Phaeleh I

9 Capítulo 9 - Ultimato


Notas iniciais
Ilustreeu: Boa noite, lindos e feios do meu coração ♥ Obrigada por todo esse carinho e comentários (esses reviews titânicos e imensos quase me fazem gritar de emoção. Sério, amo ler isso) e nós vamos responder tudo! Aqui mais um capítulo pra vocês! ♥ Beijos de Mel :*

Capítulo 9

A quatro ou cinco passos curtos e medidos, a dupla de garotos estremecia ao som da floresta ao meio da noite. Eram corujas, um conjunto enorme de grilos e sons que ambos não conseguiam identificar, provavelmente por outros animais noturnos, cujo os mesmos lhe davam mais a impressão de serem os espíritos da floresta clamando por eles.

Rurik não era acostumado a ser tão íntimo de qualquer pessoa, mas ali, enquanto ambos procuravam exessivamente pelo caminho de volta, ele havia aceitado seu novo amigo escravo a se grudar nele.

– Você acha que já passamos por aqui, Mei?

Meine olhou ao redor como se tentando identificar além das trevas onde diabos eles estavam.

– Eu não reconheço este lugar, Ruriku… — Ele enrolou sua lingua ao dizer o nome de seu novo amigo, e o fez rir porque foi engraçado.

Embora eles estivessem caminhando o que se pareceu horas, não havia levado mais do que alguns minutos. Bem, era isso o que Rurik queria acreditar. Ele conhecia toda a floresta ao redor do vilarejo berserker, mas nunca antes durante a noite, e isto fez tão complicado o seu trajeto.

Um flash de luz muito longe, intigou-o a querer seguir aquela direção. Dessa vez não era a luz do fogaréu, mas sim alguma luz muito resplandescente. Pegando na mão de seu amigo Mei, ele o levou naquela direção, acreditando que a luz provisse das lanternas do bairro onde morava. Foi uma esperança.

Porém, conforme eles iam se aproximando, o caminho havia se tornado mais e mais pedregoso, as árvores eram tão extensas e a relva dificultava o caminho, assim como uma série de obstáculos naturais. Se fosse dia, Rurik teria percebido que aquela área da floresta havia sofrido algum impacto ambiental, provavelmente por algum super fenomeno, talvez uma grande tempestade.

Já no vilarejo, havia sido algum tempo desde a última chuva, e até o verão passado, não havia tido qualquer tempestade de tamanha potência, que pudesse haver rasgado alguns troncos ao meio.

Eles atravessaram o caminho de pedregulhos, até uma área mais macia, onde o solo parecia querer ceder á lama coberta por folhagens perdidas.

– Esp… Espere… — Meine estava tão ofegante, acariciando seu próprio peito enquanto se agachou e lutou por ar. — Algo aqui está tão tenso…

– Tenso? — Rurik se preocupou. Ele olhou ao redor, cheirou o aroma úmido de floresta, porém nada anormal. — Não sinto nada estranho aqui.

– Mas… — Os olhos de Meine o fitaram, e Rurik viu algo que o fez arregalar os seus próprios. Logo atrás de Meine estava uma longa e alta estaca. Acima dela haviam três placas gastas de madeira em forma de setas, indicando três lugares diferentes.

– Não posso crer… — Rurik empalideu se alguém pudesse enxergar o seu rosto no escuro. — Que nós chegamos até aqui.

Meine se levantou e olhou para trás fitando a estaca. — O que é isso?

– Esta é a marcação de que estamos pisando sobre a fronteira de quatro territórios… O que quer dizer que estamos correndo quatro vezes mais perigo…

– Perigo? — Imediatamente Meine passou a tremer, sentindo tanto frio quanto antes, clamando aos deuses por um casaco de pele. — Por que?

– Aqui é ponto onde se inicia as linhas que dividem nossas de terras de mais três outras espécies. Nossas terras são quase de mesma extensão das outras, embora nosso vilarejo seja menor que os reinos elficos, pelo grande espaço florestal. — Rurik sorriu tristemente. — Se alguém nos descobrisse aqui, poderia ser inicio de uma guerra. Os lideres são muito explosivos.

Meine assentiu com cuidado. Isso explicava a sensação medonha que havia dentro dele, não era apenas todo o medo do perigo ou o desespero. Mas havia um ar pesado, do qual estava fazendo Meine sentir-se sufocado a cada minuto.

– Ruriku… Nós temos de sair daqui… — Alertou ele tomando um dos braços de Rurik e lhe implorando. — Nós temos que voltar.

– Eu sei… Eu sei… Mas para que lado nós iremos? Nós fomos em direção ao vilarejo e acabamos totalmente no caminho contrário. E se nós voltarmos e no fim das contas nos aprofundarmos no reino vizinho? Poderíamos ser mortos! — Disse ele batendo os dentes, realmente estava ficando cada vez mais frio.

– Não seria melhor nós ficarmos aqui esperando escondidos até amanhã…? Talvez de dia seja mais fácil voltarmos! — Foi a ideia de Meine.

Rurik ponderou e engoliu em seco.

– Você tem razão… Nó-Nó-Nó… — Ele enrolou-se completamente quando dessa vez o que estava atrás de Meine era um homem ao invés de um poste. O mesmo tomou Meine pelo braço e o puxou para próximo. Outros dois rapazes realmente altos e elegantes apareceram logo em seguida surgindo detrás das árvores. — E-Elfos!

– Elfos! — Meine gritou de medo. Mas de repente sua expressão aterrorizada foi transformada em uma expressão de curiosidade. — Oh por Odin! Elfos!

– Grande coisa nós sermos elfos… Vocês nunca viram na vida um? — O cara mais alto, mais forte deles, cujo mesmo era o que segurava Meine, falou. Quanto a Rurik, este estava encurralado entre dois altos elfos.

– E-Eu pensava que elfos fossem pequenos! — Rurik sibilou, assistindo com horror enquanto o que estava a sua esquerda se inclinou e aproximou de seu rosto. — Ei!

– Ele não é um berserker, não tem corpo para isso ou qualquer aura que demonstre ser um. É um mero humano.

– Aske, não o assuste. — Disse o maior deles. — Eu sou Oleg. — Apresentou-se com um sorriso brilhante. — Estamos a espreita de nossa linha de fronteira a procura de alguém. Mas vocês deram sorte, pois não somos elfos das trevas.

– Ufa… — Rurik sentiu-se aliviado. — Vocês não irão matar a gente?

– Apenas vigiando. A propósito, eu sou Thrym. — Disse aquele que estava a direita de Rurik, este era um homem magro, alto, cabelos loiros e espetados. Foi entãoo que Rurik reparando neles, percebeu que era exatamente como diziam, elfos possuíam uma beleza colossal.

Meine foi soltou e massageou seu próprio braço, enquanto olhava Oleg com curiosidade. — Vocês não são maus, eu sei.

O homem olhou-o e notou aquela toca esquisita que o garoto usava. Ele até aproximou sua mão para pegá-la por algum afim desconhecido, porém Rurik tomou Meine em um puxão.

– Obrigado amigos! Er… Bem… Vocês poderiam me indicar que caminho devo pegar para voltar aos Berserkers?

Os três elfos fungaram em uma careta, e Aske apontou para o poste. — As setas estão meio apagadas, mas é só seguir essa direção reto. — Ele apontou com o braço para a direção correta.

– Oh, obrigado! — Rurik sentiu-se alegre que eles não eram homens ruins, e embora os olhos de ambos não estivessem em si, estavam por algum motivo em Meine. Oleg principalmente parecia ter uma longa desconfiança. — Nós iremos voltar, até nunca!

E ele correu. Correu o máximo que seus pés permitiam, ou melhor dizendo, o maximo que Meine poderia correr sem tropeçar. Não fora tão longe como poderiam, porém Rurik sentiu-se meio fora de perigo.

O que eles estavam vendo tanto em Meine? Seriam eles interessados no garoto?

Oleg assistiu as duas crianças correrem à direção do clã de Svan.

– Muito suspeito, não acham? — Perguntou de braços cruzados. Seus músculos saltando no ato.

– Principalmente o de touca. Haviam algo nele… — Thrym era o que tinha a voz engraçada. — Algo profundamente acalentador…

– Ele pode ser um elfo. — Aske jogou sua suposição. — Dizemos à Darius?

– Mas é claro, só não me caiu bem essa história de “terem se perdido”. — Oleg voltou pelo seu caminho em direção ao Reino dos Elfos de luz, ele e seus amigos estavam prestes a um relato que poderia intrigar muito o Líder deles, Darius.

–*-*-

Svan se sentou sobre o tronco longe de onde acontecia a festa. Ele sabia bem que estava sozinho naquele local, do qual poderia respirar um pouco.

As mulheres tinham caído sobre ele como loucas, e ele detestava ter de adimitir, mas isso de nada lhe excitava. Ele tinha tomado muitas delas em sua cama anos antes, até um certo tempo em que ficou praticamente casto quando o trabalho foi dificil e eventos como este raros. Isso era uma pequena porcentagem que explicava do qual eles não tinham tido tantas crianças ultimamente.

De repente ele escutou passos e enrijeceu. Será que ninguém nesse lugar sabia o que era dar privacidade ao líder?

Ele não esperava que quem fosse, seria uma bela e esperta moça, se aproximando, com suas vestes curtas, seu cabelo solto e todo o charme para ser usado.

Svan odiava ter que ignorar alguém, e embora esta moça — Horja como todos a chamavam — parecia muito interessada nele. Ele não poderia simplesmente deixar ela falar sozinha.

– Líder... — Disse ela quando se aproximou e sentou-se ao tronco próximo dele. Seu corpo lado a lado, encostado com certa insinuação. — Não sabia que costumava ser tímido em festas.

O que era um fato. Ele não era tímido, mas ele tinha de admitir, não tinha a mínima vontade de se divertir, muito menos conseguir alguma parceira ou quem sabe um parceiro para diversão.

Horja era uma jovem mulher ruiva, de longos cabelos ondulados e olhos esverdeados. Ela era solteira e descendente viking, por isso, como as mulheres berserkers, possuía uma força descomunal, completamente superior a simples mulheres humanas.

Svan não queria... Ele não queria nada com ela...

– Não é que eu seja tímido, Horja. Apenas estava querendo algum momento de privacidade...

E não é que Horja se aproximou perigosamente, seus seios fartos balançaram, onde os reflexos de Svan o fizera olhar diretamente no vasto decote da mulher.

– Não me diga que não tem pensado em se divertir... — Disse ela, arrastadamente. — Faz quanto tempo desde que nos temos visto, Líder? Não me diga que irá negar a oportunidade perfeita que é hoje?

E mesmo que Svan olhasse para os seios da mulher, sua mente vagou por um peito liso, embora não fosse tão magro. Mamílos de cor tão rosa que pareciam morangos, de tão inchadinhos e macios que eram.

E os lábios não eram como estes à sua frente, eram menores, porém rosados diante de uma pele tão branca quanto a neve.

A pele de um albino.

Svan se levantou e limpou suas vestes.

– Obrigado pelo convite, Horja. Mas eu não tenho sentido falta ultimamente, desde que tenho meu próprio escravo esperando em casa. Espero que não se importe. — Disse ele indiferente e a mulher engoliu em seco, franzindo a testa. — Apenas criei esta festa com o intuíto de outros se divertirem. Tenha uma boa noite. — E ele simplesmente abandonou o local e caminhou solitáriamente.

Deveria ele voltar para casa?

Uma pontada atravessou o seu peito quando Svan percebeu qual erro havia cometido. Ele não sabia exatamente se havia sido um erro na verdade, mas que o fez sentir-se mal, o fez.

Meine estava em casa, solitário, provavelmente esperando por ele, entediado, chateado porque não poderia sair, e provavelmente com fome e frio.

Com aquilo em mente, Svan caminhou mais rápido, tão despercebido como raramente havia sido. Já planejando que desta vez ele utilizaria Meine. Não compreendia a si mesmo como esteve poupando o garoto estes dias todos. Ele poderia fazer o que quiser com ele, mas seu coração estava falando mais alto por ele agora, julgando seus pensamentos, o seu raciocínio de forma que ele não quisesse machucar o pequeno elfo.

Um elfo... Ele poderia ter relações com um elfo? Óbvio. Como ele pode duvidar de algo assim, mas... Haveria consequências? Ele não era um escravo comum, ele tinha a magia, ele tinha o poder elfico em suas mãos, mas não sabia disso. Meine mal tinha tido ideia do que ele realmente era. Considerava sublime o fato de que em seu antigo vilarejo, ninguém descobrisse que ele era um elfo. As orelhas eram óbvias, exceto que fosse ele um fae.

O líder nórdico sentiu o aroma do ar diferir com o vento, lhe indicando quem estava lhe seguindo. Ele só não esperava ser tão ágil, que Niels o agarrasse por trás em um susto, quase o levando a se desequilibrar.

– Você, idiota! — Grunhiu o Líder. — Já lhe disse para parar de testar os meus reflexos desse jeito.

– Mas é tão legal... — Resmungou e então soluçou. Ele ainda tinha uma caneca de meia cerveja.

– Você está bêbado. — Svan sorriu em deboche. Niels soluçou de novo e terminou com sua cerveja em um único gole.

– Você mal bebeu, irmão. — Niels jogou a caneca em qualquer lugar e envolveu os ombros de seu irmão. — E então... O que acha de nos divertirmos essa noite, huh? — Perguntou com um piscar de olhos.

Svan suspirou. — Pensei que fosse se divertir com as garotas...

– Nah... Que garotas o quê! — Niels soluçou de novo. — Eu estou desejando desde ontem que você realize o que me prometeu!

– Que eu prometi? — Svan ergueu uma sobrancelha.

– Sim! Não se lembra?! Que iria me deixar brincar junto com você e o pequeno albino lindo... — Niels olhou para o céu sonhador.

O queixo de Svan caiu. Ele tinha mesmo prometido a seu irmão uma coisa dessas?

Sim, ele prometeu.

– Hein...? Hein...? — Niels ficou cutucando os ombros de Svan. — Vamos, diga que sim?

Quando seu irmão bebia, ele era um grandalhão insuportável. Tão infantil que chegava a ser nojento.

– Vamos lá, mas nada de exageros. Apenas faça o que eu permitir ser feito. — Advertiu.

Os lábios de Niels se abriram e curvaram em um sorriso amplo de todos os dentes. Aparentando mais animado que costumava ser. Ele correu a frente e entrou na residência de Svan, gritando por Meine no alto de seus pulmões, aproveitando que a aldeia estivesse parcialmente vazia, desde que ele não sabia quem não havia participado da reunião festiva.

Niels correu para dentro gritando por Meine em alegria, já Svan apenas entrou com calma e cerrou a porta. Ele se assustou quando seu irmão havia voltado do quarto completamente sóbrio, porém em pânico completo.

– Seu escravo!

– O que foi Niels? — Svan franziu suas sobrancelhas pior e a passos rápidos foi ele mesmo verificar.

Silêncio.

Nada de Meine naquele quarto.

– É o que eu estou dizendo... Seu escravo sexual albino fugiu! — Niels parecia apenas em desespero, enquanto Svan foi vasculhar cada canto. Debaixo da cama, atrás das cortinas. Verificando se as coisas de Meine ainda estavam ali...Estavam. Então...?

– Ele não fugiu. Ele teria sido mais esperto se fizesse. Teria levado ao menos um dos casacos, mas o meu guarda-roupa está intacto. A cômoda também.

Niels torceu os lábios, coçando seu queixo picando. — Se é assim...

Svan e seu irmão fizeram uma pequena busca de má vontade pelo resto da casa. Svan cada vez mais nervoso. Seria Meine ido a festa? Não. Ele sabia cada ser que tinha estado em torno daquele fogaréu. Poderia Meine então apenas ter saído para uma caminhada?

A dupla congelou no mesmo momento em que ambos ouviram risos do lado de fora da residência principal. Svan torceu as sobrancelhas assim como seu irmão. Ainda era cedo demais para os casais voltarem para suas casas arranjados.

–*-*-

Meine subiu as escadas principais pulando degrau por degrau.

– É estranho ver esse lugar vazio, não é? — Rurik subiu junto com ele.

– Eu gosto de quando é animado e as pessoas gritam. — Meine admitiu. — Eu gosto das crianças também. Embora ter de ficar trancado naquele quarto me privou de ver muita coisa esses dias. — Olhou triste.

Rurik olhou-o com pena e jogou suas mãos sobre os ombros pequenos de seu novo amigo. Já sentia-se tão intimo dele mesmo o conhecendo em tão pouco tempo.

– Converse com o líder, diga a ele o que você quer. Ele não é um homem mau, vai pensar em você.

Meine torceu as sobrancelhas brancas.

– Ele não pensa em mim... Ele sequer lembra de mim. — Meine fungou. — Ele fez uma festa e provavelmente deve estar se divertindo agora... Enquanto tinha me deixado sozinho naquele quarto...

Rurik suspirou.

– É difícil, eu sei. Eu também sou um escravo, é normal que eles nos vejam como animais... Bem, acho que animais recebem um cafuné de vez em quando e galinhas são abraçadas, mas eu... — Ele não tinha exatamente do que reclamar depois de seu passado incrédulo, onde ele havia sofrido tanto abuso que não poderia contar em uma carreira de cem.

– Você é tão legal Rurik... — Meine olhou de baixo de seus cílios espessos.

– Legal? — O pequeno escravo corou e então sorriu tímido. — Apenas vá por mim, sua vida não é tão ruim assim. Aproveite aquilo que lhe fizer bem. Mas se ele machucar você, não hesite em me dizer que chutarei o traseiro daquele Líder metido! — Rurik disse com determinação, o que fez Meine rir aquela gargalhada infantil e boba que estava começando a conquistar o pequeno ruivo.

Ele passou a pensar diferente sobre este menino louro. Não era como as pessoas costumavam dizer sobre ele. Um egoísta metido, que se aproveitava do Líder e zombava das outras escravas porque ele não tinha que trabalhar e ainda poderia dormir na cama do Líder.

Meine era meigo, doce e um risonho.

– Chutar o traseiro de quem?

Rurik congelou, assim como Meine parou de rir no mesmo momento, olhando para cima e caindo para trás em sua poupança.

– Su-Suvan? — Meine choramingou para Rurik quando viu que estava ferrado.

Rurik estava petrificado.

– Meine, vamos para dentro. — Svan ordenou altivo. — Quanto a você... Niels vai cuidar de você. — Apontou para Rurik que tremeu. Ele não soube se foi por medo desse "cuidar" ou por que era Niels que viria por ele.

Meine gritou quando Svan agarrou seu braço e o arrastou todo o corredor com ele, até seu quarto e fechou a porta. Seu agarre mudou para os ombros de Meine e o recostou contra a porta em um baque duro.

– Va-Van... — Meine estava tremendo. Ele nunca antes havia visto Svan tão nervoso como agora. O Berserker estava vermelho de raiva e seus punhos estavam lhe machucando o que provavelmente viria a se tornar hematomas mais tarde.

– Seu... Seu escravo inútil! — Svan vociferou contra Meine. — O que diabos fazia lá fora? Onde você tinha ido? Sabe o que merda eu tenho suportado por sua causa?

Meine apenas baixou o olhar quando as lágrimas se agrupava em seus olhos. Ele não queria ser uma menininha agora, chorando tão fácil. Mas a forma como Svan estava lhe tratando com tanta brutalidade estava realmente machucando-o.

– Como se você se importasse! — Meine jogou contra ele. — Eu vi muito bem a festa que você deu... Tão... Tão sem pudor... E você provavelmente estava com uma delas, enquanto me mantém trancado nesta prisão! — Meine empurrou o peito de Svan, mas de nada adiantava com o quão duro era o homem. Ele mal se movia com seus ataques.

– Eu não posso crer... Você foi até lá?

Meine se encolheu, e as lágrimas finalmente venceram.

– Você é mal Svan... — Ele esfregava seus olhos, então Svan se afastou. — E-Eu me perdi... Então Ruriku me achou e... Ele me ajudou a voltar a salvo. Nós até encontramos... — Ele olhou direto para os olhos de Svan, e o homem pareceu ver além do que havia nos olhos de Meine.

– Você viu elfos?

Meine assentiu. Seu semblante de medo foi substituído por um olhar de esperança.

Svan havia se acalmado tão rápido que ele mesmo ficou surpreso. Sentou-se a cama e delicadamente tomou uma das mãos de Meine o puxou para o seu colo, onde Meine sentou-se hesitante.

– Eles foram maus com você?

Meine se virou para ele em seu colo e balançou a cabeça. Ele deixou que um pequeno sorriso timido repuxasse seus lábios.

– Não! Eles... Eles eram diferentes... Eram como Wray, só que mais altos e mais fortes que ele.

– Como Wray? — Svan ergueu as sobrancelhas e olhou divertido.

– Eram três deles... Eu e Ruriku nos perdemos e chegamos até a fronteira. Eles estavam vigiando... Então nos mostrou o caminho de volta.

Svan olhou em Meine por um longo tempo sem dizer nada.

O que era isso de repente...? Ele se lembrava do quão nervoso tinha arrastado Meine para o quarto. E agora simplesmente havia abrandado e estava calmo novamente.

Svan não era tranquilo. Podia contar quantas vezes nos dedos de uma mão alguém conseguira arrefecer sua agressividade. E como líder de um clã de Berserkers, ele era ainda mais irascível que os outros. Entretanto, ali estava a pequena coisa pálida lhe amainando apenas com o som de sua voz.

O quão absurdo tudo isso era?

Ele olhou atentamente para seu escravo, notando o quanto seus ombros pareciam caídos pelo cansaço. Mas o que ele nunca esperou que fosse acontecer foi sentir... satisfação... e diversão... por ver Meine em uma roupa de monge e uma ridícula touca de lã.

Svan quase riu. Sentiu uma fisgada nas comissuras dos lábios e notou que um meio sorriso se insinuava em sua expressão. Quem quer o disfarçara possuía um terrível mau-gosto.

– Eu lhe disse para não sair de casa. – disse Svan em um tom baixo e suave. Desejando se livrar da peça horrenda, puxou a touca da cabeça de Meine e a arremessou em qualquer parte desinteressante do piso. Meine arregalou os olhos quando seus lisos cabelos alvos caíram em torno de seu rosto bem desenhado. Ele se levantou do colo de Svan com o medo exalando por seus poros.

Svan uniu as sobrancelhas, aborrecido com aquela reação.

Por que Meine o estava temendo? Nunca lhe dera motivos para temê-lo.

– Não posso ficar preso aqui – disse, olhando-o com desconfiança.

Svan se ergueu, intimidando-o com todo o seu porte físico.

– Não importa se pode. Você vai. Eu sou o Líder – inflou o peito de orgulho – Eu mando.

– Suvan! – Meine elevou a voz em protesto.

Por que aquilo parecia tão importante para ele?

A irritação de Svan estava retornando, mas... Não era tão intensa como de costume. O que havia de errado com ele, afinal?

– Olhe – passou a palma pelo rosto, logo jogando as mechas de cabelo para trás sobre a cabeça – Não posso discutir isso com você. – ele estava sendo paciente! Pelos deuses, estava sendo paciente! O que Meine fizera com ele em tão pouco tempo? – É assunto do clã – e sua voz, inclusive, era um grunhido quase gentil! – Apenas confie em mim. Não é seguro.

Meine cruzou os braços diante do corpo, arqueando uma sobrancelha. A vestimenta caberia três Meines tranquilamente, talvez até um quarto. Svan esperou que o diminuto fosse discutir e fazer valer seu ponto de vista, mas, antes que Svan se preparasse para um debate verbal, e nem sabia por que cogitava discutir ao invés de ordenar e fim de papo, Meine suspirou e descruzou os braços, lançando-lhe um olhar tão sábio que parecia lhe acrescentar cem mil anos de idade ao invés dos parcos dezenove.

– Não saí por rebeldia – retrucou – Eu realmente precisava.

Svan estreitou os olhos e agora fora sua vez de cruzar os braços.

– O que quer dizer?

Ele deu de ombros.

– Coisa de elfo. – como se isso explicasse tudo.

Svan resolveu que tratariam do assunto em outro momento.

– Meine – disse duramente – Aqui.

A contragosto, seu escravo marchou em sua direção, até se colocar entre seus joelhos. Svan amaldiçoou aquele hábito, que deixava Meine como uma vareta dentro de um saco de lã. Irritado, segurou a bata e começou a erguê-la, saboreando a vista das canelas bem torneadas de Meine, logo as coxas macias e firmes, então o membro adormecido – planejava mudar isso em alguns segundos – o ventre plano, o tórax magro... Deteve-se brevemente para contemplar os mamilos rosados e então...

A pele sempre alva de Meine estava arranhada e avermelhada, totalmente irritada. Svan franziu profundamente o cenho, pressionando os lábios com força. Meine ergueu os braços para facilitar seu trabalho e Svan arrancou a triste vestimenta de seu corpo, jogando a porcaria pela janela com ódio.

– Van! – Meine protestou, as bochechas coradas – Era a única coisa que eu tinha para vestir!

– Vou arranjar algo para você – rosnou entre dentes. – Por que estava usando aquela merda?

Meine não se alterou ante seu temperamento, o que o surpreendeu.

– Minhas roupas são as únicas daqui que são brancas. Alguém deixou aqui e eu vesti para não chamar atenção.

Svan balançou a cabeça, incomodado. Quando mandara a Hilda que providenciasse roupas para Meine, não lhe dissera para arranjar um conjunto absurdo de hábitos de monges.

– Vou resolver isso.

– Agora?

A surpresa de Meine o agradou. Com um meio-sorriso indecifrável, Svan segurou a cintura de Meine e o puxou bruscamente para si, chocando peito com peito. Olhou dentro dos olhos da diminuta criatura, satisfeito por não vê-lo titubear ou se acovardar.

Bom.

Aproximou a boca do ouvido de Meine, lambendo em forma de U o contorno da orelha pontuda. Seu escravo estremeceu, levando as mãos aos seus ombros, os dedos agarrando-se nele como se quisessem tanto o toque quanto uma forma de sustento.

– Sabe por que não estive com ninguém hoje? – sussurrou, a voz grave e rouca. Sugou entre os lábios quentes o lóbulo da orelha. Meine soltou o ar pesado pela boca.

– Não – disse, sua própria voz alterada. Mais rouca. Ah, aquilo foi tão malditamente excitante...

– Quer saber por que?

Meine inalou fundo quando a língua de Svan acariciou no ponto atrás da orelha.

– Diga.

Svan mordeu a ponta afilada da orelha. Então, fez uma carícia com o nariz, inspirando o aroma irresistível do elfo, para logo afastar o rosto e segurar a face de Meine entre as mãos, encontrando seu olhar.

Pelos deuses. Queria comê-lo, devorá-lo, possuí-lo... Queria coisas que nem mesmo o nome sabia.

– Porque – aqueles olhos escuros o hipnotizavam, tragando-o para suas misteriosas profundezas. – eu tinha alguém melhor me esperando em casa.

Ele se aproximou devagar de Meine, os olhos descendo de suas íris escuras para os lábios rosados e convidativos...

Merda!

O que estava pensando? Ele não beijava ninguém, menos ainda escravos!

Sua hesitação, apesar de ter-lhe feito perder um glorioso beijo, também foi vantajosa, pois foi capaz de ver a mudança na expressão do elfo – o arquear das claríssimas sobrancelhas, o rubor nas bochechas, o entreabrir dos belos lábios. Havia surpresa e admiração na forma como fitava Svan, como se visse uma pessoa incrível.

E Svan sentiu um aperto assustadoramente doloroso no peito.

– Suvan... – Meine sorriu, revelando as mais belas covinhas que já vira, derretendo seu coração para um sentimento... Um sentimento de posse e de entrega que ele não queria pensar a respeito e menos ainda desejava admitir ou permitir que florescesse. Mas quando as mãos de Meine saíram de seus ombros e pousaram em suas bochechas, como se o temível Berserker fosse alguém meigo, ele se sentiu totalmente paralisado e rendido ante Meine. – Obrigado.

Meine se esticou para ele e, antes que pudesse se dar conta, Svan teve a estranha e aterradora sensação do rosto esquentando pelo enrubescimento quando os lábios do garoto pressionaram os seus.

E ele sentiu – foi uma explosão de sensações inebriantes: choque, medo, nervosismo, prazer, desejo, carinho...

Merda.

Meine tinha lábios macios e quentes, que o tentavam. E tão logo o acariciaram, logo partiram.

– O que está fazendo? – perguntou, pestanejando em perplexidade.

O rosto de Meine estava vermelho.

– Eu... Foi... Eu... Bom... Desculpe – murmurou, nervoso – Eu quis fazer isso, mas...

Svan franziu o cenho.

Então seu garotinho o desejava tanto quanto ele o queria, hein?

– Meine – disse com dureza. Meine se retesou.

– Sim?

– Hoje você não me escapa.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá queridos *-* Espero que tenham gostado do capítulo... Quase não posto hoje, estou doente, mas me esforcei ao máximo para revisar e postar... Espero que gostem! Obrigada por ler ♥ Até o próximo domingo!