos seus sentimentos.

–- Rurik, estou falando com você!

–- E eu estou ouvindo! – ele gritou de volta, lançando a Niels um olhar mordaz e furioso, na esperança de contê-lo antes que o estragasse ainda mais.

–- Não grite comigo!

–- Então, não seja estúpido! Eu não quero falar de intimidades com você, Niels!

A esta altura, ambos gritavam, cerrando os punhos furiosamente. Niels deu passos em sua direção e ele se recusou a se mover, pois queria mostrar que não era fraco, que seu coração não estava sangrando por aquele homem que o desprezava tanto.

–- Acabou de me chamar de estúpido?

–- É surdo agora?

–- Escravo idiota – Niels agarrou seu braço com força e o puxou para mais perto. Rurik se debateu, incapaz de lutar contra a força superior de um Berserker. Não importava o quanto pinoteasse e grunhisse, não o tornaria mais poderoso que Niels. O Berserker agarrou seus braços com ambas as mãos, cravando os dedos em sua carne. A proximidade, o abraço do calor dos corpos, as respirações mornas que se mesclavam, o duelo gravado no olhar... Era irresistível, ele sabia. O cheiro da pele de Niels era almíscar puro e parecia arrefecer sua resolução de se manter irredutível e inabalável. O desejo contido, o toque em sua pele... – Nunca mais grite comigo, Rurik.

Rurik parou de lutar – não porque o fogo de sua dor se extinguiu, mas porque não havia sentido em enfrentar uma batalha na qual seu inimigo era tão superior. Enquanto ele cansava, Niels se mantinha incólume.

Ele não queria ser assim. Não queria ser tão suscetível àquela proximidade, àquela familiaridade oriunda de tanto tempo de união antes daquela ruptura por conta dos sentimentos de Rurik. Se ele soubesse que as coisas sairiam do controle daquela forma, teria estrangulado seus sentimentos há muito tempo. Teria permanecido como uma admiração não correspondida, um afeto qualquer. Entretanto... Ele aceitou ser escravo pessoal de Niels. Ele aceitou aquela intimidade porque, em algum recôndito de seu ser, desejava, ansiava desesperadamente que aquele amor florescesse e fosse correspondido. Que toda a sombra, que toda a dor, que toda a escuridão que o marcava... que tudo fosse expurgado pelo carinho, pela atenção, por um cálido sentimento que surgiu em seu cerne no momento em que passou a conhecer Niels – suas qualidades, seus defeitos, suas manias.

Mas isso não aconteceu.

E estava se fortalecendo quanto mais Niels lhe lançava aquele inexplicável olhar – não de rechaço ou desprazer, mas... O que era aquilo?

Seu coração estava tão acelerado, tão ansioso... Temia que Niels pudesse ouvi-lo ou sentir as vibrações de suas enérgicas batidas, mesmo que poucos centímetros ainda os separasse. E a respiração dele soprava em sua face, fazendo suas bochechas esquentaram, enrubescendo.

O que era essa... calmaria que o imobilizou agora?

Os lábios de Niels se entreabriram, como se ele sentisse a necessidade de dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas temesse quebrar aquele momento com suas palavras. Ou não conseguisse articula-las adequadamente.

Qual seria?

Só dessa vez. Só dessa vez eu serei muito egoísta e pararei. Apenas dessa vez.

Quando Niels sentiu que sua luta findara, suas mãos deslizaram pelos braços de Rurik, os dedos traçando um caminho de fogo tão languidamente, como se jamais quisesse encerrar aquele contato. E Rurik expandiu o peito ao inalar fundo, reunindo coragem. Sem pensar duas vezes, não oferecendo tempo a si mesmo para desistir, ele lançou as mãos para o pescoço de Niels e, com toda a sua parca força humana, puxou-o para baixo. Niels arregalou os olhos, pego totalmente desprevenido e... ele congelou quando os lábios de Rurik pressionaram os seus.

Rurik suspirou, o calor invadindo seu peito. Os lábios que se encaixavam nos seus eram macios, eram quentes. Eram moldáveis, como ferro esquentado nas mãos de um ferreiro. E quando Rurik se moveu, invadindo a cavidade com sua língua, aproveitando que havia a brecha fornecida pela surpresa, Niels derreteu, pois aquela era a melhor sensação que já o acometera e seus olhos se fecharam, rendidos aos movimentos da boca sobre a sua. Da língua que se enroscava a sua, instigando sua reação.

Sem possuir consciência de seus movimentos, suas mãos se ergueram, segurando o rosto de Rurik entre as palmas, tombando sua cabeça mais para trás para que sua língua pudesse invadir e conquistar com a fome que, abruptamente, acendeu-se em todo o seu ser, despertando-o para o prazer daquele ataque. Um beijo nunca foi tão implacável, tão irresistível. Toda a mente racional se apagou, adormecida, deixando apenas um resquício de sanidade e uma chama feroz de desejo, de necessidade. E ele quis, ele quis com toda a força de seu ser, que Rurik se tornasse seu amante.

Eles se beijaram com uma necessidade irrefreável. Respiravam quando podiam, incapazes de romper aquele momento. Rurik desceu as mãos de seu pescoço por seu peito, parando uma palma sobre o coração, e Niels soube que ele o sentia contra sua pele, tão acelerado, tão descompassado.

Ele se aproximou de Rurik, querendo sentir sua pele, seu calor, inalando seu cheiro, sua respiração. E Rurik cedia-lhe espaço, como se aquela sensação esmagadora e avassaladora também o atingisse com a mesma força. Ele suspirou na boca de Niels, deleitando-se com a intimidade, com as línguas que duelavam, enroscando-se e deslizando uma pela outra. Mesmo quando Rurik começou a recuar, Niels permaneceu afagando os lábios macios com os seus. Os beijos findavam gradativamente conforme a realidade se fazia presente, despertando-os da bruma do sonho, da ilusão. Niels o beijou uma última vez, ainda o mantendo junto, ousando abrir os olhos e notando que era real.

Rurik molhou os lábios, o rosto vermelho combinando com seu cabelo de fogo. Ele respirou fundo, talvez para recuperar o fôlego ou para dizer algo – Niels não sabia, e não teve a oportunidade de descobrir, pois batidas soaram na porta do quarto. Abruptamente, a realidade desceu sobre eles e eles se afastaram. Niels passou uma mão pela boca – ainda sentia o gosto de Rurik na língua.

–- Niels – a voz forte de Svan chamava da porta e as batidas se repetiram. – Rurik está aí?

Rurik o olhava... Esperançoso, talvez? Confuso? Arrependido? O que era esse olhar em sua face? Por que deixou seu interior tão apertado e sofrido?

Niels procurou sua voz. Procurou por força para reagir, por palavras para dizer... Mas havia um grande vazio. Ele olhou para Rurik, contemplando os lábios inchados e vermelhos, o rubor em seu rosto, a desordem dos cabelos. Tão lindo.

Então as palavras de seu pai o atingiram com a força de um aríete, aplacando agressivamente seu desejo: escravos são para usar. São vermes, e assim como tais, devem ser inferiores e tratados como tal. Use-os, são seus brinquedos. Eles devem se satisfazer por serem pisados e abusados. Eles não são humanos. Não me envergonhe, Niels. Você deve ser tão respeitoso quanto seu irmão.

Ele estava confuso. Confuso entre o que desejava e o que lhe havia sido ensinado.

Escravos são para usar.

A satisfação do beijo foi ofuscada pelo nojo de si mesmo.

O que estava fazendo?

Tudo o que Rurik viu foi o nojo. O asco que fez a satisfação se tornar obsoleta. E aquele olhar, como se Rurik fosse errado e sujo... Aquilo o feriu tanto quanto se tivesse lhe dito que o odiava. Ele engoliu aquele nó espinhoso que rasgou sua garganta, cerrando os punhos para que ninguém o visse tremer.

–- Niels? Rurik? – Svan chamava, agora batendo com mais força.

–- Por isso, Niels... – sua voz soou rouca e baixa, mas sabia que Niels o ouvia – Por isso que não digo a verdade para você.

Ele se virou, incapaz de se torturar ainda mais com aquele olhar de desprezo, de arrependimento. Rumou rapidamente para a porta, colocando na face um sorriso que não chegava aos olhos marejados, abrindo-a para que pudesse ver Svan. O líder franziu o cenho em sua habitual carranca, desconfiado. Para seu alívio, Svan nada disse e abriu espaço para que passasse para o corredor.

Rurik precisava de espaço, de distância de Niels.

–- Niels – Svan disse com firmeza irrefutável – Mais tarde quero falar com você – e seus olhos pousaram em Rurik enquanto estendia a mão para fechar a porta e isola-los no corredor.

Por favor, tire-me daqui.

–- Queria falar comigo, chefe?

Por favor, não me deixe permanecer nesse lugar. Está doendo muito.

–- Quero que venha comigo – Svan grunhiu, passando a mão pelo cabelo em um gesto nervoso. Rurik ignorou o motivo de o líder, de repente, parecer desconfortável – Há alguém que quer falar com você.

Ele assentiu com a cabeça e eles se puseram a andar. Rurik havia tomado uma decisão de repente e tentou não se acovardar. A ânsia por estar perto de Niels, por cuidar dele, era grande demais para que suportasse. E isso seria a sua ruína.

–- Chefe – ele disse, dissimulando um tom alegre. Alegria era a última coisa que sentia – Eu gostaria de lhe pedir algo.

Rurik nunca pedira nada a ninguém, portanto, Svan deixou entrever em seu semblante austero o quão desconfiado e surpreso com isso ficou.

–- O quê?

–- Eu quero ir embora com o senhor Skoll quando ele partir.

Continua...

Notas finais
Miky: Obrigada por ler ♥ Até a próxima! Beijinhoos