Phaeleh I
10 Capítulo 10 - Decepção
Notas iniciais
Capítulo 10 ~
Meine engoliu em seco quando notou o brilho lascivo nos olhos de Svan, deixando-os mais verdes que cinzentos. Svan deslizou uma mão que estava em seu rosto por seu cabelo, até tomar sua nuca, embrenhando os dedos nas mechas e segurando-as pela raiz com firmeza, tombando sua cabeça levemente para trás.
Seu coração se acelerou, tanto pela expectativa quanto pelo medo que fariam a seguir. Cenas pintadas nas páginas do livro que Wray lhe dera preencheram sua mente, mas, ao invés de personagens com traços quaisquer, viu Svan e a si mesmo – em muitas das variadas posições criativas. Isso foi o bastante para excita-lo e constrangê-lo ao mesmo tempo.
Sentia como se Svan pudesse ler sua mente. Ah, depravada mente!
Com as pálpebras pesadas, viu os olhos semicerrados de Svan quando seus olhares se encontraram. Então, a boca quente e úmida tocou sua garganta exposta, os dentes arranhando suavemente a pele.
– Toque-me, Meine.
Ele não precisava pedir.
Meine, com dedos trêmulos, acariciou os cabelos cor de trigo do berserker, arranhando o couro cabeludo. Svan grunhiu prazenteiramente e Meine nunca pensou no quanto poderia se sentir satisfeito por ter feito algo que o agradasse. Aferrou-se ao musculoso guerreiro, sentindo a cercania cálida de seu corpo. Svan sugou a pele de sua garganta entre os lábios e o menino não foi capaz de engolir o gemido baixo de prazer que lhe escapou quando a língua quente fez seu trabalho no processo de chupar e lamber ao mesmo tempo.
– Svan – suspirou e gemeu.
O berserker usou a mão que não lhe prendia os cabelos com maestria, deslizando os dedos por seu pescoço, pelo braço. Seguindo pelo peito. O indicador e o polegar seguraram um mamilo. Meine arregalou os olhos, baixando o rosto abruptamente a tempo de ver a reação de seu corpo ante o toque inesperado. Gemeu involuntariamente quando o indicador pressionou a ponta, esfregando-a de lado a outro. Subitamente, sua respiração se acelerou.
Fechou os olhos quando a pressão no ventre retornou, fazendo surgir uma estranha necessidade de tocar um ponto lá embaixo, entre suas pernas, que pulsava como se pedisse atenção. Suspirou com dificuldade quando Svan paralisou. Hesitante, ergueu as pesadas pálpebras. A letargia que o abordava não era dolorosa, mas bastante prazerosa.
– Não feche os olhos – rosnou Svan, a voz mais cavernosa e retumbante que de costume. Meine gostou daquele timbre poderoso e grave. – Veja, Meine.
Svan se curvou em sua direção e beijou o mamilo intumescido. Meine entreabriu os lábios quando a ponta da língua de Svan apareceu.
Ele queria que visse...
Deuses.
Meine agarrou os cabelos de Svan com força, buscando amparo quando seus joelhos tremeram. A língua, quente e molhada, golpeou o mamilo de lado a outro sobre a ponta. A explosão elétrica que o percorreu foi tão intensa que jurou que iria cair.
Não havia aquilo descrito no livro. Teria perdido alguma página? Estaria em algum capítulo que ainda não lera?
Svan foi implacável em seu assedio, atingindo o mamilo repetidas vezes, molhando-o e excitando-o, até toma-lo completamente na boca, sugando-o e continuando o ataque no interior quente da cavidade bocal. Meine o puxou mais para si como se fosse possível. Sem total ciência do que fazia, montou em uma perna de Svan, incapaz de permanecer de pé.
Por que ninguém nunca lhe disse que aquilo era tão gostoso?
Ele curvou as costas para trás, levando Svan consigo para que pudesse sentir ainda melhor a forma como os lábios e a língua o tocavam, sugando e atingindo ao mesmo tempo, agora para cima e para baixo. Meine gemeu em um suspiro quando Svan grunhiu, aumentando a velocidade de sua ação. A força da sucção o estava enlouquecendo.
Seus quadris se moveram por vontade própria, ondulando sobre a perna musculosa abaixo de si.
– Van – ronronou. Svan ergueu os olhos para os dele enquanto o chupava e uma estranha conexão se estabeleceu naquele momento. Meine se sentiu extremamente ligado a ele, não fisicamente, mas... Não. Não podia se aprofundar naquele pensamento, não enquanto fosse um escravo. – Van.
A boca do berserker se abriu, afastando-se enquanto a língua se esticava para permanecer tocando o mamilo. Então, Svan ergueu a cabeça, puxando Meine para si.
– Quero você na cama agora.
Meine negou com a cabeça e Svan arqueou uma sobrancelha. Meine se ergueu sobre as pernas de Svan, colocando-se de pé. Com mãos que tremiam e suavam muito, espalmou o peito de Svan, notando sob as palmas como tudo nele era duro. Os músculos firmes, férreos, como uma armadura. Cada parte do corpo do guerreiro exalava força e virilidade, como se Svan tivesse sido forjado pelos deuses para ser tanto um exímio soldado quanto um implacável amante.
Meine se sentia intrigado e extremamente curioso a respeito das reações que aquele corpo, aquela pessoa, causavam em seu cerne. Ele nunca havia se sentido daquela forma – o coração galopando no peito, a respiração pesada e difícil, a necessidade premente de gemer e suspirar sem ter controle sobre isso. O desejo de tocar e ser tocado.
Ele estava curioso. Queria fazer Svan reagir como ele, mas não sabia até que ponto era algo exclusivo para elfos ou se todos se sentiam da mesma forma com aquelas carícias mais ousadas. Então, aproveitando que Svan estava lhe permitindo toca-lo como queria, deslizou as mãos pelo peito amplo, até esfregar a protuberância de seus mamilos, vendo-os eriçar aos poucos, à medida que os acariciava. Svan grunhiu e o som fez seu peito vibrar.
Meine ergueu o rosto para fitar o berserker, encantado com a expressão de prazer que o tomava. Olhando dentro daqueles olhos verdes, observou cada nuance de emoção em sua face, cada reação involuntária em resposta aos seus toques. Desceu as mãos pelo tórax rígido, sentindo as protuberâncias dos músculos desenvolvidos, seguindo pele ventre, que se retesou quando acariciado.
Entretanto, Svan segurou seu pulso, detendo-o. Meine o olhou com confusão e constrangimento.
– Espere – grunhiu entre dentes, inalando profundamente.
– Por quê?
Svan soltou o ar com força pela boca. Foi quando Meine notou ranhuras douradas em torno das pupilas estranhamente contraídas. Os olhos de Svan parecia mais ambarinos do que verdes naquele momento.
O que era isso?
Svan negou com a cabeça. Ele se levantou da cama, forçando Meine a recuar para lhe dar espaço. Cada polegada dele era grande e dura, em total contraste com Meine, que era pequeno e não tão... Intimidante. Na verdade, Meine não conseguia se ver tão imponente quanto o berserker.
Viu Svan retirar a calça, expondo o membro rijo e ereto, que apontava para o alto como um dedo acusador de sua excitação.
Um dedo gigantesco.
Então, as coxas grossas e fortes foram exibidas. Meine mordeu o lábio inferior. Sua curiosidade crescia a cada segundo no qual observava e pensava no que vira no livro. Queria experimentar muitas coisas, mas também temia fazer algo errado. Não possuía coragem o bastante para fazer certas perguntas que lhe embotavam o pensamento no momento. Ele não era experiente e não possuía a mais ínfima autoconfiança quando se tratava dos prazeres da carne.
Antes, a ideia de ter intimidades com Svan era tanto um motivo de temor quanto de expectativa. Mas agora... Agora ele queria isso. Queria descobrir as sensações.
Quando Svan esteve completamente nu diante de si, Meine tentou engolir a vergonha que o abordava. Ambos eram homens e possuíam os mesmos membros, mas... Eram diferentes. Muito, muito diferentes. Mesmo o tom da pele não era o mesmo. Svan era dourado pelo sol, enquanto ele era pálido. Svan era imenso, enquanto ele era pequeno.
E Svan tinha experiência.
O berserker estendeu a mão para ele.
– Venha aqui, Meine.
O timbre carregado de sua voz era um potente afrodisíaco. Hipnotizado, Meine colocou a mão na dele, permitindo-se ser puxado de encontro a peito forte e musculoso que outrora estivera tocando. A ereção do berserker pulsava contra seu estômago.
– Suvan...
Svan negou com a cabeça.
– Por Odin, garoto! – grunhiu – Se não consegue pronunciar, chame apenas de Van.
Meine riu.
– Me desculpe. O sotaque de vocês é muito difícil para mim.
Svan beijou sua bochecha.
– Posso lhe ensinar depois como falar algumas palavras em minha língua.
Deuses, seu sussurro vibrava contra sua pele. Meine apenas aquiesceu com a cabeça. Svan o guiou para a cama, deitando-o sobre o colchão. Cobriu-o com seu corpo, agigantando-se sobre ele. Afastou as mechas brancas de seu rosto.
Se Meine não conhecesse Svan, diria que o berserker nutria um pouco de carinho por ele.
– Quais palavras?
O sorriso que Svan lhe dedicou era quase sardônico.
– Saberá depois.
Com um joelho, ele lhe apartou as pernas, colocando-se entre as coxas alvas do elfo.
– Van...
– Relaxe, Meine. Diga se algo incomodar ou doer.
Meine franziu as sobrancelhas em uma carranca que rivalizava com a sua.
– Doer? – falou em um tom duro e questionador. Ninguém lhe dissera que doía. Até o momento, estava tudo muito gostoso. O que doeria? – Do que está falando?
Pela primeira vez, viu Svan parecer um tanto quanto desconcertado. Ele se ajoelhou entre as pernas abertas de Meine e passou a mão pelo cabelo em um gesto nervoso.
– Bom – foi tudo o que disse por um momento – Você sabe...
– Não sei de nada.
Svan uniu as sobrancelhas.
– Nada? Absolutamente nada? – o olhar de Meine lhe serviu como resposta – Eu... Merda – suspirou, meneando o cabelo outra vez – Vamos com calma, está bem? Diga-me se gostar ou não do que faço.
Ele nunca havia visto Svan tão paciente e gentil. Aquele era mesmo Svan?
Svan se debruçou sobre ele outra vez.
Sabia que a primeira vez das mulheres doía, mas ele não era uma moça. Era um rapaz. Então... Como aquilo funcionava?
Seus pensamentos se esfumaçaram quando a boca de Svan plantou um beijo molhado em seu estômago. Ele se apoiava em um cotovelo e usava a mão livre para apertar a coxa de Meine, imprimindo em sua pele a marca avermelhada dos dedos grandes. Deslizou os dedos pela pele macia, acariciando, fazendo Meine estremecer. Ofereceu uma trilha de carícias pela parte interna da coxa, subindo muito, muito lentamente, até parar a virilha.
Meine gemeu, agarrando as peles abaixo de si em expectativa.
– Você gosta de ser tocado, Meine?
Svan lambeu a curva de seu pescoço e Meine ronronou em resposta.
– Sim – suspirou.
Svan sentiu uma onda de satisfação preenche-lo naquele momento. Ele subiu as carícias pela lateral da pélvis e o quadril de seu diminuto escravo se elevou instintivamente, arqueando as costas pelo desejo, pela vontade de ser tocado.
Svan sentia o sangue fervendo, concentrando-se no pênis já inchado, que implorava para penetrar a deliciosa entrada do seu escravo. Sua ereção chorava por alívio e ele chegara ao limite. Conter-se pela inexperiência de Meine estava sendo a maior provação de sua vida, mas não queria assustar o garoto. Não quando planejava repetir incontáveis vezes a experiência.
Assim sendo, segurou o membro de Meine, ouvindo-o ofegar baixinho quando seu polegar lhe pressionou a diminuta fenda na glande. Svan se esticou sobre seu parceiro, sentindo a boca seca. Meine se apoiou nos cotovelos, fitando com curiosidade e prazer de cada gesto de Svan, o que serviu para excitá-lo ainda mais. Utilizando a umidade já presente no topo da ereção de Meine, esfregou o polegar naquela região com um pouco de força, em movimentos circulares e rápidos. Meine mordeu o lábio inferior com força, soltando um grunhido que agradou a Svan, principalmente quando viu a cabeça loura cair para trás antes de voltar para frente. Enquanto aumentava a velocidade e a força da fricção de sua carícia na glande de Meine, mordeu seu pescoço, sugando e lambendo a pele macia, deleitando-se com seu sabor.
As reações de Meine o encantavam e o instigavam a continuar. Deitou-se ao seu lado na cama e o puxou o para si, passando a coxa alva por sobre seu quadril, impulsionando-se para frente até esfregar sua ereção na dele. Svan gemeu em uníssono com ele.
Ah, aquilo era tão malditamente bom...
Enterrou o rosto na curva do pescoço do seu parceiro, inalando o aroma natural de sua pele, lambendo-a e chupando-a, ao tempo em que sua mão descia pelo membro de Meine, indo até a base para voltar a subir, esfregando e espalhando a umidade de sua excitação no pênis ereto. Desceu e subiu outra vez, aumentando a fricção, acelerando o atrito, até o quadril de Meine se impulsionarem contra sua palma, buscando desesperadamente alívio.
Svan não conseguia deter seu próprio quadril de imitar os movimentos da penetração, indo para frente e para trás. Seu membro estava a ponto de explodir. E quando sentiu a boca de Meine tomar seu mamilo como ele fizera antes, estimulando com os lábios e a língua, a pressão no ventre ascendeu a uma dor insuportável.
Ele precisava desesperadamente de libertação. Ele precisava com urgência de Meine.
Não viu ou sentiu quando seu escravo se moveu, levando uma trêmula mão ao seu pênis. Mas, quando Meine o tocou, fechando a mão sobre a cabeça do membro latejante... E a língua o lambendo rapidamente enquanto os lábios chupavam o mamilo... Seu prazer explodiu em um jorro intenso de gozo. Os primeiros estremecimentos do orgasmo atingiram os dois ao mesmo tempo, forçando-os a realizar carícias mais rápidas, mais fortes, arrancando o máximo de prazer possível...
E os gemidos de Meine vibrando contra sua pele...
Ah, Odin, Svan estava enlouquecendo.
Ele rosnou de prazer, ofegando. Empurrou Meine de encontro o colchão de bruços. Via que ele estava tão entorpecido pela violenta liberação que ainda estava lutando por recuperar o fôlego. Bom, Svan estava no mesmo estado.
– Meine – grunhiu. Meine não respondeu, mas Svan sabia que tinha sua atenção. Ainda estava desejoso, ainda não fora o bastante para aplacar sua lascívia. Segurando as coxas do elfo, forçou-o a empinar as nádegas, pondo-o de joelhos, com o peito ainda arfante sobre o colchão. Meine inconscientemente cravou os dedos em garras no travesseiro. – Eu quero você, Meine.
Curvou-se para lhe morder o quadril. O rosto do seu parceiro estava rubro, os olhos muito brilhantes.
– Seus olhos estão dourados, Van – ele sussurrou, metade da face deitada sobre o travesseiro.
Svan trincou os dentes. Meine não sabia metade do que ele era capaz de fazer ou do quanto era capaz de mudar quando seu sangue esquentava.
Em geral, Berserkers tomavam apenas outros Berserkers. Os humanos nunca aguentariam a força e a intensidade do acoplamento. Eles eram muito agressivos e dominadores para poder reivindicar humanos. Então, olhando para a fisionomia magra de Meine, temeu se descontrolar e quebrá-lo.
Nunca ouvira falar de um berserker se relacionando com um elfo.
Elfos aguentariam isso?
Ou melhor: Meine aguentaria isso?
Svan se colocou entre os joelhos de Meine, olhando para as nádegas brancas e redondas. Segurou-o pelo quadril, usando os polegares para afagar as nádegas macias.
Ele destruiria Meine?
Respirou fundo para obter o controle de si mesmo, mas ter aquela visão tão sensual do seu escravo esperando que o penetrasse...
– Van?
Aquele tom carinhoso o despedaçou. Meine estava confuso com sua hesitação, isto estava claro.
Svan engoliu em seco. Nunca esteve tão nervoso.
Sentia sua besta interior como uma chama violenta acesa em seu peito. Era como se seu corpo fosse uma jaula para um monstro ainda mais perigoso que ele mesmo. E seu lado mais obscuro – o mesmo que despedaçava os inimigos no campo de batalha, o que se satisfazia com carnificina e com o prazer de sentir sua dominação sobre os outros – vibrava na expectativa de se libertar, de dar vazão ao sangue quente. Todo o seu instinto clamava pelo sexo – um sexo cru, em sua mais nua essência.
Queria se afundar por inteiro na entrada apertada de Meine. Queria penetrá-lo desenfreadamente, sem piedade. Mordê-lo por inteiro e impregnar seu cheiro em sua pele.
Respirou fundo outra vez.
Como poderia se acalmar? Como poderia deter a parte de si que apreciava a agressividade? Não queria machucar Meine, e esse era um desejo inteiramente seu, e não porque Wray lhe pediu para ser cuidadoso.
No momento, não estava pensando em Wray.
Svan se debruçou sobre Meine, espalmando ambas as mãos de cada lado de sua cabeça e enterrando o rosto em seu cabelo macio para que não visse o quanto estava assustado consigo mesmo. E ele nunca teve medo de nada.
Se fosse sincero consigo mesmo, notaria que o acúmulo de estresse o estava enlouquecendo e empurrando-o direto para uma erupção de violência. Com sua excitação descontrolada, com seu desejo por Meine tão intenso...
Sabia que era uma questão de tempo para que o ferisse.
– Van?
Ele estava tão preparado para possuí-lo, e Meine estava completamente entregue...
Por que não conseguia ir adiante? Por que estava com medo de perder o controle? Meine era seu escravo sexual, era seu dever servi-lo como fosse e aguentar o que lhe impusesse. Mas, então, quando via aqueles olhinhos carinhosos, que o acalmavam e acolhiam, sentia-se incapaz de avançar, de correr o risco de matá-lo.
Acreditava ter aprendido a controlar a si mesmo, entretanto, ao que parecia, ainda não domara sua besta por completo. E ela também ansiava por Meine ardentemente.
Svan ergueu o rosto, admirando a face bonita e preocupada do diminuto elfo.
– Você tem medo de mim, Meine?
Ele franziu as sobrancelhas.
– Geralmente não. Mas... Essa posição é um pouco constrangedora.
Deveria ser.
Svan voltou a se ajoelhar. Estendeu a mão para a mesinha ao lado da cama, pegando um vidrinho com óleo. Arrancou a tampa com os dentes e a cuspiu longe. Seu coração estava acelerado e ele sentia dúvidas se devia ou não prosseguir. Um rosnado retumbou em seu peito e, ainda assim, seu parceiro sequer titubeou.
Despejou o óleo abundantemente em sua palma e logo tocou o próprio membro. A carícia em si mesmo foi prazerosa e acendeu ainda mais seu sangue. Quanto mais olhava para Meine, mais excitado se sentia e acariciou-se ainda mais rapidamente, bombeando os quadris para frente e para trás. Sabia que seu parceiro estava se excitando com a visão que tinha pela forma como suas pálpebras pálidas pesavam, semicerrando os olhos, as íris escurecendo.
A combinação da timidez com a curiosidade em Meine era adorável. Instigante.
O prazer se elevava, o pênis inchando, preparando-se para lançar jatos e jatos de gozo. Svan parou, respirando fundo. Despejou mais óleo nos dedos e afagou o traseiro de Meine com uma mão.
– Suvan?
Meine moveu um braço para baixo e Svan se surpreendeu e se excitou ainda mais quando viu seu diminuto elfo tocar a si mesmo, dando-se prazer. Meine gemeu, o que mandou seu autocontrole morrer no inferno. Svan agarrou suas nádegas com ambas as mãos, abrindo-as, dirigindo seu membro túrgido para a entrada de Meine. Ouviu-o gemer e suspirar. Svan retesou o maxilar, inspirando profundamente, entrando o mais lentamente possível, vendo a entrada da intimidade do seu parceiro abrindo minimamente...
Todo o prazer em Meine desapareceu. Esvaiu-se quando uma queimação infernal se iniciou em um ponto íntimo dele que jamais esperou que alguém fosse tocar. Ele não sabia como o sexo entre homens funcionava, e confiara em Svan para guiá-lo, entretanto...
– Van – gemeu, agora não mais apreciando o contato ousado entre eles. Doía. Estava queimando, dilacerando-o por dentro. Era como se Svan o estivesse partindo em quatro partes a partir do ânus – Van, espera...
Ele não sabia se Svan o estava ouvindo, pois continuou enfiando aquela coisa imensa dentro dele, machucando-o terrivelmente. Meine agarrou o travesseiro com força, prendendo a respiração quando o sofrimento se tornou insuportável. Era como se um ferro largo e em brasas o perfurasse por trás, empalando-o sem misericórdia.
– Pare! – gritou com toda a força dos pulmões. Lágrimas se acumulavam nos cantos de seus olhos pela dor incomensurável que o acometia, e ele era incapaz de contê-las. Seu coração se apertou em mágoa. Por que Svan não o ouvia? Por que o estava ignorando? – Pare agora!
Ele tateou a cama em busca do que agarrar, mas não havia nada ofensivo. Apoiando-se nos joelhos, lutou por escapar. Svan era muito mais forte do que ele – um dos motivos para não ter ousado fugir quando chegara ali. Sabia que não era páreo para os berserkers. Agora, estava aterrado ante a perspectiva do inferno colossal a que fora submetido.
Era sobre isso que Wray lhe dissera? Era essa a dor que seu amigo não queria que sentisse por ser tomado por trás com violência como um animal?
As lágrimas deslizaram por sua face para o travesseiro.
– Eu não estou gostando! – ele gritou, debatendo-se debaixo de Svan, tentando se apoiar nas mãos. Engoliu um grito, que saiu como um ofego sufocado quando Svan o puxou pelos quadris, tentando força-lo no lugar. – Largue-me!
Esticou a mão para a mesinha ao lado da cama, buscando desesperadamente algo que pudesse lhe servir de arma. Mal era capaz de respirar e a pouca força física que possuía o havia abandonado.
– Pare!
Svan rosnou.
Os dedos de Meine encontraram uma terrina com água sobre a mesinha. Sem pensar sobre o que fazia, agarrou-a, derramando seu conteúdo enquanto a puxava. Olhando por sobre o ombro, atirou-a com toda a força em Svan. Como se soubesse inconscientemente o que aconteceria, Svan ergueu um braço, defendendo-se. O objeto se estilhaçou, rasgando sua carne. Meine não esperou um segundo sequer. Lançou-se para o outro lado da cama, criando distância entre eles. Assim que se colocou de pé, punhaladas agudas de dor o atingiram e suas pernas falharam, fazendo-o cambalear.
Estava aterrorizado. Muito, muito aterrorizado. Andar doía. Todo o seu corpo parecia fraco e quebrado. Mas a dor maior era uma em seu peito, que ele empurrou para algum recôndito longínquo dentro de si, impedindo-se de pensar a respeito. Queria chorar, gritar e esmurrar Svan, mas temia se aproximar e ser imobilizado outra vez.
Tremendo dos pés à cabeça, olhou para Svan. Ele permanecia ajoelhado sobre a cama, fitando as próprias mãos como se não as reconhecesse, ignorando o sangue que lhe escorria pelo antebraço e pingava do cotovelo para as cobertas. Meine abriu a boca para lhe falar, mas se absteve. Se ficasse quieto, poderia se tornar invisível.
Abriu a arca aos pés da cama, puxando um manto de pele grossa. Seus olhos ardiam pelas lágrimas não derramadas e ele mal conseguia pisar no chão sem trincar os dentes pela dor. Cobriu-se com a pele, encolhendo-se em seu calor.
Todos os escravos passavam por aquilo?
Se tivesse fugido e sido capturado por outro mestre, teria sofrido algo pior?
Mordendo o lábio inferior para não chorar, silenciosamente tropeçou para a porta, saindo do quarto antes de Svan notar sua ausência.
Doeu. Doeu demais. Ainda doía.
–*-*-
Wray bebeu o chá de ervas que Aricin, seu único escravo, preparou antes de ir dormir perto do fogo aceso na lareira da sala. Estava tenso e bastante cansado, portanto, necessitara daquela infusão tranquilizante. Momentos atrás tivera uma de suas crises – estavam cada vez mais intensas e os intervalos entre elas diminuía drasticamente.
Sorveu um gole do fumegante e suave líquido adocicado, buscando paz de espírito.
Sempre soube que deveria ter abandonado sua paixão ridícula de adolescência. Sky não lhe fazia bem. Gostava de mulheres e nunca sequer lhe relanceara um olhar que ultrapassasse a amizade deles. Seu coração sofria pela imagem que queimava suas retinas de Skylar com uma das moças do clã.
Ah, aquilo fora bastante cruel.
Se sua paixão por seu amigo fosse normal, ele teria se declarado sinceramente há muito tempo. Mas sabia que era impossível – ele estava morrendo, muito mais rápido do que esperava, e... Sky não desejava homens. Sempre gostara de mulheres louras.
Suspirou.
Deveria esquecer simplesmente. Não valia a pena permanecer cultivando a pequena sementinha que era sua esperança de que um dia poderia lhe dizer o que estava em seu coração há tanto tempo. Por muitos anos, pensara que imaginar seu futuro feliz e ilusório era o bastante.
Hoje, não pensava assim.
Desde que Meine chegara, seu desejo pela vida havia aumentado. Wray não podia se fixar nesses pensamentos fúteis. Não podia se permitir fraquejar – desde criança, quando chorava escondido todas as noites pelo medo da morte, havia aceitado, de alguma forma, seu destino maldito.
Ele era incompleto e defeituoso, era uma realidade.
Terminou de beber o chá e colocou o caneco de barro sobre a mesa da cozinha. Saiu do recinto, seguindo pela sala. Parou para ver Aricin. O jovem estava deitado no chão em posição fetal, seu cobertor jogado para o lado por sua inquietação. Wray se abaixou e pegou a manta de lã, cobrindo o rapaz até os ombros para que não sentisse.
Não sabia por que sempre fora tão gentil e sentimental. Talvez fosse culpa da doença. Sua maldição o fizera ver o mundo de um novo ângulo e ele queria, mesmo os escravos, que todas as pessoas fossem vistas como... Bom, como pessoas. Não como objetos, como monstros ou... Aberrações defeituosas como ele.
Wray rumou para seu quarto. A casa possuía um andar único, em formato de colmeia, e era espaçosa demais para ele sozinho. O silêncio o incomodava, e não desejava gastar dinheiro comprando escravos, eles eram caros e nem todos eram passivos como Aricin, que nunca se rebelou. Wray o tinha comprado há muitos meses, quando o vira ser açoitado em uma jaula.
Wray tirou as roupas, dobrando-as cuidadosamente e as pondo sobre a arca. Amanhã Aricin lavaria suas vestes. Completamente nu, aproximou-se da tina de cobre atrás do biombo. A água estava fria quando a tocou, mas não se incomodou. Bebera hidromel a noite inteira, até cansar de ser simpático com as pessoas. Não culpava Skylar – seu amigo sequer sabia que era alvo de uma paixão tão boba – mas isso não o impedia de se irritar e se chatear.
Entrou na tina, afundando na água fria.
Não lhe agradava se sentir um flagelo, mas estava cansado demais para pensar a respeito.
Recostou-se na tina, fechando os olhos por um momento.
–*-*-
Wray estremeceu, o coração quase saltando pela boca quando um ruído insistente o despertou. Pestanejando, passou uma mão pelo rosto, levando uns segundos para se acalmar e se sentar. Estava completamente nu e não se incomodou em se vestir. Descalço, caminhou para fora do quarto, seguindo pelo corredor que levava à sala. Aricin estava de pé antes dele, afastando a pele da entrada e vendo quem era. Quando Wray se aproximou, seu escravo se voltou para ele com um olhar confuso, abrindo a boca como se quisesse falar e gesticulando energicamente, tentando transmitir seus pensamentos.
Wray não o compreendeu, mas lhe sorriu para acalma-lo e pousou a mão no alto da cabeleira dourada.
– Tudo bem – murmurou – Vá para a cozinha.
Aricin o obedeceu, correndo para longe da entrada da casa. Ele não falava desde que Wray o comprara e fora um dos motivos para ter sido surrado por seus anteriores donos. Quando ele desapareceu de sua vista, Wray se aproximou do marco da porta e puxou a pesada pele para o lado. Tal qual foi sua surpresa ao ver Svan ali que não pode não erguer as sobrancelhas claras e arregalar os olhos.
O que o chefe fazia ali?
Svan sempre entrava em sua casa sem pedir permissão. Ele podia fazer isso, detinha autoridade para tal. Talvez tivesse esmurrado a parede em busca de seu consentimento porque esperava que Wray estivesse dormindo com alguém naquela noite.
Wray não queria dormir com ninguém.
– Svan – disse, perplexo e confuso – Entre.
Afastou-se, dando espaço para seu inesperado visitante passar. Svan entrou, os pés descalços fazendo barulho. Ele rumou para a mesa retangular sobre o talado e se sentou em uma cadeira qualquer, encarando um ponto fixo.
Wray nunca o tinha visto tão arrasado desde a morte de seus pais. Seus olhos estavam tão intensamente perturbados, os ombros caídos sem energia...
– O que houve? – perguntou.
Ele temia saber do que se tratava, mas não podia ficar sem saber. Svan era um homem feroz e circunspeto, que nunca se mostrava débil ou possuidor de alguma fraqueza. Mesmo diante das piores circunstâncias, era inabalável, e isso inspirava confiança naqueles que o seguiam. O Svan de agora era uma sombra morta do que um dia já fora, como se algo inenarrável houvesse acontecido, destruindo-o impiedosamente por dentro.
Wray se aproximou. Seu amigo apoiou os cotovelos na mesa, segurando a cabeça entre a mãos trementes, encarando o tampo de madeira como se visse todo o terror pelo qual passara ali.
Ele não lhe respondeu. O silêncio que se seguiu era carregado de tensão, pairando entre eles de forma aterradora.
O que estava acontecendo?
– Aricin – Wray chamou sem elevar a voz. O escravo apenas colocou parte da cabeça para fora da entrada da cozinha, espiando e aguardando ordens – Traga hidromel. – Aricin aquiesceu e logo desapareceu de sua vista. Wray pousou uma mão no ombro de Svan – Ei, irmão – disse suavemente – O que foi? – Svan apenas negou com a cabeça. Wray apertou seu ombro para que soubesse que estava ali para o que precisasse – Não vou mais perguntar. Mas, se quiser conversar, estou aqui.
Wray se afastou. Olhou uma última vez ao seu amigo e irmão de armas, desolado pelo quanto Svan parecia dilacerado.
O que havia acontecido?
Seguiu de volta para o quarto, elevando a tampa de um baú e pegando uma muda de roupas.
Se pensasse sobre o que vira naqueles parcos minutos, deduziria que Niels morrera, uma vez que era o maior amor da vida de Svan. Era seu precioso irmãozinho. Mas, então, esperava que não fosse verdade.
Vestiu apenas uma calça de pele cinza e voltou para a sala, onde havia dois cálices de bronze sobre a mesa, cheios de intocado e doce hidromel. Aricin já se escondera outra vez, querendo sua costumeira solidão. Wray puxou uma cadeira e se posicionou sentado ao lado de Svan, deixando entrever toda a sua preocupação, mas sem nada dizer. Segurando a haste fina do cálice, ergueu aos lábios, sorvendo um ínfimo gole. A bebida doce lhe ofereceu apenas um leve queimar.
Svan sequer olhou para o hidromel.
Wray, por muito tempo, ficou apenas observando seu amigo. Sentia-se impotente, pois não lhe passava pela cabeça uma forma de fazê-lo lhe contar sem pressiona-lo. Queria saber o que era e esperava saber como solucionar o problema. Mas, se permanecessem como estavam, o dia raiaria e ainda estariam sentados ali, inertes, deixando o tempo passar.
O que podia fazer por Svan?
Estava abrindo a boca para falar, quando Svan o interrompeu:
– Eu sei o que você vai dizer quando eu contar – ele grunhiu. Sua voz era pesada, embargada por uma emoção dolorosa – E eu sei o que vai fazer em seguida. Acho que também espero que o faça, pois eu mereço.
Wray sentia que estava pisando em ovos. Tinha de ser bastante cuidadoso sobre o assunto.
– Se veio aqui porque espera um murro – disse em um tom baixo e bastante tranquilo – Digo apenas que, seja o que for, esmurrá-lo não vai mudar o que aconteceu e não pretendo lhe dar paz de espírito. Então – forçou um diminuto sorriso encorajador – Por favor, conte-me.
Svan soltou o ar devagar pela boca, afogado em seu próprio tormento.
– Eu... não sei por onde começar.
– Apenas fale o que lhe vem à mente.
Ele assentiu com a cabeça.
– Não estou usando isso como justificativa para o que eu fiz. – Svan pausou, tomando ar – Mas estou no meu limite esses dias, Wray. Estou muito estressado e muitas vezes não sei o que fazer pelo clã. Vamos cair no meio de uma guerra que não é nossa e, ainda assim, quero manter Meine, o que não faz sentido. Eu devia simplesmente pagar uma compensação a Darius e lhe entregar Meine, mas... Eu não consigo. A colheita desta temporada também não foi muito boa.
– E temos poucas mulheres no clã.
Assentiu com a cabeça ante o complemento de Wray.
– É contra as leis que escravos sejam feitos de esposas ou maridos, então, nossas opções são muito restringidas. Já pensei em propor uma união com a Corte Seelie e me casar com uma fada em troca de várias de suas mulheres, mas... Não consigo – ele embrenhou os dedos nos cabelos e Wray notou como seus olhos estavam brilhantes – Não porque detesto fadas, mas não as quero. Não quero passar todos os meus dias olhando para... uma delas.
– Peça um homem então.
Balançou a cabeça.
– Preciso de herdeiros. Como líder deste clã, preciso fornecer herdeiros de sangue forte, de um puro Berserker... E não conheço clãs de Berserkers com muitas mulheres por aqui. Ter filhos é minha obrigação, Wray. Filhos com meu sangue, com a minha força. Minha esposa deve ser uma mulher apresentável, de linhagem nobre, para passar bons genes para a próxima geração.
– E se... Sua esposa for um menino Seelie, mas da classe dos... Elfos?
Os olhos de Svan se arregalaram quando se voltou para encarar Wray como se tivesse lhe crescido barbatanas na bunda.
– Impossível! Escravos não podem se casar!
Wray sorriu.
– Oh, vamos lá, Svan... Se devolver Meine ao reino dos elfos, terá de pagar ao rei uma compensação. E, consequentemente, Meine deixará de ser escarvo. Será livre, como é o que ele quer. – Wray deu de ombros – Todos sabem que Frey é o deus do sol e da fertilidade. É óbvio que seus filhos são extremamente férteis e... Quer linhagem mais nobre que a de um deus? Eles estão no nosso patamar, senão acima de nós na hierarquia.
Svan pareceu sem palavras por um momento. Entrelaçou os dedos sobre a mesa, fitando o vazio com desilusão.
– Somos dois homens.
Wray riu.
– Eu sei. Não acha que está colocando muitos problemas para se impedir de arranjar uma solução pragmática?
Svan semicerrou os olhos.
– Ainda estamos no meio de uma guerra. E o rei dos elfos não me dará mulheres ou elfos férteis para aumentar os guerreiros em meus clãs. Se me permitir ficar com Meine, será um presente grande demais.
– Sei que ainda é cedo para que se amem verdadeiramente, mas já há afeto entre vocês e...
– Darius pode ser um bom homem, mas também é um rei. E pensando de igual para igual, não vejo como ele se beneficiaria com os meus termos. Eu não aceitaria tal proposta, por mais benevolente que fosse.
Wray anuiu, compreensivo.
– E então, onde entra a sua terrível falha?
Svan passou a mão pelo rosto, seguindo para o cabelo, jogando as mechas para trás em um gesto nervoso.
– Eu perdi o controle.
Wray franziu o cenho, os ombros ficando rígidos.
– O que quer dizer?
– Exatamente isso, Wray. Eu não tenho válvulas de escape como todos vocês, e vocês não têm as minhas responsabilidades. Conter-me todos os dias está me matando. Estresse, falta de sexo, estresse, estresse... Problemas.
– A sua besta...
– Ela queria Meine tanto quanto eu.
Os olhos de Wray se abriram como pratos e seu coração pareceu ir bater nos pés, desenfreado pelo temor do significado das palavras de Svan.
Não... Aquilo não...
– Você não sentiu isso? Não sentiu que estava se descontrolando?
Lentamente, ele assentiu com a cabeça. Wray se levantou tão abruptamente que a cadeira na qual se sentava caiu com um baque violento. Aricin correu para a porta da cozinha, mas não ultrapassou seu limite. Wray pressionou os lábios com força, encarando Svan raivosamente.
– Eu quis parar – Svan disse com um fio de voz – Eu quis não ir adiante... Juro que quis. Eu ia desistir. Mas quando ele disse meu nome, eu perdi o controle. Antes que eu percebesse, ele estava longe de mim, aterrorizado. Eu não queria, Wray... Não queria ter-lhe feito mal. Eu...
– Não é a mim que deve dizer – Wray rosnou, sua própria besta se rebelando dentro de si com uma hostil vontade de atacar seu líder. Wray nunca se sentira impelido a matar ninguém, e sua fera interior costumava ter uma empatia muito grande com ele. Agora, ambos desejavam destroçar Svan, independente de isto significar ou não um desafio a sua liderança. – Onde ele está? – Svan nada disse. Wray o agarrou pela gola da camisa, puxando-o para si até seus narizes estarem muito próximos – Cadê o Meine, Svan?
– Eu não sei – ele murmurou sem energia – Quando fui procurá-lo, não o achei. Ele fugiu de mim, Wray. Ele...
– E que merda n’água está fazendo aqui, maldição? – Wray rugiu, empurrando-o de encontro a cadeira e afastando-se, respirando fundo. Não queria nem pensar no que seu amigo estaria passando naquele momento – Não deveria ter vindo atrás de mim. Deveria ter ido buscá-lo e dizer toda essa... coisa que me disse.
– Não vou dizer a ele. Não posso me expor dessa forma e...
Ele se calou quando Wray lhe lançou um olhar de ódio.
– Expor seu coração a alguém que você gosta não é uma fraqueza, Svan. – ele mesmo gostaria de ter a oportunidade de fazê-lo – Se você não levantar essa bunda daí e ir procurar por Meine, eu mesmo irei. E quando o achar, não o trarei para você.
Deuses, quão tolo poderia ter sido? Meine deveria odiá-lo agora. Wray lhe dissera que Svan era bondoso, que não o machucaria... Svan ainda era bondoso e podia não ter sido intencional, mas Meine não sabia disso.
Svan se levantou e havia uma expressão estranha em sua face, algo que Wray jamais vira no líder.
– Estou indo – rosnou – Tome conta do clã para mim até eu voltar.
Continua...
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